{"id":2498,"date":"2013-11-20T23:20:21","date_gmt":"2013-11-21T01:20:21","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2498"},"modified":"2013-11-20T23:20:21","modified_gmt":"2013-11-21T01:20:21","slug":"arete-e-paideia-a-excelencia-e-a-educacao-na-era-de-homero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2498","title":{"rendered":"ARET\u00c9 E PAIDEIA: a excel\u00eancia e a educa\u00e7\u00e3o na era de Homero"},"content":{"rendered":"<p><strong>Euclides Evangelista Mar\u00e7al<\/strong> [1]<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Frequentemente a ideia de virtude, tomada como meio de aperfei\u00e7oamento da sociedade e do ser humano, perde-se em meio ao emaranhado ideol\u00f3gico veiculado pelos meios globais de comunica\u00e7\u00e3o de nosso s\u00e9culo. Este artigo prop\u00f5e uma breve refontiza\u00e7\u00e3o de determinadas caracter\u00edsticas referentes ao comportamento humano e sua rela\u00e7\u00e3o com a <i>aret\u00e9<\/i>, a virtude entendida com base, especificamente, no contexto da cultura hom\u00e9rica da Gr\u00e9cia Antiga (s\u00e9c. XII-VIII a.C.). Aqui, faz-se necess\u00e1rio propor uma an\u00e1lise interpretativa para uma resumida diferencia\u00e7\u00e3o entre a virtude no sentido moderno e aquela situada nos poemas <i>Il\u00edada <\/i>e <i>Odisseia,<\/i> conjunto de cantos atribu\u00eddos a Homero, poeta de cuja exist\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 sequer certeza, e que retratam, respectivamente, a Guerra de Troia e o regresso do guerreiro Ulisses \u00e0 sua terra natal, \u00cdtaca. Ser\u00e3o visualizados alguns dos principais personagens considerados prot\u00f3tipos das diversas perspectivas pelas quais a <i>aret\u00e9<\/i> pode ser analisada, que, por isso, acabaram se tornando modelos para o aperfei\u00e7oamento e o ensino da mesma entre as gera\u00e7\u00f5es, a chamada <i>paideia.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1 O Conceito de <i>Aret\u00e9<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0<i>Aret\u00e9 <\/i>era uma palavra utilizada no idioma grego que, entre outras coisas, trazia \u00e0 tona certos tra\u00e7os da personalidade do homem. Sua correspondente mais usada na l\u00edngua portuguesa, <i>virtude, <\/i>normalmente \u00e9 definida como: &#8220;1. Disposi\u00e7\u00e3o firme e habitual para a pr\u00e1tica do bem. 2. Boa qualidade moral; for\u00e7a moral. 3. Ato virtuoso. 4. Qualidade pr\u00f3pria para a produ\u00e7\u00e3o de certos efeitos; efic\u00e1cia&#8221; (VIRTUDE, 1996). Os ideais de virtude relacionados ao homem do campo em Hes\u00edodo, ao homem pol\u00edtico com os Sofistas e ao h\u00e1bito orientado para o bem com Arist\u00f3teles teriam, todos, como precursores as sagas de Homero. Para compreendermos a ideia de <i>aret\u00e9,<\/i> diferenciando-a das afirma\u00e7\u00f5es convencionais sobre virtude, \u00e9 preciso nos situarmos no contexto da Gr\u00e9cia Antiga, por volta do s\u00e9culo VIII a.C. Nessa \u00e9poca, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, teria vivido Homero, poeta grego a quem s\u00e3o atribu\u00eddas as epop\u00e9ias <i>Il\u00edada <\/i>e <i>Odisseia,<\/i> tramas guerreiras repletas de a\u00e7\u00e3o, fruto da tradi\u00e7\u00e3o oral compilada e remontada ao longo dos s\u00e9culos. Em ambas se destaca a figura de um her\u00f3i, sempre protagonista de grandes feitos corajosos e situado como interm\u00e9dio entre os homens e os deuses, uma vez que, na maioria das vezes, \u00e9 fruto do encontro amoroso entre as duas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tomando como base os poemas e o contexto cultural, a <i>aret\u00e9 <\/i>se manifesta num car\u00e1ter geral que n\u00e3o aponta, necessariamente, para as a\u00e7\u00f5es e posturas humanas que promovem o bem. Nem sempre \u00e9 poss\u00edvel, como na defini\u00e7\u00e3o citada, atribuir o adjetivo &#8220;moral&#8221; \u00e0s a\u00e7\u00f5es realizadas por algu\u00e9m com <i>aret\u00e9,<\/i> porque ora elas se situam em outros \u00e2mbitos, ora contrariam o que hoje seria considerado moralmente aceit\u00e1vel. No her\u00f3i hom\u00e9rico, a virtude assim compreendida aparece de maneira totalmente abrangente em seu modo de vida, na atitude diante das situa\u00e7\u00f5es e no cuidado a ser tido consigo mesmo.<i> <\/i>Seja para ajudar, assim como superar ou at\u00e9 destruir o advers\u00e1rio, o importante \u00e9 ser o melhor dos melhores naquilo que se faz. A defini\u00e7\u00e3o de <i>aret\u00e9<\/i> \u00e9 muito propriamente unificada com o conceito de excel\u00eancia, relacionada tanto ao que se refere ao homem como \u00e0 utilidade de certos animais e at\u00e9 mesmo objetos dom\u00e9sticos. Por exemplo: a <i>aret\u00e9<\/i> de uma faca \u00e9 tanto maior quanto melhor ela cumprir sua fun\u00e7\u00e3o de cortar e a <i>aret\u00e9<\/i> de um animal de carga est\u00e1 relacionada \u00e0 sua robustez.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2 A <i>Aret\u00e9 <\/i>nos poemas hom\u00e9ricos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para o guerreiro, ser apenas <i>agath\u00f3s<\/i>, isto \u00e9, bom, portador do bem, n\u00e3o \u00e9 o bastante. \u00c9 preciso, incessantemente, alimentar a \u00e2nsia por romper os pr\u00f3prios limites e deixar para tr\u00e1s o semelhante, visto sempre como concorrente, cuja virtude mostra o que deve ser superado sob a pena do valor da pr\u00f3pria vida. Ou seja, a meta visada \u00e9 ser <i>arist\u00f3s,<\/i> (superlativo de <i>agath\u00f3s<\/i>), aquele que \u00e9 detentor de <i>aret\u00e9,<\/i> e, por isso \u00e9 o melhor, n\u00e3o no sentido moral, como j\u00e1 foi exposto, mas em sua habilidade pr\u00f3pria, especialmente a coragem de guerreiro, o \u00eaxito militar, o vigor do corpo, enfim, a mais elevada perfei\u00e7\u00e3o como harmonia do ser. Na <i>Il\u00edada,<\/i> transparece tal rivalidade nesta fala de Glauco a Diomedes, que evoca n\u00e3o um car\u00e1ter patri\u00f3tico, conquanto este possa ser encontrado em outros trechos de Homero, mas a medi\u00e7\u00e3o da virtude pessoal por meio da pr\u00e1tica guerreira:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Hip\u00f3loco \u00e9 meu pai, que, no expedir-me \/ De \u00cdlio em socorro, superior coragem \/ Me encomendou; que nunca desmentisse \/ De meus nobres av\u00f3s, n\u00e3o s\u00f3 de Efira, \/ Da L\u00edcia em peso alt\u00edssimos guerreiros. \/ Deste preclaro sangue eu me glorio.\u201d (HOMERO, <i>Il\u00edada,<\/i> VI, 181-186)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, diante do exposto, n\u00e3o devemos pensar que o simples fato de se alcan\u00e7ar o ideal de uma perfei\u00e7\u00e3o que atinja e resulte em aprimoramentos constantes do corpo e da alma (<i>kalokagathia<\/i>) seja satisfat\u00f3rio por si s\u00f3. Caso n\u00e3o haja reconhecimento das virtudes por parte da sociedade, o guerreiro considerar\u00e1 in\u00fatil seu esfor\u00e7o e seus frutos. Aqui entra a no\u00e7\u00e3o da <i>tim\u00e9<\/i>, a honra em fun\u00e7\u00e3o da qual o homem gasta sua vida e, se preciso for, oferece sua morte. Sob tal prisma, v\u00ea-se logo que a <i>aret\u00e9,<\/i> muito mais que de qualquer outra esp\u00e9cie, \u00e9 uma moral de classe, onde a vergonha, no sentido da humilha\u00e7\u00e3o, \u00e9 a fatal desola\u00e7\u00e3o que faz de um morto digno algu\u00e9m maior que um vivo sem dignidade (GALITO, 2012, p. 3-4).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No Livro I da <i>Il\u00edada,<\/i> h\u00e1 o exemplo de Aquiles, que tem ferida a sua <i>tim\u00e9<\/i> no momento em que Agamenon, rei de Micenas, at\u00e9 ent\u00e3o seu aliado, lhe rouba a concubina Briseida. Por tal ousadia, Agamenon fere tamb\u00e9m sua pr\u00f3pria <i>aret\u00e9,<\/i> n\u00e3o tanto pela imoralidade do ato, mas porque se coloca na possibilidade de ser alvo de censura. Aquiles, ent\u00e3o, parte rumo a Troia movido n\u00e3o por motivos alheios ao senso da verdade e da justi\u00e7a, muito menos por patriotismo ou juramento, mas em busca da <i>tim\u00e9 <\/i>e da <i>kl\u00e9os<\/i> (gl\u00f3ria), atributos que atingem a legitima\u00e7\u00e3o e \u00e1pice no momento de sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Plat\u00e3o, no <i>H\u00edpias Menor<\/i> (365a),<i> <\/i>apresenta um di\u00e1logo entre S\u00f3crates e o sofista H\u00edpias a respeito de quem seria mais virtuoso:<i> <\/i>o her\u00f3i Aquiles, da <i>Il\u00edada,<\/i> filho da deusa T\u00e9tis e do mortal rei Peleu, ou Odisseu, rei de \u00cdtaca, principal personagem da <i>Odisseia<\/i>. O que sucede \u00e9 que H\u00edpias prop\u00f5e que a <i>aret\u00e9<\/i> de Aquiles \u00e9 superior, j\u00e1 que se trata de uma excel\u00eancia relacionada diretamente \u00e0 coragem her\u00f3ica e ao vigor do corpo, e quando o her\u00f3i se utiliza de mentiras, o faz por ignor\u00e2ncia. A refuta\u00e7\u00e3o ao argumento \u00e9 a de que os v\u00edcios de Ulisses s\u00e3o tornados qualidades, j\u00e1 que sua ast\u00facia, seus subterf\u00fagios e sua fama de enganador s\u00e3o colocados em pr\u00e1tica com o \u00fanico intuito de defender sua <i>\u00f3ikos<\/i> (casa). &#8220;Se a Il\u00edada retrata a excel\u00eancia do corpo e a coragem, a Odisseia apresenta a excel\u00eancia da mente como igualmente necess\u00e1ria \u00e0 sobreviv\u00eancia e \u00e0 vit\u00f3ria&#8221; (CURADO, 2010, p. 54).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ainda na <i>Odisseia,<\/i> diante da sagacidade e persist\u00eancia de Ulisses, outra figura ganha destaque por seu tipo especial de excel\u00eancia: trata-se de sua esposa, Pen\u00e9lope, que, ao longo do poema, tem seu nome in\u00fameras vezes acompanhado dos adjetivos &#8220;prudente&#8221; e &#8220;sensata&#8221;. Com efeito, a <i>aret\u00e9<\/i> feminina, ao contr\u00e1rio da masculina, n\u00e3o estava relacionada \u00e0 perspic\u00e1cia da mente, ao vigor do corpo, \u00e0 coragem ou \u00e0s demais faces da excel\u00eancia guerreira. Os atributos f\u00edsicos da mulher constitu\u00edam sua <i>aret\u00e9<\/i> pr\u00f3pria (JAEGER, 1995, p. 46), mas, longe de resumirem sua virtude, eram um fator situado ao lado da <i>oikonomia<\/i> (capacidade de administrar a casa), refinamento dos modos, obedi\u00eancia e fidelidade. Pen\u00e9lope, mesmo vinte anos ap\u00f3s a partida do marido para Troia, e tamb\u00e9m pressionada pela legi\u00e3o de cento e oito pretendentes que disputavam sua m\u00e3o (HOMERO, <i>Odisseia, <\/i>I, 86), ainda insistia em esperar seu retorno, cuidando do filho Tel\u00eamaco. Sendo mortal, n\u00e3o podia ser comparada aos deuses (HOMERO, <i>Odisseia,<\/i> V, 154-155), mas sua beleza f\u00edsica da juventude retornaria em determinado momento por uma especial interven\u00e7\u00e3o dos mesmos. Quando Pr\u00edamo leva para Troia a princesa espartana Helena, a terr\u00edvel invas\u00e3o consequente n\u00e3o \u00e9 o bastante para sacar-lhe o respeito diante da sociedade troiana: &#8220;Mesmo a pura beleza de Helena, que tantas desgra\u00e7as atra\u00edra j\u00e1 sobre Troia, basta para que os anci\u00e3os da cidade se desarmem ante a sua simples presen\u00e7a e atribuam aos deuses todas as culpas.&#8221; (JAEGER, 1995, p. 46)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>3 A <i>Paideia<\/i> grega a partir de Homero<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Introduzindo agora o conceito de <i>paideia<\/i> no contexto hom\u00e9rico,<i> <\/i>\u00e9 preciso considerar os ideais aristocr\u00e1ticos n\u00e3o apenas como aqueles que visam colocar o <i>arist\u00f3s <\/i>como respons\u00e1vel pelo poder no Estado (<i>kratos<\/i>), mas como meio de perpetua\u00e7\u00e3o dos valores da excel\u00eancia guerreira. &#8220;Apesar das transforma\u00e7\u00f5es sofridas pela Gr\u00e9cia Antiga ao longo de sua hist\u00f3ria, a trindade poeta, homem de estado e s\u00e1bio permaneceu como eixo central desta cultura&#8221; (CURADO, 2010, p. 49). O termo <i>paideia<\/i>, aplicado \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do processo formativo do intelecto, do corpo e da virtude, indica tanto a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o educativa quanto seu resultado (GALITO, 2012, p. 1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como j\u00e1 foi dito, a ideia de <i>aret\u00e9,<\/i> mesmo referente a um mortal, trazia \u00e0 tona um atributo sobrenatural confiado pelos deuses, sobre o qual eles mesmos detinham plenos poderes. Prova disso \u00e9 o que Jaeger (1995, p. 26) afirma a respeito, por exemplo, de um escravo que, por algum motivo, traga misturado ao seu sangue o de uma fam\u00edlia nobre: &#8220;Zeus tira-lhe metade da <i>aret\u00e9<\/i> e ele deixa de ser quem era antes.&#8221; Talvez fosse essa liga\u00e7\u00e3o da excel\u00eancia com a a\u00e7\u00e3o do sobre-humano que fez o centauro Qu\u00edron ser contemplado pela tradi\u00e7\u00e3o oral ao longo dos tempos como o educador de Aquiles. A <i>Il\u00edada,<\/i> por\u00e9m, mostra que Peleu teria confiado tal fun\u00e7\u00e3o a F\u00eanix, que era seu vassalo e pr\u00edncipe dos D\u00f3lopes. O pr\u00f3prio F\u00eanix afirma: &#8220;[&#8230;] Contigo, estranho jovem \/ \u00c0 guerra e discuss\u00f5es que her\u00f3is afamam, \/ Longevo o bom Peleu para Agamemnon \/ De F\u00edtia me expediu, que na loq\u00fcela \/ Te amestrasse [&#8230;].&#8221; (HOMERO, <i>Il\u00edada, <\/i>IX, 362-366). H\u00e1 a certeza de que a <i>aret\u00e9<\/i> hom\u00e9rica pode ser ensinada, pois, embora garantida pela linhagem familiar e pela interven\u00e7\u00e3o divina, est\u00e1 inteiramente condicionada ao bom uso que se faz dela (CURADO, 2010, p. 55).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O ideal paid\u00eautico se encontrava nos poemas hom\u00e9ricos, cujos arcaicos e lend\u00e1rios her\u00f3is eram o modelo realmente perfeito a ser imitado pelas novas gera\u00e7\u00f5es. A poesia composta e cantada pelos aedos nas cortes e banquetes reais levou \u00e0 consagrada afirma\u00e7\u00e3o de que os poetas foram os primeiros educadores dos gregos. A tradi\u00e7\u00e3o das sagas her\u00f3icas era eficaz para a educa\u00e7\u00e3o dos mais jovens, muito mais do que os preceitos proverbiais orais, uma vez que na \u00e9poca ainda n\u00e3o se podia contar com o aux\u00edlio de uma \u00e9tica devidamente sistematizada. Hoje, uma hist\u00f3ria surge apenas como um acontecimento singular que s\u00f3 pode servir de modelo naquilo que, porventura, estiver de acordo com a vontade do ouvinte ou se aplicar \u00e0s necessidades do momento. O mito na Gr\u00e9cia daquele per\u00edodo n\u00e3o precisava estar necessariamente ligado a essa esp\u00e9cie de moral de analogia, mas, pelo contr\u00e1rio, na maioria das ocasi\u00f5es adquiria um significado normativo. Sua natureza n\u00e3o estava vinculada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o por meio da compara\u00e7\u00e3o de realidades, mas da aplica\u00e7\u00e3o direta e irrevog\u00e1vel da excel\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pode ser observada com clareza a diferen\u00e7a entre a concep\u00e7\u00e3o antiga de virtude e aquilo a que essa palavra nos remete em nossos dias devido, principalmente, \u00e0 influ\u00eancia que os fil\u00f3sofos posteriores a Homero exerceram sobre tal defini\u00e7\u00e3o. A <i>aret\u00e9<\/i>, muito longe de estar acess\u00edvel a todos os homens, constitu\u00eda, primordialmente, uma moral de elite, por estar ligada \u00e0 nobreza familiar e \u00e0 sua quantidade de riquezas materiais. Somente os aristocratas tinham acesso \u00e0s epopeias, o que limitava, consideravelmente, o poder da <i>paideia<\/i>. As pr\u00f3prias obras atribu\u00eddas a Homero foram alvos de in\u00fameras cr\u00edticas pelo fato de n\u00e3o se deterem especificamente aos relatos hist\u00f3ricos, mesclando elementos mitol\u00f3gicos e b\u00e9licos com personagens cuja <i>aret\u00e9<\/i> estava quase infinitamente acima das capacidades humanas pelo fato de os mesmos se tratarem, muitas vezes, de semi-deuses. Persiste, no entanto, a necessidade de visualiza\u00e7\u00e3o daquela \u00e9poca como raiz prim\u00e1ria daquela virtude que, mais tarde, seria redefinida e ganharia\u00a0 nova vis\u00e3o, principalmente, pela \u00e9tica aristot\u00e9lica.<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p>1. Graduando em Filosofia na Faculdade Arquidiocesana de Mariana<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>CURADO, Eliana Borges Fleury. <i>O movimento sofista e o ensino da aret\u00e9.<\/i> 2010. 121 f. Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o) &#8211; Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade Federal de Goi\u00e1s, Goi\u00e2nia, 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/ppge.fe.ufg.br\/uploads\/6\/original_Tese_Eliana_Borges_Fleury_Curado.pdf?1337352757&gt;. Acesso em: 04 maio 2013.<\/p>\n<p>GALITO, Maria Sousa. Aret\u00e9. <i>Centro de Investiga\u00e7\u00e3o &#8211; Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais,<\/i> Lisboa,<i> <\/i>n. 2, p. 1-13, 2012. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p>&lt;http:\/\/www.ci-cpri.com\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Arete1.pdf&gt; Acesso em: 04 maio 2013.<\/p>\n<p>HOMERO. <i>Il\u00edada.<\/i> Tradu\u00e7\u00e3o Manoel Odorico Mendes. [Lisboa]: Typographia Guttemberg, 1950.<\/p>\n<p>______. <i>Odisseia.<\/i> Tradu\u00e7\u00e3o Manoel Odorico Mendes. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Atena, 1970.<\/p>\n<p>JAEGER, Werner W. <i>Paideia:<\/i> a forma\u00e7\u00e3o do homem grego. Tradu\u00e7\u00e3o Artur M. Parreira. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1995.<\/p>\n<p>PLAT\u00c3O. <i>H\u00edpias Menor.<\/i> 2. ed. Lisboa: Ed. 70, 1999.<\/p>\n<p>VIRTUDE. In: ROCHA, Ruth. <i>Minidicion\u00e1rio Ruth Rocha.<\/i> S\u00e3o Paulo: Scipione, 1996.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Euclides Evangelista Mar\u00e7al [1] Frequentemente a ideia de virtude, tomada como meio de aperfei\u00e7oamento da sociedade e do ser humano, perde-se em meio ao emaranhado ideol\u00f3gico veiculado pelos meios globais de comunica\u00e7\u00e3o de nosso s\u00e9culo. 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