{"id":2213,"date":"2012-06-12T21:25:02","date_gmt":"2012-06-13T00:25:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2213"},"modified":"2012-06-12T21:25:02","modified_gmt":"2012-06-13T00:25:02","slug":"mal-agostinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2213","title":{"rendered":"Provoca\u00e7\u00f5es acerca da quest\u00e3o do mal no pensamento de Santo Agostinho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jackson de Sousa Braga<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>A percep\u00e7\u00e3o do mal na vida de Agostinho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho de Hipona percebe o mal ao longo de toda sua hist\u00f3ria de vida, por isso come\u00e7a a se questionar sobre a sua causa e origem. Na obra <em>Confiss\u00f5es<\/em>, ele retrata o caminho que realizou para encontrar o que lhe fazia ser livre, ou seja, o que o levava a realizar o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como dito, Agostinho sempre percebeu a presen\u00e7a do mal em sua vida, desde a inf\u00e2ncia, quando relatou sobre seu desejo ardente de saborear os prazeres e tamb\u00e9m como vivia as dores da carne (sofrimento \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 um mal): \u201cnada mais fazia sen\u00e3o sugar os peitos, saborear os prazeres\u00a0 e chorar as dores da minha carne\u201d <a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn1\"><sup><\/sup><sup>[1]<\/sup><\/a>. Deve-se destacar que Agostinho n\u00e3o tinha lembran\u00e7a de seus primeiros anos de inf\u00e2ncia, mas observava as outras crian\u00e7as (que praticavam os mesmos atos maus) e recebia relatos de seus familiares<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn2\"><sup><\/sup><sup>[2]<\/sup><\/a>. Agostinho, ent\u00e3o conclui que as crian\u00e7as tamb\u00e9m t\u00eam sua natureza corrompida, \u201ca debilidade dos membros infantis \u00e9 inocente, mas n\u00e3o a alma das crian\u00e7as\u201d <a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn3\"><sup><\/sup><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No per\u00edodo da adolesc\u00eancia existe, segundo Agostinho, al\u00e9m das tenta\u00e7\u00f5es infantis<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn4\"><sup><\/sup><sup>[4]<\/sup><\/a>, o apetite sexual e a transgress\u00e3o. O pecado que mais marcou a adolesc\u00eancia de Agostinho foi o da lux\u00faria, \u201cos espinhos das paix\u00f5es me sobejaram a cabe\u00e7a, sem haver m\u00e3o que os arrancasse\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn5\"><sup><\/sup><sup>[5]<\/sup><\/a>. Al\u00e9m disso, foi na adolesc\u00eancia que Agostinho percebeu o prazer que o homem sentia pelo mal, ao narrar o epis\u00f3dio do furto das peras: \u201cEu quis roubar; n\u00e3o instigado pela necessidade, mas somente pela pen\u00faria, pelo fastio da justi\u00e7a e pelo excesso de maldade [&#8230;] n\u00e3o pretendia desfrutar do fruto, mas do roubo em si\u00a0 e do pecado.\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn6\"><sup><\/sup><sup>[6]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho acreditava que o pecado era dirigir a vontade para as coisas inferiores \u2013 ressalta-se que as coisas inferiores (criaturas) s\u00e3o boas na participa\u00e7\u00e3o no Sumo-bem (Deus), por\u00e9m s\u00e3o boas em grau menor. O pecado \u00e9 quando a pessoa se inclina para os bens menores ao inv\u00e9s de se inclinar para o bem em si, ou seja, Deus. Agostinho, ao narrar o epis\u00f3dio do roubo das peras, afirma que a cumplicidade faz com que o ser humano peque ou o induz a pecar, \u201cportanto, amei tamb\u00e9m no furto o cons\u00f3rcio, daqueles com quem o cometi. Amei, por isso, mais alguma coisa do que o furto, mas n\u00e3o, n\u00e3o mais nada, porque a cumplicidade nada vale.\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn7\"><sup><\/sup><sup>[7]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No momento de estudos em Cartago, Agostinho percebeu seu prazer pela dor e pela trag\u00e9dia dos outros, mas os dois pontos que marcaram este momento da vida do bispo de Hipona foram a leitura do livro <em>Hort\u00eansio<\/em>, de C\u00edcero, e a ades\u00e3o ao manique\u00edsmo. Agostinho foi seduzido pelos maniqueus porque esta doutrina buscava a origem do mal, tinha uma concep\u00e7\u00e3o de Deus e mostrava como os injustos (assassinos, homens cheios de mulheres&#8230; \u2013 citados no Antigo Testamento) seriam salvos. Os maniqueus respondiam a essas quest\u00f5es, dizendo que a origem do mal era o deus mal (eles acreditavam que havia duas origens das coisas, uma boa e outra m\u00e1), que os seres divinos eram materiais e que o Antigo Testamento fora escrito pelo deus mal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Finalmente, Agostinho teve o contato com os neoplat\u00f4nicos em Mil\u00e3o e com Ambr\u00f3sio, os quais o fizeram descobrir o que era realmente o mal, e fizeram-no abandonar a doutrina manique\u00edsta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>O mal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho, depois de toda sua experi\u00eancia de vida, encontra a resposta para o problema da origem do mal, gra\u00e7as aos neoplat\u00f4nicos, especialmente Plotino que afirmava ser o mal aus\u00eancia, falta de bem. Plotino, por\u00e9m, identificava o mal com a mat\u00e9ria, e se Agostinho identificasse o mal com a mat\u00e9ria, ele seria obrigado a dizer que o mal \u00e9 um bem, pois todas as coisas, enquanto existem, s\u00e3o boas<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn8\"><sup><\/sup><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho tamb\u00e9m n\u00e3o poderia atribuir a origem do mal a Deus, pois Ele \u00e9 Sumo-bem e criou todas as coisas boas. O Bispo de Hipona ent\u00e3o chega ao homem, e conclui que o mal \u00e9 causado pelos seres humanos, pois estes n\u00e3o s\u00e3o o bem pleno, como Deus o \u00e9<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn9\"><sup><\/sup><sup>[9]<\/sup><\/a>. O homem, ao se afastar de Deus e voltar-se para as criaturas, que s\u00e3o bens inferiores, causa o mal, pois se afasta do bem supremo, \u201cpela propens\u00e3o imoderada para os bens inferiores, embora seja bons, se abandonam outros melhores e mais elevados, ou seja, a V\u00f3s, meu Deus, \u00e0 vossa verdade e a vossa lei.\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn10\"><sup><\/sup><sup>[10]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas qual \u00e9 a causa do mal no ser humano? Como ele se volta para os bens inferiores? Agostinho responder\u00e1 que \u00e9 pelo livre-arb\u00edtrio da vontade, \u201co livre-arb\u00edtrio da vontade \u00e9 a causa de praticarmos o mal\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn11\"><sup><\/sup><sup>[11]<\/sup><\/a>. O ser humano est\u00e1 sempre buscando um bem, entretanto, sua vontade acaba procurando um bem que n\u00e3o \u00e9 o bem em si, mas os bens que participam do bem supremo (Deus). Quando o ser humano se volta para o bem verdadeiro, ele ser\u00e1 livre<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn12\"><sup><\/sup><sup>[12]<\/sup><\/a> e estar\u00e1 agindo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, o mal \u00e9 a aus\u00eancia de bem, ou seja, o mal \u00e9 o n\u00e3o-ser\u00a0 ou nada. Mas, Agostinho ir\u00e1 questionar-se a cerca dos tr\u00eas aspectos do mal, a saber: ontol\u00f3gico- metaf\u00edsico, moral e f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>O mal no n\u00edvel ontol\u00f3gico-metaf\u00edsico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agostinho afirma que \u201co mal n\u00e3o \u00e9 uma subst\u00e2ncia\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn13\"><sup><\/sup><sup>[13]<\/sup><\/a>, portanto o mal enquanto ser n\u00e3o existe, n\u00e3o \u00e9. O mal n\u00e3o pode ser uma subst\u00e2ncia, pois todas as subst\u00e2ncias s\u00e3o boas, porque foram criadas por Deus e Deus n\u00e3o criou e n\u00e3o pode criar nada que seja mal. O mal \u00e9 quando h\u00e1 a priva\u00e7\u00e3o do bem, ou seja, \u00e9 o afastamento de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O ser humano por causa de sua vontade, acabou deixando-se seduzir pelos\u00a0 bens inferiores, decidindo assim a ir para o nada, a inclinar-se para o que n\u00e3o \u00e9. Ressalta-se que para Agostinho, todos os seres humanos s\u00e3o um bem em si, at\u00e9 mesmo inclinados para a corrup\u00e7\u00e3o, \u201cSe n\u00e3o houvesse nada de bom nelas (coisas corrompidas), n\u00e3o haveria nada a\u00ed que pudesse corromper-se\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn14\"><sup><\/sup><sup>[14]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, o mal ontol\u00f3gico-metaf\u00edsico \u00e9 \u201cum tirar fora, uma priva\u00e7\u00e3o, uma tend\u00eancia ao nada, antes que um <em>locus inanis,<\/em> uma bolsa de nada num mundo bom\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn15\"><sup><\/sup><sup>[15]<\/sup><\/a>.\u00a0 Para Agostinho, mal \u00e9 o n\u00e3o-ser, \u00e9 nada, o mal \u00e9 a priva\u00e7\u00e3o do bem, \u00e9 o n\u00e3o-bem. O mal n\u00e3o existe no cosmo, enquanto afirma\u00e7\u00e3o de ser.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>O mal no n\u00edvel moral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mal moral \u00e9 \u201cuma pervers\u00e3o da vontade desviada da subst\u00e2ncia suprema \u2013 de V\u00f3s, o Deus \u2013 e tendendo para as coisas baixas: a vontade que derrama as suas entranhas e se levanta com intumesc\u00eancia.\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn16\"><sup><\/sup><sup>[16]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mal moral transforma as coisas relativas em absolutas e transforma o absoluto em relativo. Agostinhoobserva esse mal, desde o G\u00eanesis, quando Ad\u00e3o quis ser poderoso comendo o fruto proibido, ele tentou se fazer absoluto, quis tornar-se um ser independente de Deus. Tamb\u00e9m Agostinho ir\u00e1 perceber o mal moral em sua vida, principalmente quando ele experimenta a morte de seu amigo: \u201cEra desgra\u00e7ado, e desgra\u00e7ada \u00e9 toda alma presa pelo amor \u00e0s coisas mortais. Despeda\u00e7a-se quando as perde, ent\u00e3o sente a mis\u00e9ria que a torna miser\u00e1vel, ainda antes de as perder.\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn17\"><sup><\/sup><sup>[17]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mal moral \u00e9 fazer das criaturas, que s\u00e3o boas, a perfei\u00e7\u00e3o; trat\u00e1-las como a \u00fanica coisa que o ser humano precisa. O ser humano \u00e9 um ser dependente de Deus e n\u00e3o pode querer fugir desta condi\u00e7\u00e3o: \u201ccriastes-nos para V\u00f3s e inquieto est\u00e1 o nosso cora\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o repousa em V\u00f3s\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn18\"><sup><\/sup><sup>[18]<\/sup><\/a>. Nenhum ser humano vive por si s\u00f3, todos precisam de algo, por\u00e9m, por ter o livre-arb\u00edtrio, ele pode decidir para onde deseja inclinar sua vontade. Quando ele se inclinar para as criaturas, acaba caindo no mal moral , pois poder\u00e1 at\u00e9 ent\u00e3o se satisfazer temporariamente nos bens passageiros, por\u00e9m estes ir\u00e3o perecer e ent\u00e3o o ser humano cair\u00e1 no sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conclui-se que o mal moral \u00e9 a inclina\u00e7\u00e3o do ser humano para as criaturas, acontece quando o ser humano quer transformar os bens inferiores em bem superior: \u201ceu fixava a aten\u00e7\u00e3o naquelas que s\u00e3o contidas pelo espa\u00e7o, sem a\u00ed encontrar um s\u00edtio para descansar. Nem elas me hospedavam de modo a poder dizer: \u2018isto me basta; estou bem!\u2019 Nem deixavam partir para onde me achasse satisfeito.\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn19\"><sup><\/sup><sup>[19]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mal moral se efetiva quando o ser humano anseia por algo que o d\u00ea satisfa\u00e7\u00e3o e felicidade, por\u00e9m procura estas coisas no lugar errado. \u00c9 somente Cristo, que concede ao ser humano a sua Gra\u00e7a, que poder\u00e1 livr\u00e1-lo de sua pris\u00e3o das coisas materiais e fazer com que ele busque a verdadeira satisfa\u00e7\u00e3o de seus anseios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>O mal no n\u00edvel f\u00edsico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mal f\u00edsico \u00e9 consequ\u00eancia do mal moral, ele \u00e9 observado nas dores e na morte do ser humano. Al\u00e9m disso, pode-se constat\u00e1-los nos fen\u00f4menos naturais como terremotos e desastres. Agostinho n\u00e3o podia conceber essas coisas como coisas da vontade divina, por isso ele mostra que s\u00e3o consequ\u00eancias do pecado de Ad\u00e3o<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn20\"><sup><\/sup><sup>[20]<\/sup><\/a>. Para Agostinho, \u201c\u2018males naturais\u2019 \u00e9 uma quest\u00e3o de interesse muito subordinado. Ele n\u00e3o os atribuiria a Deus, mas ao homem. Para ele, n\u00e3o existe uma coisa como \u2018o mal natural\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ele diz que as coisas s\u00e3o boas, por\u00e9m o ser humano fez com que elas tomassem um aspecto mal. Al\u00e9m disso, a morte que para ele \u00e9 o pior mal \u00e9 consequ\u00eancia do pecado original, \u00e9 \u201c uma sinal do efeito do mal sobre suas naturezas intrinsecamente boas.\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn21\"><sup><\/sup><sup>[21]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim sendo, o mal f\u00edsico \u00e9 consequ\u00eancia do pecado original, ou seja, pelo pecado o homem provocou todo o mal que h\u00e1 no mundo, desde o espiritual at\u00e9 o natural.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante de tudo que foi dito, pode-se conclui dizendo que o mal \u00e9 umas das quest\u00f5es que mais tem feito o ser humano se questionar. Ele sempre quis saber seu motivo, principalmente a origem do mal f\u00edsico, que atinge at\u00e9 mesmo as pessoas que s\u00e3o consideradas boas. Santo Agostinho de Hipona se colocou as mesmas quest\u00f5es e se deixou levar por doutrinas que n\u00e3o apontavam para a verdadeira causa e a origem do mal (ex.: Maniqueus).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, Agostinho sendo o homem que vivia na busca da verdade<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn22\"><sup><\/sup><sup>[22]<\/sup><\/a>, n\u00e3o se deu por satisfeito e colocou-se no itiner\u00e1rio da busca pela origem do mal, voltando-se para dentro de si mesmo. At\u00e9 conseguir encontrar a verdade. Gra\u00e7as \u00e0 ajuda dos neoplat\u00f4nicos, ele pode descobrir que \u201cem absoluto o mal n\u00e3o existe, nem para V\u00f3s, nem para as vossas criaturas\u201d<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftn23\"><sup><\/sup><sup>[23]<\/sup><\/a>. O mal, na verdade, \u00e9 a priva\u00e7\u00e3o do bem.\u00a0 O ser humano, ao se inclinar para as criaturas, que s\u00e3o bens inferiores, acaba se apegando e tratando-as como absolutas, inclusive a si mesmo. Por isso, ele causou sua pr\u00f3pria morte ao querer tornar-se autossuficiente e ao apegar-se aos bens inferiores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mal \u00e9 algo que n\u00e3o existe, mas o ser humano tem se voltado para este algo que n\u00e3o existe e isso faz com que ele se angustie e se questione: \u201cPor que escolhemos o mal desde o in\u00edcio?\u201d. Pode-se responder, com Agostinho: porque o ser humano veio do nada. Por\u00e9m, os anjos que n\u00e3o deca\u00edram vieram do nada tamb\u00e9m, mesmo assim n\u00e3o se entregaram \u00e0 vontade errada e n\u00e3o se acharam autossuficientes. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o continua: \u201cPor que o ser humano escolheu o mal desde o in\u00edcio?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p><strong>Refer\u00eancias<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p>AGOSTINHO, Santo. <em>Confiss\u00f5es e De Magistro.<\/em> 2. ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1980. (Os Pensadores)<\/p>\n<p>EVANS, G. R. <em>Agostinho sobre o mal.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, 1995.<\/p>\n<div><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> <em>Conf.<\/em> I, 7, 11.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref2\">[2]<\/a> Cf. <em>Conf.<\/em> I, 6, 8.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref3\">[3]<\/a> <em>Conf.<\/em> I, 7, 11.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref4\">[4]<\/a> Na inf\u00e2ncia, Agostinho percebe as tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es principais: a concupisc\u00eancia, a ambi\u00e7\u00e3o e a curiosidade. (Cf. <em>Conf.<\/em> I, 10)<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref5\">[5]<\/a> <em>Conf.<\/em> II, 3, 6.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref6\">[6]<\/a> <em>Conf.<\/em> II, 4, 9.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref7\">[7]<\/a> <em>Conf.<\/em> II, 8, 16.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref8\">[8]<\/a> Cf. <em>Conf.<\/em> VII, 12.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref9\">[9]<\/a> Se o homem o fosse iria se coincidir com Deus, pois s\u00f3 Deus \u00e9 o bem pleno.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref10\">[10]<\/a> <em>Conf.<\/em> II, 5, 10.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref11\">[11]<\/a> <em>Conf.<\/em> II, 3, 5.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref12\">[12]<\/a> A liberdade acontece quando h\u00e1 uma adequa\u00e7\u00e3o da vontade humana \u00e0 vontade divina.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref13\">[13]<\/a> <em>Conf.<\/em> IV, 15, 24<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref14\">[14]<\/a>\u00a0 EVANS, 1995, p. 61.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref15\">[15]<\/a> EVANS, 1995, p. 61.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref16\">[16]<\/a> <em>Conf.<\/em> VII, 16, 22.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref17\">[17]<\/a> <em>Conf.<\/em> IV, 6, 11.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref18\">[18]<\/a> <em>Conf.<\/em> I, 1, 1.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref19\">[19]<\/a> <em>Conf.<\/em> VII, 7, 11.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref20\">[20]<\/a> EVANS, 1995, p. 148.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref21\">[21]<\/a> EVANS, 1995, p. 144.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref22\">[22]<\/a> Cf. <em>Conf.<\/em> III, 4, 8.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Agostinho,%20Jackson.doc#_ftnref23\">[23]<\/a> <em>Conf.<\/em> VII, 13, 19.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jackson de Sousa Braga \u00a0 A percep\u00e7\u00e3o do mal na vida de Agostinho Agostinho de Hipona percebe o mal ao longo de toda sua hist\u00f3ria de vida, por isso come\u00e7a a se questionar sobre a sua causa e origem. Na obra Confiss\u00f5es, ele retrata o caminho que realizou para encontrar o que lhe fazia ser &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[65,137],"tags":[377],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2213","6":"format-standard","7":"category-jackson-de-sousa-braga","8":"category-santo-agostinho","9":"post_tag-mal"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}