{"id":1112,"date":"2010-10-08T08:01:25","date_gmt":"2010-10-08T11:01:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1112"},"modified":"2010-10-08T08:01:25","modified_gmt":"2010-10-08T11:01:25","slug":"etica-e-economia-na-era-da-globalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1112","title":{"rendered":"\u00c9tica e economia na era da globaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Edir Martins Moreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ainda hoje vale a defini\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia de Arist\u00f3teles, formulada na sua obra <em>Organon<\/em>, como conhecimento certo pelas causas. Para saber algo em profundidade \u00e9 preciso relacionar conceitos, saber as causas, o porqu\u00ea das coisas. Este \u00e9 um dos grandes dilemas do nosso s\u00e9culo, impulsionado pelo r\u00e1pido e f\u00e1cil acesso a fontes de informa\u00e7\u00e3o. Podemos obter instant\u00e2neamente milh\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es, mas corremos o perigo de tornarmo-nos incapazes de process\u00e1-las de um modo org\u00e2nico, integrado, coerente, atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o causa-efeito que caracteriza o conhecimento cient\u00edfico. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 esse o desafio mais grave que enfrentamos. \u201cOnde est\u00e1 a sabedoria que perdemos no conhecimento?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A ci\u00eancia ofuscou a procura da verdadeira sabedoria, da sabedoria cultivada na Gr\u00e9cia antiga pelos fil\u00f3sofos que buscavam saber coisas essenciais, as primeiras causas, os primeiros princ\u00edpios, a origem de todas as coisas e, mais importante ainda, o sentido da vida e da exist\u00eancia. A essa tarefa S\u00f3crates dedicou a sua vida. \u00c9 Plat\u00e3o quem colocou na boca de S\u00f3crates as seguintes palavras: \u201coutra coisa n\u00e3o fa\u00e7o sen\u00e3o andar por a\u00ed persuadindo-vos, mo\u00e7os e velhos, a n\u00e3o cuidar t\u00e3o aferradamente do corpo e das riquezas, como de melhorar o mais poss\u00edvel a alma, dizendo-vos que dos haveres n\u00e3o vem a virtude para os homens, mas da virtude v\u00eam os haveres e todos os outros bens particulares e p\u00fablicos\u201d<a href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assistimos perplexos a um distanciamento cada vez maior entre educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Crian\u00e7as e adolescentes recebem oceanos de informa\u00e7\u00f5es prontas, desconexas, e muitas vezes f\u00fateis, que s\u00e3o incapazes de processar e integrar em um projeto de crescimento em conhecimento e sabedoria. A informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 forma\u00e7\u00e3o. O simples ac\u00famulo de informa\u00e7\u00f5es, onde o racioc\u00ednio n\u00e3o tem lugar e a reflex\u00e3o \u00e9tica n\u00e3o encontra espa\u00e7o, est\u00e1 longe de contribuir para forjar a personalidade e nortear a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As considera\u00e7\u00f5es precedentes s\u00e3o apenas um exemplo para ilustrar a quest\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o, mas um exemplo significativo do paradoxo da evolu\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos ideais da cultura humana. Por isso, para uma reflex\u00e3o mais clara, propomos as defini\u00e7\u00f5es dos conceitos-chave do tema em destaque:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>1.1. \u00c9tica<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u00e9tica \u00e9 uma caracter\u00edstica inerente a toda a\u00e7\u00e3o humana e, por esta raz\u00e3o, \u00e9 um elemento vital na produ\u00e7\u00e3o da realidade social. Todo homem possui um senso \u00e9tico, uma esp\u00e9cie de &#8220;consci\u00eancia moral&#8221;, estando constantemente avaliando e julgando suas a\u00e7\u00f5es para saber se s\u00e3o boas ou m\u00e1s, certas ou erradas, justas ou injustas. Existem sempre comportamentos humanos classific\u00e1veis sob a \u00f3tica do <em>certo<\/em> e <em>errado<\/em>, do <em>bem<\/em> e do <em>mal<\/em>. Embora relacionadas com o agir individual, essas classifica\u00e7\u00f5es sempre t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com as matrizes culturais que prevalecem em determinadas sociedades e contextos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u00e9tica est\u00e1 relacionada \u00e0 op\u00e7\u00e3o, ao desejo de realizar a vida, mantendo com os outros rela\u00e7\u00f5es justas e aceit\u00e1veis. Via de regra est\u00e1 fundamentada nas id\u00e9ias de bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa exist\u00eancia plena e feliz. Provavelmente, o estudo da \u00e9tica tenha se iniciado com fil\u00f3sofos gregos h\u00e1 25 s\u00e9culos atr\u00e1s. Hoje em dia, seu campo de atua\u00e7\u00e3o ultrapassa os limites da filosofia e in\u00fameros outros pesquisadores do conhecimento dedicam-se ao seu estudo. Soci\u00f3logos, psic\u00f3logos, bi\u00f3logos, te\u00f3logos entre outros profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao iniciar um trabalho que envolve a \u00e9tica como objeto de estudo, consideramos importante, como ponto de partida, estudar o conceito de \u00e9tica, estabelecendo seu campo de aplica\u00e7\u00e3o numa pequena abordagem. A \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 algo superposto \u00e0 conduta humana, pois todas as nossas atividades envolvem uma carga moral. Id\u00e9ias sobre o bem e o mal, o certo e o errado, o permitido e o proibido definem a nossa realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u00e9tica seria ent\u00e3o uma esp\u00e9cie de teoria sobre a pr\u00e1tica moral, uma reflex\u00e3o te\u00f3rica que analisa e critica os fundamentos e princ\u00edpios que regem um determinado sistema moral. A \u00e9tica \u00e9 &#8220;em geral, a ci\u00eancia da conduta&#8221;<a href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Em outras palavras, podemos ampliar a defini\u00e7\u00e3o afirmando que a<em> <\/em>\u00e9tica \u00e9 a teoria ou ci\u00eancia do comportamento moral dos homens em sociedade<em>. <\/em>Ou seja, \u00e9 ci\u00eancia de uma forma espec\u00edfica de comportamento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>1.2. Economia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Trata-se de uma ci\u00eancia social que estuda a produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de bens e servi\u00e7os. O termo <em>economia<\/em> vem do grego <em>oikos<\/em> (casa) e <em>nomos<\/em> (costume ou lei) ou tamb\u00e9m gerir, administrar: da\u00ed &#8220;regras da casa&#8221; ou &#8220;administra\u00e7\u00e3o da casa&#8221;<a href=\"#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Uma das defini\u00e7\u00f5es que captura muito da ci\u00eancia econ\u00f4mica moderna \u00e9 a de Lionel Robbins em um ensaio de 1932: &#8220;a ci\u00eancia que estuda as formas de comportamento humano resultantes da rela\u00e7\u00e3o existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam a usos alternativos\u201d<a href=\"#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Estando ausentes a escassez dos recursos e a possibilidade de fazer usos alternativos desses recursos, n\u00e3o haver\u00e1 problema econ\u00f4mico. A disciplina assim definida envolve portanto o estudo das escolhas uma vez que s\u00e3o afetadas por incentivos e recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um dos usos da economia \u00e9 explicar como as economias ou como os sistemas econ\u00f4micos funcionam e quais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es entre agentes econ\u00f4micos na sociedade em geral. M\u00e9todos de an\u00e1lise econ\u00f4mica t\u00eam sido cada vez mais aplicados em campos de estudo que envolvem pessoas que tomam decis\u00f5es em um contexto social, como crime, educa\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia, sa\u00fade, direito, pol\u00edtica, religi\u00e3o,<sup> <\/sup>institui\u00e7\u00f5es sociais, guerra, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>1.3. Globaliza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um termo utilizado para tudo e, por essa raz\u00e3o, pode chegar a n\u00e3o significar nada. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, come\u00e7ar procurando definir bem o significado do termo. Globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo, e um processo que ocorre no tempo. A origem etimol\u00f3gica lembra globo. Seria um processo de integra\u00e7\u00e3o global do planeta Terra. Caso descobrissem outros seres no sistema solar, os habitantes poderiam pensar em um processo de \u201csolariza\u00e7\u00e3o\u201d, ou integra\u00e7\u00e3o solar, por exemplo. Independentemente da quest\u00e3o de existir ou n\u00e3o vida em outros planetas, o exemplo \u00e9 \u00fatil para compreender o significado da globaliza\u00e7\u00e3o e o papel essencial dos meios de comunica\u00e7\u00e3o nesse processo. Sem comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 o que partilhar, o que \u201cglobalizar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A comunica\u00e7\u00e3o exige um instrumento para transmitir a linguagem, seja por meio de sinais de fuma\u00e7a, luminosos, auto-falantes, r\u00e1dio, televis\u00e3o, celular ou internet. Duas barreiras, portanto, limitam a comunica\u00e7\u00e3o: uma linguagem comum, que permita a compreens\u00e3o; e um instrumento que permita e facilite a comunica\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a de l\u00ednguas \u00e9 um obst\u00e1culo para a comunica\u00e7\u00e3o e, indiretamente, para a globaliza\u00e7\u00e3o. A outra barreira \u00e9 tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O homem primitivo n\u00e3o era globalizado porque n\u00e3o se integrava, e n\u00e3o se integrava porque n\u00e3o se comunicava. Por isso uma l\u00edngua universal permite a integra\u00e7\u00e3o. \u00c9 o papel que o ingl\u00eas est\u00e1 desempenhando no mundo hodierno. Estamos sendo invadidos pelo ingl\u00eas (<em>pet shop<\/em>,<em> freezer<\/em>, <em>notebook<\/em>, etc) . \u00c9 um fato inquestion\u00e1vel, independentemente do que cada um pense a respeito, do que o Congresso Nacional legisle. Como o \u201cp\u00e9gaso\u201d da mitologia grega, a l\u00edngua inglesa tem sido o \u201ccavalo\u201d da globaliza\u00e7\u00e3o e a internet as suas \u201casas\u201d. A tecnologia avan\u00e7a a passos largos e as barreiras das dist\u00e2ncias diminuem a uma insuspeitada velocidade. A revolu\u00e7\u00e3o nas comunica\u00e7\u00f5es promove a globaliza\u00e7\u00e3o e representa um avan\u00e7o para a integra\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por conseguinte, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que se inicia com a comunica\u00e7\u00e3o. O advento da globaliza\u00e7\u00e3o traz in\u00fameras vantagens, por\u00e9m apresenta sofismas e desafios. A an\u00e1lise desse processo exige reflex\u00e3o. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a ponta do <em>iceberg<\/em>. A comunica\u00e7\u00e3o favorece o relacionamento econ\u00f4mico, o di\u00e1logo pol\u00edtico e tem um papel importante tamb\u00e9m cultural e em termos de valores. Para ir ao \u00e2mago da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso analisar n\u00e3o s\u00f3 a comunica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a economia, a pol\u00edtica e os valores. Est\u00e1 lan\u00e7ado o desafio<a href=\"#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2. Fortalecimento da \u00e9tica no mundo globalizado<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Num mundo que passa por profundas mudan\u00e7as de paradigmas e em uma sociedade que necessita com urg\u00eancia inserir no seu dia-a-dia novas pr\u00e1ticas relativas a essas mudan\u00e7as, especialmente no \u00e2mbito do planejamento da produ\u00e7\u00e3o e das formas de consumo. O uso descontrolado da natureza gerou uma grave crise que vem colocando em risco a pr\u00f3pria humanidade. A posi\u00e7\u00e3o do homem na natureza tornou-se dual ao longo da hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo em que \u00e9 parte integrante do meio ambiente, e dele dependente, tamb\u00e9m o homem passou a nele interferir de modo a conquistar cada vez mais condi\u00e7\u00f5es para aumentar sua qualidade de vida, passando assim a transformar a natureza, degrad\u00e1-la e fabricar a ilus\u00e3o de que \u00e9 independente da mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, toda crise traz em si, de forma dial\u00e9tica, a sua pr\u00f3pria solu\u00e7\u00e3o. Na medida que se entende melhor as causas e conseq\u00fc\u00eancias do mau uso dos recursos, do desrespeito \u00e0 vida, se compreende que o homem \u00e9, ao mesmo tempo, o causador e um dos mais prejudicados pelo desequil\u00edbrio por ele gerado, tamb\u00e9m, de certa forma, v\u00e3o sendo descobertas as solu\u00e7\u00f5es para os impasses. Todo o planeta \u00e9 sujeito a uma crise, o que afeta a vida de cada pessoa, de uma maneira ou de outra, j\u00e1 que todos os fen\u00f4menos e seres est\u00e3o interligados em um imenso sistema de suporte que garante a vida do homem. A compreens\u00e3o dessa premissa \u00e9 a base de todas as mudan\u00e7as que come\u00e7am a acontecer. As ci\u00eancias come\u00e7am a se reestruturar para lidar com os novos cen\u00e1rios forjados<a href=\"#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesse novo cen\u00e1rio, surgem novos campos do saber, e at\u00e9 novas profiss\u00f5es. E as profiss\u00f5es j\u00e1 estruturadas percebem a necessidade de adequar seu arcabou\u00e7o anal\u00edtico \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es, aplicando novos conhecimentos aos j\u00e1 estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Num esfor\u00e7o de s\u00edntese, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 definida por Giannetti como a conjun\u00e7\u00e3o de tr\u00eas for\u00e7as muito poderosas: a terceira revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica (tecnologias ligadas \u00e0 busca, processamento, difus\u00e3o e transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es; intelig\u00eancia artificial; engenharia gen\u00e9tica), a forma\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de livre com\u00e9rcio e blocos econ\u00f4micos integrados, e a crescente interliga\u00e7\u00e3o e interdepend\u00eancia dos mercados f\u00edsicos e financeiros em escala planet\u00e1ria. Percebe-se porqu\u00ea o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o representou e representa uma efetiva mudan\u00e7a de paradigma<a href=\"#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A tentativa de criar \u00e1reas de livre com\u00e9rcio e blocos econ\u00f4micos integrados, tais como a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, o Nafta ou o Mercosul, constitui-se em iniciativas, pela primeira vez em mais de quinhentos anos, que sup\u00f5em que interesses supranacionais se sobrep\u00f5em aos interesses particulares.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Gra\u00e7as a essas tr\u00eas for\u00e7as poderosas que configuram a globaliza\u00e7\u00e3o, percebe-se uma mudan\u00e7a na percep\u00e7\u00e3o de dois fatores b\u00e1sicos que fazem parte da nossa vida, o tempo e o espa\u00e7o. A primeira sensa\u00e7\u00e3o que se tem \u00e9 a de que houve uma acelera\u00e7\u00e3o do tempo e uma integra\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Em outras palavras, tempo e espa\u00e7o deixaram de ser obst\u00e1culos no mundo globalizado. \u00c9 o que Marshall McLuhan chamou de aldeia global.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na verdade, essa primeira sensa\u00e7\u00e3o esconde um enorme paradoxo, j\u00e1 que principalmente quem vive em grandes metr\u00f3poles sabe que estamos ainda muito longe de viver numa sociedade em que o tempo e o espa\u00e7o deixaram de ser obst\u00e1culos. A rigor, o que se percebe nessas localidades \u00e9 exatamente o oposto, pois \u00e9 crescente (e n\u00e3o decrescente) a quantidade de pessoas que se queixa cada vez mais que tem menos tempo de fazer tudo aquilo que gostaria ou deveria fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>2.1. O sobe e desce da import\u00e2ncia dos fatores (dos valores)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com essa verdadeira mudan\u00e7a de paradigma, alguns fatores ganham import\u00e2ncia no mundo globalizado, ao mesmo tempo em que outros, simult\u00e2nea e quase simetricamente, t\u00eam sua import\u00e2ncia reduzida. Nesse sentido, ganham import\u00e2ncia no mundo globalizado: a estabilidade e a previsibilidade macroecon\u00f4micas; o investimento em capital humano, entendido n\u00e3o apenas no seu componente cognitivo, necess\u00e1rio para interagir com as novas tecnologias, mas tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0 \u00e9tica e \u00e0 confiabilidade interpessoal. Por outro lado, perdem import\u00e2ncia no mundo globalizado: a no\u00e7\u00e3o de Estado nacional soberano; a m\u00e3o-de-obra barata e os recursos naturais abundantes como fatores de competitividade e atra\u00e7\u00e3o de investimento direto estrangeiro; e a auto-sufici\u00eancia econ\u00f4mica como objetivo nacional<a href=\"#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A revolu\u00e7\u00e3o nas comunica\u00e7\u00f5es promove a globaliza\u00e7\u00e3o e representa um avan\u00e7o para a integra\u00e7\u00e3o mundial. Apresenta, entretanto, como contrapartida, desafios e riscos. A m\u00eddia passa a ser detentora da opini\u00e3o, pois manipula os telespectadores e forja, de acordo com os seus interesses, a opini\u00e3o popular. Quando o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o se torna um fim e n\u00e3o um meio, a pessoa se empobrece em aquisi\u00e7\u00e3o tanto de conhecimento e ci\u00eancia, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel adquirir pelo estudo, quanto na procura e conquista da sabedoria, que \u00e9 um saber em profundidade, essencial, alcan\u00e7ado pela reflex\u00e3o e muito distante do simples ac\u00famulo de dados (informa\u00e7\u00f5es). Vai-se percebendo sempre mais uma invers\u00e3o dos valores ess\u00eancias, o homem torna-se mero objeto de produ\u00e7\u00e3o e de consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>3. Economia e \u00e9tica: uma reflex\u00e3o para tempos em crise<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O papa Bento XVI vem incentivando os l\u00edderes pol\u00edticos globais, bem como os empres\u00e1rios, a um retorno \u00e0 \u00e9tica na economia, pois isto \u201cpode reavivar a esperan\u00e7a em meio \u00e0 crise atual\u201d<a href=\"#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. A economia, como ci\u00eancia da escassez, visa a regula\u00e7\u00e3o entre as necessidades humanas ilimitadas e os recursos f\u00edsicos ou sociais, sendo estes limitados. Assim, ao contr\u00e1rio do que parece, a economia \u00e9 tamb\u00e9m uma das ci\u00eancias humanas. No entanto, a racionaliza\u00e7\u00e3o entre oferta e procura, ou seja, a lei do mercado traz desafios \u00e9ticos como toda a\u00e7\u00e3o que tem objetivos e consequ\u00eancias para o pr\u00f3prio ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O primeiro dos desafios na economia \u00e9 classificar objetivamente algo muito subjetivo nas pessoas humanas: a fronteira entre a necessidade e o desejo. O ser humano tem desejos ilimitados e recursos limitados para satisfazer-se. E a lei do mercado segue uma l\u00f3gica bem determinada: o recurso que tem maior procura torna-se mais valioso porque se esgota mais facilmente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao mesmo tempo, j\u00e1 se sabe de antem\u00e3o ser imposs\u00edvel saciar um desejo ilimitado, sendo necess\u00e1rio criar prioridades e definir quais \u00e1reas podem ou n\u00e3o ser sacrificadas para a satisfa\u00e7\u00e3o de um maior n\u00famero de pessoas. Nesse ponto \u00e9 importante definir quais os valores nortear\u00e3o as op\u00e7\u00f5es. Se o crit\u00e9rio ser\u00e1 \u00e9tico ou econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em outras palavras, isso significa que se pode, por exemplo, sacrificar a efici\u00eancia e o lucro m\u00e1ximo em prol de um maior n\u00famero de trabalhadores. Ou, numa op\u00e7\u00e3o utilitarista, alcan\u00e7ar o lucro m\u00e1ximo em detrimento dos trabalhadores. A necessidade da reflex\u00e3o \u00e9tica na economia \u00e9 justamente aliar os valores imprescind\u00edveis, que muitas vezes s\u00e3o atropelados pela l\u00f3gica do mercado, \u00e0s necessidades da produ\u00e7\u00e3o e do consumo, ajudando a definir o que pode ou n\u00e3o pode ser sacrificado nesse sistema. Valores como justi\u00e7a social e direitos humanos n\u00e3o podem ser deixados de lado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Cabe, no entanto, indaga\u00e7\u00f5es a respeito dos valores que regem a economia e seus rumos. Sabe-se que vivemos em um mundo de muitas transforma\u00e7\u00f5es, de globaliza\u00e7\u00e3o, com suas consequ\u00eancias de otimiza\u00e7\u00e3o do processo produtivo, com novas tecnologias que substituem o trabalho humano e com o aumento progressivo de uma massa de desempregados. As empresas grandes engolem as pequenas e, em nome da sobreviv\u00eancia, a concorr\u00eancia precisa diminuir os custos, cortar empregos, automatizar e colocar um produto similar no mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A rapidez dessas transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi acompanhada por uma reflex\u00e3o \u00e9tica capaz de propor um modelo econ\u00f4mico alternativo que n\u00e3o abrisse m\u00e3o dos direitos trabalhistas, como vem ocorrendo. Assim, patr\u00f5es n\u00e3o querem arcar com os custos de um trabalhador garantidos na constitui\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores, por sua vez, para n\u00e3o perderem o emprego submetem-se a contratos que limitam seus direitos. Ao mesmo tempo, o processo de globaliza\u00e7\u00e3o favorece as grandes empresas, enfraquece a atua\u00e7\u00e3o dos sindicatos e criam concentra\u00e7\u00e3o de renda. Alguns aspectos s\u00e3o observados em tempos de crise mundial: reportagens sobre a diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, sobre a taxa de desemprego, a possibilidade de diminui\u00e7\u00e3o de carga hor\u00e1ria com consequentes redu\u00e7\u00f5es salariais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, o papel da \u00e9tica na economia \u00e9 alertar para o sacrif\u00edcio da maior parcela da popula\u00e7\u00e3o mundial nessa l\u00f3gica utilitarista e propor um modelo mais ecol\u00f3gico, ou seja, da interdepend\u00eancia de todos os seres no planeta. \u00c9tica na economia exige a convoca\u00e7\u00e3o de todos os governantes e condutores da economia a rever se os benef\u00edcios do progresso chegam \u00e0 maior parcela da popula\u00e7\u00e3o e convencer que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel a vida para todos os seres humanos se a l\u00f3gica da justi\u00e7a e da vida prevalecer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>4. O agir econ\u00f4mico: momento do reencontro da \u00e9tica com a economia global <\/strong>\u2013<strong> a t\u00edtulo conclusivo <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ap\u00f3s a eclos\u00e3o de uma crise \u00e9 generalizada a preocupa\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es \u00e9ticas. A discuss\u00e3o sobre a natureza do capitalismo, os valores a que apela e que proporcionam sucesso e sobreviv\u00eancia, \u00e9 ainda muito inconclusiva. A percep\u00e7\u00e3o dominante \u00e9 que o neg\u00f3cio implica alguma fuga \u00e0 verdade inconveniente, oculta\u00e7\u00e3o e ilus\u00e3o, ego\u00edsmo, gan\u00e2ncia e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como consequ\u00eancia, o capitalismo \u00e9 sempre visto como a sobreviv\u00eancia do mais apto e do mais forte, sendo pois natural que os fracos sofram as sequelas da sua pr\u00f3pria incapacidade e insucesso, sob a forma de fal\u00eancias, desemprego, discrimina\u00e7\u00e3o, etc. Neste contexto, as empresas teriam a responsabilidade de ajudar o Estado a compensar os exclu\u00eddos do sucesso, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias de apoio social, de filantropia, atribuindo assim uma parte dos seus lucros a causas populares, obtendo em troca vantagens reputacionais tanto junto de potenciais clientes como junto dos trabalhadores. Outra importante motiva\u00e7\u00e3o para o envolvimento das empresas nestas a\u00e7\u00f5es seria a manuten\u00e7\u00e3o da paz social.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A globaliza\u00e7\u00e3o foi sempre alvo de suspeita de n\u00e3o ser mais que uma excelente oportunidade para novos colonizadores fazerem lucrativos neg\u00f3cios com as antigas col\u00f3nias e para as antigas col\u00f3nias uma excelente oportunidade de negociar com outros que n\u00e3o as suas antigas pot\u00eancias coloniais. Nesse quadro a deslocaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses em desenvolvimento traz m\u00faltiplas vantagens. Por um lado permitia produzir barato e, atrav\u00e9s do controle das marcas, continuar a vender caro, mantendo o grosso do valor acrescentado nas economias dos pa\u00edses do Norte. Por outro lado ficam livres do aparelho industrial poluidor e das respectivas massas oper\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Chamamos Globaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de intensos neg\u00f3cios internacionais, viabilizados pelo acentuado desenvolvimento tecnol\u00f3gico que permite a produ\u00e7\u00e3o de uma infinidade de bens e servi\u00e7os a serem negociados. O mundo, ao longo de sua hist\u00f3ria, nunca esteve em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o prop\u00edcia para realizar tantos neg\u00f3cios como se pretende pela Globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas por outro lado, o mundo tamb\u00e9m nunca esteve t\u00e3o pr\u00f3ximo de um precip\u00edcio social e natural, que pode levar ao caos total, e estamos muito pr\u00f3ximos dele. Por esse precip\u00edcio entendemos o conjunto dos grandes problemas que arrastam a humanidade a uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica sem sa\u00edda. Dentre outros, os principais problemas s\u00e3o: terrorismo, tr\u00e1fico de armas, de drogas e de pessoas, criminalidade, corrup\u00e7\u00e3o, intoler\u00e2ncia, imoralidade, degenera\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e suas respectivas cat\u00e1strofes. Para uma a\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00e3o a essas tend\u00eancias, o mundo deve pensar em uma Nova Ordem Mundial, pois se nada for feito, a Globaliza\u00e7\u00e3o se tornar\u00e1 invi\u00e1vel e a sociedade humana se auto-destruir\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Contraditoriamente, por um lado nunca o mundo esteve em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o favor\u00e1vel para os neg\u00f3cios, mas tamb\u00e9m, por outro lado, nunca esteve t\u00e3o pr\u00f3ximo de um colapso universal. Torna-se imprescind\u00edvel que se realize a reeduca\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os do planeta para que se tornem pessoas de bem. Metaforizando o agir econ\u00f4mico, podemos \u201cevocar a funda\u00e7\u00e3o de um deus falso \u2013 o <em>mercado<\/em>, no mito de Prometeu, e a morte de deus, que n\u00e3o suporta o encargo da falsidade, no aforismo de Nietzsche, em <em>Assim falava Zaratustra<\/em>: \u2018Deus [<em>equil\u00edbrio de mercado<\/em>] morreu. Ouvi dizer que foi em consequ\u00eancia de um amor imposs\u00edvel, seu amor pelos homens. Ele n\u00e3o conseguiu suportar que seu amor pelos homens se transformasse em seu pr\u00f3prio inferno [<em>desequil\u00edbrio socioecon\u00f4mico generalizado<\/em>], terminando por causar a sua morte\u201d<a href=\"#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ABBAGNANO, Nicola. <em>Diccionario de filosofia. <\/em>M\u00e9xico: Fondo de Cultura Economica, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">CHACON, Suely Salgueiro. <em>Crise e oportunidade<\/em>: para compreender o papel do economista diante dos novos paradigmas. Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/\">http:\/\/www.cofecon.org.br<\/a>. Acessado em 05\/06\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DRUMMOND, Arnaldo Fortes. <em>Morte do mercado<\/em>: ensaio do agir econ\u00f4mico. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">GIANNETTI, Eduardo.<strong> <\/strong><em>Globaliza\u00e7\u00e3o, transi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e infra-estrutura no Brasil.<\/em> Texto preparado para o Semin\u00e1rio &#8220;Competitividade na infra-estrutura para o S\u00e9culo XXI&#8221;, promovido pelo Instituto de Engenharia, S\u00e3o Paulo, realizado em 24\/09\/96.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HARPER, Douglas. Economy Online Etymology Dictionary &#8211; Economy. Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/www.etymonline.com\/index.php?term\">http:\/\/www.etymonline.com\/index.php?term<\/a>. P\u00e1gina visitada em 11\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MACHADO, Luiz. <em>\u00c9tica\u00a0 e globaliza\u00e7\u00e3o<\/em>. Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/\">http:\/\/www.cofecon.org.br<\/a>. Acessado em 03\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MARKS, Sikberto R..<strong> <\/strong><em>Bento XVI pede \u00e9tica na economia.<\/em><strong> <\/strong>Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Mundo\/0,,MUL1297455-5602,00-BENTO+XVI+INCENTIVA+%20RETORNO+A+ETICA+NA+ECONOMIA.html\">http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Mundo\/0,,MUL1297455-5602,00-BENTO+XVI+INCENTIVA+ RETORNO+A+ETICA+NA+ECONOMIA.html<\/a>. Publicado em 09\/09. Acessado em 08\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PLAT\u00c3O. <em>Defesa de S\u00f3crates<\/em>, Abril Cultural, [s.d.].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ROBBINS, Lionel.<em> An Essay on the Nature and Significance of Economic Science<\/em>. London: Macmillan and Co., Limited, [s.d.].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">RODR\u00cdGUEZ RAMOS, Jos\u00e9 Maria. <em>Globaliza\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o<\/em>. Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/www.cieep.org.br\/index.php?page=artigossemana&amp;codigo=292\">http:\/\/www.cieep.org.br\/index.php?page=artigossemana&amp;codigo=292<\/a>. Publicado em 15 de mar\u00e7o de 2006. Acessado em 03\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<hr size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> PLAT\u00c3O. <em>Defesa de S\u00f3crates<\/em>, p. 15.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> ABBAGNANO, Nicola. <em>Diccionario de filosofia<\/em>, 1992, p. 360.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> HARPER, Douglas. <em>Economy Online Etymology Dictionary &#8211; Economy<\/em>. Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/www.etymonline.com\/index.php?term\">http:\/\/www.etymonline.com\/index.php?term<\/a>. P\u00e1gina visitada em 11\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> <cite>ROBBINS, Lionel. An Essay on the Nature and Significance of Economic Science<\/cite>. London:\u00a0Macmillan and Co., Limited, [s.d.].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> RODR\u00cdGUEZ RAMOS, Jos\u00e9 Maria. <em>Globaliza\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o<\/em>. Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/www.cieep.org.br\/index.php?page=artigossemana&amp;codigo=292\">http:\/\/www.cieep.org.br\/index.php?page=artigossemana&amp;codigo=292<\/a>. Publicado em 15 de mar\u00e7o de 2006. Acessado em 03\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> CHACON, Suely Salgueiro. <em>Crise e oportunidade: para compreender o papel do economista diante dos novos paradigmas<\/em>. <a href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/\">http:\/\/www.cofecon.org.br<\/a>. Acessado em 05\/06\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> GIANNETTI, Eduardo.<strong> <\/strong><em>Globaliza\u00e7\u00e3o, transi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e infra-estrutura no Brasil.<\/em> Texto preparado para o Semin\u00e1rio &#8220;Competitividade na infra-estrutura para o S\u00e9culo XXI&#8221;, promovido pelo Instituto de Engenharia, S\u00e3o Paulo, realizado em 24\/09\/96.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> MACHADO, Luiz. <em>\u00c9tica\u00a0 e globaliza\u00e7\u00e3o<\/em>. Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/\">http:\/\/www.cofecon.org.br<\/a>. Publicado em 19 de junho de 2006. Acessado em 03\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> MARKS, Sikberto R.<strong> <\/strong><em>Bento XVI pede \u00e9tica na economia.<\/em><strong> <\/strong>Dispon\u00edvel in: <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Mundo\/0,,MUL1297455-5602,00-BENTO+XVI+INCENTIVA+RETORNO+A+ETICA+NA+ECONOMIA.html\">http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Mundo\/0,,MUL1297455-5602,00-BENTO+XVI+INCENTIVA+RETORNO+A+ETICA+NA+ECONOMIA.html<\/a>. Publicado em 09\/09. Acessado em 08\/02\/10.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> DRUMMOND, Arnaldo Fortes. <em>Morte do mercado<\/em>: ensaio do agir econ\u00f4mico, 2004, p. 27-28.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edir Martins Moreira 1. Introdu\u00e7\u00e3o Ainda hoje vale a defini\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia de Arist\u00f3teles, formulada na sua obra Organon, como conhecimento certo pelas causas. 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