{"id":1586,"date":"2011-09-01T15:35:51","date_gmt":"2011-09-01T18:35:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1586"},"modified":"2011-09-01T15:35:51","modified_gmt":"2011-09-01T18:35:51","slug":"o-que-e-o-belo-e-o-sublime-para-kant","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1586","title":{"rendered":"O que \u00e9 o belo e o sublime para Kant?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jos\u00e9 Maria Dias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O presente artigo tem como objetivo demonstrar o que \u00e9 o sublime para Kant, o qual muitas vezes \u00e9 confundido com o belo na vis\u00e3o dos indiv\u00edduos. A partir de uma an\u00e1lise do texto kantiano, tentar-se-\u00e1 esclarecer algumas d\u00favidas a respeito dos dois. Com que se relaciona o belo? E o que \u00e9 o sublime para Kant? Qual ser\u00e1 a diferen\u00e7a entre o belo e o sublime? S\u00e3o perguntas que nos levam a refletir sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os ajuizamentos podem estar ligados mais a um prazer do que a um conhecimento do objeto em si, j\u00e1 o belo sempre est\u00e1 relacionado ao objeto sens\u00edvel, enquanto o sublime \u00e9 semelhante \u00e0 raz\u00e3o. \u201cO sublime distingue-se do belo pelo fato de provocar perturba\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas ligadas a uma mistura de dor e prazer\u201d (JIMENEZ, 1999, p. 136).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O belo que vem da natureza tem forma de objeto, e este consiste na limita\u00e7\u00e3o, j\u00e1 o sublime \u00e9 o contr\u00e1rio, ele pode ser encontrado em um objeto que est\u00e1 privado de forma, que implique ou at\u00e9 mesmo provoque a representa\u00e7\u00e3o do ilimitado, que \u00e9 pensado al\u00e9m de sua totalidade, \u201c(&#8230;) de modo que parece que o belo deve ser considerado como exibi\u00e7\u00e3o de um conceito indeterminado do intelecto, e o sublime como exibi\u00e7\u00e3o de um conceito indeterminado da raz\u00e3o\u201d. (REALE; ANTISERI, 2006, p. 424 e 425.)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No primeiro caso o prazer do indiv\u00edduo est\u00e1, portanto, ligado na representa\u00e7\u00e3o da qualidade, ao passo que no segundo est\u00e1 ligado \u00e0 quantidade. Entre os dois tipos de prazer que existem, h\u00e1 uma not\u00e1vel diferen\u00e7a quanto \u00e0 esp\u00e9cie, porque o belo traz implica\u00e7\u00e3o da vida, sendo assim pode ser conciliado com os atrativos e tamb\u00e9m com o jogo da imagina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 o sentimento provocado pelo\u00a0 sublime \u00e9 diferente:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">(&#8230;) \u00e9 um prazer que surge apenas indiretamente, ou seja, \u00e9 produzido pelo sentido de um impedimento moment\u00e2neo, seguido de uma efus\u00e3o mais forte das for\u00e7as vitais e, por isso, enquanto emo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se apresenta de fato como um jogo, mas como algo de s\u00e9rio no emprego da imagina\u00e7\u00e3o. (REALE; ANTISERI, 2006, p. 425).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por esse motivo, o sublime \u00e9 aquilo que causa espanto, admira\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo o medo, pois ele \u00e9 grandioso, diferente e assustador. Ele est\u00e1 presente em cada indiv\u00edduo quando este se depara diante das coisas da natureza que o perturba, j\u00e1 o belo \u00e9 tudo aquilo que se encontra como um objeto, uma obra de arte. \u201cO que prova perfeitamente que o sublime n\u00e3o est\u00e1 no objeto, mas unicamente no esp\u00edrito daquele que julga\u201d (JIMENEZ, 1999, p. 137).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O sublime n\u00e3o \u00e9 capaz de se unir ao atrativo, assim como o esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 simplesmente atra\u00eddo pelo objeto, mas o esp\u00edrito pode ser atra\u00eddo e repelido por ele. J\u00e1 o prazer que vem do sublime n\u00e3o pode ser considerado totalmente uma alegria positiva, porque de certo modo cont\u00e9m maravilha e estima que possa ser chamado de prazer negativo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pelo fato do sublime estar no esp\u00edrito de cada indiv\u00edduo, depende de como este vai julgar aquilo que a natureza o oferece. Porque o sublime est\u00e1 relacionado com a superioridade de tamanho, j\u00e1 o belo traz em si a harmonia, e \u00e9 esta que o torna belo. O sentimento que o sublime provoca \u00e9 um prazer indiretamente, que \u00e9 produzido por um sentimento moment\u00e2neo, que vem das for\u00e7as vitais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que n\u00e3o se pode perder de vista \u00e9 que o sublime, n\u00e3o s\u00f3 si encontra no espirito do ser humano, mas tamb\u00e9m est\u00e1 presente na natureza e a nossa faculdade de ju\u00edzo n\u00e3o pode sair jugando como sublime todo e qualquer objeto que existe na natureza como se fosse sublime.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pois, o verdadeiro sublime n\u00e3o pode estar contido em nenhuma forma sens\u00edvel, mas concerne somente a ideias da raz\u00e3o, que, embora n\u00e3o possibilitem nenhuma representa\u00e7\u00e3o adequada a elas, s\u00e3o avivadas e evocadas ao \u00e2nimo precisamente por essa inadequa\u00e7\u00e3o, que se deixa apresentar sensivelmente. (KANT, 1995, p. 91).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando se refere ao belo, este n\u00e3o est\u00e1 presente dentro de cada indiv\u00edduo, mas sim nos objetos, seja natural ou em obras feitas por m\u00e3os humanas, o belo \u00e9 aquilo que leva o sujeito a encantar, admirar, com aquilo que \u00e9 sens\u00edvel. O sublime n\u00e3o deve ser denominado como objeto em si, mas em uma disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito atrav\u00e9s de certa representa\u00e7\u00e3o que depende da faculdade de ju\u00edzo reflexiva.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Podemos, pois, acrescentar \u00e0s formas precedentes de defini\u00e7\u00e3o do sublime ainda esta: sublime \u00e9 o que somente pelo fato de poder tamb\u00e9m pens\u00e1-lo prova uma faculdade do \u00e2nimo que ultrapassa todo o padr\u00e3o de medida dos sentidos. (KANT, 1995, p. 96).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O sublime est\u00e1 presente na maneira de pensar o que o retrata, pois \u00e9 necess\u00e1ria e provis\u00f3ria a observa\u00e7\u00e3o que cada indiv\u00edduo deve ter, para separar aquelas ideias de sublime de conformidade dos fins da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As experi\u00eancias que o sublime nos traz s\u00e3o mais perturbadoras, j\u00e1 o belo representa-nos apenas a imagem do bem. O sublime nos traz a ideia de infinito e tamb\u00e9m a de liberdade e esta tem que ser total. \u201cO belo est\u00e1 ligado \u00e0 concord\u00e2ncia de nossas faculdades, o sublime a seu conflito. O belo \u00e9 harmonia, o sublime pode ser disforme, informe, ca\u00f3tico. Prazer para um, dor e prazer para o outro.\u201d (JIMENEZ, 1999, p. 144).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, conclui-se que o sublime n\u00e3o se define por si mesmo, pois este n\u00e3o est\u00e1 presente nos objetos sens\u00edveis e sim dentro de cada indiv\u00edduo. O que desperta o sublime em cada indiv\u00edduo? \u00c9 a forma com que se admiram os grandes espet\u00e1culos que a natureza nos oferece e estes s\u00e3o as paisagens, os abismos, rochedos montanhosos sem formas, amontoados de formas ca\u00f3ticas, a imensid\u00e3o do mar etc. Uma das conclus\u00f5es que se pode chegar \u00e9 que \u201co sublime comove, e o belo encanta.\u201d (JIMENES, 1999, p. 135). e que o sublime est\u00e1 presente no sentimento de cada indiv\u00edduo. Vivemos a era da t\u00e9cnica e esta est\u00e1 sempre tomando o tempo dos indiv\u00edduos cada vez mais, os quais aos poucos v\u00e3o esquecendo a beleza que a natureza lhes tem a oferecer. Ser\u00e1 que o mundo da tecnologia em que estamos inseridos nos permite descobrir o sublime que existe em n\u00f3s, quando deparamos com o que a natureza nos tem a oferecer?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">JIMENEZ, Marc. <em>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Fulvia M. L. Moretto. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">KANT, Immnuel. <em>Cr\u00edtica da faculdade do ju\u00edzo<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Val\u00e9rio Rohden e Ant\u00f4nio Marques. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia<\/em>: de Spinoza a Kant. Tradu\u00e7\u00e3o de Ivo Storniolo. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005. v. 4.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Maria Dias O presente artigo tem como objetivo demonstrar o que \u00e9 o sublime para Kant, o qual muitas vezes \u00e9 confundido com o belo na vis\u00e3o dos indiv\u00edduos. A partir de uma an\u00e1lise do texto kantiano, tentar-se-\u00e1 esclarecer algumas d\u00favidas a respeito dos dois. Com que se relaciona o belo? 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