{"id":2114,"date":"2012-02-08T16:20:24","date_gmt":"2012-02-08T19:20:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2114"},"modified":"2012-02-08T16:20:24","modified_gmt":"2012-02-08T19:20:24","slug":"a-concepcao-de-deus-na-filosofia-medieval-em-sao-tomas-de-aquino-santo-anselmo-e-santo-agostinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2114","title":{"rendered":"A concep\u00e7\u00e3o de Deus na filosofia medieval em S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, Santo Anselmo e Santo Agostinho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Rosemberg do Carmo Nascimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jhonatas Tadeu Costa Rosa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Desde os prim\u00f3rdios da filosofia, existiram v\u00e1rias formas e diversas teorias distintas para definir quem \u00e9 Deus e se ele existe. Utilizando princ\u00edpios f\u00edsicos, metaf\u00edsicos, espirituais e intuitivos, esses pensadores que iremos abordar como: S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274), Santo Anselmo (1033-1109) e Santo Agostinho (354-430) lan\u00e7aram algumas ideias sobre a concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de Deus, uma vez que, analisadas causam muitas d\u00favidas at\u00e9 mesmo para pessoas esclarecidas, pois, deixa transparecer que o princ\u00edpio de todas as coisas \u00e9 imposs\u00edvel de ser definido. Contudo, analisando a forma dos diversos pensamentos destes fil\u00f3sofos medievais a respeito do conceito de Deus, todavia,<strong> <\/strong>apesar de sua amplitude para a filosofia do ponto vista gnosiol\u00f3gico, torna-se dif\u00edcil chegar a uma acep\u00e7\u00e3o, pois, segundo eles, embora saibamos que Deus exista, e que \u00e9 a verdade suprema e o fim \u00faltimo a que aspira a nossa vontade, n\u00e3o nos \u00e9 dado compreend\u00ea-lo. Entretanto, a finalidade deste ensaio n\u00e3o \u00e9 definir quem \u00e9 Deus, mas, apresentar as principais ideias de Deus, segundo tais pensadores que aqui nos propomos a estudar. E al\u00e7ar questionamentos a fim de serem discutidos. Consequentemente, apesar das v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es de Deus, que eles apontaram iremos perceber a import\u00e2ncia de compreender o conceito de Deus mesmo que seja complexo e se torne imposs\u00edvel definir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesta proposta, buscaremos imagens reflexivas desses pensadores que s\u00e3o de extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia para a filosofia medieval, e que muito contribu\u00edram para a discuss\u00e3o, reflex\u00e3o e an\u00e1lise da problem\u00e1tica acerca da exist\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>A concep\u00e7\u00e3o agostiniana de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com o advento da filosofia patr\u00edstica e do cristianismo, originaram-se novas concep\u00e7\u00f5es de Deus, que desafiaram o pensamento filos\u00f3fico. Todavia, era necess\u00e1rio mostrar que esses problemas e respectivas solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o contradiziam a raz\u00e3o, isto \u00e9, que a f\u00e9 n\u00e3o se contrapunha \u00e0 racionalidade. Entretanto, a filosofia agostiniana e, conseguinte a filosofia crist\u00e3 como tal, atinge o seu auge, por meio do pensamento de Agostinho que gira em torno de Deus, uma vez que sua filosofia \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de sua vida, na qual se resume em uma busca ininterrupta de Deus.<strong> <\/strong>Agostinho encontrou a Deus tanto pela raz\u00e3o quanto pelo amor, ainda que sem possu\u00ed\u2013Lo. Por\u00e9m, a inquietude de sua alma vem a ser como uma sinopse de toda a sua vida. Por isso, o problema vital de Agostinho n\u00e3o se exprime na pergunta: que devo procurar? Mas, nesta outra: de que modo devo busc\u00e1-Lo a fim de encontrar repouso em sua posse definitiva?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho nunca p\u00f4s em d\u00favida a exist\u00eancia de Deus. Nenhuma problem\u00e1tica, nenhum ceticismo, e nem mesmo o estudo das opini\u00f5es discordantes dos fil\u00f3sofos puderam arrancar \u2013 lhe a convic\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 um Deus. Pois, a exist\u00eancia de Deus \u00e9 conhecida de todos os homens, com a exce\u00e7\u00e3o de alguns poucos que t\u00eam a natureza inteiramente corrompida com esta ressalva, a humanidade \u00e9 unanime em reconhecer um Deus criador. (BOEHNER; GILSON, 1998, p. 152).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, sua filosofia que trata a quest\u00e3o de Deus n\u00e3o constitu\u00eda um problema pessoal para Agostinho, mas nem por isso deixou de se interessar e de resolv\u00ea-lo de um modo inteiramente pessoal. Sua solu\u00e7\u00e3o faz parte integrante de sua doutrina ligada ao conhecimento que por sua vez, \u00e9 resultado da experi\u00eancia de intimidade com Deus.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tarde Vos amei, \u00f3 Beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova, tarde Vos amei! Eis que habit\u00e1veis dentro de mim, e eu l\u00e1 fora a procurar-Vos! Disforme, lan\u00e7ava-me sobre estas formosuras que criastes. Est\u00e1veis comigo e eu n\u00e3o estava convosco. (AGOSTINHO, 1980, p. 38).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O conceito agostiniano a respeito de Deus \u00e9 o \u00e1pice da filosofia crist\u00e3, pois nos apresenta provas sobre o problema da exist\u00eancia de Deus, que s\u00e3o desenvolvidas atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia interior.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ali\u00e1s, fazendo um paralelo entre o conhecimento sens\u00edvel de Deus e a ordem do conhecimento intelectivo, pode-se dizer que Agostinho come\u00e7a pelo conhecimento mais evidente: o sens\u00edvel possui um sentido exclusivamente pr\u00f3prio isto \u00e9 n\u00e3o se limita a um \u00fanico sentido, mas, pelo contr\u00e1rio pressup\u00f5e a exist\u00eancia de uma for\u00e7a superior, ou seja, a faculdade de julgar os sentidos, a saber: de um sentido interior. J\u00e1 o conhecimento intelectivo \u00e9 aquele guiado e dominado pela raz\u00e3o: \u201cAcima da raz\u00e3o est\u00e1 \u00e0 verdade que julga e modera a raz\u00e3o\u201d (BOEHNER; GILSON, 1998, p.155).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por conseguinte, ser\u00e1 Deus esse algo superior \u00e0 raz\u00e3o? \u00c9 capaz de existir algo acima da raz\u00e3o para dispormos das provas da exist\u00eancia de Deus? Ademais, a finalidade de Agostinho n\u00e3o \u00e9 estabelecer um fato da exist\u00eancia de Deus, mas levantar questionamentos sobre o que \u00e9 Deus, por\u00e9m n\u00e3o havendo acep\u00e7\u00f5es, assim como foi ressaltado podemos dizer segundo a concep\u00e7\u00e3o de Agostinho, que Deus pode ser compreendido como algo que transcende a raz\u00e3o, isto \u00e9, Deus deve ser encontrado no reino da verdade, ou em algo de que a verdade depende, e que explica as condi\u00e7\u00f5es de verdade, por isso, que Agostinho n\u00e3o determina a realidade exata que se deve atribuir a Deus. Ao contr\u00e1rio, contenta-se a descoberta de uma realidade que ultrapassa a raz\u00e3o e que, imediatamente, deva ser buscada no dom\u00ednio espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Al\u00e9m disso, torna-se claro que, assim que a prova de Agostinho da exist\u00eancia de Deus outra coisa sen\u00e3o seria a s\u00edntese de sua experi\u00eancia pessoal. Experi\u00eancias essas que foram adquiridas no curso de sua liberta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica que se tornaram outros meios de aproxima\u00e7\u00e3o de Deus, pois, de racionalista transforma-se em defensor intransigente da f\u00e9. Por\u00e9m, na filosofia agostiniana, a teoria do conhecimento \u00e9 insepar\u00e1vel da prova da exist\u00eancia de Deus, porque, sempre estava convicto de que existia um Deus que atrav\u00e9s do conhecimento e da f\u00e9 o homem alcan\u00e7aria a contempla\u00e7\u00e3o que o conduziria a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enfim, Agostinho investiga sobre o livre arb\u00edtrio, que primeiramente, corrobora na exist\u00eancia de Deus.Depois, prova que o livre-arb\u00edtrio \u00e9 um bem e que, por conseguinte, prov\u00e9m de Deus, pois, d\u00e1 ao ser humano a faculdade de discernir. Mas, para chegar \u00e0 exist\u00eancia de Deus, segundo Agostinho, \u00e9 preciso partir do \u00fanico ser que pode fazer tal investiga\u00e7\u00e3o: o homem. Agostinho atrav\u00e9s dessa certeza implica que h\u00e1 tr\u00eas verdades: pensar, viver e existir. \u201cO sujeito que pensa n\u00e3o pode pensar sem viver, nem viver sem existir, ele sabe que pensa que vive e que existe\u201d. (BOEHNER; GILSON, 1998, p.154).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dessas tr\u00eas verdades, a mais importante \u00e9 a \u00faltima.\u00a0 Isso porque, aquele que s\u00f3 existe vive e entende, mas, aquele que s\u00f3 vive, existe, por\u00e9m n\u00e3o entende e aquele que entende necessariamente existe e vive.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Logo, Agostinho parte do homem porque, partindo da criatura mais completa, chega-se ao criador perfeito. N\u00e3o que se consiga entender o criador, o que seria imposs\u00edvel, mas ao menos se consegue comprovar sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>A concep\u00e7\u00e3o tomista de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 a concep\u00e7\u00e3o de Deus na filosofia medieval a partir de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, demarca o embate filos\u00f3fico do pensamento Tomista, que \u00e9 abordado na suma teol\u00f3gica em que o problema central da filosofia, \u00e9 responder a tais questionamentos sobre Deus e o principal intuito, pois da Doutrina sagrada, \u00e9 transmitir o conhecimento de Deus, n\u00e3o somente enquanto existente em si, mas como princ\u00edpio e fim dos seres. Segundo a filosofia tomista, a pr\u00f3pria estrutura do ser humano est\u00e1 a exigir que o seu conhecimento comece pelos sentidos, a partir deles eleva-se ao suprassens\u00edvel, e at\u00e9 a pr\u00f3pria divindade. Esta concep\u00e7\u00e3o do processo gnosiol\u00f3gico determina a posi\u00e7\u00e3o tomista perante o problema de Deus. Desta forma segundo a filosofia Tomista, o caminho que leva o homem ao conhecimento de Deus deve passar pelas coisas sens\u00edveis. Por isso os argumentos tomistas da exist\u00eancia de Deus v\u00eam expostos, tanto na <em>Summa<\/em> <em>Contra Gentiles <\/em>como na <em>Summa<\/em> <em>Theologica.<\/em> Consequentemente, a argumenta\u00e7\u00e3o da Suma contra os Gentios \u00e9 mais aperfei\u00e7oada e minuciosa. A suma teol\u00f3gica retoma a metaf\u00edsica de Arist\u00f3teles agora com s\u00e3o Tom\u00e1s usado numa interpreta\u00e7\u00e3o crist\u00e3, para fundamentar as provas da exist\u00eancia de Deus. Segundo S. Tom\u00e1s por cinco vias pode-se provar a exist\u00eancia de Deus. Contudo, na primeira via manifesta a proced\u00eancia do movimento segundo ele tudo o que \u00e9 movido \u00e9 movido pelo outro;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nada \u00e9 movido sen\u00e3o enquanto est\u00e1 em pot\u00eancia relativamente \u00e0quilo que \u00e9 movido sen\u00e3o enquanto est\u00e1 em pot\u00eancia relativamente \u00e0quilo a que \u00e9 movido. Pois, mover outra coisa n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o levar alguma coisa da pot\u00eancia ao ato. (ato \u2013 realidade) [&#8230;]. Pois, bem \u00e9 imposs\u00edvel estar em ato e em pot\u00eancia ao mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista, logo pela mesma raz\u00e3o, \u00e9 imposs\u00edvel uma coisa ser motora e movida do mesmo ponto de vista e do mesmo modo, ou seja, lhe \u00e9 imposs\u00edvel mover-se a si mesma. Por conseguinte, tudo o que \u00e9 movido h\u00e1 de s\u00ea-lo por outro. Se, portanto, o motor \u00e9 por sua vez movido tamb\u00e9m ele deve ser movido por outro, e este por outro. Ora, n\u00e3o se pode proceder assim o infinito, pois n\u00e3o haveria nenhum primeiro motor, e, por conseguinte n\u00e3o haveria absolutamente nenhum motor; pois os motores segundo (ou subordinados) n\u00e3o movem enquanto s\u00e3o movidos pelo primeiro motor: Logo, \u00e9 necess\u00e1rio chegar a um primeiro motor que n\u00e3o seja movido por nenhum outro, ao qual todos d\u00e3o o nome de Deus. (BOEHNER; GILSON, 1998, p.453).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na segunda via procede da natureza da causa eficiente. Nas coisas sens\u00edveis observamos uma ordem de causas eficientes. Entretanto, tratando \u2013 se do infinito podemos dizer que nas causas eficientes, n\u00e3o haver\u00e1 causa eficiente primeira, nem efeito \u00faltimo nem causas eficientes intermedi\u00e1rias. O que se pode dizer que \u00e9 falso. Logo, \u00e9 necess\u00e1rio admitir uma causa eficiente primeira a qual todos d\u00e3o o nome de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por isso na terceira via entre as coisas, que encontramos algumas que podem ser e n\u00e3o ser, porquanto podem ser geradas e corrompidas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0J\u00e1 na quarta via procede dos graus que se encontram nas coisas. Logo h\u00e1 um ser que \u00e9 causa do ser, da bondade e de toda e qualquer perfei\u00e7\u00e3o e este se chama Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na quinta via procede do governo das coisas, pois se observam que algumas coisas, carecentes do conhecimento, tais como os corpos naturais, operam em vista de um fim; com isso pode-se concluir que algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais se ordenam a um fim, que chamamos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Embora, sejam opostas as provas, as cinco vias seguem um fio condutor uniforme. Em primeiro lugar todas elas partem de uma realidade concreta, verific\u00e1vel e sens\u00edvel, o que lhes d\u00e1 um cunho essencialmente distinto de todos os argumentos genuinamente agostinianos, que partem preferentemente de experi\u00eancia interna.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>A concep\u00e7\u00e3o anselmiana de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Santo Anselmo \u00e9 considerado o pai da escol\u00e1stica. E com raz\u00e3o em sua pessoa a aceita\u00e7\u00e3o incondicional da verdade revelada alia &#8211; se ao empenho veemente de penetr\u00e1-la com a luz do entendimento e de fundament\u00e1-la com raz\u00f5es indiscut\u00edveis. Todavia, ele faz uma s\u00e9rie de levantamentos de quest\u00f5es e afirma\u00e7\u00f5es que t\u00eam por objetivo, defender e de certa forma, provar a exist\u00eancia de Deus. O pensador de forma muito singular diz que: \u201cDeus \u00e9 o ser do qual n\u00e3o se pode pensar nada maior.\u201d (ANSELMO, 1973, p. 108).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na verdade, todo ser racional tem em si a consci\u00eancia de uma realidade Suprema e inating\u00edvel. As coisas n\u00e3o podem ser id\u00eanticas em potencialidades ou em capacidades totais. Deve, pois, haver um fim m\u00e1ximo de todo o existente, pois, tudo se volta para seu \u00e1pice. Este fim, para definir, \u00e9 Deus. Nessa perspectiva Anselmo formula uma s\u00e9rie de no\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas para dizer que a inexist\u00eancia \u00e9 imposs\u00edvel. Ele diz que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quem compreende o que Deus \u00e9 certamente n\u00e3o pode pensar que ele n\u00e3o exista, mas o poderia, se repetisse na mente a palavra Deus sem atribuir-lhe nenhum significado ou significando coisa completamente diferente.\u00a0 (ANSELMO, 1973, P. 110).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Contudo, o escol\u00e1stico leva a exist\u00eancia de Deus a um jogo l\u00f3gico que quase n\u00e3o abre espa\u00e7o para a cren\u00e7a na exist\u00eancia de Deus. Se pudermos pensar algo e este algo se apresenta em nosso pensar como algo claro, n\u00e3o podemos questionar a sua veracidade existencial. Logo, pensar em Deus como Ele supostamente \u00e9, n\u00e3o podemos dizer de forma alguma que Ele n\u00e3o exista.\u00a0 Se, pois, somos capazes de pensar em Deus, somos obrigados e assumir que Ele \u00e9 existente. E se assumimos a sua exist\u00eancia n\u00f3s o concebemos como Todo Poderoso. Mas, como pode ser todo Poderoso quem n\u00e3o \u00e9 capaz de tudo? Deus n\u00e3o pode, por exemplo, sofrer das fraquezas da carne, pois Ele n\u00e3o \u00e9 uma realidade sens\u00edvel. E ent\u00e3o como pode tudo se n\u00e3o pode Sofrer? Para tal quest\u00e3o Anselmo formula a resposta, \u201cQuem \u00e9 capaz de conhecer \u00e9 capaz de sentir\u201d (ANSELMO, 1973, P. 111). Deus n\u00e3o necessita de ser sens\u00edvel para saber o que s\u00e3o as limita\u00e7\u00f5es desta realidade, pois, Ele sendo eterno e conhecedor de todas as realidades sabe tudo o que se sente sendo limitado mesmo que para Ele n\u00e3o existam limites. Todavia, Deus sabe tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Uma das maiores dificuldades dos pensadores escol\u00e1sticos era fazer uma liga\u00e7\u00e3o entre um Deus misericordioso e justo em uma mesma pessoa. Era quase imposs\u00edvel pensar em um Deus que fosse misericordioso e ao mesmo tempo justo. Dessa forma, Ele deixaria de praticar a miseric\u00f3rdia para praticar a justi\u00e7a e sendo justo deixaria de lado a miseric\u00f3rdia para praticar a justi\u00e7a. Anselmo chega a uma via para esta quest\u00e3o ao pensar que: \u201cTu \u00e9s misericordioso porque \u00e9 sumamente bom, e \u00e9s sumamente bom porque sumamente justo, deve-se admitir que \u00e9s verdadeiramente misericordioso porque \u00e9s sumamente justo\u201d (ANSELMO, 1973, p. 114 ). Assim sendo, Anselmo encerra de certa forma, esta indaga\u00e7\u00e3o que colocava Deus entre a miseric\u00f3rdia e a justi\u00e7a com o pensamento intr\u00ednseco a sua fala, a justi\u00e7a de Deus \u00e9 a miseric\u00f3rdia e ao mesmo tempo refor\u00e7a tal afirma\u00e7\u00e3o ao dizer: \u201c\u00c9 mais justo aquele que retribui aos bons e aos maus, e n\u00e3o somente aos bons, segundo os seus m\u00e9ritos. Portanto, tu \u00e9s justo conforme a tua natureza, \u00f3 Deus justo e benigno, tanto ao castigar como ao perdoar.\u201d Ainda dentro do pensamento de Anselmo, se antes ele disse que o ser Divino existe, pois podemos pensa-Lo, agora ele diz que \u201c Tu n\u00e3o \u00e9s apenas aquilo de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar nada maior, mas \u00e9s, tamb\u00e9m, t\u00e3o Grande que superas a nossa possibilidade de pensar-te\u201d (ANSELMO, 1973, p. 119).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desse modo, o fil\u00f3sofo chega n\u00e3o a anular seus ditos anteriores, mas a fortalec\u00ea-los. Ao dizer que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar Deus, ele diz que n\u00e3o podemos compreender o Divino como Ele \u00e9 em sua ess\u00eancia, pois sua ess\u00eancia esta muito al\u00e9m da nossa capacidade de compreens\u00e3o. Por tal dito, Deus na concep\u00e7\u00e3o anselmiana \u00e9 algo existente e que est\u00e1 acima de todas as realidades, at\u00e9 mesmo da realidade pensante. Podemos pensa-Lo de modo que obrigue a sua exist\u00eancia, mas n\u00e3o podemos pensa-lo de modo que este pensar nos revele quem Ele \u00e9 inteiramente. \u201cTu est\u00e1s inteiro por toda a parte e a tua eternidade \u00e9 inteira e imperec\u00edvel\u201d (ANSELMO, 1973, p. 122). Deus \u00e9 o princ\u00edpio e o fim de todas as coisas, Ele existe antes, durante e depois de todas as coisas, pois Ele criou tudo, mant\u00eam tudo e permanecer\u00e1 eterno e imut\u00e1vel depois que todas as coisas tiverem seu fim. Em tudo se pode notar Deus pois em cada criatura est\u00e1 uma inscri\u00e7\u00e3o de seu Criador. Ele criou todas as coisas existentes a nossas realidades sens\u00edveis a tamb\u00e9m aquelas que nossa limita\u00e7\u00e3o sensitiva n\u00e3o \u00e9 capaz de perceber somente sofrer suas consequ\u00eancias. O exemplo mais comum disto apresentado por Anselmo \u00e9 o tempo. De fato, todas as coisas vem de Deus inclusive o tempo. Antes que o tempo primeiro existisse o Senhor j\u00e1 era soberano. N\u00e3o se pode pensar qual \u00e9 o tempo inicial de Deus pois Ele n\u00e3o tem um in\u00edcio e todo o tempo s\u00f3 passou e existir por pura vontade Divina. N\u00e3o podemos incluir DEUS nas grades de tempo e realidades materiais, pois Ele transcende a todas as realidades e \u00e9 anterior a todo o existente. \u201cTu est\u00e1s de tal maneira fora do espa\u00e7o que n\u00e3o h\u00e1 em ti nem meio, nem metade, nem parte alguma.\u201d (ANSELMO, 1973, p.123 ).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em Suma, conclui-se que s\u00e3o muitas as dificuldades para chegar \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de Deus que seria algo imposs\u00edvel como retratou os pensadores da patr\u00edstica e da escol\u00e1stica que de forma muito singular nos dizem que Deus \u00e9 o ser do qual n\u00e3o se pode pensar nada maior. Dessa forma, como sabemos, desde o limiar da filosofia, existiram v\u00e1rias formas distintas e diversas teorias a fim de definir o que \u00e9 Deus esses pensadores que aqui abordamos como S\u00e3o Tom\u00e1s, Santo Anselmo e Santo Agostinho lan\u00e7aram profundas ideias sobre a concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de Deus, uma vez que, deixa transparecer que o princ\u00edpio de todas as coisas \u00e9 imposs\u00edvel de ser definido. Por\u00e9m a perspectiva do ensaio n\u00e3o era definir o conceito de Deus, mas, al\u00e7ar questionamentos e reflex\u00f5es a cerca do tema proposto. Por isso, percebemos que apesar das v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es que eles nos apontaram a fundamenta\u00e7\u00e3o e a prova da exist\u00eancia de Deus n\u00e3o se esgotou na filosofia medieval, perpetuando at\u00e9 hoje na discuss\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">AGOSTINHO, Santo. <em>Confiss\u00f5es<\/em>. Trad. de J. Oliveira Santos, S. J e Ambr\u00f3sio de Pina; e \u00c2ngelo Ricci. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1980. (Os pensadores).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ANSELMO de Cantu\u00e1ria. <em>Prosl\u00f3gio<\/em>. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973. (Os pensadores).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">AQUINO, Tom\u00e1s de.<em> Suma Teol\u00f3gica<\/em>. Trad. de Alexandre Corr\u00eaa, org. de Rodov\u00edlio\u00a0 Costa e Lu\u00eds A. De Boni, introdu\u00e7\u00e3o de Martin Grabmann. Porto Alegre: ESTSB\/ Caxias do Sul: UCS, 1980. v. I<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. <em>Hist\u00f3ria da filosofia crist\u00e3<\/em>: desde as origens at\u00e9 Nicolau de Cusa. Tradu\u00e7\u00e3o de Raimundo Vier. 4. ed. Rio de janeiro: Vozes, 1970.<\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"display:none;opacity:1!important;background:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;overflow:visible!important;z-index:999999!important;text-align:left!important;border-color:none!important;margin:0!important;padding:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;overflow:visible!important;background-image:0 color-stop(50%,#EEE), color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;padding:8px!important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;margin:0!important;padding:3px 5px 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosemberg do Carmo Nascimento Jhonatas Tadeu Costa Rosa Desde os prim\u00f3rdios da filosofia, existiram v\u00e1rias formas e diversas teorias distintas para definir quem \u00e9 Deus e se ele existe. Utilizando princ\u00edpios f\u00edsicos, metaf\u00edsicos, espirituais e intuitivos, esses pensadores que iremos abordar como: S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274), Santo Anselmo (1033-1109) e Santo Agostinho (354-430) lan\u00e7aram &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[69,134,137,138,141],"tags":[253],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2114","6":"format-standard","7":"category-jhonatas-tadeu-costa-rosa","8":"category-rosemberg-carmo-nascimento","9":"category-santo-agostinho","10":"category-santo-anselmo","11":"category-sao-tomas-de-aquino","12":"post_tag-deus"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2114\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}