{"id":2610,"date":"2014-08-06T21:27:22","date_gmt":"2014-08-07T00:27:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=2610"},"modified":"2014-08-06T21:27:22","modified_gmt":"2014-08-07T00:27:22","slug":"a-res-cogitans-no-pensamento-de-rene-descartes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2610","title":{"rendered":"A &#8220;RES COGITANS&#8221; NO PENSAMENTO DE REN\u00c9 DESCARTES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:right;\">Por\u00a0Bruno dos Santos Silva<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Resumo: <\/b>a filosofia racionalista tem em Descartes seu maior representante. Ele foi o primeiro a chamar a aten\u00e7\u00e3o para a subjetividade, isto \u00e9, para o sujeito pensante. Tendo a d\u00favida como m\u00e9todo chegou \u00e0 descoberta do cogito. A filosofia de Descartes identifica o pensamento como uma subst\u00e2ncia e \u00e9 isso que queremos investigar neste texto: como Descartes entende a <i>res cogitans <\/i>e quais as consequ\u00eancias desta compreens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ren\u00e9 Descartes, fil\u00f3sofo franc\u00eas do s\u00e9culo XVII, teve forma\u00e7\u00e3o jesu\u00edtica. Certamente aprofundou-se nos conhecimentos da escol\u00e1stica e conheceu a metaf\u00edsica medieval. Dada altura de sua vida encontrou-se insatisfeito com a educa\u00e7\u00e3o que tinha recebido e resolveu pensar de modo diferente, partindo de perguntas muito pessoais, meditando em seu interior e voltando-se para si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esta sua insatisfa\u00e7\u00e3o levou-o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o dos conhecimentos matem\u00e1ticos na filosofia. Utilizando o m\u00e9todo geom\u00e9trico, Descartes exp\u00f4s o processo pelo qual pretendia fazer um novo sistema. O resultado de seu trabalho foi a descoberta do eu pensante, ou <i>subst\u00e2ncia pensante. <\/i>Esta ideia permaneceu desde ent\u00e3o e tem sido muito debatida e estudada. O presente artigo visa uma breve investiga\u00e7\u00e3o do cogito \u2013 como ele chegou a afirm\u00e1-lo, o que ele significa \u2013 e o que \u00e9 a subst\u00e2ncia pensante. Para isso, vamos voltar nossa aten\u00e7\u00e3o para fragmentos do pr\u00f3prio Descartes e utilizar alguns comentadores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>1. Da d\u00favida ao cogito<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O <i>cogito<\/i> \u00e9 ponto central da filosofia cartesiana. Aqui, apresentaremos o caminho que Descartes percorreu at\u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o do eu pensante e qual o sentido do pensamento entendido como uma subst\u00e2ncia. Descartes com \u201cuma grande esperan\u00e7a na medicina, mostrou-se incapaz de explicar a totalidade do homem\u201d (MARQUES, 1993, p. 63) apenas pelos estudos cient\u00edficos. Ele procurou um argumento filos\u00f3fico de onde pudesse partir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A descoberta do \u201c<i>cogito, ergo sum\u201d, <\/i>ou \u201c<i>je pense donc je suis\u201d<\/i> \u00e9 o que fundamenta todo o sistema racionalista cartesiano e inaugura o subjetivismo moderno. Esta descoberta afirma Pascal (1990, p. 41), \u201cn\u00e3o \u00e9, pois, s\u00f3 a descoberta de uma exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m a de uma natureza\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Descartes o melhor caminho para se chegar ao conhecimento da verdade \u00e9 a d\u00favida que \u00e9 tamb\u00e9m o ponto de partida para se chegar ao <i>cogito<\/i>. \u201cPortanto, minha exist\u00eancia \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para minha capacidade de duvidar e, consequentemente, a exist\u00eancia da d\u00favida implica a exist\u00eancia do sujeito ou \u201ceu\u201d que duvida\u201d. (SKIRRY (1) apud LIMA, 2013, p. 24). Podemos dizer, ent\u00e3o, que Descartes duvida porque quer encontrar uma verdade evidente, um conhecimento completo e absoluto por si mesmo e n\u00e3o mais se contentar com concep\u00e7\u00f5es transmitidas pela tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desse modo ele inicia o processo para a descoberta de uma verdade inicial da qual possa derivar toda sua reflex\u00e3o filos\u00f3fica. O primeiro passo \u00e9 duvidar dos sentidos, que s\u00e3o fonte de engano:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><i>\u201cTudo o que recebi, at\u00e9 presentemente, como o mais verdadeiro e seguro, aprendi-o dos sentidos ou pelos sentidos: ora, experimentei algumas vezes que esses sentidos eram enganosos, e \u00e9 de prud\u00eancia nunca se fiar inteiramente em quem j\u00e1 nos enganou uma vez\u201d (DESCARTES, 1979, p. 85-87).<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O segundo momento da d\u00favida \u00e9 a incerteza a respeito dos estados de sono e de vig\u00edlia, pois tudo que experimentamos acordados podemos experimentar tamb\u00e9m quando dormimos, no sonho. Destarte, nunca saberemos quando estaremos dormindo ou acordados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cTodavia, devo aqui considerar que sou homem e, por conseguinte, que tenho o costume de dormir e de representar, em meus sonhos, as mesmas coisas, ou algumas vezes menos veross\u00edmeis, que esses insensatos em vig\u00edlia. [&#8230;] Mas, pensando cuidadosamente nisso, lembro-me de ter sido muitas vezes enganado, quando dormia, por semelhantes ilus\u00f5es. E, detendo-me neste pensamento, vejo t\u00e3o manifestamente que n\u00e3o h\u00e1 quaisquer ind\u00edcios concludentes, nem marcas assaz certas por onde se possa distinguir nitidamente a vig\u00edlia do sono, que me sinto inteiramente pasmado: e meu pasmo \u00e9 tal que \u00e9 quase capaz de me persuadir de que estou dormindo\u201d. (DESCARTES, 1979, p. 86).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como terceiro passo do processo, Descartes pensa a possibilidade de um Deus ser enganador, ou seja, que o Deus, que \u00e9 todo-poderoso, possa ter lhe enganado a respeito de tudo que trazia como certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Todavia, h\u00e1 muito que tenho no meu esp\u00edrito certa opini\u00e3o de que h\u00e1 um Deus que tudo pode e por quem fui criado e produzido tal como sou. Ora, quem me poder\u00e1 assegurar que esse Deus n\u00e3o tenha feito com que n\u00e3o haja nenhuma terra, nenhum c\u00e9u, nenhum corpo extenso, nenhuma figura, nenhuma grandeza, nehnum lugar e que, n\u00e3o obstante, eu tenha os sentimentos de todas essas coisas e que tudo isso n\u00e3o me pare\u00e7a existir de maneira diferente daquela que vejo? E, mesmo, como julgo que algumas vezes os outros se enganam at\u00e9 nas coisas que eles acreditam saber com maior certeza, pode ocorrer que Deus tenha que eu me engane todas as vezes em que fa\u00e7o a adi\u00e7\u00e3o de dois mais tr\u00eas, ou em que enumero os lados de um quadrado, ou em que julgo alguma coisa ainda mais f\u00e1cil, se \u00e9 que se pode imaginar algo mais f\u00e1cil do que isso. Mas pode ser que Deus n\u00e3o tenha querido que eu seja decepcionado desta maneira, pois ele \u00e9 considerado soberanemente bom. Todavia, se repugnasse \u00e0 sua bondade fazer-me de tal modo que eu me enganasse sempre, pareceria tamb\u00e9m ser-lhe contr\u00e1rio permitir que eu me engane algumas vezes e, no entanto, n\u00e3o posso duvidar de que ele mo permita (DESCARTES, 1979, p. 87).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, para resguardar a bondade de Deus (e porque ele vai precisar de Deus no seu sistema como garantia das ideias inatas e como aquele que vai dar certeza do mundo sens\u00edvel), Descartes apresenta o quarto argumento: ele cria um g\u00eanio maligno poderoso que possa ter lhe enganado, j\u00e1 que Deus, sendo bom, n\u00e3o podia fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Suportei, pois, que h\u00e1 n\u00e3o um verdadeiro Deus, que \u00e9 a soberana fonte da verdade, mas certo g\u00eanio maligno, n\u00e3o menos ardiloso e enganador do que poderoso, que empregou toda a sua ind\u00fastria em enganar-me. Pensarei que o c\u00e9u, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons e todas as coisas exteriores que vemos s\u00e3o apenas ilus\u00f5es e enganos de que ele se serve para surpreender minha credulidade. Considerar-me-ei a mim mesmo absolutamente desprovido de m\u00e3os, de olhos, de carne, de sangue, desprovido de quaisquer sentidos, mas dotado da falsa cren\u00e7a de ter todas essas coisas. Permanecerei obstinadamente apegado a esse pensamento; e se, por esse meio, n\u00e3o est\u00e1 em meu poder chegar ao conhecimento de qualquer verdade, ao menos est\u00e1 ao meu alcance suspender meu ju\u00edzo. Eis por que cuidarei zelosamente de n\u00e3o receber em minha cren\u00e7a nenhuma falsidade, e prepararei t\u00e3o bem meu esp\u00edrito a todos os ardis desse grande enganador que, por poderoso e ardiloso que seja, nunca poder\u00e1 impor-me algo. (DESCARTES, 1979, p. 88-89).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ap\u00f3s passar pelas v\u00e1rias fases da d\u00favida que s\u00e3o os sentidos, sono ou vig\u00edlia, Deus enganador e o g\u00eanio maligno, Descartes inaugura a base de todo seu pensamento filos\u00f3fico e antropol\u00f3gico, o <i>cogito.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Depois disso, considerei em geral o que \u00e9 necess\u00e1rio a uma proposi\u00e7\u00e3o para ser verdadeira e certa; pois, como acabava de encontrar uma que eu sabia ser exatamente assim, pensei que devia saber tamb\u00e9m em que consiste essa certeza. E, tendo notado que nada h\u00e1 no que <i>eu penso, logo existo<\/i>, que me assegure de que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, \u00e9 preciso existir, julguei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos mui clara e mui distintamente s\u00e3o todas verdadeiras, havendo apenas alguma dificuldade em notar bem quais s\u00e3o as que concebemos distintamente. (DESCARTES, 1979, p. 47).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>2 O cogito e seus desdobramentos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Este \u201cpenso, logo existo\u201d n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma constata\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito mais. Trata-se do sujeito que toma conhecimento de si mesmo e que, por isso, garante a pr\u00f3pria exist\u00eancia. Segundo Lima Vaz (2011, p. 89) na afirma\u00e7\u00e3o do <i>cogito <\/i>\u201cest\u00e1 implicada uma nova rela\u00e7\u00e3o do \u2018esp\u00edrito\u2019 com o mundo que define uma nova concep\u00e7\u00e3o de homem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">[Al\u00e9m do mais,] Descartes n\u00e3o quer dizer que ele existe necessariamente nem que a frase \u201ceu existo\u201d seja verdadeira, mas sim que essa frase, sob certas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 necessariamente verdadeira. Quando perguntado, Descartes expressa mais claramente sua opini\u00e3o sobre a esp\u00e9cie de coisa deste eu. No <i>Discurso<\/i>, ele diz que o eu \u00e9 uma subst\u00e2ncia cuja inteira ess\u00eancia e natureza s\u00f3 consiste em pensar. (MARQUES, 1993, p. 89).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 preciso compreender que o <i>cogito, <\/i>na verdade, constitui a subst\u00e2ncia pensante. Por subst\u00e2ncia, Descartes entende aquilo que existe por si. \u00c9 uma compreens\u00e3o pr\u00f3xima da escol\u00e1stica, mas que traz algumas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Precisamos, aqui, estabelecer os elementos fundamentais da no\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncia em Descartes para melhor entender sua diferencia\u00e7\u00e3o entre subst\u00e2ncia completa e incompleta. Para Descartes, como para a escol\u00e1stica, a subst\u00e2ncia \u00e9 um \u201cens per se existens\u201d. Isso significa exist\u00eancia fundada em si mesma e n\u00e3o \u201cin aliis\u201d, como acontece nas propriedades. [&#8230;] A dificuldade para Descartes aceitar o corpo e a alma como subst\u00e2ncia incompletas reside no fato de se ter de falar de duas subst\u00e2ncias incompletas que se encontram em um sujeito concreto que, por sua vez, j\u00e1 \u00e9 uma subst\u00e2ncia. (MARQUES, 1993, p. 92-93).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ent\u00e3o, quando se refere ao homem, a evid\u00eancia do <i>cogito <\/i>o faz ser uma <i>res cogitans, <\/i>ou seja, uma subst\u00e2ncia pensante. E por isso, podemos afirmar que o homem \u00e9 subst\u00e2ncia pensante, ou o homem \u00e9 pensamento. Esta foi a base para a afirma\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de sujeito que todos os fil\u00f3sofos modernos v\u00e3o tratar. Mas na antropologia de Descartes, como diz Marques (1993, p. 82), a no\u00e7\u00e3o de <i>res cogitans <\/i>deve nos remeter \u00e0 no\u00e7\u00e3o de alma. Alma, para Descartes, \u00e9 a mesma coisa que subst\u00e2ncia pensante e o <i>cogito <\/i>\u00e9 a evid\u00eancia da exist\u00eancia dela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">[&#8230;] era uma subst\u00e2ncia cuja ess\u00eancia ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, n\u00e3o necessita de nenhum lugar, nem depende de qualquer coisa material. [&#8230;] esse eu, isto \u00e9, a alma, pela qual sou o que sou, \u00e9 inteiramente distinta do corpo [&#8230;] para pensar \u00e9 preciso existir [&#8230;] julguei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos mui clara e mui distintas s\u00e3o todas verdadeiras. (DESCARTES, 1979, p. 47)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 por isso que Pascal (1990, p. 41) insiste em afirmar que \u201cesta exist\u00eancia indubit\u00e1vel que a pr\u00f3pria d\u00favida nos revela s\u00f3 pode ser a de um esp\u00edrito. Mais precisamente do eu enquanto esp\u00edrito\u201d. Esta subst\u00e2ncia pensante \u00e9 que vai habitar no corpo humano (corpo enquanto m\u00e1quina), que vai lhe dar vida e fazer-lhe diferente dos animais. Neste momento podemos dizer outra caracter\u00edstica da alma que \u00e9 a sua imortalidade. Pascal (1990, p. 44) diz que \u201co que torna a alma imortal \u00e9 o fato de que, de um lado ela \u00e9 subst\u00e2ncia pensante,\u00a0 n\u00e3o tendo, pois, nada de corporal, e, do outro, enquanto subst\u00e2ncia pensante ela pensa sempre\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por esta cita\u00e7\u00e3o, j\u00e1 podemos perceber que a no\u00e7\u00e3o de alma \u00e9 completamente separada da no\u00e7\u00e3o de corpo e que do mesmo modo que existe uma subst\u00e2ncia pensante, existe uma subst\u00e2ncia extensa. Entretanto, \u00e9 mais f\u00e1cil conhecer a alma que o corpo. Neste sentido \u00e9 que podemos lembrar Lima Vaz quando ele diz que o caminho de Descartes \u00e9 diferente de Arist\u00f3teles.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A originalidade do projeto cartesiano de filosofia aparece j\u00e1 na invers\u00e3o por ele levada a cabo na ordem tradicional do saber filos\u00f3fico, que progredia da F\u00edsica \u00e0 Metaf\u00edsica, sendo que na F\u00edsica o homem encontrava seu lugar como ser da natureza [&#8230;], ao mesmo tempo em que, pelo <i>no\u00fas<\/i> ou <i>intellectus<\/i>, passava al\u00e9m das fronteiras da F\u00edsica e penetrava no terreno da Metaf\u00edsica, constituindo-se em <i>horizon et confinium <\/i>entre o corporal e o espiritual, entre o f\u00edsico e o mataf\u00edsico. (LIMA VAZ, 2011, p. 86).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em Descartes, o homem \u00e9 antes de tudo, pensamento e n\u00e3o ser da natureza. A dimens\u00e3o metaf\u00edsica \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia essencial. Portanto, o homem \u00e9 <i>res cogitans. <\/i>Por isso \u00e9 mais f\u00e1cil ter conhecimento do pr\u00f3prio eu pensante que do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Feitas todas estas considera\u00e7\u00f5es, a conclus\u00e3o a que chegamos \u00e9 a de que, em Descartes a filosofia se move a partir do <i>cogito \u2013 <\/i>a auto-evid\u00eancia de si mesmo, autoconsci\u00eancia. Este <i>cogito <\/i>\u00e9 a \u00fanica coisa certa e da qual n\u00e3o se pode duvidar. Ele \u00e9 tamb\u00e9m chamado de <i>res cogitans <\/i>ou subst\u00e2ncia pensante, porque constitui a primeira coisa a ser descoberta. Enquanto uma subst\u00e2ncia, a <i>res cogitans <\/i>\u00e9 a alma e est\u00e1 completamente separada do corpo, existindo sem ele. E sendo uma subst\u00e2ncia n\u00e3o material, \u00e9 imortal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com Descartes, podemos dizer, inaugura-se um novo per\u00edodo do pensamento ocidental. Nele encontramos uma metaf\u00edsica da subjetividade, ou seja, uma metaf\u00edsica que n\u00e3o se fundamenta num ser transcendente, mas no pr\u00f3prio sujeito (<i>ego<\/i> <i>cogito<\/i>). O pensamento cartesiano teve uma enorme influ\u00eancia nos fil\u00f3sofos que vieram depois dele. Spinoza, Pascal, Kant, Hume, Husserl, Ricoeur&#8230; todos eles foram leitores de Descartes e, a favor ou contra, disseram algo a partir das teses que ele desenvolveu.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">* Estudante de Filosofia da FAM<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">1. SKIRRY, Justin. <i>Compreender Descartes.<\/i> Petr\u00f3polis: Vozes, 2010. p. 48.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DESCARTES, Ren\u00e9. <i>Descartes<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o J. Guinsburg e Bento Prado J\u00fanior. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979. Os Pensadores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">LIMA, Harley Carlos de Carvalho. Descoberta do Cogito. In:______: <i>O ser humano como essencialmente res cogitans em Ren\u00e9 Descartes<\/i>. 2013. 56 f. Trabalho de<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia) \u2013 Faculdade Arquidiocesana de Mariana,<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mariana, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MARQUES, Jordino. Fundamentos da concep\u00e7\u00e3o cartesiana de homem. In______: <i>Descartes e a sua concep\u00e7\u00e3o de homem<\/i>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">PASCAL, Georges. <i>Descartes<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o Maria Ermantina Galv\u00e3o Gomes Pereira. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">VAZ, Henrique C. de Lima. A concep\u00e7\u00e3o racionalista do homem. In:______: <i>Antropologia Filos\u00f3fica<\/i>. 11\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2011. p. 85-96.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Bruno dos Santos Silva Resumo: a filosofia racionalista tem em Descartes seu maior representante. Ele foi o primeiro a chamar a aten\u00e7\u00e3o para a subjetividade, isto \u00e9, para o sujeito pensante. Tendo a d\u00favida como m\u00e9todo chegou \u00e0 descoberta do cogito. 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