{"id":1600,"date":"2011-09-05T21:17:34","date_gmt":"2011-09-06T00:17:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1600"},"modified":"2011-09-05T21:17:34","modified_gmt":"2011-09-06T00:17:34","slug":"o-conhecimento-em-kant-principios-e-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1600","title":{"rendered":"O conhecimento em Kant: princ\u00edpios e limites"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Luciano de Oliveira Pereira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Immanuel Kant (1724-1804) foi um fil\u00f3sofo inovador, pois em sua \u00e9poca propiciou uma nova vis\u00e3o \u00e0 filosofia, de modo especial \u00e0 metaf\u00edsica, sobretudo porque analisa como se baseia o conhecimento, indo por um caminho estritamente de princ\u00edpios racionais, definindo os princ\u00edpios e os limites da raz\u00e3o. Na concep\u00e7\u00e3o de Kant, \u00e9 preciso que o homem aprenda a filosofar, ou seja, trabalhe o talento da raz\u00e3o fazendo-a seguir princ\u00edpios universais, mas sempre reservando \u00e0 raz\u00e3o o direito de investigar aqueles princ\u00edpios, confirmando-os ou rejeitando-os. Dessa forma, a raz\u00e3o produz filosofia e tamb\u00e9m conduz \u00e0 critica do conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No pensamento kantiano, a filosofia n\u00e3o deve ser c\u00e9tica, isto \u00e9, n\u00e3o deve desacreditar da raz\u00e3o, e nem dogm\u00e1tica, ou seja, confiar totalmente na raz\u00e3o. Kant fez uma s\u00edntese entre o racionalismo de Descartes e o empirismo de Hume. Sua proposta \u00e9 o criticismo, que \u00e9 um modo cr\u00edtico de ver as condi\u00e7\u00f5es da metaf\u00edsica e da moral.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A intelig\u00eancia, ou como Kant prefere chamar, o entendimento, exerce uma assimila\u00e7\u00e3o racional para conhecer, dessa forma a raz\u00e3o \u00e9 ativa e n\u00e3o apenas receptiva, n\u00e3o apenas diz sobre a realidade, mas a raz\u00e3o possui estruturas que ordenam os conhecimentos, de modo que eles se tornem intelig\u00edveis e tenham significados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Kant mostra que \u201ctodo o conhecimento se inicia com a experi\u00eancia, isso n\u00e3o prova que todo ele derive da experi\u00eancia\u201d (KANT, 1997, p.36), ou seja, para conhecer \u00e9 preciso tanto a raz\u00e3o com seus instrumentos, como a experi\u00eancia com os fatos da realidade emp\u00edrica. Na geometria temos como saber <em>a priori<\/em> que a soma dos \u00e2ngulos internos de um tri\u00e2ngulo \u00e9 sempre cento e oitenta graus, \u00e9 um tipo de conhecimento que n\u00e3o depende da experi\u00eancia com os fatos; pois eles se formam atrav\u00e9s de um conhecimento baseado na demonstra\u00e7\u00e3o. Quanto ao conhecimento cient\u00edfico, este n\u00e3o nos dar certeza, porque n\u00e3o importa quantos casos tenham ocorridos no passado, isso n\u00e3o nos prova que continuar\u00e1 ocorrendo. Por exemplo, por mais que o sol tenha nascido por milhares e milhares de dias, nada nos afirma que este fato ira ocorrer no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A causalidade para Kant n\u00e3o est\u00e1 nos fen\u00f4menos que se pode observar pela experi\u00eancia, mas sim no entendimento que analisa os fen\u00f4menos. O princ\u00edpio da causalidade \u00e9 um produto da raz\u00e3o, assim \u00e9 conhecido <em>a priori,<\/em> pois n\u00e3o depende desta ou daquela experi\u00eancia, mas se verifica absoluta independ\u00eancia de toda e qualquer experi\u00eancia, ou seja, o princ\u00edpio de causalidade n\u00e3o deve ter por base os fatos dogm\u00e1ticos. Dessa forma vemos que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chegar \u00e0 verdade permanente em fen\u00f4menos que est\u00e3o sujeitos a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A distin\u00e7\u00e3o entre conhecimento sint\u00e9tico e conhecimento anal\u00edtico, \u00e9 que aquele \u00e9 baseado na experi\u00eancia, e este reconhece a verdade sem a necessidade de uma prova emp\u00edrica. Quando uma pessoa nos diz \u201choje o tempo est\u00e1 bom\u201d, ela diz sobre o tempo tendo como ponto de partida a observa\u00e7\u00e3o ou experi\u00eancias. Isto \u00e9 conhecimento sint\u00e9tico, e tamb\u00e9m <em>a posteriori<\/em>, pois h\u00e1 necessidade da experi\u00eancia e a possibilidade do conhecimento evoluir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com a l\u00f3gica traz a possibilidade do conhecimento anal\u00edtico, que \u00e9 absolutamente verdadeiro, por exemplo, \u201ctodo tri\u00e2ngulo \u00e9 uma figura de tr\u00eas lados\u201d. O conhecimento desse modo, mesmo sendo verdadeiro, n\u00e3o cria nada de novo, sobre o que j\u00e1 sabemos sobre o tri\u00e2ngulo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conforme Kant observa, o conhecimento <em>a posteriori<\/em> faz evoluir o conhecimento sint\u00e9tico, e os conhecimentos anal\u00edticos nos d\u00e3o \u00e0 verdade, ele cria um terceiro tipo de conhecimento, que \u00e9 o conhecimento sint\u00e9tico a priori, pois este vem da experi\u00eancia e \u00e9 racional. Como podemos perceber na lei da f\u00edsica, quando fala que \u201cos corpos se atraem na raz\u00e3o direta de suas massas, e na raz\u00e3o inversa do quadrado da dist\u00e2ncia entre eles\u201d (CASTRO, 2008, p.77), esta lei demonstra a realidade f\u00edsica, tendo a necessidade que essa lei seja confi\u00e1vel no futuro. Tem o principio da causalidade como ferramenta, e assim o princ\u00edpio <em>a priori<\/em> \u00e9 totalmente instrumento da raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os princ\u00edpios da raz\u00e3o \u00e9 que nos auxiliam no conhecimento. Por exemplo, \u201ca rela\u00e7\u00e3o causal entre o aquecimento do metal e a sua dilata\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 pronta, n\u00e3o est\u00e1 dada na realidade. Tomemos uma barra de ferro e uma fonte de calor, e algu\u00e9m que p\u00f5e a barra de metal no fogo, etc\u201d (CASTRO, 2008, p.77). H\u00e1 os atributos na dilata\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o metal, a fonte de calor e dilata\u00e7\u00e3o, mas o racioc\u00ednio n\u00e3o se encontra neles, pois \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o que torna poss\u00edvel que o objeto seja conhecido e n\u00e3o o inverso. Dessa forma vemos que as experi\u00eancias n\u00e3o apresentam verdadeiramente a realidade, e sim o entendimento com suas estruturas <em>a priori<\/em>, juntamente com os dados sens\u00edveis. Ent\u00e3o,\u00a0\u201co entendimento \u00e9 a faculdade das cogni\u00e7\u00f5es. Estas consistem numa rela\u00e7\u00e3o definida de dadas representa\u00e7\u00f5es a um objeto; e um objeto \u00e9 aquilo a que se liga a multiplicidade de uma dada intui\u00e7\u00e3o\u201d (BENDA, 1967, p.65).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o existe experi\u00eancia que esteja fora do tempo e do espa\u00e7o, \u201ctodavia \u00e9 assim que o espa\u00e7o \u00e9 pensado (pois todas as partes do tempo existem simultaneamente no infinito)\u201d (KANT, 1997, p.66), sendo que o \u201ctempo \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria que constitui o fundamento de todas as intui\u00e7\u00f5es\u201d (KANT, 1997, p.70). Tempo e espa\u00e7o fazem parte da experi\u00eancia e da observa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, quando um cientista faz experi\u00eancias ou pesquisas com ratos no laborat\u00f3rio, a experi\u00eancia acontece em um espa\u00e7o que \u00e9 gaiolas, em um tempo, a dura\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia. Para alcan\u00e7ar o conhecimento dos fen\u00f4menos da realidade para si, a raz\u00e3o tem como meio o tempo e o espa\u00e7o, e os \u201c\u00f3culos\u201d da realidade, da possibilidade, da causalidade, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, s\u00f3 podemos conhecer os fen\u00f4menos, ou seja, o que \u00e9 visto atrav\u00e9s da forma da raz\u00e3o, e n\u00e3o a realidade em si mesma (o n\u00fameno). Ent\u00e3o, os elementos da metaf\u00edsica, como alma e Deus, n\u00e3o podem ser conhecidos, pois est\u00e3o fora do tempo e do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>BENDA, Julien. <em>O pensamento vivo de Kant<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Wilson Veloso. S\u00e3o Paulo: Martins, 1967.<\/p>\n<p>CASTRO, Susana de. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2008.<\/p>\n<p>KANT, Immauel. <em>Cr\u00edtica da raz\u00e3o pura<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Manuela Pinto dos Santos. 4. ed. Lisboa: Colouste Gulbenkian, 1997.<\/p>\n<p>PASCAL, Georges. <em>O pensamento de Kant<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Raimundo Vier. Petr\u00f3polis: Vozes, 1992.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciano de Oliveira Pereira Immanuel Kant (1724-1804) foi um fil\u00f3sofo inovador, pois em sua \u00e9poca propiciou uma nova vis\u00e3o \u00e0 filosofia, de modo especial \u00e0 metaf\u00edsica, sobretudo porque analisa como se baseia o conhecimento, indo por um caminho estritamente de princ\u00edpios racionais, definindo os princ\u00edpios e os limites da raz\u00e3o. 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