{"id":1040,"date":"2010-09-17T22:00:55","date_gmt":"2010-09-18T01:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1040"},"modified":"2010-09-17T22:00:55","modified_gmt":"2010-09-18T01:00:55","slug":"arte-fim-ou-ocaso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1040","title":{"rendered":"Arte? Fim ou\u00a0ocaso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Gilmar Lopes da Silva<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>J\u00falio C\u00e9sar Ferreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nos dias atuais muito se pergunta sobre o fim da arte, e como ele surgiu e se realmente ela morreu. Mas antes de abordarmos este tema fa\u00e7amos uma breve retomada do conceito arte ao longo da hist\u00f3ria a partir das grandes linhas da classifica\u00e7\u00e3o das artes proposta por Hegel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A arte traduz o modo daquilo que est\u00e1 na imagina\u00e7\u00e3o e procura escapar aquilo que est\u00e1 na natureza. \u201cO ideal do belo\u201d <a href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> designa a maneira pela qual a ideia do belo se realiza historicamente em formas particulares da arte, pensando que cada uma dessas formas \u00e9 um per\u00edodo determinado da hist\u00f3ria.<a href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Essas formas s\u00e3o a arte simb\u00f3lica, arte eg\u00edpcia, a arte cl\u00e1ssica (arte grega) e por \u00faltimo, arte rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A arte simb\u00f3lica que tamb\u00e9m podemos chamar de eg\u00edpcia, tem um conte\u00fado e uma ideia que ainda n\u00e3o encontrou sua verdadeira express\u00e3o, ou seja, ela \u00e9 uma forma \u201cpr\u00e9-art\u00edstica\u201d e que n\u00e3o se separou da intui\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, sendo prisioneira da natureza exterior e da natureza humana, \u00e9 um modo que expressa em s\u00edmbolos misteriosos, Hegel cita os eg\u00edpcios:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\">[&#8230;]<em> suas obras de arte permanecem misteriosas e mudas, sem eco e im\u00f3veis, pois o esp\u00edrito ainda n\u00e3o encontrou sua encarna\u00e7\u00e3o verdadeira e ainda n\u00e3o conhece a l\u00edngua clara e l\u00edmpida do esp\u00edrito.<\/em><a href=\"#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 na arte cl\u00e1ssica (grega) podemos ver a perfeita adequa\u00e7\u00e3o da forma e do conte\u00fado, nela os artistas n\u00e3o se exaurem figurando de maneira simb\u00f3lica, aspira\u00e7\u00f5es mais ou menos confusas ao divino, podemos observar as obras dessa mesma \u00e9poca e assim como as mitologias, suas t\u00e9cnicas s\u00e3o consideravelmente perfeitas e dominam plenamente a mat\u00e9ria sens\u00edvel e as ordens daquele que \u00e9 o Criador.<a href=\"#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por \u00faltimo na \u201carte rom\u00e2ntica\u201d <a href=\"#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> aquela que atingiu o m\u00e1ximo da espiritualidade, \u00e9 mostrado uma arte da interioridade absoluta e da subjetividade consciente de sua autonomia e de sua liberdade. Nessa arte, onde \u00e9 enfatizada a representa\u00e7\u00e3o do divino, \u00e9 colocada de lado a refer\u00eancia de natureza, ou seja, realidade sens\u00edvel. Se por um lado na arte grega o conte\u00fado era seus deuses, na arte rom\u00e2ntica era a hist\u00f3ria do Cristo.<a href=\"#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas com o advento do iluminismo e da super valoriza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica em uma sociedade que perdeu seus fundamentos, acontece uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da arte por meio da reprodu\u00e7\u00e3o em grande escala.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Benjamim d\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o para distinguir arte convencional e a arte \u201creprodut\u00edvel\u201d. A partir do conceito de \u201caura\u201d (caracter\u00edstica que falta totalmente nessa), afirma que mesmo que aconte\u00e7a a mais perfeita reprodu\u00e7\u00e3o falta o \u201caqui e o agora\u201d da obra de arte.<a href=\"#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> A \u201carte\u201d \u00e9 agora apenas produto est\u00e9tico da mass-media; n\u00e3o \u00e9 um meio da massa, que a constitui como tal, mas sim uma esfera p\u00fablica do consenso, dos gostos e dos sentimentos comuns. A reprodutibilidade t\u00e9cnica \u00e9 destacada mediante o valor do culto e o valor da exposi\u00e7\u00e3o da obra de arte. A inven\u00e7\u00e3o da fotografia foi o primeiro meio pelo qual se reproduzia as imagens das artes fazendo a arte n\u00e3o ser contemplada em si.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>A morte da arte \u00e9 um conceito hegeliano, e como muitos outros conceitos de Hegel, esse se fez prof\u00e9tico juntamente com respeito aos desenvolvimentos efetivamente verificados na sociedade industrial super avan\u00e7ada<\/em>. <a href=\"#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, a obra de arte mais do que morta \u00e9 o ocaso. Afinal a arte passou do conte\u00fado eterno divino para o finito o que possibilitou sua liberta\u00e7\u00e3o, fazendo-a ter in\u00fameros e infinitos sentidos.<a href=\"#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Sendo assim,<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>O que morre n\u00e3o \u00e9 a arte, tampouco a obra, e sim o deus que constitui seu conte\u00fado origin\u00e1rio. Desse modo, a arte passa a ser t\u00e3o somente profana, aceitando cada vez mais dentro de si a conting\u00eancia e a particularidade do mundo prosaico, perdendo cada vez mais a sua poesia originariamente m\u00edtica para dar lugar a uma prosa dessacralizada. Admitindo o feio, o dissonante, o finito&#8230;<\/em><a href=\"#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Trata-se, portanto, de uma outra vis\u00e3o sobre a arte, e n\u00e3o do fim de sua exist\u00eancia ou da perda de sua credibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">GON\u00c7ALVES, M\u00e1rcia. A morte e a vida da arte.<strong> <\/strong><em>Kriterion<\/em> n\u00b0 109, jun.2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em>Trad. Fl\u00e1via M. L. Moretto. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">VATTIMO, Gianni. <em>O fim da modernidade: <\/em>Niilismo e hermen\u00eautica na cultura p\u00f3s-moderna. Trad. Eduardo Brand\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1996.<strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DUARTE, Rodrigo. <em>Teoria cr\u00edtica da ind\u00fastria cultural<\/em>. Belo Horizonte: UFMG, 2003.<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> \u201c&#8230;a id\u00e9ia hegeliana do belo difere da id\u00e9ia plat\u00f4nica . Para Plat\u00e3o, a id\u00e9ia do Belo, como a da Verdade e do Bem, \u00e9 abstrato, intemporal, aist\u00f3rica. Em Hegel o belo \u00e9 a pr\u00f3pria realidade concreta, apreendida em seu desdobramento hist\u00f3rico. Quando esta realidade toma a forma sens\u00edvel do belo art\u00edstico, ela determina o <em>Ideal<\/em> do belo art\u00edstico. \u201d cf.\u00a0 JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em>. p. 171.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em>Trad. Fl\u00e1via M. L. Moretto. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 1999. p. 172.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em> Trad. Fl\u00e1via M. L. Moretto. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 1999. p. 172. Apud HEGEL,<em> Esth\u00e9tique, <\/em>Paris, Aubier, \u00e9ditions Montaigne, 1944. Trad. S. Jank\u00e9l\u00e9vitch.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em> Trad. Fl\u00e1via M. L. Moretto. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 1999. p. 173.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> \u201cHegel confere um sentindo particular a palavra \u2013 cobre o per\u00edodo\u00a0 mais longo da hist\u00f3ria conhecida, visto que parte dos in\u00edcios da cristandade para culminar na \u00e9poca de Hegel, naquela em que a significa\u00e7\u00e3o filosofica ultrapassa o conflito entra a forma e o conte\u00fado.\u201d Cf. JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em> p. 174.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em> Trad. Fl\u00e1via M. L. Moretto. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 1999. p. 174.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> DUARTE, Rodrigo. <em>Teoria cr\u00edtica da ind\u00fastria cultural<\/em>. Belo Horizonte: UFMG, 2003. p. 22.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> VATTIMO, Gianni. <em>O fim da modernidade:<\/em>Niilismo e hermen\u00eautica na cultura p\u00f3s-moderna. Trad. Eduardo Brand\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 39.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> GON\u00c7ALVES, M\u00e1rcia. <em>A morte e a vida da arte.<\/em><strong> <\/strong>Belo Horizonte: Kriterion n\u00b0 109, Jun\/2004. p. 56.<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> GON\u00c7ALVES, M\u00e1rcia. <em>A morte e a vida da arte.<\/em><strong> <\/strong>Belo Horizonte: Kriterion n\u00b0 109, Jun\/2004. p. 55.<em> <\/em><\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"display:none;opacity:1!important;background:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;overflow:visible!important;z-index:999999!important;text-align:left!important;border-color:none!important;margin:0!important;padding:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;overflow:visible!important;background-image:0 color-stop(50%,#EEE), color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;padding:8px!important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;margin:0!important;padding:3px 5px 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilmar Lopes da Silva J\u00falio C\u00e9sar Ferreira Nos dias atuais muito se pergunta sobre o fim da arte, e como ele surgiu e se realmente ela morreu. 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