{"id":1829,"date":"2011-10-14T11:38:54","date_gmt":"2011-10-14T14:38:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1829"},"modified":"2011-10-14T11:38:54","modified_gmt":"2011-10-14T14:38:54","slug":"a-alienacao-pela-economia-em-marx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1829","title":{"rendered":"A aliena\u00e7\u00e3o pela economia em Marx"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Lucas Germano de Azevedo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">No mundo hodierno \u00e9 comum nos vermos imersos aos modismos, ideologias e at\u00e9 mesmo nos encontrarmos em estado alienado<a title=\"\" href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Encontramos no fil\u00f3sofo e economista Karl Marx (1818-1883), uma abordagem sobre o assunto, pois j\u00e1 em sua \u00e9poca nos descrevia situa\u00e7\u00f5es similares \u00e0s contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando dizemos sobre a aliena\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> geralmente n\u00e3o aceitamos que n\u00f3s tamb\u00e9m fazemos parte da por\u00e7\u00e3o de pessoas alienadas. Marx diz que o sistema econ\u00f4mico \u00e9 quem gera todo tipo de aliena\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o uma vez que estamos ligados ao sistema econ\u00f4mico fazemos parte das pessoas alienadas. O sistema econ\u00f4mico em vigor hoje \u00e9 o capitalismo, \u00e9 o capital que est\u00e1 movendo as a\u00e7\u00f5es do mundo de hoje. \u00c9 o querer comprar e o querer vender que est\u00e1 cada vez mais facilitando esse sistema. Assim, o presente artigo quer problematizar como est\u00e1 nossa maneira de agir ante o sistema econ\u00f4mico que nos rege, o capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Padre Vaz, comentando Marx, diz que o homem \u00e9 por necessidade um ser que tem que trabalhar, um ser dependente de sua produ\u00e7\u00e3o, um ser que depende de seu cansa\u00e7o, de seu esfor\u00e7o para se satisfazer.<\/p>\n<blockquote><p>Para Marx a especificidade do homem se destaca sobre o fundo das caracter\u00edsticas que ele tem em comum com os animais. Seja o homem, seja o animal se definem pelo tipo de rela\u00e7\u00e3o que os une \u00e0 natureza, isto \u00e9, pela forma como vivem sua vida. Ora, enquanto o animal \u00e9 sua pr\u00f3pria vida, ao homem cabe produzir a sua (VAZ, 2010, p.119,).<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A natureza do homem o implica a ser um ser que produz, um ser que realiza para que sua vida aconte\u00e7a. Os homens, diferente dos animais, se agregam em comunidades para que haja uma facilita\u00e7\u00e3o no seu viver, mas isso os torna dependentes uns dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na comunidade a estrutura econ\u00f4mica, tamb\u00e9m chamada de infraestrutura, \u00e9 quem determina a superestrutura. \u201cPor superestruturas Marx entende as Institui\u00e7\u00f5es (Estado, Igreja, fam\u00edlia escola, etc.)\u201d (NOGARE, 1990, p.95). As grandes estruturas \u00e9 que s\u00e3o as mantenedoras do capitalismo, pois a cultura do comprar est\u00e1 cada vez mais comum entre n\u00f3s. O consumismo assegura o capitalismo, tornando mais f\u00e1cil a compra, a venda, a comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando o poder de compra \u00e9 facilitado, percebemos o quanto os indiv\u00edduos se sentem bem, ou pelo menos aparentam estar bem, pois est\u00e1 cada dia mais f\u00e1cil comprar, h\u00e1 aumento de cr\u00e9dito, agilidade nos financiamentos e um crescente n\u00famero de cart\u00f5es de credito que d\u00e3o seguran\u00e7a ao credor, fazendo-o vender cada vez mais. Isso mostra como o capital est\u00e1 inserido na vida das pessoas e como elas respondem a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sobre a aliena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, Marx diz que<\/p>\n<blockquote><p>ela \u00e9 a base e a determinante de todas as outras aliena\u00e7\u00f5es e se funda na propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Portanto, abolir a propriedade privada \u00e9 abolir a aliena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e consequentemente toda forma de aliena\u00e7\u00e3o (NOGARE, 1990, p.94).<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que percebemos nos dias atuais \u00e9 o contraste entre os grandes empres\u00e1rios e os trabalhadores. Como nos mostra a cita\u00e7\u00e3o acima, o que gera a aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 a propriedade privada, pois o ganho \u00e9 apenas de um, ou de um grupo especifico, mas hoje com a facilidade de comprar, os trabalhadores adquirem os produtos que fazem e com isso acrescentam a fortuna dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O centro da aliena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, evidentemente, \u00e9 o dinheiro, o capital. E sobre o capital Marx acresce:<\/p>\n<blockquote><p>A transforma\u00e7\u00e3o de uma soma de dinheiro em meios de produ\u00e7\u00e3o e for\u00e7a de trabalho \u00e9 o primeiro movimento pelo qual passa um quantum de valor que deve funcionar como capital. Ela tem lugar no mercado, na esfera de circula\u00e7\u00e3o. A segunda fase do movimento, o processo de produ\u00e7\u00e3o, est\u00e1 encerrada t\u00e3o logo os meios de produ\u00e7\u00e3o estejam transformados em mercadorias cujo valor supera o valor de seus componentes, portanto, que contenha o capital originalmente adiantado mais uma mais-valia. Essas mercadorias a seguir t\u00eam de ser lan\u00e7adas de novo \u00e0 esfera da circula\u00e7\u00e3o. Trata-se de vend\u00ea-las, realizar seu valor em dinheiro, transformar esse dinheiro novamente em capital, e assim sempre de novo. Esse ciclo, que percorre sempre as mesmas fases sucessivas, constitui a circula\u00e7\u00e3o do capital. (MARX, 1984, p.151)<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O percurso do capital \u00e9 que move as bases da economia e, como sabemos, ela \u00e9 a causa de todos os sintomas de aliena\u00e7\u00e3o. \u201cO pr\u00f3prio capital n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o \u2018propriedade privada dos produtos do trabalho de outrem\u2019\u201d (MARX apud ROVIGHI, 1999, p.85). O capital \u00e9 quem d\u00e1 o poder de compra, faz parecer que as pessoas se sentem melhores, mas ficar muito preso ao material pode fazer a pessoa se esquecer dela mesma e das verdadeiras rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como vimos, Marx aponta o fim da propriedade privada como a sa\u00edda da aliena\u00e7\u00e3o, mas \u201cos marxistas, de hoje, por\u00e9m, se perguntam se a tese da propriedade privada como fonte de toda a aliena\u00e7\u00e3o, \u00e9, no presente, realidade\u201d (NOGARE, 1990, p.95). Ent\u00e3o ser\u00e1 que o fim do capitalismo nos livraria da aliena\u00e7\u00e3o? Na \u00e9poca de Marx os trabalhadores n\u00e3o consumiam os muitos produtos que fabricavam, e tinha-se a ideia de aliena\u00e7\u00e3o, mas hoje a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 diferente, pois os empregados t\u00eam in\u00fameras facilidades de cr\u00e9dito, o que os possibilitam a comprar os produtos fabricados por eles, mas ser\u00e1 que isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9\u00a0 uma forma de aliena\u00e7\u00e3o? O empregador que facilita a venda de seus produtos quer que mais pessoas comprem, e dentre essas pessoas est\u00e3o seus empregados, o que evidencia uma forma de aliena\u00e7\u00e3o, pois o empregado ver\u00e1 voltar ao empregador parte do sal\u00e1rio que recebera por seu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Parece-nos que sempre haver\u00e1 uma forma de os indiv\u00edduos ficarem alienados por causa do fator econ\u00f4mico. Vale nos perguntarmos: o que fazer para acabar com a aliena\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MARX, Karl. <em>O capital<\/em>: cr\u00edtica da economia politica. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1984. (Volume I)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">NOGARE, Pedro Dalle. <em>Humanismo e anti-humanismo<\/em>: introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 antropologia filos\u00f3fica. 12\u00baed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ROVIGHI, Sofia Vanni. <em>Hist\u00f3ria da filosofia contempor\u00e2nea:<\/em> do s\u00e9culo XIX \u00e0 neoescol\u00e1stica. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">VAZ, Henrique C. de Lima. <em>Antropologia filos\u00f3fica<\/em>. 10\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2010. (Volume I)<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Do verbo alienar: 1. Transferir para outrem o dom\u00ednio de; alhear. 2. Desviar, afastar. 3. Alucinar, perturbar. 4. Manter-se alheio aos acontecimentos. Cf. Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> O termo aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 de largo uso na filosofia marxista e reveste significa\u00e7\u00f5es diversas, embora fundamentalmente todas elas possam reconduzir-se ao sentido etimol\u00f3gico (NOGARE, 1990, p.93)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Germano de Azevedo No mundo hodierno \u00e9 comum nos vermos imersos aos modismos, ideologias e at\u00e9 mesmo nos encontrarmos em estado alienado[1]. 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