{"id":1433,"date":"2011-05-16T23:29:15","date_gmt":"2011-05-17T02:29:15","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1433"},"modified":"2011-05-16T23:29:15","modified_gmt":"2011-05-17T02:29:15","slug":"moderno-e-pos-moderno-e-seus-tipos-de-saberes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1433","title":{"rendered":"Moderno e p\u00f3s-moderno e seus tipos de saberes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Filipe da Silva<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Este artigo tem por objetivo apresentar, de modo panor\u00e2mico, o paradigma moderno e o p\u00f3s-moderno, destacando, primeiramente, as poss\u00edveis significa\u00e7\u00f5es da Modernidade, o surgimento do seu respectivo saber, de seu objetivo, de suas contradi\u00e7\u00f5es e de sua crise. Em seguida, falar-se-\u00e1 acerca da P\u00f3s-Modernidade e de seus significados e, por fim, ser\u00e1 abordado o emergir do saber p\u00f3s-moderno, em que ele consiste e suas principais implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, antes de se fazer esse itiner\u00e1rio, aqui se coloca a seguinte pergunta, cuja resposta ser\u00e1 o ponto de partida para a reflex\u00e3o sobre esses dois per\u00edodos: afinal, o que \u00e9 <em>paradigma<\/em>? Essa express\u00e3o designa um conjunto de pensamento que valida uma determinada regra, podendo significar tamb\u00e9m um exemplo que \u00e9 tomado como modelo, como um padr\u00e3o, e o seu fim \u00e9 representar os conte\u00fados de uma cosmovis\u00e3o, de uma mundivid\u00eancia pr\u00f3pria de um dado per\u00edodo, uma vez que \u00e9 um \u201cconjunto de pressupostos, de conceitos e m\u00e9todos articulados em um referencial exemplar\u201d (AZEVEDO, 1993, p.21-22).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1. Modernidade e seus poss\u00edveis significados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Modernidade \u00e9 um conceito que tem uma hist\u00f3ria bem longa, pois j\u00e1 no s\u00e9culo V d.C., o termo latino <em>modernus<\/em> foi usado para diferenciar o crist\u00e3o oficial presente do romano pag\u00e3o passado (HARVEY, 2002, p.35). Por\u00e9m, esse termo, mais tarde, passou a denotar um per\u00edodo no qual h\u00e1 um retorno aos cl\u00e1ssicos gregos e romanos, visando se viver, nesse per\u00edodo (Modernidade), aqueles ideais cl\u00e1ssicos. Essa tentativa de retorno &#8211; esse sair do homem de um longo estado de coma, no qual havia entrado durante a Idade M\u00e9dia, pode ser lido a partir de quatro perspectivas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A primeira est\u00e1 relacionada ao sentido etimol\u00f3gico, em que modernidade significa novo (<em>modus + hodiernus<\/em>). A segunda ligada ao aspecto est\u00e9tico, no qual se chama a aten\u00e7\u00e3o para o <em>modernismo <\/em>(culto ao novo), movimento modernista ocorrido no s\u00e9culo XX. Essa perspectiva se refere \u00e0s artes, posto que o per\u00edodo moderno na filosofia ocorreu no s\u00e9culo XV &#8211; XVIII. A outra perspectiva est\u00e1 vinculada \u00e0 dimens\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica, que diz respeito \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o \u2013 ao predom\u00ednio t\u00e9cnico-industrial. Portanto, nessa \u00f3tica, o moderno era tudo o que estava mais elaborado industrialmente. J\u00e1 o quarto e \u00faltimo modo de se ver o significado de modernidade se refere ao aspecto cultural, cujo marco \u00e9 o Iluminismo, que trouxe para o centro o homem, a raz\u00e3o e a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2. O nascimento do saber moderno, seu objetivo, suas contradi\u00e7\u00f5es e sua crise<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com isso, o saber que florescer\u00e1 na Modernidade \u00e9, exatamente, aquele que consiste em um extraordin\u00e1rio esfor\u00e7o intelectual dos pensadores iluministas para desenvolver a ci\u00eancia objetiva, a moral, a lei e a arte, que s\u00e3o universais nos termos da pr\u00f3pria l\u00f3gica interna delas. Paira, sobre os ares da modernidade, a ideia de se usar o ac\u00famulo de conhecimento gerado por muitas pessoas trabalhando livre e criativamente em busca da emancipa\u00e7\u00e3o humana, do enriquecimento da vida di\u00e1ria e do dom\u00ednio cient\u00edfico da natureza, o que prometia o fim da escassez, da necessidade e da arbitrariedade das calamidades da natureza, pois:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:150px;\"><em>O desenvolvimento de formas racionais de organiza\u00e7\u00e3o social e de modos racionais de pensamento prometia a liberta\u00e7\u00e3o das irracionalidades do mito, da religi\u00e3o da supersti\u00e7\u00e3o, libera\u00e7\u00e3o do uso arbitr\u00e1rio do poder, bem como do lado sombrio na pr\u00f3pria natureza humana<\/em> (HARVEY, 2002, p.23).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com essa cita\u00e7\u00e3o, percebe-se que o pensamento iluminista abra\u00e7ou fortemente a ideia de progresso e buscou ativamente a ruptura com a hist\u00f3ria medieval, visto que se procurou desmitificar e dessacralizar o conhecimento e a organiza\u00e7\u00e3o social para libertar o ser humano de seus grilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como se v\u00ea, a promessa do projeto da modernidade era, atrav\u00e9s da racionaliza\u00e7\u00e3o da vida, possibilitar ao homem a sua realiza\u00e7\u00e3o, sua liberdade e afirmava, com muita convic\u00e7\u00e3o, que o primeiro passo, para que isso ocorresse, seria criticar a religi\u00e3o ( OLIVEIRA, 1990, p.183).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em partes, a modernidade cumpriu sim o seu projeto, mas, por outro lado, ela hoje \u00e9 proclamada como perversa, como uma for\u00e7a ambivalente, pois gerou uma crise, na qual o homem domina a natureza e o outro (OLIVEIRA, 1990, p.183).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Eis a\u00ed o paradoxo da modernidade, que repousa sobre a sua promessa de emancipa\u00e7\u00e3o humana, desde que o homem \u201cdeixasse de lado a religi\u00e3o\u201d. Por\u00e9m, esse projeto acabou levando \u00e0 reifica\u00e7\u00e3o do homem, dado que se exagerou na confian\u00e7a no logos poi\u00e9tico \u2013 na raz\u00e3o, no saber instrumental. A raz\u00e3o instrumental, na qual a modernidade se fechou, deve ser entendida como a capacidade de poder intervir na natureza segundo objetivos humanos pr\u00e9-estabelecidos, que \u00e9, p. ex.: o de utilizar as for\u00e7as da natureza em favor do homem (OLIVEIRA, 1990, p.184).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Devido a essa confian\u00e7a desmedida na raz\u00e3o instrumental, que se apoiava apenas no logos poi\u00e9tico, o saber moderno entrou em crise, no entanto esta propiciou uma chance hist\u00f3rica de se perceber qual dimens\u00e3o da raz\u00e3o que tinha sido hipervalorizada em detrinimento de outra e, por fim, efetuar-se o resgate daquele aspecto do saber de que se havia esquecido (OLIVEIRA, 2002, p.184).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>3. A P\u00f3s-Modernidade e seus significados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ap\u00f3s essa crise do saber instrumental, inicia-se a P\u00f3s-Modernidade, cujos \u201cpilares\u201d s\u00e3o Marx, Freud e Nietzsche. Aquele, a partir de uma an\u00e1lise, cria a teoria do materialismo hist\u00f3rico. Em oposi\u00e7\u00e3o a Hegel, mostrar\u00e1 que a hist\u00f3ria da sociedade n\u00e3o \u00e9 a de id\u00e9ias, mas sim a hist\u00f3ria de condi\u00e7\u00f5es sociais<strong>. <\/strong>J\u00e1 Freud, porque, atrav\u00e9s de sua teoria do inconsciente, conseguiu \u201cdemonstrar\u201d que o homem \u00e9 mais inconsciente que consciente e Nietzsche se destaca pela sua constata\u00e7\u00e3o e an\u00fancio do niilismo metaf\u00edsico \u2013 morte de Deus e dos valores dogm\u00e1ticos e estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, o que \u00e9 P\u00f3s-Modernidade? Tal express\u00e3o se refere a um per\u00edodo que pode ser entendido a partir de quatro pontos de vista distintos. O primeiro denota a ideia de que a \u00e9poca atual &#8211; Contemporaneidade \u2013 n\u00e3o \u00e9, por enquanto, algo passivo de defini\u00e7\u00e3o, pois ainda n\u00e3o houve a ruptura com a Modernidade e que, portanto, \u00e9 cedo demais para se ter um resultado. Foucault \u00e9 dos muitos fil\u00f3sofos que concebem a P\u00f3s-Modernidade assim.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O segundo \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o defendida, sobretudo, por Habermas e pode ser definido com a compreens\u00e3o do momento presente, como continua\u00e7\u00e3o da Modernidade, como Hipermodernidade, i. \u00e9, a cren\u00e7a de que, atualmente, os frutos da Modernidade est\u00e3o sendo colhidos e que se deve aproveitar para se rever o conceito raz\u00e3o ( saber) que paira nos ares atuais. \u00c9 tido como o tempo ideal para se viver a modernidade, uma vez que h\u00e1 todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para viv\u00ea-la.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O outro modo de se ver a P\u00f3s-Modernidade \u00e9 baseado na concep\u00e7\u00e3o de que os \u00faltimos tempos s\u00e3o a explicita\u00e7\u00e3o da ruptura com a Modernidade, o que significa que esse momento presente \u00e9 uma Antimodernidade, dado que denota exatamente que, no instante, vive-se a ruptura com a Modernidade. Por\u00e9m, cr\u00ea-se piamente que ainda n\u00e3o se chegou \u00e0 P\u00f3s-Modernidade e os principais representantes desse modo de ver o tempo atual fazem parte da Escola de Frankfurt.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O quarto e \u00faltimo significado tem, como principais expoentes, os fil\u00f3sofos Deleuze, Vattimo e Lyotard, que criticam a Modernidade e apologizam a ideia de que ela foi superada pela P\u00f3s-Modernidade, sendo necess\u00e1rio, consequentemente, que se busque um outro modo de pensar, pois a partir da Modernidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar filosoficamente de modo metaf\u00edsico ( BARBOSA, 1998, p. VII).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>4. O florescimento do saber p\u00f3s-moderno, em que ele consiste e suas principais implica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Barbosa (1998, p. VIII) afirma que, ap\u00f3s se ter vivido a revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-industrial, que marcou profundamente os tempos modernos, pode-se dizer que a P\u00f3s-Modernidade traz, como principal caracter\u00edstica, o seu aspecto cibern\u00e9tico-inform\u00e1tico e informacional. Uma prova disso \u00e9 que, no cen\u00e1rio p\u00f3s-moderno, reinam mais estudos e pesquisas sobre a linguagem e a intelig\u00eancia artificial. Quanto \u00e0quelas, asserte que seu fim \u00e9 conhecer a mec\u00e2nica da produ\u00e7\u00e3o da linguagem e estabelecer compatibilidade entre ela e a m\u00e1quina inform\u00e1tica; j\u00e1 no que concerne \u00e0s an\u00e1lises e estudo sobre a intelig\u00eancia artificial, diz que seu objetivo \u00e9 entender o funcionamento do c\u00e9rebro humano e o mecanismo da vida (BARBOSA, 1998, p. VIII).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na Modernidade, a ci\u00eancia era tida como uma atividade \u201cnobre\u201d, cujo escopo se resumia em romper com o mundo do senso comum, das cren\u00e7as tradicionais \u2013 o mundo das \u201ctrevas\u201d, posto que se acreditava que isso propiciaria o esclarecimento, a emancipa\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o humana. Por\u00e9m, a era p\u00f3s-moderna investiu em sua \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d e no saber cient\u00edfico chamado inform\u00e1tico e informacional, o que possibilitou descobrir que a fonte de todas as demais fontes \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o e que a ci\u00eancia \u00e9 um modo de organizar, estocar e distribu\u00ed-la (BARBOSA, 1998, p. IX).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E, com isso, percebe-se que, na P\u00f3s-Modernidade, a ci\u00eancia come\u00e7a a ser vista como um conjunto de mensagens que pode ser traduzido em \u201cquantidade\u201d (bits) de informa\u00e7\u00e3o, pois toda pesquisa cient\u00edfica se tornou condicionada pelas possibilidades t\u00e9cnicas da m\u00e1quina inform\u00e1tica e o que supera essa capacidade n\u00e3o \u00e9 informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 algo operacional, dado que n\u00e3o pode ser decodificado em bits (BARBOSA, 1998, p. X).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao lado dessa nova concep\u00e7\u00e3o de atividade cient\u00edfica, vem se impondo uma ideia de ci\u00eancia, enquanto tecnologia intelectual, como valor de troca, como algo desvinculado do sujeito que a produz e do consumidor, uma vez que \u201c\u00e9 uma pr\u00e1tica submetida ao capital e ao Estado, atuando como essa particular mercadoria chamada for\u00e7a de produ\u00e7\u00e3o\u201d (BARBOSA, 1998, p. X).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esse processo &#8211; que \u00e9 consequ\u00eancia da crise dos dispositivos modernos de explica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia \u2013 fez com que temas, como p. ex., acaso, ganhasse evid\u00eancia nas discuss\u00f5es cient\u00edficas e filos\u00f3ficas, pois o saber p\u00f3s-moderno n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 instrumento de poderes para quem o possui, mas tamb\u00e9m \u00e9 algo capaz de agu\u00e7ar a sensibilidade do indiv\u00edduo para as diferen\u00e7as, refor\u00e7ando-lhe a capacidade de suportar o incomensur\u00e1vel (LYOTARD, 1998, p. XVII).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Consequentemente, torna-se imposs\u00edvel fazer a submiss\u00e3o de todos os discursos ou jogos de linguagem a um metadiscurso que pretenda sintetizar o significante, o significado e a significa\u00e7\u00e3o (BARBOSA, 1998, p. XI).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante disso, nota-se que, se a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial revelou que, sem riqueza, n\u00e3o se tem tecnologia, a condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna vem mostrando que, sem saber t\u00e9cnico-cient\u00edfico, n\u00e3o h\u00e1 riqueza, j\u00e1 que a competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica entre as na\u00e7\u00f5es ditas p\u00f3s-industriais se d\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o da quantidade de informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica e n\u00e3o mais em fun\u00e7\u00e3o das milhares de toneladas anuais de mat\u00e9ria &#8211; primas ou manufatura que eles podem produzir (BARBOSA, 1998, p. XI). Todas essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o exatamente o que as universidades e centros de pesquisas desses pa\u00edses s\u00e3o capazes de produzir, estocar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo Lyotard (1998, p. 3), quando se analisa o saber nas sociedades informatizadas, percebe-se que ele muda de estatuto, ao mesmo tempo que a sociedade entra na idade dita p\u00f3s-industrial e essa passagem se iniciou na d\u00e9cada de 50. Por\u00e9m, afirma que esse saber \u00e9 ou pode ser atingido em suas principais fun\u00e7\u00f5es que s\u00e3o: pesquisa e transmiss\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No que concerne \u00e0 pesquisa, diz que um exemplo que a ilustra bem \u00e9 dado pela gen\u00e9tica, cujo paradigma te\u00f3rico se deve \u00e0 cibern\u00e9tica (LYOTARD, 1998, p. 4). J\u00e1 quanto \u00e0 segunda fun\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a transmiss\u00e3o de conhecimento, evidencia que h\u00e1 uma multiplica\u00e7\u00e3o, uma \u201cvulgariza\u00e7\u00e3o\u201d das m\u00e1quinas informacionais e isso afeta e afetar\u00e1 a transmiss\u00e3o de conhecimento, dado que, agora, o saber \u00e9 e ser\u00e1 produzido para ser vendido e \u00e9 e ser\u00e1 consumido para ser valorizado numa nova produ\u00e7\u00e3o, deixando ele de ser para si mesmo seu pr\u00f3prio fim, pois \u201cperde seu valor de uso\u201d (LYOTARD, 1998, p. 4).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>5. Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, ap\u00f3s ter feito essa passagem pela Modernidade, nota-se que esse per\u00edodo abrange todas as mudan\u00e7as que ocorreram nos v\u00e1rios n\u00edveis da sociedade da metade do s\u00e9culo XV ao final do s\u00e9culo XIX, nos quais foi poss\u00edvel perceber que ser moderno \u00e9 encontrar-se num ambiente que promete poder, alegria, crescimento, transforma\u00e7\u00e3o de si e do mundo, ao mesmo tempo em que amea\u00e7a destruir tudo o que se tem, que se sabe e que se \u00e9, posto que o ponto central da Modernidade \u00e9 a coloca\u00e7\u00e3o do homem no centro do universo e o que marcou a vis\u00e3o de futuro nessa era se relaciona com a cren\u00e7a no progresso e na realiza\u00e7\u00e3o humana por meio da racionaliza\u00e7\u00e3o da vida (LYON, 1998, p.35).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, ficou evidente que, com o tempo, a Modernidade n\u00e3o foi capaz de cumprir plenamente seu objetivo, uma vez que a dimens\u00e3o do saber hipervalorizada por ela foi a do logos poi\u00e9tico, que acabou levando \u00e0 reifica\u00e7\u00e3o do homem, n\u00e3o lhe propiciando a sua realiza\u00e7\u00e3o e resultando em uma crise. Dessa crise, surgiu a P\u00f3s-Modernidade que se refere especificamente ao esgotamento da Modernidade, que, enquanto tal, tem a ver com as mudan\u00e7as sociais muito significantes que ocorreram a partir da d\u00e9cada de 50.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esse novo per\u00edodo tem, como marcas, dois elementos. O primeiro \u00e9 a incredulidade perante o metadiscurso filos\u00f3fico-cient\u00edfico, que trouxe, como conseq\u00fc\u00eancia, a crise dos conceitos \u201craz\u00e3o\u201d, \u201csujeito\u201d, \u201ctotalidade\u201d, \u201cverdade\u201d e \u201cprogresso\u201d; e o segundo elemento \u00e9 o esfor\u00e7o cient\u00edfico, tecnol\u00f3gico e pol\u00edtico no sentido de informatizar a sociedade.\u00a0 Por\u00e9m, esse segundo elemento impele todo homem a pensar criticamente sobre esse avan\u00e7o e mundaniza\u00e7\u00e3o da tecnologia inform\u00e1tica, i. \u00e9, refletir acerca de quest\u00f5es \u00e9ticas, como p. ex.: direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, sobre quest\u00f5es ontol\u00f3gicas que concernem \u00e0 privacidade ( \u00e0 vida privada), sobre quest\u00f5es jur\u00eddico-pol\u00edticas (as transmiss\u00f5es, a transfronteira de dados), acerca de quest\u00f5es da soberania e a censura estatal e sobre quest\u00f5es pol\u00edtico-sociais, que se referem \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, rediscuss\u00e3o da censura e a pertin\u00eancia s\u00f3cio-cultural da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">AZEVEDO, Marcello de C.. N\u00e3o-Moderno, Moderno e P\u00f3s-Moderno. In: <strong>Revista de Educa\u00e7\u00e3o AEC<\/strong>. v.22, n.89, out-nov 1993, p.19-35.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BARBOSA, Wilmar do Valle. Tempos p\u00f3s-modernos.<strong> <\/strong>In: LYOTARD, Jean Fran\u00e7ois. <strong>A condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Moderna<\/strong>. Trad. Ricardo Corr\u00eaa Barbosa, posf\u00e1cio: Silvano Santiago. 5. ed. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1998. p. VII \u2013 XIII.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HARVEY, David. Parte I: Passagem da modernidade \u00e0 p\u00f3s-modernidade na cultura contempor\u00e2nea. In: ______. <strong>Condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Moderna. <\/strong>11 ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2002. p. 13-109.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">LYON, David. A Modernidade e suas insatisfa\u00e7\u00f5es. In:______. <strong>P\u00f3s-Modernidade<\/strong>. Trad. Euclides Luiz Calloni. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1998. p.35-58.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">LYOTARD, Jean Fran\u00e7ois. <strong>A condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Moderna.<\/strong> Trad. Ricardo Corr\u00eaa Barbosa, posf\u00e1cio: Silvano Santiago. 5. ed. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">OLIVEIRA, Manfredo de Ara\u00fajo. Filosofia da religi\u00e3o e teologia. In:______. <strong>A filosofia na crise da Modernidade<\/strong>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1990. p.183-195.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">TOURAINE, Alain. <strong>Cr\u00edtica da Modernidade<\/strong>. Trad. Elia Ferreira Edel. 3. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1994.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Filipe da Silva Este artigo tem por objetivo apresentar, de modo panor\u00e2mico, o paradigma moderno e o p\u00f3s-moderno, destacando, primeiramente, as poss\u00edveis significa\u00e7\u00f5es da Modernidade, o surgimento do seu respectivo saber, de seu objetivo, de suas contradi\u00e7\u00f5es e de sua crise. 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