{"id":1357,"date":"2011-04-09T11:43:10","date_gmt":"2011-04-09T14:43:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1357"},"modified":"2011-04-09T11:43:10","modified_gmt":"2011-04-09T14:43:10","slug":"a-potencialidade-dos-afetos-na-natureza-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1357","title":{"rendered":"A potencialidade dos afetos na natureza humana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Thiago Gandra do Vale<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Todos n\u00f3s um dia nos deparamos com a nossa condi\u00e7\u00e3o de seres limitados. Se isso ainda n\u00e3o ocorreu, uma hora ocorrer\u00e1; ou em muitas vezes j\u00e1 vivenciamos tal situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a percebemos devido ter sido de pequena import\u00e2ncia seu enfrentamento. Isso se d\u00e1 por causa das categorias de tempo e de espa\u00e7o, que limitam o ser humano. Com isso, Baruch (Benedito) de Spinoza em sua obra intitulada \u00c9tica, na terceira parte \u201cOrigem e natureza dos afetos\u201d<a href=\"#_ftn1\"><sup><\/sup><sup>[1]<\/sup><\/a>, tenta nos mostrar como esse limite comumente nos \u00e9 transmitido atrav\u00e9s das vias afetivas; e de que modo somos afetados pelas coisas<a href=\"#_ftn2\"><sup><\/sup><sup>[2]<\/sup><\/a> que comp\u00f5em as categorias de tempo e espa\u00e7o, e o quanto isso nos impossibilita de chegar ao conhecimento, e a termos uma vida virtuosa. Sabemos que essa obra possui um sistema montado que visa auxiliar o homem em sua conduta, e com isso nosso intuito ser\u00e1 o de focalizarmos apenas no cap\u00edtulo que se refere aos afetos, e percebermos neles, o quanto eles possuem uma dimens\u00e3o consider\u00e1vel no ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesta terceira parte de sua obra, Spinoza constr\u00f3i uma verdadeira geometria da afetividade humana, deduzindo a partir de princ\u00edpios a priori toda a rica e complexa gama de afetos que determinam a nossa conduta, como nos afirma Pecoraro (2009, p. 246). De acordo com o mesmo pensamento toda a diversidade da vida afetiva nasce das m\u00faltiplas varia\u00e7\u00f5es do desejo (op. cit. p. 246). Por afeto, Spinoza entende ser aquilo pelo qual a nossa pot\u00eancia de agir \u00e9 aumentada ou diminu\u00edda (SPINOZA, 1959, p. 131).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A partir dessas a\u00e7\u00f5es afetivas em nosso corpo ou em nossa mente, produzimos causas<a href=\"#_ftn3\"><sup><\/sup><sup>[3]<\/sup><\/a> que s\u00e3o adequadas e inadequadas. As adequadas s\u00e3o aquelas cujo princ\u00edpio se encontra na raiz da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o. E por inadequada se entende aquilo cujo princ\u00edpio n\u00e3o se explica apenas pela nossa natureza, mas depende de sermos afetados por fatos que est\u00e3o exteriores a n\u00f3s do qual n\u00e3o somos o seu princ\u00edpio, mas apenas v\u00edtimas de uma nova causa que se segue a partir do encontro desse movimento exterior conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Essas id\u00e9ias adequadas e inadequadas constituem a ess\u00eancia da mente humana, onde, ela mesma, esfor\u00e7a-se \u201cem si\u201d para que se preservem as id\u00e9ias adequadas. A esse esfor\u00e7o Spinoza (1959, p. 141) d\u00e1 o nome de vontade, \u00e9 o que nos mostra a demonstra\u00e7\u00e3o da proposi\u00e7\u00e3o 9. E quando a alma est\u00e1 dominada pelas causas adequadas, as causas inadequadas n\u00e3o existem nela, pois ambas n\u00e3o existem simultaneamente, se assim fosse uma anularia a outra, o que \u00e9 imposs\u00edvel segundo Spinoza com a afirma\u00e7\u00e3o de sua proposi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 4: \u201c<em>Nenhuma coisa pode ser destru\u00edda, sen\u00e3o por uma fonte externa<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn4\"><sup><\/sup><sup>[4]<\/sup><\/a> (SPINOZA, 1959, p. 139). Isso se d\u00e1 devido \u00e0 vontade n\u00e3o possuir tempo de dura\u00e7\u00e3o determinado, pois se envolvesse um tempo limitado de sua exist\u00eancia, provocaria assim ent\u00e3o uma possibilidade simult\u00e2nea da exist\u00eancia das duas causas contr\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Spinoza nos deixa claro que quando o nosso corpo \u00e9 afetado por algo que diminui ou aumenta a sua capacidade de a\u00e7\u00e3o, do mesmo modo a nossa mente tamb\u00e9m ser\u00e1. Assim fica claro que a nossa mente pode sofrer um advento de transforma\u00e7\u00f5es, em uma hora passar\u00e1 da alegria \u00e0 tristeza, ou vice-versa. As causas adequadas produzem em n\u00f3s o sentimento de alegria, e as inadequadas, o seu contr\u00e1rio. Essas transforma\u00e7\u00f5es em que a mente est\u00e1 sujeita, leva-a ao esfor\u00e7o em imaginar sempre aquelas coisas que aumentam a capacidade da a\u00e7\u00e3o do corpo, principalmente quando ela se sente afetada por pensamentos que diminuem a sua potencialidade da a\u00e7\u00e3o corporal. Pois assim sendo, o homem vivenciar\u00e1 sempre uma alegria ao perceber as suas a\u00e7\u00f5es sendo louvadas por outros, e afetando-os com a mesma alegria que se experimenta. (SPINOZA, 1959, p. 181)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No entanto, quando nossa mente \u00e9 afetada simultaneamente por dois afetos, posteriormente, numa segunda afec\u00e7\u00e3o, mesmo que for por apenas um, sempre se lembrar\u00e1 do outro. Com isso, podemos concluir que uma determinada coisa pode ser por acidente causa de alegria ou de tristeza, como nos \u00e9 mostrada pela proposi\u00e7\u00e3o 15: \u201c<em>Uma coisa qualquer pode ser acidentalmente, causa de alegria, de tristeza, ou de desejo<\/em>\u201d<sup> <a href=\"#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/sup> (SPINOZA, 1959, p. 146).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Spinoza nos mostra no esc\u00f3lio da preposi\u00e7\u00e3o 17 (p. 148) que a mente sofre com certo movimento da alma chamado de \u201cfluttuazione d\u00b4animo\u201d (flutua\u00e7\u00e3o da alma), ou seja, quando alguma determinada coisa faz com que n\u00f3s experimentemos um afeto de tristeza, mas a mesma se assemelha com algo que nos faz experimentar um afeto de alegria, esta coisa ser\u00e1 motivo, ora de amor, ora de tristeza. Esse movimento \u00e9 t\u00e3o intenso, que faz com que a nossa mente experimente o mesmo afeto de tristeza ou alegria por uma mesma coisa passada ou futura. O afeto age de uma forma t\u00e3o intensa no homem, que lhe proporciona um sentimento de tristeza pelo simples fato de imaginar a possibilidade de destrui\u00e7\u00e3o daquilo que ama. Mas o contr\u00e1rio tamb\u00e9m acontecer\u00e1 quando perceber um determinado esfor\u00e7o pela conserva\u00e7\u00e3o da coisa amada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O afeto com suas dimens\u00f5es vari\u00e1veis no homem, chega a deix\u00e1-lo irracional, a ponto de se alegrar ao ver aquilo que odeia sendo destru\u00eddo, como nos afirma a proposi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 20, \u201c<em>Se imaginar que venha a ser destru\u00eddo aquilo que se odeia, se alegrar\u00e1<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn6\"><sup><\/sup><sup>[6]<\/sup><\/a> (SPINOZA, 1959, p. 151). Com base nessa proposi\u00e7\u00e3o, podemos derivar v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es como: a) quando vemos aquilo que amamos sendo afetado de alegria por outra coisa, n\u00f3s passaremos a amar e a nos identificar com essa coisa; ou b) odi\u00e1-la se ela afeta de tristeza aquilo que amamos; c) da mesma forma, seremos afetados de \u00f3dio para com algu\u00e9m que afeta de alegria aquilo que n\u00e3o gostamos; e d) ficamos alegres com aquele que afeta de tristeza aquilo que odiamos; e assim segue-se sucessivamente. Mas, de certa forma, sentimentos t\u00e3o conformes podem gerar outros opostos menores. Isso \u00e9 explicitado pela preposi\u00e7\u00e3o 47 quando diz que essa alegria que nasce, traz consigo certa tristeza para a mente humana. (SPINOZA, 1959, p. 174).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, sempre nos esfor\u00e7amos para mencionar aquilo que nos agrada, em nossa rela\u00e7\u00e3o com a coisa amada; e para esquecermos o que nos desagrada, esfor\u00e7amo-nos em negar tudo o que a afeta de tristeza, ou mant\u00ea-la distante disso, e aproxim\u00e1-la de tudo o que lhe causa alegria. Fazemos isso devido ao fato de sermos tamb\u00e9m afetados pela mesma alegria, como nos afirma a proposi\u00e7\u00e3o 30:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Se algu\u00e9m faz qualquer coisa, que modifica os outros de alegria ser\u00e1 afetado pela mesma causa que acompanha essa alegria, acompanhado pela id\u00e9ia de mesma causa, contemplar\u00e1 a si pr\u00f3prio. Mas se ao contr\u00e1rio h\u00e1 feito qualquer coisa que modifica os outros de tristeza, contemplar\u00e1 o contr\u00e1rio, a tristeza.<\/em><sup> <a href=\"#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a><\/sup><em> <\/em>(SPINOZA, 1959, p. 160)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O esc\u00f3lio da proposi\u00e7\u00e3o 31 (p. 161) nos diz que esse esfor\u00e7o que fazemos para que cada um aprove o que amamos ou odiamos, \u00e9 denominado de \u201cambizione\u201d (ambi\u00e7\u00e3o). Assim, como sempre almejamos a felicidade para n\u00f3s, e para as coisas que amamos, sentiremos inveja quando n\u00e3o estamos felizes, e vemos algu\u00e9m nesse estado, ou raiva quando esse gozo \u00e9 refletido por aqueles que n\u00e3o simpatizamos. Do contr\u00e1rio, sempre nos gloriaremos, quando a coisa amada experimenta um gozo para conosco. Mas sofreremos \u00f3dio para com a coisa amada quando a vemos aliada a outro, por um la\u00e7o mais estreito do que o nosso, e invejaremos esse outro ente de atra\u00e7\u00e3o da nossa coisa amada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O afeto possui uma dimens\u00e3o t\u00e3o estim\u00e1vel em n\u00f3s, que pelo simples fato de nos lembrarmos de bons momentos com uma determinada coisa amada, desejaremos possu\u00ed-la nas mesmas circunst\u00e2ncias. E quando ocorre esse encontro e as sensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o as mesmas, seremos afetados por uma tristeza, segundo nos afirma o corol\u00e1rio da proposi\u00e7\u00e3o 36 (p. 166). E esse \u00f3dio ser\u00e1 maior do que o amor que se sentia pela coisa amada, como nos afirma a preposi\u00e7\u00e3o 38:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Se algu\u00e9m come\u00e7a a odiar a coisa amada, de modo que o amor venha a ser destru\u00eddo por sua causa, ter\u00e1 por ela um \u00f3dio maior do que nunca a tivesse amado, o \u00f3dio ser\u00e1 maior quanto primaz for o amor<\/em>.<sup> <a href=\"#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a><\/sup> ( SPINOZA, 1959, p. 167)<sup> <\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Aquele que odeia determinada coisa, sempre se esfor\u00e7ar\u00e1 em lhe prejudicar e lhe fazer o mal. Mas do contr\u00e1rio, sempre lhe esfor\u00e7ar\u00e1 em fazer-lhe o bem. E se somos odiados por algu\u00e9m que julgamos n\u00e3o lhe ter dado nenhum motivo para tal ato, passaremos a odi\u00e1-lo tamb\u00e9m. Mas se percebemos alguma causa justa nesse \u00f3dio, teremos a sensa\u00e7\u00e3o de vergonha. E se somos afetados de \u00f3dio por algu\u00e9m que amamos, viveremos em uma flutua\u00e7\u00e3o mental e da alma. Da mesma forma, sofreremos essa flutua\u00e7\u00e3o se tamb\u00e9m formos amados por algu\u00e9m que odiamos. Spinoza d\u00e1 o nome de c\u00f3lera ao esfor\u00e7o que fazemos em fazer mal \u00e0quele que odiamos. E o de vingan\u00e7a \u00e0 retribui\u00e7\u00e3o do mal que nos foi feito. (SPINOZA, 1959, p. 171).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Somos de igual modo afetados pela tristeza, quando fazemos um benef\u00edcio a quem amamos, e percebemos que esse benef\u00edcio foi recebido com ingratid\u00e3o. Isso \u00e9 o que denominamos como \u201camor n\u00e3o correspondido\u201d, pois sempre que amamos, buscamos o bem para a coisa amada, como j\u00e1 nos foi dito, e atrav\u00e9s disso esperamos receber uma resposta positiva dessa coisa a qual amamos, e nos dedicamos a ela. Por\u00e9m, a \u00fanica forma de superarmos esse \u00f3dio, que \u00e9 fruto de um amor n\u00e3o correspondido, \u00e9 amando a coisa novamente, dando a ela uma segunda oportunidade. Mas tem de ser uma nova oportunidade sem levar em conta o vi\u00e9s da primeira experi\u00eancia, pois o amor \u00e9 a \u00fanica forma de supera\u00e7\u00e3o do \u00f3dio, como nos diz Spinoza em sua preposi\u00e7\u00e3o 44: \u201c<em>O \u00f3dio \u00e9 vencido inteiramente pelo amor, se muda em amor, e por isso o amor \u00e9 maior do que o \u00f3dio, se n\u00e3o o houvesse precedido<\/em>\u201d<sup> <a href=\"#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a><\/sup> (SPINOZA, 1959, p. 173).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entendendo essas condi\u00e7\u00f5es dos afetos sobre a nossa mente, podemos tamb\u00e9m entender o motivo de \u00e0s vezes n\u00f3s n\u00e3o simpatizamos com uma na\u00e7\u00e3o diferente da nossa, pois em muitos casos ocorre de que ao sermos afetados de forma negativa por algu\u00e9m de outra na\u00e7\u00e3o, isso nos gerar\u00e1 uma tristeza, e com isso manifestaremos o mesmo sentimento para com toda essa na\u00e7\u00e3o. O contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lido nesse caso. \u00c9 o que nos vem confirmar a preposi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 46:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Se algu\u00e9m de outra classe ou na\u00e7\u00e3o diferente da sua, lhe afeta de alegria ou tristeza, acompanhado da id\u00e9ia dessa pessoa como causa, n\u00e3o somente amar\u00e1 ou odiar\u00e1 essa pessoa, como tamb\u00e9m toda a sua classe ou na\u00e7\u00e3o<\/em>.<sup> <a href=\"#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a><\/sup> (SPINOZA, 1959, p. 174)<sup> <\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas isso s\u00e3o casos subjetivos, pois pode ocorrer que um determinado homem ame o que o outro odeie, e assim tamb\u00e9m o inverso. Da mesma forma os homens podem amar o que antes odiavam, pois diz\u00edamos acima que \u201co \u00f3dio pode ser convertido em amor\u201d. (p. 173). Pois cada homem exerce o seu julgamento em rela\u00e7\u00e3o ao bom ou mau, melhor ou pior segundo os seus princ\u00edpios afetivos, que s\u00e3o subjetivos. (SPINOZA, 1959, p. 178.187). Por isso o homem n\u00e3o invejar\u00e1 a a\u00e7\u00e3o de outros, mas somente de seus semelhantes que possuem uma natureza id\u00eantica \u00e0 sua, pois seus princ\u00edpios de a\u00e7\u00e3o e de julgamento derivam dessa natureza. O homem invejar\u00e1 a estes quando eles se decidirem pelo correto, e ele pelo err\u00f4neo. (SPINOZA, 1959, p. 184).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante disso, Pecoraro (2009, p. 248-249) lan\u00e7a a quest\u00e3o: como podemos moderar a potencialidade dos afetos? Respondendo nos revela que Spinoza, mesmo sendo um racionalista, defende a exist\u00eancia de afetos que nascem do pr\u00f3prio exerc\u00edcio intelectual, e com isso podemos moder\u00e1-los e assim transformamos a nossa exist\u00eancia, pois como vimos os afetos n\u00e3o se originam de uma faculdade abstrata e antinatural, mas tem sua express\u00e3o plena tamb\u00e9m nas vias racionais do homem. Sendo assim, as id\u00e9ias sendo adequadas orientar\u00e3o de forma devida os desejos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com isso, percebemos que a concep\u00e7\u00e3o de afeto sofre uma oscila\u00e7\u00e3o com as id\u00e9ias de Spinoza, pois os fil\u00f3sofos antigos s\u00f3 se preocupavam em emitir ju\u00edzo de valores sobre os afetos; e Descartes o considerava como um conhecimento confuso como nos afirma Rovighi, (1981, p. 195). E ao que percebemos os afetos possuem uma relev\u00e2ncia consider\u00e1vel no ser humano, pois s\u00e3o eles os encarregados de aumentar ou diminuir a capacidade de a\u00e7\u00e3o do nosso corpo e da nossa mente, como afirm\u00e1vamos anteriormente. A transforma\u00e7\u00e3o que a concep\u00e7\u00e3o de afeto atinge no pensamento spinoziano chega a ser t\u00e3o consider\u00e1vel, que Hamlyn (1990, p. 138-139) chega a definir os afetos n\u00e3o apenas como algo que afeta ao corpo humano e suas id\u00e9ias, mas sendo eles a pr\u00f3pria id\u00e9ia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante do que aqui expusemos, podemos concluir que Spinoza, mesmo sendo um racionalista, n\u00e3o desvaloriza a parte afetiva do homem e mostra-nos que a fonte do nosso erro nas escolhas, ou a origem do nosso astral deca\u00eddo que \u00e0s vezes demonstramos, tem de certa maneira suas ra\u00edzes nos afetos. E que estes, s\u00e3o uma parte que comp\u00f5e o ser humano que deve ser considerada, pois o conhecimento que o homem busca atingir transita tamb\u00e9m pelas suas vias afetivas e a aplica\u00e7\u00e3o desse conhecimento, ap\u00f3s ser alcan\u00e7ado, percorre o mesmo caminho, possibilitando assim, resson\u00e2ncias \u00e9ticas na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HAMLYN, David Walter. Racionalismo. In: ______.<em> Uma Hist\u00f3ria da Filosofia Ocidental.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1990. p. 134-142.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PECORARO, Rossano. Espinosa. In: ______. <em>Os Fil\u00f3sofos Cl\u00e1ssicos da Filosofia: <\/em>de S\u00f3crates a Rousseau. 2. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2009. p. 238-261 V.1.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ROVIGHI, Sofia Vanni. B. Spinoza. In: ______. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia Moderna:<\/em> da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica a Hegel. Tradu\u00e7\u00e3o de Marco Bagno e Silvana Cobucci Leite. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1999. p. 175-206.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SPINOZA. Origine e natura degli affetti. In: ______. <em>Etica:<\/em> Dimostrata secondo l\u00b4ordine geom\u00e9trico. Tradu\u00e7\u00e3o de Sossio Giametta. Torino: Bollati Boringhieri editor, 1959. p. 129-191. T\u00edtulo original: Ethica ordine geom\u00e9trico demonstrata. (1677, p\u00f3stumo).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<div>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> \u201cOrigine e natura degli affetti\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Por esse termo entendemos como sendo referente tanto a pessoas como a objetos.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Por esse termo entendemos como sendo aquilo que \u00e9 o princ\u00edpio de toda a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> (Tradu\u00e7\u00e3o nossa). \u201cNessuna cosa pu\u00f3 essere distrutta se non da una causa esterna.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> (Tradu\u00e7\u00e3o nossa). \u201cCausa di letizia, di tristezza o di cupidit\u00e0 pu\u00f2 essere, per accidente, uma cosa qualunque.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> (Tradu\u00e7\u00e3o nossa). \u201cChi immagina che venga distrutto cio che odia, si rallegrer\u00e0.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> (Tradu\u00e7\u00e3o nossa). \u201cSe uno h\u00e1 fatto qualcosa, che immagina modifichimediante letizia gli altri, sara affetto da letizia accompagnata dall\u00b4idea di si stesso come causa; ossia contemplar\u00e0 com gioia se stesso. Se al contrario ha fatto qualcosa, che immagina modifichi mediante tristezza gli altri, allora contempler\u00e0 se stesso com tristezza\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> (Tradu\u00e7\u00e3o nossa). \u201cSe qualcuno ha preso a odiare la cosa amata, in modo che l `amore venga del tutto rimosso, a parit\u00e0 di causa, egli la perseguir\u00e0 con odio maggiore che se non l `avesse mai amata, e con tanto pi\u00fa odio quanto maggiore prima era stato l `amor\u00e9.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> (Tradu\u00e7\u00e3o nossa). \u201cL`odio che viene interamente vinto dall\u00b4amore, si muta in amor\u00e9, e l\u00b4amore \u00e8 perci\u00f2 pi\u00fa grande che se l\u00b4odio non l\u00b4avesse preceduto.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> (Tradu\u00e7\u00e3o nossa). \u201cSe qualcuno da un altro appartenente a una classe o nazione diversa dalla sua \u00e8 stato affeto mediante letizia o tristezza, accompagnata dall`Idea come causa di lui, sotto il nome generale della classe o nazione, egli amer\u00e0 o odier\u00e0 non solamente quello, ma tutti quanti della stessa classe o nazione.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thiago Gandra do Vale Todos n\u00f3s um dia nos deparamos com a nossa condi\u00e7\u00e3o de seres limitados. 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