{"id":1579,"date":"2011-09-01T15:25:35","date_gmt":"2011-09-01T18:25:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1579"},"modified":"2011-09-01T15:25:35","modified_gmt":"2011-09-01T18:25:35","slug":"o-ateismo-de-feuerbach","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1579","title":{"rendered":"O ate\u00edsmo de Feuerbach"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jo\u00e3o Paulo Rodrigues Pereira<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>&#8220;A consci\u00eancia que o homem tem de Deus <\/em><em>\u00e9<\/em> <em>a consci\u00eancia que o homem tem de si mesmo\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Percebe-se que ao longo da hist\u00f3ria, o homem muito se perguntou sobre a exist\u00eancia de Deus. Muitos foram os que tentaram provar a exist\u00eancia de Deus, como tamb\u00e9m, neg\u00e1-la. Mas, sobretudo, esta tem\u00e1tica muito inquietou e inquieta o ser humano. Deus existe ou n\u00e3o existe? Na tentativa de propor uma resposta a esta inquiri\u00e7\u00e3o, este texto tem como escopo explanar o vi\u00e9s do fil\u00f3sofo Feuerbach (1804-1872) sobre a quest\u00e3o do ate\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Comumente a defini\u00e7\u00e3o que se tem de ate\u00edsmo<a title=\"\" href=\"\/Blog\/Feuerbach,%20Joao%20Paulo.docx#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> se configura com a defini\u00e7\u00e3o dada pelo dicion\u00e1rio da l\u00edngua Portuguesa, segundo o qual \u00e9 a \u201cdoutrina ou atividade de esp\u00edrito que nega categoricamente a exist\u00eancia de Deus\u201d (Houaiss, 2001, p. 331). Por\u00e9m este conceito no decorrer da hist\u00f3ria tornou-se um termo amb\u00edguo, pois foi usado n\u00e3o somente para designar quem nega a exist\u00eancia de Deus, como tamb\u00e9m, para apontar quem nega uma lei religiosa, ou uma doutrina ou mesmo, uma concep\u00e7\u00e3o cristalizada de Deus etc.; em s\u00edntese, o termo ate\u00edsmo foi usado de v\u00e1rias formas no linear da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um bom exemplo desta ambiguidade foi o que aconteceu nos prim\u00f3rdios do cristianismo: \u201cOs primeiros crist\u00e3os foram tomados por ateus, por que se negavam a fazer sacrif\u00edcios aos deuses pag\u00e3os\u201d (DALBOSCO et. al., 2000, p.54). Outro exemplo desta ambiguidade seria o pr\u00f3prio Feuerbach que \u00e9 considerado ateu, mas, categoricamente, n\u00e3o nega a exist\u00eancia de Deus.<em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fueurbach \u00e9 considerado o pai do ate\u00edsmo moderno e \u201co pai da critica contempor\u00e2nea a religi\u00e3o\u201d (ESTRADA, 2003, p.153). Sua \u00f3tica ateia \u00e9 inovadora, uma vez que ele traz a reflex\u00e3o sobre a exist\u00eancia de Deus e sobre a religi\u00e3o, que at\u00e9 ent\u00e3o estava atrelada a natureza para o pr\u00f3prio homem, como nos mostra Zilles (2010, p. 99): \u201cDecisivo \u00e9 que agora o ponto de partida para a considera\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do problema de Deus e da religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais a natureza, mas o pr\u00f3prio homem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na obra a \u201cEss\u00eancia do Cristianismo\u201d, Fueurbach trata, especificamente, sobre a quest\u00e3o da religi\u00e3o e do ate\u00edsmo. Seu ponto de partida \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o entre o homem e o animal: \u201cora o car\u00e1ter essencial do homem, sua diferen\u00e7a espec\u00edfica, \u00e9 a consci\u00eancia; entretanto, n\u00e3o uma consci\u00eancia de si como indiv\u00edduo, como a poderiam ter tamb\u00e9m os outros animais, mas a consci\u00eancia de si como esp\u00e9cie. Ter consci\u00eancia de si como esp\u00e9cie significa ter consci\u00eancia da pr\u00f3pria ess\u00eancia universal, da pr\u00f3pria humanidade\u201d (ROVIGHI, 1999, p. 71).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, a consci\u00eancia que diferencia o homem dos animais \u00e9 a consci\u00eancia que ele tem de sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. Com isso, Fueurbach quer mostrar que esta distin\u00e7\u00e3o seria a base que fundamentaria a religi\u00e3o. \u201cA religi\u00e3o se baseia na diferen\u00e7a essencial entre o homem e o animal \u2013 os animais n\u00e3o tem religi\u00e3o\u201d (Fueurbach, 1988, p. 43). O homem tem como objeto de sua consci\u00eancia a sua ess\u00eancia, e isto seria a base da religi\u00e3o, mas para entender esta base da religi\u00e3o faz-se mister saber qual \u00e9 a ess\u00eancia do homem. Segundo Fueurbach a ess\u00eancia do homem \u00e9:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A raz\u00e3o, a vontade, o cora\u00e7\u00e3o. Um homem completo possui a for\u00e7a do pensamento, a for\u00e7a da vontade e a for\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a do pensamento \u00e9 a luz do conhecimento, a for\u00e7a da vontade \u00e9 a energia do car\u00e1ter, a for\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o amor. Raz\u00e3o, amor e vontade s\u00e3o perfei\u00e7\u00f5es, s\u00e3o os mais altos poderes, s\u00e3o a ess\u00eancia absoluta do homem enquanto homem e a finalidade de sua exist\u00eancia. O homem existe para conhecer, para amar e para querer (Fueurbach, 1988, p. 45).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ora, o que faz o homem ter consci\u00eancia de si mesmo \u00e9 o objeto da reflex\u00e3o da consci\u00eancia, e o objeto da sua consci\u00eancia \u00e9 a sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, que s\u00e3o a raz\u00e3o, a vontade e cora\u00e7\u00e3o, assim, os elementos que constituem a ess\u00eancia do homem o fazem ter consci\u00eancia de si mesmo. Por\u00e9m, n\u00e3o somente os objetos que comp\u00f5em a ess\u00eancia do homem, mas tamb\u00e9m, os objetos que est\u00e3o distantes dele: \u201ctamb\u00e9m a lua, o sol e as estrelas gritam para o homem o <em>gn\u00f4thi saut\u00f3n, <\/em>o conhe\u00e7a a ti mesmo. Pelo fato dele os ver e os ver da forma que ele os v\u00ea, tudo isso j\u00e1 \u00e9 testemunho da sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. (&#8230;) O c\u00e9u lembra o homem de seu designo, lembra que ele n\u00e3o nasceu somente para agir, mas tamb\u00e9m para contemplar\u201d (Fueurbach, 1988, p. 47).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo Feuerbach, os elementos que constituem a ess\u00eancia do homem s\u00e3o perfei\u00e7\u00f5es do homem, e por serem perfei\u00e7\u00f5es s\u00e3o denominadas como for\u00e7as infinitas. Mas, concomitantemente, n\u00e3o se pode negar que o homem \u00e9 um ser imperfeito; constantemente ele erra. Como explicar este paradoxo? Para Feuerbach (1988, p. 48), \u201cToda limita\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o ou d\u00e1 ess\u00eancia do homem em geral baseia-se num engano, num erro\u201d. O homem s\u00f3 pode ter consci\u00eancia da sua pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o enquanto indiv\u00edduo, pois enquanto esp\u00e9cie ele \u00e9 perfeito e infinito. Isso quer dizer que o engano acontece quando o homem n\u00e3o tem coragem de assumir a culpa dos seus erros e das suas falhas, e por vergonha, direciona o erro para a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se ele, por\u00e9m, fizer das suas limita\u00e7\u00f5es as limita\u00e7\u00f5es do g\u00eanero, explica-se isto pelo engano dele se considerar id\u00eantico ao g\u00eanero \u2013 um engano ou ilus\u00e3o que, de resto, relaciona intimamente com o comodismo, a pregui\u00e7a, a vaidade e a ambi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Uma limita\u00e7\u00e3o que reconhe\u00e7o como a minha limita\u00e7\u00e3o, esta me humilha, me envergonha e me intranquiliza. Ent\u00e3o para me libertar desse sentimento de vergonha, desta intranquilidade, fa\u00e7o das limita\u00e7\u00f5es da minha individualidade as limita\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria ess\u00eancia humana (Fueurbach, 1988, p. 49).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Da mesma forma que o objeto da consci\u00eancia do homem \u00e9 infinito, por ser sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, a religi\u00e3o tem como objeto de sua reflex\u00e3o um objeto infinito, isto porque \u201co homem p\u00f5e suas qualidades, suas aspira\u00e7\u00f5es e seus desejos fora de si, afasta-se, aliena-se constr\u00f3i sua divindade\u201d (REALE, 2005, p.159.). Neste sentido, a religi\u00e3o retira os elementos que comp\u00f5em a ess\u00eancia do homem que est\u00e1 de dentro dele mesmo e transporta-os para um ser separado \u2013 o homem diviniza sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. Por isso:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A consci\u00eancia de Deus \u00e9 a consci\u00eancia que o homem tem de si mesmo, o conhecimento de Deus o conhecimento que o homem tem de si mesmo. Pelo Deus conheces o homem e vice-versa pelo homem conhece o seu Deus: ambos s\u00e3o a mesma coisa. O que \u00e9 Deus para o homem \u00e9 o seu esp\u00edrito, a sua alma e o que \u00e9 para o homem seu esp\u00edrito, seu cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 tamb\u00e9m o seu Deus: Deus \u00e9 a intimidade revelada, o pronunciamento do eu do homem; a religi\u00e3o \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o solene das preciosidades oculta do homem, a confiss\u00e3o dos seus mais \u00edntimos pensamentos, a manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos seus segredos de amor. (Fueurbach,1988, p.55.)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim o objeto da religi\u00e3o \u00e9 a ess\u00eancia do homem. \u201cO g\u00eanero ou a ess\u00eancia universal (a humanidade) que \u00e9 objeto da consci\u00eancia do homem \u00e9 infinito, ora, o objeto da religi\u00e3o \u00e9 infinito, portanto, o objeto da religi\u00e3o \u00e9 o mesmo objeto do homem que tem consci\u00eancia de si (&#8230;), isto \u00e9, a pr\u00f3pria ess\u00eancia do homem\u201d (ROVIGHI, 1999. p. 72). Ou seja, o que a religi\u00e3o faz \u00e9 tirar a ess\u00eancia do homem que est\u00e1 dentro dele e direcion\u00e1-la para fora dele e denomin\u00e1-la Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste sentido, o que a religi\u00e3o aponta ser Deus, nada mais \u00e9 do que a pr\u00f3pria ess\u00eancia do homem. \u201cEm Deus o homem projetaria inconscientemente a sua ess\u00eancia, o que ele \u00e9 ou quer ser, e se sujeitaria assim a um ente por ele enriquecido de todas as suas propriedades, mas percebido como estranho\u201d (ZUCAL, 2000, p.217). Desta forma, o que as religi\u00f5es denominam ser Deus, \u00e9, para Feuerbach, o pr\u00f3prio homem. \u201cN\u00e3o \u00e9 o homem que \u00e9 a imagem e semelhan\u00e7a de Deus, afirma\u00e7\u00e3o fundamental do te\u00edsmo crist\u00e3o, mas Deus \u00e9 a imagem do homem que se projeta em uma entelequia\u201d (ESTRADA, 2003, p.154).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, a cr\u00edtica que Feuerbach faz a religi\u00e3o \u00e9 que ela aponta para uma realidade existente fora do homem, mas, ao contrario, esta realidade n\u00e3o existe. O que a religi\u00e3o mostra estar fora do homem, no caso Deus, \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia do homem, como nos mostra Marx e Engels na obra ideologia Alem\u00e3 (2002, p. 100-101): \u201cFeuerbach parte do fato de que a religi\u00e3o torna o homem estranho a si mesmo e duplica o mundo em um mundo religioso, objeto de representa\u00e7\u00e3o, e um mundo profano. Seu trabalho consiste em reduzir o mundo religioso \u00e0 sua base profana. (&#8230;) Feuerbach converte a ess\u00eancia da religi\u00e3o em ess\u00eancia humana\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, o que Fueurbach faz n\u00e3o \u00e9 negar a exist\u00eancia de Deus, mas afirma que o homem \u00e9 Deus e Deus \u00e9 homem. \u201cA ess\u00eancia divina n\u00e3o \u00e9 nada mais do que a ess\u00eancia humana (&#8230;) por isso todas as qualidades da ess\u00eancia divina s\u00e3o qualidades da ess\u00eancia humana\u201d (Fueurbach, 1988, p. 57). Assim o ate\u00edsmo de Feuerbach consiste, unicamente, em negar um ser divino fora do homem, e a firma que as potencialidades de Deus, suas caracter\u00edstica, se encontram no pr\u00f3prio homem. As perfei\u00e7\u00f5es de Deus \u00e9 a ess\u00eancia do homem, ou seja, as perfei\u00e7\u00f5es de Deus s\u00e3o as perfei\u00e7\u00f5es do homem e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ATE\u00cdSMO. In: DALBOSCO, Hon\u00f3rio (Coord.). <em>Dicion\u00e1rio de Pensamento Contempor\u00e2neo.<\/em>\u00a0 S\u00e3o Paulo: Paulus, 2000. p. 54.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ATE\u00cdSMO. In: ALEMIDA, Aires (Org.). <em>Dicion\u00e1rio escolar de Filosofia. <\/em>\u00a0Lisboa: Pl\u00e1tano, 2009. p. 46.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ATE\u00cdSMO. In: HOUAISS, Antonio; VILLAR, Mauro de Sales.\u00a0 <em>Grande dicion\u00e1rio Hoauiss da l\u00edngua portuguesa<\/em>.\u00a0 Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 331.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ESTRADA, Juan Antonio.\u00a0 <em>Deus nas tradi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas<\/em>: da morte de Deus \u00e1 crise do sujeito. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2003. (vol. 2)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">FEUERBACH, Ludwig. <em>A ess\u00eancia do cristianismo.<\/em> S\u00e3o Paulo: Papirus, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MARX, Karl. ENGELS, Friedrich. A ideologia Alem\u00e3. Trad. Luiz Claudio de Castro e Costa. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, G.; ANTISERI, D. <em>Hist\u00f3ria da filosofia<\/em>: do romantismo a empiriocriticismo Trad. Ivo Storniolo. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005. (vol. 5)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ROVIGHI, Sofia V. <em>Hist\u00f3ria da filosofia contempor\u00e2nea<\/em>: do s\u00e9culo XIX \u00e0 neoescol\u00e1stica. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ZILLES, Urbano. <em>Filosofia da religi\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ZUCAL, Silvano. <em>Cristo na filosofia contempor\u00e2nea<\/em>: de Kant a Nietzsche. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2000. (vol. 1)<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a title=\"\" href=\"\/Blog\/Feuerbach,%20Joao%20Paulo.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> Etimologicamente a palavra ate\u00edsmo deriva do termo grego <em>\u03b1\u03b8\u03b5\u03cc\u03c2<\/em>: <em>\u03b1<\/em> \u00e9 o privativo ou a nega\u00e7\u00e3o; e <em>\u03b8\u03b5\u03cc\u03c2 <\/em>significa Deus, ou seja, <em>\u03b1\u03b8\u03b5\u03cc\u03c2 <\/em>\u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de Deus<em>. <\/em>(Cf. Dicion\u00e1rio de Pensamento Contempor\u00e2neo, p.54). &#8220;Em sentido fraco, [o ate\u00edsmo seria] descren\u00e7a na exist\u00eancia de uma entidade sobrenatural particular (o Deus te\u00edsta), onipotente, omnisciente, perfeitamente boa, criadora do mundo, mas distinta deste e dotada de auto-exist\u00eancia (n\u00e3o existe por causa de outra coisa). Em sentido forte, \u00e9 a cren\u00e7a na inexist\u00eancia do divino em geral. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, pois muitas pessoas religiosas n\u00e3o s\u00e3o te\u00edsta [&#8230;] nem ate\u00edstas, ou seja, acreditam em entidades sobrenaturais que n\u00e3o correspondem a id\u00e9ia do Deus te\u00edsta, que \u00e9 basicamente a id\u00e9ia de Deus presente nas grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas do ocidente: Juda\u00edsmo, cristianismo e islamismo. (ALEMIDA, 2009, p.46).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Paulo Rodrigues Pereira \u00a0 &#8220;A consci\u00eancia que o homem tem de Deus \u00e9 a consci\u00eancia que o homem tem de si mesmo\u201d Percebe-se que ao longo da hist\u00f3ria, o homem muito se perguntou sobre a exist\u00eancia de Deus. Muitos foram os que tentaram provar a exist\u00eancia de Deus, como tamb\u00e9m, neg\u00e1-la. Mas, sobretudo, esta &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[42,72],"tags":[196,253,314,452],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-1579","6":"format-standard","7":"category-feuerbach","8":"category-joao-paulo-rodrigues-pereira","9":"post_tag-ateismo","10":"post_tag-deus","11":"post_tag-filosofia-da-religiao","12":"post_tag-religiao"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}