{"id":2273,"date":"2012-08-09T22:22:35","date_gmt":"2012-08-10T01:22:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2273"},"modified":"2012-08-09T22:22:35","modified_gmt":"2012-08-10T01:22:35","slug":"a-compreensao-de-liberdade-na-perspectiva-kantiana-principio-supremo-da-moralidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2273","title":{"rendered":"A compreens\u00e3o de liberdade na perspectiva Kantiana: princ\u00edpio supremo da moralidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Rosemberg Nascimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">O problema a ser abordado acerca da liberdade visa como objetivo principal investigar e analisar de modo conciso a partir da fundamenta\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica dos costumes no pensamento kantiano. Como sabemos, Immanuel Kant (1724-1804) \u00e9 considerado um grande fil\u00f3sofo do iluminismo alem\u00e3o que inovou e propiciou uma distinta vis\u00e3o n\u00e3o somente da filosofia moderna, mas de modo estritamente peculiar tamb\u00e9m da metaf\u00edsica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No entanto, discorrer sobre a liberdade Kantiana, \u00e9 colocar a prova um dos tra\u00e7os caracter\u00edsticos de seu pensamento que \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a modernidade. Contudo, torna-se realmente uma empreitada dif\u00edcil, por causa da densidade de seu pensamento. Os problemas ir\u00e3o surgir a partir da pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do esbo\u00e7o filos\u00f3fico. Assim, podemos al\u00e7ar questionamentos: em que sentido se pode pensar a liberdade no pensamento kantiano? Qual a oposi\u00e7\u00e3o entre liberdade e autonomia? Atrav\u00e9s dessa percep\u00e7\u00e3o a concep\u00e7\u00e3o de alguns pensadores da modernidade ousaram tematizar a liberdade como reflex\u00e3o \u00e9tica e moral, restabelecendo a filosofia um aut\u00eantico saber humano? S\u00e3o questionamentos instigantes que nos induzem averiguar sem esgotar o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Uma das quest\u00f5es primordiais que inquieta o ser humano na atualidade \u00e9 a quest\u00e3o sobre a liberdade. Segundo Kant, pode-se compreender a autonomia da vontade como liberdade, uma vez que \u00e9 a propriedade que implica a n\u00e3o escolha de modo que as m\u00e1ximas sejam inclu\u00eddas simultaneamente como lei universal. Destacar que atrav\u00e9s da simples an\u00e1lise dos conceitos morais, podem-se calcular que \u201co princ\u00edpio da autonomia \u00e9 o \u00fanico principio moral\u201d (KANT, 1974, p. 238). Ali\u00e1s, descobre-se que esse princ\u00edpio corresponde ao imperativo categ\u00f3rico, na medida em que a autonomia \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para a moral. Desse modo, o conceito da liberdade automaticamente, \u00e9 o \u00e1pice para explicar a autonomia da vontade, ambos est\u00e3o concomitantemente interligadas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A <em>vontade<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie de causalidade dos seres vivos, enquanto racionais, a liberdade seria a propriedade desta causalidade, pela qual ela pode ser eficiente, independentemente de coisas estranhas que a <em>determinem<\/em>; assim como necessidade natural \u00e9 a propriedade da causalidade de todos os seres irracionais de serem determinados \u00e0 atividade pela influ\u00eancia de coisas estranhas. (KANT, 1974, p. 243).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com isso, a acep\u00e7\u00e3o de liberdade est\u00e1 concatenada \u00e0 vontade, pois esta \u00e9 a causa dos seres vivos enquanto seres dotados de raz\u00e3o. A defini\u00e7\u00e3o de liberdade que propomos \u00e9 negativa, pois, infecunda o conhecimento de sua ess\u00eancia. A causalidade traz consigo as leis segundo as quais evocamos de causa.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim a liberdade, se bem que n\u00e3o seja uma propriedade da vontade segundo leis naturais, n\u00e3o \u00e9 por isso, desprovida de lei, mas, tem antes de ser uma causalidade segundo leis imut\u00e1veis, ainda que de uma esp\u00e9cie particular; pois, de outro modo uma vontade livre seria um absurdo. (KANT, 1974, p. 243).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Embora, a liberdade seja a propriedade da vontade, ela \u00e9 em todas as a\u00e7\u00f5es uma lei para si mesma diferencia apenas o principio de n\u00e3o agir segundo nenhuma outra m\u00e1xima que n\u00e3o seja aquela que possa ter-se a si mesma por objeto como lei universal. A f\u00f3rmula do imperativo categ\u00f3rico \u00e9 o principio da moralidade; Vontade livre e vontade submetida \u00e0s leis morais simultaneamente s\u00e3o semelhantes. Pressupondo a liberdade da vontade, segue-se que a moralidade com o seu princ\u00edpio, pode ser considerado anal\u00edtico, visto que, a vontade provavelmente \u00e9 aquela cuja pode conter-se em si mesma na qual \u00e9 considerada como lei universal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De acordo com a doutrina kantiana n\u00e3o se trata de conceber a moral no sentido de analisar o princ\u00edpio supremo da moralidade, tal como delineia-se na consci\u00eancia humana. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conceber coisa alguma no mundo, ou mesmo fora do mundo, que sem restri\u00e7\u00e3o possa ser considerada boa, a n\u00e3o ser: uma boa vontade\u201d. (PASCAL, 1985, p. 111).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Posteriormente, um dos tra\u00e7os caracter\u00edsticos que fundamenta o ponto de partida no pensamento kantiano \u00e9 a quest\u00e3o da moralidade a qual significa o princ\u00edpio supremo. Por conseguinte, a conformidade como a lei, de certo modo constitui o princ\u00edpio de uma boa vontade. E por outro lado, a partir dessa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que se consiste o formalismo kantiano. Afinal, evidencia-se tamb\u00e9m a oposi\u00e7\u00e3o do ponto de vista da legalidade ou da formalidade atrav\u00e9s da lei, tendo presente que o ponto de vista da moralidade aut\u00eantica reside na pura inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pelo fato da moralidade residir na pura inten\u00e7\u00e3o, nos remete a refletir acerca da vontade, por isso, se torna imposs\u00edvel falar de liberdade sem falar de moral, e de liberdade sem falar de vontade, pois, ambas est\u00e3o correlacionadas. \u201cA vontade, com efeito, \u00e9 a faculdade de agir segundo certas regras. Estas regras constituem m\u00e1ximas, se s\u00e3o subjetivas ou v\u00e1lidas para a vontade do sujeito; constituem leis, se s\u00e3o objetivas, ou v\u00e1lidas para a vontade de todo o ser racional.\u201d (PASCAL, 1985, p. 119).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Al\u00e9m disso, conforme a teoria kantiana, a vontade \u00e9 a capacidade que o indiv\u00edduo possui a faculdade de agir segundo certas regras implicando-se na moral. A partir dessa afirma\u00e7\u00e3o estas regras constituem m\u00e1ximas que podem ser denominadas como a lei moral. \u201cQuando se trata de valor moral, o que importa n\u00e3o s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es exteriores que se v\u00eaem, mas os princ\u00edpios internos da a\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se v\u00eaem.\u201d (PASCAL, 1985, p. 117).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo a autonomia o princ\u00edpio da dignidade da natureza humana da qual implica na raz\u00e3o, \u00e9 compreens\u00edvel tamb\u00e9m perceber que Kant faz da autonomia princ\u00edpio supremo de moralidade, sendo que, implica respectivamente, a vontade e o respeito \u00e0 pessoa humana e principalmente a sua dignidade, ademais somente \u00e9 poss\u00edvel pensar a liberdade na perspectiva de Kant, a partir da reflex\u00e3o moral.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, a moral pressuponha necessariamente a liberdade (em seu sentido mais estrito) como propriedade de nosso querer, enquanto ela aduz aos princ\u00edpios, pr\u00e1ticos origin\u00e1rios, presentes em nossa raz\u00e3o como dados a priori desta mesma raz\u00e3o, os quais seriam absolutamente imposs\u00edveis sem o pressuposto, da liberdade; e uma vez que, contra isso, a raz\u00e3o especulativa tenha demonstrado que esta liberdade n\u00e3o pode de fato ser pensada, ent\u00e3o o primeiro pressuposto, isto \u00e9, o moral, deveria necessariamente ceder ao segundo, ou seja, ao pressuposto cujo contr\u00e1rio cont\u00e9m uma clara contradi\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, a <em>liberdade<\/em>, e com ela a moralidade (cujo contr\u00e1rio n\u00e3o tem nenhuma contradi\u00e7\u00e3o, se j\u00e1 n\u00e3o for pressuposta a liberdade). (REALE, 2005, p. 407).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, como acima foi exposto, a liberdade no pensamento kantiano, somente pode ser pensada atrav\u00e9s da reflex\u00e3o moral. Dessa forma, a autonomia da vontade e a liberdade s\u00e3o simult\u00e2neas \u00e9 imposs\u00edvel pensar autonomia da vontade sem pensar a liberdade, ambas est\u00e3o em conson\u00e2ncia uma com a outra. Por isso, tendo discorrido sobre a rela\u00e7\u00e3o kantiana de liberdade que implica na moral e autonomia da vontade que se refere \u00e0 liberdade, percebe-se que esses aspectos culminam de seu pensamento que \u00e9 importante para a modernidade, pelo modo como ele aborda ent\u00e3o se torna pertinente falar de liberdade na atualidade e principalmente na modernidade \u00e9 uma tem\u00e1tica em que nota-se que o ser humano se preocupa muito com essa quest\u00e3o de ser livre. Mas, para ser livre \u00e9 preciso agir tamb\u00e9m de acordo com a \u00e9tica e moral, a liberdade est\u00e1 intimamente ligada a esses par\u00e2metros. Dessa maneira, a liberdade s\u00f3 poder\u00e1 ser pensada corretamente, se a compreendermos de fato, como propriedade de um ser. Com isso, a percep\u00e7\u00e3o dos fil\u00f3sofos da modernidade tematizam a liberdade como reflex\u00e3o em torno da \u00e9tica e da moral em que se demonstra a filosofia um aut\u00eantico saber humano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">KANT, Immanuel. <em>Fundamenta\u00e7\u00e3o da Metaf\u00edsica dos costumes<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Val\u00e9rio Rohden. S\u00e3o Paulo: Abril cultural, 1974. (Os pensadores).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PASCAL, Georges. <em>O pensamento de Kant<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Raimundo Vier. 2. ed. Petr\u00f3polis: Vozes. 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, G.; ANTISERI, Dario. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia<\/em> 3: do humanismo a Descartes. Tradu\u00e7\u00e3o de Ivo Storniolo. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">______. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia<\/em>, 4: de Spinoza a Kant. Tradu\u00e7\u00e3o de Ivo Storniolo. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosemberg Nascimento O problema a ser abordado acerca da liberdade visa como objetivo principal investigar e analisar de modo conciso a partir da fundamenta\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica dos costumes no pensamento kantiano. 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