{"id":1016,"date":"2010-08-22T07:36:22","date_gmt":"2010-08-22T10:36:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1016"},"modified":"2010-08-22T07:36:22","modified_gmt":"2010-08-22T10:36:22","slug":"a-aplicacao-do-termo-persona-ao-ser-humano-segundo-santo-agostinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1016","title":{"rendered":"A aplica\u00e7\u00e3o do termo &#8220;persona&#8221; ao ser humano segundo Santo Agostinho"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jackson de Sousa Braga<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Hoje a palavra \u201cpessoa\u201d se tornou sin\u00f4nimo de ser humano. Mas, pode-se questionar: \u201cser\u00e1 que sempre foi assim?\u201d sabe-se que n\u00e3o. Pois foi gra\u00e7as ao pensamento agostiniano que se teve a aplica\u00e7\u00e3o de tal termo a todo e qualquer ser humano<a href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O presente trabalho tem por objetivo mostrar como Agostinho aplicou o termo pessoa ao ser humano, dando enfoque a aplica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mostrando a conceitua\u00e7\u00e3o do termo, visto que Agostinho n\u00e3o d\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o do termo, como fil\u00f3sofos posteriores o fizeram, por exemplo Bo\u00e9cio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Inicia-se este trabalho fazendo uma retomada hist\u00f3rica do termo pessoa, logo ap\u00f3s mostra-se as analogias que o bispo de Hipona faz com o ser humano e a Trindade divina, para aplicar o termo ao ser humano.<a href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2. Retomada hist\u00f3rica do termo \u201cpessoa\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>a) Per\u00edodo cl\u00e1ssico<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O termo <em>persona<\/em> surge na l\u00edngua latina para designar uma m\u00e1scara usada pelos atores na representa\u00e7\u00e3o teatral, quando encenavam personagens em suas apresenta\u00e7\u00f5es. A m\u00e1scara tamb\u00e9m ajudava a ampliar a voz do ator para que a plateia o ouvisse bem, da\u00ed o termo <em>per + sonare <\/em>(fazer soar).<a href=\"#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na cultura grega, o termo tamb\u00e9m foi usado no mesmo sentido, sendo traduzido para a palavra <em>pr\u00f3sopon<\/em>, ou seja, m\u00e1scara para fazer teatro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A m\u00e1scara revelava o personagem, por\u00e9m escondia o ator por tr\u00e1s de si, deixando apenas que sua voz fosse exposta ao p\u00fablico:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201co tema grego-latino do <em>pr\u00f3sopon \/ persona<\/em> orienta-nos igualmente para a dignidade da pessoa que est\u00e1 \u201cpor detr\u00e1s\u201d do ator: a face banal, cotidiana e de todos conhecida do comediante, isto \u00e9, para \u201cdisfar\u00e7ar\u201d, mas usa-se sobretudo para representar outrem mais digno \u2013 um deus, por exemplo \u2013 , fixando-lhe os contornos, a figura e ampliando o som, de forma que a voz se fa\u00e7a ouvir no teatro.\u201d<a href=\"#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Existem estudiosos que acreditam que a palavra possa derivar do etrusco <em>phersu (o Fersu)<\/em>, devido a uma palavra coloca na pintura de um tumba, onde aparecem dan\u00e7arinos mascarados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tamb\u00e9m existem os que acreditam que a origem do conceito<a href=\"#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> estaria no direito grego e romano. Pessoa seriam os var\u00f5es, livres e sujeitos de deveres e direitos. As mulheres, crian\u00e7as e escravos n\u00e3o tinham tais direitos. Observa-se aqui que \u201chomem (var\u00e3o e mulher) e pessoa n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos\u201d<a href=\"#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, pois tanto os escravos, como mulheres e crian\u00e7as n\u00e3o eram vistos como pessoas, dotadas de liberdade e direitos, ou seja, n\u00e3o era reconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil definir a origem do termo pessoa e\u00a0 seu significado, antes da abordagem crist\u00e3:\u201ca origem etimol\u00f3gica da palavra pessoa tem objeto de grande n\u00famero de propostas, n\u00e3o obstantes nenhuma a tenha esclarecido completamente.\u201d<a href=\"#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>b) Os primeiros s\u00e9culos do Cristianismo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O conceito pessoa foi formulado pela primeira vez, exatamente no contexto na reflex\u00e3o teol\u00f3gico-crist\u00e3, ao pensar no Cristo (Deus encarnado) e em Deus (uno-trino). O conceito foi usado para resolver quest\u00f5es levantadas sobre a Trindade (um Deus ou tr\u00eas Deuses?) e sobre a Encarna\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo (Deus ou homem?). Os autores n\u00e3o pretendiam explicar filosoficamente os seres humanos como pessoa, mas desejavam explicar a f\u00e9 que tinham em um Deus-Trindade e na Encarna\u00e7\u00e3o da segunda pessoa dessa Trindade como homem, sem perder sua divindade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O termo pessoa foi aprofundado pela reflex\u00e3o teol\u00f3gica, nos do s\u00e9culos IV e V. O problema teve in\u00edcio com alguns te\u00f3logos do s\u00e9culo III, chamados de \u201cmodalistas\u201d (Noeto, Prassea e Sabellio). Eles interpretaram a diferen\u00e7a das individualidades que h\u00e1 na Trindade (Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo) como modos de Deus se revelar, mesmo sendo \u00fanico, com seus diversos pap\u00e9is, os quais s\u00e3o desenvolvidos na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Este uso se liga ao termo <em>Prosopon<a href=\"#_ftn8\"><sup><strong><sup>[8]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a> <\/em>, no sentido de individualidade de cada um, mas n\u00e3o deixando de ser\u00a0 uma \u00fanica e mesma subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sabe-se que foi Tertuliano que traduziu a palavra grega <em>prosopon<\/em> ao conceito latino <em>persona<\/em>, pr\u00f3prio do direito romano<a href=\"#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. Al\u00e9m disso, ele usou os termos latinos <em>Substantia, persona e status <\/em>para sanar essas confus\u00f5es modal\u00edsticas, mas n\u00e3o diminuiu a quest\u00e3o.<a href=\"#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O conc\u00edlio de Nic\u00e9ia, em 325, n\u00e3o conseguiu resolver o problema. Ele combatia Ario, que acentuava a diferen\u00e7a entre as 3 pessoas divinas e negava a divindade de Cristo. Nesse Conc\u00edlio \u00e9 proclamado o dogma de que Cristo tem a mesma natureza do Pai. Mas, mesmo assim, n\u00e3o conseguiu resolver o problema para distinguir adequadamente as pessoas divinas, sem anular sua natureza una.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Or\u00edgenes introduziu na reflex\u00e3o trinit\u00e1ria, o voc\u00e1bulo \u201c<em>hipostasis<\/em>, quando distinguiu tr\u00eas coisas (<em>pr\u00e1gmata<\/em>) na ess\u00eancia comum (<em>ous\u00eda<\/em>) de Deus, que se diferenciam, precisamente pelas distintas <em>hipostasis<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>. Os padres da Capad\u00f3cia (Bas\u00edlio, Greg\u00f3rio de Nissa e Greg\u00f3rio Nazianzeno) ajudaram, tomando os termos que Or\u00edgenes usou, para clarear definitivamente o problema. Segundo eles, existe uma diferen\u00e7a entre <em>ous\u00eda<\/em> (ess\u00eancia ou natureza) e <em>hipostasis<\/em> (subst\u00e2ncia ou substrato: <em>substratum<\/em> em latim). Eles acreditavam que a <em>hipostasis <\/em>\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o concreta, individual da ess\u00eancia comum e a subst\u00e2ncia pode ser comum<a href=\"#_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tertuliano tomando ent\u00e3o essa distin\u00e7\u00e3o, afirma <em>\u201ctres Personae, una Substantia\u201d<\/em>. Com essas distin\u00e7\u00f5es, opera-se a identifica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica entre <em>prosopon<\/em> e <em>hipostasis<\/em>. A subst\u00e2ncia passa a significar o que h\u00e1 de comum enquanto a pessoa significa a individualidade na subst\u00e2ncia. <a href=\"#_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>3. A imagem da trindade nas criaturas, sobretudo no homem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho parte ent\u00e3o do que recebera da Tradi\u00e7\u00e3o, para analisar a Trindade. Ele inicia a obra <em>De Trinitate<\/em> com o intuito de esclarecer<a href=\"#_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> a doutrina sobre a Trindade. Ele observa a incapacidade de se dizer ou conceituar a Trindade, sabendo da incapacidade da ci\u00eancia humano para o fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, o bispo de Hipona tem consci\u00eancia de que a criatura \u00e9 imagem de seu Criador e pode observar que todas as coisas trazem a marca do princ\u00edpio, do qual elas receberam o ser, portanto elas s\u00e3o imagem que expressa, em grau menor, a Trindade:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cDois erros devem ser evitados pelo pensamento que eles amea\u00e7am: Crer que nada do que se sabe sobre as coisas pode ser, em algum grau afirmado acerca de Deus; e crer que o que se sabe sobre as coisas pode ser afirmado acerca de Deus no mesmo sentido que sobre as coisas\u201d<a href=\"#_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ele, ent\u00e3o, tomando as Sagradas Escrituras e observando que o homem \u00e9 a melhor imagem de Deus, \u2013 \u201cfa\u00e7amos o homem a nossa imagem e semelhan\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> \u2013 passa a analis\u00e1-lo com o intuito de esclarecer<a href=\"#_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> melhor a doutrina sobre a Trindade. A dignidade da imagem do homem pertence propriamente apenas a sua alma, nesta pertence propriamente ao pensamento (<em>mens<\/em>), que \u00e9 a parte superior e mais pr\u00f3xima de Deus.<a href=\"#_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Santo Agostinho encontra oito analogias da imagem de Deus nas criaturas:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Amans &#8211;\u00a0 quod amatur \u2013 amor<a href=\"#_ftn19\"><sup><strong><sup>[19]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Mens \u2013 notitia \u2013 amor<a href=\"#_ftn20\"><sup><strong><sup>[20]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Memoria \u2013 Intelligentia \u2013 Voluntas <a href=\"#_ftn21\"><sup><strong><sup>[21]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Res (visa) \u2013 Visio (exterior) \u2013 Intentio (anima)<a href=\"#_ftn22\"><sup><strong><sup>[22]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Mem\u00f3ria (sensibilis) \u2013 visio (interior) \u2013 Volitio<a href=\"#_ftn23\"><sup><strong><sup>[23]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Memoria (intellectus) \u2013 scientia \u2013 voluntas<a href=\"#_ftn24\"><sup><strong><sup>[24]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Scientia (fidei) \u2013 Cogitatio \u2013 amor<a href=\"#_ftn25\"><sup><strong><sup>[25]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Memoria Dei \u2013 Intelligentia Dei \u2013 amor Dei<a href=\"#_ftn26\"><sup><strong><sup>[26]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, deve-se pensar as analogias pr\u00f3prias da mente, pois, como j\u00e1 dito, \u00e9 na alma que est\u00e1 a dignidade da imagem de Deus. Portanto, dentre as citadas, deve-se tomar para este estudo as seguintes analogias:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Mens, Notitia e Amor;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Memoria, Intelligentia e voluntas;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Memoria Dei, Intelligentia Dei e Amor Dei.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deixando para textos posteriores o estudo das demais analogias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deve-se ter em destaque que, \u00e9 gra\u00e7as a essas analogias que Agostinho encontra a possibilidade de aplicar o termo pessoa ao ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>a) Mens, Notitia et Amor <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O bispo de Hipona inicia essa reflex\u00e3o ressaltando que a imagem que ir\u00e1 usar \u00e9 imperfeita, mas mesmo assim \u00e9 imagem<a href=\"#_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>. Ele analisa inicialmente o amor da mente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando se ama algo, encontra-se tr\u00eas realidade distintas: o amante, o amado e o amor, mas,\u00a0 nesse caso, Agostinho busca o amor que a mente tem. Entretanto, a mente ama, ela ama a si mesma e nesse amor existem duas realidade : o que \u00e9 amado e o amor. Pois \u201ca mesma coisa \u00e9 mencionada duas vezes ao se dizer: ama a si mesma e \u00e9 amado por si mesmo\u201d<a href=\"#_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho, deixando de lado tudo o que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio da alma, chega a duas realidades: a mente e o amor. Mas, ele n\u00e3o fica satisfeito, pois a mente n\u00e3o pode amar a si mesma, se n\u00e3o conhecer a si mesma<a href=\"#_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O conhecimento da mente \u00e9 necess\u00e1rio, pois n\u00e3o se pode amar algo que lhe seja desconhecido; \u00e9 necess\u00e1rio que o conhecimento n\u00e3o exceda o seu ser, porque \u00e9 a mente que conhece e \u00e9 conhecida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho, nessa an\u00e1lise, consegue perceber uma imagem, mesmo que imperfeita de Deus, pois a mente (<em>mens<\/em>), o conhecimento (<em>notitia<a href=\"#_ftn30\"><sup><strong><sup>[30]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>)<\/em> e o amor s\u00e3o Tr\u00eas realidade distintas, por\u00e9m de mesma subst\u00e2ncia:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cPortanto, a mente, seu amor e seu conhecimento formam tr\u00eas realidades. Essas tr\u00eas coisas, por\u00e9m s\u00e3o uma \u00fanica unidade e quando perfeitas s\u00e3o tamb\u00e9m iguais.\u201d<a href=\"#_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>b) Memoria, Intelligentia et Voluntas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Essa analogia \u00e9 mais satisfat\u00f3ria do que a precedente, porque os termos dessa tr\u00edade s\u00e3o realmente distintos, mas nem por isso deixam de formar uma unidade, isso \u00e9 devido a unidade mesma do esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho come\u00e7a considerando que j\u00e1 nas crian\u00e7as essas faculdades se manifestam unidas, mas tendo sua distin\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cCom efeito, tamb\u00e9m o temperamento ou, como outros preferem chamar, a \u00edndole das crian\u00e7as, costuma refletir essas tr\u00eas faculdades. Quanto mais tenaz e facilmente a crian\u00e7a recorde, com mais presteza\u00a0 entenda e com mais afinco seja aplicada, de tanto mais elogi\u00e1vel \u00edndole \u00e9 possuidora\u201d.<a href=\"#_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Agostinho, a mem\u00f3ria \u00e9 entendida como a faculdade da recorda\u00e7\u00e3o e da consci\u00eancia. A mem\u00f3ria \u00e9 espiritual, conforme ele j\u00e1 explica nas <em>Confiss\u00f5es<a href=\"#_ftn34\"><sup><strong><sup>[34]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>. Olhando mais profundamente, \u00e9 a consci\u00eancia de si mesmo, a que pertence qualquer conhecimento de si: \u201cnada, por\u00e9m existem de t\u00e3o presente na mem\u00f3ria como a pr\u00f3pria mem\u00f3ria\u201d<a href=\"#_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a>. O entendimento e a vontade tamb\u00e9m s\u00e3o compreendidos do mesmo modo, pois entendem e amam o que h\u00e1 na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Analisando melhor a analogia, pode-se observar que a mem\u00f3ria lembra que tem mem\u00f3ria, intelig\u00eancia e vontade. Assim como o entendimento entende que entende, quer e recorda, do mesmo modo, a vontade quer querer, lembrar e entender<a href=\"#_ftn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Al\u00e9m disso, o que n\u00e3o se recorda, n\u00e3o pode estar na mem\u00f3ria nem poder\u00e1 ser compreendido nem mesmo amado: \u201ctodo intelig\u00edvel que escapa \u00e0 minha mem\u00f3ria, \u00e0 minha vontade, nem o recorde nem o amo\u201d<a href=\"#_ftn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, acredita-se que essa imagem \u00e9 a melhor da divina Trindade, pois nesta analogia a mem\u00f3ria representa melhor a pessoa do Pai, enquanto a <em>mens<\/em>, na primeira analogia, representa antes toda a divindade<a href=\"#_ftn38\"><sup>[38]<\/sup><\/a>. O Filho e o Esp\u00edrito santo procedem do Pai, como na alma, a <em>intelligentia et voluntas<\/em> procedem da <em>memoria<\/em> onde est\u00e3o<a href=\"#_ftn39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>c) Memoria Dei, Intelligentia Dei et Amor Dei<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A tr\u00edade da alma anterior n\u00e3o \u00e9 uma imagem da Trindade, s\u00f3 porque pode recordar de si, entender-se e amar-se a si mesma, tamb\u00e9m o \u00e9 porque pode recordar, entender e amar a seu Criador. Esta trindade ser\u00e1 chamada de trindade da Sabedoria<a href=\"#_ftn40\"><sup>[40]<\/sup><\/a>, pois \u00e9 pela sabedoria divina que se pode unir os termos <em>memoria \u2013 intelligentia \u2013 amor.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Interessante ressaltar que, nessa analogia, Agostinho ir\u00e1 partir do amor ao inv\u00e9s de come\u00e7ar pela mem\u00f3ria, como o fizera na analogia anterior. Para ele, amar a si mesmo e n\u00e3o amar a Deus \u00e9 como se enganar sobre seus sentimentos:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cQuem sabe se amar a si mesmo, ama a Deus. Quem por\u00e9m, n\u00e3o ama Deus, mesmo que se ame \u2013 o que lhe \u00e9 natural \u2013 pode dizer com raz\u00e3o que se odeia.\u201d<a href=\"#_ftn41\"><sup>[41]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, como Agostinho j\u00e1 havia observado na analogia anterior, para que algo seja amado \u00e9 necess\u00e1rio t\u00ea-lo na mem\u00f3ria e conhec\u00ea-lo. Ele observa que a imagem de Deus est\u00e1 presente na mem\u00f3ria<a href=\"#_ftn42\"><sup>[42]<\/sup><\/a> pela participa\u00e7\u00e3o do homem em Deus. \u00c9 pela luz divina que se tem a imagem de Deus na mem\u00f3ria humana<a href=\"#_ftn43\"><sup>[43]<\/sup><\/a>. O homem deve fazer todo o processo que foi comentado na analogia anterior para amar a Deus e a si: \u201cse n\u00e3o recordar de Deus, se n\u00e3o o compreender e se n\u00e3o o amar, n\u00e3o estar\u00e1 com Deus\u201d<a href=\"#_ftn44\"><sup>[44]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>4. Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O ser humano \u00e9 a melhor imagem que Agostinho encontra para expressar a Trindade de Deus. N\u00e3o est\u00e1 eliminada a possibilidade de as outras criaturas serem a imagem de seu criador, por\u00e9m o ser humano \u00e9 a melhor imagem. Ele \u00e9 a imagem e semelhan\u00e7a do Deus como a Sagrada Escritura o diz<a href=\"#_ftn45\"><sup>[45]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os santos padres anteriores a Santo Agostinho forneceram a base para o seu pensamento sobre a Trindade, vendo-A como uma subst\u00e2ncia \u00fanica, mas que tem individualidade pr\u00f3pria: \u201c<em>tres persona, una substantia\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Fil\u00f3sofo hiponense, tomando essa teoria, come\u00e7a a analisar a melhor imagem de Deus que se encontra sobre a Terra. Analisando o ser humano, observa que ser imagem de Deus \u00e9 privil\u00e9gio exclusivo da Alma humana<a href=\"#_ftn46\"><sup>[46]<\/sup><\/a>. Agostinho parte ent\u00e3o para uma busca de imagens de Deus na alma, encontrando: <em>mens, notitia et amor; memoria, intelligentia et voluntas;\u00a0 memoria Dei, intelligentia Dei et amor Dei.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A primeira \u00e9 expressa na rela\u00e7\u00e3o de que a mente tem seu conhecimento e ama a si, conhece a si mesma e se ama. A segunda, expressa a mem\u00f3ria que se lembra de si pr\u00f3pria, de seu conhecimento e de sua vontade; o conhecimento que conhece a si pr\u00f3prio, de sua lembran\u00e7a e de seu querer; e a vontade que quer querer, lembrar e conhecer. A terceira imagem faz toda a caminhada da segunda, s\u00f3 que em rela\u00e7\u00e3o a Deus e n\u00e3o a si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante das analogias citadas, Agostinho conclui que o ser humano \u00e9 pessoa, pois sendo Deus tr\u00eas pessoas em uma \u00fanica subst\u00e2ncia e o ser humano tendo tamb\u00e9m em sua parte mais digna (alma ou <em>mens) <\/em>como uma subst\u00e2ncia, com tr\u00eas individualidades diferentes, pode ser visto tamb\u00e9m como pessoa: \u201ccada homem, entretanto, tomado separadamente, \u00e9 uma pessoa humana\u201d<a href=\"#_ftn47\"><sup>[47]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">AGOSTINHO, Santo. <em>Confiss\u00f5es<\/em>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Abril cultural, 1980. (Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">_____. <em>A Trindade.<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1994. (Cole\u00e7\u00e3o Patr\u00edstica)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BOEHNER, Philotheus; GILSON, \u00c9tienne. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia crist\u00e3:<\/em> Desde as Origens at\u00e9 Nicolau de Cusa. 2.ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">CABRAL, Roque. <em>Logos:<\/em> Enciclop\u00e9dia Luso- brasileira de Filosofia. S\u00e3o Paulo: Verbo, 1973. vol. 15.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">GILSON, \u00c9tienne. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao estudo de Santo Agostinho<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SILVA, Edmar Jos\u00e9 da. <em>O homem como pessoa em Tom\u00e1s de Aquino.<\/em> Roma: PUG, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">VAZ, Henrique C. L. <em>Antropologia Filos\u00f3fica II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">VILLA, Mariano Moreno. <em>Dicion\u00e1rio do pensamento Contempor\u00e2neo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2000.<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Cf. VAZ, 1992, p. 220.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Sabe-se que o objetivo de Agostinho n\u00e3o era aplicar o termo pessoa ao ser humano e sim explicar como v\u00ea o Mist\u00e9rio trinit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> SILVA, 2005, p. 8.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> CABRAL, 1973, p. 97.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> N\u00e3o somente a palavra<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> VILLA, 2000, p. 295.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> VILLA, 2000, p. 294.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> M\u00e1scara.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> VILLA, 2000, p. 295.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> SILVA, 2005, p. 11.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> VILLA, 2000, 595.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> SILVA, 2005, p. 11.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> CABRAL, 1973, p.100.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> Esclarecer e n\u00e3o dizer propriamente o que \u00e9 o Deus Trindade, pois \u201cDeus \u00e9 inacess\u00edvel ao pensamento humano, quando considerado na unidade de sua natureza; ainda mais inacess\u00edvel [&#8230;] considerado em sua Trindade\u201d (GILSON, 2006, p. 416)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> GILSON, 2006, p.415.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref16\">[16]<\/a> Gn 1, 26<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref17\">[17]<\/a> Ver nota n\u00b0 14 deste texto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref18\">[18]<\/a> GILSON, 2006, p 416.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref19\">[19]<\/a> De Trin. VIII; 10,14\u00a0 (o que ama, o que \u00e9 amado e o mesmo amor)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref20\">[20]<\/a> De Trin. IX; 3,3 (Mente, conhecimento e amor)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref21\">[21]<\/a> De Trin. X; 11, 17 (mem\u00f3ria, conhecimento e vontade)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref22\">[22]<\/a> De Trin. XI; 2,2\u00a0 (objeto que se v\u00ea, Vis\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o da alma)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref23\">[23]<\/a> De Trin. XI; 3,6 (mem\u00f3ria, vis\u00e3o interior e vontade)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref24\">[24]<\/a> De Trin. XII; 15, 25 (mem\u00f3ria \u2013 do intelecto \u2013 , ci\u00eancia e vontade)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref25\">[25]<\/a> De Trin. XIII; 20, 26 (ci\u00eancia \u2013 da f\u00e9 \u2013 , pensamento e vontade)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref26\">[26]<\/a> De Trin. XIV; 12, 15 (mem\u00f3ria de Deus, conhecimento de Deus e amor a Deus)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref27\">[27]<\/a> De Trin. IX; 2,2.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref28\">[28]<\/a> De Trin. IX; 3, 3.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref29\">[29]<\/a> Idem<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref30\">[30]<\/a> O temo <em>notitia<\/em> significa conhecimento, ideia, conceito que formar-se de alguma coisa. Mas, pode-se questionar: \u00e9 o ato pelo qual a alma explicita todo conhecimento de si mesma ou, ao contr\u00e1rio, \u00e9 aptid\u00e3o que ela tem de se conhecer, mesmo se n\u00e3o pense explicitamente em si e n\u00e3o se tome como objeto do conhecimento? E. Gilson considera que neste livro Agostinho n\u00e3o distingue os dois modos de conhecimento (nota do tradutor da obra que est\u00e1 sendo usada)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref31\">[31]<\/a> De Trin. IX; 4, 4. Essa unidade \u00e9 perfeita por serem iguais em valor esses elementos. Se no amor existisse car\u00eancia ou excesso, haveria uma falta. E se n\u00e3o existisse adequa\u00e7\u00e3o no conhecimento, tampouco haveria perfei\u00e7\u00e3o. Logo, o conhecimento e o amor s\u00e3o iguais em intensidade, ao alcan\u00e7ar a mente a perfei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode romper a uni\u00e3o, nem desordenar a hierarquia: mente, conhecimento e amor, sem pecar contra as leis da ordem., por isso devem ser iguais (N. T)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref32\">[32]<\/a> Deve-se dizer que a imagem tr\u00edade anterior tamb\u00e9m est\u00e1 na crian\u00e7a, por\u00e9m a atual imagem tr\u00edade se manifesta melhor do que a anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref33\">[33]<\/a> De Trin. X; 11, 17.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref34\">[34]<\/a> Conf. X; 29-27, 38.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref35\">[35]<\/a> De Trin. X; 11,18.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref36\">[36]<\/a> Idem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref37\">[37]<\/a> Idem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref38\">[38]<\/a> Aqui \u00e9 a alma que contem todas as Tr\u00eas faculdades: mem\u00f3ria, intelig\u00eancia e vontade e n\u00e3o a mente, como na analogia anterior: mens, notitia e amor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref39\">[39]<\/a> De Trin. 1994, p. 645 (N. T)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref40\">[40]<\/a> De Trin. XIV; 12,15.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref41\">[41]<\/a> De Trin. XIV; 14, 18.<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref42\">[42]<\/a> Agostinho ir\u00e1 falar sobre o esquecimento que o pecador teve com sua ca\u00edda, distinguindo o esquecimento absoluto (n\u00e3o tem a imagem na mem\u00f3ria, mesmo se lhe disserem sobre tal imagem n\u00e3o consegue traz\u00ea-la a mente) e esquecimento aparente (no momento n\u00e3o tem a imagem na mente, mas quando lhe dizem sobre tal imagem pode se lembrar e traz\u00ea-la a mem\u00f3ria). \u00c9 deste modo segundo que a lembran\u00e7a de Deus subsiste no pecador (pela gra\u00e7a pode se lembrar de Deus). (De Trin. XIV; 13, 17.)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref43\">[43]<\/a> De Trin. XIV; 12,15.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref44\">[44]<\/a> De Trin. XIV; 12, 16.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref45\">[45]<\/a> Gn. 1, 26.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref46\">[46]<\/a> BOEHNER, 1970, p. 184.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref47\">[47]<\/a> De Trin. XV; 7, 11.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jackson de Sousa Braga 1. Introdu\u00e7\u00e3o Hoje a palavra \u201cpessoa\u201d se tornou sin\u00f4nimo de ser humano. Mas, pode-se questionar: \u201cser\u00e1 que sempre foi assim?\u201d sabe-se que n\u00e3o. Pois foi gra\u00e7as ao pensamento agostiniano que se teve a aplica\u00e7\u00e3o de tal termo a todo e qualquer ser humano[1]. O presente trabalho tem por objetivo mostrar como &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[65,137],"tags":[426,429],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-1016","6":"format-standard","7":"category-jackson-de-sousa-braga","8":"category-santo-agostinho","9":"post_tag-persona","10":"post_tag-pessoa"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1016"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1016\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}