{"id":1448,"date":"2011-05-30T13:15:09","date_gmt":"2011-05-30T16:15:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1448"},"modified":"2011-05-30T13:15:09","modified_gmt":"2011-05-30T16:15:09","slug":"a-existencia-de-deus-conhecimento-e-provas-na-concepcao-de-leibniz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1448","title":{"rendered":"A exist\u00eancia de Deus: conhecimento e provas na concep\u00e7\u00e3o de Leibniz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>M\u00e1rcio Henrique da Silva<\/strong><a title=\"\" href=\"\/Blog\/Leibniz,%20Marcio.doc#_ftn1\"><sup><\/sup><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">A exist\u00eancia de uma mente inteligente superior \u00e0 humana e ilimitada \u00e9 para o pensamento filos\u00f3fico de Gottfried Leibniz certa. Leibniz denomina essa mente de Deus, um ser que ao longo dos s\u00e9culos causa questionamentos aos mais diversos pensamentos; com isso, sua exist\u00eancia se torna afirma\u00e7\u00e3o de uns e nega\u00e7\u00e3o de outros. A pertin\u00eancia deste tema se d\u00e1 pelo fato de ser uma indaga\u00e7\u00e3o de muitos, e tal \u00e9 sua relev\u00e2ncia para o homem, antigo e hodierno, que podemos dizer que est\u00e1 inerente ao pensamento humano, por isso o nosso desejo de aprofund\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Partimos da exist\u00eancia de um ser eterno, perfeito, inteligente, capaz de governar toda a exist\u00eancia; tendo como hip\u00f3tese a capacidade intelectiva do homem de conhecer esse Ser, cuja intelig\u00eancia abarca a totalidade das coisas. Propomo-nos a explanar o pensamento leibniziano acerca da exist\u00eancia de Deus, valendo-nos do m\u00e9todo dedutivo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Estamos contidos numa realidade f\u00edsica. Por\u00e9m h\u00e1 uma outra realidade para al\u00e9m desta, a qual denominamos de metaf\u00edsica, que se ocupa das realidades n\u00e3o-f\u00edsicas. Dentro dessa metaf\u00edsica, o fil\u00f3sofo Leibniz procura desvelar a exist\u00eancia de um ser eterno, perfeito, imut\u00e1vel, onipotente, qual a compreens\u00e3o que podemos ter a respeito desse ser supremo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na incans\u00e1vel busca pelo conhecimento das coisas, o homem se torna autor sedento de conhecer uma poss\u00edvel mente que tudo move; e s\u00f3 o \u00e9 capaz porque lhe foi incutida a faculdade racional da qual faz uso para conhecer. Essa possibilidade de conhecimento, diz Leibniz, \u00e9 dom de Deus:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Deus tendo dado \u00e0 nossa alma as faculdades de que est\u00e1 ornada, n\u00e3o deixou de imprimir nela o seu testemunho; pois os sentidos, a intelig\u00eancia e a raz\u00e3o nos fornecem provas manifestas de sua exist\u00eancia.<\/em> (LEIBNIZ, 1988, p.151)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Atrav\u00e9s desse dom divino, a capacidade humana consegue conhecer esse ser que tudo move sem ser movido ou se mover. Ap\u00f3s apresentar a faculdade da raz\u00e3o, presente na alma, Leibniz passa a apresentar argumentos que, segundo ele, s\u00e3o provas concludentes a respeito da exist\u00eancia de Deus; n\u00e3o sendo necess\u00e1ria a f\u00e9, mas aquilo que \u00e9 pr\u00f3prio a cada um: a raz\u00e3o. Primeiramente, Leibniz se utiliza da palavra Subst\u00e2ncia para dizer que ela \u00e9 a respons\u00e1vel pelo universo, ou seja, raz\u00e3o pela qual todas as coisas s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><em>E assim a raz\u00e3o \u00faltima das coisas deve estar em uma subst\u00e2ncia necess\u00e1ria, no qual o detalhe das mudan\u00e7as se encontre de modo eminente, como na pr\u00f3pria fonte: e \u00e9 esta Subst\u00e2ncia aquilo que chamamos Deus.<\/em> (REALE, 2006, p. 65)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Todas as coisas que t\u00eam sua raz\u00e3o \u00faltima convergem para uma raz\u00e3o suficiente, que subsiste por si pr\u00f3pria, sem depend\u00eancia de outrem. Nessa subst\u00e2ncia n\u00e3o encontramos mudan\u00e7a, pois sendo imut\u00e1vel, permanece desde sempre e para sempre na mesma forma. Leibniz, denomina essa subst\u00e2ncia de Deus.<\/p>\n<p style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><em>(\u2026) Deus \u00e9 o maior, ou \u2013 como diz Descartes \u2013 o mais perfeito dos seres, ou ent\u00e3o um ser de uma grandeza e de uma perfei\u00e7\u00e3o suprema, que envolve todos os graus. Esta \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de Deus. Eis como a exist\u00eancia se conclui desta no\u00e7\u00e3o. Existir \u00e9 algo mais do que n\u00e3o-existir, ou seja: a exist\u00eancia acrescenta um grau \u00e0 grandeza ou \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, e, como afirma o Sr. Descartes, a pr\u00f3pria exist\u00eancia constitui uma perfei\u00e7\u00e3o.<\/em> (LEIBNIZ, 1988, p. 153)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O pensamento leibniziano encontra respaldo no pensamento de Descartes, sobre as defini\u00e7\u00f5es acerca de Deus, cuja caracter\u00edstica e\/ou atributo, dentre outros, \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o; entendida aqui como a excel\u00eancia no existir. Aquilo que n\u00e3o existe j\u00e1 se apresenta de modo imperfeito, pois existir \u00e9 mais perfeito que n\u00e3o existir, e a perfei\u00e7\u00e3o de Deus confirma sua exist\u00eancia. \u201cA perfei\u00e7\u00e3o, com efeito, \u00e9 a grandeza exata da realidade positiva, captada prescindindo dos limites ou confins das coisas finitas\u201d (REALE, 2006, p. 65).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Leibniz escreve ainda sobre o intelecto de Deus, pois \u00e9 n&#8217;Ele que est\u00e1 contida\u00a0 toda a forma de exist\u00eancia poss\u00edvel. No intelecto divino h\u00e1 uma certa organiza\u00e7\u00e3o que permite as realidades serem. Por\u00e9m, se a mente divina n\u00e3o existisse, certamente estaria presente o nada, e algo estaria impossibilitado de vir a ser. A organiza\u00e7\u00e3o do cosmos, a constitui\u00e7\u00e3o dos seres, os m\u00ednimos detalhes que permitem uma ordem no universo se devem ao controle mental desse ser divino.<\/p>\n<p style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><em>O intelecto de Deus \u00e9, com efeito, a regi\u00e3o das verdades eternas, ou seja, das ideias das quais tais verdades dependem. Sem o intelecto divino, portanto, nenhum real estaria contido no poss\u00edvel, e n\u00e3o s\u00f3 nada existiria, mas nada poderia jamais existir.<\/em> (REALE, 2006, p. 65)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As provas apresentadas por Leibniz, sobre o conhecimento e a exist\u00eancia de Deus, s\u00e3o acess\u00edveis a qualquer pessoa que as possa analisar. Isso o pr\u00f3prio fil\u00f3sofo nos assegura, e questiona aqueles que porventura podem afirmar o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"padding-left:120px;text-align:justify;\"><em>Se houvesse algu\u00e9m suficientemente irracional para supor que o homem \u00e9 o \u00fanico ser dotado de conhecimento e sabedoria, e que teria sido formado por puro acaso, e que \u00e9 este mesmo princ\u00edpio cego e destitu\u00eddo de conhecimento que conduz todo o resto do universo, eu o advertiria a examinar a censura inteiramente s\u00f3lida e cheia de \u00eanfase de C\u00edcero (De Legibus, Livro II). Certamente \u2013 diz ele \u2013 ningu\u00e9m deveria ser t\u00e3o totalmente orgulhoso para imaginar que existe dentro dele um entendimento e uma raz\u00e3o,e que sem embargo n\u00e3o existe nenhuma intelig\u00eancia que governe o c\u00e9u e todo este vasto universo<\/em>. (LEIBNIZ, 1988, p. 151-152)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Leibniz pretende, com seus argumentos, mostrar provas da exist\u00eancia de Deus. Para ele, o ser humano e as coisas que existem n\u00e3o s\u00e3o obra do puro acaso, n\u00e3o s\u00e3o fruto do nada, mesmo porque o nada, nada \u00e9. Uma pessoa que negue a exist\u00eancia divina, bem como a sua capacidade de ordenar as coisas, \u00e9 desprovida de raz\u00e3o por crer que a pr\u00f3pria raz\u00e3o seja suficiente. Por\u00e9m o homem n\u00e3o se comp\u00f5e simples e puramente de raz\u00e3o. Sua realidade \u00a0est\u00e1 na capacidade de buscar e tentar compreender o que se lhe apresenta, e de maneira racional e sensitiva. Do contr\u00e1rio se tornaria escravo da pr\u00f3pria raz\u00e3o, que n\u00e3o lhe pode dar o conhecimento ulterior das coisas que o rodeiam nem mesmo de si.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em Leibniz, h\u00e1 a certeza da exist\u00eancia de Deus e do seu conhecimento pelo ser humano. Sabemos que o labor filos\u00f3fico pode apresentar-nos evid\u00eancias, bons argumentos, ind\u00edcios, mas jamais um ser finito poder\u00e1 ultimar sobre o infinito. Nenhum pensador pode querer esgotar a discuss\u00e3o sobre quaisquer assuntos. As vias teol\u00f3gica, cient\u00edfica, sociol\u00f3gica, dentre outras, podem apresentar pareceres sobre um mesmo assunto, mas \u00e9 preciso que cada homem se interpele e busque respostas para seus questionamentos, seja em que campo for. O homem n\u00e3o deve se estagnar em um pensamento, mas ir ao encontro de outros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, Giovani. <em>Hist\u00f3ria da filosofia<\/em>. Vol. IV. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">LEIBNIZ, Gottfried Wilhelm. <em>Novos ensaios sobre o entendimento humano<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Jo\u00e3o Bara\u00fana. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1988. (Os pensadores, 2).<\/p>\n<div><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a title=\"\" href=\"\/Blog\/Leibniz,%20Marcio.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> Estudante do 3\u00ba per\u00edodo do curso de bacharelado em filosofia, pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rcio Henrique da Silva[1] A exist\u00eancia de uma mente inteligente superior \u00e0 humana e ilimitada \u00e9 para o pensamento filos\u00f3fico de Gottfried Leibniz certa. Leibniz denomina essa mente de Deus, um ser que ao longo dos s\u00e9culos causa questionamentos aos mais diversos pensamentos; com isso, sua exist\u00eancia se torna afirma\u00e7\u00e3o de uns e nega\u00e7\u00e3o de &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[87,109],"tags":[253,446,449],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-1448","6":"format-standard","7":"category-leibniz","8":"category-marcio-henrique-da-silva","9":"post_tag-deus","10":"post_tag-razao","11":"post_tag-razao-suficiente"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1448\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}