{"id":2439,"date":"2012-11-27T00:48:32","date_gmt":"2012-11-27T03:48:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2439"},"modified":"2012-11-27T00:48:32","modified_gmt":"2012-11-27T03:48:32","slug":"sobre-aquilo-de-que-nao-se-pode-falar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2439","title":{"rendered":"\u201cSobre aquilo de que n\u00e3o se pode falar, deve-se calar\u201d: uma leitura sobre a m\u00edstica no Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><b>Daniel Fernandes Moreira<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><i>Bem-aventurado sil\u00eancio. <\/i><i>Feliz o homem que nada sabe e nada quer. (Angelus Silesius)<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Muitos foram as preocupa\u00e7\u00f5es que surgiram durante a hist\u00f3ria da filosofia \u00e0s quais os fil\u00f3sofos dedicaram o \u00e1rduo trabalho buscando encontrar raz\u00f5es ou solu\u00e7\u00f5es para os problemas delas sugeridos. Basta relembrarmos dos primeiros fil\u00f3sofos gregos, como, por exemplo, Tales de Mileto, que dedicaram tempos e mais tempos para tentarem descobrir de que o mundo \u00e9 formado, ou seja, qual o primeiro princ\u00edpio de todas as coisas. Um afirmava que era a \u00e1gua, outro que era o fogo, ou ent\u00e3o que tudo era formado pelos quatro elementos, terra, agua, ar, fogo, que pelo amor se uniam e pelo \u00f3dio se separavam. Com o passar dos tempos os questionamentos sobre a origem do mundo foram dando espa\u00e7o para outros questionamentos e necessidades, como, por exemplo, a necessidade de se afirmar um mundo supra-sens\u00edvel, como fez Plat\u00e3o; a necessidade de se afirmar um conhecimento verdadeiro, como em Descartes, Hume e Kant. Por fim o questionamento que vem tomando cada dia mais o espa\u00e7o na discuss\u00e3o filos\u00f3fica \u00e9 a linguagem: sua possibilidade, seus alcances e seus limites. Visto que, como nos afirma Lima Vaz ao descrever a categoria de subjetividade, ou seja, o relacionamento entre seres humanos, a linguagem \u00e9 a mediadora dessa rela\u00e7\u00e3o, parece-nos bastante pertinente a discuss\u00e3o de tal capacidade humana. Nesta perspectiva do estudo filos\u00f3fico sobre a linguagem, um dos grandes nomes \u00e9 Ludwig Wittgenstein.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Autor que marca uma grande reviravolta na discuss\u00e3o sobre linguagem, Wittgenstein em princ\u00edpio n\u00e3o era estudante de filosofia, mas sim se interessava por quest\u00f5es das chamadas ci\u00eancias exatas, como \u00e9 o caso da matem\u00e1tica e da f\u00edsica. H\u00e1 relatos de que fora autor de um projeto de motor de um avi\u00e3o que anos depois foi constru\u00eddo e funcionou perfeitamente bem. Por\u00e9m, \u201cpouco a pouco, seu interesse desviou-se para a matem\u00e1tica pura e desta, finalmente, para a Filosofia da Matem\u00e1tica\u201d (STEGM\u00dcLLER, 1977, p. 401). A partir da\u00ed nosso fil\u00f3sofo entra em contato com a filosofia de Frege e Russel e que ser\u00e3o os grandes influenciadores da sua primeira fase de pensamento que \u00e9 coroada com o famoso <i>Tractatus logico-philosophicus<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesta obra Wittgenstein defender\u00e1 que a linguagem \u00e9 o espelho do mundo e, portanto, se n\u00e3o se conhece a linguagem, n\u00e3o se conhece o mundo e vice e versa: sendo assim, temos um paralelismo entre mundo e linguagem. O paralelismo que encontramos entre o mundo e a linguagem, de forma bastante resumida ser\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre fatos e nomes, objetos e proposi\u00e7\u00f5es, as quais podemos discorrer linguisticamente o quanto for necess\u00e1rio. H\u00e1 ainda realidades das quais podemos at\u00e9 mesmo falar, mas n\u00e3o com tanta seguran\u00e7a e realidades que n\u00e3o podemos postular atrav\u00e9s da linguagem de forma alguma. A estas realidades denominamos m\u00edstico. Adriano Oliveira assim resume esta obra:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A filosofia tractatiana atribui \u00e0 linguagem um estatuto original no sentido de que ela \u00e9, simultaneamente, a forma de express\u00e3o do conhecimento e tamb\u00e9m um tipo de modela\u00e7\u00e3o da realidade. \u00c9 a partir da cr\u00edtica da linguagem que Wittgenstein realiza o objetivo principal de sua obra, que se resume na determina\u00e7\u00e3o dos limites claros e precisos daquilo que pode ser dito. [&#8230;] Contudo, ele reconhece a exist\u00eancia de algo que, ultrapassando os confins da linguagem e do mundo, revela-se como horizonte de sentido para a vida. Esse algo \u00e9 o m\u00edstico. (OLIVEIRA, 2009, f. 12)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O presente artigo, portanto, tem como objetivo abordar o questionamento daquilo que \u00e9 inef\u00e1vel para Wittgenstein, ou seja, o m\u00edstico, tendo como base a discuss\u00e3o l\u00f3gico-filos\u00f3fica presente no <i>Tractatus<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>2 Desvelando o conceito de m\u00edstico na tradi\u00e7\u00e3o e no <i>Tractaus logico-philosophicus<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Afinal de contas, o que seria ent\u00e3o este m\u00edstico de que tanto ouvimos falar e que \u00e9 o desejo deste nosso trabalho? Segundo o Dicion\u00e1rio da L\u00edngua Portuguesa Houaiss m\u00edstica \u00e9:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>1-<\/b>conhecimento ou estudo do misticismo <b>2-<\/b>tend\u00eancia para a vida religiosa e contemplativa, com ocupa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da mente nas doutrinas e pr\u00e1ticas religiosas; misticismo <b>3<\/b>-fervor religioso que faz o m\u00edstico alcan\u00e7ar um estado de \u00eaxtase e paix\u00e3o, cujo objetivo \u00e9 a divindade <b>4<\/b>&#8211; <i>p.ext. <\/i>conte\u00fado de uma ideia, causa, institui\u00e7\u00e3o etc., ou a atmosfera ou aura de perfei\u00e7\u00e3o, verdade, excel\u00eancia incontest\u00e1vel que as cerca, despertando nas pessoas respeito, ades\u00e3o apaixonada, devotamento sectarismo etc. (HOUAISS, 2001, p. 1935).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vemos, portanto, que a palavra m\u00edstica, ou ent\u00e3o, m\u00edstico, \u00e9 carregada de um sentido teol\u00f3gico de busca de um ser transcendente ao qual se deve entregar por completo em uma esp\u00e9cie de \u00eaxtase que envolve o ser como um todo. Dessa forma, ao observarmos a hist\u00f3ria do catolicismo, assim como em outras religi\u00f5es orientais, percebemos a exist\u00eancia de grandes homens e mulheres que fizeram experi\u00eancias definitivas de encontro com Transcendente e, sendo chamadas, por isso, de mestres da m\u00edstica, como \u00e9 o caso de Jo\u00e3o da Cruz, de Tereza, Buda e tantos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Etimologicamente, o termo, que vemos aparecer pela primeira vez nos escritos de \u00c9squilo, como caminho de encontro e contempla\u00e7\u00e3o, em uma experi\u00eancia divina,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">prov\u00e9m do adjetivo grego musticoz, relacionado com os verbos muw (fechar os olhos e a b\u00f4ca para penetrar num mist\u00e9rio sem divulga-lo) e muew (iniciar-se nos mist\u00e9rios); e com os substantivos musthrion (quase sempre plural: musthria = cultos mist\u00e9ricos; em sentido profano: segredo) e musthz (aqu\u00eale que \u00e9 iniciado nos mist\u00e9rios), da\u00ed significar, mais ou menos \u201calgo concernente aos mist\u00e9rios\u201d. (WULF, 1970, p. 322-323)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m, com Wittgenstein este termo sa\u00edra de um campo puramente teol\u00f3gico e passar\u00e1, tamb\u00e9m, para um caminho de impossibilidade de linguagem:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, \u00e9 curioso comprovar que, na opini\u00e3o de Wittigenstein, [&#8230;] o inexpress\u00e1vel, o inexplic\u00e1vel, se \u201cmostra a si mesmo\u201d e pode ser tanto aquilo de que se tem uma viv\u00eancia imediata e intraduz\u00edvel a uma linguagem intersubjetiva [&#8230;], como aquilo que resulta [&#8230;] da conclus\u00e3o de que elas tamb\u00e9m carecem de sentido e constituem, em suma, essa \u201cescada\u201d que \u201ch\u00e1 de ser jogada fora depois de t\u00ea-la subido\u201d (<i>Tractaus, <\/i>6.54). O m\u00edstico apareceria, ent\u00e3o, sobre duas formas: ou antes da linguagem ideal concreta, ou depois dela [&#8230;].<a title=\"\" href=\"\/Academico\/2009-2012%20Blog%20Pensamento%20Extemporaneo\/Wittgenstein,%20Daniel.docx#_ftn1\"><sup><\/sup><sup>[1]<\/sup><\/a> (FERRATER MORA, 1994, p. 2420 &#8211; tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo Wittgenstein o ponto mais importante no <i>Tractatus <\/i>n\u00e3o \u00e9 a cr\u00edtica da linguagem, n\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre linguagem e mundo, n\u00e3o \u00e9 a \u201cescada l\u00f3gica\u201d, \u201cna realidade, [&#8230;] o sentido do livro \u00e9 um sentido \u00e9tico\u201d (WITTGENSTEIN, 2006, p. 318), por\u00e9m, o pr\u00f3prio Wittgenstein (1968, 6.42-6.421, p. 126-127) afirma que \u201c[&#8230;] n\u00e3o pode haver proposi\u00e7\u00f5es da \u00e9tica. Proposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem exprimir nada al\u00e9m. \u00c9 claro que a \u00e9tica n\u00e3o se deixa exprimir. A \u00e9tica \u00e9 transcendental. (\u00c9tica e est\u00e9tica s\u00e3o um s\u00f3)\u201d. Portanto aquilo que \u00e9 mais importante \u00e9 imposs\u00edvel de ser dito. Talvez seja essa a cr\u00edtica feita \u00e0 linguagem atrav\u00e9s da pr\u00f3pria linguagem, a saber, que ela n\u00e3o \u00e9 capaz de exprimir tudo. Assim como a \u00e9tica, a vontade e a morte n\u00e3o ser\u00e3o contempladas pela linguagem. Ora, para que a ci\u00eancia exista \u00e9 preciso da linguagem e, uma vez que ela \u00e9 limitada, assim tamb\u00e9m o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 limitado, principalmente naquilo que diz respeito aos problemas vitais do homem: \u201cSentimos que, mesmo que <i>todas as poss\u00edveis <\/i>quest\u00f5es cient\u00edficas fossem respondidas, nossos problemas vitais n\u00e3o teriam sido tocados. Sem d\u00favida, n\u00e3o cabe mais pergunta alguma, e esta \u00e9 precisamente a resposta.\u201d (WITTGENSTEIN, 1968, 6.52, p. 128).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00e9m nosso questionamento inicial n\u00e3o era sobre o limite da linguagem ou da ci\u00eancia, muito menos da \u00e9tica, da vontade ou mesmo da morte, era sobre o m\u00edstico na filosofia proveniente do <i>Tractatus. <\/i>\u00a0Por que ent\u00e3o a descri\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o da linguagem e da ci\u00eancia, no que diz respeito \u00e0 \u00e9tica, \u00e0 vontade e \u00e0 morte? Porque estas realidades v\u00e3o nos mostrar, segundo o fil\u00f3sofo, que \u201cExiste com certeza o indiz\u00edvel. Isto se <i>mostra<\/i>, \u00e9 o que \u00e9 m\u00edstico\u201d (WITTGESTEIN, 1968, 6.522, p. 129).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A partir de tal investiga\u00e7\u00e3o, podemos concluir que o m\u00edstico, na obra <i>Tractatus logico-philosophicos<\/i><strong><a title=\"\" href=\"\/Academico\/2009-2012%20Blog%20Pensamento%20Extemporaneo\/Wittgenstein,%20Daniel.docx#_ftn2\"><sup><\/sup><sup>[2]<\/sup><\/a>,<\/strong> \u00e9 o inef\u00e1vel, o indiz\u00edvel. Por\u00e9m, ao afirmar o m\u00edstico dessa forma, nosso autor n\u00e3o nos estava chamando a aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o tentarmos conceitua-lo, uma vez que \u201co m\u00e9todo correto em filosofia seria propriamente: nada dizer a n\u00e3o ser o que pode ser dito\u201d (WITTGENSTEIN, 1968, 6.53, p. 129)? Talvez o nosso \u00e1rduo e pesaroso trabalho esteja fadado ao fracasso desde sua origem; talvez o tempo gasto para a elabora\u00e7\u00e3o deste artigo tenha sido desperdi\u00e7ado, mas uma conclus\u00e3o n\u00e3o nos pode ser tirada e n\u00e3o pode deixar de ser creditado ao nosso esfor\u00e7o, a saber: \u201cO que n\u00e3o se pode falar, deve-se calar\u201d (WITTGENSTEIN, 1968, 7, p. 129).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MISTICA, In: HOUAIS, Ant\u00f4nio; VILLAR, Mauro de Salles. <i>Grande Dicion\u00e1rio Houaiss da L\u00edngua Portuguesa<\/i>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">M\u00cdSTICA. In: FERRATER MORA, Jos\u00e9. <i>Diccionario de filosof\u00eda.<\/i> Barcelona: Editora Ariel, 1994. v. 3.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">OLIVEIRA, Adriano J. de. <i>A sublimidade do inef\u00e1vel<\/i>: o m\u00edstico no Tractatus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein. 2009. 119 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Filosofia) \u2013 Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia, Belo Horizonte, 2009. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"http:\/\/www.faculdadejesuita.edu.br\/documentos\/011111-adriano%20jose%20de%20oliveira.pdf\">http:\/\/www.faculdadejesuita.edu.br\/documentos\/011111-adriano%20jose%20de%20oliveira.pdf<\/a> &gt;. Acesso em: 10 nov. 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">STEGM\u00dcLLER, Wolfgang. <i>A filosofia contempor\u00e2nea<\/i>: introdu\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. S\u00e3o Paulo: EPU, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">WITTGENSTEIN, Ludwig. Carta a Ludwig von Ficker. In REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <i>Hist\u00f3ria da Filosofia: <\/i>de Nietzsche \u00e0 escola de Frankfurt. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2006. p. 318. v. 6.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">______. <i>Tractatus logico-philosophicus. <\/i>Trad. Jos\u00e9 Arthur Giannotti. S\u00e3o Paulo: Editora Nacional, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">WULF, F. M\u00edstica. In: FRIES, Heinrich. <i>Dicion\u00e1rio de Teologia: <\/i>conceitos fundamentais da teologia atual. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1970. p. 322 \u2013 334.<\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<hr \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/2009-2012%20Blog%20Pensamento%20Extemporaneo\/Wittgenstein,%20Daniel.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> Sin embargo es curioso comprobar que, en la opini\u00f3n de Wittgenstein, [\u2026] lo inexpresable\u00a0 si \u201cmuestra a s\u00ed mismo\u201d y puede ser tanto aquello de que se tiene una vivencia inmediata e intraducible a un lenguaje intersubjetivo [\u2026], como aquello que resulta [\u2026] de la conclusi\u00f3n de que ellas tambi\u00e9n carecen de sentido y constituyen, a lo sumo,\u00a0 esa \u201cescalera\u201d que \u201chay que arrojar tras haberla escalado\u201d (cfr. <i>Tractatus<\/i>, 6.54) . Lo m\u00edstico aparecer\u00eda entonces bajo dos formas: o <i>antes<\/i> del lenguaje ideal concreto o <i>despu\u00e9s <\/i>de \u00e9l [\u2026]. (FERRATER MORA, 1994, p. 2420)<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"\/Academico\/2009-2012%20Blog%20Pensamento%20Extemporaneo\/Wittgenstein,%20Daniel.docx#_ftnref2\">[2]<\/a> \u00c9 pertinente deixar claro que nossa proposta era investigar o m\u00edstico na primeira fase do pensamento de Wittgenstein, uma vez que na sua segunda fase, coroada pela obra <i>Investiga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas<\/i>, a discuss\u00e3o sobre o m\u00edstico pode ser apresentada em um novo caminho, ou at\u00e9 mesmo uma continua\u00e7\u00e3o do j\u00e1 tra\u00e7ado pelo <i>Tractatus<\/i>, por\u00e9m tal empreitada pode ser um caminho para outros textos e n\u00e3o foi o caminho proposto para este.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Fernandes Moreira Bem-aventurado sil\u00eancio. Feliz o homem que nada sabe e nada quer. 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