{"id":1537,"date":"2011-08-04T12:41:11","date_gmt":"2011-08-04T15:41:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1537"},"modified":"2011-08-04T12:41:11","modified_gmt":"2011-08-04T15:41:11","slug":"o-fim-da-filosofia-e-a-tarefa-do-pensamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1537","title":{"rendered":"O fim da filosofia e a tarefa do pensamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Delvanir Maur\u00edlio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Muitos foram os fil\u00f3sofos que questionaram, de diversos modos, sobre o fim da filosofia. Mas, ao perpassar pelo pensamento filos\u00f3fico e sendo influenciado por Edmund Husserl, o fil\u00f3sofo Martin Heidegger foi um dos primeiros pensadores que, com sua contribui\u00e7\u00e3o, favoreceu uma das mais complexas reflex\u00f5es filos\u00f3ficas da metaf\u00edsica cl\u00e1ssica e te\u00f3rica para a modernidade, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao <em>fim da filosofia e a tarefa do pensamento<\/em>. De acordo com o tema proposto, o presente artigo tem como finalidade esbo\u00e7ar em alguns par\u00e1grafos o fim da Filosofia e a Tarefa do Pensamento na perspectiva heideggeriana. Nesta \u00f3tica se propor\u00e1 uma reflex\u00e3o sobre o mundo cient\u00edfico e a filosofia cl\u00e1ssica, ou seja, sobre o fato de um olhar atento \u00e0s novas ci\u00eancias que est\u00e3o transformando a filosofia cl\u00e1ssica em t\u00e9cnicas instrumentais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Heidegger deu sua contribui\u00e7\u00e3o questionando sobre a validade da tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica (a come\u00e7ar pela metaf\u00edsica cl\u00e1ssica) que, ao longo da historia do pensamento, foi o caminho para que se pudesse chegar a uma reflex\u00e3o sobre o ser. Ao se deparar com as revolu\u00e7\u00f5es da modernidade, Heidegger percebe que a teoria filos\u00f3fica cl\u00e1ssica do discurso metaf\u00edsico sobre o ser j\u00e1 n\u00e3o mais corresponde, com tanto ex\u00edmio, as novas t\u00e9cnicas da modernidade que aponta para novos paradigmas. O fil\u00f3sofo se questionou sobre qual seria a forma que o pensamento filos\u00f3fico ocuparia na contemporaneidade, quando j\u00e1 n\u00e3o se encontra mais espa\u00e7o para a<em> <\/em>metaf\u00edsica plat\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com a crise ou o fim da modernidade, as problem\u00e1ticas filos\u00f3ficas v\u00e3o surgindo e com elas se destacam <em>o fim da filosofia e a tarefa do pensamento.<\/em> A teoria filos\u00f3fica sobre a ontologia do ser metafisico plat\u00f4nico come\u00e7a a dar lugar \u00e0 t\u00e9cnica instrumental. \u201cEm Marx, ela deveria chegar ao fim atrav\u00e9s da transforma\u00e7\u00e3o da filosofia em mundo de sua \u201csupress\u00e3o\u201d na \u201c<em>pr\u00e1xis<\/em>\u201d (STEIN, 1979, p.67). Para Marx, era preciso uma nova filosofia que correspondesse \u00e0s novas exig\u00eancias de sua \u00e9poca. Talvez ele tenha se enganado com o papel da filosofia de sua \u00e9poca como outro que resumia a filosofia em linguagem como aparecem: \u201cEm Wittgenstein a filosofia deveria assumir, de uma vez, sua \u00fanica fun\u00e7\u00e3o: realizar a terapia da linguagem. Cumprindo tal trabalho ela \u201c<em>desapareceria<\/em>\u201d (STEIN, 1979, p.67).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Heidegger, deve-se pensar no fim da filosofia n\u00e3o como um limite, ou seja, um ponto final, mas como algo que est\u00e1 em constante movimento, de um lugar ao outro:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>Pelo contr\u00e1rio, quando falamos de um fim da filosofia queremos significar o acabamento da metaf\u00edsica. Acabamento n\u00e3o quer dizer, no entanto, plenitude no sentido que a filosofia deveria ter atingido, com seu fim, suprema perfei\u00e7\u00e3o. Falta-nos apenas qualquer medida que permitisse estimar a perfei\u00e7\u00e3o de uma \u00e9poca da metaf\u00edsica em compara\u00e7\u00e3o a outra. N\u00e3o h\u00e1 mesmo nada que possa justificar tal maneira de proceder. O pensamento de Plat\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais perfeito que o de Parm\u00eanides. A filosofia hegeliana n\u00e3o \u00e9 mais perfeita que a de Kant. Cada \u00e9poca da filosofia possui sua pr\u00f3pria necessidade. Que uma filosofa seja como \u00e9, deve ser simplesmente reconhecido. N\u00e3o nos compete preferir uma a outra, como \u00e9 poss\u00edvel quando se trata das vis\u00f5es do mundo<\/em> (HEIDEGGER, 1979, p.72).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vale ressaltar que, para Heidegger, o pensamento de um fil\u00f3sofo n\u00e3o \u00e9 mais importante do que o pensamento de outro. Ambos devem ser respeitados em suas respectivas teorias, sobretudo quando se refere a filosofia ao mencionar a metaf\u00edsica. Outro aspecto que vale destacar \u00e9 que a filosofia plat\u00f4nica permanece intrigante em toda a hist\u00f3ria do pensamento filos\u00f3fico. \u201cA metaf\u00edsica \u00e9 platonismo. Nietzsche caracterizou sua filosofia como platonismo invertido\u201d (HEIDEGGER, 1979, p.72). E para Heidegger essa filosofia plat\u00f4nica n\u00e3o corresponde mais \u00e0 modernidade com suas t\u00e9cnicas \u00e0s quais ele se refere como <em>ci\u00eancia cibern\u00e9tica . <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os novos avan\u00e7os nas ci\u00eancias modernas levaram a filosofia a perder seu espa\u00e7o ou chegar ao seu fim por se transformar em ci\u00eancias emp\u00edricas. Com a autonomia das novas ci\u00eancias, como a psicologia, antropologia cultural e as ci\u00eancias emp\u00edricas, fica mais dif\u00edcil pensar em uma metaf\u00edsica plat\u00f4nica, porque o modo de pensar o ser em proposto por Plat\u00e3o foi ficando esquecido pelos modernos, que est\u00e3o a procura de resposta imediatas ou de uma filosofia que sirva de autoajuda aos par\u00e2metros de seu tempo<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante desse novo car\u00e1ter experimental de filosofia cientifica, as novas ci\u00eancias revelam sua autonomia e independ\u00eancia diante da filosofia cl\u00e1ssica, que aos poucos vem perdendo suas for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>O desenvolvimento das ci\u00eancias \u00e9, ao mesmo tempo, sua independ\u00eancia da filosofia e a inaugura\u00e7\u00e3o de sua autonomia. Este fen\u00f4meno faz parte do acabamento da filosofia. Seu desdobramento est\u00e1 hoje em plena marcha, em todas as esferas do ente. Parece a pura dissolu\u00e7\u00e3o da filosofia; \u00e9, no entanto, precisamente seu acabamento<\/em> (HEIDEGGER, 1979, p.72).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No pensamento de Heidegger, as novas ci\u00eancias v\u00e3o se difundindo em novas t\u00e9cnicas instrumentais como meios de a\u00e7\u00f5es humanas que transforma a linguagem em um meio de comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de mensagens. Essa t\u00e9cnica possibilita ao homem controlar o mundo de forma que permita o acabamento leg\u00edtimo da filosofia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cHeidegger acha que a filosofia enquanto metafisica, ou seja, enquanto pensamento fundante j\u00e1 encontrou na invers\u00e3o que Max efeituou no pensamento de Hegel a \u00faltima possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o\u201d (OLIVEIRA, 1989, p.128). Nessa perspectiva, os modernos teria que reinventar uma nova filosofia que pense em si mesma como afirma Husserl \u201cn\u00e3o \u00e9 das filosofias que deve partir o impulso para pesquisa, mas das quest\u00f5es e dos problemas\u201d (HEIDEGGER, 1979, p.75). Caberia, no entanto, \u00e0 filosofia se preocupar com suas quest\u00f5es e discutir o seu pr\u00f3prio fim, discutir o seu pr\u00f3prio pensamento filos\u00f3fico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Heidegger, a filosofia como metaf\u00edsica, como solu\u00e7\u00e3o \u00faltima em resposta ao universo filos\u00f3fico pode n\u00e3o ser poss\u00edvel, porque os fil\u00f3sofos se esqueceram do ser metaf\u00edsico de Plat\u00e3o ao trilhar outros caminhos filos\u00f3ficos. Talvez seria necess\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 pensar em um novo paradigma como tamb\u00e9m voltar as aten\u00e7\u00f5es sobre as novas ci\u00eancias que est\u00e3o revolucionando o mundo devido aos fins pr\u00e1ticos de autoajuda imediata.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Afinal, a proposta de Heidegger em rela\u00e7\u00e3o ao fim da filosofia foi acreditar que o conceito de <em>al\u00e9theia<\/em> pode ajudar a reflex\u00e3o sobre o fim da filosofia e a tarefa do pensamento. Ainda mais, o fil\u00f3sofo deve entender que a metaf\u00edsica de Plat\u00e3o fala da luz da raz\u00e3o e n\u00e3o da clareira como um feixe de luz entre os galhos de uma floresta. Este conceito da clareira deve ser usado para que se compreenda o ser que, por sua vez, pode, ao mesmo tempo, se desvelar e se ocultar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Uma das propostas de Heidegger \u00e9 como pensar \u2013 na modernidade \u2013 um novo modo de se falar sobre o ser que possa contribuir com o pensamento filos\u00f3fico. \u00c9 poss\u00edvel atribuir uma tarefa ao pensamento diante dos novos desafios de uma ci\u00eancia que pode destruir seu pr\u00f3prio princ\u00edpio? Caso n\u00e3o seja, para Heidegger, ser\u00e1 mesmo o fim da filosofia e da tarefa do pensamento, tendo como resgate<em> al\u00e9theia<\/em> e clareira como apresentamos em concern\u00eancia com o autor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HEIDEGGER, Martin. <em>O fim da filosofia e a tarefa do pensamento.<\/em> Trad. Ernildo Estein. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979. (Os pensadores).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">OLIVEIRA, Manfredo Ara\u00fajo de. <em>A filosofia na crise da modernidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">STEIN, Ernildo. Nota do tradutor. In: HEIDEGGER, Martin. <em>O fim da filosofia e a tarefa do pensamento.<\/em> Trad. Ernildo Estein. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979. (Os pensadores).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Delvanir Maur\u00edlio Muitos foram os fil\u00f3sofos que questionaram, de diversos modos, sobre o fim da filosofia. 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