{"id":2264,"date":"2012-08-09T22:26:48","date_gmt":"2012-08-10T01:26:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2264"},"modified":"2012-08-09T22:26:48","modified_gmt":"2012-08-10T01:26:48","slug":"filosofia-como-exercicio-de-escuta-em-edmund-husserl","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2264","title":{"rendered":"Filosofia como exerc\u00edcio de escuta em Husserl"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Juliano Aparecido Pinto<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>\u201cFui compreendido? Todo fil\u00f3sofo escreve para ser e n\u00e3o ser compreendido ao mesmo tempo.\u201d <\/em>(Nietzsche)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desde os tempos imemoriais, a Filosofia buscou ser Ci\u00eancia de rigor<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, sistem\u00e1tica em busca da verdadeira verdade. Tal projeto ora mais intenso, ora menos intenso, mas jamais abandonado. A Filosofia nasce como religi\u00e3o do <em>logos<\/em>, fundamentada neste a reflex\u00e3o filos\u00f3fica enveredaria desde o seu erigir nos caminhos da r\u00edgida coordena\u00e7\u00e3o da racionalidade. Esta insurgiria ou determinaria a partir da ideia de clareza, precis\u00e3o e identidade o que deveria ser tomado como discurso verdadeiro e o que deveria ser combatido por n\u00e3o se fiar nos caminhos da reta raz\u00e3o<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o basta, entretanto, identificar o fundamento, \u00e9 preciso express\u00e1-lo nos moldes lingu\u00edsticos. Nossa Hip\u00f3tese \u00e9 a de que h\u00e1 uma cumplicidade entre a raz\u00e3o e o discurso. Como pretensa Ci\u00eancia expressada no horizonte fundacional, a Filosofia acabaria por impor limites \u00e0 sua pr\u00f3pria atividade investigadora<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Ora, o que seria o fundamento pr\u00e9-posto, sen\u00e3o uma predetermina\u00e7\u00e3o de como a realidade deveria ser experimentada ou interpretada? Cumpre dizer, o conceito n\u00e3o diz a realidade, mas a determina. Afinal, sem pormenores, o real seria somente aquilo que o conceito diz ser? Se a resposta, se \u00e9 que existe, a esta provocadora quest\u00e3o for n\u00e3o, ent\u00e3o a Filosofia estar\u00e1 pautada no dinamismo das constantes insinua\u00e7\u00f5es, o espanto frente ao real-plural da vida ser\u00e1 o impulsionador da investiga\u00e7\u00e3o que se pretenda filos\u00f3fica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por outro lado, se a resposta for sim, ent\u00e3o a Filosofia j\u00e1 nascera fracassada, pois nenhum contato com a realidade da vida teria. Ora, a exist\u00eancia se revela, para n\u00f3s, como constante experi\u00eancia do espanto, ou do <em>taumos<\/em> dir\u00e1 Arist\u00f3teles<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Tal experi\u00eancia, para longe de ser algo negativo, seria, antes, Est\u00edmulos para que o vivente exer\u00e7a sua capacidade de interpretar, tornando-se cada vez mais em posse de si e da realidade que o circunda. Somente a termos metodol\u00f3gicos estamos aqui pautados na express\u00e3o de que h\u00e1 um sujeito e um objeto. Em resumo, o que se procurou apontar foi o seguinte: \u201cA raz\u00e3o \u00e9 apenas um modo de se expressar na vida, e n\u00e3o um dispositivo \u2018manufatureiro\u2019 de rela\u00e7\u00f5es vitais. O horizonte da vida evade-se constantemente, \u00e9, antes de tudo, n\u00e3o predicativo<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O presente ensaio filos\u00f3fico buscar\u00e1 apontar, n\u00e3o de modo exaustivo, no pensamento de Husserl a possibilidade de um pensar filos\u00f3fico origin\u00e1rio, isto \u00e9, busca-se no pensamento de tal pensador aludido aquela experi\u00eancia filos\u00f3fica n\u00e3o determinada pelos conceitos. Dito em mi\u00fados, pensamos que a Filosofia tem seu in\u00edcio n\u00e3o no rigor dos conceitos dial\u00e9ticos, matem\u00e1ticos, mas no estranhamento possibilitado pela experi\u00eancia diante do pr\u00e9-conceitual, origin\u00e1rio, antepredicativo da vida. De acordo com nossa hip\u00f3tese de interpreta\u00e7\u00e3o do Fil\u00f3sofo em quest\u00e3o, o \u201cSer\u201d objeto da indaga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica se d\u00e1, ou melhor, se doa a n\u00f3s de modo fenom\u00eanico. Isto implica dizer, que a rigidez de um sistema de pensamento n\u00e3o nos possibilitar\u00e1 experimentar a manifesta\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria das coisas em sua realidade pr\u00f3pria. Afirma Luiz Furtado: \u201cPor esta via a verdade, pensada fenomenologicamente, repousa, acima de tudo, sobre a possibilidade da manifesta\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria das coisas em sua realidade pr\u00f3pria. O ser do ente \u00e9 sua manifesta\u00e7\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de fen\u00f4meno para n\u00f3s<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Delimita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tendo delineado as coordenadas do presente ensaio, vale dizer, apontar em uma perspectiva husserliana o estranhamento como escuta do Ser. Se bem entendido, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que o buscado \u00e9 uma poss\u00edvel proposta para uma eminente experi\u00eancia filos\u00f3fica. N\u00e3o queremos pensar o sistema filos\u00f3fico de Husserl, aqui est\u00e1 o limite de nossa pesquisa. Nosso intuito ser\u00e1 procurar argumentos que validem a nossa hip\u00f3tese, a saber, \u201cFilosofar \u00e9 estranhar o mundo\u201d. Esta experi\u00eancia ser\u00e1 uma necessidade para se estabelecer uma investiga\u00e7\u00e3o de cunho filos\u00f3fico. O Ser se d\u00e1 como fen\u00f4meno, em sua pura originalidade, anteposto a qualquer conceito. Ora, se o objeto da Filosofia \u00e9 elucidar o Ser, ent\u00e3o nossa pesquisa ser\u00e1 de fundamental pertin\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Ser se d\u00e1 no cotidiano, aqui o lema \u00e9 \u201cvoltar \u00e0s coisas mesmas<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u201d. As implica\u00e7\u00f5es desta proposta ser\u00e3o sugeridas no avan\u00e7ar de nossa investiga\u00e7\u00e3o. Afirma, de modo a sintetizar o que queremos dizer, Luiz Furtado:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A dimens\u00e3o principal do pensamento de Husserl consistiu, pois, em afirmar a exist\u00eancia de uma dimens\u00e3o de origem absoluta de todo ser ou fen\u00f4meno, pr\u00e9-conceitual e pr\u00e9-predicativa (pr\u00e9-ontol\u00f3gica, dir\u00e1 Heidegger), do pr\u00f3prio Ser, encoberto pela aliena\u00e7\u00e3o da vida cotidiana no mundo, de que a Ci\u00eancia seria tamb\u00e9m tribut\u00e1ria<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Poder-se-\u00e1 nos questionar: qual seria o m\u00e9todo, se assim se pode dizer, para que se efetive aquele voltar \u00e0s coisas mesmas, ou ainda, ouvir as coisas mesmas? Ora, esta quest\u00e3o ser\u00e1 o trampolim para o pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>O m\u00e9todo de Husserl: um caminho? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o obstante as cr\u00edticas endere\u00e7adas \u00e0 Modernidade por parte do Fil\u00f3sofo, ressalta-se que o pensamento de Husserl est\u00e1 no \u00e2mago da Modernidade. Ora, se de um lado a moderna sociedade com o seu ideal de lan\u00e7ar luzes sobre as sombras em que se encontram o pensamento Antigo e Medieval, se v\u00ea na necessidade de uma absoluta ruptura. Por outro vi\u00e9s, ela precisa \u201cse autofundamentar\u201d, ou melhor, se autojustificar. Deste modo, o pensamento de Husserl, sem d\u00favida, encontrar\u00e1 sua express\u00e3o paradigm\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para sustentar a ideia de que o pensamento de Husserl est\u00e1 na esteira do pensamento Moderno, embora cr\u00edtico do naturalismo, ou do positivismo hist\u00f3rico<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>, no qual Husserl percebe um esvaziamento da ideia de verdade. Cita-se a seguinte passagem:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 verdade que o ethos dominante da Filosofia Moderna consiste justamente na sua vontade de se constituir como Ci\u00eancia de rigor, por meio de reflex\u00f5es cr\u00edticas, em investiga\u00e7\u00f5es sempre mais penetrantes do m\u00e9todo, em vez de se abandonar irrefletidamente ao impulso filos\u00f3fico<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por este texto, fica evidente, que o Fil\u00f3sofo conhece a estrutura do pensamento Moderno e ao mesmo tempo a sua necessidade de fundamenta\u00e7\u00e3o. Na busca de auto \u2013 fundamenta\u00e7\u00e3o, vale dizer, Husserl apontar\u00e1 a Filosofia como sendo aquela que poderia salvar o pensamento fundamentando-o, Ressalta Christian Delacampagne: \u201c(&#8230;) ele n\u00e3o v\u00ea melhor modo de fundar as ci\u00eancias do que subordin\u00e1-las a uma Filosofia julgada mais \u2018cient\u00edfica\u2019 do que as ci\u00eancias, cumprindo assim, a seu modo, o programa diretor do idealismo Europeu<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante do esbo\u00e7ado, como articular a necessidade rigorosa de um fundamento com a experi\u00eancia origin\u00e1ria? Ora, ser\u00e1 na esteira de tal experi\u00eancia que Husserl acredita poder fornecer um fundamento, consequentemente veracidade a todo discurso cient\u00edfico. Assim, a tentativa husserliana consiste em resolver a crise da racionalidade cient\u00edfica<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. Para tanto, Husserl prop\u00f5e o m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico. Restituindo, assim, a possibilidade de se pensar, ou experienciar a verdade absoluta, o ser, a ess\u00eancia. Adverte-se, entretanto, que Husserl n\u00e3o est\u00e1 restaurando o pensamento Antigo ou Medieval, h\u00e1 diferen\u00e7as consider\u00e1veis, sobre as quais n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel explorar neste ensaio. Uma das raz\u00f5es \u00e9 que isto escapa ao nosso objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em que consiste o m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico? Aqui citaremos na \u00edntegra o professor Luiz Furtado:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">(&#8230;) a fenomenologia apresenta-se como verdadeira reforma da Filosofia, retomando a ideia origin\u00e1ria de ci\u00eancia rigorosa, ou seja, investiga\u00e7\u00e3o met\u00f3dica tendo em vista a elabora\u00e7\u00e3o de um conhecimento te\u00f3rico, desinteressado e puro, necess\u00e1rio e universalmente v\u00e1lido, relativo \u00e0 possibilidade de todo pensamento racional ou ci\u00eancia em geral.<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">V\u00ea-se claramente que a pretens\u00e3o da Fenomenologia n\u00e3o \u00e9 pouca. Se ser\u00e1 poss\u00edvel a efetiva\u00e7\u00e3o de tal proposta, ou projeto, n\u00e3o \u00e9 o nosso problema. Para uma compreens\u00e3o, ainda que sum\u00e1ria, poder-se-ia apresentar as seguintes palavras chaves, a saber, redu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica, redu\u00e7\u00e3o transcendental, <em>epok\u00e9, <\/em>intencionalidade, redu\u00e7\u00e3o <em>eid\u00e9tica<\/em>, evid\u00eancia, <em>n\u00f3esis, hyl\u00e9, noema.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante de tais chaves de leitura, interessa-nos, sobretudo, a <em>epok\u00e9 <\/em>ou a redu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica. No avan\u00e7ar de nossa investiga\u00e7\u00e3o, tendo o objetivo delineado, acreditamos que a <em>epok\u00e9, <\/em>parte constituinte da Fenomenologia de Husserl como um todo, nos conduzir\u00e1 ao ponto central de nosso ensaio. Ou seja, justificar a atividade filos\u00f3fica como um exerc\u00edcio de escuta. Entretanto, antes de adentrarmos no enfrentamento com o termo em quest\u00e3o, pensamos ser v\u00e1lido citar mais um argumento, ou descri\u00e7\u00e3o do que seja a Fenomenologia:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico consiste essencialmente num esfor\u00e7o de esclarecimento da experi\u00eancia, esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e0 luz de princ\u00edpios metaf\u00edsicos ou transcendentais (como fizeram todos os fil\u00f3sofos anteriores), mas no \u00e2mbito da pr\u00f3pria experi\u00eancia, em plena disponibilidade para acolher toda a mensagem que a experi\u00eancia transmite e comunica.<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A Fenomenologia, em uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o, verte sobre a problem\u00e1tica da teoria do conhecimento. Dito de outro modo, a possibilidade do conhecimento \u00e9 a tem\u00e1tica em pauta<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>. N\u00e3o entende-se o conhecimento como rela\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel sujeito com um poss\u00edvel objeto, mas o modo como a coisa se d\u00e1 para a consci\u00eancia intencional. Ora, o ser dos objetos dados em sua ess\u00eancia \u00e0 consci\u00eancia intencional, vale dizer, dados como fen\u00f4menos, s\u00f3 existem em detrimento da consci\u00eancia. Em outros termos, todo ser \u00e9 ser para a consci\u00eancia, revelado em sua ess\u00eancia como fen\u00f4meno. Afirma Luiz Furtado: \u201cSer para a consci\u00eancia \u00e9 o modo absoluto de ser do ente, porque \u00e9 sua forma de manifestar-se.<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por outro lado, a consci\u00eancia ser\u00e1 sempre consci\u00eancia intencional de algo, ou seja, \u201cconsci\u00eancia de\u201d. Neste sentido, a consci\u00eancia j\u00e1 nasce transportada para algo que ela pr\u00f3pria n\u00e3o \u00e9. Salienta Luiz Furtado: \u201cE sendo intencional a consci\u00eancia nasce j\u00e1 transportada para um ser transcendente, por ela visado, e que ela pr\u00f3pria n\u00e3o \u00e9<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>.\u201d Portanto, n\u00e3o h\u00e1 em Husserl a separa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica entre sujeito e objeto. Aqui, toda consci\u00eancia \u00e9 de algo e todo objeto \u00e9 para a \u201cconsci\u00eancia de.\u201d Ora, n\u00e3o pode haver consci\u00eancia intencional do n\u00e3o ser. Afirma de modo \u00e0 sintetizar nossa exposi\u00e7\u00e3o no que refere \u00e0 problem\u00e1tica, \u201csujeito e objeto\u201d, Luiz Furtado: \u201cO ser para a consci\u00eancia do ente n\u00e3o pode ser pensado como inexistente pois, neste caso, o pensamento \u2013 na medida em que toda consci\u00eancia \u00e9 consci\u00eancia de alguma coisa \u2013 seria sem objeto e, portanto, n\u00e3o ser<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tendo esbo\u00e7ado, ainda que de forma sum\u00e1ria, o m\u00e9todo criado por Husserl, cumpre salientar: o m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico \u00e9 um caminho. Para onde? Para as coisas mesmas, dadas em carne e osso. Deste modo, pode-se afirmar que a Fenomenologia deve se pautar na evid\u00eancia, pois esta \u00e9 uma forma de doa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria coisa. Garante-nos Luiz Furtado: \u201cPor \u00faltimo a fenomenologia deve pautar-se pela evid\u00eancia, definida por Husserl como apresenta\u00e7\u00e3o ou doa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria coisa. (&#8230;) Trata-se pois de viver a presen\u00e7a da coisa visada na plenitude e claridade da sua ess\u00eancia<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>Epok\u00e9: <\/em><\/strong><strong>ruptura e proposta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No presente t\u00f3pico, trata-se de adentrarmos nos m\u00e9ritos e confrontos exigidos pela <em>epok\u00e9<\/em>. Como sugerido no t\u00f3pico anterior, um enfrentamento do termo em quest\u00e3o se faz necess\u00e1rio. Pensa-se que tendo esclarecido alguns problemas, agora \u00e9 poss\u00edvel pensar os desdobramentos ou implica\u00e7\u00f5es surgidos a partir da redu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica. Primeiramente, trata-se de responder a seguinte quest\u00e3o: o que significa, para a Fenomenologia husserliana, a <em>epok\u00e9<\/em>, ou a redu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica? Significa, na melhor das hip\u00f3teses, a suspens\u00e3o de todos os ju\u00edzos adquiridos e impostos a n\u00f3s pela tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica sobre o que seja o mundo real ou ideal. Em outros termos, implica em renunciar todos os ju\u00edzos pr\u00e9-concebidos. Ora, aqui est\u00e1 a possibilidade de uma experi\u00eancia puramente filos\u00f3fica, a saber, uma rea\u00e7\u00e3o ao \u00f3bvio habitual. \u00c9 ineg\u00e1vel o fato de que a especula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica surge a partir de um estranhamento do \u201cmundo\u201d <a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o se trata, pois, de um estranhamento id\u00eantico ao <em>taumos<\/em> aristot\u00e9lico, pois este valendo-se da pot\u00eancia do conceito busca tudo identificar para que a d\u00favida, ou o estranhamento seja sanado<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>. Para longe desta perspectiva, partimos da hip\u00f3tese de que para Husserl o imperativo \u00e9 \u2018voltar \u00e0s coisas mesmas\u2019, frequent\u00e1-las, ouvi-las. Assim, nenhum conceito poder\u00e1 ser tomado em sentido absoluto, pois a pr\u00f3pria coisa nunca se d\u00e1 de forma acabada, de modo que haver\u00e1 sempre algo mais a ser dito, visado. Adverte-se que estamos problematizando, ou pensando nosso ensaio a partir somente da <em>epok\u00e9.<\/em> Portanto, n\u00e3o estamos dando margem para nenhum tipo de reducionismo. N\u00e3o estamos, pois, reduzindo ou afirmando que Husserl seja um c\u00e9tico ou racionalista, ou ainda, empirista. O fato \u00e9 que ao n\u00e3o fazer uso dos pr\u00e9-conceitos, pensa-se que as coisas se manifestar\u00e3o com s\u00e3o, ou seja, em carne e osso<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No que refere \u00e0 <em>epok\u00e9<\/em> afirma Luiz Furtado: \u201cEpok\u00e9: suspens\u00e3o dos ju\u00edzos ing\u00eanuos sobre a exist\u00eancia e realidade do mundo em si. Aceita\u00e7\u00e3o do mundo tal qual vivido, isto \u00e9, redu\u00e7\u00e3o do mundo ao fen\u00f4meno do mundo, ou \u00e0 forma do seu aparecer como horizonte temporal e espacial<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>\u201d. Nosso objetivo, assim como o do Husserl em estudo, n\u00e3o \u00e9 silenciar todo discurso, mas apontar aquilo que \u00e9 anterior ao sistema filos\u00f3fico, por isso a real necessidade de se suspender os ju\u00edzos. Afirma Merleau- Ponty, \u201cHusserl quer compreender aquilo que \u00e9 n\u00e3o filos\u00f3fico, o que antecede a ci\u00eancia e a Filosofia.\u201d Ele quer \u201cDescobrir uma passividade origin\u00e1ria, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 passividade secund\u00e1ria do h\u00e1bito<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tendo delimitado o que se entende por <em>epok\u00e9<\/em>, agora trata-se de apontar alguns de seus desdobramentos. Em uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o, a suspens\u00e3o de ju\u00edzo nos remete a dois acontecimentos, a saber, a uma ruptura com o positivismo hist\u00f3rico e a um retorno \u00e0s coisas mesmas. Salienta Lu\u00eds Furtado: \u201cA rejei\u00e7\u00e3o de pressupostos assume em Husserl a dupla face da recusa da Hist\u00f3ria da Filosofia e do imperativo de frequentar as coisas mesmas<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>.\u201d Diante do imperativo de frequentar as pr\u00f3prias coisas, ou ouvi-las, a Hist\u00f3ria da Filosofia se torna desnecess\u00e1ria. Isto implica dizer que a experi\u00eancia da consci\u00eancia com o fen\u00f4meno evidente, dado em sua originalidade, tem primazia ontol\u00f3gica sobre o passado e sobre o futuro. Expressa Husserl, quanto \u00e0 Hist\u00f3ria da Filosofia: \u201cLiteratura filos\u00f3fica crescente at\u00e9 o infinito, compreendendo pseudo opini\u00f5es e pseudo cr\u00edticas (&#8230;) mera apar\u00eancia de filosofar<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se por um lado a <em>epok\u00e9<\/em> nos confronta \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria da Filosofia, por outro surge uma proposta de voltar \u00e0s coisas mesmas. Em que implica tal proposta? Ora, segundo nossa hip\u00f3tese, significa uma afirma\u00e7\u00e3o do cotidiano, este n\u00e3o no sentido de h\u00e1bito, mas no sentido de experi\u00eancia. Ao que podemos afirmar, toda experi\u00eancia de um fen\u00f4meno no seu doar-se a uma consci\u00eancia intencional, de modo evidente, sem pressupostos, no momento presente em que se efetiva \u00e9 uma experi\u00eancia absoluta. Portanto, a investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica deve partir n\u00e3o de dogmas, conceitos ou sistemas, ou ainda, de filosofias, mas deve partir das coisas e dos problemas<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><em>Epok\u00e9:<\/em><\/strong><strong> liberdade expressiva do ser<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Uma vez que a<em> epok\u00e9<\/em> ou redu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica nos \u201cpro\u00edbem\u201d a utiliza\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria da Filosofia como refer\u00eancia ao Ser, resta-nos afirmar a dissolu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Metaf\u00edsica. Assim, nos instalamos em outro registro de pensamento, isto \u00e9, no plano da liberdade ontol\u00f3gica. O presente t\u00f3pico partir\u00e1 da seguinte hip\u00f3tese: a liberdade \u00e9 a possibilidade do Ser se d\u00e1 como fen\u00f4meno. Como esbo\u00e7ado na delimita\u00e7\u00e3o de nosso ensaio, o fen\u00f4meno \u00e9 o modo absoluto de manifesta\u00e7\u00e3o do Ser. Advertimos, por\u00e9m, que n\u00e3o estamos propondo uma reflex\u00e3o do Ser sistematizada nos moldes metaf\u00edsicos, mas do Ser enquanto manifesta\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria das pr\u00f3prias coisas, logo a liberdade \u00e9 o modo pelo qual o Ser se d\u00e1 e n\u00e3o a dial\u00e9tica, ou qualquer sistema de pensamento pr\u00e9-posto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No \u00e2mbito da pesquisa, no qual nos encontramos, pergunta-se: o que se entende por liberdade ontol\u00f3gica? De forma sum\u00e1ria, dir\u00edamos que a liberdade \u00e9 a n\u00e3o necessidade de se utilizar a Hist\u00f3ria para compreender o Ser. Dito de outro modo, a liberdade \u00e9 o pensamento que se assume isentando-se de pr\u00e9-conceito, ou melhor, a liberdade equivale a \u201cdeixar Ser\u201d. Ora, isto s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando nos voltarmos para a realidade vivida, frequentando as coisas mesmas, sem nos valermos de nenhum pressuposto. Ontologia porque estamos no plano do Ser enquanto Ser<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>, logo a liberdade ontol\u00f3gica ser\u00e1 deixar o Ser Ser.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Aqui o Ser, as coisas pr\u00f3prias se doam \u00e0 consci\u00eancia intencional. Para longe de qualquer projeto de car\u00e1ter dial\u00e9tico, o qual a nosso ver obriga algo aparecer e chama-o de Ser, cita-se, por exemplo, os princ\u00edpios l\u00f3gicos, a saber, o princ\u00edpio de identidade, de n\u00e3o contradi\u00e7\u00e3o, de raz\u00e3o suficiente, do terceiro exclu\u00eddo e a impossibilidade do progresso ou do regresso ao infinito<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>. Tais princ\u00edpios estabelecem o modo como o Ser deve manifestar-se. Ora, como vimos, o Ser se manifesta no horizonte origin\u00e1rio, pr\u00e9-conceitual da experi\u00eancia vivida, logo os princ\u00edpios aludidos n\u00e3o passam de pr\u00e9-conceitos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao contr\u00e1rio dos princ\u00edpios l\u00f3gicos, partindo da <em>epok\u00e9<\/em> husserliana, o Ser das coisas se doa a n\u00f3s. O Ser, deste modo, se oculta e se desoculta ao mesmo \u2018tempo\u2019, <em>noema e n\u00f3esis<\/em>. Se de um ponto o que se v\u00ea \u00e9 apenas um dos lados da mesa, afirma-se, por\u00e9m, a partir de uma idealidade imagin\u00e1ria, ver a mesa como um todo. No entanto, o que se doa \u00e0 consci\u00eancia intencional \u00e9 apenas uma das faces da coisa, deixando m\u00faltiplas facetas escondidas. Afirma Luiz Furtado: \u201cAssim o objeto \u00e9 dado. Ele se apresenta sempre sob um aspecto ou perspectiva, deixando indeterminados suas infinitas faces n\u00e3o imediatamente intu\u00eddas<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>.\u201d Isto nos possibilitar\u00e1 uma experi\u00eancia sempre origin\u00e1ria das coisas. Nesta vertente o conceito n\u00e3o \u00e9 de modo absoluto, capaz de aprisionar o ser das coisas. Fica, portanto, patente que o Ser se manifesta fenomenicamente anterior a qualquer conceito. Assim, a liberdade \u00e9 a casa do Ser.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Escuta como acolhimento do ser<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se bem compreendido o percurso da reflex\u00e3o at\u00e9 aqui, sem d\u00favida, se perceber\u00e1 que a escuta \u00e9 a melhor postura do fil\u00f3sofo. N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma atitude passiva, inerte diante do real, mas de uma escuta no sentido de acolhimento. N\u00e3o se pode perder de vista o nosso ponto de refer\u00eancia, a saber, a <em>epok\u00e9<\/em> husserliana. Pois \u00e9 nesta dimens\u00e3o da fenomenologia que se buscou tra\u00e7ar as linhas mestras do presente ensaio. Adentrar em outros pontos da reflex\u00e3o de Husserl foi inevit\u00e1vel, mas n\u00e3o nos perdemos do principal, isto \u00e9, apontar a partir da redu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica a atividade filos\u00f3fica como exerc\u00edcio de escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para tal exerc\u00edcio, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 reservado a passividade, ou a indiferen\u00e7a. A postura da escuta exigir\u00e1 uma verdadeira sa\u00edda da in\u00e9rcia produzida pelas respostas prontas e acabadas. Assim, o registro no qual o pensamento filos\u00f3fico se efetivar\u00e1 se dar\u00e1 no plano do \u201cvoltar \u00e0s coisas mesmas\u201d. Isto requerer\u00e1, como j\u00e1 exposto, um abandonar os pr\u00e9-conceitos, para que a coisa se d\u00ea para a consci\u00eancia intencional em sua absoluta liberdade. Cumpre dizer, a consci\u00eancia intencional \u00e9 voltada para a coisa, uma vez que toda consci\u00eancia \u00e9 de algo, pois n\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia do n\u00e3o ser. Do mesmo modo, toda coisa \u00e9 para a consci\u00eancia intencional. Portanto, as duas experi\u00eancias nascem e morrem juntas. Ressalta Luiz Furtado:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A consci\u00eancia \u00e9 t\u00e3o essencial ao objeto como seu objeto \u00e9 para ela. A consci\u00eancia e o objeto por ela visado formam uma correla\u00e7\u00e3o ou estrutura fenomenol\u00f3gica indispens\u00e1vel e \u00fanica. O objeto (<em>noema<\/em>) e a consci\u00eancia nascem, por assim dizer, juntamente. O objeto tende a ser consci\u00eancia plena (como uma percep\u00e7\u00e3o capaz de captar ao mesmo tempo os seis lados de um cubo), e a consci\u00eancia tende a ser objetiva (como uma consci\u00eancia sem perspectivas ou pontos de vista).<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o se trata aqui de estabelecer uma cr\u00edtica a toda pretensa conceitua\u00e7\u00e3o sistematizada. Interessa-nos, por\u00e9m, a deslegitima\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> de todo tipo de <em>ratio sistematizadora<\/em>, fazendo emergir no plano da pura evid\u00eancia do fen\u00f4meno, o Ser das pr\u00f3prias coisas em carne e osso. Isto implicar\u00e1 em um verdadeiro deixar ser. De modo que podemos afirmar, \u201cA linguagem \u00e9, pois, a morte das coisas.<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a>\u201d Ora, qual deve ser a postura de quem acolhe? A isto citamos o pr\u00f3prio Husserl: \u201ctudo o que se oferece a n\u00f3s na intui\u00e7\u00e3o de modo origin\u00e1rio (em sua realidade corporal por assim dizer) deve ser simplesmente recebido por aquele ao qual ela se doa<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deste modo, nossa hip\u00f3tese \u00e9 a de que diante da evid\u00eancia fenom\u00eanica, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de argumentos, ou uma linguagem academicamente sistematizada em defesa do que se d\u00e1 como fen\u00f4meno. Afirma Husserl: \u201cImporta permanecer fiel ao princ\u00edpio dos princ\u00edpios, a saber, que a claridade perfeita \u00e9 a medida de toda verdade e que os enunciados que conferem aos seus dados uma express\u00e3o fiel n\u00e3o precisam se preocupar com argumentos, por mais refinados que sejam<a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante do exposto ao longo da reflex\u00e3o, vale uma pequena advert\u00eancia. Nosso objetivo consistiu em justificar, a partir da <em>epok\u00e9<\/em> husserliana, a Filosofia como exerc\u00edcio de escuta. Tal exerc\u00edcio, se bem compreendido, nos levar\u00e1 ao entendimento de que a atitude da escuta \u00e9 anterior a conceitua\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo \u00e0 Filosofia considerada em sua pretensa rigorosidade. A experi\u00eancia da escuta \u00e9 desafiadora, pois nos coloca o tempo todo diante do n\u00e3o conhecido, diante do diferente, extravagante. Assim, pensamos ser poss\u00edvel, perante tal exerc\u00edcio, uma experi\u00eancia eminentemente filos\u00f3fica. Isto justificaria a Filosofia como estranhamento do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A atividade filos\u00f3fica encontra seu impulso, por assim dizer, na n\u00e3o Filosofia. Dito de outro modo, A Filosofia se efetiva a partir da desconsidera\u00e7\u00e3o de todo pr\u00e9-conceito, isto \u00e9, diante de um voltar \u00e0s coisas mesmas. Cumpre dizer, o fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 uma fachada de uma poss\u00edvel ess\u00eancia, mas o modo pelo qual a coisa se doa \u00e0 consci\u00eancia intencional. Aqui est\u00e1 a diferen\u00e7a do fen\u00f4meno da compreens\u00e3o kantiana, pois nos moldes de Husserl o fen\u00f4meno aponta para outro fen\u00f4meno. Pensamos que a sedu\u00e7\u00e3o do pensamento de Husserl, de acordo com nossa interpreta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 no fato de ele nos possibilitar o assombro e encanto ao mesmo tempo. H\u00e1 deste modo, uma conflu\u00eancia entre estranhamento e escuta. Filosofar \u00e9 estranhar o mundo na medida em que se voltar \u00e0s coisas mesmas, sem se valer de pr\u00e9-conceitos. A isto chamamos \u201cexerc\u00edcio de escuta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">BUZZI, Arc\u00e2ngelo R.; BOFF, Leonardo. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao pensar<\/em>: o Ser, o conhecer, a linguagem. 3. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">DELACAMPAGNE, Christian. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia no S\u00e9culo XX<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Lucy Magalh\u00e3es. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">FURTADO, Jos\u00e9 Luiz. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Fenomenologia de Husserl<\/em>. Ouro Preto, 2006. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/65953138\/HUSSERL20-9-11-2\">http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/65953138\/HUSSERL20-9-11-2<\/a>&gt;. Acesso em: 10 jun. 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\"><strong>______. \u00a0<\/strong><em>Notas de aula sobre Fenomenologia<\/em>. Ouro Preto, 2011. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/65953311\/Notas-de-Aula-Sobre-Fenomenologia-12-09-11\">http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/65953311\/Notas-de-Aula-Sobre-Fenomenologia-12-09-11<\/a>&gt;. \u00a0Acesso em: 10 jun. 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">HUSSERL, E. <em>A Filosofia como Ci\u00eancia de rigor.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Albin Beau. Coimbra: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">HUSSERL, E. <em>A ideia da Fenomenologia<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Artur Mor\u00e3o. Rio de Janeiro. Edi\u00e7\u00f5es 70.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">MOLINARO, Aniceto. <em>Metaf\u00edsica<\/em>: Curso sistem\u00e1tico. Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paix\u00e3o Neto e Roque Frangiotti. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">MONDIN, Battista. <em>Curso de Filosofia<\/em>: os fil\u00f3sofos do Ocidente. Tradu\u00e7\u00e3o de Ben\u00f4ni Lemos. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">OLIVEIRA, Ibraim Vitor de; PAIVA, M\u00e1rcio Ant\u00f4nio de (org). <em>Viol\u00eancia e discurso sobre<\/em> <em>Deus<\/em>: Da desconstru\u00e7\u00e3o \u00e0 abertura \u00e9tica. S\u00e3o Paulo: Paulinas\/ Puc Minas, 2010.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> \u00a0Cf. Husserl, E. <em>A Filosofia como Ci\u00eancia de rigor<\/em>. p.1-3. Todas as refer\u00eancias estar\u00e3o de modo completo na bibliografia.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref2\">[2]<\/a> \u00a0Cf. Ibraim Vitor de OLIVEIRA, Viol\u00eancia do \u201csaber\u201d: <em>metaf\u00edsica e discurso sobre Deus<\/em>. p. 31-64.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref3\">[3]<\/a> \u00a0Cf. M\u00e1rcio Ant\u00f4nio de PAIVA, <em>Da \u00e9tica ao discurso sobre Deus<\/em>. p. 121.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref4\">[4]<\/a> \u00a0Arist\u00f3teles apud Ibraim Vitor de OLIVEIRA, Viol\u00eancia do \u201csaber\u201d: <em>metaf\u00edsica e discurso sobre Deus<\/em>. p.121.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0 M\u00e1rcio Ant\u00f4nio de PAIVA, <em>Da \u00e9tica ao discurso sobre Deus<\/em>. p. 122.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref6\">[6]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.6. No corpo do texto, toda refer\u00eancia feita a respeito deste autor, ser\u00e1 assim: Luiz Furtado.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref7\">[7]<\/a> Cf. Husserl E, <em>A ideia da Fenomenologia<\/em>. p. 26. Onde se encontra o seguinte: \u201cEntretanto, o genu\u00edno sentido do princ\u00edpio \u00e9 a exorta\u00e7\u00e3o constante a permanecer junto das coisas (bei den Sachen) (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0 Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia<\/em> de Husserl. p. 3.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref9\">[9]<\/a> Sobre o positivismo hist\u00f3rico e sobre o naturalismo, para maiores esclarecimentos, ver: Christian DELACAMPAGNE, <em>Hist\u00f3ria da filosofia no S\u00e9culo XX<\/em>. p. 27-33.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref10\">[10]<\/a>\u00a0 Husserl, <em>A Filosofia como Ci\u00eancia de rigor<\/em>. p.1.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0 Christian DELACAMPAGNE, <em>Hist\u00f3ria da filosofia no S\u00e9culo XX<\/em>. p.32.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0 Cf. Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.2.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref13\">[13]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.14.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref14\">[14]<\/a> Battista MONDIN, <em>Curso de filosofia<\/em>. p. 182.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref15\">[15]<\/a>\u00a0 Cita-se o pr\u00f3prio Husserl: \u201cO m\u00e9todo da cr\u00edtica do conhecimento \u00e9 o fenomenol\u00f3gico: a fenomenologia \u00e9 a doutrina universal das ess\u00eancias, em que se integra a ci\u00eancia da ess\u00eancia do conhecimento\u201d. Husserl E, <em>A ideia da Fenomenologia<\/em>. p. 22. Para maiores esclarecimentos; ver o t\u00f3pico \u201c<em>A ideia da Fenomenologia: (Cinco li\u00e7\u00f5es)<\/em>.\u201d p.18 a 35 da mesma obra citada.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref16\">[16]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Notas de aula sobre fenomenologia<\/em>. p. 2.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref17\">[17]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Notas de aula sobre fenomenologia<\/em>. p. 2.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref18\">[18]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO<em>, Notas de aula sobre fenomenologia<\/em>. p. 2.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref19\">[19]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Notas de aula sobre fenomenologia.<\/em> p. 16.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref20\">[20]<\/a> Cf. Batista MONDIN, <em>Curso de filosofia<\/em>. p. 184<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref21\">[21]<\/a> Cf. Ibraim Vitor de OLIVEIRA, Viol\u00eancia do \u201csaber\u201d: <em>metaf\u00edsica e discurso sobre Deus<\/em>. p. 31.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref22\">[22]<\/a> Cf. Battista MONDIN, <em>Curso de filosofia<\/em>. p. 184.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref23\">[23]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO<em>, Notas de aula sobre fenomenologia<\/em>. p. 7.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref24\">[24]<\/a> Merleau \u2013 PONTY apud Jos\u00e9 Luiz FURTADO<em>, Notas de aula sobre fenomenologia<\/em>. p. 7.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref25\">[25]<\/a>\u00a0 Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.14.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref26\">[26]<\/a> HUSSERL apud Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.14.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref27\">[27]<\/a>\u00a0 Cf. Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.15.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref28\">[28]<\/a> Para maiores esclarecimentos sobre a Ontologia como estudo do Ser enquanto Ser.\u00a0 Cf. BUZZI, Arc\u00e2ngelo R. BOFF, Leonardo. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao pensar<\/em>: o Ser, o conhecer, a linguagem. p. 21-38.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref29\">[29]<\/a> N\u00e3o nos seria poss\u00edvel descer a sutis nuan\u00e7as de tais princ\u00edpios, norteadores da L\u00f3gica, portanto para maiores esclarecimentos. Cf. MOLINARO, Aniceto. <em>Metaf\u00edsica<\/em>: Curso sistem\u00e1tico. p. 93-105.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref30\">[30]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO<em>, Notas de aula sobre fenomenologia<\/em>. p. 3.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref31\">[31]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO<em>, Notas de aula sobre fenomenologia<\/em>. p. 3.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref32\">[32]<\/a> Partimos da hip\u00f3tese de que \u201ccr\u00edtica\u201d e \u201cdeslegitima\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o se articulam no mesmo patamar.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref33\">[33]<\/a> Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.18.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref34\">[34]<\/a> HUSSERL apud Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.16.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/Blog\/Husserl,%20Juliano.doc#_ftnref35\">[35]<\/a> HUSSERL apud Jos\u00e9 Luiz FURTADO, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia de Husserl<\/em>. p.15.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juliano Aparecido Pinto \u201cFui compreendido? Todo fil\u00f3sofo escreve para ser e n\u00e3o ser compreendido ao mesmo tempo.\u201d (Nietzsche) Introdu\u00e7\u00e3o Desde os tempos imemoriais, a Filosofia buscou ser Ci\u00eancia de rigor[1], sistem\u00e1tica em busca da verdadeira verdade. Tal projeto ora mais intenso, ora menos intenso, mas jamais abandonado. A Filosofia nasce como religi\u00e3o do logos, fundamentada &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[62,82],"tags":[275,304,474],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2264","6":"format-standard","7":"category-husserl","8":"category-juliano-aparecido-pinto","9":"post_tag-epoke","10":"post_tag-fenomenologia","11":"post_tag-silencio"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2264"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2264\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}