{"id":1998,"date":"2011-11-24T15:26:25","date_gmt":"2011-11-24T18:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=1998"},"modified":"2011-11-24T15:26:25","modified_gmt":"2011-11-24T18:26:25","slug":"sera-a-morte-o-fim-ultimo-do-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=1998","title":{"rendered":"Ser\u00e1 a morte o fim \u00faltimo do ser humano?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>J\u00falio C\u00e9sar Divino Vigiano <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cA morte \u00e9 um limite\u201d? Eis a pergunta que est\u00e1 presente na mente de muitas pessoas, e que gera ang\u00fastia ao tentar respond\u00ea-la, uma vez que n\u00f3s n\u00e3o estamos preparados para aceitar este acontecimento que est\u00e1 presente em toda criatura. Muitos foram os fil\u00f3sofos que buscaram uma reflex\u00e3o mais profunda acerca deste tema, entre eles um chamou nossa aten\u00e7\u00e3o, Jean-Paul Sartre. Sartre a respeito da morte fala que ela \u00e9 um fen\u00f4meno individual, ou seja, outra pessoa n\u00e3o pode experimentar em meu lugar. Mas n\u00e3o sabemos a hora de nossa morte, esta \u00e9 uma critica que o filosofo faz ao cristianismo,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desse modo, espera-se recuperar a morte metamorfoseando-a em \u201cmorte esperada\u201d. Se, com efeito, o sentido de nossa vida converte-se em expectativa da morte, esta, ao sobrevir, nada mais pode sen\u00e3o colocar sua marca sobre a vida. Infelizmente, s\u00e3o conselhos mais f\u00e1ceis de dar do que seguir, n\u00e3o por causa de sua fragilidade natural da realidade humana ou de um projeto origin\u00e1rio de inautenticidade, mais sim por causa da pr\u00f3pria morte. Com efeito, pode-se esperar a morte em particular, mas n\u00e3o a morte (SARTRE,1997, p.654) .<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Sartre, o homem \u00e9 condicionalmente livre, quando ele nasce ele n\u00e3o \u00e9 nada, e ele retorna ao nada quando morre. E, no entanto, para o fil\u00f3sofo o homem \u00e9 somente o que ele consegue ser ou fazer em sua exist\u00eancia, o que ele consegue fazer de sim mesmo. Com isso, Sartre diz que a morte \u00e9: \u201cnadifica\u00e7\u00e3o de todas as minhas possibilidades, nadifica\u00e7\u00e3o essa que j\u00e1 n\u00e3o mais faz parte de minhas possibilidades\u201d (SARTRE, 1997, p.658). Mas ao mesmo tempo que Sartre diz que o homem \u00e9 livre, ele refuta essa liberdade, pois o mesmo n\u00e3o poder\u00e1 escolher morrer ou ficar vivo, e com isso \u00e9 nega\u00e7\u00e3o da liberdade, porque o homem n\u00e3o poder\u00e1 escolher, neste caso, e se apresenta em uma ang\u00fastia, que o acompanhar\u00e1 ate o seu \u00faltimo suspiro.Com isso, a morte se torna um fen\u00f4meno absurdo, pois , como j\u00e1 fora dito, n\u00e3o se pode escolher n\u00e3o morrer, e isso \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, uma nega\u00e7\u00e3o da liberdade. E com isso, Sartre conclui que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O ser \u00e9 livre apenas em sua exist\u00eancia, mas a morte \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o dessa exist\u00eancia e a devolu\u00e7\u00e3o (involunt\u00e1ria) do ser ao nada. Assim, a morte retira da exist\u00eancia toda a sua significa\u00e7\u00e3o. Todavia, \u00e9 necess\u00e1rio que o ser humano construa uma exist\u00eancia que tenha significado, edifique uma vida que valha a pena ser vivida do contr\u00e1rio a morte ser\u00e1 ainda mais absurda (OLIVEIRA, 2009, p.58).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Com essa afirma\u00e7\u00e3o, podemos concluir que, devemos nos esfor\u00e7ar para viver autenticamente, para que quando a morte vier ela seja menos absurda e assim n\u00e3o vivemos somente na ang\u00fastia, mas em uma aceita\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o somos totalmente livres. Muitas pessoas evitam falar sobre a morte, porque, gera ang\u00fastia, mais este n\u00e3o \u00e9 o caminho, uma vez que ela \u00e9 inevit\u00e1vel, ent\u00e3o falando ou n\u00e3o falando sobre a morte n\u00f3s vamos morrer, no entanto, devemos parar pra pensar sobre o nosso morrer, para quebrarmos este nosso \u201cmedo\u201d da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com todas estas informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 podemos responder \u00e0 pergunta que foi mencionada no in\u00edcio deste texto. Foi perguntado se a morte \u00e9 um limite, e chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o limite que n\u00e3o podemos escolher, e ao mesmo tempo a morte limita o ser humano em suas atitudes. Sartre afirma que \u201cn\u00e3o sou livre para morrer, mas sou um livre mortal\u201d (SARTRE, 1997, p. 671), portanto n\u00e3o somos de fato livres para escolher morrer ou continuar a viver, mas que mesmo n\u00e3o podendo escolher esta condi\u00e7\u00e3o somos livres mortais, pelo simples fato de morrermos. Com isso, todos nossos projetos devem ser realizados sem frustra\u00e7\u00f5es mesmo que certos de nossa morte.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o poder\u00edamos pensar a morte, nem esper\u00e1-la, nem nos armamos contra ela; mas tamb\u00e9m nossos projetos, enquanto projetos \u2013 n\u00e3o devido \u00e0 nossa cegueira, como diz o crist\u00e3o, mas por princ\u00edpio- s\u00e3o independentes dela. E, ainda que haja in\u00fameras atitudes poss\u00edveis frente a este irrealiz\u00e1vel \u201ca realizar al\u00e9m do mais\u201d, n\u00e3o cabe classific\u00e1-las em aut\u00eanticas, posto que, justamente, sempre morremos \u201cal\u00e9m do mais\u201d ( SARTRE, 1997, p. 671).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Concluindo, podemos dizer que a morte \u00e9 o fim \u00faltimo do ser humano devido a sua limita\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 pr\u00f3pria e por sua aus\u00eancia de liberdade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. E na vis\u00e3o sartreana, a percep\u00e7\u00e3o de morte \u00e9 pessimista, pois para nosso fil\u00f3sofo a morte \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o da vida, nega\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, em suma, \u00e9 um absurdo. Mas ao contrario, parar para fazer uma reflex\u00e3o sobre a morte \u00e9 ao mesmo tempo aceitar sua finitude e preparar para a sua chegada. Ao refletirmos sobre a morte tamb\u00e9m traz como consequ\u00eancia refletirmos sobre a vida, sobre o valor da nossa vida, diante da sociedade, e vale pensar se estamos vivendo, preocupados em ter ao inv\u00e9s de ser, e como uma pessoa livre chega a ponto de aceitar sua condi\u00e7\u00e3o de morrer como fim \u00faltimo do ser humano. E no findar de nossas reflex\u00f5es podemos concluir que a morte \u00e9 a \u00fanica e verdadeira certeza que o ser humano possui em sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">SARTRE, Jean-Paul. <strong>O ser e o nada<\/strong>: ensaio de ontologia fenomenol\u00f3gica. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Perdig\u00e3o. 4. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">OLIVEIRA, Manoel Messias de. A morte: plenifica\u00e7\u00e3o ou nadifica\u00e7ao. <strong>Poros<\/strong>, Uberl\u00e2ndia, v. 1, n. 1, p. 51-62, 2009. Dispon\u00edvel em: http:\/\/200.233.146.122:81\/revistadigital\/index.php\/poros\/article\/viewPDFInterstitial\/88\/78. Acesso em: 21 out. 2011.<\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity:1!important;background-image:initial!important;background-attachment:initial!important;background-color:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;z-index:999999!important;text-align:left!important;display:none;background-position:initial initial!important;background-repeat:initial initial!important;margin:0!important;padding:0!important;\">undefined<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00falio C\u00e9sar Divino Vigiano \u201cA morte \u00e9 um limite\u201d? Eis a pergunta que est\u00e1 presente na mente de muitas pessoas, e que gera ang\u00fastia ao tentar respond\u00ea-la, uma vez que n\u00f3s n\u00e3o estamos preparados para aceitar este acontecimento que est\u00e1 presente em toda criatura. 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