{"id":1062,"date":"2010-10-15T12:48:35","date_gmt":"2010-10-15T15:48:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1062"},"modified":"2010-10-15T12:48:35","modified_gmt":"2010-10-15T15:48:35","slug":"impressoes-ideias-e-suas-ligacoes-estruturais-segundo-hume","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1062","title":{"rendered":"Impress\u00f5es, id\u00e9ias e suas liga\u00e7\u00f5es estruturais segundo\u00a0Hume"},"content":{"rendered":"<p><strong>Edivaldo de Oliveira Ribeiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Seja fil\u00f3sofo, mas para al\u00e9m da filosofia, seja sempre homem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">(Hume, 1998, p.16)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">David Hume nasceu em Edimburgo em 1711. Em 1734, parte para a Fran\u00e7a e \u00e9 l\u00e1 que, ainda muito jovem, escreveu a sua obra principal, o Tratado da natureza humana. Tornando bibliotec\u00e1rio da ordem dos advogados em Edimburgo, realizou uma obra consider\u00e1vel como historiador. Vinculado ao embaixador da Inglaterra na Fran\u00e7a, viveu de 1763 a 1766 em Paris. \u00c9 na Esc\u00f3cia que o fim da sua vida \u00e9 ocupado pela composi\u00e7\u00e3o de suas \u00faltimas obras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo Hume, aquilo que se apresenta \u00e0 mente humana e d\u00e1 origem ao seu conte\u00fado \u00e9 denominado \u201cpercep\u00e7\u00e3o\u201d. Percep\u00e7\u00f5es para Hume s\u00e3o as sensa\u00e7\u00f5es ou faculdades que podem remedar ou copiar as percep\u00e7\u00f5es dos sentidos, mas nunca poder\u00e3o atingir a for\u00e7a e a vivacidade de um sentimento original. Ele a distingue, ainda, dividindo-a em duas classes: impress\u00f5es e id\u00e9ias. As impress\u00f5es podem ser simples ou complexas. As impress\u00f5es simples ou complexas, assim denominadas, s\u00e3o percep\u00e7\u00f5es que se manifestam com maior for\u00e7a ou viol\u00eancia (exemplos de impress\u00f5es simples: uma cor, um sabor; complexas: uma ma\u00e7\u00e3, al\u00e9m de podermos usar ainda como exemplos as sensa\u00e7\u00f5es, as paix\u00f5es e as emo\u00e7\u00f5es). As id\u00e9ias tamb\u00e9m s\u00e3o classificadas em simples ou complexas, elas s\u00e3o apresentadas como as imagens enfraquecidas que a mem\u00f3ria produz a partir das impress\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A primeira classe de impress\u00f5es diz respeito \u00e0 for\u00e7a ou a vivacidade com que as percep\u00e7\u00f5es \u00e9 apresentada \u00e0 nossa mente, ou seja, quando ouvimos, vemos, sentimos, amamos, odiamos, desejamos ou queremos. As impress\u00f5es est\u00e3o mais ligadas aos sentimentos.\u00a0 A segunda classe das id\u00e9ias diz respeito \u00e0 ordem e \u00e0 sucess\u00e3o temporal com que a mesma se apresenta, em outras palavras, diz respeito \u00e0s impress\u00f5es menos vivazes das quais temos consci\u00eancia quando refletimos sobre qualquer dessas sensa\u00e7\u00f5es acima mencionadas. As id\u00e9ias est\u00e3o mais ligadas ao ato de pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As propriedades que d\u00e3o origem \u00e0 associa\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias s\u00e3o: semelhan\u00e7a, contig\u00fcidade no tempo e no espa\u00e7o e causalidade. Pode-se entender a semelhan\u00e7a pelo fato de a fantasia fazer a associa\u00e7\u00e3o de uma c\u00f3pia ao original, devido \u00e0 semelhan\u00e7a existente entre ambos. A contig\u00fcidade no tempo e no espa\u00e7o pelo fato de a fantasia fazer tamb\u00e9m uma associa\u00e7\u00e3o de C\u00e9sar a C\u00edcero por causa da contig\u00fcidade temporal de ambos e associa o sino ao campan\u00e1rio por causa da contig\u00fcidade espacial dos dois e, finalmente, a causalidade &#8211; causa e efeito &#8211; assim tamb\u00e9m chamada, o fato de a fantasia associar \u00e0 ferida a dor pelo fato de ser a dor a conseq\u00fc\u00eancia da ferida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com essa \u00faltima Hume prova que a rela\u00e7\u00e3o entre causa e efeito n\u00e3o pode ser conhecida a priori, isto \u00e9, pelo simples exame dos conceitos implicados na rela\u00e7\u00e3o, mas somente pela experi\u00eancia. Diante de um objeto novo, ningu\u00e9m est\u00e1 em descobrir as suas causas e os seus efeitos, abstraindo-se da experi\u00eancia e apenas raciocinando sobre eles. Logo a rela\u00e7\u00e3o da causalidade nasce da experi\u00eancia. \u00c9 somente com base na experi\u00eancia que podemos inferir a exist\u00eancia de uma coisa de outra. Ao recordarmo-nos de termos visto aquela esp\u00e9cie de objeto que denominamos chama e de termos sentido aquela esp\u00e9cie de sensa\u00e7\u00e3o que denominamos quente temos presente a sua associa\u00e7\u00e3o constante. Da\u00ed chamamos a uma de causa e a outra de efeito, e induzimos da exist\u00eancia de uma a exist\u00eancia do outro. Quanto ao uso do principio de causalidade, homens e animais est\u00e3o no mesmo plano. O c\u00e3o evita o fogo, os precip\u00edcios, as pessoas estranhas, como faz o homem. O c\u00e3o n\u00e3o pode formar o principio de causalidade por meio da raz\u00e3o, mas unicamente por meio do h\u00e1bito. Isto confirma plenamente a doutrina precedente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Uma conseq\u00fc\u00eancia dessa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 a dr\u00e1stica contra\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a entre sentir e pensar que \u00e9 reduzida simplesmente ao grau de intensidade: sentir consiste em ter percep\u00e7\u00f5es mais vivas (sensa\u00e7\u00f5es), ao passo que pensar consiste em ter percep\u00e7\u00f5es mais fracas (id\u00e9ias). Resulta-se disso, o fato de toda percep\u00e7\u00e3o ser dupla como afirma Reale: \u201cToda percep\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 dupla: \u00e9 sentida (de modo vivo) como impress\u00e3o e \u00e9 pensada (de modo mais fraco) como id\u00e9ia\u201d. (REALE, 2007,p.135)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fica, portanto, claro que todas as percep\u00e7\u00f5es da mente humeana se resolvem nas duas esp\u00e9cies distintas por Hume chamada de impress\u00f5es e id\u00e9ias. Hume reafirma esta doutrina no come\u00e7o das analises sobre a moral: \u201cj\u00e1 foi observado que nada jamais est\u00e1 presente \u00e0 mente sen\u00e3o suas percep\u00e7\u00f5es e que todas as a\u00e7\u00f5es de ver, ouvir, julgar, amar, odiar e pensar caem sob essa denomina\u00e7\u00e3o.\u201d As id\u00e9ias s\u00e3o semelhantes \u00e0s impress\u00f5es em tudo, exceto no grau de vivacidade. Da\u00ed toda id\u00e9ia simples tem uma impress\u00e3o simples que a ela se assemelha, e toda impress\u00e3o simples tem uma id\u00e9ia que lhe corresponde.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Percebe-se, ao aproximar-se do final deste trabalho, que toda id\u00e9ia \u00e9 copiada de alguma impress\u00e3o ou sentimento anterior e, quando n\u00e3o podemos encontrar nenhuma impress\u00e3o, podemos estar certos de que n\u00e3o h\u00e1 id\u00e9ia alguma. Devido a isso o fato de n\u00e3o existirem id\u00e9ias inatas. A nada, portanto, a mente tem acesso, sen\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o, estando confinada a si mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HUME, David. <em>Investiga\u00e7\u00e3o sobre o entendimento humano<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MONDIN, Battista. <em>Curso de filosofia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, Giovanni; ANTISERI, <em>Dario. Hist\u00f3ria da Filosofia: de Spinoza a Kant. <\/em>2.ed.S\u00e3o Paulo: Paulus.2007.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ROVIGHI, Sofia Vanni. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia Moderna.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SMITH, Pl\u00ednio Junqueira, O ceticismo de Hume. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1995.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edivaldo de Oliveira Ribeiro Seja fil\u00f3sofo, mas para al\u00e9m da filosofia, seja sempre homem. (Hume, 1998, p.16) David Hume nasceu em Edimburgo em 1711. Em 1734, parte para a Fran\u00e7a e \u00e9 l\u00e1 que, ainda muito jovem, escreveu a sua obra principal, o Tratado da natureza humana. 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