{"id":1524,"date":"2011-06-13T20:50:15","date_gmt":"2011-06-13T23:50:15","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1524"},"modified":"2011-06-13T20:50:15","modified_gmt":"2011-06-13T23:50:15","slug":"jogos-de-linguagem-possivel-saida-para-o-nao-fundamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1524","title":{"rendered":"Jogos de linguagem: poss\u00edvel sa\u00edda para o n\u00e3o-fundamento?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Edivaldo de Oliveira Ribeiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">O presente artigo, cuja base inspirat\u00f3ria se pauta no pensamento do filosofo p\u00f3s-moderno de Jean-Fran\u00e7ois Lyotard \u2013 uma chave hermen\u00eautica que mostra a passagem do pensamento moderno para o pensamento p\u00f3s-moderno \u2013 objetiva-se analisar o problema do m\u00e9todo nos jogos de linguagens.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, antes de se adentrar nesse aspecto se abordar\u00e1 em linhas gerais o tema que perpassa todo o seu pensamento, que \u00e9 o saber na sociedade p\u00f3s-industrial e na cultura p\u00f3s-moderna. Por sociedade p\u00f3s-industrial entende-se a sociedade que surgiu dos anos cinquenta para c\u00e1, que n\u00e3o \u00e9 mais uma sociedade guiada pelo capitalismo, pela explora\u00e7\u00e3o comercial e cujo trono n\u00e3o \u00e9 mais ocupado pela m\u00e1quina a vapor que na modernidade aumentara a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo. Nesse sentido, o termo p\u00f3s-industrial pressup\u00f5e que houve uma outra revolu\u00e7\u00e3o que superou a da industrial, concebida por Lyotard como sendo a da era da informa\u00e7\u00e3o em todos os sentidos que agora ocupa o centro e adquire valor de troca, reinando simplesmente o mercado da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 quanto \u00e0 cultura p\u00f3s-moderna, deve se destacar que a sua concep\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por aspectos da filosofia, da literatura e da arte que revelam bem o que \u00e9 a era p\u00f3s-moderna. No que concerne \u00e0 arte \u00e9 percept\u00edvel que h\u00e1 uma desconstru\u00e7\u00e3o de formas e representa\u00e7\u00f5es, ao contr\u00e1rio da arte renascentista na qual h\u00e1 um culto \u00e0 forma; na literatura nota-se que a narra\u00e7\u00e3o dos fatos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais feita de modo linear, que em seus feitos n\u00e3o h\u00e1 mais defesas de valores ou a pretens\u00e3o de se fazer pol\u00edtica ou moral e, por fim, na filosofia, h\u00e1 algo t\u00edpico da p\u00f3s-modernidade que lhe \u00e9 intr\u00ednseco \u2013 aus\u00eancia de fundamentos \u2013 o que revela uma eros\u00e3o do discurso filos\u00f3fico, j\u00e1 que, desde o seu inicio, a filosofia prop\u00f4s a verdade, ao metadiscurso que diante das ultimas premissas da modernidade e das premissas da p\u00f3s-modernidade s\u00e3o colocados em xeque.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Consequentemente isso revela que h\u00e1 uma decomposi\u00e7\u00e3o dos grandes relatos ou metarrelatos, havendo uma \u00eanfase do componente comunicacional e da agonistica da linguagem, permeando tamb\u00e9m os discursos de descontinuidade e paradoxos. Os metarrelatos est\u00e3o relacionados a todo tipo de pensamento sistematizador e interpretativo do todo que agora sai de cena. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00eanfase do componente comunicacional afirma-se que o discurso p\u00f3s-moderno pretende apenas comunicar, visto que n\u00e3o tem a pretens\u00e3o de legitimar uma dada \u00e9tica ou de ser absoluto (meta-discurso); j\u00e1 a express\u00e3o agonistica da linguagem (na Gr\u00e9cia, denotava a arte da luta, \u201ccombate e tens\u00e3o\u201d) designa a ideia de que no discurso p\u00f3s-moderno h\u00e1 uma tens\u00e3o constante da linguagem que se autoquestiona e se pergunta, criticamente, sobre o seu pr\u00f3prio uso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante disso, uma vez que Lyotard tem consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel a exist\u00eancia de um metadiscurso, afirma que \u00e9 necess\u00e1rio criar jogos de linguagens (conven\u00e7\u00f5es) e suas regras, com base no estudo que Wittgenstein fez em sua obra <em>Investiga\u00e7\u00f5es Filos\u00f3ficas<\/em>, acerca da linguagem a partir do zero em rela\u00e7\u00e3o a sua obra anterior, centralizando a sua aten\u00e7\u00e3o sobre os efeitos dos discursos e denominando os diversos tipos de enunciado de jogos de linguagem (LYOTARD, 1998, p.16).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A linguagem \u00e9 jogo, porque se joga com palavras. \u00c9 necess\u00e1rio fazer algumas observa\u00e7\u00f5es acerca da defini\u00e7\u00e3o dos quatro princ\u00edpios dos jogos de linguagem (LYOTARD, 1998, p.17).\u00a0 O primeiro \u00e9 que suas regras n\u00e3o s\u00e3o autolegitimadas, mas constituem objeto de um contrato expl\u00edcito ou n\u00e3o entre os jogadores, em que esse contrato de regras se apresenta como fator primordial para que, de fato, haja uma comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas. O segundo \u00e9 que diante da aus\u00eancia de regras implica a n\u00e3o exist\u00eancia de jogos, ou seja, \u201cuma modifica\u00e7\u00e3o, por m\u00ednima que seja, de uma regra modifica a natureza do jogo e que um \u201clance\u201d ou um enunciado que n\u00e3o satisfa\u00e7a as regras n\u00e3o pertence ao jogo definido por elas.\u201d E o terceiro \u00e9 que todo enunciado deve ser considerado como um \u201clance\u201d feito num jogo sendo que em cada \u00e1rea existe uma regra especifica. Esse \u00faltimo princ\u00edpio, impele \u00e0 admiss\u00e3o de um outro que alicer\u00e7a todo o m\u00e9todo e que pode ser resumido na ideia de que: \u201c&#8230;falar \u00e9 combater, no sentido de jogar, e que os atos de linguagem prov\u00eam de uma agon\u00edstica geral\u201d (LYOTARD, 1998, p.17).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m,<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Isto n\u00e3o significa necessariamente que se joga para ganhar. Pode realizar um lance pelo simples prazer de invent\u00e1-lo: n\u00e3o \u00e9 este o caso do trabalho de est\u00edmulo da l\u00edngua provocado pela fala popular ou pela literatura? A inven\u00e7\u00e3o continua de constru\u00e7\u00f5es novas, de palavras e de sentidos que, no n\u00edvel da palavra \u00e9 o que faz evoluir a l\u00edngua, proporciona grandes alegrias. Mas sem d\u00favida, mesmo este prazer n\u00e3o \u00e9 independente de um sentimento de sucesso, sobre um advers\u00e1rio pelo menos, mas de envergadura: a l\u00edngua estabelecida, a conota\u00e7\u00e3o<\/em>. (LYOTARD, 1998, p. 17)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, ap\u00f3s se ter deixado claro que o pensamento de Lyotard \u00e9 chave de leitura para a passagem do pensamento moderno para o p\u00f3s-moderno e se ter evidenciado, segundo ele, as principais marcas deste per\u00edodo, em que n\u00e3o h\u00e1 mais a possibilidade de grandes relatos ou metadiscursos, quer se destacar que a sua releitura do pensamento de Wittigenstein e a proposta de jogos de linguagem para a p\u00f3s-modernidade foi algo muito contundente e que conseguiu dar sa\u00edda para o n\u00e3o fundamento da mesma, evitando assim um relativismo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">LYOTARD, Fran\u00e7ois-Fran\u00e7ois. <em>A condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-moderna.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Ricardo Corr\u00eaa Barbosa. 5.ed. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Ol\u00edmpio, 1998.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edivaldo de Oliveira Ribeiro O presente artigo, cuja base inspirat\u00f3ria se pauta no pensamento do filosofo p\u00f3s-moderno de Jean-Fran\u00e7ois Lyotard \u2013 uma chave hermen\u00eautica que mostra a passagem do pensamento moderno para o pensamento p\u00f3s-moderno \u2013 objetiva-se analisar o problema do m\u00e9todo nos jogos de linguagens. 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