{"id":1341,"date":"2011-04-02T12:37:14","date_gmt":"2011-04-02T15:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1341"},"modified":"2011-04-02T12:37:14","modified_gmt":"2011-04-02T15:37:14","slug":"revolucao-cientifica-novo-modo-de-pensar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1341","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica: novo modo de pensar o mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Lucas Germano de Azevedo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como pode a terra n\u00e3o ser o centro do universo? Os astros espaciais n\u00e3o est\u00e3o nos circulando? O sol n\u00e3o est\u00e1 em movimento? Estes e alguns outros questionamentos embalaram o mundo cient\u00edfico de forma mais evidente\u00a0 por mais de duzentos anos, per\u00edodo entre 1500  a 1700. Este tempo ficou conhecido como Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. Espera-se que este trabalho proporcione uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia deste epis\u00f3dio da hist\u00f3ria da humanidade e do pensamento filos\u00f3fico e antropol\u00f3gico, pois a Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como a revolu\u00e7\u00e3o que abriu as portas aos novos pensamentos, \u201censinou os homens a pensar diferentemente\u201d (BRONOWSKI E MAZLISCH, p. 124)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O homem que estava acostumado com respostas prontas se depara com perguntas que exigiam cada vez mais de sua raz\u00e3o, de seu intelecto. N\u00e3o dava mais para tardar as respostas, a ci\u00eancia estava ganhando for\u00e7as e novas respostas teriam que surgir. V\u00e1rios autores, pois, foram de extrema import\u00e2ncia no labor cient\u00edfico. Dentre eles podemos citar tr\u00eas: Cop\u00e9rnico, Kepler e Galileu.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Cop\u00e9rnico (1473 &#8211; 1543), que surge como grande expoente de pensador nesse meio, deixa de lado o antigo modelo de Ptolomeu, que era de que a \u201cTerra se encontra im\u00f3vel no lugar central do universo\u201d (MARCONDES, 2002, p.149) e passa a um novo modo de concep\u00e7\u00e3o deste, n\u00e3o sendo mais a Terra o centro, mas sim o sol. Este, por sua vez, era uma estrela e n\u00e3o estava sozinha no universo. Com isto, ele mostra a muitos de seus contempor\u00e2neos que pensar novas teorias e estud\u00e1-las \u00e9 poss\u00edvel. A partir da inaugura\u00e7\u00e3o de Cop\u00e9rnico, v\u00e1rias teorias acerca do universo foram publicadas na \u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Lan\u00e7ando suas teorias em 1609 e 1619, Kepler (1571 &#8211; 1630) desbanca a vis\u00e3o dos antigos gregos e mostra que \u201cos planetas se movem segundo uma elipse e que o sol \u00e9 um dos focos dessa elipse\u201d (BRONOWSKI E MAZLISCH p.133), uma vis\u00e3o que ia totalmente contra o teocentrismo, o poder do criador revelado na criatura; a Terra como centro do universo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Galileu Galilei (1564 &#8211; 1642) inaugurou o m\u00e9todo emp\u00edrico, possibilitando a experi\u00eancia nas ci\u00eancias. Como os outros te\u00f3ricos de seu tempo, ele tamb\u00e9m enfrentou dificuldades para estudar e expor suas id\u00e9ias, sendo posteriormente at\u00e9 condenado por heresias pela Igreja. Galileu, em uma de suas cartas, comenta:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Eu creria que a autoridade das Sagradas Letras tivesse tido em mira somente persuadir os homens daqueles artigos e preposi\u00e7\u00f5es, que, sendo necess\u00e1rios para a salva\u00e7\u00e3o e superando todo discurso humano, n\u00e3o podiam por outra ci\u00eancia nem por outro meio se tornar cr\u00edveis, a n\u00e3o ser pela boca do inteiro Esp\u00edrito Santo.<\/em> (REALE, ANTISERI, p.221, 2006)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mais tarde ele iria comentar tamb\u00e9m a respeito do Esp\u00edrito Santo dizendo que a inten\u00e7\u00e3o do mesmo \u00e9 mostrar as coisas do c\u00e9u e n\u00e3o as coisas que est\u00e3o no c\u00e9u, deixando claro que a Igreja tem que se preocupar com a f\u00e9 e deixar que outros cuidem das ci\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A busca incessante pela verdade que \u00e9 exercida principalmente pelos fil\u00f3sofos deve muito \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, pois servindo como aquela que abre a porta para a aceita\u00e7\u00e3o do novo, permitiu que os fil\u00f3sofos expusessem novas teorias a respeito de diversos problemas filos\u00f3ficos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O uso da raz\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e3o seria mais uma coisa fadada \u00e0 condena\u00e7\u00e3o, serviria para dar explica\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas a efeitos que diziam ser puramente transcendentes. Conciliar o uso da raz\u00e3o com o da f\u00e9 ajuda a responder v\u00e1rias proposi\u00e7\u00f5es indicadas pela sociedade que quer respostas cada dia mais r\u00e1pidas e resolu\u00e7\u00f5es imediatas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Bronowski e Mazlisch (1960, p. 124) no livro \u201cA Tradi\u00e7\u00e3o Intelectual do Ocidente\u201d dizem que \u201c a Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica brilha sobre tudo desde o aparecimento do cristianismo e reduz o Renascimento e a Reforma ao n\u00edvel de meros epis\u00f3dios\u201d. Ent\u00e3o, dizer que a Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica n\u00e3o marcou a hist\u00f3ria do mundo seria o mesmo que cometer um erro fatal e n\u00e3o valorizar o empenho que v\u00e1rios tiveram para que o mundo conhecesse mais sobre ele mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O legado da Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, como j\u00e1 dito antes, \u00e9 sentido nas diversas correntes filos\u00f3ficas de nossos tempos. Mas os fil\u00f3sofos expoentes da Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica n\u00e3o eram bem aceitos e mal compreendidos em sua \u00e9poca, diferentemente dos pensadores contempor\u00e2neos que podem expressar mais facilmente suas id\u00e9ias.\u00a0 Com tudo isso, todos aqueles autores que brilharam na Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica parecem ainda hoje querer ecoar seus brados a tantos outros que desejam expor suas ideias e seus conhecimentos, mostrando-lhes que pensar \u00e9\u00a0 necess\u00e1rio para o desenvolvimento do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BRONOWSKI, J. e MAZLISCH Bruce. <em>A tradi\u00e7\u00e3o intelectual do ocidente<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MARCONDES, Danilo.\u00a0 <em>Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria da filosofia<\/em>: dos pr\u00e9-socr\u00e1ticos a Wittgenstein. 7\u00aa Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2006. V. 3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Germano de Azevedo &nbsp; Como pode a terra n\u00e3o ser o centro do universo? Os astros espaciais n\u00e3o est\u00e3o nos circulando? O sol n\u00e3o est\u00e1 em movimento? Estes e alguns outros questionamentos embalaram o mundo cient\u00edfico de forma mais evidente\u00a0 por mais de duzentos anos, per\u00edodo entre 1500 a 1700. Este tempo ficou conhecido &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[47,94,114],"tags":[215,363,461,462],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-1341","6":"format-standard","7":"category-galileu-galilei","8":"category-lucas-germano-de-azevedo","9":"category-nicolau-copernico","10":"post_tag-ciencia","11":"post_tag-kepler","12":"post_tag-revolucao-cientifica","13":"post_tag-revolucao-copernicana"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1341\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}