{"id":1308,"date":"2011-02-06T09:53:44","date_gmt":"2011-02-06T12:53:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1308"},"modified":"2011-02-06T09:53:44","modified_gmt":"2011-02-06T12:53:44","slug":"a-linguagem-e-seus-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1308","title":{"rendered":"A linguagem e seus limites"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Joel Santos de Marselha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O presente artigo far\u00e1 uma an\u00e1lise acerca da linguagem e seus limites no pensamento de Wittgenstein<a href=\"#_ftn1\"><sup><\/sup><sup>[1]<\/sup><\/a> conforme expresso em sua obra <em>Tractatus Logico-Philosophicus<\/em> (1921). Para ele, sua tarefa filos\u00f3fica consiste em analisar a rela\u00e7\u00e3o da linguagem com o mundo, a poss\u00edvel coincid\u00eancia entre linguagem e realidade. A filosofia da linguagem examina at\u00e9 que ponto proposi\u00e7\u00f5es escritas ou ditas representam os dados da experi\u00eancia sens\u00edvel e, portanto, t\u00eam sentido ou s\u00e3o absurdas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A fun\u00e7\u00e3o da linguagem, segundo Wittgenstein, \u00e9 descrever a realidade, pois nada pode existir fora da linguagem. O que ela n\u00e3o diz n\u00e3o existe no mundo: <em>\u201cos limites da minha linguagem denotam os limites de meu mundo\u201d <\/em><a href=\"#_ftn2\"><sup><\/sup><sup>[2]<\/sup><\/a>. Existe uma mesma forma entre linguagem e realidade, pois a linguagem \u00e9 o espelho do mundo e s\u00f3 por meio dela se pode compreender a realidade; e o conhecimento neste caso consiste na an\u00e1lise dela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, a linguagem \u00e9 o conjunto de proposi\u00e7\u00f5es que descrevem ou figuram algum estado de coisa poss\u00edvel; o sentido destas resulta do fato de descreverem algo que acontece na realidade. A linguagem \u00e9 a totalidade das proposi\u00e7\u00f5es e constitui figura da realidade, modelo de uma situa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: <em>\u201cA proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 figurada da realidade. A proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o modelo da realidade tal como a pensamos\u201d<a href=\"#_ftn3\"><sup><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A proposi\u00e7\u00e3o, express\u00e3o do pensamento, tem algo comum com o que \u00e9 descrito: a forma l\u00f3gica. Como por exemplo, <em>\u201co disco da vitrola, o pensamento e a escritas musicais, as ondas sonoras est\u00e3o uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros no mesmo relacionamento existente entre a linguagem e o mundo. A todos \u00e9 comum a constru\u00e7\u00e3o l\u00f3gica\u201d<a href=\"#_ftn4\"><sup><strong><sup>[4]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>.<em> <\/em>O pensamento e a linguagem s\u00e3o uma e a mesma coisa. Ele \u00e9 constitu\u00eddo de proposi\u00e7\u00f5es complexas que ligam entre si nomes, signos dos objetos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 os limites da linguagem consistem em \u201cdizer\u201d e \u201cmostrar\u201d; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201cdizer\u201d ou expressar a forma l\u00f3gica comum \u00e0 realidade e \u00e0 linguagem. Esta apenas se mostra. As express\u00f5es que n\u00e3o descrevem um estado de coisa poss\u00edvel n\u00e3o t\u00eam sentido, pois n\u00e3o figuram nada. Dentre estas express\u00f5es, destacam-se as express\u00f5es filos\u00f3ficas sobre a natureza das coisas, o valor, e o sentido da vida. Trata-se de express\u00f5es que transcendem o mundo e, portanto, carecem de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, Wittgenstein critica a pr\u00f3pria filosofia, pois segundo ele <em>\u201ctoda filosofia \u00e9 \u2018critica da linguagem\u2019\u201d <a href=\"#_ftn5\"><sup><strong><sup>[5]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>. A filosofia n\u00e3o pode dizer nada acerca do mundo, pois ela n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia nem uma forma de conhecimento. Ela deve ser uma atividade de an\u00e1lise da linguagem, pode nos ajudar a distinguir o que se pode ou n\u00e3o dizer. A tarefa da filosofia \u00e9 clarificar a linguagem, ou seja, o pensamento. Preocupa-se com princ\u00edpios e n\u00e3o com a verdade, pois esta \u00e9 da compet\u00eancia das ci\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esta cr\u00edtica wittgensteiniana da linguagem n\u00e3o tem como objetivo reform\u00e1-la. N\u00e3o pretende melhorar a linguagem nem as ideias nela expressas. Quer, isto sim, refleti-la, esclarecer sua estrutura l\u00f3gica. O resultado de seu trabalho n\u00e3o pode ser formulado como uma doutrina filos\u00f3fica, mas quer estabelecer limites que impe\u00e7am o homem de dizer coisas indiz\u00edveis, afinal, sobre <em>\u201co que n\u00e3o se pode falar, deve-se calar\u201d<a href=\"#_ftn6\"><sup><strong><sup>[6]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PINTO, Paulo Roberto Margutti. <em>Inicia\u00e7\u00e3o ao sil\u00eancio<\/em>:<em> <\/em>An\u00e1lise do Tractatus de Wittgenstein. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1998. <em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, Giovanni. ANTISERI, Dario. <em>Hist\u00f3ria da filosofia<\/em>:<em> <\/em>do romantismo at\u00e9 nossos dias<em>. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1991. Vol. 3.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">WITTGENSTEIN, Ludwig. <em>Tractatus Logico-Philosophicus. <\/em>Trad. Jos\u00e9 Arthur Giannotti. S\u00e3o Paulo: Companhia Editor Nacional\/ Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia<\/em>.<em> <\/em>2 ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2008.<\/p>\n<div>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref1\"><\/a> [1] Ludwig Wittgenstein nasceu em Viena, em 1889, encaminhado pelo pai para estudar engenharia,\u00a0\u00a0 inscreveu-se na Technische Hochschule de Berlim-Charlottenburg, posteriormente transferiu-se para a faculdade de engenharia de Manchester, de onde, em 1911, a conselho de G. Frege, foi para Cambridge para estudar os fundamentos de matem\u00e1tica, sob a guia de Betrand Russell. Wittgenstein foi o primeiro fil\u00f3sofo vienense que, com o <em>Tractatus<\/em>, inspirou o neopositivismo e posteriormente, na d\u00e9cada de 30, foi o maior representante da \u201cfilosofia da linguagem\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Tractatus Logico-Philosophicus 5.6.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Tractatus Logico-Philosophicus 4.01.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Tractatus Logico-Philosophicus 4.014.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> Tractatus Logico-Philosophicus 4.0031. A cr\u00edtica tractatiana da linguagem se reduz a uma \u2018cr\u00edtica da proposi\u00e7ao\u2019, apesar de Wittgenstein n\u00e3o explicar o porqu\u00ea desse fato.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Tractatus Logico-Philosophicus 7.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joel Santos de Marselha &nbsp; O presente artigo far\u00e1 uma an\u00e1lise acerca da linguagem e seus limites no pensamento de Wittgenstein[1] conforme expresso em sua obra Tractatus Logico-Philosophicus (1921). Para ele, sua tarefa filos\u00f3fica consiste em analisar a rela\u00e7\u00e3o da linguagem com o mundo, a poss\u00edvel coincid\u00eancia entre linguagem e realidade. 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