{"id":1319,"date":"2011-02-14T08:00:33","date_gmt":"2011-02-14T11:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1319"},"modified":"2011-02-14T08:00:33","modified_gmt":"2011-02-14T11:00:33","slug":"entre-a-religiao-e-a-ciencia-oposicao-ou-conciliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1319","title":{"rendered":"Entre a religi\u00e3o e a ci\u00eancia: oposi\u00e7\u00e3o ou concilia\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"line-height:115%;\">Tiago da Silva Gomes<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Wilhiam Luiz de Lima<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Acima da ci\u00eancia h\u00e1 outra face da realidade: importante, e de certa forma imprescind\u00edvel do ser humano, aquela em que aparecem aspectos t\u00e3o pouco quantific\u00e1veis como, por exemplo, os sentimentos \u2013 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pes\u00e1-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Essa dimens\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Como as ci\u00eancias avan\u00e7am sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experi\u00eancia, foram surgindo pensadores ao longo da hist\u00f3ria convencidos de que, sempre que a ci\u00eancia descobria um segredo, a religi\u00e3o dava um passo atr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A raz\u00e3o \u00e9 uma das mais nobres capacidades que distinguem a esp\u00e9cie humana, por ela s\u00e3o percept\u00edveis as conquistas da ci\u00eancia e a sua luta por construir um mundo melhor. Mas, conv\u00e9m n\u00e3o esquecer a limita\u00e7\u00e3o humana, e igualmente a ordem natural que impele o homem a Deus, que lhe permite preservar a sua dignidade e evitar muitos erros.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">1. Defini\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><em><span style=\"line-height:115%;\">O conhecimento cient\u00edfico \u00e9 uma conquista recente da humanidade: data de quase quatrocentos anos surgido no s\u00e9culo XVII com a revolu\u00e7\u00e3o galileana. Isso n\u00e3o significa que antes n\u00e3o houvesse saber rigoroso, pois, desde o s\u00e9culo VI a.C., na Gr\u00e9cia antiga, os s\u00e1bios aspiravam a um conhecimento que se distinguisse do mito e do saber comum.<\/span><\/em><a name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><\/a><sup><span style=\"line-height:115%;\"><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[1]<\/span><\/sup><\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">O mito j\u00e1 n\u00e3o mais agradava ou explicava a realidade, surgiam elementos que at\u00e9 os desmentinham e buscou-se um saber sistematizado. Filosofia e ci\u00eancia estavam intimamente ligados, e somente se separaram na modernidade, buscando cada uma seu objeto com seu m\u00e9todo pr\u00f3prio. Dessa forma, nasce a ci\u00eancia moderna, delimitando objeto e criando m\u00e9todo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo permite \u00e0 ci\u00eancia atingir conhecimento sistem\u00e1tico e objetivo, e possibilita relacionar de modo universal os fen\u00f4menos. Cada ci\u00eancia se torna particular, quando delimita seu campo de pesquisa e seus procedimentos espec\u00edficos. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais formas de saber, a ci\u00eancia busca suas conclus\u00f5es a partir de seus m\u00e9todos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 \u00fanico meio de explica\u00e7\u00e3o da realidade, certo e infal\u00edvel; at\u00e9 porque est\u00e1 em constante evolu\u00e7\u00e3o. As ci\u00eancias humanas, n\u00e3o fazem experimentos, como a psican\u00e1lise; ou recorrem \u00e0 experi\u00eancias laboratoriais ou estat\u00edsticos, como a psicologia comportamental. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">1.1 Especifica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos cient\u00edficos<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">As ci\u00eancias se iniciam ou de observa\u00e7\u00f5es ou de problemas determinados, e partem de dados objetivos. Precisa conceitos que o senso comum \u201cdespreza\u201d, dos quais se parte para exame do conte\u00fado afirmado.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">[&#8230;] <em>a ci\u00eancia n\u00e3o se limita a contesta\u00e7\u00f5es do fen\u00f4meno como tal, pois tamb\u00e9m quer encontrar regularidades objetivas e fundamentos causais dessas regularidades para elabor\u00e1-las. Proposi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas respondem a quest\u00f5es como: O que \u00e9 como? Por que \u00e9 assim? As ci\u00eancias investigam:\u00a0 como n\u00f3s esclarecemos isso que observamos? Quais as regularidades existentes?<\/em><a name=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[2]<\/span><\/sup> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">M\u00e9todos s\u00e3o imprescind\u00edveis \u00e0 ci\u00eancia, garantem-lhe objetividade. Proposi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas s\u00e3o ju\u00edzos formulados a partir de m\u00e9todos, que questionam o objeto segundo o que o sujeito observa, objetivamente. O procedimento cient\u00edfico se realiza por passos:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">1. Formula-se uma <em>hip\u00f3tese<\/em>. Para se estabelecer o objeto de estudo, especula-se as v\u00e1rias maneiras de ele ser estabelecido. A hip\u00f3tese cient\u00edfica \u00e9 a suposi\u00e7\u00e3o da causa prov\u00e1vel de um fen\u00f4meno ou efeito; n\u00e3o se trata de especula\u00e7\u00e3o repentina. A hip\u00f3tese somente ser\u00e1 verdadeira quando a observa\u00e7\u00e3o for capaz de abranger o que pretende explicar de modo totalizante.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">2. Para se descobrir se a hip\u00f3tese \u00e9 adequada, usa-se da <em>experi\u00eancia<\/em>. Verifica-se se o conte\u00fado hipot\u00e9tico \u00e9 causa do percebido emp\u00edrico. A formula\u00e7\u00e3o \u00e9 testada.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">3. Nos experimentos procede-se com <em>medidas<\/em>. Nas ci\u00eancias da natureza, varia-se um fator, e observam-se as mudan\u00e7as do outro.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">4. Depois do experimento, segue-se a <em>interpreta\u00e7\u00e3o<\/em> sobre o m\u00e9todo, as influ\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">5. Elemento essencial dos resultados \u00e9 a possibilidade de <em>prognoses<\/em>. Um acontecimento singular dentro de determinadas regularidades, da mesma forma deveriam se repetir.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">6. Se confirmada a hip\u00f3tese, tem-se a <em>lei<\/em> ou <em>teoria<\/em>; isso poder\u00e1 ser alterado por pesquisas e corre\u00e7\u00f5es posteriores e poss\u00edveis, dessa forma, proposi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas nunca s\u00e3o absolutas. As leis somente s\u00e3o verdadeiras enquanto correspondem \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o em voga.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">7. As leis expressam-se como proposi\u00e7\u00f5es condicionais (se, ent\u00e3o)<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Pelo caminho indutivo, chega-se a proposi\u00e7\u00f5es sobre fen\u00f4menos do mundo emp\u00edrico. O conhecimento deve ser objetivo, percebido de mesmo modo por muitos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">O objeto de estudo da filosofia \u00e9 o todo, n\u00e3o um fen\u00f4meno singular. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><em>L. Wittgenstein radicaliza: parece absurdo dizer filosoficamente o que n\u00e3o se pode verificar, pois a linguagem s\u00f3 pode dizer com sentido realidades f\u00e1cticas, conex\u00f5es verific\u00e1veis. Como a filosofia tradicional fala de totalidades, deve ser situada no pensamento m\u00edstico<\/em>.<a name=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[3]<\/span><\/sup> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Filosofia e Teologia trabalham hip\u00f3teses nos diferentes campos, com objetos acess\u00edveis:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">a) Criticando a documentos hist\u00f3ricos, que relacionam f\u00e9, pensamento e a\u00e7\u00e3o humanos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">b) Analisando proposi\u00e7\u00f5es existenciais e psicol\u00f3gicas, ocorre a realidade dentro da qual se realiza a responsabilidade humana. A f\u00e9 determina a exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:30px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">c) Comparando com outras religi\u00f5es, constata-se diferentes concep\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas, tematiza-se institui\u00e7\u00f5es, conduta perante Deus<a name=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[4]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ci\u00eancias \u00e9 que algumas hip\u00f3teses n\u00e3o s\u00e3o ou raramente s\u00e3o verific\u00e1veis em experimentos, pois \u00e9 imposs\u00edvel reproduzir suas determina\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">2. Significa\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A religi\u00e3o \u00e9 algo de constitutivo e expressivo em muitas culturas. \u00c9 atrav\u00e9s dela que h\u00e1 uma transmuta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, isto \u00e9, transcende-se o espa\u00e7o f\u00edsico com suas experi\u00eancias espirituais. Tamb\u00e9m qualifica o tempo, dando-lhe a marca do sagrado. Toda a din\u00e2mica da religi\u00e3o se baseia em um elemento mist\u00e9rico: a f\u00e9.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Pode-se constatar a presen\u00e7a da f\u00e9 em religi\u00f5es antigas como o juda\u00edsmo, budismo, cristianismo e islamismo, que atrav\u00e9s dela exerceram grande poder na hist\u00f3ria da sociedade.\u00a0 Por exemplo, no juda\u00edsmo as leis que regiam a sociedade partiam dos ensinamentos da Tor\u00e1.\u00a0 A origem do povo judeu vem de uma longa experi\u00eancia de f\u00e9 a come\u00e7ar com Abra\u00e3o, Mois\u00e9s, se estendendo \u00e0 viv\u00eancia dos profetas, patriarcas e reis. J\u00e1 no cristianismo a f\u00e9 \u00e9 fundamentada na tradi\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos de Jesus Cristo, na Sagrada Escritura e no Magist\u00e9rio da Igreja. Nas origens do cristianismo v\u00eaem-se testemunhos corajosos de profiss\u00e3o de f\u00e9 a ponto de se por a vida em risco e, \u00e0s vezes, dando-a \u00e0 morte. \u00c9 uma f\u00e9 que tem a figura de Cristo que se encarnou fazendo-se homem e padecendo, sendo morto como homem para redimir os pecados da humanidade, por\u00e9m ressuscita trazendo nova esperan\u00e7a para a f\u00e9 crist\u00e3, que se baseia no testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">O cristianismo exerceu influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o cultural de muitas sociedades e teve participa\u00e7\u00e3o na difus\u00e3o de v\u00e1rias conquistas cient\u00edficas e culturais que mudaram a sociedade. No per\u00edodo medieval, a f\u00e9 era o elemento usado para justificar o incompreens\u00edvel e foi durante longo per\u00edodo um dos bloqueios para que a ci\u00eancia n\u00e3o se evolu\u00edsse. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A f\u00e9 \u00e9 uma experi\u00eancia que o homem vivencia a partir do mist\u00e9rio, do incompreens\u00edvel e inacess\u00edvel. Ela remete o homem a algo transcendente ou algo superior a ele. Diz-se que algu\u00e9m tem f\u00e9 quando experiencia o sentimento de finitude diante da vida, que pode pouco e que acredita no aux\u00edlio de algo superior. A f\u00e9 \u00e9 uma experi\u00eancia de confian\u00e7a e esperan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> Consiste, a f\u00e9, em considerar uma id\u00e9ia verdadeira ou aceit\u00e1vel, baseando-se em um grau de evid\u00eancia n\u00e3o decisiva. \u00c9 algo mais forte que a opini\u00e3o, mas mais fraca que o conhecimento, pois \u00e9 algo muitas das vezes experienciado, impossibilitado de descri\u00e7\u00e3o cognitiva. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Por outro lado, fala-se de f\u00e9 para designar um estado de esp\u00edrito em que a confian\u00e7a \u00e9 depositada numa pessoa, id\u00e9ia ou coisa sem evid\u00eancia objetiva. Segundo Kant, \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias ou de princ\u00edpios regulat\u00f3rios, os quais n\u00e3o podem ser demonstrados te\u00f3rica ou empiricamente. No entanto, s\u00e3o necess\u00e1rios e \u00fateis para a elabora\u00e7\u00e3o de teorias cient\u00edficas, pr\u00e1ticas e morais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> No s\u00e9culo XX, um pensador chamado Karl Jaspers refletiu sobre o tema. Ele considera em uma obra <em>Der philosophische Glube<\/em>, que a ess\u00eancia da f\u00e9 surge da an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o exist\u00eancia-transcencend\u00eancia. A f\u00e9 \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima da liberdade humana. \u00c9 a certeza de ser e do ser, \u00e9 certeza existencial e ato instituidor da exist\u00eancia que em uma a\u00e7\u00e3o interior descobre a presen\u00e7a da transcend\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> A defini\u00e7\u00e3o da palavra f\u00e9 \u00e9 algo dif\u00edcil, por ser amb\u00edgua. Usa-se a palavra f\u00e9 (cren\u00e7a) de diferentes maneiras como um \u201cachar\u201d, \u201cjulgar\u201d na informalidade da fala cotidiana e usa-se f\u00e9 no contexto religioso, como cren\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A f\u00e9 tamb\u00e9m apresenta uma reivindica\u00e7\u00e3o universal de verdade e certeza como a ci\u00eancia. O que se cr\u00ea tamb\u00e9m deve ser examinado por sua verdade, certeza e coer\u00eancia, pois a f\u00e9 exige justifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta convic\u00e7\u00e3o pessoal. Dizer que algu\u00e9m cr\u00ea uma proposi\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o sabe, significa que recorre a estrat\u00e9gias de justifica\u00e7\u00e3o diferentes da ci\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A dificuldade est\u00e1 em encontrar as estrat\u00e9gias de justifica\u00e7\u00e3o que separam f\u00e9 e ci\u00eancia, de maneira adequada. Como algu\u00e9m chega ao conhecimento de uma proposi\u00e7\u00e3o da f\u00e9? Para as tais proposi\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio mais o testemunho de outras pessoas e menos de percep\u00e7\u00f5es sens\u00edveis do que do conhecimento cient\u00edfico. Na cren\u00e7a, sempre se pressup\u00f5e algu\u00e9m em quem se acredita, cr\u00ea-se na veracidade de algu\u00e9m. Assim tamb\u00e9m a cren\u00e7a em Deus inclui nela uma certeza existencial muito forte, ou seja, a f\u00e9 traz em si uma certeza existencial. Mas, por outro lado, a justifica\u00e7\u00e3o da f\u00e9 nunca pode ser reduzida totalmente \u00e0 ci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><em><span style=\"line-height:115%;\">O fil\u00f3sofo franc\u00eas Gabriel Marcel dizia que estrutura da f\u00e9 \u00e9 di\u00e1dica e a demonstra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 tri\u00e1dica. Quando creio, creio em algu\u00e9m. O ato de crer envolve toda a minha pessoa, raz\u00e3o e sentimento. Por isso a f\u00e9 se testemunha. Testemunhar algo significa estarmos com todo o nosso ser por aquilo que afirmamos. Os primeiros m\u00e1rtires crist\u00e3o s\u00e3o exemplos de testemunho da f\u00e9. Pois deram sua vida por aquilo que criam. A prova cient\u00edfica \u00e9 apenas um ato racional: eu provo algo a algu\u00e9m. O processo de demonstra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica consiste em fazer com que algu\u00e9m possa ver algo da mesma maneira como eu. Envolve apenas minha raz\u00e3o e a do outro<\/span><\/em><sup><span style=\"line-height:115%;\">. <a name=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[5]<\/span><\/sup><\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">3. A justifica\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o frente \u00e0 ci\u00eancia e da ci\u00eancia frente \u00e0 religi\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Desde sua origem, a filosofia com sua vis\u00e3o cr\u00edtica, quis responder \u00e0 quest\u00e3o da verdade da vida. A religi\u00e3o sempre esteve atrelada \u00e0 vida do homem, o que fez os fil\u00f3sofos,\u00a0 de alguma forma, considerar a quest\u00e3o de Deus.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A filosofia grega antiga pensou a totalidade, Deus como cosmos, no qual est\u00e1 o fundamento origin\u00e1rio, em Anaximandro; que \u00e9 ser imut\u00e1vel, em Parm\u00eanides; que \u00e9 Logos ordenador, segundo Her\u00e1clito; ou no\u00fas, princ\u00edpio de movimento, segundo Anax\u00e1goras; o mundo era pensado objetivamente nesse contexto; a partir dele, a id\u00e9ia de Deus.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A revolu\u00e7\u00e3o copernicana significou tamb\u00e9m o in\u00edcio do pensamento subjetivo. O homem agora questiona o acesso ao real e fala de realidade a partir da subjetividade, e ap\u00f3ia-se apenas na raz\u00e3o e na experi\u00eancia. Isso tamb\u00e9m modificou a concep\u00e7\u00e3o de Deus. Para dominar a natureza, as ci\u00eancias dispensaram a id\u00e9ia de causa primeira, mas com refer\u00eancia a Deus, cuja quest\u00e3o passa a ser, considerada n\u00e3o a partir do mundo, mas do homem e suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A filosofia da religi\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia nova, foram importantes v\u00e1rios pensadores. A filosofia da ci\u00eancia \u201c<em>\u00e9 filosofia; e filosofia n\u00e3o se esclarece a partir de outras ci\u00eancias, mas a partir de si mesma. Quando o homem filosofa, ele mesmo pensa. O pensar filos\u00f3fico \u00e9 forma radical de liberdade humana<\/em>\u201d<a name=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[6]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A partir do pensamento, o homem se compreende a si e se desenvolve; seu pensamento al\u00e9m de ter, lhe d\u00e1 fundamento. A filosofia da religi\u00e3o \u00e9 diferente das demais ci\u00eancias relacionadas \u00e0 religi\u00e3o porque indaga a si, como \u00e9, e tematiza-se; inclui a quest\u00e3o cr\u00edtica do ser, tenta esclarecer o ser e a ess\u00eancia da religi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> A religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dada, nem se funda na filosofia, n\u00e3o \u00e9 filosofia. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><em><span style=\"line-height:115%;\">Certamente h\u00e1 influ\u00eancia m\u00fatua entre a filosofia e a religi\u00e3o. O fil\u00f3sofo encontra a religi\u00e3o como o diferente, o outro. Mas a religi\u00e3o realiza-se como acontecimento humano, como uma forma da vida humana. S\u00e3o homens que cr\u00eaem em Deus, rezam, se re\u00fanem em assembl\u00e9ia para o culto. Na f\u00e9 em Deus, os homens indagam sempre, de alguma forma, a si mesmos. Embora n\u00e3o produzam a religi\u00e3o, cabe-lhes uma liberdade respons\u00e1vel perante si mesmos, ou seja, perante a raz\u00e3o cr\u00edtica.<\/span><\/em><a name=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\"><\/a><sup><span style=\"line-height:115%;\"><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[7]<\/span><\/sup><\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A religi\u00e3o \u00e9 parte importante da antropologia filos\u00f3fica, pois est\u00e1 na compreens\u00e3o que o homem tem de si mesmo e do ser. Expressa-se em linguagem, categorias e possibilidades humanas. A partir de uma compreens\u00e3o da ess\u00eancia da religi\u00e3o, posiciona-se criticamente a ela, e esclarece-se seu sentido na vida do homem. A religi\u00e3o \u201c<em>\u00e9 a cren\u00e7a na garantia divina oferecida ao homem para sua salva\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo seu comportamento (culto, \u00e9tica) para obter e conservar tal garantia<\/em>.\u201d<a name=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[8]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">4. Posicionamentos favor\u00e1veis e contr\u00e1rios \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o religi\u00e3o e ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">No decorrer da hist\u00f3ria, sobretudo a partir do Iluminismo, surgiram aqueles que consideram a religi\u00e3o como consci\u00eancia falsa, ideologia, como Feuerbach, que parte de uma concep\u00e7\u00e3o de vida natural n\u00e3o alienada, e Freud, mais c\u00e9tico, que esperou um futuro em que a humanidade constituiria uma harmonia sem religi\u00e3o ou ci\u00eancia.<a name=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[9]<\/span><\/sup> Para Feuerbach ainda, a religi\u00e3o \u00e9 proje\u00e7\u00e3o das expectativas do homem que \u00e9 limitado, o que deseja para si, ou lhe falta, projeta na figura de Deus.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Esses dentre outros, almejam, pela raz\u00e3o e natureza, transformar a consci\u00eancia humana, a partir, sobretudo do dom\u00ednio tecnol\u00f3gico sobre as for\u00e7as da natureza. A aliena\u00e7\u00e3o seria falta de conhecimento cient\u00edfico e dom\u00ednio do inconsciente.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Marx se destaca como o pai da cr\u00edtica moderna \u00e0 religi\u00e3o, confiando fortemente na raz\u00e3o, na ci\u00eancia e no progresso. \u201c<em>O desejo de libertar a humanidade da ilus\u00e3o de Deus e da tirania da f\u00e9 religiosa reverteu, ele mesmo, em ilus\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 na filosofia, como tamb\u00e9m na psicologia profunda e na sociologia, hoje se buscam fundamentos para a exist\u00eancia da f\u00e9 em uma realidade chamada Deus<\/em>\u201d<a name=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[10]<\/span><\/sup>. A religi\u00e3o \u00e9 institui\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social, obst\u00e1culo ao progresso e liberta\u00e7\u00e3o do homem.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Mas, a rela\u00e7\u00e3o ci\u00eancia e religi\u00e3o nem sempre foi vista de modo pessimista. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><em>Durante s\u00e9culos e mil\u00eanios, a religi\u00e3o era tema na filosofia como qualquer outro. Por isso, todos os grandes fil\u00f3sofos dela trataram de uma forma ou outra forma. Desde o s\u00e9culo XVII, surgem esfor\u00e7os apolog\u00e9ticos para justificar a religi\u00e3o no mundo moderno por que esta (o cristianismo) se distanciou da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do mundo t\u00e9cnico-cient\u00edfico<\/em>. <a name=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[11]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A f\u00e9 \u00e9 ato totalmente humano e deve ter sentido humano e honestidade e responsabilidade intelectual. A raz\u00e3o conduz, pela abertura ao ser, \u00e0 religi\u00e3o, express\u00e3o da transcend\u00eancia humana, mas aquela n\u00e3o se convence por uma f\u00e9 que julgue a ess\u00eancia de Deus, do mundo e do homem, ou seja, forne\u00e7a meios e m\u00e9todos a ela (a raz\u00e3o). A fundamenta\u00e7\u00e3o religiosa pela filosofia transcendental \u00e9 a hist\u00f3rica; o eu seria ambivalente, diferente do eu hist\u00f3rico.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Segundo santo Tom\u00e1s de Aquino, destacado pensador da Patr\u00edstica, a f\u00e9 aperfei\u00e7oa a raz\u00e3o da mesma forma que a teologia, e conseq\u00fcentemente a religi\u00e3o, aperfei\u00e7oa a filosofia. A teologia retifica a filosofia; a f\u00e9 orienta a raz\u00e3o, n\u00e3o diminuindo-a.<a name=\"_ftnref12\" href=\"#_ftn12\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[12]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Para Pascal, a raz\u00e3o \u00e9 insuficiente para conhecer as verdades \u00e9ticas ou religiosas, e n\u00e3o chega a Deus. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o que conhece Deus; Ele \u00e9 sens\u00edvel, n\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o, mas ao cora\u00e7\u00e3o, este, \u2018tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece\u2019. N\u00e3o h\u00e1 contraposi\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 crist\u00e3 e natureza humana, mas n\u00e3o O conhece-se sem a ci\u00eancia ou a filosofia.<a name=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[13]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Conclus\u00e3o <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> A hist\u00f3ria da ci\u00eancia adverte insistentemente, sobre um fato irrefut\u00e1vel: poucas teorias cient\u00edficas conseguem manter-se em p\u00e9, mesmo que por poucos s\u00e9culos; muitas vezes, s\u00f3 por alguns anos; e em alguns casos, menos ainda. A maioria das afirma\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia s\u00e3o posteriormente substitu\u00eddas, uma ap\u00f3s a outra, pouco a pouco, por outras explica\u00e7\u00f5es mais complexas e mais fundamentadas dessa mesma realidade. Eram hip\u00f3teses tidas como certas durante uma s\u00e9rie de anos, ou de s\u00e9culos, e que um dia se descobre que est\u00e3o superadas. A postura pr\u00f3pria da ci\u00eancia experimental deve ser, portanto, extremamente cautelosa nas suas afirma\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A ci\u00eancia, apesar dos seus progressos, n\u00e3o ser\u00e1 capaz explicar tudo. Cada vez ganhar\u00e1 mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplic\u00e1vel. Mas os limites do saber, por muito longe que cheguem, ter\u00e3o sempre pela frente um infinito mundo de mist\u00e9rio, no qual a f\u00e9 caminha sem trope\u00e7os, nem intemp\u00e9ries. Uma pode entrar no campo da outra, nunca desrespeit\u00e1-la. A ci\u00eancia n\u00e3o garante ou indica a f\u00e9, da mesma forma a f\u00e9 n\u00e3o deve ser empecilho \u00e0 ci\u00eancia, no seu progresso. A ci\u00eancia se ocupa das coisas que ela v\u00ea, a f\u00e9 por sua vez, ocupa-se das coisas invis\u00edveis. Ambas devem permanecer em seus limites. A ci\u00eancia explicando como se \u00e9 feito, como o mundo \u00e9 feito; e a religi\u00e3o, porque se est\u00e1 no mundo e que sentido tem esse estar no mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Refer\u00eancias<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>antiguidade e idade m\u00e9dia. 5\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1990.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>do humanismo a Kant. 8\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ARANHA, M. L\u00facia de Arruda; MARTINS, M. Helena Pires. <em>Filosofando:<\/em> introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia. 3\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2003.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">GALIEMBERTI, Umberto. <em>Rastros do sagrado. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de: Euclides Luiz Calloni. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2003.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">STACCONE, Guiseppe. <em>Filosofia da religi\u00e3o: <\/em>o pensamento do homem ocidental e o problema de Deus. Petr\u00f3polis: Vozes, 1987.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1991. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">_____. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005.<\/span><\/p>\n<div>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div id=\"ftn1\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[1]<\/span><\/span><\/span> ARANHA, M. L\u00facia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires,\u00a0 <em>Filosofando<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn2\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[2]<\/span><\/span><\/span> ZILLES,\u00a0 <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia,<\/em> p 151<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn3\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[3]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia,<\/em>. p 153.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn4\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[4]<\/span><\/span><\/span> Cf. ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia,<\/em>. p 151<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn5\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[5]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia,<\/em>. p 28<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn6\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[6]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o,<\/em>. p 9.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn7\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[7]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o, <\/em>p 10.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn8\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[8]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o, <\/em>. p 11.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn9\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[9]<\/span><\/span><\/span> Cf. ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o, <\/em> p 13.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn10\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn10\" href=\"#_ftnref10\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[10]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o, <\/em>. p 14.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn11\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn11\" href=\"#_ftnref11\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[11]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o, <\/em> p 15.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn12\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn12\" href=\"#_ftnref12\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[12]<\/span><\/span><\/span> Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>antiguidade e idade m\u00e9dia, p. 554-555.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn13\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\" style=\"text-align:justify;\"><a name=\"_ftn13\" href=\"#_ftnref13\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[13]<\/span><\/span><\/span> Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>do humanismo a Kant, p. 618-621.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" class=\"mcePaste\" style=\"position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;overflow:hidden;\">&lt;!&#8211;[if gte mso 9]&gt; &lt;![endif]&#8211;&gt;&lt;!&#8211;[if gte mso 9]&gt; Normal 0 21 false false false PT-BR X-NONE X-NONE &lt;![endif]&#8211;&gt;&lt;!&#8211;[if gte mso 9]&gt; &lt;![endif]&#8211;&gt;<!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable \t{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;; \tmso-tstyle-rowband-size:0; \tmso-tstyle-colband-size:0; \tmso-style-noshow:yes; \tmso-style-priority:99; \tmso-style-qformat:yes; \tmso-style-parent:&quot;&quot;; \tmso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; \tmso-para-margin-top:0cm; \tmso-para-margin-right:0cm; \tmso-para-margin-bottom:10.0pt; \tmso-para-margin-left:0cm; \tline-height:115%; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:11.0pt; \tfont-family:&quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;; \tmso-ascii-font-family:Calibri; \tmso-ascii-theme-font:minor-latin; \tmso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;; \tmso-fareast-theme-font:minor-fareast; \tmso-hansi-font-family:Calibri; \tmso-hansi-theme-font:minor-latin; \tmso-bidi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;; \tmso-bidi-theme-font:minor-bidi;} -->&lt;!&#8211;[endif]&#8211;&gt;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Tiago da Silva Gomes<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Wilhiam Luiz de Lima<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Acima da ci\u00eancia h\u00e1 outra face da realidade: importante, e de certa forma imprescind\u00edvel do ser humano, aquela em que aparecem aspectos t\u00e3o pouco quantific\u00e1veis como, por exemplo, os sentimentos \u2013 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pes\u00e1-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Essa dimens\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Como as ci\u00eancias avan\u00e7am sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experi\u00eancia, foram surgindo pensadores ao longo da hist\u00f3ria convencidos de que, sempre que a ci\u00eancia descobria um segredo, a religi\u00e3o dava um passo atr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A raz\u00e3o \u00e9 uma das mais nobres capacidades que distinguem a esp\u00e9cie humana, por ela s\u00e3o percept\u00edveis as conquistas da ci\u00eancia e a sua luta por construir um mundo melhor. Mas, conv\u00e9m n\u00e3o esquecer a limita\u00e7\u00e3o humana, e igualmente a ordem natural que impele o homem a Deus, que lhe permite preservar a sua dignidade e evitar muitos erros.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">1. Defini\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><em><span style=\"line-height:115%;\">O conhecimento cient\u00edfico \u00e9 uma conquista recente da humanidade: data de quase quatrocentos anos surgido no s\u00e9culo XVII com a revolu\u00e7\u00e3o galileana. Isso n\u00e3o significa que antes n\u00e3o houvesse saber rigoroso, pois, desde o s\u00e9culo VI a.C., na Gr\u00e9cia antiga, os s\u00e1bios aspiravam a um conhecimento que se distinguisse do mito e do saber comum.<\/span><\/em><a name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><\/a><sup><span style=\"line-height:115%;\"><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[1]<\/span><\/sup><\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">O mito j\u00e1 n\u00e3o mais agradava ou explicava a realidade, surgiam elementos que at\u00e9 os desmentinham e buscou-se um saber sistematizado. Filosofia e ci\u00eancia estavam intimamente ligados, e somente se separaram na modernidade, buscando cada uma seu objeto com seu m\u00e9todo pr\u00f3prio. Dessa forma, nasce a ci\u00eancia moderna, delimitando objeto e criando m\u00e9todo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo permite \u00e0 ci\u00eancia atingir conhecimento sistem\u00e1tico e objetivo, e possibilita relacionar de modo universal os fen\u00f4menos. Cada ci\u00eancia se torna particular, quando delimita seu campo de pesquisa e seus procedimentos espec\u00edficos. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais formas de saber, a ci\u00eancia busca suas conclus\u00f5es a partir de seus m\u00e9todos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 \u00fanico meio de explica\u00e7\u00e3o da realidade, certo e infal\u00edvel; at\u00e9 porque est\u00e1 em constante evolu\u00e7\u00e3o. As ci\u00eancias humanas, n\u00e3o fazem experimentos, como a psican\u00e1lise; ou recorrem \u00e0 experi\u00eancias laboratoriais ou estat\u00edsticos, como a psicologia comportamental. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">1.1 Especifica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos cient\u00edficos<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">As ci\u00eancias se iniciam ou de observa\u00e7\u00f5es ou de problemas determinados, e partem de dados objetivos. Precisa conceitos que o senso comum \u201cdespreza\u201d, dos quais se parte para exame do conte\u00fado afirmado. \u201c[&#8230;] <em>a ci\u00eancia n\u00e3o se limita a contesta\u00e7\u00f5es do fen\u00f4meno como tal, pois tamb\u00e9m quer encontrar regularidades objetivas e fundamentos causais dessas regularidades para elabor\u00e1-las. Proposi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas respondem a quest\u00f5es como: O que \u00e9 como? Por que \u00e9 assim? As ci\u00eancias investigam:\u00a0 como n\u00f3s esclarecemos isso que observamos? Quais as regularidades existentes?<\/em>\u201d<a name=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[2]<\/span><\/sup> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">M\u00e9todos s\u00e3o imprescind\u00edveis \u00e0 ci\u00eancia, garantem-lhe objetividade. Proposi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas s\u00e3o ju\u00edzos formulados a partir de m\u00e9todos, que questionam o objeto segundo o que o sujeito observa, objetivamente. O procedimento cient\u00edfico se realiza por passos:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">1. Formula-se uma <em>hip\u00f3tese<\/em>. Para se estabelecer o objeto de estudo, especula-se as v\u00e1rias maneiras de ele ser estabelecido. A hip\u00f3tese cient\u00edfica \u00e9 a suposi\u00e7\u00e3o da causa prov\u00e1vel de um fen\u00f4meno ou efeito; n\u00e3o se trata de especula\u00e7\u00e3o repentina. A hip\u00f3tese somente ser\u00e1 verdadeira quando a observa\u00e7\u00e3o for capaz de abranger o que pretende explicar de modo totalizante.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">2. Para se descobrir se a hip\u00f3tese \u00e9 adequada, usa-se da <em>experi\u00eancia<\/em>. Verifica-se se o conte\u00fado hipot\u00e9tico \u00e9 causa do percebido emp\u00edrico. A formula\u00e7\u00e3o \u00e9 testada.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">3. Nos experimentos procede-se com <em>medidas<\/em>. Nas ci\u00eancias da natureza, varia-se um fator, e observam-se as mudan\u00e7as do outro.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">4. Depois do experimento, segue-se a <em>interpreta\u00e7\u00e3o<\/em> sobre o m\u00e9todo, as influ\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">5. Elemento essencial dos resultados \u00e9 a possibilidade de <em>prognoses<\/em>. Um acontecimento singular dentro de determinadas regularidades, da mesma forma deveriam se repetir.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">6. Se confirmada a hip\u00f3tese, tem-se a <em>lei<\/em> ou <em>teoria<\/em>; isso poder\u00e1 ser alterado por pesquisas e corre\u00e7\u00f5es posteriores e poss\u00edveis, dessa forma, proposi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas nunca s\u00e3o absolutas. As leis somente s\u00e3o verdadeiras enquanto correspondem \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o em voga.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">7. As leis expressam-se como proposi\u00e7\u00f5es condicionais (se, ent\u00e3o)<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Pelo caminho indutivo, chega-se a proposi\u00e7\u00f5es sobre fen\u00f4menos do mundo emp\u00edrico. O conhecimento deve ser objetivo, percebido de mesmo modo por muitos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">O objeto de estudo da filosofia \u00e9 o todo, n\u00e3o um fen\u00f4meno singular. \u201c<em>L. Wittgenstein radicaliza: parece absurdo dizer filosoficamente o que n\u00e3o se pode verificar, pois a linguagem s\u00f3 pode dizer com sentido realidades f\u00e1cticas, conex\u00f5es verific\u00e1veis. Como a filosofia tradicional fala de totalidades, deve ser situada no pensamento m\u00edstico<\/em>.\u201d<a name=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[3]<\/span><\/sup> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Filosofia e Teologia trabalham hip\u00f3teses nos diferentes campos, com objetos acess\u00edveis:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">a) Criticando a documentos hist\u00f3ricos, que relacionam f\u00e9, pensamento e a\u00e7\u00e3o humanos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">b) Analisando proposi\u00e7\u00f5es existenciais e psicol\u00f3gicas, ocorre a realidade dentro da qual se realiza a responsabilidade humana. A f\u00e9 determina a exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">c) Comparando com outras religi\u00f5es, constata-se diferentes concep\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas, tematiza-se institui\u00e7\u00f5es, conduta perante Deus<a name=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[4]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ci\u00eancias \u00e9 que algumas hip\u00f3teses n\u00e3o s\u00e3o ou raramente s\u00e3o verific\u00e1veis em experimentos, pois \u00e9 imposs\u00edvel reproduzir suas determina\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">2. Significa\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A religi\u00e3o \u00e9 algo de constitutivo e expressivo em muitas culturas. \u00c9 atrav\u00e9s dela que h\u00e1 uma transmuta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, isto \u00e9, transcende-se o espa\u00e7o f\u00edsico com suas experi\u00eancias espirituais. Tamb\u00e9m qualifica o tempo, dando-lhe a marca do sagrado. Toda a din\u00e2mica da religi\u00e3o se baseia em um elemento mist\u00e9rico: a f\u00e9.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Pode-se constatar a presen\u00e7a da f\u00e9 em religi\u00f5es antigas como o juda\u00edsmo, budismo, cristianismo e islamismo, que atrav\u00e9s dela exerceram grande poder na hist\u00f3ria da sociedade.\u00a0 Por exemplo, no juda\u00edsmo as leis que regiam a sociedade partiam dos ensinamentos da Tor\u00e1.\u00a0 A origem do povo judeu vem de uma longa experi\u00eancia de f\u00e9 a come\u00e7ar com Abra\u00e3o, Mois\u00e9s, se estendendo \u00e0 viv\u00eancia dos profetas, patriarcas e reis. J\u00e1 no cristianismo a f\u00e9 \u00e9 fundamentada na tradi\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos de Jesus Cristo, na Sagrada Escritura e no Magist\u00e9rio da Igreja. Nas origens do cristianismo v\u00eaem-se testemunhos corajosos de profiss\u00e3o de f\u00e9 a ponto de se por a vida em risco e, \u00e0s vezes, dando-a \u00e0 morte. \u00c9 uma f\u00e9 que tem a figura de Cristo que se encarnou fazendo-se homem e padecendo, sendo morto como homem para redimir os pecados da humanidade, por\u00e9m ressuscita trazendo nova esperan\u00e7a para a f\u00e9 crist\u00e3, que se baseia no testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">O cristianismo exerceu influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o cultural de muitas sociedades e teve participa\u00e7\u00e3o na difus\u00e3o de v\u00e1rias conquistas cient\u00edficas e culturais que mudaram a sociedade. No per\u00edodo medieval, a f\u00e9 era o elemento usado para justificar o incompreens\u00edvel e foi durante longo per\u00edodo um dos bloqueios para que a ci\u00eancia n\u00e3o se evolu\u00edsse. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A f\u00e9 \u00e9 uma experi\u00eancia que o homem vivencia a partir do mist\u00e9rio, do incompreens\u00edvel e inacess\u00edvel. Ela remete o homem a algo transcendente ou algo superior a ele. Diz-se que algu\u00e9m tem f\u00e9 quando experiencia o sentimento de finitude diante da vida, que pode pouco e que acredita no aux\u00edlio de algo superior. A f\u00e9 \u00e9 uma experi\u00eancia de confian\u00e7a e esperan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> Consiste, a f\u00e9, em considerar uma id\u00e9ia verdadeira ou aceit\u00e1vel, baseando-se em um grau de evid\u00eancia n\u00e3o decisiva. \u00c9 algo mais forte que a opini\u00e3o, mas mais fraca que o conhecimento, pois \u00e9 algo muitas das vezes experienciado, impossibilitado de descri\u00e7\u00e3o cognitiva. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Por outro lado, fala-se de f\u00e9 para designar um estado de esp\u00edrito em que a confian\u00e7a \u00e9 depositada numa pessoa, id\u00e9ia ou coisa sem evid\u00eancia objetiva. Segundo Kant, \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias ou de princ\u00edpios regulat\u00f3rios, os quais n\u00e3o podem ser demonstrados te\u00f3rica ou empiricamente. No entanto, s\u00e3o necess\u00e1rios e \u00fateis para a elabora\u00e7\u00e3o de teorias cient\u00edficas, pr\u00e1ticas e morais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> No s\u00e9culo XX, um pensador chamado Karl Jaspers refletiu sobre o tema. Ele considera em uma obra <em>Der philosophische Glube<\/em>, que a ess\u00eancia da f\u00e9 surge da an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o exist\u00eancia-transcencend\u00eancia. A f\u00e9 \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima da liberdade humana. \u00c9 a certeza de ser e do ser, \u00e9 certeza existencial e ato instituidor da exist\u00eancia que em uma a\u00e7\u00e3o interior descobre a presen\u00e7a da transcend\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> A defini\u00e7\u00e3o da palavra f\u00e9 \u00e9 algo dif\u00edcil, por ser amb\u00edgua. Usa-se a palavra f\u00e9 (cren\u00e7a) de diferentes maneiras como um \u201cachar\u201d, \u201cjulgar\u201d na informalidade da fala cotidiana e usa-se f\u00e9 no contexto religioso, como cren\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A f\u00e9 tamb\u00e9m apresenta uma reivindica\u00e7\u00e3o universal de verdade e certeza como a ci\u00eancia. O que se cr\u00ea tamb\u00e9m deve ser examinado por sua verdade, certeza e coer\u00eancia, pois a f\u00e9 exige justifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta convic\u00e7\u00e3o pessoal. Dizer que algu\u00e9m cr\u00ea uma proposi\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o sabe, significa que recorre a estrat\u00e9gias de justifica\u00e7\u00e3o diferentes da ci\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A dificuldade est\u00e1 em encontrar as estrat\u00e9gias de justifica\u00e7\u00e3o que separam f\u00e9 e ci\u00eancia, de maneira adequada. Como algu\u00e9m chega ao conhecimento de uma proposi\u00e7\u00e3o da f\u00e9? Para as tais proposi\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio mais o testemunho de outras pessoas e menos de percep\u00e7\u00f5es sens\u00edveis do que do conhecimento cient\u00edfico. Na cren\u00e7a, sempre se pressup\u00f5e algu\u00e9m em quem se acredita, cr\u00ea-se na veracidade de algu\u00e9m. Assim tamb\u00e9m a cren\u00e7a em Deus inclui nela uma certeza existencial muito forte, ou seja, a f\u00e9 traz em si uma certeza existencial. Mas, por outro lado, a justifica\u00e7\u00e3o da f\u00e9 nunca pode ser reduzida totalmente \u00e0 ci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><em><span style=\"line-height:115%;\">O fil\u00f3sofo franc\u00eas Gabriel Marcel dizia que estrutura da f\u00e9 \u00e9 di\u00e1dica e a demonstra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 tri\u00e1dica. Quando creio, creio em algu\u00e9m. O ato de crer envolve toda a minha pessoa, raz\u00e3o e sentimento. Por isso a f\u00e9 se testemunha. Testemunhar algo significa estarmos com todo o nosso ser por aquilo que afirmamos. Os primeiros m\u00e1rtires crist\u00e3o s\u00e3o exemplos de testemunho da f\u00e9. Pois deram sua vida por aquilo que criam. A prova cient\u00edfica \u00e9 apenas um ato racional: eu provo algo a algu\u00e9m. O processo de demonstra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica consiste em fazer com que algu\u00e9m possa ver algo da mesma maneira como eu. Envolve apenas minha raz\u00e3o e a do outro<\/span><\/em><sup><span style=\"line-height:115%;\">. <a name=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[5]<\/span><\/sup><\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">3. A justifica\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o frente \u00e0 ci\u00eancia e da ci\u00eancia frente \u00e0 religi\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Desde sua origem, a filosofia com sua vis\u00e3o cr\u00edtica, quis responder \u00e0 quest\u00e3o da verdade da vida. A religi\u00e3o sempre esteve atrelada \u00e0 vida do homem, o que fez os fil\u00f3sofos,\u00a0 de alguma forma, considerar a quest\u00e3o de Deus.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A filosofia grega antiga pensou a totalidade, Deus como cosmos, no qual est\u00e1 o fundamento origin\u00e1rio, em Anaximandro; que \u00e9 ser imut\u00e1vel, em Parm\u00eanides; que \u00e9 Logos ordenador, segundo Her\u00e1clito; ou no\u00fas, princ\u00edpio de movimento, segundo Anax\u00e1goras; o mundo era pensado objetivamente nesse contexto; a partir dele, a id\u00e9ia de Deus.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A revolu\u00e7\u00e3o copernicana significou tamb\u00e9m o in\u00edcio do pensamento subjetivo. O homem agora questiona o acesso ao real e fala de realidade a partir da subjetividade, e ap\u00f3ia-se apenas na raz\u00e3o e na experi\u00eancia. Isso tamb\u00e9m modificou a concep\u00e7\u00e3o de Deus. Para dominar a natureza, as ci\u00eancias dispensaram a id\u00e9ia de causa primeira, mas com refer\u00eancia a Deus, cuja quest\u00e3o passa a ser, considerada n\u00e3o a partir do mundo, mas do homem e suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A filosofia da religi\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia nova, foram importantes v\u00e1rios pensadores. A filosofia da ci\u00eancia \u201c<em>\u00e9 filosofia; e filosofia n\u00e3o se esclarece a partir de outras ci\u00eancias, mas a partir de si mesma. Quando o homem filosofa, ele mesmo pensa. O pensar filos\u00f3fico \u00e9 forma radical de liberdade humana<\/em>\u201d<a name=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[6]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A partir do pensamento, o homem se compreende a si e se desenvolve; seu pensamento al\u00e9m de ter, lhe d\u00e1 fundamento. A filosofia da religi\u00e3o \u00e9 diferente das demais ci\u00eancias relacionadas \u00e0 religi\u00e3o porque indaga a si, como \u00e9, e tematiza-se; inclui a quest\u00e3o cr\u00edtica do ser, tenta esclarecer o ser e a ess\u00eancia da religi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> A religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dada, nem se funda na filosofia, n\u00e3o \u00e9 filosofia. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><em><span style=\"line-height:115%;\">Certamente h\u00e1 influ\u00eancia m\u00fatua entre a filosofia e a religi\u00e3o. O fil\u00f3sofo encontra a religi\u00e3o como o diferente, o outro. Mas a religi\u00e3o realiza-se como acontecimento humano, como uma forma da vida humana. S\u00e3o homens que cr\u00eaem em Deus, rezam, se re\u00fanem em assembl\u00e9ia para o culto. Na f\u00e9 em Deus, os homens indagam sempre, de alguma forma, a si mesmos. Embora n\u00e3o produzam a religi\u00e3o, cabe-lhes uma liberdade respons\u00e1vel perante si mesmos, ou seja, perante a raz\u00e3o cr\u00edtica.<\/span><\/em><a name=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\"><\/a><sup><span style=\"line-height:115%;\"><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[7]<\/span><\/sup><\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A religi\u00e3o \u00e9 parte importante da antropologia filos\u00f3fica, pois est\u00e1 na compreens\u00e3o que o homem tem de si mesmo e do ser. Expressa-se em linguagem, categorias e possibilidades humanas. A partir de uma compreens\u00e3o da ess\u00eancia da religi\u00e3o, posiciona-se criticamente a ela, e esclarece-se seu sentido na vida do homem. A religi\u00e3o \u201c<em>\u00e9 a cren\u00e7a na garantia divina oferecida ao homem para sua salva\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo seu comportamento (culto, \u00e9tica) para obter e conservar tal garantia<\/em>.\u201d<a name=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[8]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">4. Posicionamentos favor\u00e1veis e contr\u00e1rios \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o religi\u00e3o e ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">No decorrer da hist\u00f3ria, sobretudo a partir do Iluminismo, surgiram aqueles que consideram a religi\u00e3o como consci\u00eancia falsa, ideologia, como Feuerbach, que parte de uma concep\u00e7\u00e3o de vida natural n\u00e3o alienada, e Freud, mais c\u00e9tico, que esperou um futuro em que a humanidade constituiria uma harmonia sem religi\u00e3o ou ci\u00eancia.<a name=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[9]<\/span><\/sup> Para Feuerbach ainda, a religi\u00e3o \u00e9 proje\u00e7\u00e3o das expectativas do homem que \u00e9 limitado, o que deseja para si, ou lhe falta, projeta na figura de Deus.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Esses dentre outros, almejam, pela raz\u00e3o e natureza, transformar a consci\u00eancia humana, a partir, sobretudo do dom\u00ednio tecnol\u00f3gico sobre as for\u00e7as da natureza. A aliena\u00e7\u00e3o seria falta de conhecimento cient\u00edfico e dom\u00ednio do inconsciente.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Marx se destaca como o pai da cr\u00edtica moderna \u00e0 religi\u00e3o, confiando fortemente na raz\u00e3o, na ci\u00eancia e no progresso. \u201c<em>O desejo de libertar a humanidade da ilus\u00e3o de Deus e da tirania da f\u00e9 religiosa reverteu, ele mesmo, em ilus\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 na filosofia, como tamb\u00e9m na psicologia profunda e na sociologia, hoje se buscam fundamentos para a exist\u00eancia da f\u00e9 em uma realidade chamada Deus<\/em>\u201d<a name=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[10]<\/span><\/sup>. A religi\u00e3o \u00e9 institui\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social, obst\u00e1culo ao progresso e liberta\u00e7\u00e3o do homem.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Mas, a rela\u00e7\u00e3o ci\u00eancia e religi\u00e3o nem sempre foi vista de modo pessimista \u201c<em>Durante s\u00e9culos e mil\u00eanios, a religi\u00e3o era tema na filosofia como qualquer outro. Por isso, todos os grandes fil\u00f3sofos dela trataram de uma forma ou outra forma. Desde o s\u00e9culo XVII, surgem esfor\u00e7os apolog\u00e9ticos para justificar a religi\u00e3o no mundo moderno por que esta (o cristianismo) se distanciou da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do mundo t\u00e9cnico-cient\u00edfico<\/em>.\u201d <a name=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[11]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A f\u00e9 \u00e9 ato totalmente humano e deve ter sentido humano e honestidade e responsabilidade intelectual. A raz\u00e3o conduz, pela abertura ao ser, \u00e0 religi\u00e3o, express\u00e3o da transcend\u00eancia humana, mas aquela n\u00e3o se convence por uma f\u00e9 que julgue a ess\u00eancia de Deus, do mundo e do homem, ou seja, forne\u00e7a meios e m\u00e9todos a ela (a raz\u00e3o). A fundamenta\u00e7\u00e3o religiosa pela filosofia transcendental \u00e9 a hist\u00f3rica; o eu seria ambivalente, diferente do eu hist\u00f3rico.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Segundo santo Tom\u00e1s de Aquino, destacado pensador da Patr\u00edstica, a f\u00e9 aperfei\u00e7oa a raz\u00e3o da mesma forma que a teologia, e conseq\u00fcentemente a religi\u00e3o, aperfei\u00e7oa a filosofia. A teologia retifica a filosofia; a f\u00e9 orienta a raz\u00e3o, n\u00e3o diminuindo-a.<a name=\"_ftnref12\" href=\"#_ftn12\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[12]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">Para Pascal, a raz\u00e3o \u00e9 insuficiente para conhecer as verdades \u00e9ticas ou religiosas, e n\u00e3o chega a Deus. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o que conhece Deus; Ele \u00e9 sens\u00edvel, n\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o, mas ao cora\u00e7\u00e3o, este, \u2018tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece\u2019. N\u00e3o h\u00e1 contraposi\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 crist\u00e3 e natureza humana, mas n\u00e3o O conhece-se sem a ci\u00eancia ou a filosofia.<a name=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\"><\/a><sup><span style=\"font-size:11pt;line-height:115%;font-family:&quot;\">[13]<\/span><\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Conclus\u00e3o <\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\"> A hist\u00f3ria da ci\u00eancia adverte insistentemente, sobre um fato irrefut\u00e1vel: poucas teorias cient\u00edficas conseguem manter-se em p\u00e9, mesmo que por poucos s\u00e9culos; muitas vezes, s\u00f3 por alguns anos; e em alguns casos, menos ainda. A maioria das afirma\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia s\u00e3o posteriormente substitu\u00eddas, uma ap\u00f3s a outra, pouco a pouco, por outras explica\u00e7\u00f5es mais complexas e mais fundamentadas dessa mesma realidade. Eram hip\u00f3teses tidas como certas durante uma s\u00e9rie de anos, ou de s\u00e9culos, e que um dia se descobre que est\u00e3o superadas. A postura pr\u00f3pria da ci\u00eancia experimental deve ser, portanto, extremamente cautelosa nas suas afirma\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">A ci\u00eancia, apesar dos seus progressos, n\u00e3o ser\u00e1 capaz explicar tudo. Cada vez ganhar\u00e1 mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplic\u00e1vel. Mas os limites do saber, por muito longe que cheguem, ter\u00e3o sempre pela frente um infinito mundo de mist\u00e9rio, no qual a f\u00e9 caminha sem trope\u00e7os, nem intemp\u00e9ries. Uma pode entrar no campo da outra, nunca desrespeit\u00e1-la. A ci\u00eancia n\u00e3o garante ou indica a f\u00e9, da mesma forma a f\u00e9 n\u00e3o deve ser empecilho \u00e0 ci\u00eancia, no seu progresso. A ci\u00eancia se ocupa das coisas que ela v\u00ea, a f\u00e9 por sua vez, ocupa-se das coisas invis\u00edveis. Ambas devem permanecer em seus limites. A ci\u00eancia explicando como se \u00e9 feito, como o mundo \u00e9 feito; e a religi\u00e3o, porque se est\u00e1 no mundo e que sentido tem esse estar no mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><strong><span style=\"line-height:115%;\">Refer\u00eancias<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>antiguidade e idade m\u00e9dia. 5\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1990.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>do humanismo a Kant. 8\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ARANHA, M. L\u00facia de Arruda; MARTINS, M. Helena Pires. <em>Filosofando:<\/em> introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia. 3\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2003.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">GALIEMBERTI, Umberto. <em>Rastros do sagrado. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de: Euclides Luiz Calloni. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2003.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">STACCONE, Guiseppe. <em>Filosofia da religi\u00e3o: <\/em>o pensamento do homem ocidental e o problema de Deus. Petr\u00f3polis: Vozes, 1987.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1991. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"line-height:115%;\">_____. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005.<\/span><\/p>\n<div>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[1]<\/span><\/span><\/span> ARANHA, M. L\u00facia de Arruda, MARTINS, M. Helena Pires. <em>Filosofando:<\/em> introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2003.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn2\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[2]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus. 2005. p 151<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn3\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[3]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus. 2005. p 153.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn4\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[4]<\/span><\/span><\/span> Cf. ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus. 2005. p 151<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn5\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[5]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Teoria do conhecimento e teoria da ci\u00eancia. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus. 2005. p 28<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn6\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[6]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2.ed.S\u00e3o Paulo: Paulus. 1991. p 9.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn7\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[7]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2.ed.S\u00e3o Paulo: Paulus. 1991. p 10.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn8\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[8]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2.ed.S\u00e3o Paulo: Paulus. 1991. p 11.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn9\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[9]<\/span><\/span><\/span> Cf. ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2.ed.S\u00e3o Paulo: Paulus. 1991. p 13.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn10\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn10\" href=\"#_ftnref10\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[10]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2.ed.S\u00e3o Paulo: Paulus. 1991. p 14.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn11\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn11\" href=\"#_ftnref11\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[11]<\/span><\/span><\/span> ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o. <\/em>2.ed.S\u00e3o Paulo: Paulus. 1991. p 15.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn12\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn12\" href=\"#_ftnref12\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[12]<\/span><\/span><\/span> Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>antiguidade e idade m\u00e9dia. 5. Ed. S\u00e3o Paulo: Paulus. 1990. p. 554-555.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn13\">\n<p class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn13\" href=\"#_ftnref13\"><\/a><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size:10pt;line-height:115%;font-family:&quot;\" lang=\"IT\">[13]<\/span><\/span><\/span> Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia: <\/em>do humanismo a Kant. 8. Ed. S\u00e3o Paulo: Paulus. 2007. p. 618-621.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago da Silva Gomes Wilhiam Luiz de Lima Introdu\u00e7\u00e3o Acima da ci\u00eancia h\u00e1 outra face da realidade: importante, e de certa forma imprescind\u00edvel do ser humano, aquela em que aparecem aspectos t\u00e3o pouco quantific\u00e1veis como, por exemplo, os sentimentos \u2013 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pes\u00e1-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. 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