{"id":1344,"date":"2011-04-02T12:40:47","date_gmt":"2011-04-02T15:40:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1344"},"modified":"2011-04-02T12:40:47","modified_gmt":"2011-04-02T15:40:47","slug":"a-infinitude-do-universo-no-pensamento-de-giordano-bruno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1344","title":{"rendered":"A infinitude do universo no pensamento de Giordano Bruno"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Douglas Lopes Amaral <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No presente artigo, pretendemos analisar o pensamento de Giordano Bruno<a href=\"#_ftn1\"><sup><\/sup><sup>[1]<\/sup><\/a>, fil\u00f3sofo renascentista, acerca do universo, nos atentando para a quest\u00e3o da sua infinitude.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Bruno rejeita a vis\u00e3o cosmol\u00f3gica que predominava em sua \u00e9poca e que se fundamentava na cosmologia aristot\u00e9lica e na astronomia de Ptolomeu, que afirmava ser a Terra um ponto im\u00f3vel no universo. Ele v\u00ea na teoria helioc\u00eantrica de Cop\u00e9rnico \u201ca premissa necess\u00e1ria para o desmantelamento de toda falsa arquitetura cosmol\u00f3gica do aristotelismo\u201d (BARACAT FILHO, 2009, p. 55), cosmologia essa que \u00e9 duramente criticada por ele. Por\u00e9m tamb\u00e9m critica Cop\u00e9rnico por este ter reduzido suas descobertas a uma vis\u00e3o puramente matem\u00e1tica. Indo al\u00e9m da astronomia copernicana Bruno afirma que o centro do universo n\u00e3o est\u00e1 no sol ou na terra que, ele n\u00e3o se encontra em lugar algum ou em todos os lugares simultaneamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 anterior a Bruno, influenciada pela releitura de Arist\u00f3teles feita pelos escol\u00e1sticos, concebia Deus como primeira causa, motor im\u00f3vel, um Deus transcendente que estaria numa realidade diferente das criaturas. Bruno, por sua vez, concebe a causa ou princ\u00edpio primeiro n\u00e3o como os aristot\u00e9lico-crist\u00e3os, e sim como princ\u00edpio origin\u00e1rio de todas as coisas, sendo por isso \u201cmente por sobre as coisas\u201d; fala tamb\u00e9m de um intelecto universal que na sua concep\u00e7\u00e3o pante\u00edsta, seria imanente e id\u00eantico ao universo, podendo ser considerado, desta forma, o pr\u00f3prio universo. Com isso podemos dizer que, de certa maneira, Bruno diviniza o cosmos e a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na concep\u00e7\u00e3o bruniana, o universo \u00e9 considerado como um todo onde todas as coisas se movimentam, inclusive a terra. Esse movimento \u00e9 produzido pela pr\u00f3pria estrutura ontol\u00f3gica do universo. Como sinalizamos acima, Bruno acredita que todas as coisas contidas no universo possuem uma alma, sendo essa alma \u201co princ\u00edpio vital, a fonte, a origem e a causa do movimento\u201d (BARACAT FILHO, 2009, p. 57). Sua concep\u00e7\u00e3o de universo nesse sentido \u00e9 monista, pois ele acredita que a alma e a mat\u00e9ria formam uma totalidade. Essa \u00e9 uma diferen\u00e7a fundamental do universo de Bruno ante a concep\u00e7\u00e3o de universo aristot\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Contudo \u00e9 bom que deixemos claro que \u201cBruno recusa a transcend\u00eancia no sentido tradicional, mas n\u00e3o o papel da divindade na cria\u00e7\u00e3o, que estaria estreitamente unida ao universo, onde todas as criaturas compostas de mat\u00e9ria s\u00e3o dotadas de anima\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de sua participa\u00e7\u00e3o na alma universal\u201d. (BARACAT FILHO, 2009, p. 71).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ainda sobre o universo, Bruno acreditava na exist\u00eancia de outros mundos infinitos como o nosso, contidos no universo infinito, frutos da infinita bondade divina: \u201co universo \u00e9 infinito porque \u00e9 bom que seja assim, tanto quanto a bondade divina n\u00e3o poderia cri\u00e1-lo de outra forma, pois \u00e9 da ess\u00eancia divina este bem\u201d (BARACAT FILHO, 2009, p. 90).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como dissemos, Bruno concebe o universo como infinito, mas \u00e9 bom que deixemos claro que existe uma diferen\u00e7a entre a infinitude do universo e a infinitude de Deus. O Universo \u00e9 todo infinito por n\u00e3o possuir limite, mas n\u00e3o totalmente infinito, pois \u00e9 constitu\u00eddo de partes finitas, e os mundos nele contidos tamb\u00e9m o s\u00e3o. Deus \u00e9 em si mesmo infinito e seus atributos tamb\u00e9m. Portanto, podemos afirmar com Bruno que Deus \u00e9 totalmente infinito por causa de seus atributos infinitos e por estar ele inteiramente no todo e em cada uma das partes. Vejamos suas pr\u00f3prias palavras:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Eu considero o universo \u201ctodo infinito\u201d por que n\u00e3o possui limite, nem termo, nem superf\u00edcie; digo n\u00e3o ser o universo \u2018totalmente infinito\u2019 porque cada parte que dele possamos pegar \u00e9 finita, e cada um dos in\u00fameros mundos que contem \u00e9 finito. Digo que Deus \u00e9 \u201ctodo infinito\u201d porque exclui de si qualquer termo, e cada um dos seus atributos \u00e9 uno e infinito; e digo que Deus \u00e9 \u201ctotalmente infinito\u201d, porque est\u00e1 inteiramente em todo o mundo, e em cada uma de suas partes, infinita e totalmente; ao contr\u00e1rio da infinitude do universo que reside totalmente no todo e n\u00e3o nas partes<\/em> (&#8230;). (BRUNO, 1988, p. 21).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por fim, poder\u00edamos afirmar que na vis\u00e3o de Bruno, a infinitude do universo torna-se algo necess\u00e1rio, visto que o universo n\u00e3o poderia ser de outra maneira, uma vez que ele \u00e9 causado por um princ\u00edpio infinito e nada mais \u00e9 que um reflexo do mesmo, apesar de ser infinito de um modo diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BARACAT FILHO, Ant\u00f4nio Abdalla. <em>O infinito segundo Giordano Bruno. <\/em>[s.d.]. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Filosofia) \u2013 Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BRUNO, Giordano. <em>Sobre o infinito, o universo e os mundos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Helda Barraco, Nestor Deola. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1988. (Os Pensadores).<\/p>\n<div>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Giordano Bruno nasceu em Nola, It\u00e1lia, em 1548. Entrou para a ordem dos dominicanos onde durante dez anos viveu a vida conventual at\u00e9 doutorar-se em teologia em 1575. Tido como herege, foi condenado pelo tribunal da inquisi\u00e7\u00e3o, sendo executado no campo das Flores em 1600.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Douglas Lopes Amaral &nbsp; No presente artigo, pretendemos analisar o pensamento de Giordano Bruno[1], fil\u00f3sofo renascentista, acerca do universo, nos atentando para a quest\u00e3o da sua infinitude. 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