{"id":2223,"date":"2012-06-12T21:42:01","date_gmt":"2012-06-13T00:42:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2223"},"modified":"2012-06-12T21:42:01","modified_gmt":"2012-06-13T00:42:01","slug":"deus-spinoza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2223","title":{"rendered":"Uma abordagem do Deus spinoziano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Elder Alves Diniz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Na filosofia, v\u00e1rios foram os pensadores que abordaram Deus como assunto atribuindo-lhe defini\u00e7\u00f5es diversas. O presente artigo tem por finalidade explicitar a concep\u00e7\u00e3o de Deus no pensamento de Spinoza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo Spinoza, Deus \u00e9 a subst\u00e2ncia:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] a Subst\u00e2ncia que tem causa em si, [&#8230;] que existe por si e em si, que \u00e9 concebido em si e por si e que \u00e9 constitu\u00eddo por atributos infinitos, infinitos em seus g\u00eaneros e cada um deles exprimindo uma das qualidades infinitas da subst\u00e2ncia.\u00a0 (SPINOZA, 1991, p. xv)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o que s\u00e3o subst\u00e2ncia, atributo e modo?\u00a0 Para o fil\u00f3sofo em quest\u00e3o, subst\u00e2ncia \u00e9 aquilo que tem a exist\u00eancia em si e a concep\u00e7\u00e3o por si, n\u00e3o necessitando de outra coisa para ser formado, ou seja, \u00e9 aquilo que tem ess\u00eancia e exist\u00eancia em si mesmo. Assim, Spinoza confere essa defini\u00e7\u00e3o para Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Do atributo, podemos dizer que \u00e9 concebido por si e intelig\u00edvel em si e para n\u00f3s (CHAU\u00cd, 1999). Os atributos s\u00e3o independentes um do outro, por\u00e9m n\u00e3o sendo independentes da subst\u00e2ncia que os origina pelo fato de a subst\u00e2ncia ser em si e para si .<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O modo \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia, \u00e9 aquilo que existe na subst\u00e2ncia e \u00e9 concebido a partir dela, ou seja, o modo s\u00f3 existe porque existem a subst\u00e2ncia e o atributo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os atributos s\u00e3o divididos em atributos do pensamento e atributos da extens\u00e3o, e subdivididos em finitos e infinitos. Os modos seguem a mesma divis\u00e3o da finitude e da infinitude tendo como exemplos o intelecto infinito e a vontade infinita que s\u00e3o modos infinitos e fazem parte do atributo infinito do pensamento; e a quietude, bem como o movimento, fazem parte do atributo infinito da extens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deus possui v\u00e1rios atributos como a eternidade, a infinitude, a unidade, a imensidade, a imutabilidade, a simplicidade e a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deus \u00e9 eterno porque somente as coisas criadas t\u00eam dura\u00e7\u00e3o, e como Deus \u00e9 a subst\u00e2ncia incriada que existe em si mesmo, n\u00e3o tem dura\u00e7\u00e3o temporal. Assim, Spinoza afirma: \u201cChamo de eternidade essa exist\u00eancia infinita e s\u00f3 deve ser atribu\u00edda a Deus, mas a nenhuma coisa criada, mesmo que sua dura\u00e7\u00e3o seja ilimitada nos dois sentidos.\u201d (SPINOZA, 1991, p. 18).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Spinoza, Deus \u00e9 a ess\u00eancia que interv\u00e9m na exist\u00eancia de todas as coisas. Ele afirma que as coisas criadas s\u00e3o assim chamadas por n\u00e3o possu\u00edrem ess\u00eancia em si mesmas e est\u00e1 aqui \u00e0 diferen\u00e7a entre Deus e as coisas: Deus \u00e9 perfeito e incriado, sua ess\u00eancia coincide com sua exist\u00eancia; j\u00e1 as coisas s\u00e3o finitas e criadas, sua ess\u00eancia depende da exist\u00eancia de Deus. Tudo o que existe tem sua causa final em Deus porque a exist\u00eancia s\u00f3 acontece a partir de Deus, portanto a eternidade \u00e9 um atributo somente de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Deus spinoziano \u00e9 infinito por ser perfeito e essa perfei\u00e7\u00e3o deriva da impossibilidade de distinguir sua ess\u00eancia de sua exist\u00eancia e de lhe atribuir dura\u00e7\u00e3o; se fiz\u00e9ssemos tal distin\u00e7\u00e3o, estar\u00edamos falando da exist\u00eancia de Deus e n\u00e3o de sua ess\u00eancia, conforme afirma Spinoza:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] somente Deus pode ser dito absolutamente infinito, enquanto percebemos que ele consiste realmente numa perfei\u00e7\u00e3o infinita [&#8230;]. Donde se segue que a infinidade de Deus, a despeito do voc\u00e1bulo, \u00e9 o que h\u00e1 de mais positivo, pois dizemos que \u00e9 infinito enquanto nos referimos \u00e0 sua suprema perfei\u00e7\u00e3o. (SPINOZA, 1991, p. 19).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Spinoza atribui a Deus a liberdade. Para Spinoza, a liberdade n\u00e3o est\u00e1 relacionada com livre-arb\u00edtrio e sim com os efeitos que uma determina\u00e7\u00e3o exterior possa provocar atrav\u00e9s da coa\u00e7\u00e3o na ess\u00eancia do ser. Assim, Deus \u00e9 livre no sentido de que sendo ess\u00eancia e exist\u00eancia n\u00e3o necessita de outra subst\u00e2ncia para existir, o que n\u00e3o acontece com o ser humano, pois ele s\u00f3 existe pela vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A unidade de Deus \u00e9 tratada por Spinoza em dois sentidos: uno e \u00fanico. Uno pelo fato de ser distinto de outras coisas e \u00fanico pelo fato de n\u00e3o haver nada que se iguale a sua natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Existe ainda o atributo da imensidade, que est\u00e1 diretamente relacionado com a infinidade de Deus. Segundo Spinoza, erram aqueles que \u201c[&#8230;] atribuem a imensidade a Deus enquanto o consideram como uma quantidade, pois tiram tais argumentos das propriedades da extens\u00e3o para afirmar a imensidade de Deus, e n\u00e3o h\u00e1 absurdo maior do que este.\u201d (SPINOZA, 1991, p. 20). Para Spinoza, Deus \u00e9 infinito porque \u00e9 o Ser perfeito e por ser ato puro e, como tal, presente em todos os lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quanto \u00e0 imutabilidade, \u00e9 imposs\u00edvel pens\u00e1-la para Deus, visto que Ele \u00e9 causa de tudo, n\u00e3o existindo nada de natureza igual \u00e0 de Deus que possa modific\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em se falando de simplicidade, Deus \u00e9 simples por n\u00e3o ser de subst\u00e2ncia composta, mas de uma \u00fanica subst\u00e2ncia. Da vida de Deus, pode se dizer que ele mesmo \u00e9 a vida e isso se d\u00e1 porque \u00e9 em si mesmo a ess\u00eancia da vida. Sobre o intelecto de Deus, pode se afirmar sua onisci\u00eancia, pelo fato de a ci\u00eancia conter uma perfei\u00e7\u00e3o em si e esta ci\u00eancia perfeita somente pode ser atribu\u00edda a um ser perfeito, que \u00e9 Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para melhor entendermos os modos, devemos entender a divis\u00e3o que Spinoza faz entre Deus e o mundo. Ele chama Deus de <em>natureza naturante<\/em> e o mundo de <em>natureza naturada<\/em>, ou seja, a primeira \u00e9 a causa e segunda \u00e9 o efeito da causa que n\u00e3o est\u00e1 fora da causa, mas a mant\u00e9m dentro de si. Deve-se entender ent\u00e3o Deus como natureza naturante, visto que existe e \u00e9 concebido em si mesmo expressando uma ess\u00eancia eterna e infinita; e como natureza naturada, tudo o que procede da natureza de Deus n\u00e3o podendo existir nem ser concebido sem Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Spinoza, Deus \u00e9 a subst\u00e2ncia absoluta, e atributos como intelecto, vontade e amor n\u00e3o podem ser conferidos a ele pelo fato de serem estes modos do pensamento e n\u00e3o da subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, em Spinoza Deus n\u00e3o \u00e9 um ser metaf\u00edsico e sim a subst\u00e2ncia criadora imanente que contem em si atributo e modos sendo geradora do mundo, mas n\u00e3o se tornando parte dele.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>CHAU\u00cd, Marilena de Souza. <em>Nervura do real<\/em>: iman\u00eancia e liberdade em Espinosa. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1999.<\/p>\n<p>REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia<\/em>: do humanismo a Kant. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1990.<\/p>\n<p>SPINOZA, Benedictus de. <em>Pensamentos Metaf\u00edsicos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o Marilena Chau\u00ed et al. 5. ed. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1991. (Os Pensadores)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elder Alves Diniz Na filosofia, v\u00e1rios foram os pensadores que abordaram Deus como assunto atribuindo-lhe defini\u00e7\u00f5es diversas. O presente artigo tem por finalidade explicitar a concep\u00e7\u00e3o de Deus no pensamento de Spinoza. 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