{"id":2593,"date":"2014-08-02T18:10:35","date_gmt":"2014-08-02T21:10:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2593"},"modified":"2014-08-02T18:10:35","modified_gmt":"2014-08-02T21:10:35","slug":"o-fenomeno-humoristico-na-hipermodernidade-segundo-gilles-lipovetsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2593","title":{"rendered":"O Fen\u00f4meno Humor\u00edstico na Hipermodernidade  segundo Gilles Lipovetsky"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:left;\">Por\u00a0Allan J\u00fanio Ferreira<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">\u201cCreio no riso e nas l\u00e1grimas como ant\u00eddotos contra o \u00f3dio e o terror.\u201d Charles Chaplin<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O fil\u00f3sofo franc\u00eas, <strong>Gilles Lipovetsky<\/strong> nasceu em 1944 e se destaca como um cr\u00edtico da sociedade hipermoderna, termo este que ele mesmo cunhou para se referir \u00e0 sociedade contempor\u00e2nea. Ao estudarmos os fil\u00f3sofos contempor\u00e2neos vemos v\u00e1rios nomes que colaboraram para o pensar da sociedade e Gilles Lipovetsky \u00e9 um deles. Nosso autor aborda os temas do consumismo, do narcisismo hipermoderno e do humor em uma de suas obras mais famosas \u201c<strong>A Era do Vazio<\/strong>\u201d, nesta obra Lipovetsky ir\u00e1 criticar a sociedade que est\u00e1 imersa num vazio absoluto e que \u00e9 dominada pela indiferen\u00e7a, pelo narcisismo nas rela\u00e7\u00f5es e pelo consumismo exagerado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ainda nessa obra, especificamente no quinto cap\u00edtulo, Lipovetsky introduzir\u00e1 o tema do humor na sociedade hipermoderna dizendo que tudo est\u00e1 repleto de humor, desde os meios de comunica\u00e7\u00e3o, passando pela academia at\u00e9 a cultura geral. Como pensar o humor na sociedade hipermoderna? Em tempos de prolifera\u00e7\u00e3o do humor, especialmente em talk shows, em canais de v\u00eddeo e nas redes sociais, o humor parece ser um novo ref\u00fagio para uma sociedade deprimida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nosso artigo pretender\u00e1 abordar o tema do fen\u00f4meno humor\u00edstico na sociedade hipermoderna baseando-se no pensamento de Gilles Lipovetsky, a partir do quinto cap\u00edtulo da obra A Era do Vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>1 \u2013 Do humor cr\u00edtico ao deboche<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O tema do humor, do c\u00f4mico e do riso n\u00e3o \u00e9 um tema que surgiu na hipermodernidade. Desde o per\u00edodo cl\u00e1ssico o humor j\u00e1 era utilizado como uma forma de dizer sem se mostrar. O humor tamb\u00e9m fazia parte da sociedade antiga como um elemento essencial nos banquetes e festas. Desde a Idade M\u00e9dia o humor (piadas, blasf\u00eamias, inj\u00farias) foi utilizado para criticar \u00e0s institui\u00e7\u00f5es dominantes da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na Idade M\u00e9dia, a cultura c\u00f4mica popular encontra-se profundamente ligada \u00e0s festas, aos divertimentos do tipo carnavalesco que, diga-se de passagem, chegavam a ocupar um total de tr\u00eas meses por ano. Neste contexto o c\u00f4mico se encontra unificado pela categoria de \u2018realismo grotesco\u2019, com base no princ\u00edpio de rebaixamento do sublime, do poder e do sagrado por meio de imagens hipertrofiadas da vida material e corporal. (LIPOVETSKY, 2005.p.113).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesse sentido o carnaval da Idade M\u00e9dia at\u00e9 o renascimento fazia uma grande cr\u00edtica, sobretudo \u00e0 Igreja cat\u00f3lica. Os medievais dan\u00e7avam, cantavam e faziam par\u00f3dias dos cultos e dogmas religiosos, uma verdadeira profana\u00e7\u00e3o das regras religiosas como uma forma de protesto e cr\u00edtica aos abusos daquela institui\u00e7\u00e3o. Apesar de n\u00e3o se ter ainda uma cr\u00edtica aberta e clara, o humor nesse per\u00edodo demostrava uma insatisfa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos poderes da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Podemos pensar ainda o humor no in\u00edcio do Renascimento e posteriormente no seio da modernidade. Nesses per\u00edodos o humor j\u00e1 n\u00e3o tem a caracter\u00edstica grosseira, ele \u00e9 contido e escondido nas formas de ironias e s\u00e1tiras. Um exemplo disso \u00e9 a obra mais famosa do Renascimento \u201cO Elogio da Loucura\u201d de Erasmo de Rotterdam, que utilizou-se da ironia e da s\u00e1tira para questionar os poderes civis e religiosos. A \u201cironia humor\u00edstica\u201d serve nesse sentido como uma forma de cr\u00edtica velada, mas ao mesmo tempo destruidora. Pensando ainda na modernidade, agora em seu per\u00edodo mais profundo, o riso e o humor foram sinais de deseleg\u00e2ncia e inconveni\u00eancia, um comportamento que n\u00e3o era aceito nas rodas sociais. Diz-nos LIPOVETSKY (2005): \u201cO c\u00f4mico deixou de ser simb\u00f3lico; ele se torna cr\u00edtico na com\u00e9dia cl\u00e1ssica, na s\u00e1tira, na f\u00e1bula, na caricatura, no teatro de revista ou no vaudeville.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vimos at\u00e9 aqui que o humor sempre esteve presente de uma forma ou de outra na vida da sociedade, mas esse humor possu\u00eda uma forte vertente cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, n\u00e3o queremos afirmar que na hipermodernidade isso desapareceu completamente, mas que houve uma diminui\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel desse aspecto em nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como pensar esse humor cr\u00edtico em nosso tempo? Houve uma verdadeira passagem da cr\u00edtica ao deboche. O humor j\u00e1 n\u00e3o serve de base para contesta\u00e7\u00f5es e protestos pac\u00edficos visando uma transforma\u00e7\u00e3o, mas a cr\u00edtica se transformou em deboche. Ri-se de tudo pelo simples prazer, conta-se piadas de povos, pessoas e religi\u00f5es, mas pelo simples gosto de ofender sem se sentir culpado. O deboche hipermoderno \u00e9 o l\u00fadico por excel\u00eancia, as pessoas se jogam no mar do l\u00fadico e n\u00e3o do cr\u00edtico, esse tipo de humor n\u00e3o acrescenta, apenas distrai.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>1. O humor midi\u00e1tico<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando falamos de m\u00eddia logo nos v\u00eam \u00e0 mente a grande rede televisiva e radiada e tamb\u00e9m a rede mundial de computadores, a internet.\u00a0 \u00c9 nesse campo que o humor l\u00fadico se alastra com mais rapidez e se propaga na sociedade humor\u00edstica. Crescem os n\u00fameros dos chamados talk shows, uma esp\u00e9cie de entrevista humor\u00edstica. Esses talk shows levam o p\u00fablico \u00e0 uma compreens\u00e3o errada do c\u00f4mico quando, muitas vezes, desrespeitam seus convidados e apelam para o sensacionalismo, visando a audi\u00eancia. A guerra pela audi\u00eancia na tv aberta \u00e9 surpreendente, v\u00e1rios programas do mesmo estilo disputando a prefer\u00eancia de um p\u00fablico que se deleita, em muitos casos, com situa\u00e7\u00f5es constrangedoras e apelativas de outras pessoas. Esse humor midi\u00e1tico nada tem de cr\u00edtico, ao contr\u00e1rio, iludem e hipnotizam a massa que assiste, como nos diz LIPOVETSKY (2005) \u201cA den\u00fancia escarnecedora correlativa de uma sociedade baseada em valores reconhecidos foi substitu\u00edda por um humor positivo e desenvolto, um c\u00f4mico adolescente \u00e0 base de uma extravag\u00e2ncia gratuita e sem pretens\u00f5es\u201d. Al\u00e9m desses programas de entrevista, h\u00e1 tamb\u00e9m os programas humor\u00edsticos que perdem uma boa oportunidade de retomar aquele humor cr\u00edtico do in\u00edcio da modernidade, mas, infelizmente, caem no simples deboche e no l\u00fadico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Continuando a nossa reflex\u00e3o sobre o humor hipermoderno n\u00e3o podemos deixar de mencionar o quanto a internet tem grande influ\u00eancia na vida da sociedade. J\u00e1 n\u00e3o somos capazes de nos imaginar sem ela, a internet parece fazer parte da estrutura do ser humano. Diante desta grande import\u00e2ncia, vemos que a internet tem uma gama de informa\u00e7\u00f5es que podem ser utilizadas tanto para fomentar o esp\u00edrito cr\u00edtico, quanto para destru\u00ed-lo e \u00e9 na internet que encontramos os famosos e populares canais de v\u00eddeos. Esses canais reproduzem v\u00eddeos de cenas do cotidiano, da vida de uma classe social, de uma religi\u00e3o ou qualquer outro assunto, o que importa \u00e9 debochar (no sentido mais original da palavra). Despidos do senso cr\u00edtico, alguns desses canais, desconsideram a realidade e o jeito pr\u00f3prio de suas \u201cv\u00edtimas\u201d causando v\u00e1rias pol\u00eamicas envolvendo principalmente a religi\u00e3o. Isso s\u00f3 acontece porque o l\u00fadico, o deboche, o humor pop tomou o lugar daquele humor original. Diante dessas pol\u00eamicas levantam-se a quest\u00e3o, h\u00e1 um limite para o humor? N\u00e3o pretenderemos responder a essa quest\u00e3o, mas sim deixa-la para reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>2. A publicidade humor\u00edstica e a moda l\u00fadica<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Gilles Lipovetsky nos ajuda a compreender o quanto o humor est\u00e1 impregnado em diversas \u00e1reas da sociedade. Nesse t\u00f3pico veremos como a publicidade carrega o humor em si. O tema da publicidade humor\u00edstica est\u00e1 intimamente ligado ao tema do consumismo hipermoderno. Para atrair o consumidor e seduzi-lo a comprar, a publicidade utiliza de diversos meios, um deles \u00e9 o humor. Quem nunca sentiu vontade de comprar algum produto s\u00f3 porque a propaganda foi boa e engra\u00e7ada? V\u00e1rios s\u00e3o os exemplos, propagandas com pessoas felizes e sorridentes, mundos fant\u00e1sticos que s\u00e3o poss\u00edveis s\u00f3 em sonho, chamadas engra\u00e7adas e rimas divertidas. Essa \u00e9 t\u00e9cnica da metapublicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Consumiremos a alegria vendida nas propagandas para nos satisfazer. O riso midi\u00e1tico, reflexo e influ\u00eancia de nosso cotidiano, como afirma Lipovetski, promete um mundo divertido, sem preocupa\u00e7\u00f5es e sem sofrimento: viveremos sorridentes como em um comercial de margarina, buscando a perfei\u00e7\u00e3o de uma propaganda de shampoo e nos divertindo como em um an\u00fancio de cerveja. (GOMES, 2012. p. 14);<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A publicidade est\u00e1 a\u00ed para satisfazer as nossas car\u00eancias, para suprir as nossas necessidades e desejos e n\u00e3o importa como e nem com que meios far\u00e1 isso, ela nos tentar\u00e1 sempre. A publicidade existe e por um lado precisamos dela, mas quando a mesma utiliza de artimanhas para nos prender no consumismo a publicidade destoa do seu verdadeiro papel que \u00e9 o de oferecer sem convencer. Lipovetsky v\u00ea na publicidade uma esp\u00e9cie de propaganda n\u00e3o ideol\u00f3gica, para o fil\u00f3sofo a ideologia visa o universal e a verdade, enquanto o humor publicit\u00e1rio \u00e9 uma deprecia\u00e7\u00e3o l\u00fadica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0\u00c9 certo que o humor publicit\u00e1rio visar\u00e1 sempre o consumo. Esse tipo de humor \u00e9 vazio, n\u00e3o ideol\u00f3gico, como afirma LIPOVETSKY (2005) \u201co discurso demonstrativo tedioso se apaga, resta apenas um detalhe cintilante, o nome da marca: o essencial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Aos moldes da publicidade, a moda tamb\u00e9m est\u00e1 repleta de humor. As revistas e os manequins mostram claramente o apelo humor\u00edstico. O padr\u00e3o perfeito para ser aceito na sociedade, a magreza \u00e9 sin\u00f4nimo de beleza. Nas revistas est\u00e3o modelos mag\u00e9rrimas, os t\u00edtulos s\u00e3o provocativos como: \u201cN\u00e3o viva sem isto ou aquilo\u201d, \u201cviva intensamente utilizando o nosso produto\u201d, \u201c a moda \u00e9 ser assim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As roupas e as marcas s\u00e3o mais importantes do que o car\u00e1ter das pessoas, os produtos a cada dia se renovam e se enfeitam para atrair o p\u00fablico alvo, bon\u00e9s, rel\u00f3gios, colares, brincos, uma diversidade de apetrechos para fomentar a ind\u00fastria. Junto com o tema da moda, podemos pensar no que o fil\u00f3sofo chama de narcisismo contempor\u00e2neo, a moda permite que esse narcisismo flores\u00e7a quando a mesma imp\u00f5e o jeito de ser das pessoas. Esse narcisismo, um olhar para si mesmo, seu auto admirar, est\u00e1 muito presente na sociedade hipermoderna.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A moda se apresenta como uma par\u00f3dia de costumes e fatos que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o eram tema para ela. Lipovetsky cita alguns exemplos, dentre eles: a trancinha, que em alguns lugares \u00e9 um aspecto cultural, de cren\u00e7a e culto, virou moda e agora beira o exibicionismo, do mesmo modo podemos falar do jeans, criado como um modelo para o simples trabalho, hoje se difundiu e ganhou v\u00e1rios aspectos. \u201ca moda macaqueia o mundo profissional e ao faz\u00ea-lo adota um estilo explicitamente par\u00f3dico.\u201d (LIPOVETSKY, 2005. p. 127).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>3 Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vimos que o processo humor\u00edstico j\u00e1 est\u00e1 entranhado na sociedade hipermoderna e que dificilmente ser\u00e1 abandonado. Gilles Lipovetsky nos ajuda a compreender, muito detalhadamente, como esse processo leva \u00e0s pessoas a um individualismo e ao vazio contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Toda a reflex\u00e3o do autor \u00e9 esclarecedora, o riso tem uma hist\u00f3ria, da cr\u00edtica ao deboche, do esc\u00e1rnio \u00e0 ironia. Vivemos em uma sociedade que humoriza todas as situa\u00e7\u00f5es da vida, ela ri de si mesma e dos outros.\u00a0 O humor hipermoderno parece ser uma resposta \u00e0s pr\u00f3prias ang\u00fastias e desafios da vida, uma fuga da realidade, rimos para mascarar a dor e o sofrimento. Somos provocados por Lipovetsky a termos um olhar cr\u00edtico sobre a realidade que nos envolve. O humor n\u00e3o est\u00e1 presente s\u00f3 na m\u00eddia ou na publicidade, mas em todos os aspectos poss\u00edveis, at\u00e9 mesmo em artigos acad\u00eamicos como esse, como nos diz Lipovetsky.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">GOMES, Mariana Andrade. <strong>A \u201csociedade humor\u00edstica\u201d<\/strong>: a ressignifica\u00e7\u00e3o do riso na contemporaneidade. 5\u00ba CONNECO UFF 2012, Niter\u00f3i, out. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.coneco.uff.br\/ocs\/index.php\/1\/conecorio\/paper\/viewFile\/284\/14&gt;. Acesso em: 02 abr.2014.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">LIPOVETSKY, Gilles. <strong>A Sociedade humor\u00edstica.<\/strong> In: ______. A Era do Vazio. Tradu\u00e7\u00e3o Therezinha Monteiro Deutsch. S\u00e3o Paulo: Manole, 2005. p. 111-144<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Allan J\u00fanio Ferreira \u201cCreio no riso e nas l\u00e1grimas como ant\u00eddotos contra o \u00f3dio e o terror.\u201d Charles Chaplin O fil\u00f3sofo franc\u00eas, Gilles Lipovetsky nasceu em 1944 e se destaca como um cr\u00edtico da sociedade hipermoderna, termo este que ele mesmo cunhou para se referir \u00e0 sociedade contempor\u00e2nea. 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