{"id":2644,"date":"2016-05-02T12:08:43","date_gmt":"2016-05-02T15:08:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2644"},"modified":"2016-05-03T10:54:47","modified_gmt":"2016-05-03T13:54:47","slug":"a-polis-como-acontecimento-decisivo-no-pensamento-grego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2644","title":{"rendered":"A P\u00d3LIS COMO ACONTECIMENTO DECISIVO NO PENSAMENTO GREGO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Geovane Macedo da Costa*<\/p>\n<p>Resumo: O presente artigo tem a inten\u00e7\u00e3o de abordar o surgimento da p\u00f3lis e quais foram as contribui\u00e7\u00f5es deste acontecimento para a organiza\u00e7\u00e3o das civiliza\u00e7\u00f5es arcaicas. Dessa forma, \u00e9 preciso perpassar tamb\u00e9m os antecedentes da cidade grega para melhor analisar os efeitos desse acontecimento, visto que acaba por influenciar em outros \u00e2mbitos e inaugura uma nova forma de pensar e reger a sociedade. Tal estudo \u00e9 importante, porque ajuda a remontar o per\u00edodo de surgimento da Filosofia e colabora no entendimento do mecanismo das cidades que herdam da cultura grega sua forma de organiza\u00e7\u00e3o e sua maneira de pensar a sociedade.<br \/>\nPalavras-chave: P\u00f3lis. Acontecimento. Gr\u00e9cia. Pensamento. Civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Entender o sistema da cidade onde vivemos, sua estrutura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social \u00e9 algo cada vez mais necess\u00e1rio para sobreviver \u00e0 era da globaliza\u00e7\u00e3o. Compreender os conceitos de isonomia e isegoria se faz extremamente \u00fatil, devido \u00e0 m\u00e1 experi\u00eancia com esc\u00e2ndalos pol\u00edticos e corrup\u00e7\u00f5es. Por essas e outras raz\u00f5es, \u00e9 relevante tratar sobre o tema da p\u00f3lis e como ela influenciou diretamente no pensamento grego.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que se pode pensar, \u00e9 uma tem\u00e1tica que se faz atual devido ao fato de que, guardadas as propor\u00e7\u00f5es, muitos aspectos do mundo contempor\u00e2neo foram herdados da Gr\u00e9cia Antiga.<br \/>\nO advento da filosofia, a sistematiza\u00e7\u00e3o da linguagem, a pluralidade do conhecimento e a desmistifica\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da religi\u00e3o s\u00e3o apenas algumas mudan\u00e7as ocorridas do sistema tribal para a p\u00f3lis. Todos esses aspectos, em conjunto, montam um panorama do que representou o aparecimento da cidade-estado como nova forma de organiza\u00e7\u00e3o social na Gr\u00e9cia Antiga.<br \/>\nO presente artigo aborda a tem\u00e1tica atrav\u00e9s da an\u00e1lise de escritos de autores de refer\u00eancia no assunto e ainda divide o desenvolvimento em tr\u00eas t\u00f3picos que ajudam a entender um pouco da diversidade dos fatos que ajudaram no processo de consolida\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis.<\/p>\n<p>1.OS ANTECEDENTES DA P\u00d3LIS<\/p>\n<p>Reconhecer o pano de fundo da polis \u00e9 importante para esbo\u00e7ar os motivos pelos quais ela foi um acontecimento decisivo no pensamento grego, mas n\u00e3o se trata de apenas fazer um \u201cantes e depois\u201d, mas de uma apresenta\u00e7\u00e3o do contexto em que se d\u00e1 o \u201caparecimento da polis\u201d . Segundo (VOEGELIN, 2009), as migra\u00e7\u00f5es fazem parte dessa \u00e9poca pr\u00e9-p\u00f3lis, em que novas unidades sociais iam surgindo conforme os deslocamentos populacionais.<br \/>\nNa leitura desse mesmo autor, \u00e9 poss\u00edvel identificar que existe um processo denominado sinecismo pelo qual a polis foi fundada. Tal mecanismo ocorre no contexto da era tribal e o autor deixa isso bem claro no seguinte excerto:<br \/>\n[&#8230;] a era tribal deixou uma marca na estrutura da polis, profunda o bastante para se tornar um fator decisivo na conforma\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria interna e externa at\u00e9 o fim no triunfo maced\u00f4nio, na medida em que a polis preservou a ordem do parentesco sangu\u00edneo em suas subdivis\u00f5es, por mais fict\u00edcio que tal parentesco tenha se tornado ao longo do tempo. (VOEGELIN, 2009, p. 189)<br \/>\nCom isso, o autor se refere tamb\u00e9m a um contexto de diferen\u00e7as entre duas ocasi\u00f5es: Esparta e Atenas. A primeira na emerg\u00eancia da revolta mess\u00eania; a segunda em paralisia social e econ\u00f4mica resultante da escravid\u00e3o. S\u00f3lon descrevia as dificuldades da polis em seus poemas e, assim, estimulava a preserva\u00e7\u00e3o de sua unidade atrav\u00e9s da den\u00fancia de uma Atenas em crise. Por meio do ethos e do seu pensamento, construiu a base do universo espiritual da p\u00f3lis, pois antes de ocorrer na pr\u00e1tica, ela deveria ser pensada para evitar os equ\u00edvocos de uma sociedade em crise .<br \/>\nEric Voegelin ainda fala de outro processo dentro da polis, que \u00e9 a simpoliteia, ou seja, \u201ca extens\u00e3o da cidadania \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da \u00e1rea campestre circundante ou das outras p\u00f3lis\u201d (VOEGELIN, 2009, p. 195). \u00c9 como se fosse um embri\u00e3o de democracia aliado tamb\u00e9m \u00e0s atividades que dizem respeito ao cidad\u00e3o, isto \u00e9, a cidade come\u00e7ava a ganhar forma atrav\u00e9s de algumas id\u00e9ias que organizavam as estruturas pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Por\u00e9m, esta an\u00e1lise n\u00e3o deve ser feita de modo atemporal, j\u00e1 que os conceitos de cidadania e democracia nas civiliza\u00e7\u00f5es arcaicas n\u00e3o s\u00e3o correspondentes aos do mundo moderno.<br \/>\nOutro fator antecedente \u00e0 p\u00f3lis, e que se faz importante citar, \u00e9 o fracasso das ligas. Tal movimento de defesa das tribos ganhou for\u00e7a durante as Guerras Persas, formando, at\u00e9 mesmo, grandes confedera\u00e7\u00f5es entre as p\u00f3lis. No entanto, as ligas fracassaram devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do perigo e da degenera\u00e7\u00e3o em uni\u00f5es sustentadas apenas pela for\u00e7a.<br \/>\nSob este aspecto, encontramos pensamentos de S\u00f3lon que dizem respeito ao destino da p\u00f3lis, que, na aus\u00eancia do respeito aos fundamentos da dike, acabam por corromper o sistema de uma p\u00f3lis justa. Analogamente, Tirteu prop\u00f5e o conceito de bravura impetuosa que seria portada pelo chefe a fim de guiar a cidade-estado de forma a manter a ordem:<br \/>\nA bravura cantada por Tirteu manter\u00e1 a polis em exist\u00eancia numa crise nefasta, mas n\u00e3o consiste numa virtude da ordem c\u00edvica. Certamente, n\u00e3o \u00e9 inteiramente desprovida de conte\u00fado ordenador, pois a bravura do cidad\u00e3o-soldado j\u00e1 pressup\u00f5e uma democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade em compara\u00e7\u00e3o com a aristocracia hom\u00e9rica. (VOEGELIN, 2009, p. 269)<br \/>\nEssa bravura seria ent\u00e3o parte constituinte da arete de um bom homem para estar no comando da p\u00f3lis. Tais ideais s\u00e3o encontrados na elegia de S\u00f3lon, que faz uma exorta\u00e7\u00e3o ao fortalecimento interno da p\u00f3lis e uma cr\u00edtica aos cidad\u00e3os e \u201cchefes do povo\u201d .<br \/>\nEm suma, temos aqui um novo pensamento: o rei n\u00e3o muda s\u00f3 de nome, mas tamb\u00e9m de natureza, visto que a realeza \u201ccede de fato o lugar a um estado aristocr\u00e1tico\u201d e \u201ca basil\u00e9ia n\u00e3o era mais, desde ent\u00e3o, a realeza mic\u00eanica\u201d, de acordo com o pensamento de Jean Pierre Vernant, no terceiro cap\u00edtulo de As origens do pensamento grego. Com essa mudan\u00e7a, tudo estava consolidado para o surgimento da p\u00f3lis. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 analisar como a p\u00f3lis se sustentou atrav\u00e9s desse novo contexto e nesse novo modo de organizar as cidades.<\/p>\n<p>2. O PROCESSO DE CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DA P\u00d3LIS<\/p>\n<p>Derrubar o muro das tribos, sair do privado para o coletivo, certamente n\u00e3o foi um processo repentino e muito menos f\u00e1cil de aceitar, principalmente no \u00e2mbito ideol\u00f3gico em que um grupo de iguais \u00e9 privilegiado dentro da p\u00f3lis. Dessa forma, o surgimento da p\u00f3lis causou um impacto muito grande na mentalidade da aristocracia guerreira da Gr\u00e9cia, pois \u201co Estado \u00e9 precisamente o que se despojou de todo car\u00e1ter privado, particular, o que, escapando da al\u00e7ada dos gene, j\u00e1 aparece como a quest\u00e3o de todos.\u201d (VERNANT, 1977, p. 50)<br \/>\nN\u00e3o bastaria, por\u00e9m, a p\u00f3lis ficar apenas no \u00e2mbito discursivo. Era preciso que ela florescesse e trouxesse novo sentido \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o grega. Dessa forma:<br \/>\nAs constru\u00e7\u00f5es urbanas n\u00e3o s\u00e3o mais, com efeito, agrupadas como antes em torno de um pal\u00e1cio real, cercado de fortifica\u00e7\u00f5es. A cidade est\u00e1 agora centralizada na \u00c1gora, espa\u00e7o comum, sede da Hestia Koin\u00e9, espa\u00e7o p\u00fablico em que s\u00e3o debatidos os problemas de interesse geral. \u00c9 a pr\u00f3pria cidade que se cerca de muralhas, protegendo e delimitando em sua totalidade o grupo humano que a constitui. (VERNANT, 1977, p. 51)<br \/>\nCom isso, podemos perceber um importante elemento de sustenta\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis: a pra\u00e7a p\u00fablica, e que a partir da sua exist\u00eancia, a p\u00f3lis j\u00e1 existe no sentido pleno do termo.<br \/>\nCabe agora tamb\u00e9m destacar aspectos culturais e religiosos que contribuem muito para a forma\u00e7\u00e3o da identidade da p\u00f3lis emergente. No \u00e2mbito cultural, por exemplo, os conhecimentos, os valores e as t\u00e9cnicas mentais s\u00e3o levados \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica, estando todos eles sujeitos \u00e0 cr\u00edtica e \u00e0 controv\u00e9rsia, ou seja, essas dimens\u00f5es n\u00e3o estariam mais subordinadas \u00e0 l\u00f3gica do poder. No \u00e2mbito religioso, tem-se a presen\u00e7a das religi\u00f5es secretas, que se caracterizam por seitas, confrarias e mist\u00e9rio; na pr\u00e1tica, s\u00e3o grupos fechados e hierarquizados, comportando escalas e graus. O objetivo delas era selecionar um grupo de eleitos com privil\u00e9gios n\u00e3o acess\u00edveis ao comum.<br \/>\nA polis proporcionou uma nova forma para a vida social e para as rela\u00e7\u00f5es entre os homens. Com o advento da cidade-estado, o homem recebe o bios politikos, al\u00e9m de sua vida privada. Dessa forma, passa a conduzir a p\u00f3lis de acordo com o seguinte esquema proposto por S\u00f4nia Maria Viegas Andrade, em artigo publicado na revista Kriterion:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13140741_999852073397628_1581925273_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  wp-image-2646 aligncenter\" src=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13140741_999852073397628_1581925273_n-300x67.jpg\" alt=\"13140741_999852073397628_1581925273_n\" width=\"439\" height=\"98\" srcset=\"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13140741_999852073397628_1581925273_n-300x67.jpg 300w, https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/13140741_999852073397628_1581925273_n.jpg 616w\" sizes=\"auto, (max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><\/a>A ci\u00eancia pol\u00edtica e da natureza produzida pela p\u00f3lis est\u00e3o voltadas para a harmonia que pertence ao micro e ao macrocosmo. A primeira tentar\u00e1 justificar a legalidade da p\u00f3lis, ou seja, descobrir o lugar de cada elemento dentro da cidade-estado e fazer com que o todo seja refletido em cada elemento. J\u00e1 a ci\u00eancia da natureza far\u00e1 o sistema racional da physis na medida em que se efetiva o logos fundador.<br \/>\nEm outras palavras, o processo de consolida\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis vai se dar a partir do momento em que ela se valer da for\u00e7a dialogante da palavra. A individualidade do homem causada pelos muros da era tribal entra, ent\u00e3o, em extin\u00e7\u00e3o para dar lugar \u00e0 pedagogia do di\u00e1logo que fomentar\u00e1 uma cidade-estado cada vez mais aberta aos valores, conhecimentos e t\u00e9cnicas mentais, rompendo tamb\u00e9m com o sistema patriarcal que era subsidiado pelas guerras e conflitos e valorizava o individualismo como modelo de vida.<br \/>\n\u00c9 preciso ainda reiterar que \u00e9 a natureza de microcosmo interligado ao macrocosmo que deu \u00e0 p\u00f3lis um tom de comunidade universal e n\u00e3o a grandiosidade e fantasias das formas de poder. Quando se diz em natureza microc\u00f3smica da p\u00f3lis, volta-se na \u00e9poca pr\u00e9-p\u00f3lis em que as tribos se organizavam em fam\u00edlias. Aliando isso ao macrocosmo, desponta na Gr\u00e9cia uma cidade-estado que emanciparia a esfera pol\u00edtica do dom\u00ednio religioso-familiar. Dessa forma, tem-se ent\u00e3o a consolida\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis a partir dos diversos elementos apontados neste t\u00f3pico.<\/p>\n<p>3.P\u00d3LIS: UM ACONTECIMENTO DECISIVO<\/p>\n<p>Todos esses fatores apontados at\u00e9 agora constituem fatores decisivos que designaram o surgimento da p\u00f3lis, que influenciou diretamente o pensamento grego em diversos \u00e2mbitos. \u201cA vida e as rela\u00e7\u00f5es entre os homens tomam uma forma nova, cuja originalidade ser\u00e1 plenamente sentida pelos gregos.\u201d (VERNANT, 1977, p. 53)<br \/>\nA p\u00f3lis \u00e9 acontecimento decisivo, porque distinguiu um dom\u00ednio p\u00fablico em dois sentidos: um setor de interesse comum que se op\u00f4s a processos secretos (e nesse contexto surge a Filosofia). Se a p\u00f3lis nasce entre os s\u00e9culos VII e VIII a.C., \u00e9 nesse tempo tamb\u00e9m que temos os primeiros fil\u00f3sofos que debatem a origem das coisas na physis, perante uma posi\u00e7\u00e3o amb\u00edgua tanto em seus m\u00e9todos quanto em sua inspira\u00e7\u00e3o: fica entre as inicia\u00e7\u00f5es dos mist\u00e9rios e as controv\u00e9rsias da \u00e1gora; entre o esp\u00edrito de segredo pr\u00f3prio das seitas e a publicidade do debate contradit\u00f3rio da atividade pol\u00edtica .<br \/>\nA p\u00f3lis \u00e9 ainda o lugar do fil\u00f3sofo, o ambiente da oscila\u00e7\u00e3o de atitudes. Isso \u00e9 descrito por Vernant:<br \/>\nO fil\u00f3sofo n\u00e3o deixar\u00e1 de oscilar entre duas atitudes, de hesitar entre duas tenta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias. Ora afirmar\u00e1 ser o \u00fanico qualificado para dirigir o Estado e, tomando orgulhosamente a posi\u00e7\u00e3o do rei-divino, pretender\u00e1 em nome desse \u201csaber\u201d que o leva acima dos homens, reformar toda a vida social e ordenar soberanamente a cidade. Ora ele se retirar\u00e1 do mundo para recolher-se numa sabedoria puramente privada; agrupando em torno de si alguns disc\u00edpulos desejar\u00e1 com eles instaurar na cidade, uma cidade diferente, \u00e0 margem da primeira e, renunciando \u00e0 vida p\u00fablica, buscar\u00e1 sua salva\u00e7\u00e3o no conhecimento e na contempla\u00e7\u00e3o. (VERNANT, 1977, p.64)<br \/>\nA partir da consolida\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis, temos tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o de um mundo humano marcado pela separa\u00e7\u00e3o entre legalidade e justi\u00e7a a partir dos basileus, enquanto o patriarcado enxergava esses dois conceitos de forma \u00fanica. A dike (justi\u00e7a) seria decidida atrav\u00e9s dos debates; o conhecimento ganharia um \u00e2mbito mais p\u00fablico e at\u00e9 mesmo a religi\u00e3o abandona os mist\u00e9rios atrav\u00e9s dos cultos oficiais. Nas pr\u00e1ticas pol\u00edticas, \u00e9 importante destacar o in\u00edcio da isonomia (igualdade de direitos e deveres) e da isegoria (direito \u00e0 voz na assembleia dos cidad\u00e3os) .<\/p>\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n<p>Por fim, diante de todos os pensamentos apontados, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a p\u00f3lis foi um acontecimento decisivo no pensamento grego na medida em que contribuiu para a inaugura\u00e7\u00e3o de uma nova forma de pensar toda a estrutura de uma sociedade que, at\u00e9 ent\u00e3o, era marcada pelo isolamento e pela privacidade.<br \/>\nA pra\u00e7a p\u00fablica \u00e9 prova concreta que, desde o in\u00edcio, a p\u00f3lis apontava para uma nova forma de organizar a vida pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica. No entanto, \u00e9 importante ressaltar que a p\u00f3lis n\u00e3o expandiu at\u00e9 formar uma sociedade de cidad\u00e3os individuais, assim como aconteceu nos Estados ocidentais. De fato, o ocidente tem muitas heran\u00e7as da Gr\u00e9cia Antiga nas diversas formas de organiza\u00e7\u00e3o social, por\u00e9m o individualismo n\u00e3o adv\u00e9m do surgimento da p\u00f3lis, mas sim da modernidade, marcada pelas Revolu\u00e7\u00f5es Industriais e Divis\u00f5es Internacionais do Trabalho fundadas no Capitalismo.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel ainda citar a independ\u00eancia e autonomia das p\u00f3lis gregas como uma nova forma de se pensar as estruturas, pois ao derrubar as muralhas da era tribal do per\u00edodo Hom\u00e9rico, inaugura-se tamb\u00e9m um jeito novo de pensar a pol\u00edtica e a economia.<br \/>\nEm s\u00edntese, a abertura para novas experi\u00eancias no universo espiritual da p\u00f3lis \u00e9 o ponto culminante para que o seu surgimento tenha se tornado um acontecimento decisivo no pensamento grego, pois essa abertura possibilitou que a sociedade daquele per\u00edodo vivenciasse os v\u00e1rios avan\u00e7os nos seguintes \u00e2mbitos: cultural, pol\u00edtico, econ\u00f4mico, ling\u00fc\u00edstico e social, formando assim a Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica como origem de grandes civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<br \/>\nANDRADE, S\u00f4nia Maria Viegas. A cidade grega. Belo Horizonte: Kriterion, 1978.<br \/>\nFERNANDES, Frederico Augusto Garcia. De Tirteu e S\u00f3lon a Mano Brow: contrapontos entre os elementos discursivos da poesia oral. 2005. 8f. Artigo Cient\u00edfico. Doutor em Letras \u2013 Universidade Estadual de Londrina.<br \/>\nHYPNOS, S\u00e3o Paulo, n\u00famero 26, 1\u00ba semestre 2011.<br \/>\nTAVARES, Roberto Ramalho. A evolu\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis e da educa\u00e7\u00e3o como conseq\u00fc\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o da \u00e9tica grega, da fase arcaica \u00e0 cl\u00e1ssica. 2006. 10f. Artigo Cient\u00edfico. AEI \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o de Ensino Superior de Itapetininga.<br \/>\nVERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. 2.ed. Tradu\u00e7\u00e3o de \u00cdsis Borges B. da Fonseca. Rio de Janeiro: DIFEL, 1977.<br \/>\nVOEGELIN, Eric. O mundo da p\u00f3lis. Vol. II. S\u00e3o Paulo. Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2009, 477p.<\/p>\n<p>NOTAS<br \/>\n*Graduando em Filosofia na FAM<br \/>\n1 Termo usado por Jean Pierre Vernant em O Universo espiritual da polis.<br \/>\n2 Em sua obra O mundo da polis, Eric Voegelin trata do sinecismo e da estrutura gent\u00edlica no primeiro t\u00f3pico do quarto cap\u00edtulo, em que ele trata exclusivamente da polis hel\u00eanica.<br \/>\n3 HYPNOS, S\u00e3o Paulo, n\u00famero 26, 1\u00ba semestre 2011, p. 36-47<br \/>\n4 FERNANDES, 2005, p. 4.<br \/>\n5 Ideia retirada de: TAVARES, Roberto Ramalho. A evolu\u00e7\u00e3o da p\u00f3lis e da educa\u00e7\u00e3o como conseq\u00fc\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o \u00e9tica grega da fase arcaica \u00e0 cl\u00e1ssica. s\/d. 10f. Artigo Cient\u00edfico. Professor da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras e Especialista em Educa\u00e7\u00e3o pela AEI-Organiza\u00e7\u00e3o Superior de Ensino de Itapetininga.<br \/>\n6 ANDRADE, S\u00f4nia Maria Viegas. A cidade grega. Belo Horizonte: Kriterion,1978.<br \/>\n7 VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. 2.ed. Tradu\u00e7\u00e3o de \u00cdsis Borges B. da Fonseca. p. 64. Rio de Janeiro: DIFEL, 1977.<br \/>\n8 Informa\u00e7\u00f5es retiradas das anota\u00e7\u00f5es das aulas da disciplina de Cultura Grega (FIL 100), lecionada pelo Prof. Ms. Maur\u00edcio de Assis Reis, na Faculdade Arquidiocesana de Mariana \u201cDom Luciano Mendes de Almeida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geovane Macedo da Costa* Resumo: O presente artigo tem a inten\u00e7\u00e3o de abordar o surgimento da p\u00f3lis e quais foram as contribui\u00e7\u00f5es deste acontecimento para a organiza\u00e7\u00e3o das civiliza\u00e7\u00f5es arcaicas. Dessa forma, \u00e9 preciso perpassar tamb\u00e9m os antecedentes da cidade grega para melhor analisar os efeitos desse acontecimento, visto que acaba por influenciar em outros &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2644","6":"format-standard","7":"category-uncategorized"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2644"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2647,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2644\/revisions\/2647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}