{"id":2544,"date":"2014-02-26T18:31:24","date_gmt":"2014-02-26T21:31:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2544"},"modified":"2014-02-26T18:31:24","modified_gmt":"2014-02-26T21:31:24","slug":"a-compreensao-do-belo-e-o-sublime-na-estetica-transcendental-de-kant","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2544","title":{"rendered":"A compreens\u00e3o do belo e o sublime na est\u00e9tica transcendental de Kant"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:left;\"><strong>Rosemberg Nascimento<\/strong>*<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Este artigo pretende investigar e, ao mesmo tempo, demonstrar de maneira sucinta a partir da obra <i>Cr\u00edtica da Faculdade do Ju\u00edzo<\/i> o que \u00e9 o belo e sublime para Kant. Todavia, \u00e9 importante frisar que Immanuel Kant (1724-1804) \u00e9 considerado um renomado fil\u00f3sofo do iluminismo alem\u00e3o que inovou e propiciou uma distinta vis\u00e3o n\u00e3o somente \u00e0 filosofia moderna, mas contribuiu de modo eficaz para a compreens\u00e3o da est\u00e9tica. Al\u00e9m do mais, refletir acerca da rela\u00e7\u00e3o entre a no\u00e7\u00e3o de belo e sublime na perspectiva kantiana \u00e9 colocar \u00e0 prova um dos tra\u00e7os caracter\u00edsticos de seu pensamento, que \u00e9 de suma import\u00e2ncia para o ju\u00edzo da est\u00e9tica. Assim sendo, podemos al\u00e7ar questionamentos: o que \u00e9 belo e sublime segundo Kant? Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o belo e o sublime? Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre o belo e o sublime? Estes s\u00e3o os questionamentos instigantes que nortear\u00e3o nossa pesquisa e nos induzir\u00e3o a refletir sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste sentido, para fazermos a distin\u00e7\u00e3o se algo \u00e9 belo, devemos em primeiro lugar referir a representa\u00e7\u00e3o, que se manifesta n\u00e3o atrav\u00e9s do entendimento humano ao objeto, mas por meio da faculdade da imagina\u00e7\u00e3o do sujeito. \u201cPara distinguir se algo \u00e9 belo ou n\u00e3o, referimos a representa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pelo entendimento ao objeto em vista do conhecimento, mas pela\u00a0 faculdade da imagina\u00e7\u00e3o [&#8230;] ao sujeito e ao seu sentimento de prazer ou desprazer.\u201d (KANT, 1995, p. 47). \u00c9 importante salientar que a no\u00e7\u00e3o de belo para Kant se d\u00e1 a partir da contempla\u00e7\u00e3o que o sujeito faz de uma determinada coisa. E atrav\u00e9s da contempla\u00e7\u00e3o o sujeito pode intuir e refletir acerca daquilo que \u00e9 contemplado. Por outro lado, o ju\u00edzo de gosto n\u00e3o \u00e9, pois, um ju\u00edzo vinculado ao conhecimento, mas \u00e0 est\u00e9tica, pois seu fundamento \u00e9 subjetivo. J\u00e1 as representa\u00e7\u00f5es e as sensa\u00e7\u00f5es podem ser objetivas. \u201cO sujeito sente-se a si pr\u00f3prio do modo como ele \u00e9 afetado pela sensa\u00e7\u00e3o.\u201d (DUARTE, 1997, p. 119). \u00c0 medida que o sujeito contempla o belo, ele \u00e9 afetado por meio da sensa\u00e7\u00e3o provocando nele os sentimentos de prazer ou desprazer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ademais, segundo a doutrina kantiana, podemos compreender a representa\u00e7\u00e3o como algo que est\u00e1 intimamente ligado ao sujeito e aos seus sentimentos de vida, tais como o prazer e o desprazer. A representa\u00e7\u00e3o do objeto se d\u00e1 por meio da complac\u00eancia que determina o ju\u00edzo de gosto. Gosto pode ser definido por \u201cfaculdade de ajuizamento de um objeto ou de um modo de representa\u00e7\u00e3o mediante uma complac\u00eancia ou descomplac\u00eancia <i>independente de todo interesse<\/i>. O objeto de uma tal complac\u00eancia chama-se <i>belo<\/i>.\u201d (DUARTE, 1997, p. 123). Assim, a acep\u00e7\u00e3o de complac\u00eancia, consequentemente, est\u00e1 intimamente ligada ao prazer que se tem em harmonia com os sentidos. O sujeito que age com complac\u00eancia faz tudo com o intuito de agradar o outro. \u201c<i>Agrad\u00e1vel \u00e9 o que apraz aos sentidos na sensa\u00e7\u00e3o<\/i>.\u201d (KANT, 1995, p. 50). Toda complac\u00eancia corresponde ao desejo de agradar, refere-se \u00e0 pr\u00f3pria sensa\u00e7\u00e3o de um prazer. Tudo aquilo que apraz ao sujeito \u00e9 agrad\u00e1vel. Al\u00e9m disso, existem ainda outras sensa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o apraz\u00edveis ao sujeito, ou seja, sensa\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, tais como: gracioso, encantador e deleit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No entanto, quando determinamos que os sentimentos de prazer e o desprazer podem ser chamados de sensa\u00e7\u00e3o, observa-se que esta express\u00e3o tem como significado representar uma determinada coisa atrav\u00e9s dos sentidos, como receptividade \u00e0 faculdade do conhecimento. A palavra sensa\u00e7\u00e3o pode ser compreendida como a representa\u00e7\u00e3o objetiva dos sentidos como Kant nos apresenta:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\">A cor verde [&#8230;] pertence \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o <i>objetiva<\/i>, como percep\u00e7\u00e3o de um objeto do sentido; o seu agrado, por\u00e9m, pertence \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o<i> subjetiva<\/i>, pela qual nenhum objeto \u00e9 representado: isto \u00e9, ao sentimento pelo qual o objeto \u00e9 considerado como objeto da complac\u00eancia (a qual n\u00e3o \u00e9 nenhum conhecimento do mesmo). (KANT, 1995, p. 51).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante disso, fazendo uma analogia do belo com o agrad\u00e1vel, podemos dizer que o agrad\u00e1vel diz respeito \u00e0quilo que \u00e9 apraz\u00edvel. Em outras palavras, significa fazer ju\u00edzo de alguma coisa, como nos diz Kant: \u201c\u2018o vinho espumante [&#8230;] \u00e9 agrad\u00e1vel\u2019, um outro corrige-lhe a express\u00e3o e recorda-lhe que deve dizer \u2018ele me \u00e9 agrad\u00e1vel\u2019; e assim n\u00e3o somente no gosto da l\u00edngua, do c\u00e9u da boca e da garganta, mas tamb\u00e9m no que possa ser agrad\u00e1vel aos olhos e ouvidos de cada um.\u201d (KANT, 1995, p. 57). Outro fator intr\u00ednseco ao ju\u00edzo \u00e9 o som dos instrumentos. Quando ouvimos sons de um determinado instrumento, isso logo nos remete ao agrad\u00e1vel, tornando-nos apraz\u00edveis as sensa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o manifestas ao sujeito atrav\u00e9s da m\u00fasica. Sendo assim, cada sujeito possui um determinado gosto para um determinado tipo de coisa. Desse modo, n\u00e3o existem gostos iguais, apenas um ju\u00edzo est\u00e9tico. \u201cOs ju\u00edzos na verdade reivindicam, [&#8230;] validade para qualquer um. Todavia, o bom \u00e9 representado somente por um conceito como objeto de uma complac\u00eancia universal, o que n\u00e3o \u00e9 o caso nem do agrad\u00e1vel nem do belo.\u201d (DUARTE, 1997, p. 125). No entanto, o ju\u00edzo de gosto traz consigo uma quantidade est\u00e9tica universal e anuncia a express\u00e3o de beleza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\">A rosa, que contemplo, declaro-a bela mediante um ju\u00edzo de gosto. [&#8230;] o ju\u00edzo que surge por compara\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios singulares: as rosas, em geral, s\u00e3o belas n\u00e3o \u00e9 desde ent\u00e3o enunciado simplesmente como est\u00e9tico, mas como um ju\u00edzo l\u00f3gico fundado sobre um ju\u00edzo est\u00e9tico. (KANT, 1995, p. 59).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com efeito, se julgarmos os objetos somente atrav\u00e9s dos conceitos, estes perder\u00e3o toda a representa\u00e7\u00e3o de beleza. Ora, o ju\u00edzo, a rosa, \u00e9, por meio do olfato, agrad\u00e1vel. \u00c9 um ju\u00edzo est\u00e9tico e singular, por\u00e9m n\u00e3o um ju\u00edzo de gosto, mas um ju\u00edzo de sentidos. O sujeito quer submeter ao objeto de acordo com sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da maneira como ele \u00e9 afetado pela sensa\u00e7\u00e3o. Todavia, a complac\u00eancia se torna independente da sensa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a finalidade do ju\u00edzo de gosto anuncia, atrav\u00e9s da express\u00e3o, a beleza. A universal capacidade de comunica\u00e7\u00e3o do estado de \u00e2nimo na representa\u00e7\u00e3o, como condi\u00e7\u00e3o subjetiva do ju\u00edzo de gosto, tem como fundamento e consequ\u00eancia o prazer na contempla\u00e7\u00e3o do objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\">Esta particular determina\u00e7\u00e3o da universalidade de um ju\u00edzo est\u00e9tico, que pode ser encontrada em um ju\u00edzo de gosto, \u00e9 na verdade uma curiosidade n\u00e3o para o l\u00f3gico, mas sim para o fil\u00f3sofo transcendental; [&#8230;] pelo ju\u00edzo de gosto (sobre o belo) imputa-se a <i>qualquer<\/i> <i>um <\/i>a complac\u00eancia no objeto, sem contudo se fundar sobre um conceito (pois ent\u00e3o se trataria do bom); e que esta reivindica\u00e7\u00e3o de validade universal pertence t\u00e3o essencialmente a um ju\u00edzo pelo qual declaramos algo <i>belo<\/i>. (KANT, 1995, p. 58).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 importante ressaltar que se pensarmos a universalidade do belo, aquilo que se torna apraz\u00edvel sem conceito, podemos observar que tudo o que apraz seria agrad\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao ju\u00edzo de gosto sobre a beleza. Podemos considerar o ju\u00edzo de gosto em conformidade com os fins de acordo com suas determina\u00e7\u00f5es transcendentais. \u201cFim \u00e9 o objeto de um conceito, na medida em que este for considerado como a causa daquele (o fundamento real de sua possibilidade); e a causalidade de um <i>conceito<\/i> com respeito a seu <i>objeto<\/i> \u00e9 a conformidade a fins.\u201d (KANT, 1995, p. 64). Ora, podemos dizer que a conformidade com a representa\u00e7\u00e3o de um fim seria a vontade. A consci\u00eancia da causalidade de uma representa\u00e7\u00e3o se manifesta no sujeito, o que podemos chamar de prazer. Por outro lado, a representa\u00e7\u00e3o se fundamenta na determina\u00e7\u00e3o das representa\u00e7\u00f5es, as quais chamamos de desprazer. Nesta perspectiva, o fim se fundamenta na complac\u00eancia e h\u00e1 sempre por detr\u00e1s do fim um interesse que permeia o ju\u00edzo acerca do objeto do prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\">Todo fim, se \u00e9 considerado como fundamento da complac\u00eancia, comporta sempre um interesse como fundamento de determina\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo sobre o objeto do prazer. Logo, n\u00e3o pode haver nenhum fim subjetivo como fundamento do ju\u00edzo de gosto. Mas tamb\u00e9m nenhuma representa\u00e7\u00e3o de um fim objetivo, isto \u00e9, da possibilidade do pr\u00f3prio objeto segundo princ\u00edpios da liga\u00e7\u00e3o a fins, por conseguinte nenhum conceito de bom pode determinar o ju\u00edzo de gosto; porque ele \u00e9 um ju\u00edzo est\u00e9tico e n\u00e3o um ju\u00edzo de conhecimento. (KANT, 1995, p. 66).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, a representa\u00e7\u00e3o do objeto sem qualquer fim pode ser considerado objetivo ou subjetivo. O que fundamenta e, simultaneamente, determina o ju\u00edzo de gosto \u00e9 a complac\u00eancia. \u201cBeleza \u00e9 a forma da <i>conformidade <\/i>a<i> fins<\/i> de um objeto, na medida em que ela \u00e9 percebida nele <i>sem representa\u00e7\u00e3o de um fim<\/i>.\u201d (KANT, 1995, p. 82). Quando o sujeito contempla o belo, somente pode dizer se algo \u00e9 belo se ele sentir por meio da percep\u00e7\u00e3o a complac\u00eancia, isto \u00e9, a harmonia dos sentidos manifestados no objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conforme afirma a teoria kantiana, o belo est\u00e1 em conformidade com o sublime. \u201cO belo concorda com o sublime no fato de que ambos aprazem por si pr\u00f3prios; [&#8230;] n\u00e3o pressup\u00f5e nenhum ju\u00edzo dos sentidos, nem um ju\u00edzo l\u00f3gico-determinante, mas um ju\u00edzo de reflex\u00e3o.\u201d (KANT, 1995, p. 89). Assim sendo, o sublime remete ao que \u00e9 grande. Por\u00e9m, existe peculiaridade entre os distintivos: grande e grandeza, pois se dizemos que o sujeito \u00e9 belo estamos referindo que ele \u00e9 grande, mas se dissermos que o sujeito \u00e9 grande estamos fazendo refer\u00eancia \u00e0 grandeza do mesmo.<b> <\/b>O sublime n\u00e3o deve ser procurado nas coisas da natureza, mas em nossas pr\u00f3prias ideias. Deste modo, \u201co sublime distingue-se do belo pelo fato de provocar perturba\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas ligadas a uma mistura de dor e prazer\u201d (JIMENEZ, 1999, p. 136).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 importante enfatizarmos que o sublime n\u00e3o \u00e9 um objeto, mas a disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito atrav\u00e9s de certa representa\u00e7\u00e3o que ocupa a faculdade de seu ju\u00edzo reflexivo. Al\u00e9m disso, o sublime tamb\u00e9m pode ser considerado como uma faculdade de \u00e2nimo que ultrapassa a medida dos sentidos. Em outras palavras, podemos acrescentar que \u201c<i>sublime \u00e9 o que somente pelo fato de poder tamb\u00e9m pens\u00e1-lo prova uma faculdade do \u00e2nimo que ultrapassa todo padr\u00e3o de medida dos sentidos<\/i>.\u201d (KANT, 1995, p. 96). Todavia, os sentidos correspondem a faculdade da imagina\u00e7\u00e3o, uma vez que est\u00e3o ligados a percep\u00e7\u00e3o daquilo que se apresenta ao sujeito por meio de duas vias, a saber: a apreens\u00e3o e compreens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Outra acep\u00e7\u00e3o importante sobre o sublime \u00e9 \u201c<i>aquilo em compara\u00e7\u00e3o com o qual tudo o mais \u00e9 pequeno<\/i>. [&#8230;] na natureza nada pode ser dado, por grande que ele tamb\u00e9m seja ajuizado por n\u00f3s, que, considerado em uma outra rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pudesse ser degradado at\u00e9 o infinitamente pequeno.\u201d (KANT, 1995, p. 96). Por outro lado, o poder \u00e9 a faculdade no que concerne aos obst\u00e1culos que chamamos de for\u00e7a. Assim, a natureza no ju\u00edzo est\u00e9tico como poder n\u00e3o possui nenhuma for\u00e7a sobre o sujeito. Sendo assim, podemos ressaltar que o sujeito \u00e9 consequentemente sublime.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\">O verdadeiro sublime n\u00e3o pode estar contido em nenhuma forma sens\u00edvel, mas concerne somente a ideias da raz\u00e3o, que, embora n\u00e3o possibilitem nenhuma representa\u00e7\u00e3o adequada a elas, s\u00e3o avivadas e evocadas ao \u00e2nimo precisamente por essa inadequa\u00e7\u00e3o, que se deixa apresentar sensivelmente. (KANT, 1995, p. 91).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste sentido, o sublime n\u00e3o s\u00f3 se encontra no interior do sujeito, mas tamb\u00e9m est\u00e1 presente na natureza e principalmente em nossa faculdade do ju\u00edzo. E assim n\u00e3o podemos julgar como sublime qualquer objeto que existe na natureza, uma vez que o sublime eleva o esp\u00edrito humano \u00e0 faculdade da imagina\u00e7\u00e3o. A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de avaliar a grandeza de cada objeto. J\u00e1 a avalia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da grandeza ultrapassa essa faculdade. Diante disso, a natureza \u00e9 considerada sublime, pois seus fen\u00f4menos comportam a ideia de infinitude.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E ainda, podemos falar tamb\u00e9m sobre o sublime espiritual: \u201cna religi\u00e3o em geral parece que o prostrar-se, a adora\u00e7\u00e3o com a cabe\u00e7a inclinada, com gestos e vozes contritos, cheios de temor, sejam o \u00fanico comportamento conveniente em presen\u00e7a da divindade.\u201d (KANT, 1995, p. 109). Destarte, somente quando o homem se prostrar diante da divindade e o contemplar numa atitude sincera ele agir\u00e1 com complac\u00eancia, agradando a Deus, despertando em si a sublimidade. A sublimidade n\u00e3o est\u00e1 incutida em nosso estado de \u00e2nimo, na medida em que nos conscientiza de sermos superiores \u00e0 natureza em n\u00f3s e, atrav\u00e9s disso, tamb\u00e9m \u00e0 natureza fora de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, conclu\u00edmos que podemos refletir acerca do belo e o sublime no pensamento kantiano atrav\u00e9s do Ju\u00edzo est\u00e9tico. Dessa forma, o belo traz em si a harmonia, sendo que o que torna algo belo \u00e9 a harmonia com os sentidos. J\u00e1 o sublime est\u00e1 presente no esp\u00edrito humano que eleva a faculdade da imagina\u00e7\u00e3o de cada sujeito. Dessa maneira, tendo discorrido sobre a rela\u00e7\u00e3o kantiana de belo e sublime, percebe-se que o belo comove o sujeito e o sublime o encanta. Com isso, para distinguir se algo \u00e9 belo, em primeiro lugar, deve-se referir a representa\u00e7\u00e3o que se manifesta n\u00e3o atrav\u00e9s do entendimento humano ao objeto, mas por meio da faculdade da imagina\u00e7\u00e3o do sujeito. A diferen\u00e7a entre a no\u00e7\u00e3o de belo e sublime no pensamento kantiano \u00e9 que o belo se d\u00e1 a partir da contempla\u00e7\u00e3o que o sujeito faz de uma determinada coisa. E atrav\u00e9s da contempla\u00e7\u00e3o o sujeito pode intuir e refletir acerca daquilo que \u00e9 contemplado. O sublime est\u00e1 ligado a grandeza, por isso n\u00e3o deve ser procurado nas coisas da natureza, mas no interior do esp\u00edrito humano. Enfim, o belo est\u00e1 em conformidade com o sublime, pelo fato do belo ser contempla\u00e7\u00e3o que o sujeito faz do objeto manifestado na natureza exterior das coisas e o sublime a grandeza do objeto que se manifesta na natureza interior do esp\u00edrito humano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">*\u00a0Graduando em Filosofia na FAM<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DUARTE, Rodrigo. <strong>O belo aut\u00f4nomo:<\/strong><i> organiza\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o de textos<\/i>. Belo Horizonte: UFMG, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">JIMENEZ, Marc. <strong><i>O que \u00e9 est\u00e9tica?<\/i><\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Fulvia M. L. Moretto. S\u00e3o Leopoldo, Rio Grande do Sul: Unisinos, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">KANT, Immanuel. <strong><i>Cr\u00edtica da faculdade do ju\u00edzo<\/i><\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Val\u00e9rio Rohden e Ant\u00f4nio Marques. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 1995.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosemberg Nascimento* Este artigo pretende investigar e, ao mesmo tempo, demonstrar de maneira sucinta a partir da obra Cr\u00edtica da Faculdade do Ju\u00edzo o que \u00e9 o belo e sublime para Kant. 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