{"id":2430,"date":"2012-11-27T00:32:47","date_gmt":"2012-11-27T03:32:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2430"},"modified":"2012-11-27T00:32:47","modified_gmt":"2012-11-27T03:32:47","slug":"hermeneutica-gadameriana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2430","title":{"rendered":"Hermen\u00eautica gadameriana: constru\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o gnosiol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><b>Daniel Junior dos Santos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A pretens\u00e3o pela verdade foi e ser\u00e1 sempre um desejo de todo o ser humano. Impelido por esta necessidade n\u00e3o s\u00f3 de conhecimento, mas de apreens\u00e3o da verdade, o per\u00edodo que conhecemos como modernidade \u00e9 marcado pela ruptura da tradi\u00e7\u00e3o e pela ascens\u00e3o da raz\u00e3o, exacerbando-se o subjetivismo e solipsismo do eu em busca de uma verdade indubit\u00e1vel e o detrimento de sua rela\u00e7\u00e3o com o outro e com a realidade que o circunda. Neste sentido, o objetivo do presente artigo \u00e9 o de apresentar a proposta filos\u00f3fica da hermen\u00eautica de Hans Georg Gadamer<a title=\"\" href=\"\/Academico\/2009-2012%20Blog%20Pensamento%20Extemporaneo\/Gadamer,%20Daniel.doc#_ftn1\"><sup><\/sup><sup>[1]<\/sup><\/a>, n\u00e3o como um novo m\u00e9todo epistemol\u00f3gico, por\u00e9m como uma alternativa \u00e0 heran\u00e7a moderna sendo ferramenta de resgate e atualiza\u00e7\u00e3o do conhecimento via di\u00e1logo entre texto e int\u00e9rprete.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>1. Cr\u00edtica ao M\u00e9todo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Caracterizada pelo Renascimento como movimento de volta ao per\u00edodo cl\u00e1ssico e advento do Iluminismo &#8211; triunfo da raz\u00e3o e liberdade do sujeito &#8211; o per\u00edodo moderno inaugurado pela filosofia de Ren\u00e9 Descartes (1596-1650), rompe n\u00e3o s\u00f3 com a estrutura das institui\u00e7\u00f5es e da tradi\u00e7\u00e3o, como demarca uma virada no pensamento filos\u00f3fico: de uma universalidade absoluta na figura de Deus para um subjetivismo racionalista na forma humana. Contudo, este n\u00e3o foi s\u00f3 o \u00fanico contributo da filosofia cartesiana. Soma-se ainda a descoberta do m\u00e9todo, o qual ser\u00e1 \u00fatil n\u00e3o s\u00f3 para as ci\u00eancias, mas para o pr\u00f3prio filosofar:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A import\u00e2ncia de Descartes est\u00e1 em seu questionamento da legitimidade dos textos, cuja autoridade se fundamenta em pouco mais que um apelo de autovalida\u00e7\u00e3o do poder da tradi\u00e7\u00e3o. Descartes inaugura um movimento s\u00edsmico na legitimidade; uma mudan\u00e7a de paradigma da autoridade de textos para a autoridade da raz\u00e3o. (LAWN, 2007, p. 49).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesta empreitada, o Iluminismo pode ser descrito como hiperboliza\u00e7\u00e3o da busca pelo saber humano atrav\u00e9s da t\u00e9cnica e dos meios cient\u00edficos e esvaecimento da cultura e dos valores tradicionais. A partir deste prop\u00f3sito, o m\u00e9todo cartesiano advindo das ci\u00eancias exatas torna-se a verdade autoevidente do pr\u00f3prio <i>cogito<\/i>: \u201c[&#8230;] a verdade \u00e9 um atributo interno do conhecimento individual\u201d. (LAWN, 2007, p. 51). Entretanto, como \u00e9 descrito este m\u00e9todo? Qual \u00e9 a sua legitimidade? Quanto a isto, Descartes descreve:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] em lugar desse grande n\u00famero de preceitos de que se comp\u00f5e a l\u00f3gica, achei que me seriam suficientes os quatro seguintes, [&#8230;] o primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu n\u00e3o conhecesse claramente como tal; [&#8230;] o segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem poss\u00edveis e necess\u00e1rias a fim de melhor solucion\u00e1-las. O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais f\u00e1ceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, [&#8230;] at\u00e9 o conhecimento dos mais compostos [&#8230;]. E o \u00faltimo, o de efetuar em toda parte rela\u00e7\u00f5es met\u00f3dicas t\u00e3o completas e revis\u00f5es t\u00e3o gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir. (DESCARTES, 1999, p. 50-51).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A partir deste vi\u00e9s da an\u00e1lise, ordem, composi\u00e7\u00e3o e enumera\u00e7\u00e3o, nada pode ser concebido clara e distintamente fora do m\u00e9todo experimental. Assim, o m\u00e9todo \u00e9 o marco do iluminismo e da filosofia moderna, como da queda da tradi\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o da autoridade textual:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O problema real com a sabedoria cl\u00e1ssica da Antiguidade, do ponto de vista do novo esp\u00edrito cient\u00edfico, \u00e9 que sua autoridade pode estar fundada em preconceito, supersti\u00e7\u00e3o, opini\u00e3o, nas fantasias do costume hist\u00f3rico e nos julgamentos mal formulados daqueles que n\u00e3o t\u00eam o <i>insight <\/i>e os princ\u00edpios do questionamento cient\u00edfico. Para Descartes, a beleza desse m\u00e9todo \u00e9 que ele \u00e9 irrefut\u00e1vel, claramente estabelecido e, consequentemente, verdade auto-evidente. (LAWN, 2007, p. 50).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Contr\u00e1rio a esta hegemonia do m\u00e9todo e enquadramento da verdade, Gadamer em sua proposta hermen\u00eautica pretende de maneira fenomenol\u00f3gica voltar \u00e0s coisas mesmas, ou seja, pensar e por sua vez interpretar o mundo desvinculado de um m\u00e9todo. O m\u00e9todo aprisiona e limita o conhecimento dentro de padr\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es; j\u00e1 o saber absoluto \u00e9 imposs\u00edvel de ser conquistado. Neste sentido, a hermen\u00eautica \u00e9 um puro desvelar do texto a partir da hist\u00f3ria de seus efeitos diante dos preconceitos de um determinado int\u00e9rprete. Ela \u00e9 mais que um m\u00e9todo cient\u00edfico, designa condi\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica: \u201cA hermen\u00eautica \u00e9, pois, algo mais que um m\u00e9todo das ci\u00eancias ou o distintivo de um determinado grupo de ci\u00eancias. Designa sobretudo uma capacidade natural do ser humano\u201d. (GADAMER, 2002, p. 350).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, com a hermen\u00eautica tenta-se superar a heran\u00e7a racionalista e a leitura err\u00f4nea dos termos preconceito e tradi\u00e7\u00e3o pelos iluministas. Nesta perspectiva, enquanto o iluminismo com sua raz\u00e3o progressista destr\u00f3i o passado visando um futuro e o romantismo tende a fazer o inverso, a modernidade \u00e9 marcada pela depend\u00eancia do homem em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo indubit\u00e1vel. Entretanto, tal ruptura n\u00e3o pode ignorar que a raz\u00e3o reside dentro de um per\u00edodo e contexto cultural. Destarte, a hermen\u00eautica d\u00e1-se no mundo marcado pela hist\u00f3ria, linguagem e seus preconceitos, e n\u00e3o numa raz\u00e3o autossuficiente, como atesta Gadamer (1998, p. 281): \u201cPara n\u00f3s a raz\u00e3o somente existe como real e hist\u00f3rica, isto significa simplesmente: a raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dona de si mesma, pois est\u00e1 sempre referida ao dado no qual se exerce\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desta nega\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o em vista da afirma\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o no discurso racionalista, v\u00ea-se a auto-exclus\u00e3o da pr\u00f3pria racionalidade: \u201cPortanto, ignorar a tradi\u00e7\u00e3o como um oposto da raz\u00e3o \u00e9 ignorar que a raz\u00e3o pode, em si, ser uma caracter\u00edstica da tradi\u00e7\u00e3o\u201d. (LAWN, 2007, p. 55). Deste modo, nunca podemos destituir tanto a hist\u00f3ria como a cultura de seu lugar, como queria a modernidade, pois o <i>homo hermeneuticus<\/i> encontra-se dentro da hist\u00f3ria e da tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>2. Hermen\u00eautica: atualiza\u00e7\u00e3o gnosiol\u00f3gica<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Efetivada a cr\u00edtica \u00e0 modernidade, o objetivo da hermen\u00eautica gadameriana, influenciada pelo pensamento de Heidegger, \u00e9 o de supera\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es distorcidas sob os preconceitos propondo atrav\u00e9s disso uma compreens\u00e3o adequada da finitude, a qual n\u00e3o se limite a nossa estrutura enquanto ser, mas tamb\u00e9m enquanto ser hist\u00f3rico. Mas enquanto seres interpretantes situados num mundo, qual \u00e9 o sentido e as condi\u00e7\u00f5es de nossas interpreta\u00e7\u00f5es?\u00a0 Quanto a isto, um dos grandes contributos de Gadamer para a hermen\u00eautica \u00e9 a elucida\u00e7\u00e3o do conceito de c\u00edrculo hermen\u00eautico advindo da influ\u00eancia heideggeriana:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O c\u00edrculo n\u00e3o deve ser degradado a c\u00edrculo vicioso, mesmo que este seja tolerado. Nele vela uma possibilidade positiva do conhecimento mais origin\u00e1rio, que, evidentemente, s\u00f3 ser\u00e1 compreendido de modo adequado, quando a interpreta\u00e7\u00e3o compreender que sua tarefa primeira, constante e \u00faltima permanece sendo a de n\u00e3o receber de antem\u00e3o, por meio de uma \u2018feliz ideia\u2019 ou por meio de conceitos populares, nem a posi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, nem a vis\u00e3o pr\u00e9via, mas em assegurar o tema cient\u00edfico na elabora\u00e7\u00e3o desses conceitos a partir da coisa mesma. (GADAMER, 1998, p. 401).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desta forma, o c\u00edrculo hermen\u00eautico \u00e9 o movimento da compreens\u00e3o, ou seja, do projetar-se, fluxo da sa\u00edda de si e das pr\u00f3prias impress\u00f5es, interpreta\u00e7\u00f5es e ir ao encontro do texto. Nessa din\u00e2mica de infinitas possibilidades de interpreta\u00e7\u00f5es, ao nos posicionarmos diante de um texto, temos dele uma pr\u00e9-compreens\u00e3o, um pr\u00e9-conceito por meio da transmiss\u00e3o de fatores culturais. Ao ser submetido \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, o int\u00e9rprete deve fazer jus das informa\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es do texto, formulando e reformulando sua leitura sobre o mesmo. Com isso, o interpretante p\u00f5e seus preconceitos ante o crivo do texto, num ciclo infinito e intermitente de interpreta\u00e7\u00f5es: \u201cEm suma, esse constante projetar de novo \u00e9 o que perfaz o movimento sem\u00e2ntico de compreender e de interpretar\u201d. (GADAMER, 2002, p. 75).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fica-se estabelecido neste caso que a hermen\u00eautica n\u00e3o consiste numa decodifica\u00e7\u00e3o, muito menos numa t\u00e9cnica, mas numa compreens\u00e3o constante, movimento de encontro, interpreta\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e reinterpreta\u00e7\u00e3o de um texto. Desta reciprocidade entre texto e interpretante d\u00e1-se o que denominamos de di\u00e1logo: \u201cA principal tarefa do int\u00e9rprete \u00e9 descobrir a pergunta a que o texto vem dar resposta; compreender um texto \u00e9 compreender a pergunta\u201d. (BLEICHER, 1980, p. 161).\u00a0 Por sua vez, a tarefa de interpretar e compreender, pela qual se caracteriza a hermen\u00eautica n\u00e3o \u00e9 algo monol\u00f3gico, todavia um movimento dial\u00f3gico de pergunta e resposta, entre texto e int\u00e9rprete.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dentro desta dial\u00e9tica outro fator de grande relev\u00e2ncia \u00e9 o deslocamento do leitor at\u00e9 o texto, do dito ao n\u00e3o dito, do questionado ao questionador. Conquanto, para uma interpreta\u00e7\u00e3o correta devemo-nos atentar para os desvios e erros de uma pr\u00e9-interpreta\u00e7\u00e3o e irmos \u00e0s coisas mesmas, ou propriamente ao texto, tendo sempre em conta a consci\u00eancia de sua alteridade \u2013 o texto fala por si mesmo, tem contexto, estilo e a vis\u00e3o do autor no qual foi escrito: \u201cQuem quiser compreender um texto est\u00e1, ao contr\u00e1rio, disposto a deixar que ele diga alguma coisa\u201d. (GADAMER, 2002, p. 76).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Consequentemente, a dial\u00e9tica alcan\u00e7ar\u00e1 autenticidade no momento em que se der a fus\u00e3o dos horizontes, no qual o entendimento do texto se dar\u00e1 por sua interpreta\u00e7\u00e3o no presente visando um futuro, sem se esquecer do seu passado. Logo, dar-se conta dos pr\u00f3prios preconceitos antes de ler o texto \u00e9 tarefa indispens\u00e1vel a todo interpretante:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A compreens\u00e3o somente alcan\u00e7a sua verdadeira possibilidade, quando as opini\u00f5es pr\u00e9vias, com as quais ela inicia, n\u00e3o s\u00e3o arbitr\u00e1rias. Por isso faz sentido que o interprete n\u00e3o se dirija aos textos diretamente, a partir da opini\u00e3o pr\u00e9via que lhe subjaz, mas que examine tais opini\u00f5es quanto \u00e0 sua legitima\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, quanto a sua origem e validez. (GADAMER, 1998, p. 403).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enfim, a postura de an\u00e1lise dos pr\u00e9-julgamentos n\u00e3o se trata de um aniquilamento das pr\u00f3prias opini\u00f5es a respeito do texto, mas da abertura ao di\u00e1logo. A ess\u00eancia deste se d\u00e1 pelo ato de perguntar, questionar, do p\u00f4r-se em acordo com o outro. O conhecimento hermen\u00eautico neste sentido brota da abertura do autor \u00e0 experi\u00eancia do texto sendo mediado pelo fen\u00f4meno da linguagem que garante o acordo entre os interlocutores e sela a compreens\u00e3o sobre a coisa: \u201cTodo compreender \u00e9 interpretar, e todo interpretar se desenvolve no m\u00e9dium de uma linguagem que pretende deixar falar o objeto e \u00e9, ao mesmo tempo, a linguagem pr\u00f3pria de seu int\u00e9rprete\u201d. (GADAMER, 1998, p. 566-567).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Abrir-se ao outro, portanto, ao texto neste sentido \u00e9 desinstalar-se do pr\u00f3prio conhecimento embarcando posteriormente num interc\u00e2mbio de pareceres donde n\u00e3o existe uma verdade absoluta e pr\u00e9-estabelecida por um m\u00e9todo. A verdade \u00e9 di\u00e1logo, <i>al\u00e9theia<\/i>, desvelamento na arte, linguagem e hist\u00f3ria. O conhecimento n\u00e3o \u00e9 adequa\u00e7\u00e3o, representa\u00e7\u00e3o, correspond\u00eancia, mas sim revela\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00e3o. Assim sendo, quem quiser chegar \u00e0 verdade dever\u00e1 sempre se projetar, revisitar seus conhecimentos pr\u00e9vios num di\u00e1logo cont\u00ednuo e fascinante com o texto: \u201c\u00c9 tarefa da hermen\u00eautica esclarecer o milagre da compreens\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o misteriosa entre as almas, mas participa\u00e7\u00e3o num sentido comum\u201d. (GADAMER, 2002, p. 73).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais\u00a0\u00a0 <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em suma, a legitimidade do saber hermen\u00eautico encontra-se distante da media\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo acabado visado para um saber absoluto como \u00e9 descrita a pretens\u00e3o filos\u00f3fica da modernidade. Em contrapartida a este racioc\u00ednio, a dial\u00e9tica existente entre texto e interpretante determina o devir do conhecimento humano dentro da hist\u00f3ria numa trajet\u00f3ria de desconstru\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o dos preconceitos, marcado pela infinitude de possibilidades de interpreta\u00e7\u00f5es. A arte de interpretar, longe de se desvincular dos par\u00e2metros da alteridade dos efeitos do texto, \u00e9 um ininterrupto exerc\u00edcio humano de compreender e entender as coisas e o mundo. A hermen\u00eautica, por assim dizer, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um resgate do passado pelo presente visando um futuro, mas uma atualiza\u00e7\u00e3o dos modos como captamos a verdade que nos \u00e9 apresentada. Destarte, o conhecimento \u00e9 ef\u00eamero, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ceterna\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">BLEICHER, Josef. <i>Hermen\u00eautica Contempor\u00e2nea<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Georgina Segurado. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DESCARTES, Ren\u00e9. <i>Discurso do M\u00e9todo<\/i>. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1999. (Os Pensadores)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">GADAMER, Hans-Georg. <i>Verdade e M\u00e9todo II: <\/i>complementos e \u00edndice. Tradu\u00e7\u00e3o de Enio Paulo Giachini. Petr\u00f3polis: Vozes, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">______. <i>Verdade e M\u00e9todo: <\/i>Tra\u00e7os fundamentais de uma hermen\u00eautica filos\u00f3fica. Tradu\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Paulo Meurer. 2. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">LAWN, Chris. <i>Compreender Gadamer.<\/i>Tradu\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Magri Filho. Petr\u00f3polis: Vozes, 2007.<\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<hr \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/2009-2012%20Blog%20Pensamento%20Extemporaneo\/Gadamer,%20Daniel.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> Nasceu em 1900 e morreu em 2002 na Alemanha. Classicista e criador das hermen\u00eauticas filos\u00f3ficas \u00e9 considerado o Grande Velho Homem da filosofia alem\u00e3. Dentre suas obras principais destaca-se <i>Verdade e M\u00e9todo,<\/i> comoum grande contributo \u00e0 filosofia hermen\u00eautica. (cf. LAWN, <i>Compreender Gadamer, <\/i>2007, p. 31).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Junior dos Santos A pretens\u00e3o pela verdade foi e ser\u00e1 sempre um desejo de todo o ser humano. 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