{"id":2001,"date":"2011-11-29T21:15:07","date_gmt":"2011-11-30T00:15:07","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2001"},"modified":"2011-11-29T21:15:07","modified_gmt":"2011-11-30T00:15:07","slug":"liberdade-estamos-todos-condenados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2001","title":{"rendered":"Liberdade: estamos todos condenados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Ramon dos Santos Oliveira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Liberdade. Uma das express\u00f5es pouco compreendidas na atualidade. Para o senso comum, liberdade pode ser interpretada de diversas maneiras, destaco: como a possibilidade de realizar tudo o que me conv\u00e9m, ou quando \u201c(&#8230;) s\u00f3 somos livres com rela\u00e7\u00e3o a um estado de coisas que n\u00e3o nos constrange\u201d (PERDIG\u00c3O, 1995, p. 88). Ou seja, liberdade \u00e9 para o vulgo a possibilidade de realizar tudo aquilo que queira, sem nada para impedir a a\u00e7\u00e3o ou que nos oprima para que a mesma seja realizada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, segundo o pensamento do fil\u00f3sofo existencialista franc\u00eas, Sartre, interpretar a liberdade dessa forma seria encarar a mesma como uma liberdade inalcan\u00e7\u00e1vel, \u201c(&#8230;) uma liberdade de sonho\u201d (PERDIG\u00c3O, 1995, p. 88). Sartre, por ser um fil\u00f3sofo \u2013 repito \u2013 existencialista da corrente ateia, fundamenta seu pensar existencialista nas palavras do escritor russo Dostoievski ao dizer que \u201cSe Deus n\u00e3o existisse, tudo seria permitido\u201d (<em>apud<\/em> SARTRE, 1978, p. 9). A partir disso Sartre nos diz que todas as pessoas se encontram marcadas pelo abandono, pois n\u00e3o h\u00e1 nada que nos sirva de fundamento nem em n\u00f3s mesmos nem fora de n\u00f3s mesmos, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 mais nada que sirva de \u00e1libi para o homem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com isso, o homem se torna eternamente respons\u00e1vel por tudo aquilo que praticar, pensar, ou vier a fazer, pois somos aquilo que escolhemos, a nossa exist\u00eancia fica fadada \u00e0s nossas escolhas. Para Sartre n\u00e3o h\u00e1 destino, somos os construtores do nosso futuro e \u00e9 justamente neste ponto que surge a c\u00e9lebre frase desse fil\u00f3sofo que inverte toda a compreens\u00e3o filos\u00f3fica, at\u00e9 ent\u00e3o, acerca da ess\u00eancia e da exist\u00eancia: \u201c(&#8230;) a exist\u00eancia precede a ess\u00eancia\u201d (SARTRE, 1978, p. 5). Sartre quer nos dizer com isso que o ser do homem \u00e9 existir sem nenhuma pr\u00e9via determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E na sociedade hodierna o que mais se percebe \u00e9 a aus\u00eancia do car\u00e1ter aut\u00f4nomo que as pessoas deveriam ter em rela\u00e7\u00e3o a suas escolhas, o que se observa s\u00e3o in\u00fameras vezes os \u00e1libis usados pelas pessoas a fim de justificarem suas a\u00e7\u00f5es. Hoje existem diversas apologias \u00e0 liberdade como se v\u00ea na pr\u00f3pria <em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/em>, de 1948, em que afirma que todo homem tem direito \u00e0 liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, que liberdade se trata? Qual liberdade, de fato, os homens querem? O problema que se observa \u00e9 que todos n\u00f3s queremos usufruir de \u201cliberdade\u201d, mas n\u00e3o sabemos de que maneira \u00e9 ser livre, ou melhor, n\u00e3o queremos nos responsabilizar por tal liberdade. Todos n\u00f3s estamos fadados a ela, o que sem d\u00favida, como nos diz Sartre, nos gera uma ang\u00fastia, pois al\u00e9m de decidirmos subjetivamente sobre n\u00f3s devemos consequentemente ser respons\u00e1veis pelas nossas escolhas de modo que elas sejam favor\u00e1veis tamb\u00e9m para toda a humanidade, tendo em vista que n\u00e3o temos ningu\u00e9m para demarcar as nossas escolhas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O existencialismo n\u00e3o tem pejo em declarar que o homem \u00e9 ang\u00fastia. Significa isso: o homem ligado por um compromisso e que se d\u00e1 conta de que n\u00e3o \u00e9 apenas aquele que escolhe ser, mas de que \u00e9 tamb\u00e9m um legislador pronto a escolher, ao mesmo tempo que a si pr\u00f3prio, a humanidade inteira, n\u00e3o poderia escapar ao sentimento da sua total e profunda responsabilidade (SARTRE, 1978, p. 7).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Escolher significa projetar-se, lan\u00e7ar-se para o futuro, os seres humanos s\u00e3o projetos para o futuro, ou seja, somos todos marcados pela possibilidade do vir-a-ser.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com a afirma\u00e7\u00e3o rigorosa da impossibilidade de n\u00e3o exercer a liberdade, Sartre nos mostra que a liberdade n\u00e3o \u00e9 um atributo acrescent\u00e1vel \u00e0 subjetividade, mas a pr\u00f3pria exist\u00eancia e consequentemente a subjetividade, est\u00e3o de tais modos ligados \u00e0 liberdade, que se torna imposs\u00edvel afirmar ontologicamente uma ren\u00fancia \u00e0 mesma. Enfim o homem s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 livre para n\u00e3o ser livre.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A partir disso o que percebemos \u00e9 que o homem, segundo Sartre, jamais poder\u00e1 ser considerado como acabado, pois sempre ir\u00e1 se encontrar neste plano do projetar-se, das escolhas, enfim o homem sempre estar\u00e1 condenado \u00e0 impossibilidade de um fim enquanto tal. Com isso, o homem se v\u00ea diante da necessidade de se criar para poder se afirmar, ou seja, o homem toma consci\u00eancia de sua condi\u00e7\u00e3o e se projeta para o as suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A filosofia sartriana possibilita aos homens a capacidade de se responsabilizarem pelas suas pr\u00f3prias escolhas, o homem reconhece a sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade e diante dela se angustia para que fa\u00e7a suas escolhas e ao mesmo tempo se torna respons\u00e1vel pelas mesmas.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>PERDIG\u00c3O, Paulo. <em>Exist\u00eancia e Liberdade<\/em>: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia de Sartre. Porto Alegre: L&amp;PM Editores, 1995.<\/p>\n<p>SARTRE, Jean Paul. <em>O existencialismo \u00e9 um humanismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores).<\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity:1!important;background-image:initial!important;background-attachment:initial!important;background-color:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;z-index:999999!important;text-align:left!important;display:none;background-position:initial initial!important;background-repeat:initial initial!important;margin:0!important;padding:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;overflow:visible!important;background-image:0 color-stop(50%,#EEE), color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;padding:8px!important;\">\u00a0<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;margin:0!important;padding:3px 5px 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ramon dos Santos Oliveira Liberdade. 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