{"id":2513,"date":"2013-11-20T23:48:39","date_gmt":"2013-11-21T01:48:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2513"},"modified":"2013-11-20T23:48:39","modified_gmt":"2013-11-21T01:48:39","slug":"leis-divinas-e-leis-humanas-em-conflito-na-tragedia-antigona-de-sofocles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2513","title":{"rendered":"Leis divinas e leis humanas na trag\u00e9dia &#8220;Ant\u00edgona&#8221; de S\u00f3focles"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Lucas Santos Aredes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A trag\u00e9dia se define por meio de um conflito, sendo aquele da ordem da rela\u00e7\u00e3o entre <i>physis <\/i>(natureza) e <i>nomos <\/i>(lei). Em outros termos, isso significa um conflito, por exemplo, entre leis humanas e divinas, entre o indiv\u00edduo e sua constante fuga em cumprir um destino determinado [1]. O presente artigo aponta para um aprofundamento de an\u00e1lise sobre o conflito grego e a utiliza\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia como ferramenta cr\u00edtica na apresenta\u00e7\u00e3o do mesmo \u00e0 sociedade, sendo esta apresentada de forma oral, possibilitando v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>1 A organiza\u00e7\u00e3o social grega e o surgimento da polis<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><i>1.1 A influ\u00eancia da lei divina na sociedade<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A presen\u00e7a dos deuses na vida dos gregos est\u00e1 diretamente ligada a todas as etapas de vida, seja desde o nascimento, o crescimento, o trabalho e principalmente o destino. Incluindo tamb\u00e9m a vida depois da morte. Essa rela\u00e7\u00e3o se fez presente historicamente para que pudessem ter uma refer\u00eancia \u00e0 qual iriam remeter as s\u00faplicas e oferendas, manifestando-se, assim, como seguidores de determinados rituais. A vida dos deuses tamb\u00e9m influenciava a vida dos humanos, pois: \u201ca divindade \u00e9 sagrada e justa, e sua ordem, eterna e inviol\u00e1vel\u201d (JAEGER, 1995, p. 304)<b>.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As leis divinas s\u00e3o aquelas que n\u00e3o eram escritas, sendo assim, naturais e transmitidas oralmente nas fam\u00edlias. A figura do patriarca na fam\u00edlia era a do detentor da lei. Quando falava ou ordenava, sua palavra tornava-se lei a partir daquele momento. Como os deuses tamb\u00e9m eram seres que determinavam o destino pr\u00f3prio da natureza e da condi\u00e7\u00e3o humana, suas a\u00e7\u00f5es se tornavam como que leis.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na<i> segunda fase <\/i>[de forma\u00e7\u00e3o dos conceitos de deuses], h\u00e1 a descoberta do sentimento da individualidade do divino, dos elementos pessoais do sagrado. O surgimento dessa nova etapa se d\u00e1 \u00e0 medida que a a\u00e7\u00e3o exercida pelo homem sobre o mundo se torna mais complexa, fazendo surgir \u00e0 divis\u00e3o do trabalho. Assim, toda atividade humana particular ganha o seu <i>deus funcional<\/i>, que vigia cada etapa do trabalho dos homens. A regula\u00e7\u00e3o da atividade encontra sua medida na pr\u00f3pria periodicidade dos ciclos naturais (as esta\u00e7\u00f5es do ano, o plantio, a colheita etc.). E cada ato, por mais especializado que seja, adquire um significado religioso: o homem recorre a divindades que devem proteg\u00ea-lo a cada momento (ARANHA; MARTINS, 1993, p. 57).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O desenvolvimento da sociedade grega foi sendo influenciada pela constante presen\u00e7a divina e nas tradi\u00e7\u00f5es passadas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Mais tarde avan\u00e7ariam os gregos na capacidade de reflex\u00e3o e discuss\u00e3o diante do surgimento da palavra que abordaremos no t\u00f3pico a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><i>1.2 O surgimento da palavra e da polis<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O surgimento da polis se d\u00e1 com o surgimento da palavra, que passa agora a ser p\u00fablica, de controle p\u00fablico, pertencendo a todos os cidad\u00e3os e n\u00e3o mais \u00e0 realeza. Com essa forma de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade grega, contr\u00e1ria ao poder do monarca, tudo passa a ser discutido na \u00e1gora, com a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os. Segundo Vernant (2002, p. 53-54),<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">o que implica o sistema da polis \u00e9 primeiramente uma extraordin\u00e1ria preemin\u00eancia da palavra sobre todos os instrumentos de poder. Torna-se o instrumento pol\u00edtico por excel\u00eancia [&#8230;]. A palavra n\u00e3o \u00e9 mais o termo ritual, a f\u00f3rmula justa, mas o debate contradit\u00f3rio, a discuss\u00e3o, a argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A palavra, antes da escrita, estava ligada a um suporte vivo que a pronunciava, repetindo e fixando o evento por meio da mem\u00f3ria pessoal. (ARANHA; MARTINS, 1993, p. 64).\u00a0 Com o seu surgimento e, consequentemente, o da lei escrita, as leis tornam-se fixas de um modo que possam ser debatidas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enquanto os rituais religiosos s\u00e3o cheios de f\u00f3rmulas m\u00e1gicas, termos fixos e inquestionados, os escritos deixam de ser reservados apenas aos que det\u00eam o poder e passam a ser divulgados em pra\u00e7a p\u00fablica, sujeitos \u00e0 discuss\u00e3o e \u00e0 cr\u00edtica. [&#8230;] A escrita gera uma nova idade mental porque exige de quem escreve uma postura diferente daquela de quem apenas fala. Como a escrita fixa a palavra, e conseq\u00fcentemente o mundo, para al\u00e9m de quem a proferiu, necessita de mais rigor e clareza, o que estimula o esp\u00edrito cr\u00edtico (ARANHA; MARTINS, 1993, p. 64).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com a possibilidade das leis serem discutidas entre os cidad\u00e3os abrem-se oportunidades de serem utilizados outros meios de apresentar os importantes pontos que devem ser discutidos para o bom andamento da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>2 A trag\u00e9dia grega<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um mecanismo utilizado pela sociedade grega para denunciar e apresentar os conflitos \u00e9 a trag\u00e9dia.\u00a0 Segundo Jaeger, (1995, p. 309) \u201ca trag\u00e9dia grega \u00e9 mais a express\u00e3o do sofrimento do que uma a\u00e7\u00e3o\u201d, sendo que n\u00e3o se preocupa com a organiza\u00e7\u00e3o da vida, mas com as particularidades. Busca por meio de supera\u00e7\u00e3o definir modelos e esquematizar os problemas morais e pol\u00edticos. Tem por objetivo apresentar os conflitos existentes na sociedade grega para que a assembl\u00e9ia possa interpret\u00e1-los e resolv\u00ea-los e esteja atenta a pensar sobre os problemas que existem. Tinha grande influ\u00eancia do deus grego Dion\u00edsio e das apresenta\u00e7\u00f5es que eram oferecidas a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Arist\u00f3teles mais tarde tamb\u00e9m conceitua a trag\u00e9dia sendo como<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">[uma] imita\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter elevado, completa e de certa extens\u00e3o, em linguagem ornamentada e com as v\u00e1rias esp\u00e9cies de ornamentos distribu\u00eddas pelas diversas partes [do drama], [imita\u00e7\u00e3o que se efetua] n\u00e3o por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o &#8220;terror e a piedade, tem por efeito a purifica\u00e7\u00e3o dessas emo\u00e7\u00f5es (ARIST\u00d3TELES, <i>Po\u00e9tica<\/i>, n. 27, p. 205).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A utiliza\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia n\u00e3o era para a divers\u00e3o do p\u00fablico e nem para muitas apresenta\u00e7\u00f5es, tratava-se de apresentar \u00e0 sociedade indiretamente os conflitos, n\u00e3o os resolvendo, sendo que estes eram apresentados por homens mascarados. Os tragedi\u00f3grafos, assim chamados aqueles que escreviam os enredos da trag\u00e9dia, n\u00e3o possu\u00edam a inten\u00e7\u00e3o de arrancar do p\u00fablico os aplausos e nem as emo\u00e7\u00f5es, mas lev\u00e1-los a reflex\u00e3o daquilo que ao fundo, na trag\u00e9dia se desenvolvia o conflito provocando o assim chamado efeito catarse. Os di\u00e1logos centrais da trag\u00e9dia grega estavam nos personagens principais, hoje assim chamados de protagonista e antagonista, que representavam para a plat\u00e9ia os conflitos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><i>2.1 O conflito de Ant\u00edgona<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Analisando do ponto de vista filos\u00f3fico, o conflito tr\u00e1gico em destaque parte de um questionamento da protagonista ante as atitudes tomadas e determinadas pelo rei. O conflito escrito por S\u00f3focles era marcado por uma sociedade que experimentava a mudan\u00e7a da concep\u00e7\u00e3o de <i>physis<\/i> para uma concep\u00e7\u00e3o de <i>nomos<\/i>, uma lei transmitida pelas gera\u00e7\u00f5es e representada por uma figura patriarcal para uma palavra escrita como interpreta\u00e7\u00e3o da lei pelos humanos.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">[O rei Creonte declara:] \u00c9 imposs\u00edvel conhecer as opini\u00f5es e princ\u00edpios do homem que n\u00e3o tenha enfrentado, ainda, o exerc\u00edcio do governo e da legisla\u00e7\u00e3o. Para mim, qualquer que, encarregado do total governo de uma cidade, n\u00e3o ausculte o parecer, os conselhos, dos melhores; e, com medo do que possa suceder, se manifesta calado; esse tal, o classifico eu \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 agora, mas desde sempre! \u2013 um p\u00e9ssimo indiv\u00edduo. [&#8230;] Quanto a Polinices, o exilado, que pelo fogo tentou destruir, de alto a baixo, a sua p\u00e1tria e os deuses da sua ra\u00e7a; que quis derramar o sangue de alguns parentes e escravizar outros; a esse, mandei anunciar pelos arautos, em toda a cidade, que nenhuma das honras lhes sejam prestadas, nem com sepultura nem com l\u00e1grimas, e o deixem sobre a terra, presa exposta \u00e0 voracidade das aves e dos c\u00e3es; miser\u00e1vel despojo \u00e0 vista de todos. (S\u00d3FOCLES, [19&#8211;], p. 16).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A trag\u00e9dia <i>Ant\u00edgona<\/i> de S\u00f3focles se inicia com o di\u00e1logo de duas irm\u00e3s que discutiam sobre seu irm\u00e3o morto em batalha lutando contra o reino de Tebas, cujo funeral n\u00e3o havia sido autorizado pelo rei. Segundo as tradi\u00e7\u00f5es, \u201ca lei divina [&#8230;] obriga a respeitar os mortos\u201d (SANTOS, 2012, p. 23). Uma quer sepultar o irm\u00e3o e a outra resiste.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desrespeitando a autoridade do rei, Ant\u00edgona faz todos os ritos para o funeral e sepulta seu irm\u00e3o para que ele tamb\u00e9m possa ir para o Hades. Quando o rei descobre que o corpo havia sido enterrado, fica furioso por ter sido desrespeitado e pede aos guardas que possam ir \u00e0 procura do suposto desrespeitador da sua ordem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com uma armadilha os guardas conseguem prender Ant\u00edgona, que \u00e9 levada at\u00e9 o rei Creonte para que se explique e seja julgada por desrespeitar a ordem do soberano. Condenada a ser enterrada viva, Ant\u00edgona se mant\u00e9m firme na atitude de ser fiel aos deuses, o que aprendeu ao longo de sua vida. O rei \u00e9 exortado por seu filho e noivo da condenada a refletir sobre seu ato que deveria ser revisto, pois a sabedoria se d\u00e1 por meio da reflex\u00e3o e do uso do bom senso. O filho sai \u00e0 busca da noiva para tentar salv\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O rei ouve o conselho de Tir\u00e9sias, um homem cego e muito s\u00e1bio, que realizava profecias para que ele fosse tentar corrigir o erro cometido contra Ant\u00edgona, que naquele ponto, j\u00e1 havia se suicidado. Chegando ao local onde ela estava, encontra-a morta com seu noivo ao lado. Com a dor da morte da amada, o filho tamb\u00e9m se suicida na presen\u00e7a do pai. A rainha tamb\u00e9m se mata ao saber que seu filho havia morrido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O enredo tr\u00e1gico da obra <i>Ant\u00edgona <\/i>de S\u00f3focles termina com essas mortes e o rei sozinho \u00e0 espera de sua morte! \u201cQue venha, que venha, que surja, dentre os meus dias, o \u00faltimo: o que me levar\u00e1 ao derradeiro destino. Que venha! Que venha!, e j\u00e1 n\u00e3o veja eu um novo dia.\u201d (S\u00d3FOCLES, [19&#8211;], p. 50). Com as falas finais de Creonte encerra-se a trag\u00e9dia n\u00e3o tendo acontecido a resolu\u00e7\u00e3o do conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><i>2.2 Confronto entre leis humanas e leis divinas<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A trag\u00e9dia <i>Ant\u00edgona <\/i>de S\u00f3focles trata da apresenta\u00e7\u00e3o de um conflito gerado em torno das leis divinas e as leis humanas. Por um lado, Creonte, representante da lei humana e Ant\u00edgona da lei divina. Os gregos s\u00e3o muito influenciados pelos deuses. No conflito, a lei humana era dita pela realeza, cuja palavra era a pr\u00f3pria lei, imposta a pr\u00f3pria realeza e aos outros cidad\u00e3os. Ant\u00edgona segue a tradi\u00e7\u00e3o que havia recebido: a de confiar nos deuses e na sua lei.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Acontece que no conflito a ato de \u201c[&#8230;] S\u00f3focles [&#8230;] \u2018transferir o total da esfera da legalidade para a da moralidade, das limita\u00e7\u00f5es do ritual para a religiosidade, chegando puramente ao humano; \u2019\u201d. (POHLENZ [1] apud PEREIRA, 1993, p. 413). Pode-se, portanto concluir que a lei humana deve ser elaborada mediante a rela\u00e7\u00e3o com a lei divina em fun\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de concilia\u00e7\u00e3o entre elas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O conflito quer representar uma sociedade marcada pela mudan\u00e7a e transposi\u00e7\u00e3o das leis. A presen\u00e7a m\u00edtica e divina marca o culto e a devo\u00e7\u00e3o do povo aos deuses, sendo a religiosidade o seu contato direto. A mulher representa os tra\u00e7os desta sociedade marcada ainda pela influ\u00eancia dos deuses e da ideia da natureza ainda n\u00e3o revelada ao homem. A figura monarca marcava a manifesta\u00e7\u00e3o humana de reger a sociedade com suas leis, n\u00e3o havendo maneiras de interpreta\u00e7\u00f5es, mas somente, que deveria ser acatada por todos. A polis como nova fonte de organiza\u00e7\u00e3o de uma sociedade possui soberania na cria\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o das leis. Por\u00e9m o rei, tamb\u00e9m como soberano da cidade impunha sua lei. Do conflito entre a lei humana e a divina resultou-se somente o desastre total para os defensores de ambas. (PEREIRA, 1993, p. 415)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O conflito em quest\u00e3o n\u00e3o quer levar aqueles que a prestigiam a dividir-se em quem estar certo ou errado, mas promover uma reflex\u00e3o poss\u00edvel de que dentro de uma sociedade estar\u00e1 sempre em conflito o que se \u00e9 ditado pela lei divina e pela lei humana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0A trag\u00e9dia grega n\u00e3o tem como caracter\u00edstica pr\u00f3pria resolver os conflitos, mas sim apresent\u00e1-los. O conflito de Ant\u00edgona constru\u00eddo em torno da discuss\u00e3o do rei e da protagonista, leva \u00e0 reflex\u00e3o de uma sociedade marcada por dois p\u00f3los culturais: a influ\u00eancia dos deuses e o poder que a palavra possui. Tamb\u00e9m entre leis divinas que s\u00e3o transmitidas por meio de tradi\u00e7\u00f5es e leis humanas impostas pela palavra do rei. Assim sendo, a trag\u00e9dia em an\u00e1lise n\u00e3o apresenta uma resolu\u00e7\u00e3o para os conflitos, mas somente seu contexto para que possa ser interpretado e discutido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0Notas<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\">1. Interpreta\u00e7\u00e3o do Prof. Maur\u00edcio de Assis Reis em uma aula de Cultura Grega sobre \u201cTrag\u00e9dia Grega\u201d pronunciada na Faculdade Arquidiocesana de Mariana, Mariana, abril 2013.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">2.\u00a0<i>Griechische T<\/i>191<i>ragodie<\/i>, I, p. 190-.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Refer\u00eancias\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ARANHA, M.L.A; MARTINS, M.H.P. <i>Filosofando:<\/i> introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia, 2. ed. rev. atual. S\u00e3o Paulo: Moderna, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ARIST\u00d3TELES. Po\u00e9tica. In.______. <i>\u00c9tica a Nic\u00f4maco; Po\u00e9tica.<\/i> Tradu\u00e7\u00e3o Leonel Vallandro, Gerd Bonheim, Eudoro de Souza. 4. ed. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1991. v. 2. (Os Pensadores)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">JAEGER, Werner. <i>Paid\u00e9ia<\/i>: a forma\u00e7\u00e3o do homem grego. Tradu\u00e7\u00e3o Artur M. Parreira. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PEREIRA, Maria Helena da Rocha. A \u00e9poca cl\u00e1ssica: S\u00f3focles. In: ______. <i>Estudos da hist\u00f3ria da cultura cl\u00e1ssica<\/i>. 7. ed. Lisboa: Calouste Gulkberkian, 1993. p. 413-422. 1 vol.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SANTOS, Jos\u00e9 Gabriel Trindade. Morte e vida na Ant\u00edgona de S\u00f3focles. <i>Archai, <\/i>[Bras\u00edlia],n. 8, p. 21-25, jan.\/jun. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/seer.bce.unb.br\/index.php\/archai\/article\/view\/7604\/5880&gt;. Acesso em: 06 maio 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">S\u00d3FOCLES. <i>Ant\u00edgona, \u00c1jax, Rei \u00c9dipo.<\/i> Tradu\u00e7\u00e3o Ant\u00f3nio Manuel Couto Viana. Lisboa: Editorial Verbo, [19&#8211;].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">VERNANT, Jean-Pierre. <i>As origens do pensamento grego.<\/i> Tradu\u00e7\u00e3o \u00cdsis Borges B. da Fonseca. Rio de Janeiro: Difel, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Santos Aredes A trag\u00e9dia se define por meio de um conflito, sendo aquele da ordem da rela\u00e7\u00e3o entre physis (natureza) e nomos (lei). Em outros termos, isso significa um conflito, por exemplo, entre leis humanas e divinas, entre o indiv\u00edduo e sua constante fuga em cumprir um destino determinado [1]. 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