{"id":2595,"date":"2014-08-02T18:22:35","date_gmt":"2014-08-02T21:22:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2595"},"modified":"2014-08-02T18:22:35","modified_gmt":"2014-08-02T21:22:35","slug":"a-concepcao-estrutural-de-vivencia-comunitaria-segundo-edith-stein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2595","title":{"rendered":"A Concep\u00e7\u00e3o estrutural de viv\u00eancia comunit\u00e1ria segundo Edith Stein"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Por\u00a0Marcelo Henrique N. da Costa*<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No contexto em que estamos inseridos, marcado fortemente pelo individualismo e pelo utilitarismo, onde as pessoas se relacionam umas com as outras tendo em vista interesses pessoais, faz-se necess\u00e1rio uma an\u00e1lise filos\u00f3fica que n\u00e3o simplesmente critique as rela\u00e7\u00f5es na contemporaneidade, mas que d\u00ea suporte s\u00f3lido para fundamentar as rela\u00e7\u00f5es humanas, dando-lhes um sentido \u00e9tico. A pensadora alem\u00e3 de origem Judia, do s\u00e9c. XX, <strong>Edith Stein<\/strong>, disc\u00edpula de <strong>Edmund Husserl<\/strong>, em sua produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica procurou analisar, antropologicamente, as estruturas que comp\u00f5em o ser humano, na tentativa de fundamentar as rela\u00e7\u00f5es interpessoais numa perspectiva estrutural e ao mesmo tempo ver a viv\u00eancia comunit\u00e1ria como necess\u00e1ria para a forma\u00e7\u00e3o da pessoa humana integral.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Stein traz \u00e0 baila a discuss\u00e3o da necessidade da transcend\u00eancia do ser humano, sendo ele dotado de esp\u00edrito: o n\u00edvel relacional se d\u00e1 no \u00e2mbito espiritual, onde duas pessoas espirituais transcendem uma em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 outra para a rela\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 sua abertura constitutiva. \u00c9 necess\u00e1rio, pois, investigar como Stein compreende esta estrutura constitutiva do homem e de que forma ela influencia na vida comunit\u00e1ria, facilitando uma viv\u00eancia \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o aos outros e \u00e0 comunidade em si.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Partindo destes pressupostos, neste presente artigo, temos por objetivo investigar sobre a estrutura da vida comunit\u00e1ria segundo Edith Stein. Para tal fim iniciamos apresentando os pressupostos b\u00e1sicos do pensamento de Stein, bem como a origem do m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico e o contexto de onde Edith inicia sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, analisando principalmente a sua concep\u00e7\u00e3o de fenomenologia e intersubjetividade. Em seguida, buscamos apresentar a rela\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduo e comunidade, apresentando as estruturas propriamente humanas que levam o homem a ser necessariamente aberto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o e \u00e0 comunidade. Por fim, delineamos em que sentido Stein est\u00e1 para al\u00e9m de Husserl em sua <strong>subjetividade<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1 CONCEP\u00c7\u00c3O STEINIANA DE FENOMENOLOGIA E INTERSUBJETIVIDADE.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com o advento da modernidade e o crescimento do Positivismo nasce a Fenomenologia, como contraponto ao psicologismo. A fenomenologia nasce com Edmund Husserl, tendo a inten\u00e7\u00e3o de criar um pensamento filos\u00f3fico com rigor cient\u00edfico que gerasse uma forma de conhecimento sem abrir m\u00e3o de um m\u00e9todo que possibilite um estudo sobre a estrutura do ser humano: sua psique, a alma humana, sem deixar de levar em considera\u00e7\u00e3o o f\u00edsico, tendo o agir humano como uma forma de manifesta\u00e7\u00e3o que busca seu sentido, isto \u00e9 o esp\u00edrito. Assim, estes pressupostos fizeram Edmund Husserl n\u00e3o concordar com essa forma de estabelecer um conhecimento psicof\u00edsico, at\u00e9 porque, para o desenvolvimento deste, faz-se necess\u00e1rio o apelo \u00e0 ess\u00eancia. Por fenomenologia entende-se o estudo dos fen\u00f4menos ou das coisas que se manifestam \u00e0 consci\u00eancia. Todas as coisas que se manifestam a n\u00f3s s\u00e3o fen\u00f4menos e o grande esfor\u00e7o da filosofia \u00e9 buscar o sentido das coisas e dos fen\u00f4menos que se manifestam.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Edmund Husserl defendia que para compreendermos o sentido dos fen\u00f4menos \u00e9 necess\u00e1rio fazermos um caminho a partir de um m\u00e9todo rigoroso: primeiramente partindo da redu\u00e7\u00e3o eid\u00e9tica, tendo como pressuposto que n\u00e3o nos interessa os fatos, mas sim o seu sentido, a sua ess\u00eancia. Em segundo lugar \u00e9 necess\u00e1rio a redu\u00e7\u00e3o transcendental: esta etapa questiona quem e como \u00e9 o sujeito que busca o sentido das coisas e, a partir deste questionamento compreender as estruturas de corpo, psique e esp\u00edrito que tornam o homem aberto aos atos receptivos da consci\u00eancia. Husserl com seu m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico concebe um distanciamento da exist\u00eancia das coisas, buscando encontrar o sentido, a ess\u00eancia do fato. Neste sentido, entre o aspecto subjetivo e a exist\u00eancia podemos adentrar no pensamento de Edith Stein, pois ela parte do pressuposto de que existe outra possibilidade de compreens\u00e3o no que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de ess\u00eancia e exist\u00eancia. Edith Stein participou ativamente do Movimento Fenomenol\u00f3gico no C\u00edrculo de G\u00f6ttingen, fundado em 1907:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Edith Stein vai tomar conhecimento da fenomenologia em 1913, a partir da obra \u201cInvestiga\u00e7\u00f5es L\u00f3gicas\u201d de Husserl. Ela, por sua vez, no mesmo ano, logo far\u00e1 parte dos cursos ministrados por Husserl, bem como do C\u00edrculo acima mencionado. Contudo, como caracter\u00edstica pr\u00f3pria da fenomenologia, por n\u00e3o se tratar de um sistema, h\u00e1 a possibilidade de, mediante o m\u00e9todo, haver uma liberdade quanto \u00e0 sua interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre estas possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o que, dentro do C\u00edrculo, come\u00e7ou a haver uma disparidade quanto \u00e0 epoch\u00e9, que desembocou no que ficou conhecido como fenomenologia transcendental e fenomenologia realista. (FARIAS, 2013. p. 24).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Partindo deste pressuposto, Stein iniciar\u00e1 suas contribui\u00e7\u00f5es para a fenomenologia: segundo nossa fil\u00f3sofa, n\u00e3o h\u00e1 como separar o processo de epoch\u00e9 daquele que o realiza, pois n\u00e3o existe conhecimento que fa\u00e7a uma cis\u00e3o com quem o faz. Edith considera o mundo e as pessoas como fen\u00f4menos que n\u00e3o podem ser colocados em d\u00favida, bem como n\u00e3o se pode duvidar da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Aqui compreendemos que apesar de Stein aplicar o m\u00e9todo de acordo com Husserl no que diz respeito \u00e0 intersubjetividade, ou seja, a experi\u00eancia com os outros, denominada empatia, a fil\u00f3sofa alem\u00e3 investiga sobre o tema tendo em vista verificar a lacuna deixada por seu mestre Husserl, neste aspecto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A base para compreendermos o pensamento de Edith Stein no que diz respeito \u00e0 fenomenologia \u00e9 adentrarmos nos seus estudos de intersubjetividade. A produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica steiniana \u00e9 inaugurada com a sua tese de doutorado \u201cSobre o problema da Empatia\u201d, na qual a fil\u00f3sofa ir\u00e1 se deter em investigar aquilo que Husserl n\u00e3o havia esclarecido nas aulas e confer\u00eancias que ministrava, sobre a possibilidade de uma experi\u00eancia com o outro de maneira subjetiva. Assim, desenvolvendo o que Husserl n\u00e3o havia estudado a fundo, Edith Stein inicia sua produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica estudando as rela\u00e7\u00f5es humanas intersubjetivas:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em seu curso sobre a natureza e o esp\u00edrito, Husserl tinha falado sobre um mundo objetivo exterior s\u00f3 pode ser vivenciado intersubjetivamente, ou seja, por uma pluralidade de indiv\u00edduos cientes de que eles estavam situados num intercambio cognoscitivo. Assim, presume-se a experi\u00eancia dos outros. Esta experi\u00eancia particular, Husserl[&#8230;] chama Einf\u00fchlung (empatia). No entanto, Husserl n\u00e3o tinha especificado o que era. Esta era uma lacuna que deveria ser preenchida. Eu queria investigar o que era a Einf\u00fchlung. (STEIN, 2002. p.30)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Partindo da lacuna deixada por Husserl, Edith Stein desenvolve seus estudos fenomenol\u00f3gicos em torno de uma rela\u00e7\u00e3o \u00e9tica com o outro. Stein desenvolve a possibilidade da experi\u00eancia com o outro atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica: trata-se da apreens\u00e3o do outro alheio e semelhante a si, ato no qual, se d\u00e1 livremente e nele o ser humano deixa de ser um mero objeto para ser reconhecido em sua dignidade. A abertura do ser humano, enquanto pessoa, para a rela\u00e7\u00e3o com os outros \u00e9 constitutivo do pr\u00f3prio homem. Ele \u00e9 um ser estruturalmente espiritual e com capacidade de transcender em dire\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Logo, a empatia na concep\u00e7\u00e3o steiniana, n\u00e3o \u00e9 vista somente no n\u00edvel psicol\u00f3gico, mas como intr\u00ednseca ao pr\u00f3prio homem. O pr\u00f3prio conhecimento de si passa primeiramente pelo n\u00edvel relacional. Assim, filosofia de Edith Stein, no contexto da fenomenologia, gira em torno do estudo de uma vis\u00e3o integrada do homem e das estruturas que o comp\u00f5e e, principalmente Stein desenvolve um trabalho intenso de estudo \u00e9tico das rela\u00e7\u00f5es humanas e da vida em comunidade. Partindo destes pressupostos iniciais, no pr\u00f3ximo t\u00f3pico iremos analisar a rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e a comunidade no pensamento steiniano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2 O INDIVIDUO E A COMUNIDADE: VIV\u00caNCIA COMUNIT\u00c1RIA SEGUNDO EDITH STEIN<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para compreendermos a estrutura da viv\u00eancia comunit\u00e1ria \u00e9 necess\u00e1rio levar em considera\u00e7\u00e3o que Edith Stein n\u00e3o compreende uma estrutura totalmente separada do indiv\u00edduo. Stein defende que apreendendo a estrutura que forma o indiv\u00edduo podemos chegar a conhecer melhor a estrutura que engendra a a\u00e7\u00e3o coletiva. O ato de estar diante do outro limita o pr\u00f3prio desenvolvimento do ser humano para ambos na rela\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, temos uma rela\u00e7\u00e3o de comunidade, pois mesmo se tratando de seres livres h\u00e1 uma interdepend\u00eancia. O homem s\u00f3 pode ser pleno quando age em rela\u00e7\u00e3o ao outro como sujeito dotado da mesma estrutura que a si mesmo, ou seja, a forma\u00e7\u00e3o como pessoa est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 forma como o homem age com o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, analisando a estrutura constitutiva do ser humano, Stein afirma que no \u00e2mbito corp\u00f3reo a dimens\u00e3o pessoal \u00e9 proporcional \u00e0 caracter\u00edstica f\u00edsica da comunidade, identificada pelas caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas dos membros da comunidade. A dimens\u00e3o ps\u00edquica pode ser captada por meio das viv\u00eancias comunit\u00e1rias. A dimens\u00e3o espiritual \u00e9 manifestada pelo fato da comunidade proporcionar um olhar abrangente para um mundo objetivo e captar seu sentido. Na compreens\u00e3o de Stein, a comunidade possui um centro vital por meio do qual ela pode agir:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na medida em que as express\u00f5es vitais e a\u00e7\u00f5es do sujeito fluem do pr\u00f3prio indiv\u00edduo, diz-se que a comunidade possui uma alma. [&#8230;] Portanto, a comunidade tem a possibilidade de agir a partir de seu centro vital, buscando crit\u00e9rios internos aos seus valores para se colocar diante da realidade que a cerca, ou por aceitar crit\u00e9rios externos pertencentes a outras comunidades, ou grupos que sejam mais amplos e possam favorecer algum tipo de influ\u00eancia em suas a\u00e7\u00f5es. (COELHO, 2012. p. 48).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desta maneira, apesar da viv\u00eancia comunit\u00e1ria n\u00e3o ser em si constitu\u00edda originalmente, h\u00e1 um ponto de unidade de viv\u00eancias individuais por meio dos quais podemos falar de uma corrente de viv\u00eancias comunit\u00e1rias, resguardando ainda a individualidade de cada membro, n\u00e3o caindo numa massifica\u00e7\u00e3o. A vida consciente da comunidade s\u00f3 pode advir de um eu individual e n\u00e3o em massa, \u00e9 apenas na medida em que os membros da comunidade tomam consci\u00eancia das suas viv\u00eancias comunit\u00e1rias, que a comunidade pode se tornar consciente da sua vida. A comunidade n\u00e3o pode agir por si, mas sim de forma pessoal atrav\u00e9s dos seus membros. Assim, a viv\u00eancia comunit\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 meramente uma aglutina\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos, mas \u00e9 uma unidade de sentido vivencial entre seus membros. Stein afirma que a comunidade possui uma estrutura ontol\u00f3gica na qual a comunidade \u00e9 an\u00e1loga a uma personalidade individual, em suas energias vitais e suas fontes:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nossa pesquisa anterior nos proporcionou algumas indica\u00e7\u00f5es de onde podemos fazer refer\u00eancia. Sabemos j\u00e1 que uma comunidade re\u00fane em si uma pluralidade de sujeitos e que \u00e9 portadora de uma vida que se realiza atrav\u00e9s dos sujeitos. Sabemos, tamb\u00e9m, que a comunidade disp\u00f5e de uma for\u00e7a vital da qual se alimenta seu vivenciar, que os indiv\u00edduos contribuem para essa fonte de for\u00e7a e eles s\u00e3o alimentados, mas n\u00e3o s\u00e3o obrigados a viverem como membros da comunidade, com toda a for\u00e7a a sua disposi\u00e7\u00e3o. No vivenciar da comunidade se abre um mundo dotado de sentido. S\u00e3o os indiv\u00edduos que com sua atividade espiritual constituem o mundo da comunidade, e embora n\u00e3o \u00e9 tudo que pertence ao seu mundo individual que entra no mundo da comunidade. (STEIN, 2002. p. 407).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao estabelecer a rela\u00e7\u00e3o de analogia entre o indiv\u00edduo e a comunidade, nossa fil\u00f3sofa nos leva a concluir que a rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos se passa principalmente atrav\u00e9s de atos sociais, com o qual um se dirige e retorna ao outro, na busca de sentido que se expressa pela fala e pelo deixar-se afetar pelo outro. As viv\u00eancias individuais contribuem para a constitui\u00e7\u00e3o das viv\u00eancias comunit\u00e1rias: cada indiv\u00edduo configura a pr\u00f3pria vida comunit\u00e1ria, cada membro experimenta viv\u00eancias comuns a todos os que comp\u00f5em a comunidade e tamb\u00e9m tomam consci\u00eancia da viv\u00eancia e do sentimento de perten\u00e7a a essa mesma comunidade. Neste sentido, h\u00e1 um despertar em cada membro da comunidade de uma responsabilidade para com a comunidade. Cada membro assume sua corresponsabilidade para com o bem estar coletivo da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Porquanto, Edith Stein ao analisar as viv\u00eancias comunit\u00e1rias, tem diante dos olhos uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica de totalidade do ser humano, enquanto ser que \u00e9 estruturalmente relacional. Assim uma vez que o homem, como indiv\u00edduo, reconhece o outro como sujeito, \u00e9 nesta rela\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica que h\u00e1 a garantia de sua plenifica\u00e7\u00e3o enquanto pessoa humana. \u00c9 resguardada, assim, a dignidade do ser humano que s\u00f3 se conhece totalmente dentro de um contexto comunit\u00e1rio, n\u00e3o permitindo que ele se torne somente mais um dentro de uma massa, mas resguardando a sua individualidade, ele pode se autoconhecer e assumir uma postura de responsabilidade diante do outro:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cA todo sujeito que apreendo emp\u00e1ticamente numa capta\u00e7\u00e3o de valor o considero como pessoa cujas viv\u00eancias se associam em uma totalidade intelig\u00edvel de sentido. Tudo quanto de sua estrutura vivencial, me traz a intui\u00e7\u00e3o plen\u00e1ria, depende da minha pr\u00f3pria. No principio \u00e9 pr\u00f3prio de tal plenitude que toda viv\u00eancia alheia possa derivar de minha pr\u00f3pia estrutura pessoal, [\u2026]. Ao empatizar posso vivenciar valores e descobrir estratos correlativos de minha pessoa cujo desvelamento minha viv\u00eancia origin\u00e1ria n\u00e3o ofereceu todavia ocasi\u00e3o.\u201d (STEIN, 2002. p. 198)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A forma\u00e7\u00e3o da pessoa humana acontece, pois, em um contexto de relacionamentos a partir de um princ\u00edpio interno onde o homem acolhe em si os valores e os compartilha com os demais membros de sua comunidade. No pr\u00f3ximo t\u00f3pico desenvolveremos um pouco mais sobre a intersubjetividade steiniana e em que sentido ela avan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a seu mestre Husserl.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>3 A INTERSUBJETIVIDADE STEINIANA PARA AL\u00c9M DE HUSSERL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nas p\u00e1ginas anteriores desenvolvemos um pouco sobre a concep\u00e7\u00e3o steiniana de intersubjetividade e viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Como j\u00e1 hav\u00edamos dito anteriormente, Stein desenvolve seu trabalho inicial de pesquisa sobre o problema das rela\u00e7\u00f5es intersubjetivas, a partir da lacuna deixada por Husserl. Edmund Husserl, em seu projeto fenomenol\u00f3gico, estabeleceu que o sujeito pode ter acesso ao outro por meio do fen\u00f4meno da Empatia. Sua disc\u00edpula Edith Stein tomou para si a miss\u00e3o de aprofundar este tema em sua tese de doutorado \u201cZum Problem der Einf\u00fchlung\u201d (Sobre o problema da empatia). Nesta obra Stein desenvolve que a possibilidade da experi\u00eancia com o outro atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica, \u00e9 a apreens\u00e3o do outro alheio e semelhante a si, este ato se d\u00e1 livremente e nele o ser humano deixa de ser um mero objeto para ser reconhecido em sua dignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao se propor em solucionar a quest\u00e3o da empatia, Edith Stein, procura aprofundar em algo que \u00e9 constitutivo da pessoa enquanto ser transcendente emp\u00e1tico. Em outras palavras, Stein fala da constitui\u00e7\u00e3o da pessoa como ser espiritual. Neste sentido cada pessoa \u00e9 convidada a sair de si, a transcender-se em dire\u00e7\u00e3o do outro. Empatia seria basicamente uma rela\u00e7\u00e3o de autoconhecimento e de apreens\u00e3o do outro semelhante a mim. Nas palavras de Edith Stein:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cA apreens\u00e3o de viv\u00eancias alheias \u2013 sejam sensa\u00e7\u00f5es, sentimentos ou o que seja \u2013 \u00e9 uma modifica\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia unit\u00e1ria, t\u00edpica (ainda que diferenciada de varias maneiras) e requer um nome unit\u00e1rio; para ela temos elegido o termo \u2018empatia\u2019, j\u00e1 usual para uma parte dos fen\u00f4menos pertencentes a ela; se se o quer manter para o terreno mais restrito se deveria cunhar uma nova express\u00e3o para ele mais amplo.\u201d (STEIN, 2002.p. 142).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A base \u00e9tica do pensamento steiniano \u00e9 ver o outro enquanto pessoa e n\u00e3o simplesmente um objeto de apreens\u00e3o da consci\u00eancia. A empatia leva a pessoa a sair de si mesma para afetar e se deixar afetar pelo outro. Neste sentido, o homem sai de uma rela\u00e7\u00e3o fundada em interesses pessoais, para se relacionar de maneira \u00e9tica com o outro. Assim, j\u00e1 se nota o grande avan\u00e7o de Edith Stein em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Husserl: ela se vale do m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico para defender um tipo de rela\u00e7\u00e3o humana que resguarde a dignidade da pessoa, onde o outro n\u00e3o \u00e9 mais um objeto de apreens\u00e3o da consci\u00eancia, mas \u00e9 pessoa alheia e semelhante a mim, pessoa constitutivamente espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O pensamento de Stein vai para al\u00e9m de Husserl devido ao seu grande interesse antropol\u00f3gico: nossa pensadora tem uma vis\u00e3o de totalidade do ser humano e isto serve de base para todas as suas investiga\u00e7\u00f5es. \u201cDesta forma, quanto ao m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico, nossa fil\u00f3sofa discorda da idealidade do conte\u00fado cognitivo, proposto por Husserl, bem como do distanciamento das perguntas metaf\u00edsicas acerca da origem do eu cognitivo [&#8230;].\u201d (FARIAS, 2013.p. 26). Logo, Stein v\u00ea o fen\u00f4meno da vida ps\u00edquica alheia como ineg\u00e1vel e se prop\u00f5e a investig\u00e1-la. O outro \u201calheio\u201d nada mais \u00e9 que um \u201coutro eu\u201d, que tem a mesma estrutura que a minha, com as mais diversas viv\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tratando da empatia como constitutiva da pessoa humana, faz dela uma experi\u00eancia estruturalmente universal: a pessoa humana \u00e9 corpo e dentro de suas caracter\u00edsticas fundamentais encontra-se a apreens\u00e3o que \u00e9 uma capacidade n\u00e3o psicof\u00edsica, mas espiritual. Logo, a empatia \u00e9 uma apreens\u00e3o do outro enquanto sujeito espiritual que se transcende. Assim, quando tratamos sobre a intersubjetividade e a empatia n\u00e3o a reduzimos a rela\u00e7\u00e3o somente \u00e0 subjetividade, apesar da empatia partir da subjetividade, ela n\u00e3o se limita a ela, pois, a empatia, enquanto estrutura constitutiva pr\u00f3pria do homem comporta em si algo de universal:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Aos atos sentimentais onde se descobrem estratos pessoais pertencem tamb\u00e9m os sentimentos de amor e \u00f3dio, gratid\u00e3o, vingan\u00e7a, ressentimento, etc., sentimentos que tem por objetos a outras pessoas [&#8230;]. Ent\u00e3o, \u00e9 constitutivo da pessoa pr\u00f3pria a apreen\u00e7\u00e3o de pessoas alheias. (STEIN, 2002. p. 185)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em suma, a intersubjetividade steiniana leva at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias o m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico de Edmund Husserl, valendo-se deste para auxiliar numa compreens\u00e3o mais integrada da pessoa humana e dando um sentido \u00e9tico \u00e0s rela\u00e7\u00f5es interpessoais. O homem na an\u00e1lise steiniana \u00e9, conforme sua estrutura constitutiva, necessariamente aberto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o. Percebe-se claramente que Edith avan\u00e7a em seu pensamento para al\u00e9m de Husserl, nunca negando o pensamento de seu ilustre mestre, mas ampliando as reflex\u00f5es por ele inacabadas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>4 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste trabalho procuramos introduzir o pensamento da fil\u00f3sofa alem\u00e3 Edith Stein, apresentando os elementos b\u00e1sicos de sua filosofia e o terreno de onde parte sua reflex\u00e3o. Stein inicia sua produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica a partir de uma inquieta\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao conceito de empatia, que n\u00e3o fora esclarecido nas aulas ministradas por seu mestre Edmund Husserl. Neste sentido, o homem \u00e9 apresentado como um ser estruturalmente relacional e aberto a empatia para com o outro. Partindo do m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico, Edith Stein apresenta uma vis\u00e3o integrada e totalizante do ser humano, buscando compreender cada estrutura que o comp\u00f5e: corpo, alma, psiquismo e esp\u00edrito. A pr\u00f3pria estrutura do ser humano j\u00e1 aponta para a sua necessidade de se relacionar, e isto \u00e9 a base da reflex\u00e3o de Stein.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enquanto ser estruturalmente espiritual, o homem se abre para a viv\u00eancia comunit\u00e1ria, e cada estrutura que comp\u00f5e o homem faz dele um ser comunit\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 como pensar um indiv\u00edduo fora da comunidade, pois o ser comunit\u00e1rio \u00e9 intr\u00ednseco ao homem: cada indiv\u00edduo se conhece necessariamente dentro da comunidade, o processo de autoconhecimento, ou de consci\u00eancia de si, passa pelo n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o de um sujeito com o outro semelhante a si, um outro eu. Na rela\u00e7\u00e3o indiv\u00edduo e comunidade se estabelece o ambiente onde a viv\u00eancia emp\u00e1tica pode estabelecer a base para uma viv\u00eancia \u00e9tica. A forma\u00e7\u00e3o da pessoa humana acontece somente dentro de um ambiente relacional comunit\u00e1rio e n\u00e3o h\u00e1 como negar ao homem a rela\u00e7\u00e3o, pois de certa forma ela \u00e9 universalizada por ser comum a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na perspectiva das rela\u00e7\u00f5es intersubjetivas, Stein se vale exaustivamente do conceito de empatia, que n\u00e3o se trata de uma rela\u00e7\u00e3o afetiva com o outro no n\u00edvel da simpatia, mas \u00e9 um apreender a viv\u00eancia do outro. \u00c9 a empatia que proporciona ao homem ser um ser de rela\u00e7\u00f5es, pois na vis\u00e3o de nossa fil\u00f3sofa, ela \u00e9 parte constitutiva da pessoa espiritual. Logo, todas as pessoas s\u00e3o seres relacionais atrav\u00e9s da experi\u00eancia emp\u00e1tica e transcendem em dire\u00e7\u00e3o ao outro. Assim, compreendemos que Edith Stein d\u00e1 prosseguimento ao m\u00e9todo fenomenol\u00f3gico e avan\u00e7a para al\u00e9m do pensamento de Husserl, buscando compreender as estruturas constitutivas do homem e dando um sentido \u00e9tico \u00e0s rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em suma, procuramos apresentar a base do pensamento de uma fil\u00f3sofa judia do s\u00e9c. XX, que viveu e sofreu os horrores da Guerra e soube apresentar fenomenologicamente os princ\u00edpios que levam o homem a agir de forma \u00e9tica na sua rela\u00e7\u00e3o com os outros. Pensando na import\u00e2ncia da comunidade para o povo judeu, percebemos implicitamente que Stein defende a necessidade o homem agir em comunidade e assume uma postura de responsabilidade para com o outro e para com a comunidade no qual se est\u00e1 inserido. Conclu\u00edmos que Edith Stein levou at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias aquilo que acreditava, quando ela pr\u00f3pria sofre pelo seu povo os males da Guerra. Num contexto de profunda massifica\u00e7\u00e3o humana, quando a pessoa era tratada como simples objeto de domina\u00e7\u00e3o, pensar numa rela\u00e7\u00e3o que resguarda a dignidade do outro semelhante a si, \u00e9 de suma import\u00e2ncia e toma um sentido mais profundo. De fato, quando as pessoas deixam de reconhecer o outro como um ser semelhante a si, quando se isolam da conviv\u00eancia se deixando levar pelo individualismo, elas negam aquilo que lhes \u00e9 constitutivo e, consequentemente, negam a si pr\u00f3prias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nota:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">*Graduando em Filosofia na FAM<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">COELHO, K\u00e1tia Gard\u00eania da Silva. <strong>A liberdade na rela\u00e7\u00e3o indiv\u00edduo e comunidade segundo Edith Stein<\/strong>. 2012. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Filosofia) \u2013 Universidade Estadual do Cear\u00e1, 2012. Dispon\u00edvel em:&lt;http:\/\/www.uece.br\/cmaf\/dmdocuments\/ dissertacoes2012_liberdade_relacao_individuo_comunidade_segundo_edith_stein&gt;. Acesso em: 13 nov. 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">FARIAS, Mois\u00e9s Rocha. <strong>A empatia como condi\u00e7\u00e3o de possibilidade para o agir \u00e9tico.<\/strong> 2013. 97 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Filosofia) &#8211; Universidade Estadual do Cear\u00e1, 2013. Dispon\u00edvel em:<br \/> &lt;http:\/\/www.uece.br\/cmaf\/dmdocuments\/dissertacoes2013_ empatia_como_condicao_possibilidade_para_agir_etico&gt;. Acesso em: 8 set. 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">STEIN, Edith. <strong>Sobre el problema de la Empat\u00eda<\/strong>. In:______. Obras completas: vol. II. Escritos filos\u00f3ficos. Etapa fenomenol\u00f3gica. Tradu\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Luis Caballero Bono. Madrid: Editorial de Espiritualidad, 2002. p. 55-206.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">______. Individuo y comunidad. In:______. Obras completas: vol. II. Escritos filos\u00f3ficos. Etapa fenomenol\u00f3gica. Madrid: Editorial de Espiritualidad, 2002. p. 432-499.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No presente artigo apresentamos a concep\u00e7\u00e3o de Edith Stein das viv\u00eancias comunit\u00e1rias, buscando dar um sentido \u00e9tico para as rela\u00e7\u00f5es humanas. Apresentamos a abertura para a rela\u00e7\u00e3o com o outro e com a comunidade como algo constitutivo do pr\u00f3prio homem, enquanto pessoa espiritual que possui uma abertura ontol\u00f3gica para se relacionar com o outro semelhante a si. Para tal fim, apresentamos os pressupostos b\u00e1sicos do pensamento de Stein, em seguida estudaremos as estruturas da vida comunit\u00e1ria e, por fim, tentaremos responder \u00e0 pergunta sobro como Stein est\u00e1 para al\u00e9m de Husserl.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[27,2],"tags":[219,266,306,480],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"has-excerpt","5":"post-2595","7":"format-standard","8":"category-edith-stein","9":"category-filosofos","10":"post_tag-comunidade-relacao-pessoa-espiritual-intersubjetividade-fenomenologia","11":"post_tag-edith-stein-2","12":"post_tag-filosofia","13":"post_tag-subjetividade"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2595"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2595\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}