{"id":2118,"date":"2012-02-08T16:38:40","date_gmt":"2012-02-08T19:38:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2118"},"modified":"2012-02-08T16:38:40","modified_gmt":"2012-02-08T19:38:40","slug":"o-rosto-enquanto-epifania-segundo-emmanuel-levinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2118","title":{"rendered":"O rosto enquanto epifania segundo Emmanuel Levinas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jos\u00e9 Tarc\u00edsio da Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">O presente artigo tem como objetivo abordar a problem\u00e1tica do rosto segundo Emmanuel Levinas. A partir disso, temos algumas quest\u00f5es para tentar compreender: em primeiro lugar, quem \u00e9 o outro, ou seja, o homem? Ao falar do rosto, qual \u00e9 a vis\u00e3o filos\u00f3fica de Levinas para este tema t\u00e3o amplo? \u00c9 poss\u00edvel uma rela\u00e7\u00e3o sem levar em considera\u00e7\u00e3o o rosto?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando falamos de rosto lembramos logo de algo f\u00edsico que caracteriza o ser humano, porque ele na sua constitui\u00e7\u00e3o tem algo de especial que o diferencia das outras coisas que o rodeiam. H\u00e1 muitas pessoas que utilizam de meios cosm\u00e9ticos para terem uma boa apar\u00eancia diante das outras pessoas; fazem cirurgias para poderem aperfei\u00e7oar o rosto por pensarem que podem chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, muitas dessas pessoas acabam desiludidas porque n\u00e3o conseguem ter um rosto perfeito. A apar\u00eancia conta muito na hora da rela\u00e7\u00e3o, por isso muitos investem em maquiagens para passarem uma boa impress\u00e3o. Mas, n\u00e3o \u00e9 propriamente esse rosto a que Levinas se refere.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo o fil\u00f3sofo, \u201c\u2018a verdadeira ess\u00eancia do ser humano se apresenta em seu rosto\u2019 (O ser \u00e9 exterioridade), o que implica partir do rosto como \u2018epifania\u2019 do outro. Ele n\u00e3o \u00e9 tanto uma parte corporal ou uma imagem, mas uma figura do al\u00e9m do vis\u00edvel\u201d (CAMUS, 2010, p. 237). Com isso podemos afirmar que o rosto \u00e9 aquilo que caracteriza o ser humano e o diferencia dos demais seres; o rosto \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de cada pessoa enquanto outrem que se relaciona a partir desse mesmo rosto. O rosto n\u00e3o \u00e9 somente algo f\u00edsico ou corporal, mas uma imagem que transcende o que \u00e9 apresentado pelo corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O termo epifania \u00e9 entendido por Levinas como revela\u00e7\u00e3o, sob influ\u00eancia da cultura judaica e a ideia de Deus se revela ao seu povo escolhido. Segundo Levinas,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O rosto, como epifania, revela e expressa a alteridade do outro. O rosto, em sua epifania, n\u00e3o \u00e9 simplesmente aquilo que aparece na forma de luz, sens\u00edvel ou intelig\u00edvel. A partir da sua exterioridade, o rosto do outro se exprime como revela\u00e7\u00e3o, que na sua nudez, \u00e9 pen\u00faria. (MELO, 2001, p. 22).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em Levinas, podemos falar tamb\u00e9m de uma epifania na religi\u00e3o, pois o Deus de Abra\u00e3o, Isaac e Jac\u00f3 se revela para aqueles que Ele escolhe. Esse Deus convida o seu povo a uma rela\u00e7\u00e3o na qual Ele \u00e9 o senhor e o povo seus eleitos, nessa rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma Alian\u00e7a, e \u00e9 nessa alian\u00e7a que se firmam as leis e a moral do povo judeu. Um Deus que, diferentemente dos deuses gregos, se abre e se manifesta a quem Ele deseja.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A epifania de Deus se d\u00e1 pela rela\u00e7\u00e3o face-a-face, entre eu e o outro, especialmente o pobre, identificado como \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava, o estrangeiro. (&#8230;) A epifania do olhar deve ser entendida de modo inteiramente diverso da manifesta\u00e7\u00e3o (&#8230;). O olhar (&#8230;) me atinge diretamente porque penetra sem media\u00e7\u00f5es e, no entanto, permanece absolutamente exterior ao mundo, de exterioridade n\u00e3o espacial, como um estranho n\u00e3o mundo no mundo. (&#8230;) O rosto em que outrem se volta para mim n\u00e3o se incorpora na representa\u00e7\u00e3o do rosto. (PAIVA; ESTEVAM, 2010, p. 398-400).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao falar do rosto do outro, numa abertura para a divindade, Levinas est\u00e1 influenciado pelo dec\u00e1logo, isto \u00e9, os dez mandamentos, e se conduz pelo quinto mandamento \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d. E nessa rela\u00e7\u00e3o com outrem \u00e9 necess\u00e1rio \u201couvir a sua mis\u00e9ria que clama justi\u00e7a n\u00e3o consiste em representar-se uma imagem, mas em colocar-se como respons\u00e1vel, ao mesmo tempo como mais e como menos do que ser que se apresenta no rosto\u201d (PAIVA; ESTEVAM, 2010, p.400).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A epifania traz consigo algumas obriga\u00e7\u00f5es, ou seja, diante de outrem eu n\u00e3o posso ficar inerte, sem nenhuma atitude, ele me chama, me questiona e exige de mim uma resposta perante o seu olhar, isto \u00e9, seu rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se por um lado, sabemos que o rosto convida a uma rela\u00e7\u00e3o, por outro n\u00e3o podemos recusar-lhe uma resposta; uma rela\u00e7\u00e3o passa necessariamente pelo rosto, que se apresenta dentro de um contexto. Ele, rosto, \u00e9 ainda a parte do corpo mais desprotegida, porque n\u00e3o possui nenhuma m\u00e1scara que o proteja.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A nudez do rosto \u00e9 um desenraizamento do contexto do mundo, do mundo que significa como contexto. O rosto \u00e9 precisamente aquilo pelo qual se produz originalmente o acontecimento excepcional do em face, que a fachada do pr\u00e9dio e das coisas n\u00e3o faz sen\u00e3o imitar. (PAIVA; ESTEVAM, 2010, p. 401).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Certamente falar do rosto em Levinas abre caminhos para uma atitude \u00e9tica perante o outro. N\u00e3o podemos reduzir o rosto a um fen\u00f4meno f\u00edsico, ele convida a uma rela\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do face-a-face, isto \u00e9, uma rela\u00e7\u00e3o de alteridade. Apesar de vivermos numa sociedade em que nos preocupamos tanto com a apar\u00eancia, ainda assim \u00e9 poss\u00edvel uma alteridade se formos capazes de acolher o rosto para al\u00e9m das apar\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"text-decoration:underline;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">CAMUS, Sebastian et al. <strong>100 obras-chave de filosofia<\/strong>. Trad. L\u00facia Mathilde Endlich Orth. Petr\u00f3polis: Vozes, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PAIVA, M\u00e1rcio Ant\u00f4nio de; ESTEVAM, Jos\u00e9 Geraldo. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9tica como religi\u00e3o em Emmanuel Levinas. <strong>S\u00edntese<\/strong>, Belo Horizonte, v. 37., n. 119., p. 383-406, set. 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MELO, Edvaldo Ant\u00f4nio de. <strong>O rosto como fonte origin\u00e1ria do sentido \u00e9tico em Levinas<\/strong>. 2001. 40 f. TCC (Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia) \u2013 PUC-Minas, Departamento de Filosofia e Teologia, Belo horizonte, 2001.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tarc\u00edsio da Costa O presente artigo tem como objetivo abordar a problem\u00e1tica do rosto segundo Emmanuel Levinas. A partir disso, temos algumas quest\u00f5es para tentar compreender: em primeiro lugar, quem \u00e9 o outro, ou seja, o homem? 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