{"id":1842,"date":"2011-10-17T20:00:00","date_gmt":"2011-10-17T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1842"},"modified":"2011-10-17T20:00:00","modified_gmt":"2011-10-17T23:00:00","slug":"a-consciencia-de-si-na-dialetica-do-senhor-e-do-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1842","title":{"rendered":"A consci\u00eancia-de-si na dial\u00e9tica do senhor e do escravo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Luciano de Oliveira Pereira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">A dial\u00e9tica do senhor e do escravo, a qual abordaremos neste artigo, se encontra na obra <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>, de G. W. Friedrich Hegel (1770 \u2013 1831). Nosso objetivo aqui \u00e9 mostrar como a consci\u00eancia-de-si se relaciona com os termos para-si, em-si, outro, vida etc., situando esses termos na dial\u00e9tica do senhor e do escravo para melhor compreend\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como consci\u00eancia-de-si podemos entende um voltar-se saindo do ser percebido e sentir como algo observado, sendo um reflexo da consci\u00eancia sobre si. Na consci\u00eancia-de-si h\u00e1 um desejo, que \u00e9 o de buscar o outro, e dessa forma para ser acaba aniquilando o outro, envolvendo-o em sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0O para-si podemos entender como uma consci\u00eancia-de-si. Quando dizemos que h\u00e1 seres independentes, \u00e9 o mesmo que dizer que s\u00e3o para-si; entendendo para-si como retorno \u00e0 unidade e a unidade como algo que est\u00e1 no interior de cada ser finito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando observamos a vida, ela nos mostra o outro que \u00e9 diferente dela, entendido como consci\u00eancia, pois na vida h\u00e1 esta unidade para-si. Ao chegar no objeto, que \u00e9 abstrato compreendido como um Eu puro, n\u00e3o podemos entender o Eu da consci\u00eancia como objeto para ela, e sim o outro, porque s\u00e3o consci\u00eancia o Eu e o objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, a consci\u00eancia-de-si \u00e9 para-si, e o em-si \u00e9 uma consci\u00eancia que est\u00e1 intr\u00ednseca no indiv\u00edduo. Por exemplo, \u201cUm beb\u00ea \u00e9 racional em si, mas n\u00e3o para si, porquanto n\u00e3o tem consci\u00eancia de que \u00e9 racional; um escravo \u00e9, como um homem, livre em si mesmo, mas pode n\u00e3o ser livre para si mesmo\u201d (INWOOD, 1997, p.111).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A consci\u00eancia-de-si \u00e9 simples e igual a si mesma. Com Hegel podemos ver a consci\u00eancia-de-si como algo que \u00e9 para-si e para o outro, dando uma ideia de duplica\u00e7\u00e3o em alguns momentos da consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Observando a consci\u00eancia-de-si, podemos ver que h\u00e1 outra consci\u00eancia-de-si que vem do exterior, e d\u00e1 o significado ao sentido duplo que \u00e9 o de perder e o de suprassumir o outro. Esse suprassumir o outro, devemos compreender como adquirir a ess\u00eancia de algo e o absorver para-si, tornando-se a mesma ess\u00eancia do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A consci\u00eancia-de-si retorna a si, deixando o outro livre ao atra\u00ed-lo para-si, tendo a necessidade de um agir duplo, que \u00e9 ao mesmo tempo separado. Existe uma ordem na qual a consci\u00eancia-de-si \u00e9 o meio termo, e as duas extremidades que o acompanham s\u00e3o a consci\u00eancia e a consci\u00eancia-de-si-objeto. Segundo Hegel os extremos s\u00f3 veem no outro aquilo que \u00e9 comum a si.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 de forma negativa que surge primeiro a consci\u00eancia-de-si, sendo com outro negativo, e quando o outro fica positivo, aparecem dois indiv\u00edduos que s\u00e3o o outro e o si, originando uma luta entre duas consci\u00eancias-de-si. O combate \u00e9 de vida ou morte e d\u00e1 entre consci\u00eancia e n\u00e3o-consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na dial\u00e9tica<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Hegel,%20Luciano.docx#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> do senhor e do escravo, o senhor aparece como a vida e o escravo como um ser para o outro, sendo comparado a uma coisa. O senhor \u00e9 visto como para-si, enquanto o escravo \u00e9 a ponte entre o senhor e o objeto de seu querer, sendo o escravo uma coisa de seu senhor. \u201c[&#8230;] o que o escravo faz \u00e9 justamente o agir do senhor, para o qual somente \u00e9 o ser-para-si, a ess\u00eancia: ele \u00e9 a pura pot\u00eancia negativa para a qual a coisa \u00e9 nada, e \u00e9 tamb\u00e9m o puro agir essencial nessa rela\u00e7\u00e3o\u201d (HEGEL, 1992, p.131).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No agir do escravo n\u00e3o existe ess\u00eancia, pois se trata de pura nega\u00e7\u00e3o, porque o senhor n\u00e3o reconhece seu escravo, \u00e9 s\u00f3 o escravo que reconhece o seu senhor. Este \u00e9 consci\u00eancia-de-si independente, enquanto o escravo \u00e9 a consci\u00eancia reprimida para dentro si. \u201cCada consci\u00eancia-de-si quer provar que \u00e9 aut\u00eantica consci\u00eancia-de-si, no desapego da vida corporal. Uma abdica para conservar a vida: o escravo. A outra emerge como aut\u00eantico ser-para-si: o Senhor\u201d (MENEZES, 1985, p.55).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o senhor que domina seu servo n\u00e3o se pode dizer livre, pois \u201c[&#8230;] acaba escravo, porque, acostumado a ser servido, nada sabe fazer. Ele n\u00e3o pode se realizar como autoconsciente porque necessita do outro [&#8230;]\u201d (CASTRO, 2008, p.92). Na concep\u00e7\u00e3o de homem hegeliana pode se dizer que se procura relacionar o homem com os diversos n\u00edveis da realidade, sem dar eleva\u00e7\u00e3o a um n\u00edvel, pois o ser humano \u00e9 um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O servo atrav\u00e9s de seu trabalho v\u00ea-se contr\u00e1rio ao senhor, pois no trabalho o escravo alcan\u00e7a a consci\u00eancia-de-si, dando um sentido a si mesmo. Dessa forma vemos que o processo dial\u00e9tico de Hegel \u00e9 um modo de explicar o movimento e a mudan\u00e7a tanto no mundo quanto em nosso pensamento, dando-nos uma imagem da constitui\u00e7\u00e3o de nossa consci\u00eancia, pois o processo de submiss\u00e3o degrada tanto quem \u00e9 submetido, como tamb\u00e9m o quem o submete.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste momento o escravo \u00e9 livre em-si, mas para-si ou em sua autoconsci\u00eancia ainda est\u00e1 preso, ele precisa buscar a raz\u00e3o para que o ajude a libertar-se, porque \u00e9 por meio dela que vai legislar e criticar o seu estado atual; somente em pessoas livres \u00e9 que a raz\u00e3o ser\u00e1 concretizada, encontrando seu caminho e sua completa realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A liberdade efetiva de um indiv\u00edduo consiste nele pessoalmente obtendo dos seus interesses um completo reconhecimento e seus direitos atendidos, tendo uma consci\u00eancia-de-si, mas n\u00e3o se esquecendo de que faz parte de um ambiente universal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A inten\u00e7\u00e3o de Hegel com o exemplo do senhor e do escravo \u00e9 conduzir a consci\u00eancia a um saber absoluto, com o qual o homem encontra seu fundamento \u00faltimo e tem consci\u00eancia-de-si.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0CASTRO, Susana de<em>. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia.\u00a0<\/em>Petr\u00f3polis: Vozes, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HEGEL, G.W.F. <em>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Meneses com colabora\u00e7\u00e3o de Karl-Heinz Efken. 2. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">INWOOD, Michael. <em>Dicion\u00e1rio Hegel<\/em>.<em> <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MENESES, Paulo. <em>Para ler a Fenomenologia do Espirito<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1985.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Hegel,%20Luciano.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> \u201cPara Hegel, a dial\u00e9tica n\u00e3o envolve um di\u00e1logo entre dois pensadores ou entre um pensador e o seu objeto de estudo. \u00c9 concebida como a autocr\u00edtica aut\u00f4noma e o autodesenvolvimento do objeto de estudo, de, por exemplo, uma forma de consci\u00eancia ou um conceito\u201d (INWOOD, 1997, p.99).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciano de Oliveira Pereira A dial\u00e9tica do senhor e do escravo, a qual abordaremos neste artigo, se encontra na obra Fenomenologia do Esp\u00edrito, de G. W. Friedrich Hegel (1770 \u2013 1831). 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