{"id":1975,"date":"2011-11-12T17:16:32","date_gmt":"2011-11-12T20:16:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1975"},"modified":"2011-11-12T17:16:32","modified_gmt":"2011-11-12T20:16:32","slug":"as-paixoes-humanas-na-perspectiva-cartesiana-e-pascaliana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1975","title":{"rendered":"As paix\u00f5es humanas na perspectiva cartesiana e pascaliana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Rosemar Marcos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Thiago Andrade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste ensaio pretendemos visualizar de uma maneira ampla os pensamentos de dois fil\u00f3sofos modernos a respeito de um mesmo termo, que \u00e9 a paix\u00e3o (emo\u00e7\u00e3o). Trabalharemos aqui de forma sucinta os pensamentos de Descartes e Pascal, dois fil\u00f3sofos que tratam as paix\u00f5es, por\u00e9m de perspectivas diferentes. Ao final tentaremos demonstrar em que ponto ambos convergem ou divergem em suas abordagens.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tal trabalho est\u00e1 dividido em tr\u00eas pontos, o primeiro apresentando a perspectiva cartesiana, o segundo a pascaliana e no \u00faltimo nossa tentativa de an\u00e1lise. Lembramos que para uma melhor compreens\u00e3o se faz necess\u00e1rio um conhecimento pr\u00e9vio m\u00ednimo dos conceitos utilizados pelos fil\u00f3sofos aqui trabalhados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1. A compreens\u00e3o cartesiana das paix\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ren\u00e9 Descartes nasceu em mar\u00e7o de 1596 em La Haye<strong> <\/strong>na Fran\u00e7a e morreu em fevereiro de 1650. Recebeu educa\u00e7\u00e3o de sua av\u00f3 materna, pelo falecimento precoce de sua m\u00e3e. Recebeu forma\u00e7\u00e3o intelectual no <em>Coll\u00e8ge Royal de la Fl\u00e8che <\/em>\u00a0que era dirigido pelos jesu\u00edtas. Aprendeu gram\u00e1tica e destacou-se nos estudos das l\u00ednguas latim e grego. A filosofia por ele adotada teve a divis\u00e3o tradicional: f\u00edsica e matem\u00e1tica, l\u00f3gica, metaf\u00edsica e moral. Juntamente com a filosofia, ele decidiu estudar matem\u00e1tica isso contribui para que no futuro ele se valesse de certo rigor matem\u00e1tico em suas reflex\u00f5es filos\u00f3ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em sua filosofia dual\u00edstica (corpo e alma) nos apresenta uma contribui\u00e7\u00e3o muito pertinente para a compreens\u00e3o do conceito de paix\u00e3o. Segundo ele, as paix\u00f5es dependem de uma estrita rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma. Nesse sentido, para Descartes, podemos denominar paix\u00e3o aos sentimentos que s\u00e3o experimentados pela alma sem o seu consentimento, como por exemplo, amor, raiva, dor, etc., mas que s\u00e3o gerados por um movimento do corpo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desta maneira, segundo Descartes, \u201cpaix\u00e3o\u201d \u00e9 um termo que abarca uma experi\u00eancia de intera\u00e7\u00e3o psicof\u00edsica do sujeito, ou seja, diz respeito a uma rela\u00e7\u00e3o da mente com o corpo. Portanto, as paix\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o modalidades exclusivas do corpo ou da alma, mas do composto, da experi\u00eancia da uni\u00e3o destes. Elas est\u00e3o na alma, como percep\u00e7\u00f5es; por\u00e9m, de uma forma tal que n\u00e3o se envolvem apenas com a <em>res cogitans<\/em>, mas tamb\u00e9m com uma parcela da <em>res extensa<\/em>. Est\u00e3o, desta maneira, como que \u201catravessadas\u201d entre as duas subst\u00e2ncias, causadas por uma, mas sentidas na outra. N\u00e3o podem ser enquadradas como puramente espirituais, pois se relacionam com o corpo, e tampouco podem ser consideradas como movimentos corporais, j\u00e1 que s\u00e3o percep\u00e7\u00f5es da alma, e \u00e9 nela que primeiramente se manifestam. Causadas pelo corpo, mas sentidas no esp\u00edrito, n\u00e3o podem ser classificadas como puramente mentais ou puramente f\u00edsicas. (PINHEIRO, 2005)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas para melhor compreendermos tal compreens\u00e3o das paix\u00f5es faz-se necess\u00e1rio uma explana\u00e7\u00e3o mais aprofundada no sentido dual\u00edstico de sua filosofia. Na doutrina dual\u00edstica de Descartes, o ser humano \u00e9 constitu\u00eddo pela alma ou coisa pensante (<em>res cogitans)<\/em> e pelo corpo ou coisa extensa (<em>res extensa<\/em>). Segundo essa doutrina, h\u00e1 uma independ\u00eancia e distin\u00e7\u00e3o entre corpo e alma. Como afirma Pinheiro (2005), \u201csegundo o sistema cartesiano, corpo e alma s\u00e3o distintos porque assim os concebemos. Para Descartes, o verdadeiro \u00e9 aquilo que \u00e9 evidente para o esp\u00edrito, aquilo que \u00e9 intu\u00edvel com clareza e distin\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Embora haja tal independ\u00eancia e distin\u00e7\u00e3o, percebemos uma intensa rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma, pois interagem em um mesmo indiv\u00edduo. Em todo ser humano est\u00e1 a todo o momento a dimens\u00e3o corporal e a mental. Como bem enfatiza Descartes (1988a, p. 68) \u201cn\u00e3o estou alojado em meu corpo, assim como um piloto em seu navio, mas, al\u00e9m disso, lhe sou estreitamente conjunto e t\u00e3o confundido e misturado que componho como que um \u00fanico todo com ele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Contudo, para defender a distin\u00e7\u00e3o e a uni\u00e3o do corpo e da alma que nos parece inconcili\u00e1vel Descartes apresenta o conceito de uni\u00e3o substancial que pode ser entendido como uma concilia\u00e7\u00e3o de coisas que n\u00e3o podem ser conciliadas o que provoca depois a contradi\u00e7\u00e3o cartesiana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Da mesma forma que encontramos dificuldades na compreens\u00e3o da uni\u00e3o substancial encontraremos tamb\u00e9m na compreens\u00e3o das paix\u00f5es, uma vez que elas nascem da intera\u00e7\u00e3o do corpo e da alma. \u201cElas s\u00e3o o tipo de experi\u00eancia que n\u00e3o acontece separadamente na mente ou no corpo. Pressup\u00f5em, portanto, a uni\u00e3o entre esp\u00edrito e mat\u00e9ria, a qual transfere sua dificuldade de compreens\u00e3o e obscuridade para a concep\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es\u201d (Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Descartes, em sua obra <em>As paix\u00f5es da alma<\/em> conceitua paix\u00f5es como: \u201cpercep\u00e7\u00f5es, ou sentimentos, ou emo\u00e7\u00f5es da alma, que relacionamos especificamente com ela e que s\u00e3o causadas, alimentadas e fortalecidas por algum movimento dos esp\u00edritos\u201d (1998, p. 47). Nisso, percebemos que para que as paix\u00f5es existam \u00e9 necess\u00e1rio que algo exterior as provoquem na alma, no caso os esp\u00edritos. Tais esp\u00edritos, de modo geral, podem ser compreendidos como part\u00edculas f\u00edsicas que ocasionam movimentos no corpo provocando as paix\u00f5es na alma.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, para que uma paix\u00e3o se manifeste, \u00e9 preciso que o corpo provoque algo na alma, bem como \u00e9 necess\u00e1rio que o esp\u00edrito perceba, sinta que foi atingido. Sensa\u00e7\u00f5es como o frio e o calor, apetites como a fome e a sede, sentimentos como o amor e o \u00f3dio s\u00e3o considerados paix\u00f5es para o cartesianismo, visto que n\u00e3o podem acontecer sem um corpo, ou algo diferente da mente, e um esp\u00edrito que tenha consci\u00eancia desta experi\u00eancia. Desta forma, \u00e9 v\u00e1lido salientar que a paix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma afec\u00e7\u00e3o do corpo, uma experi\u00eancia f\u00edsica ou fisiol\u00f3gica. \u00c9 um acontecimento que se passa no esp\u00edrito, \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o, e, como toda percep\u00e7\u00e3o, ela acontece na alma e n\u00e3o no corpo. (PINHEIRO, 2005)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para que possamos assimilar o conceito de paix\u00e3o em Ren\u00e9 Descartes, outro aspecto que devemos firmar \u00e9 a quest\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o e da clareza. Pelo ponto de vista experimental, conseguimos ter clareza das paix\u00f5es sentidas, tais como frio, dor, calor, amor, \u00f3dio mas do ponto de vista da raz\u00e3o, essa quest\u00e3o se apresenta de maneira mais complexa. Como afirma Pinheiro (2005), \u201cContudo, embora a paix\u00e3o pare\u00e7a ser \u00f3bvia do ponto de vista da experi\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 do ponto de vista da raz\u00e3o. Acreditamos que h\u00e1 paix\u00f5es, mas esta cren\u00e7a \u00e9 t\u00e3o-somente uma convic\u00e7\u00e3o subjetiva, baseada numa constata\u00e7\u00e3o factual. Disso n\u00e3o se segue uma necessidade l\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Outra caracter\u00edstica das paix\u00f5es no cartesianismo \u00e9 que ainda que elas n\u00e3o tenham uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, s\u00e3o reais pelo fato de ser experimentadas e disso ningu\u00e9m duvidar. Est\u00e3o elas t\u00e3o ligadas \u00e0 percep\u00e7\u00e3o humana que n\u00e3o podem ser negadas enquanto forem sentidas. S\u00e3o assim indubit\u00e1veis por que s\u00e3o percept\u00edveis.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] n\u00e3o podemos ser enganados quanto \u00e0s paix\u00f5es, porque elas s\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximas e t\u00e3o interiores \u00e0 nossa alma que \u00e9 imposs\u00edvel que esta as sinta sem que sejam realmente tais como as sente. Assim, freq\u00fcentemente quando dormimos, e mesmo \u00e0s vezes estando acordados, imaginamos certas coisas t\u00e3o fortemente que acreditamos v\u00ea-las diante de n\u00f3s, ou senti-las em nosso corpo, embora n\u00e3o estejam ali; mas, ainda que estejamos dormindo e que sonhemos, n\u00e3o poder\u00edamos sentir-nos tristes ou abalados por alguma outra paix\u00e3o se n\u00e3o for muito verdade que a alma tem em si essa paix\u00e3o (Descartes 1998, p. 46 <em>apud <\/em>PINHEIRO, 2005).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, na perspectiva cartesiana, as paix\u00f5es tomadas pelo ponto de vista racional podem at\u00e9 ser pass\u00edveis de obscuridade, mas quando tomadas pela experi\u00eancia, pela sensibilidade elas se tornam irrecus\u00e1veis. N\u00e3o s\u00e3o percep\u00e7\u00f5es excludentes. A raz\u00e3o n\u00e3o anula as paix\u00f5es experimentadas pelos sentidos e nem os sentidos desacreditam nas paix\u00f5es devido \u00e0 aus\u00eancia de clareza do ponto de vista racional. O fato \u00e9 que as paix\u00f5es n\u00e3o devem ser negadas enquanto sentidas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2. As paix\u00f5es na perspectiva pascaliana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Blaise Pascal nasceu a 19 de Junho de 1623, em Clermont-Ferrand na Fran\u00e7a, filho de \u00c9tienne Pascal e Antoniette Bejon. Desde cedo Pascal teve uma curiosidade sobre os &#8220;estranhos&#8221; assuntos. A partir de 1647, Pascal, dedicou todos os seus esfor\u00e7os \u00e0 aritm\u00e9tica, desenvolvendo c\u00e1lculos de probabilidade, a f\u00f3rmula de geometria do acaso, o conhecido Tri\u00e2ngulo de Pascal e o tratado sobre as pot\u00eancias num\u00e9ricas. Todo esse esfor\u00e7o aliado \u00e0 fala de descanso, arruinou a sua sa\u00fade e ele caiu gravemente enfermo. Nesse mesmo ano, ap\u00f3s uma &#8220;vis\u00e3o divina&#8221;, abandonou as ci\u00eancias para se dedicar exclusivamente \u00e0 teologia. Durante esse per\u00edodo publicou os seus principais livros filos\u00f3fico-religiosos: &#8220;Les Provinciales (1656-1657)&#8221;, conjunto de 18 cartas e &#8220;Pens\u00e9es (1670)&#8221;, um tratado sobre a espiritualidade, em que fez a defesa do cristianismo, inspirado em Santo Agostinho. Como te\u00f3logo e escritor destacou-se como um dos mestres do racionalismo e irracionalismo modernos e sua obra influenciou os ingleses Charles e John Wesley, fundadores da Igreja Metodista.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em Pascal paix\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o acabam tendo em alguns momentos seus sentidos confundidos, j\u00e1 em outros os tem diferenciados e at\u00e9 mesmo citados numa mesma frase. Pascal, diferentemente de outros fil\u00f3sofos, como Descartes, n\u00e3o d\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o de seu sentido, por\u00e9m assim podemos afirmar que \u201cEmbora Pascal n\u00e3o ofere\u00e7a nenhuma defini\u00e7\u00e3o de paix\u00e3o, podemos dizer que esta aparece como um sentimento intenso, fixado sobre um objeto cuja posse \u00e9 incerta.\u201d (PARRAZ, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para conseguir atingir uma correta interpreta\u00e7\u00e3o do conceito para Pascal \u00e9 poss\u00edvel se partir de sua mais c\u00e9lebre frase: \u201c<em>O cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a raz\u00e3o desconhece\u201d (Pens\u00e9es, 1670). <\/em>A partir desta frase \u00e9 poss\u00edvel atingir um r\u00e1pido entendimento do que seriam as emo\u00e7\u00f5es para Pascal,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nessa frase, as palavras raz\u00f5es e raz\u00e3o n\u00e3o t\u00eam o mesmo significado, indicando coisas diversas. Raz\u00f5es s\u00e3o os motivos do cora\u00e7\u00e3o, enquanto raz\u00e3o \u00e9 algo diferente de cora\u00e7\u00e3o; este \u00e9 o nome que damos para as emo\u00e7\u00f5es e paix\u00f5es, enquanto &#8216;raz\u00e3o&#8217; \u00e9 o nome que damos \u00e0 consci\u00eancia intelectual e moral.<em> <\/em>(BESSA, 2006)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Pascal as emo\u00e7\u00f5es suscitam no homem sentimentos que a raz\u00e3o n\u00e3o consegue compreender e tal atitude pode fazer com que a raz\u00e3o deixe de dominar o homem, deste modo h\u00e1 uma constante luta entre as raz\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o (paix\u00f5es) e as raz\u00f5es da consci\u00eancia. Tal conflito gerado entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o, conclui Pascal, \u00e9 uma miss\u00e3o imposs\u00edvel de ser completada, pois como a raz\u00e3o n\u00e3o as compreende, n\u00e3o h\u00e1 como domin\u00e1-las. Pascal foi o primeiro a dar primazia \u00e0s emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">insistiu no valor e na fun\u00e7\u00e3o do &#8220;sentimento&#8221; como um princ\u00edpio em si, que tamb\u00e9m \u00e9 fonte de conhecimentos espec\u00edficos (&#8230;); e julgou imposs\u00edvel eliminar o conflito entre raz\u00e3o e E., sendo em todo caso imposs\u00edvel solucionar esse conflito eliminando uma das partes dele. (ABBAGNANO, 2007)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>3. Paralelo entre as duas perspectivas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao analisarmos as perspectivas aqui apresentadas referindo-se aos pensamentos dos autores, precisamos primeiramente definir um ponto crucial de cada um. Descartes \u00e9 um fil\u00f3sofo racionalista, tenta explicar a tudo a partir da raz\u00e3o, enquanto Pascal \u00e9 um m\u00edstico e trabalha as paix\u00f5es em p\u00e9 de igualdade com a raz\u00e3o. Pascal a partir de sua espiritualidade expressa \u00e0 frase citada acima onde diz que a raz\u00e3o n\u00e3o compreende as raz\u00f5es (paix\u00f5es) do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pascal ataca fervorosamente o pensamento de Descartes o acusando justamente por suas atitudes racionalistas exageradas, onde acaba por elevar a raz\u00e3o a um patamar superior a todas as outras caracter\u00edsticas humanas, desconsiderando o poder das paix\u00f5es enquanto sentimento, a coloca apenas como fruto da aus\u00eancia de clareza da raz\u00e3o. Em Descartes \u201ca filosofia recebe uma coloca\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e gnosiol\u00f3gica: o que se quer verificar em primeiro lugar \u00e9 o valor do conhecimento humano.\u201d (SILVA, 2010). Pascal alega que o m\u00e9todo universal de Descartes \u00e9 falho, \u201cPascal diverge do m\u00e9todo e das id\u00e9ias cartesianas justamente porque ele n\u00e3o considera que possa existir uma f\u00f3rmula, em que se dar\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para tudo.\u201d (SILVA, 2010)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>4. Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Descartes busca uma compreens\u00e3o para as paix\u00f5es mesmo diante de seu grande racionalismo acredita na possibilidade das paix\u00f5es uma vez que elas n\u00e3o podem ser negadas pela nossa experi\u00eancia. Podendo at\u00e9 mesmo ser consideradas obscuras, mas jamais irrecus\u00e1veis. Provocadas pelo movimento do corpo e percebidas pela alma. Mesmo defendendo o dualismo, Descartes acredita em uma uni\u00e3o substancial do corpo e da alma numa esp\u00e9cie de concilia\u00e7\u00e3o de coisas inconcili\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em contrapartida, Pascal apresenta n\u00e3o um conceito definido sobre as paix\u00f5es, mas um sentimento intenso que est\u00e1 em um mesmo patamar da raz\u00e3o. Com isso, Pascal critica ferrenhamente Descartes pelo seu racionalismo exacerbado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o \u00e9 objetivo o presente ensaio filos\u00f3fico dar por encerrado a discuss\u00e3o sobre a compreens\u00e3o das paix\u00f5es humanas, mas simplesmente apresentar uma abordagem sobre o pensamento de dois grandes fil\u00f3sofos modernos que em muito contribu\u00edram para o desenvolvimento do pensamento atual.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BESSA, Josemar. <em>A raz\u00e3o<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/josemardiversos.blogspot.com&gt;. \u00a0Acesso em: 22 ago 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DESCARTES, R. 1988a. <em>Medita\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas<\/em>. S\u00e3o Paulo, Abril Cultural, p. 5-74. (Col. Os Pensadores).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DESCARTES, R. 1998. <em>As paix\u00f5es da alma<\/em>. S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 174 p.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DESCARTES. In: HUISMAN, Denis.<strong> <\/strong><em>Dicion\u00e1rio dos fil\u00f3sofos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Cl\u00e1udia Berliner. <em>et al.<\/em> S\u00e3o Paulo: Martins fontes, 2001. p. 269. T\u00edtulo original: <em>Dictionnaire des philosophes.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">EMO\u00c7\u00c3O, In: ABBAGNANO, Nicola. Dicion\u00e1rio de Filosofia. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PARRAZ, Ivonil. A exist\u00eancia em Pascal. <em>Revista Filosofia<\/em>, S\u00e3o Paulo, n.20, mar. 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PINHEIRO, Juliana da Silveira. As paix\u00f5es segundo Descartes: obscuras e irrecus\u00e1veis experi\u00eancias. <em>Controv\u00e9rsia, <\/em>Fortaleza, v. 3 n\u00b0 1, Jan-Jun 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SILVA, Gilmar Lopes. <em>O valor do conhecimento afetivo em Blaise Pascal.<\/em> 2010. 64 f. Monografia (Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia)- Faculdade Arquidiocesana de Mariana, Mariana, 2010.<\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity:1!important;background-image:initial!important;background-attachment:initial!important;background-color:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;z-index:999999!important;text-align:left!important;display:none;background-position:initial initial!important;background-repeat:initial initial!important;margin:0!important;padding:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;overflow:visible!important;background-image:0 color-stop(50%,#EEE), color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;padding:8px!important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;margin:0!important;padding:3px 5px 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosemar Marcos Thiago Andrade Neste ensaio pretendemos visualizar de uma maneira ampla os pensamentos de dois fil\u00f3sofos modernos a respeito de um mesmo termo, que \u00e9 a paix\u00e3o (emo\u00e7\u00e3o). Trabalharemos aqui de forma sucinta os pensamentos de Descartes e Pascal, dois fil\u00f3sofos que tratam as paix\u00f5es, por\u00e9m de perspectivas diferentes. 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