{"id":1988,"date":"2011-11-16T08:32:39","date_gmt":"2011-11-16T11:32:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1988"},"modified":"2011-11-16T08:32:39","modified_gmt":"2011-11-16T11:32:39","slug":"o-rosto-como-expressao-do-sentido-do-humano-em-levinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1988","title":{"rendered":"O rosto como express\u00e3o do sentido do humano em L\u00e9vinas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Lucas Ant\u00f4nio Ferreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>\u201cNo rosto, apresenta-se o ente por excel\u00eancia\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">(L\u00e9vinas)<em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No decorrer dos anos, a sociedade vem se deparando com diversas situa\u00e7\u00f5es alarmantes, como viol\u00eancias, sequestros, corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, homic\u00eddios, aborto, injusti\u00e7as, dentre muitos outros fatores que demonstram o fruto da domina\u00e7\u00e3o do homem sobre si mesmo. Assim, pode se observar que a quest\u00e3o mais pertinente nos dias atuais \u00e9 uma quest\u00e3o eminentemente \u00e9tica. \u00c9 neste contexto problem\u00e1tico que Emmanuel L\u00e9vinas (1906-1995), fil\u00f3sofo da contemporaneidade, apresenta a \u00e9tica como busca do sentido do humano a partir da alteridade, do rosto do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, de que modo se expressa o rosto segundo L\u00e9vinas? Seria algo puramente est\u00e9tico? Simplesmente uma exposi\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia, entendido na sua plasticidade? Vejamos: quando L\u00e9vinas se refere ao rosto, ele n\u00e3o est\u00e1 mostrando-o na perspectiva da face, mas da forma com que o outro se apresenta a mim. \u201cO modo como o Outro se apresenta, ultrapassando <em>a ideia do Outro em mim<\/em>, chamamo-lo, de fato, rosto\u201d (L\u00c9VINAS, 1980, p. 37).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesta perspectiva, analisemos mais profundamente o pensamento filos\u00f3fico de L\u00e9vinas acerca do rosto, sabendo que este aparece como epifania<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levinas,%20Lucas.docx#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, ou seja, como \u201c(&#8230;) a verdadeira ess\u00eancia do homem apresenta-se no rosto\u201d (LEVINAS, 1980, p. 270), contrapondo-se a fen\u00f4meno. Visto que \u00e9 na rela\u00e7\u00e3o face a face, que se d\u00e1 a linguagem \u00e9tica como fonte de todo o sentido do humano, que se d\u00e1 este contato. Sendo assim, buscaremos perceber o sentido da alteridade na rela\u00e7\u00e3o intersubjetiva, e veremos que rosto faz um apelo \u00e0 responsabilidade para com Outrem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nosso fil\u00f3sofo teve grande influ\u00eancia da fenomenologia de Husserl e da ontologia de Heidegger, dois de seus principais mestres e interlocutores, por\u00e9m L\u00e9vinas faz uma ruptura com a filosofia deles, para assim, construir um novo pensamento \u00e9tico na filosofia contempor\u00e2nea. Ele se contrap\u00f5e com a fenomenologia de Husserl, visto que o rosto, para nosso fil\u00f3sofo, est\u00e1 para al\u00e9m de uma descri\u00e7\u00e3o, de uma defini\u00e7\u00e3o, ou seja, ele n\u00e3o se reduz a si pr\u00f3prio. \u201cO rosto est\u00e1 presente na sua recusa de ser conte\u00fado. Neste sentido, n\u00e3o poder\u00e1 ser compreendido, isto \u00e9, englobado. Nem visto, nem tocado\u201d (L\u00c9VINAS, 1980, p. 173).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dessa forma, nosso fil\u00f3sofo afirma que n\u00e3o h\u00e1 uma fenomenologia do rosto, pois ela \u00e9 um m\u00e9todo filos\u00f3fico, mas h\u00e1 sim uma revela\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levinas,%20Lucas.docx#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, ou seja, h\u00e1 uma significa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m sem contexto (L\u00c9VINAS, 1980). Assim, ele mostra que esta significa\u00e7\u00e3o do rosto op\u00f5e-se \u00e0 fenomenologia.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o sei se podemos falar de \u201cfenomenologia\u201d do rosto, j\u00e1 que a fenomenologia descreve o que aparece. Assim, pergunto-me se podemos falar de um olhar voltado para o rosto, porque o olhar \u00e9 conhecimento, percep\u00e7\u00e3o. Penso antes que o acesso ao rosto \u00e9, num primeiro momento, \u00e9tico. Quando se v\u00ea um nariz, os olhos, uma testa, um queixo e se podem descrever, \u00e9 que nos voltamos para outrem com para um objecto. (&#8230;) A rela\u00e7\u00e3o com o rosto pode, sem d\u00favida, ser denominada pela percep\u00e7\u00e3o, mas o que \u00e9 especificamente rosto \u00e9 o que n\u00e3o se reduz a ele (L\u00c9VINAS, 1982, p. 77).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Observa-se que o rosto n\u00e3o \u00e9 simplesmente aquilo que aparece na forma de luz, sens\u00edvel, ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma simples exposi\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia, daquilo que est\u00e1 na frente da cabe\u00e7a ou aquilo que a envolve, em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 entendido em seu sentido pl\u00e1stico, est\u00e9tico e\/ou, at\u00e9 mesmo, psicol\u00f3gico. Ele n\u00e3o \u00e9 restrito \u00e0 percep\u00e7\u00e3o, mas aquilo que revela e expressa a alteridade. \u00c9 mais que a exposi\u00e7\u00e3o de algo humano que escapa, ele se revela constantemente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, pode-se dizer que h\u00e1 uma epifania do rosto. Epifania esta que n\u00e3o pode ser caracterizada como simplesmente a manifesta\u00e7\u00e3o do Outro, ou entendida como um desvelamento do ser como afirmado por Heidegger. Em L\u00e9vinas, a epifania vem destacar eminentemente que o rosto, na sua express\u00e3o, revela-se como alteridade absoluta. A epifania como revela\u00e7\u00e3o destaca o valor em si presente no pr\u00f3prio rosto. \u00c9 neste sentido que L\u00e9vinas, em <em>\u00c9tica e infinito<\/em>, demonstra que n\u00e3o se pode fazer uma descri\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica do rosto, visto que ele na sua epifania se expressa e \u00e9 capaz de falar por si e o seu dizer revela sua pr\u00f3pria significa\u00e7\u00e3o \u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Al\u00e9m disso, \u201co rosto do Outro recorda as obriga\u00e7\u00f5es do \u2018eu\u2019\u201d (COSTA, 2000, p. 140). Primeiramente, ele \u00e9 uma ordem, um mandamento: n\u00e3o matar\u00e1s! Quando se fala que o rosto diz \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d, se quer significar justamente que, nesse processo de constru\u00e7\u00e3o da \u00e9tica no rosto, al\u00e9m do \u201ceis me aqui\u201d e do \u201cn\u00e3o mataras\u201d, encontra-se uma imposi\u00e7\u00e3o no rosto do outro, mesmo nu, dando uma ordem e pedindo clem\u00eancia. O \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d est\u00e1 inscrito no rosto do outro, sendo-lhe express\u00e3o original. Brilhando em seus olhos, em sua abertura transcendental.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O infinito apresenta-se como rosto na resist\u00eancia \u00e9tica que paralisa os meus poderes e se levanta dura e absoluta do fundo dos olhos, sem defesa na sua nudez e na sua mis\u00e9ria. A compreens\u00e3o dessa mis\u00e9ria e dessa fome instaura a pr\u00f3pria proximidade do outro. (&#8230;) Manifestar-se como rosto \u00e9 <em>impor-se<\/em> para al\u00e9m da forma, manifestada e puramente fenomenal, \u00e9 apresentar-se de uma maneira irredut\u00edvel \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o, como a pr\u00f3pria retid\u00e3o do frente a frente, sem media\u00e7\u00e3o de nenhuma imagem na sua nudez, ou seja, na sua mis\u00e9ria e na sua fome. No <em>Desejo<\/em>, confundem-se os movimentos que v\u00e3o para a altura e a Humildade de Outrem (L\u00c9VINAS, 1980, p. 178-179).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cEsse infinito, mais forte que o assass\u00ednio, resiste-nos j\u00e1 no seu rosto, \u00e9 o seu rosto, \u00e9 a <em>express\u00e3o<\/em> original, \u00e9 a primeira palavra: \u2018n\u00e3o cometer\u00e1s assass\u00ednio\u2019\u201d (L\u00c9VINAS, 1980, p. 178). Observa-se, portanto, que \u00e9 imposs\u00edvel matar o outro, pois por mais que se tente faz\u00ea-lo, nenhuma tentativa o anularia. Mesmo quando o fato fisicamente acontece, sobra somente o corpo \u2013 o cad\u00e1ver \u2013 e o outro, por sua vez, escapa. Ningu\u00e9m tem o direito de findar a vida do outro, negando-o. O assassino deseja negar o outro totalmente. \u201cMatar n\u00e3o \u00e9 dominar, mas aniquilar, renunciar em absoluto \u00e0 compreens\u00e3o\u201d (L\u00c9VINAS, 1980, p. 177). O ato de matar, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 apenas isolar o outro, negar-lhe\u00a0 autonomia, mas de forma radical, tirar-lhe a vida. \u201cA epifania do rosto suscita a possibilidade de medir o infinito da tenta\u00e7\u00e3o do assass\u00ednio, n\u00e3o como uma tenta\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o total, mas como impossibilidade \u2013 puramente \u00e9tica \u2013 dessa tenta\u00e7\u00e3o e tentativa\u201d (L\u00c9VINAS, 1980, p. 178).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A esse respeito, nota-se que o rosto \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de possibilidade para a realiza\u00e7\u00e3o da \u00e9tica, ou seja, \u201c(&#8230;) a epifania do rosto \u00e9 \u00e9tica\u201d (L\u00c9VINAS, 1980, p. 178). Mas que tipo de \u00e9tica \u00e9 esta proposta por L\u00e9vinas? Tendo em vista que n\u00e3o \u00e9 uma \u00e9tica ontol\u00f3gica, nem uma \u00e9tica de valores, mas, sim, uma \u00e9tica da alteridade, o rosto convida para uma rela\u00e7\u00e3o com ele sem interesses, uma rela\u00e7\u00e3o de entrega.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A express\u00e3o que o rosto introduz no mundo n\u00e3o desafia a fraqueza dos meus poderes, mas o poder de poder. O rosto, ainda coisa entre coisas, atravessa a forma que entretanto o delimita. O que quer dizer concretamente: o rosto fala-me e convida-me assim a uma rela\u00e7\u00e3o sem paralelo com um poder que se exerce, quer seja frui\u00e7\u00e3o quer seja conhecimento. (L\u00c9VINAS, 1980, p.176).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A rela\u00e7\u00e3o que se estabelece com o rosto n\u00e3o \u00e9 de conhecimento, de necessidade, mas, sim, de um desejo, pois o infinito est\u00e1 expresso, ou melhor, a ideia de infinto est\u00e1 contida no rosto do outro. Desta maneira, L\u00e9vinas tra\u00e7a um caminho para compreendermos melhor o infinito do rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como poder\u00edamos, pois, pensar no infinito j\u00e1 que somos finitos? L\u00e9vinas vai al\u00e9m superando a compreens\u00e3o cartesiana<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levinas,%20Lucas.docx#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Ele afirma que o infinito \u00e9 impens\u00e1vel, mas possu\u00edmos o desejo de compreender esta id\u00e9ia, apesar de n\u00e3o termos a capacidade de compreend\u00ea-la em sua totalidade. No rosto de outrem est\u00e1 a ideia do infinito a ser desejado por nossa tentativa de compreens\u00e3o, por\u00e9m, nunca se ter\u00e1 uma conclus\u00e3o sintetizada. Em L\u00e9vinas,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O infinito no finito, o mais no menos que se realiza pela ideia do Infinito, produz-se como Desejo. N\u00e3o como um Desejo que a posse do desej\u00e1vel apazig\u00fae, mas como o Desejo do Infinito que o desej\u00e1vel suscita, em vez de satisfazer. Desejo perfeitamente desinteressado \u2013 bondade (L\u00c9VINAS, 1980, p. 37).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesse entendimento, nota-se que o desejo n\u00e3o \u00e9 caracterizado pela falta ou necessidade, ele visa, acima de tudo, o que o excede, o absolutamente Outro.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A id\u00e9ia do Infinito, no brilho do rosto de outrem, desperta no Eu uma aspira\u00e7\u00e3o nova: o desejo (<em>desir<\/em>), o qual difere-se radicalmente da necessidade. A necessidade, que est\u00e1 na base do gozo, marca uma rela\u00e7\u00e3o com um outro captado pelo Eu que o alimenta e atrav\u00e9s do qual se satisfaz, de modo que sua alteridade incorpora-se na identidade do Mesmo. J\u00e1 na estrutura do desejo, a alteridade e exterioridade do Outro \u00e9 conservada (CASTRO, 2007, p. 36).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante da alteridade, da rela\u00e7\u00e3o com o outro, o rosto faz um apelo \u00e0 responsabilidade, que, por sua vez, \u00e9 desinteressada. Assim, devo ser \u201c(&#8230;) respons\u00e1vel por outrem sem esperar a rec\u00edproca, ainda que isso me viesse a custar a vida\u201d (L\u00c9VINAS, 1982, p. 90).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nosso fil\u00f3sofo mostra \u201ca responsabilidade como sendo a estrutura essencial, primeira, da subjetividade\u201d (TEXEIRA, 2001, p. 25).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entendo a responsabilidade como responsabilidade por outrem, portanto, como responsabilidade por aquilo que n\u00e3o fui eu que fiz, ou n\u00e3o me diz respeito; ou que precisamente me diz respeito, \u00e9 por mim abordado como rosto. (&#8230;) Desde que o outro me olha, sou por ele respons\u00e1vel, sem mesmo ter que <em>assumir<\/em> responsabilidades a seu respeito; a sua responsabilidade <em>incumbe-me<\/em>. \u00c9 uma responsabilidade que vai al\u00e9m do que fa\u00e7o. Habitualmente, somos respons\u00e1veis por aquilo que pessoalmente fazemos. Digo, em <em>Autrement qu\u2019\u00eatre<\/em>, que a responsabilidade \u00e9 inicialmente um <em>por outrem<\/em>. Isso quer dizer que sou respons\u00e1vel pela sua pr\u00f3pria responsabilidade. (L\u00c9VINAS, 1982, p. 87-88).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">De fato, \u201co rosto pede-me e ordena-me\u201d (L\u00c9VINAS, 1982, p. 89), de modo que sou respons\u00e1vel por outrem sem esperar reciprocidade. A minha responsabilidade \u00e9 de uma responsabilidade total, ou seja, \u201c(&#8230;) o eu tem sempre uma responsabilidade <em>a mais<\/em> do que todos os outros\u201d (L\u00c9VINAS, 1982, p. 91, grifo nosso), de forma que ela n\u00e3o cessa. A esse respeito, L\u00e9vinas, em sua obra <em>\u00c9tica e infinito<\/em>, cita Dostoievski: \u201cSomos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros\u201d (L\u00c9VINAS, 1982, p. 93), de maneira que sou respons\u00e1vel at\u00e9 pela responsabilidade de outrem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, podemos perceber a profundidade e a coer\u00eancia do pensamento filos\u00f3fico de L\u00e9vinas, visto que ele prop\u00f4s um novo pensamento \u00e9tico na filosofia contempor\u00e2nea: a \u00e9tica da alteridade. Para tal, ele demonstra que todo o sentido da \u00e9tica ou mesmo o sentido do humano origina-se a partir do rosto, ou seja, o itiner\u00e1rio percorrido por L\u00e9vinas permitiu a ele abrir os horizontes na compreens\u00e3o da filosofia, descobrindo o sentido do humano no rosto do outro. Rosto, que por sua vez, faz uma convoca\u00e7\u00e3o a todos para a responsabilidade para com outrem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">CASTRO, Mauro C\u00e9sar de. <em>Grandeza e falsidade da arte<\/em>: a quest\u00e3o est\u00e9tica na obra de Emmanuel Levinas. 2007. 108 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Filosofia) \u2013 Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, PUCRS. Porto Alegre, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">COSTA, M\u00e1rcio Luis. <em>L\u00e9vinas<\/em>: uma introdu\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de J. Thomaz Filho. Petr\u00f3polis: Vozes, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DESCARTES, Ren\u00e9. <em>Medita\u00e7\u00f5es.<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979. (Os Pensadores)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">L\u00c9VINAS, Emmanuel. <em>\u00c9tica e infinito<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Gama. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">______. <em>Totalidade e infinito<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Pinto Ribeiro. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es70, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">TEIXEIRA, Gislei Roberto Marques. <em>A concep\u00e7\u00e3o de subjetividade em Emmanuel L\u00e9vinas<\/em>. Monografia (Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia) \u2013 Instituto de Ci\u00eancias Humanas, PUC-Minas. Belo Horizonte, 2001.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levinas,%20Lucas.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> L\u00e9vinas utiliza o termo <em>epifania<\/em> para destacar o car\u00e1ter de revela\u00e7\u00e3o que expressa o rosto do Outro.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levinas,%20Lucas.docx#_ftnref2\">[2]<\/a> Em L\u00e9vinas, o termo <em>revela\u00e7\u00e3o<\/em> n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0 revela\u00e7\u00e3o entendida na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, teol\u00f3gica como uma revela\u00e7\u00e3o divina. Para nosso fil\u00f3sofo, revela\u00e7\u00e3o significa que o outro fala por si, sem qualquer media\u00e7\u00e3o. O rosto revela a alteridade como signific\u00e2ncia \u00e9tica na rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levinas,%20Lucas.docx#_ftnref3\">[3]<\/a> A compreens\u00e3o de Descartes para a tem\u00e1tica do infinito, sendo o mais breve poss\u00edvel com estas palavras, \u00e9 de que o infinito \u00e9 uma teoria posta em n\u00f3s, visto que um ser finito tem a id\u00e9ia de infinito, j\u00e1 que ele \u00e9 limitado. Assim, Ren\u00e9 Descartes, em sua obra <em>Medita\u00e7\u00f5es<\/em>, afirma que por mais que \u201ca id\u00e9ia da subst\u00e2ncia esteja em mim, pelo pr\u00f3prio fato de ser eu uma subst\u00e2ncia, eu n\u00e3o teria, todavia, a id\u00e9ia de uma subst\u00e2ncia infinita, eu que sou um ser finito, se ela n\u00e3o tivesse sido colocada em mim por alguma subst\u00e2ncia que fosse verdadeiramente infinita\u201d (DESCARTES, 1979, p. 116), ou seja, somente um ser infinito pode embutir em mim a ideia de infinito.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity:1!important;background-image:initial!important;background-attachment:initial!important;background-color:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;z-index:999999!important;text-align:left!important;display:none;background-position:initial initial!important;background-repeat:initial initial!important;margin:0!important;padding:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;overflow:visible!important;background-image:0 color-stop(50%,#EEE), color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;padding:8px!important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;margin:0!important;padding:3px 5px 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Ant\u00f4nio Ferreira \u201cNo rosto, apresenta-se o ente por excel\u00eancia\u201d (L\u00e9vinas) No decorrer dos anos, a sociedade vem se deparando com diversas situa\u00e7\u00f5es alarmantes, como viol\u00eancias, sequestros, corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, homic\u00eddios, aborto, injusti\u00e7as, dentre muitos outros fatores que demonstram o fruto da domina\u00e7\u00e3o do homem sobre si mesmo. 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