{"id":2023,"date":"2011-12-05T09:47:25","date_gmt":"2011-12-05T12:47:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2023"},"modified":"2011-12-05T09:47:25","modified_gmt":"2011-12-05T12:47:25","slug":"o-desenvolvimento-da-humanidade-e-suas-fontes-de-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2023","title":{"rendered":"O desenvolvimento da humanidade e suas fontes de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Josinei da Rocha Neto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A fraqueza do desenvolvimento foi denunciada por Auguste Comte, pois ele via no desenvolvimento da humanidade duas concep\u00e7\u00f5es, uma de progress\u00e3o e a outra de regress\u00e3o, ou ainda uma mistura das duas, por\u00e9m ele diz que seria necess\u00e1rio estudar o desenvolvimento como uma propriedade especifica. J\u00e1 no marxismo aparecem dois pontos importantes a serem relevados sobre a quest\u00e3o do desenvolvimento, em primeiro lugar acredita-se que nas velhas civiliza\u00e7\u00f5es havia novas descobertas que seriam inconceb\u00edveis, e por outro lado Marx inverteu a perspectiva dos processos de desenvolvimento e industrializa\u00e7\u00e3o, ele diz que a industrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno aut\u00f4nomo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] a industrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno aut\u00f4nomo e que se procura introduzir, de fora, em civiliza\u00e7\u00f5es que permaneceram na passividade. Ao contr\u00e1rio, a industrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o, e resultado indireto, da condi\u00e7\u00e3o das sociedades ditas \u201cprimitivas\u201d ou, mais exatamente, da rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre elas e o Ocidente. (L\u00c9VI-STRAUSS, 1987, p.319).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como nos afirma L\u00e9vi-Strauss<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levi-Strauss,%20Josinei.docx#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, a cultura ind\u00edgena encontra para si um tipo de ref\u00fagio que est\u00e1 ligada a sua pr\u00f3pria cultura que lhe reserva a civiliza\u00e7\u00e3o cultural. Como exemplo podemos notar:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os iroqueses do estado de nova Iorque, que fornecem, j\u00e1 h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, as melhores equipes especializadas na montagem de estruturas met\u00e1licas: pontes, arranha-c\u00e9us etc. Esta voca\u00e7\u00e3o se explica, de um lado, por um treinamento tradicional em ultrapassar torrentes e precip\u00edcios; e porque estes \u00edndios encontraram, talvez, numa atividade cheia de riscos, geradora de prestigio e bastante bem remunerada \u2013 e tamb\u00e9m intermitente, implicando um certo nomadismo \u2013 um substituto de suas velhas expedi\u00e7\u00f5es guerreiras.\u201d\u00a0 (L\u00c9VI-STRAUSS, 1987, p.323).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com este exemplo surgem ent\u00e3o muitas curiosidades a respeito do desenvolvimento da humanidade. Segundo L\u00e9vi-Strauss, s\u00e3o tr\u00eas as profundas causas de resist\u00eancia ao desenvolvimento: primeiro \u00e9 a tend\u00eancia que possu\u00eda uma grande maioria das sociedades primitivas que preferiam a unidade \u00e0 mudan\u00e7a; um segundo ponto \u00e9 o grande respeito pelas for\u00e7as naturais e a terceira resist\u00eancia consiste na recusa em aceitar a hist\u00f3ria como um devir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sobre a primeira fonte de resist\u00eancia ao desenvolvimento, pode-se notar que houve frequentemente uma invoca\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter competitivo daquelas sociedades que eram consideradas como primitivas. Assim, L\u00e9vi-Strauss faz a seguinte ressalva:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] a passividade e a indiferen\u00e7a, que chocaram os observadores, podem ser uma consequ\u00eancia do traumatismo consecutivo ao contato e n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o inicialmente dada. Contudo, deve-se insistir sobre o fato de que esta aus\u00eancia de espirito competitivo, muito frequentemente, n\u00e3o resulta de um estado induzido de fora ou de um condicionamento passivo anterior, por\u00e9m muito mais de um progresso deliberado, correspondente a uma certa concep\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre o homem e o mundo, e dos homens entre si.\u201d\u00a0\u00a0 (L\u00c9VI-STRAUSS, 1987, p.324).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 muito ligado \u00e0s sociedades primitivas, visto que eles tinham atitudes que demostravam que n\u00e3o deveria haver entre eles o esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o, como por exemplo podemos observar as partidas de futebol em que n\u00e3o deveriam ter\u00a0 vencedores ou perdedores, mas sim o equil\u00edbrio entre os que estavam jogando, pois se fosse necess\u00e1rio eles aumentavam os n\u00fameros de partidas para que houvesse assim um equil\u00edbrio e o jogo s\u00f3 terminava quando eles estivessem seguros de que n\u00e3o haveria nenhum perdedor. Sendo assim\u00a0 podemos perceber que eles preferiam a uni\u00e3o ao inv\u00e9s da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 na segunda forma de resist\u00eancia ao desenvolvimento, h\u00e1 diferentes concep\u00e7\u00f5es de natureza e cultura pelas sociedades primitivas havendo assim um profundo respeito pela natureza.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] entre os povos ditos como \u201cprimitivos\u201d a no\u00e7\u00e3o de natureza tem sempre um car\u00e1ter amb\u00edguo: a natureza \u00e9 pr\u00e9-cultura e tamb\u00e9m subcultura; mas \u00e9 especialmente o terreno no qual o homem pode esperar entrar em contato com os ancestrais, os esp\u00edritos e os\u00a0 deuses. Portanto, na no\u00e7\u00e3o de natureza h\u00e1 um incontestavelmente acima da cultura como a pr\u00f3pria natureza est\u00e1 abaixo desta. (L\u00c9VI-STRAUSS, 1987, p.325).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por fim, no terceiro tipo de resist\u00eancia ao desenvolvimento, encontramos a recusa da hist\u00f3ria, neste sentido poderia surgir um grande problema nas sociedades ditas \u201csem hist\u00f3ria\u201d, pois tudo o que existe, existe em um determinado tempo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Estas sociedades est\u00e3o na temporalidade como todas as outras, e com os mesmos direitos que elas, mas diferentemente do que acontece entre n\u00f3s, recusam-se a hist\u00f3ria, esfor\u00e7am-se por esterilizar em seu seio o que poderia constituir o esbo\u00e7o de um devir hist\u00f3rico. (L\u00c9VI-STRAUSS, 1987, p.326).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">As sociedades ocidentais foram criadas para a mudan\u00e7a e o seu principio \u00e9 a estrutura e a organiza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 as sociedades primitivas nos aparecem como tais, visto que foram concebidas por seus membros para durar e n\u00e3o transformar. Os primitivos n\u00e3o aceitam em seus territ\u00f3rios pessoas estrangeiras conseguintemente chegam at\u00e9 a negar-lhe as qualidades de homem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nada \u00e9 deixado ao acaso, \u00e9 o duplo princ\u00edpio de que \u00e9 preciso um lugar para cada coisa e que cada coisa deve estar em um lugar, impregna toda vida moral e social.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante do que abordamos, nota-se que estes tipos de resist\u00eancia n\u00e3o est\u00e3o muito presentes em nossa sociedade, visto que os tr\u00eas aspectos analisados hoje acontecem de forma diferente: h\u00e1 uma grande aceita\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as; muitas vezes o homem n\u00e3o tem respeito pela natureza, como se pode perceber a cada dia o aumento assustador de desmatamentos em nossas florestas; e mesmo havendo algumas vertentes contempor\u00e2neas que negam a historia, acreditamos que ainda haja respeito por ela, pois\u00a0 em tudo h\u00e1 um pouco de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">L\u00c9VI-STRAUSS, Claude. <em>Antropologia estrutural dois<\/em>. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1987.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Levi-Strauss,%20Josinei.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> Claude L\u00e9vi-Strauss foi um antrop\u00f3logo, professor e fil\u00f3sofo franc\u00eas. Nasceu em Bruxelas , no dia 28 de novembro de 1908; faleceu na cidade de Paris, em 30 de outubro de 2009. Foi fundador da antropologia estruturalista, considerado o intelectual do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity:1!important;background-image:initial!important;background-attachment:initial!important;background-color:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;z-index:999999!important;text-align:left!important;display:none;background-position:initial initial!important;background-repeat:initial initial!important;margin:0!important;padding:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;overflow:visible!important;background-image:0 color-stop(50%,#EEE), color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;padding:8px!important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;margin:0!important;padding:3px 5px 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Josinei da Rocha Neto A fraqueza do desenvolvimento foi denunciada por Auguste Comte, pois ele via no desenvolvimento da humanidade duas concep\u00e7\u00f5es, uma de progress\u00e3o e a outra de regress\u00e3o, ou ainda uma mistura das duas, por\u00e9m ele diz que seria necess\u00e1rio estudar o desenvolvimento como uma propriedade especifica. 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