{"id":1583,"date":"2011-09-01T15:32:11","date_gmt":"2011-09-01T18:32:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1583"},"modified":"2011-09-01T15:32:11","modified_gmt":"2011-09-01T18:32:11","slug":"lembrancas-da-politica-maquiavelica-em-nosso-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1583","title":{"rendered":"Lembran\u00e7as da pol\u00edtica maquiav\u00e9lica em nosso Estado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Vin\u00edcius Nepomuceno Marra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nenhum pensamento filos\u00f3fico surge em detrimento do acaso, e sim do contexto em que cada fil\u00f3sofo est\u00e1 inserido. O contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico \u00e9 indispens\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o do pensamento filos\u00f3fico de Nicolau Maquiavel<a title=\"\" href=\"\/Blog\/Maquiavel,%20Vinicius.docx#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Tal \u00e9 sua preocupa\u00e7\u00e3o, que escreve <em>O Pr\u00edncipe<a title=\"\" href=\"\/Blog\/Maquiavel,%20Vinicius.docx#_ftn2\"><sup><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>, sua obra principal, como express\u00e3o do desejo de ver uma It\u00e1lia poderosa e unificada, atrav\u00e9s da possibilidade de um pr\u00edncipe \u201ccapaz de unir a It\u00e1lia, preservando-a das interven\u00e7\u00f5es estrangeiras\u201d (MAQUIAVEL, 2010,\u00a0 p.10).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O termo pol\u00edtica tem sua origem no grego e se refere a todos os procedimentos relativos \u00e0 p\u00f3lis, a cidade-estado. Assim, pode se referir tanto a estado, quanto sociedade, comunidade e defini\u00e7\u00f5es que se referem \u00e0 vida humana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Maquiavel, a pol\u00edtica, no in\u00edcio da Idade Moderna, se desvinculava das esferas da moral e da religi\u00e3o, constituindo-se em uma esfera aut\u00f4noma.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o que deve reter do pensamento de Maquiavel \u00e9 que ele inaugura um novo patamar de reflex\u00e3o pol\u00edtica, que procura compreender e descrever a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tal como ela se d\u00e1 realmente. (COTRIM, 2000, p.300).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ou seja, s\u00e3o questionamentos que almejam a instaura\u00e7\u00e3o de um estado est\u00e1vel. \u201c\u00c9 que, em verdade, n\u00e3o h\u00e1 garantia de posse mais segura do que levar a prov\u00edncia \u00e0 ru\u00edna\u201d (MAQUIAVEL, 2010, p.18), porque sen\u00e3o a prov\u00edncia poder\u00e1 destru\u00ed-lo. D\u00e1-se a entender sobre este pensamento de Maquiavel que se o pr\u00edncipe viver apenas do lado dos fracos, os mais poderosos poder\u00e3o derrot\u00e1-lo, \u00e9 por isso que o pr\u00edncipe deve ter cuidado ao pronunciar, ou at\u00e9 mesmo praticar alguma a\u00e7\u00e3o diante da sociedade, ou seja, ele dever\u00e1 viver bem com ambas as classes. Segundo Maquiavel, \u201c\u00c9 necess\u00e1rio a um pr\u00edncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-ser disso segundo a necessidade\u201d. (ARANHA, MARTINS, 1993, p.203), por isso que o pr\u00edncipe deve estar por dentro de tudo que acontece em seu meio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A pol\u00edtica deveria ser bem vivida por todos, sem nenhuma distin\u00e7\u00e3o, sendo que, aquele que estaria na frente do poder, deveria agir com justi\u00e7a e prud\u00eancia perante os direitos de cada cidad\u00e3o, defender a sua p\u00e1tria com o aux\u00edlio de seus dirigidos e fazer com que o seu governo transmitisse \u00e0 sociedade, maior tranquilidade e seguran\u00e7a poss\u00edvel. Mas nem sempre a pol\u00edtica buscar\u00e1 os direitos de cada cidad\u00e3o, podendo assim, tomarem-se v\u00e1rias decis\u00f5es radicais sem consultar os seus dirigidos, levando assim o seu Estado a grandes progressos ou lev\u00e1-lo ao fracasso. \u201cNas rep\u00fablicas, h\u00e1 mais vida, o \u00f3dio \u00e9 mais poderoso, maior \u00e9 o desejo de vingan\u00e7a\u201d (MAQUIAVEL, 2010, p.18), j\u00e1 que dentro da pol\u00edtica h\u00e1 grandes disputas para ver quem ser\u00e1 o melhor, sendo assim o \u00f3dio e a vingan\u00e7a est\u00e3o presentes na Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Maquiavel, um pr\u00edncipe n\u00e3o deve medir esfor\u00e7os nem hesitar, mesmo que diante da crueldade ou da trapa\u00e7a, se o que estiver em jogo for a integridade nacional e o bem do seu povo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Estou convencido de que \u00e9 melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte \u00e9 mulher e, para domin\u00e1-la, \u00e9 preciso bater-lhe e contrari\u00e1-la. E, \u00e9 geralmente reconhecido que ela se deixa dominar mais por estes do que por aqueles que procedem friamente. A sorte, como mulher, \u00e9 sempre amiga dos jovens, porque s\u00e3o menos circunspectos, mais ferozes e com maior aud\u00e1cia o dominam. (MAQUIAVEL, 2010, p.54)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ele expressa tamb\u00e9m a necessidade de um monarca com pulso firme, que honrasse o seu per\u00edodo de poder, sem escr\u00fapulo e sem medir esfor\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um pr\u00edncipe em seu Estado tem a miss\u00e3o de aconselhar sempre o seu povo, \u201cos bons conselhos, de onde quer que provenham, nascem da prud\u00eancia do Pr\u00edncipe, ao passo que a prud\u00eancia do Pr\u00edncipe n\u00e3o depende dos bons conselhos\u201d (MAQUIAVEL, 2010, p. 52). O pr\u00edncipe dever\u00e1 ter grandes objetivos para o progresso de seu Estado juntamente com o seu povo, por isso ele sempre dever\u00e1 viver junto deles. \u201cUm pr\u00edncipe s\u00e1bio, amando os homens como eles querem e sendo por eles temido como ele quer, deve basear-se sobre o que \u00e9 seu e n\u00e3o sobre o que \u00e9 dos outros\u201d (MAQUIAVEL, 2010, p. 39). Sendo que se o pr\u00edncipe basear sobre o que \u00e9 do outro, ele ser\u00e1 odiado na sociedade. O bom pol\u00edtico nunca deve falar tudo o que pensa, ele deve sim, respeitar e caminhar junto com a tradi\u00e7\u00e3o de cada lugar, cumprir aquilo que ele prometeu, e principalmente saber ouvir o que muitos t\u00eam a dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conclui-se, com isso, que a pol\u00edtica do mundo hodierno, faz lembrar em partes o pensamento maquiav\u00e9lico sobre o exerc\u00edcio do poder. Maquiavel pensava em um governante, que fosse capaz de doar a sua vida completamente para a sociedade, que dedicasse inteiramente a sua vida na pol\u00edtica. No entanto, hoje h\u00e1 uma incongru\u00eancia com seu pensamento, muitos que est\u00e3o no poder procuram manter boa parte da popula\u00e7\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de escravizados, levando em considera\u00e7\u00e3o que grande parte dos projetos governamentais n\u00e3o procuram promover as pessoas, mas sim inseri-las dentro de um assistencialismo. Portanto, a maioria dos modelos pol\u00edticos est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com o que prop\u00f4s Maquiavel, uma vez que a m\u00e1xima estabelecida hoje s\u00e3o os interesses pessoais, gerando \u00f3dio e vingan\u00e7a entre eles e colocando a sociedade ap\u00e1tica a um dos mais nobres exerc\u00edcios de direito dos cidad\u00e3os. Da\u00ed, a necessidade de rever os conceitos pol\u00edticos vigentes, pois para Maquiavel o bom governante que desejava assumir uma Rep\u00fablica, deve ser inteiro no seu exerc\u00edcio, doar-se completamente para a pol\u00edtica, ser justo e paciente com as pessoas, sendo assim, a pol\u00edtica ser\u00e1 bem vivida por todos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ARANHA, Maria L\u00facia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. <em>Filosofando<\/em>: Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Filosofia. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Moderna, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">COTRIM, Gilberto. <em>Fundamentos da filosofia<\/em>: hist\u00f3ria e grandes temas. 15.ed. livro VI. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MAQUIAVEL, Nicolau. <em>O Pr\u00edncipe<\/em>. S\u00e3o Paulo: Folha de S. Paulo, 2010.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Blog\/Maquiavel,%20Vinicius.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> Nasceu do dia 3 de mar\u00e7o em Floren\u00e7a na It\u00e1lia, em uma fam\u00edlia antiga daquela regi\u00e3o. Seus pais preocupavam muito com o seu futuro, por isso desde cedo ele come\u00e7ou os seus estudos, conseguindo ler os cl\u00e1ssicos na juventude. Sua educa\u00e7\u00e3o dada pelos pais, foi fraca por falta de recursos da fam\u00edlia, podendo assim ele ficar prejudicado diante dos pol\u00edticos e magistrados.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a title=\"\" href=\"\/Blog\/Maquiavel,%20Vinicius.docx#_ftnref2\">[2]<\/a> Obra que tem o prop\u00f3sito de tratar da pol\u00edtica tal como ela se d\u00e1, ou seja, sem pretender fazer uma teoria da politica ideal, mas, ao contr\u00e1rio, compreender e esclarecer os princ\u00edpios da pol\u00edtica real.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vin\u00edcius Nepomuceno Marra Nenhum pensamento filos\u00f3fico surge em detrimento do acaso, e sim do contexto em que cada fil\u00f3sofo est\u00e1 inserido. O contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico \u00e9 indispens\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o do pensamento filos\u00f3fico de Nicolau Maquiavel[1]. 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