{"id":2530,"date":"2013-11-21T00:42:33","date_gmt":"2013-11-21T02:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2530"},"modified":"2013-11-21T00:42:33","modified_gmt":"2013-11-21T02:42:33","slug":"o-sentido-do-humanismo-a-luz-do-pensamento-de-foucault-e-merleau-ponty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2530","title":{"rendered":"O sentido do humanismo \u00e0 luz do pensamento de Foucault e Merleau-Ponty"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rosemberg Nascimento<\/strong>\u00a0*<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O problema a ser abordado neste artigo adentrando-se ao pensamento de dois grandes pensadores contempor\u00e2neos, a saber: Foucault e Merleau Ponty t\u00eam como objetivo de investigar e analisar de maneira concisa a partir dos textos de Michel Foucault o homem est\u00e1 morto? E o texto de Marilena Chau\u00ed acerca da obra a fecunda de Merleau-Ponty sobre o sentido do humanismo. Primeiramente veremos como Foucault em seu pensamento traz uma acep\u00e7\u00e3o do significado do humanismo em nossa cultura. No entanto podemos ressaltar segundo o pensamento Focaultiano que no discorrer da hist\u00f3ria o homem sempre se mostrou e se mostra como sendo questionador. Por isso ele afirma que o humanismo \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o muito antiga que permeia, sobretudo por Montaigne ultrapassando limites.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A palavra \u201chumanismo\u201d n\u00e3o existe na obra de Montaigne, ou seja, nos Ensaios. Sendo assim imaginemos que o humanismo foi o \u00e1pice da grande cultura ocidental. O que distingue esta cultura ocidental das demais culturas assim como das orientais ou isl\u00e2micas \u00e9 o humanismo. Assim podemos frisar que o humanismo ele n\u00e3o s\u00f3 existe nas outras culturas, mas est\u00e1 tamb\u00e9m inserido em nossa pr\u00f3pria cultura.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O S\u00e9culo XVI foi a era do humanismo, que o classicismo desenvolveu os grandes temas da natureza humana, que o s\u00e9culo XVIII criou as ci\u00eancias positivas e que chegamos enfim a conhecer o homem de maneira positiva, cient\u00edfica e racional com a biologia, a psicologia e a sociologia. (FOUCAULT, 1966).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por outro lado, como podemos observar no s\u00e9culo XVI a era do humanismo e tamb\u00e9m mais adiante com o classicismo deu-se inicio, portanto ao desenvolvimento de grandes tem\u00e1ticas no que emerge a natureza humana. E a partir do s\u00e9culo XVIII criaram-se as ci\u00eancias positivistas de tal modo que nos possibilitou conhecer o homem a partir de tr\u00eas vias relevantes assim como: positiva, cient\u00edfica e racional por meio do estudo da biologia, psicologia e a sociologia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cO humanismo tem sido a grande for\u00e7a que animou o nosso desenvolvimento hist\u00f3rico e que \u00e9 finalmente a recompensa desse desenvolvimento, (&#8230;) que \u00e9 o princ\u00edpio e o fim\u201d. (FOUCAULT, 1966). O homem \u00e9 aquele que contempla e simultaneamente admira a nossa cultura atual, por causa da maneira com que ela se preocupa importando-se com humano. Mas diante da quest\u00e3o supracitada no humanismo nos questionamos ser\u00e1 que a cultura contempor\u00e2nea ou a nossa sociedade se preocupa com o humano? Est\u00e1 \u00e9 a seguinte indaga\u00e7\u00e3o que devemos fazer diante do que delineia Foucault e do que observamos na sociedade contempor\u00e2nea. O humanismo \u00e9 a for\u00e7a que impele o desenvolvimento da hist\u00f3ria determinando como sendo princ\u00edpio e fim.\u00a0 Portanto o movimento do humanismo atinge seu fim no s\u00e9culo XIX. Por isso quando vemos as culturas dos s\u00e9culos XVI e XVII e XVIII, podemos perceber como ressalta Foucault que o homem n\u00e3o tem literalmente nenhum lugar.\u00a0 \u201ca cultura \u00e9 ent\u00e3o ocupada por Deus, pelo mundo, pela semelhan\u00e7a das coisas, pelas leis do espa\u00e7o, e certamente tamb\u00e9m pelo corpo, pelas paix\u00f5es e imagina\u00e7\u00e3o\u201d. (FOUCAULT, 1966).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No texto o homem est\u00e1 morto? principalmente em sua c\u00e9lebre obra <i>as palavras e as coisas<\/i>, Foucault enfatiza quais pe\u00e7as ou quais peda\u00e7os comp\u00f5em o homem no final do s\u00e9culo XVIII e no limiar do XIX. Desse modo ele afirma que n\u00e3o \u00e9 pelo fato de ter tido um cuidado moral para com o ser humano que se teve a ideia de conhec\u00ea-lo de maneira cient\u00edfica, todavia o ser humano \u00e9 uma realidade em constru\u00e7\u00e3o. A partir desse pressuposto constr\u00f3i-se o ser humano como objeto de um saber poss\u00edvel que mais adiante desenvolveram-se tem\u00e1ticas morais do humanismo na contemporaneidade. Ademais, j\u00e1 o problema de Sartre acerca do humanismo se torna diferente, como ressalta Foucault, pois o humanismo, a antropologia e o pensamento dial\u00e9tico est\u00e3o intimamente ligados.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que ignora o homem \u00e9 a raz\u00e3o anal\u00edtica contempor\u00e2nea que se viu nascer com Russel, e que aparece em L\u00e9vi-Strauss e nos linguistas. Est\u00e1 raz\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 incompat\u00edvel com o humanismo, enquanto que a pr\u00f3pria dial\u00e9tica se nomeia acessoriamente de humanismo. (FOUCAULT, 1966).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deste modo existem varias raz\u00f5es que s\u00e3o aparentemente nomeadas pela raz\u00e3o anal\u00edtica que por causa de ser uma filosofia da hist\u00f3ria, pelo fato de ser uma filosofia da pr\u00e1tica humana, da aliena\u00e7\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o. De certo modo como nos afirma Foucault a dial\u00e9tica promete em certa medida ao ser humano que ele se tornar\u00e1 um homem aut\u00eantico e verdadeiro. Ela promete o homem ao homem e, nessa medida, n\u00e3o \u00e9 dissoci\u00e1vel de uma moral humanista. Neste caso os grandes respons\u00e1veis do humanismo contempor\u00e2neo s\u00e3o Hegel e Marx.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto Foucault salienta e ao mesmo tempo faz uma sauda\u00e7\u00e3o a Sartre que deduz de forma extraordin\u00e1ria o epis\u00f3dio da cultura em que teve inicio em Hegel. Ele fez tudo que podia para integrar a cultura contempor\u00e2nea, a psican\u00e1lise, a economia pol\u00edtica da hist\u00f3ria, da sociologia a dial\u00e9tica. A cultura n\u00e3o dial\u00e9tica est\u00e1 pr\u00f3xima de se formar varias raz\u00f5es. Em primeiro lugar por ter aparecido de modo espont\u00e2neo em regi\u00f5es em que os extremos s\u00e3o diferentes. A cultura n\u00e3o dial\u00e9tica deu-se in\u00edcio, com Nietzsche e assim Foucault declara:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando ele mostrou que a morte de Deus n\u00e3o era o aparecimento, mas o desaparecimento do homem, que o homem e Deus tinham estranhos parentescos, que eram ao mesmo tempo irm\u00e3os g\u00eameos e pais e filhos um do outro, que Deus estando morto, o homem n\u00e3o poderia n\u00e3o desaparecer, ao mesmo tempo deixando atr\u00e1s de si uma monstruosidade. (FOUCAULT, 1966).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste sentido, cultura n\u00e3o dial\u00e9tica tamb\u00e9m apareceu em Heidegger, quando ele retoma a quest\u00e3o fundamental sobre a abordagem do ser retornando a origem grega. Ao contr\u00e1rio em Russel quando ele faz uma cr\u00edtica l\u00f3gica a filosofia. Em Wittgenstein quando ele exp\u00f5e o problema das rela\u00e7\u00f5es entre l\u00f3gica e linguagem, tanto nos linguistas quanto nos soci\u00f3logos como em Levi- Strauss. Al\u00e9m do mais as manifesta\u00e7\u00f5es da raz\u00e3o anal\u00edtica ainda s\u00e3o dispersas conforme ressalta Foucault. Segundo ele o pensamento n\u00e3o dial\u00e9tico que se constitui de modo imediato n\u00e3o p\u00f5e em jogo a natureza ou a exist\u00eancia, mas isso \u00e9 o que determina o saber. Este ter\u00e1 de indagar sobre a rela\u00e7\u00e3o que pode haver entre diferentes dom\u00ednios do saber e, todavia entre saber e n\u00e3o saber.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conforme norteia Foucault, o pensamento atual deve definir isomorfismos entre os conhecimentos. No entanto compreender, pois a rela\u00e7\u00e3o positiva e constante que existe entre o n\u00e3o-saber e o saber, vemos que um n\u00e3o exclui o outro. Desta maneira, a literatura est\u00e1 inerente ao pensamento n\u00e3o-dial\u00e9tico que caracteriza a filosofia. \u201cToda a literatura est\u00e1 em uma rela\u00e7\u00e3o com a linguagem que \u00e9 no fundo a que o pensamento mant\u00e9m com o saber. A linguagem diz o saber n\u00e3o sabido da literatura\u201d. (FOUCAULT, 1966). Quer dizer a literatura est\u00e1 inerente a linguagem que \u00e9 na ess\u00eancia do pensamento que mant\u00e9m o saber. A linguagem ressalta o n\u00e3o sabido da literatura ela \u00e9 o instrumento que ultrapassa qualquer determinado saber.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, j\u00e1 no artigo de Marilena Chau\u00ed ela esmi\u00fa\u00e7a algumas partes relevantes da obra <i>fecunda<\/i> de Merleau-Ponty abordando o significado do humanismo em nossa cultura. Percebe-se que ela afirma que o problema ontol\u00f3gico \u00e9 aquele que est\u00e1 subordinado a todos os outros problemas e por isso a ontologia n\u00e3o pode de modo algum ser um te\u00edsmo, isto \u00e9 doutrina pessoal causa de Deus nem um naturalismo ou humanismo. Pois n\u00e3o podemos identificar o ser como um dos seres isto \u00e9 Deus, o homem ou a natureza. Assim tr\u00eas impulsos filos\u00f3ficos que de certo modo ser\u00e3o afastados pelo trabalho Merleau- pontyano, a saber: o teol\u00f3gico, o humanista e por fim o naturalismo cientificista e o de um certo materialismo. Conforme afirma Chau\u00ed acerca da cr\u00edtica do naturalismo, ou seja, ao caracter\u00edstico das filosofias empiristas e do positivismo cient\u00edfico e do humanismo da filosofia da consci\u00eancia vemos que esta foi inaugurada com Descartes e prosseguida com o idealismo transcendental por meio de Kant e Husserl h\u00e1 uma indaga\u00e7\u00e3o pertinente sobre a heran\u00e7a deixada pelo racionalismo na modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Ademais \u201co comportamento humano n\u00e3o \u00e9 uma coisa nem \u00e9 uma ideia. No entanto, o referencial de Merleau-Ponty ainda conserva resson\u00e2ncias da antropologia filos\u00f3fica, pois o papel central \u00e9 conferido \u00e0 consci\u00eancia perceptiva e n\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o\u201d. (CHAU\u00cd, 2010). Em sua obra <i>Fenomenologia da percep\u00e7\u00e3o<\/i> Merleau-Ponty faz uma cr\u00edtica voltada contra o intelectualismo das filosofias da consci\u00eancia, mas segundo ele o verdadeiro ato de filosofar \u00e9 reaprender a observar a realidade do mundo, pois atrav\u00e9s do corpo, espa\u00e7o, tempo, motricidade, sexualidade, linguagem, vis\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o, pensamento e liberdade surgem a partir dos acontecimentos corporais e derrubam a consci\u00eancia reflexiva de seu papel constituinte projeto de posse intelectual do mundo. Tomando a filosofia n\u00e3o como fonte de explica\u00e7\u00e3o, mas como indaga\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel. \u201cA filosofia e a ci\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o a fonte de sentido e que n\u00e3o h\u00e1 um ponto de partida absoluto (Deus, o homem, a natureza), mas um solo origin\u00e1rio e uma iner\u00eancia ao mundo que merecem ser interrogados\u201d (CHAU\u00cd, 2010).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na obra <i>O vis\u00edvel e o invis\u00edvel<\/i> o ser \u00e9 o que exige de n\u00f3s cria\u00e7\u00e3o para que possamos ter experi\u00eancia. Al\u00e9m do mais segundo Cha\u00fai Merleau-Ponty afirma que filosofia e arte, juntas, n\u00e3o s\u00e3o fabrica\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias no universo da cultura, mas contato com o ser justamente enquanto cria\u00e7\u00f5es. Cogita-se que h\u00e1 um momento em que o ser vem a ser. Desse modo o que torna poss\u00edvel a experi\u00eancia criadora \u00e9 a exist\u00eancia de algo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Realizam um trabalho no qual vem exprimir-se o co-pertencimento de uma inten\u00e7\u00e3o e de um gesto insepar\u00e1veis, de um sujeito que s\u00f3 se efetua como tal porque sai de si para ex-por sua interioridade pr\u00e1tica como obra. \u00c8 isso a cria\u00e7\u00e3o, fazendo vir ao ser \u00e0quilo que sem ela nos privaria de experiment\u00e1-lo. (CHAU\u00cd, 2010).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Chau\u00ed compreende o ser bruto de Merleau-Ponty o ser de indivis\u00e3o, que n\u00e3o foi submetido a separa\u00e7\u00e3o (metaf\u00edsica e cient\u00edfica) entre sujeito e objeto, alma e corpo, consci\u00eancia e mundo, percep\u00e7\u00e3o e pensamento. \u00c9 pela diferen\u00e7a entre sons e signos que uma l\u00edngua existe e se constitui como sistema expressivo, pois sons e signos n\u00e3o s\u00e3o \u00e1tomos positivos e isol\u00e1veis, mas pura rela\u00e7\u00e3o, posi\u00e7\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o.\u00a0 O ser bruto \u00e9 um sistema privado de \u201cequival\u00eancias\u201d diferenciado e diferenciador pelo qual h\u00e1 no mundo. Assim ser bruto e esp\u00edrito selvagem est\u00e3o entrela\u00e7ados, abra\u00e7ados e enla\u00e7ados. O mundo da cultura como nos aponta Merleau-Ponty a fecundidade que passa, mas n\u00e3o cessa \u00e9 o parto intermin\u00e1vel do ser bruto e do esp\u00edrito selvagem. A ci\u00eancia manipula as coisas recusando habit\u00e1-las. A filosofia corresponde a um sujeito universal que se ergue como olhar intelectual desencarnado que contempla o mundo. A tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica cient\u00edfica \u00e9 o abandono do mundo, podemos dizer que o abandono do pensamento encarnado num corpo, alcan\u00e7a de modo indireto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A experi\u00eancia de uma atividade requer de n\u00f3s comprometimento \u201cse o sair de si e o entrar em si definem o esp\u00edrito, se o mundo \u00e9 carne ou interioridade e a consci\u00eancia est\u00e1 originariamente encarnada j\u00e1 n\u00e3o pode ser o que era o empirismo, isto \u00e9 passividade (&#8230;) e resposta a est\u00edmulos sensoriais externos\u201d. (CHAU\u00cd, 2010). Por outro lado, o que era para o intelectualismo ser uma atividade de inspe\u00e7\u00e3o intelectual do mundo como nosso modo de ser e de existir, a experi\u00eancia nos possibilita experimentar aquilo que ela sempre foi que evocamos de inicia\u00e7\u00e3o aos mist\u00e9rios do mundo. Ademais a experi\u00eancia \u00e9 o meio que me \u00e9 dado de estar ausente de mim mesmo. Contudo a tradi\u00e7\u00e3o tanto empirista como intelectualista, em que cindiu o ato e o sentido da experi\u00eancia que coloca o homem diante da esfera confusa e o segundo a do conceito. Por isso precisamos decifrar e compreender a experi\u00eancia sendo ela a cis\u00e3o insepar\u00e1vel. \u201cA experi\u00eancia \u00e9 o ponto M\u00e1ximo de proximidade e de dist\u00e2ncia, de iner\u00eancia e diferencia\u00e7\u00e3o, de unidade e pluralidade em que o mesmo se faz Outro no interior de si mesmo\u201d. (CHAU\u00cd, 2010). O que difere a pr\u00f3pria experi\u00eancia de certo modo n\u00e3o \u00e9 posta por ela. Manifesta-se nela, pois o pr\u00f3prio mundo que se coloca a si mesmo como vis\u00edvel-invis\u00edvel, diz\u00edvel-indiz\u00edvel, pens\u00e1vel \u2013 impens\u00e1vel. Todavia a cis\u00e3o dos principais termos distingue sem separ\u00e1-los e os unifica sem identific\u00e1-los.\u00a0 A experi\u00eancia \u00e9 o que fundamenta a manifesta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com efeito, filosofia e ci\u00eancia almejam como ideal de uma linguagem pura e transparente. O sonho da filosofia e da ci\u00eancia \u00e9 o que faz que a linguagem o mesmo que fez com que o sens\u00edvel perdesse a linguagem identifica consigo mesma.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Som e sinal, a linguagem \u00e9 mist\u00e9rio por que presentifica significa\u00e7\u00f5es, transgride a materialidade e, corpo glorioso e impalp\u00e1vel e acasala-se com o invis\u00edvel (&#8230;) a nossa l\u00edngua nos insere num mundo cultura no qual ela parece exprimir completamente e n\u00e3o porque realmente o fa\u00e7a ou possa faz\u00ea-lo. (CHAU\u00cd, 2010).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A tem\u00e1tica da linguagem nos ajuda a compreendermos que ela est\u00e1 somente naquilo que a exprime. Quando se faz esquecer somente h\u00e1 esquecimento quando exprimi algo. O conceito de livro Merleau-Ponty faz uma analogia a uma m\u00e1quina infernal que produz significados.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Exprimir \u00e9 empregar os meios dispon\u00edveis oferecidos pelo institu\u00eddo o mundo da percep\u00e7\u00e3o e da cultura para descentr\u00e1-los e deform\u00e1-los, instituindo uma nova coer\u00eancia e um novo equil\u00edbrio que, a seguir, ser\u00e3o retomados numa nova express\u00e3o, que os recolheu como falta e excesso do que se desejava exprimir. (CHAU\u00cd, 2010).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, no exposto acima vemos que ao exprimir algo deve retomar uma nova express\u00e3o entre a falta e o excesso daquilo que deseja exprimir. Destarte, a hist\u00f3ria que perpassa as obras de arte e das obras de pensamento n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria emp\u00edrica de acontecimentos como nos salienta Merleau-Ponty, mas se torna uma hist\u00f3ria que designa uma hist\u00f3ria de adventos. \u201cO acontecimento fecha-se em sua diferen\u00e7a emp\u00edrica ou na diferen\u00e7a dos tempos, esgota-se ao acontecer. O advento (&#8230;) \u00e9 o excesso da obra sobre as inten\u00e7\u00f5es significadoras do artista; (&#8230;) mas tamb\u00e9m o que eles deixam como ainda n\u00e3o realizado\u201d. (CHAU\u00cd, 2010). Quando se torna, pois algo excessivo em suas obras retoma o feito atrav\u00e9s do n\u00e3o feito, descobrindo o que almeja a obra daquilo que mostra e se deixa ver ou o que se revela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">(*) Graduando na FAM<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias\u00a0<\/b><\/p>\n<p>FOUCAULT, Michel. <em>O homem est\u00e1 morto?<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Michel Foucault e M\u00e1rcio Luiz Miotto, revis\u00e3o de Wanderson Flor do Nascimento. Dits et \u00c8crits. Paris: Gallimard, 1994. Dispon\u00edvel em: &lt;htpp:\/\/www. filoczar.com. br\/Foucault\/o homem-esta-morto-Michel-Foucault-entrevista.pdf.&gt;.Acesso em: Junho de 1966. p.8-9.<\/p>\n<p>CHAU\u00cd, Marilena de Souza. <em>Merleau Ponty: A obra fecunda.<\/em> Dispon\u00edvel em: &lt;htpp:\/\/www.<i> <\/i>revistacult.uol.com.br<i> <\/i>\/home\/2010\/03\/ Merleau-ponty-a-obra-fecunda\/pdf\/<i>.&gt;.<\/i> Acesso em: 03 de Mar\u00e7o. 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosemberg Nascimento\u00a0* O problema a ser abordado neste artigo adentrando-se ao pensamento de dois grandes pensadores contempor\u00e2neos, a saber: Foucault e Merleau Ponty t\u00eam como objetivo de investigar e analisar de maneira concisa a partir dos textos de Michel Foucault o homem est\u00e1 morto? 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