{"id":1452,"date":"2011-05-30T13:36:37","date_gmt":"2011-05-30T16:36:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1452"},"modified":"2011-05-30T13:36:37","modified_gmt":"2011-05-30T16:36:37","slug":"a-razao-calculativa-em-thomas-hobbes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1452","title":{"rendered":"A raz\u00e3o calculativa em Thomas Hobbes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Bernardo Ferreira de Sousa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">A filosofia hobbesiana traz uma vis\u00e3o sobre a raz\u00e3o humana diferente da filosofia cl\u00e1ssica e medieval, na qual a racionalidade \u00e9 entendida como a capacidade de conhecer a ess\u00eancia das coisas; j\u00e1 em Hobbes a raz\u00e3o \u00e9 uma faculdade calculativa, pois, para ele, o racioc\u00ednio ir\u00e1 produzir defini\u00e7\u00f5es exatas e for\u00e7ar\u00e1 conclus\u00f5es irrefut\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Hobbes percorre em seu trabalho o m\u00e9todo dedutivo, ou seja, de recomposi\u00e7\u00e3o ou de c\u00e1lculo, pois ele emprega com convic\u00e7\u00e3o as no\u00e7\u00f5es de \u201cc\u00e1lculo\u201d, de \u201cadi\u00e7\u00e3o\u201d e de \u201csubtra\u00e7\u00e3o\u201d; isso ele estabelece para todas as opera\u00e7\u00f5es cient\u00edficas quaisquer que sejam os elementos em causa. Assim a raz\u00e3o tenta alcan\u00e7ar uma organiza\u00e7\u00e3o real com o fluxo da experi\u00eancia bruta, e simultaneamente exprime e massacra. Como o pr\u00f3prio j\u00e1 nos diz, \u201ca raz\u00e3o, neste sentido nada mais \u00e9 do que c\u00e1lculo, isto \u00e9, adi\u00e7\u00e3o e subtra\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias de nomes gerais estabelecidos para marcar e significar nossos pensamentos\u201d (HOBBES, 1979, p.27).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste sentido, ao refletir sobre a raz\u00e3o hobbesiana \u00e9 percept\u00edvel que, segundo Hobbes, ela se d\u00e1 sempre que o homem raciocina, o que consiste na verdade em conceber uma soma total, com base na soma de parcelas, ou conceber um resto a partir da subtra\u00e7\u00e3o de uma adi\u00e7\u00e3o por outra (HOBBES, 1979, P. 27). Ele explica que quando n\u00f3s raciocinamos fazemos adi\u00e7\u00f5es e subtra\u00e7\u00f5es que podem ser observadas em diversas \u00e1reas, como por exemplo, \u201cse quero ser presidente de um Clube (o fim desejado), agir racionalmente significa calcular os meios dos quais posso lan\u00e7ar m\u00e3o para chegar l\u00e1: mostrar-me simp\u00e1tico com os s\u00f3cios, prometer n\u00e3o aumentar a mensalidade, promover eventos, etc\u201d (AMES, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No que diz respeito \u00e0 raz\u00e3o calculativa em Hobbes, podemos dizer que \u00e9 uma <em>recta ratio<\/em>, posto que possuI uma fun\u00e7\u00e3o instrumental e calculativa. Como explica H\u00e9lio Silva,<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Instrumental na medida em que \u00e9 utilizada pelo homem como um meio (instrumento) \u00fatil para proceder aos c\u00e1lculos de nomes, e calculadora na medida em que sua principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 calcular os nomes dos objetos e fatos, de modo a construir um discurso coerente capaz de propiciar ao homem a sa\u00edda do estado de simples natureza, que \u00e9 de guerra de todos contra todos, por meio do pacto que institui um poder soberano capaz de promover a paz, a seguran\u00e7a e a estabilidade que inexiste no estado de natureza.<\/em> (SILVA, 2009, p. 25-26)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Hobbes afirma que o homem \u00e9 superior aos animais, j\u00e1 que ele concebe seja o que for, inquire as consequ\u00eancias e tem a capacidade de reduzir a regras gerais, isto \u00e9, os chamados <em>teoremas, ou aforismos<\/em>. O homem sabe raciocinar, ou calcular, n\u00e3o simplesmente com n\u00fameros, mas tamb\u00e9m com outras coisas se pode adicionar ou subtrair uma a outras. E \u201ceste privilegio \u00e9 acompanhado de um outro, que \u00e9 o privilegio do absurdo, ao qual nenhum ser vivo est\u00e1 sujeito, exceto o homem\u201d (HOBBES, 1979, p.29).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante desse pensamento calculativo, Hobbes critica aqueles que usam a raz\u00e3o como autoridade, tentando delatar os absurdos de forma ir\u00f4nica, a saber, professores e eclesi\u00e1sticos. Os professores, sendo muitas vezes homens sem pr\u00e1tica, podem errar e contar falso, pois em qualquer tema de racioc\u00ednio, os homens mais capazes, mais pr\u00e1ticos podem enganar-se e finalizar conclus\u00f5es falsas. E os eclesi\u00e1sticos que julgam ser mais s\u00e1bios do que os outros, clamam e exigem uma raz\u00e3o certa para juiz, para que as coisas sejam determinadas n\u00e3o pela raz\u00e3o de outros homens, mas pela sua pr\u00f3pria raz\u00e3o. Estas s\u00e3o as pessoas, segundo Hobbes, que usam a raz\u00e3o de forma errada, por\u00e9m a finalidade da raz\u00e3o na verdade \u201c\u00e9 calcular as significa\u00e7\u00f5es fixas dos nomes de tal modo a construir uma cadeia onde a \u00faltima conclus\u00e3o se siga da certeza das afirma\u00e7\u00f5es e nega\u00e7\u00f5es das premissas\u201d (HOBBES, 1998, p.40).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Depois de termos visto o que \u00e9 a raz\u00e3o, o c\u00e1lculo, a subtra\u00e7\u00e3o, e a adi\u00e7\u00e3o em Thomas Hobbes, podemos concluir que a raz\u00e3o n\u00e3o pode ser pensada a n\u00e3o ser pelo c\u00e1lculo, pois ela constr\u00f3i uma cadeia para que se chegue a uma \u00faltima conclus\u00e3o, ela avalia verdades de fato e rela\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas e nada mais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HOBBES, Thomas. <strong>Do cidad\u00e3o<\/strong><em>. <\/em>S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">______. <strong>Leviat\u00e3<\/strong>: ou mat\u00e9ria, forma e poder de um estado eclesi\u00e1stico e civil<em>. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979. (Os pensadores)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SILVA, H\u00e9lio. Ci\u00eancia e filosofia: notas acerca da re-significa\u00e7ao de conceitos cient\u00edficos na filosofia hobbesiana<strong>.<\/strong> <strong>K\u00ednesis<\/strong>, v. I, n. 1, 2009, p.22-38.\u00a0\u00a0 <strong>\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em>\u00a0\u00a0<\/em>\u00a0<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">AMES, Jos\u00e9 Luiz. <strong>Hobbes e a raz\u00e3o calculadora<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;www.orecado.org&gt;. Acesso em: 17 maio 2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardo Ferreira de Sousa A filosofia hobbesiana traz uma vis\u00e3o sobre a raz\u00e3o humana diferente da filosofia cl\u00e1ssica e medieval, na qual a racionalidade \u00e9 entendida como a capacidade de conhecer a ess\u00eancia das coisas; j\u00e1 em Hobbes a raz\u00e3o \u00e9 uma faculdade calculativa, pois, para ele, o racioc\u00ednio ir\u00e1 produzir defini\u00e7\u00f5es exatas e for\u00e7ar\u00e1 &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[8,58],"tags":[213,446],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-1452","6":"format-standard","7":"category-bernardo-ferreira-de-sousa","8":"category-hobbes","9":"post_tag-calculo","10":"post_tag-razao"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1452\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}