{"id":2020,"date":"2011-12-05T07:58:25","date_gmt":"2011-12-05T10:58:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2020"},"modified":"2011-12-05T07:58:25","modified_gmt":"2011-12-05T10:58:25","slug":"o-sujeito-consumista-em-theodor-adorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2020","title":{"rendered":"O sujeito consumista em Theodor Adorno"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Gustavo Moreira Mendes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00f3s muitas vezes nos surpreendemos com diversas sacolas cheias. Isso acontece na maioria das vezes ap\u00f3s um passeio pelo centro da cidade ou uma visita r\u00e1pida ao shopping com aquelas famosas frases: vou s\u00f3 ao cinema ou passei s\u00f3 para conferir os pre\u00e7os e comprar um produto qualquer no supermercado. Ou talvez \u00e0s vezes ao t\u00e9rmino da semana ap\u00f3s o expediente de trabalho somos convidados a uma visita a um barzinho para darmos aquela famosa relaxada da dura semana e nos aventurarmos nas vitrines e nos sabores que iluminam e d\u00e3o novos \u00e2nimos a todo esgotamento vivido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De fato podemos constatar que de uma forma ou de outra somos afetados por essa forte influ\u00eancia do consumismo. Para mergulharmos nesse contexto do \u201csujeito consumista\u201d e suas consequ\u00eancias, percorreremos o caminho do fil\u00f3sofo Theodor Adorno em suas reflex\u00f5es sobre a ind\u00fastria cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dentre as discuss\u00f5es apresentadas por Adorno, podemos destacar como grande expoente o \u201cconsumismo\u201d. Assim podemos considerar:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O fil\u00f3sofo afirma que, nas sociedades contempor\u00e2neas, as produ\u00e7\u00f5es do espirito, ou seja, as manifesta\u00e7\u00f5es culturais se transformaram em mercadoria, isto \u00e9, est\u00e3o subordinadas ao lucro e ao consumo. No desenvolvimento desse processo hist\u00f3rico, as produ\u00e7\u00f5es culturais tiveram que se adequar ao mercado e a necessidade de sobreviv\u00eancia, o que fez com que assumissem o car\u00e1ter<strong> <\/strong>de<strong> <\/strong>mercadoria<strong> <\/strong>(FERREIRA, 2010, p. 29).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O trabalhador, ap\u00f3s sua jornada de trabalho, procura satisfazer-se, procura nas divers\u00f5es uma forma de compensa\u00e7\u00e3o das horas \u201csofridas\u201d e pesadas em seu trabalho, com isso buscando encontrar sentido para sua rotina muitas vezes cansativa e exaustiva. Basta olharmos os cartazes das propagandas e comerciais: s\u00e3o pessoas com sacolas nas m\u00e3os e um belo sorriso. Um cen\u00e1rio encantador que comove a todos indistintamente. Todos n\u00f3s, crian\u00e7as, jovens, adultos e idosos vivemos essa encantadora miss\u00e3o: consumir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Homens e mulheres se veem presos a esse fasc\u00ednio que o mercado oferece e o bem que o mesmo promete trazer. Consumo e divers\u00e3o se atrelam:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A divers\u00e3o \u00e9 o prolongamento do trabalha sobre o capitalismo tardio. Ela \u00e9 procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho sob o capitalismo tardio. Mas, ao mesmo tempo, a mecaniza\u00e7\u00e3o atingiu um tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina a t\u00e3o profundamente a fabrica\u00e7\u00e3o de mercadorias destinadas a divers\u00e3o, que esta pessoa n\u00e3o podem mais perceber outra coisa sen\u00e3o as c\u00f3pias que reproduzem o pr\u00f3prio sucesso de trabalho. O pretenso conte\u00fado n\u00e3o passa de uma fachada desbotada; o que fica gravado \u00e9 a sequ\u00eancia automatizada de opera\u00e7\u00f5es padronizadas. Ao processo de trabalho na fabrica e no escrit\u00f3rio s\u00f3 se pode escapar adaptando-se a ele durante o \u00f3cio. Eis a\u00ed a doen\u00e7a incur\u00e1vel de toda divers\u00e3o (ADORNO, 1977, p. 113).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A constante busca pelo prazer e o bem pessoal se torna uma necessidade para o sujeito. \u00c9 pequeno o n\u00famero de pessoas em nossa sociedade que passe suas horas de \u201cfolga\u201d envolvidas em atividades educativas. Isso exige reflex\u00e3o, e esta implicar\u00e1 certo esfor\u00e7o, por\u00e9m as pessoas desejam \u201cprazer\u201d, pois se encontram exaustas ap\u00f3s a jornada de trabalho.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Essa distin\u00e7\u00e3o entre o trabalho e tempo livre foi embutida como regra no consciente das pessoas. De acordo com essa regra, o tempo livre tem como fun\u00e7\u00e3o repor as energias gastas nesse processo, para que o trabalhador possa fazer ainda mais seu trabalho, e por esse motivo, o tempo livre n\u00e3o deve jamais lembrar o trabalho (FERREIRA, 2010, p. 32).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ent\u00e3o podemos nos perguntar: Como podemos gastar nosso tempo \u201clivre\u201d? Como vivenciarmos o prazer das horas de \u00f3cio? Somos livres de fato em nosso \u201ctempo livre\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Afinal de cada expediente \u00e9 comum se escutar: \u201cestou livre\u201d ou \u201cgra\u00e7as a Deus a pris\u00e3o acabou\u201d. Muitas vezes nos consideramos escravos ou homens e mulheres presos. \u201cA integra\u00e7\u00e3o do tempo livre \u00e9 alcan\u00e7ada sem maiores dificuldades; as pessoas n\u00e3o percebem o quanto n\u00e3o livres se sentem, porque a regra de tal aus\u00eancia de liberdade foi abstra\u00edda delas\u201d (ADORNO, 1977, p. 105).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A ocupa\u00e7\u00e3o do nosso tempo deve ser encarada de maneira mais s\u00e9ria, procurando observar nossos acervos culturais, nossa disposi\u00e7\u00e3o \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o de artes, m\u00fasica e nos lan\u00e7armos \u00e0s diversas manifesta\u00e7\u00f5es culturais presentes em nossa sociedade de modo mais autentico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como seria bom se cultiv\u00e1ssemos um maior apre\u00e7o ao teatro, \u00e0 dan\u00e7a, ao lazer familiar ao ponto de resgatarmos em n\u00f3s os fragmentos dos valores culturais e sociais perdidos em nossa hist\u00f3ria, nas hist\u00f3rias de nossas comunidades, de nossas ruas e favelas, hist\u00f3rias que formaram a \u201ccultura de nossa gente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por isso, cabe a n\u00f3s cidad\u00e3os do novo mundo lan\u00e7ar um olhar para toda essa realidade presente e nos questionarmos acerca de nossa atua\u00e7\u00e3o nesse mercado t\u00e3o consumista e se de fato estamos contribuindo para que o consumismo desenfreado aconte\u00e7a em nossa sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A decis\u00e3o nossa nas cenas dos pr\u00f3ximos rumos da hist\u00f3ria implica consumirmos com responsabilidade, ou nos aventurarmos em caminhos tortuosos de uma eterna fantasia mergulhando-nos em um vazio que n\u00e3o gera a t\u00e3o e preciosa liberdade. A escolha \u00e9 nossa, \u00e9 preciso saber o que escolher e como escolher. Boas compras!<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ADORNO, Theodor W. A ind\u00fastria Cultural. In: COHN,G. (org.).\u00a0<em>Televis\u00e3o, consci\u00eancia e ind\u00fastria cultural<\/em>. S\u00e3o Paulo: Nacional, 1997.<\/p>\n<p>FERREIRA, J\u00falio C\u00e9sar. <em>A influ\u00eancia da ind\u00fastria cultural na sociedade contempor\u00e2nea atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em Theodor Adorno. <\/em>Trabalho de conclus\u00e3o de curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia) \u2013 Faculdade Arquidiocesana de Mariana, Mariana, 2010.<\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity:1!important;background-image:initial!important;background-attachment:initial!important;background-color:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;z-index:999999!important;text-align:left!important;display:none;background-position:initial initial!important;background-repeat:initial initial!important;margin:0!important;padding:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;overflow:visible!important;background-image:0 color-stop(50%,#EEE), color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;padding:8px!important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;margin:0!important;padding:3px 5px 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gustavo Moreira Mendes N\u00f3s muitas vezes nos surpreendemos com diversas sacolas cheias. 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