{"id":2180,"date":"2012-04-14T18:36:08","date_gmt":"2012-04-14T21:36:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2180"},"modified":"2012-04-14T18:36:08","modified_gmt":"2012-04-14T21:36:08","slug":"eudaimonia-a-vida-feliz-no-pensamento-aristotelico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2180","title":{"rendered":"Eudaimonia: a vida feliz no pensamento aristot\u00e9lico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Daniel Fernandes Moreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A vida \u00e9 uma caminhada da qual todos n\u00f3s estamos \u00e0 merc\u00ea. Estes caminhos podem nos levar a uma vida repleta de alegrias ou de sofrimentos, dependendo do rumo que dermos ela. Ao nos debru\u00e7armos sobre a \u00e9tica aristot\u00e9lica, inquietam-nos algumas perguntas: \u201cQual a melhor vida? Qual \u00e9 o bem supremo da vida? O que \u00e9 virtude? Como encontrar felicidade?\u201d (DURANT, s.d., p. 73) Para estas quest\u00f5es Arist\u00f3teles dedica dois de seus livros: \u201cA \u00c9tica\u201d e \u201c\u00c9tica a Nic\u00f4maco\u201d tendo em vista responde-las e nos apresentar um caminho para a busca da eudaimonia, da vida feliz a qual todos aspiramos. O presente artigo tem como objetivo investigar se \u00e9 verdadeiramente poss\u00edvel a exist\u00eancia desta vida feliz, qual o caminho para alcan\u00e7\u00e1-la e, afinal de contas, o que \u00e9 esta felicidade proposta pelo nosso fil\u00f3sofo tendo como base a sua obra intitulada \u201c\u00c9tica a Nic\u00f4maco\u201d uma vez que todos n\u00f3s almejamos a felicidade e a vida feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>O que \u00e9 felicidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para entendermos o que Arist\u00f3teles apresenta sobre a felicidade temos que primeiramente descobrir o que \u00e9 o bem para este autor:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Admite-se geralmente que toda arte e toda investiga\u00e7\u00e3o, assim como toda a\u00e7\u00e3o e toda escolha, tem em mira um bem qualquer; e por isso foi dito, com muito acerto, que o bem \u00e9 aquilo para que todas as coisas tendem.<em> <\/em>Mas observa-se entre os fins uma certa diferen\u00e7a: alguns s\u00e3o atividades, outros s\u00e3o produtos distintos das atividades que os produzem. Onde existem fins distintos das a\u00e7\u00f5es, s\u00e3o eles por natureza mais excelentes do que estas. (ARIST\u00d3TELES, 1979, p. 49)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fica bastante claro o que Arist\u00f3teles quer dizer sobre o bem. Percebemos que para Arist\u00f3teles bem \u00e9 um fim, algo que n\u00f3s procuramos por si mesmo e n\u00e3o em busca de outras coisas, pois se assim fosse estas coisas n\u00e3o seriam um fim, mas um caminho para ele e, ainda, bem \u00e9 o final de toda a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entre os bens, os fins, existem alguns que s\u00e3o mais nobres e mais desej\u00e1veis que os outros. Mas qual seria? O fil\u00f3sofo apresenta claramente que um deles \u00e9 a felicidade uma vez que \u201c(&#8230;) escolhemos a felicidade por ela pr\u00f3pria, sem ter em vista algo mais remoto; pelo contr\u00e1rio, escolhemos a honra, o prazer, o intelecto (&#8230;) por acreditarmos que atrav\u00e9s deles sermos felizes\u201d (ARIST\u00d3TELES <em>apud <\/em>DURANT, s.d., p. 74).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agora que j\u00e1 sabemos o que \u00e9 o bem e colocamos a felicidade em seu devido lugar, podemos voltar para a nossa investiga\u00e7\u00e3o, afinal o que \u00e9 felicidade?\u00a0 Na \u00e9poca do nosso fil\u00f3sofo havia diversos conceitos de felicidade e \u201cArist\u00f3teles sabe disso; e por isso, de prop\u00f3sito, reduz a tr\u00eas essas diversas opini\u00f5es: a felicidade \u00e9 o prazer, a felicidade \u00e9 a gl\u00f3ria ou a virtude, a felicidade \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o\u201d (PHILIPPE, 2002, p.33). Todas essas maneiras de conhecer a felicidade mostram que ela \u00e9 um fim \u00faltimo das nossas atividades, pois se procuramos o prazer \u00e9 para encontrarmos a felicidade, se vivemos a procura de gl\u00f3ria ou em uma vida virtuosa \u00e9 porque queremos ser felizes e, se levamos uma vida contemplativa, \u00e9 porque encontramos nela a felicidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A felicidade \u00e9 o fim \u00faltimo das nossas atividades e n\u00e3o atividades e n\u00e3o o seu fim particular e intermedi\u00e1rio, porque \u00e9 o bem supremo do homem, isto \u00e9, o bem perfeito que lhe basta e que se o procura por si mesmo. (PHILIPPE, 2002, p.34).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Como se alcan\u00e7a a felicidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles, entretanto, n\u00e3o \u00e9 definir o que \u00e9 felicidade, mas nos mostrar um caminho para alcan\u00e7armos a felicidade. Em sua defini\u00e7\u00e3o de felicidade ele nos apresenta dois caminhos: um a \u201cvida pol\u00edtica e moral, a que se dilata sob o controle da \u2018reta raz\u00e3o\u2019; [e outro a] vida contemplativa, que exalta a parte mais divina da natureza humana, (&#8230;) capacidade natural de atingir a verdade \u00faltima\u201d (PHILIPPE, 2002, p.33).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A vida pol\u00edtica e moral que deve ser regida pela \u201creta raz\u00e3o\u201d \u00e9 a vida virtuosa, a vida pr\u00e1tica, o bem agir e aqui entra no pensamento aristot\u00e9lico toda a discuss\u00e3o sobre o meio termo que \u00e9 a \u00fanica forma de agirmos bem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esse meio termo, a virtude, \u00e9 a justa medida entre dois extremos de uma a\u00e7\u00e3o, por exemplo: o meio termo (que \u00e9 a virtude) dos prazeres \u00e9 a temperan\u00e7a, ao passo que os extremos (que s\u00e3o os v\u00edcios) s\u00e3o a libertinagem e a insensibilidade. O meio termo n\u00e3o \u00e9 \u00fanico: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que esta \u00e9 a temperan\u00e7a para todos os homens, o que posso dizer \u00e9 que h\u00e1 uma determinada medida que \u00e9 a medida do homem bom e virtuoso. \u201c(&#8230;) a virtude e o homem bom como tais s\u00e3o a medida de todas as coisas (&#8230;)\u201d (ARIST\u00d3TELES, 1979, p. 226).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Porem, o homem virtuoso e, por conseguinte feliz, n\u00e3o o \u00e9 em determinados momentos, mas ele s\u00f3 pode ser considerado assim no decorrer de sua vida, pois \u201cuma andorinha n\u00e3o faz ver\u00e3o, nem um dia t\u00e3o pouco; e da mesma forma um dia, ou um breve espa\u00e7o de tempo, n\u00e3o faz um homem feliz e venturoso\u201d (ARIST\u00d3TELES, 1979, p. 56).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo Arist\u00f3teles, \u00e9 necess\u00e1ria uma vida virtuosa para alcan\u00e7armos a felicidade, porem em segundo plano, porque em primeiro plano temos a vida contemplativa, n\u00e3o a contempla\u00e7\u00e3o das Ideias de Plat\u00e3o, mas uma vida autossuficiente, uma vida compar\u00e1vel \u00e0 vida dos deuses, ou seja, uma vida sem muitas necessidades, uma vida sem apegos, uma vida livre. \u00c9 esta vida que \u00e9 considerada a vida feliz, a vida eudaim\u00f4nica e quem nos permite isso \u00e9 a raz\u00e3o: \u201ca raz\u00e3o \u00e9 divina em compara\u00e7\u00e3o com o homem, a vida conforme a raz\u00e3o \u00e9 divina em compara\u00e7\u00e3o com a vida humana (&#8230;) procuremos tornar-nos imortais e envidar todos os esfor\u00e7os para viver de acordo com o que h\u00e1 de melhor em n\u00f3s\u201d (ARIST\u00d3TELES, 1979, p. 229).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ap\u00f3s essa breve explana\u00e7\u00e3o sobre a felicidade, conclu\u00edmos que a felicidade \u00e9 um caminho de toda uma vida que deve ser guiada segundo a raz\u00e3o; que a felicidade n\u00e3o \u00e9 uma disposi\u00e7\u00e3o, mas sim uma atividade; que ela \u00e9 um fim em si mesma e, portanto, o bem supremo e que a \u00fanica forma de a alcan\u00e7armos \u00e9 tendo uma vida autossuficiente e virtuosa, ou como o nosso filosofo disse uma vida contemplativa e pratica, nos esfor\u00e7ando a cada dia para viver de acordo com a nossa raz\u00e3o e, somente se assim o fizermos \u00e9 que seremos felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ARIST\u00d3TELES. <em>\u00c9tica a Nic\u00f4maco. <\/em>S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979. p. 45-236 (Os Pensadores)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DURANT, Will. <em>A filosofia de Arist\u00f3teles. <\/em>Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. 124 p.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PHILIPPE, Marie-Dominique. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia de Arist\u00f3teles.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002.<\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity:1!important;background-image:initial!important;background-attachment:initial!important;background-origin:initial!important;background-clip:initial!important;background-color:transparent!important;position:absolute!important;top:0;left:0;overflow-x:visible!important;overflow-y:visible!important;z-index:999999!important;text-align:left!important;display:none;background-position:initial initial!important;background-repeat:initial initial!important;padding:0!important;margin:0!important;\">\n<div style=\"max-width:300px!important;color:#121212!important;opacity:1!important;border:1px solid #363636!important;-webkit-border-radius:10px!important;background-color:#ffffff!important;font-size:16px!important;padding:8px!important;overflow:visible!important;background-image:-webkit-gradient(linear,left top,right bottom,color-stop(0%,#FFF),color-stop(50%,#EEE),color-stop(100%,#FFF));z-index:999999!important;text-align:left!important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position:absolute!important;z-index:-1!important;right:1px!important;top:-20px!important;cursor:pointer!important;-webkit-border-radius:20px;background-color:rgba(200,200,200,0.3)!important;padding:3px 5px 0!important;margin:0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Fernandes Moreira Introdu\u00e7\u00e3o A vida \u00e9 uma caminhada da qual todos n\u00f3s estamos \u00e0 merc\u00ea. Estes caminhos podem nos levar a uma vida repleta de alegrias ou de sofrimentos, dependendo do rumo que dermos ela. Ao nos debru\u00e7armos sobre a \u00e9tica aristot\u00e9lica, inquietam-nos algumas perguntas: \u201cQual a melhor vida? Qual \u00e9 o bem supremo &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[4,14],"tags":[202,293,302,387],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2180","6":"format-standard","7":"category-aristoteles","8":"category-daniel-fernandes-moreira","9":"post_tag-etica","10":"post_tag-eudaimonia","11":"post_tag-felicidade","12":"post_tag-mediania"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2180\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}