{"id":2663,"date":"2016-12-09T11:24:34","date_gmt":"2016-12-09T13:24:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2663"},"modified":"2018-05-03T13:22:30","modified_gmt":"2018-05-03T16:22:30","slug":"a-relevancia-do-abaporu-de-tarsila-do-amaral-para-a-arte-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2663","title":{"rendered":"A RELEV\u00c2NCIA DO ABAPORU DE TARSILA DO AMARAL PARA A ARTE BRASILEIRA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">H\u00e9rcules Amorim Werneck*<\/p>\n<p>Resumo: O presente artigo pretende tratar quest\u00f5es relativas ao campo da Filosofia da arte e da est\u00e9tica a fim de compreender mais sobre do universo art\u00edstico em que se encontrava Tarsila do Amaral, famosa artista pl\u00e1stica brasileira. Sabe-se que entre as suas mais conhecidas obras, est\u00e1 presente a figura enigm\u00e1tica do Abaporu, pintado em 1928, com a inten\u00e7\u00e3o de presentear o seu esposo, o modernista Oswald de Andrade. Para atender a pesquisa em quest\u00e3o, o texto ser\u00e1 desenvolvido em duas partes, sendo que a primeira se destina \u00e0 reflex\u00e3o sobre a est\u00e9tica e a arte, focando o contexto da modernidade e, principalmente, no que diz respeito \u00e0 pintura, uma vez, que o objeto desse artigo baseia-se em uma obra de arte pl\u00e1stica deste g\u00eanero. Na segunda parte, ser\u00e1 abordado o movimento Modernista Brasileiro, a influ\u00eancia da t\u00e9cnica cubista em parte das obras de Tarsila do Amaral, especialmente, do que se trata o Abaporu e das raz\u00f5es do Manifesto Antrop\u00f3fago gerado em torno dessa obra.<\/p>\n<p>Palavras-chave. Abaporu. Antropofagia. Arte. Est\u00e9tica. Modernismo brasileiro.<\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Pretende-se com este artigo abordar o valor art\u00edstico de uma das mais famosas pinturas da arte brasileira, denominada Abaporu, da artista Tarsila do Amaral. Nascida no interior do Estado de S\u00e3o Paulo, no final do s\u00e9culo XIX, e, sendo filha de uma fam\u00edlia rica que possu\u00eda algumas fazendas, a jovem teve estudos na Europa e pintou o seu primeiro quadro em 1904, quando estudava em Barcelona, na Espanha. Tratava-se de uma tela do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>Entre suas idas e vindas do continente europeu, ela conheceu a pintora Anita Malfatti com quem teve aulas de desenho e pintura. Malfatti seria respons\u00e1vel, posteriormente, por introduzi-la ao movimento modernista brasileiro que contava com a participa\u00e7\u00e3o de importantes personagens do cen\u00e1rio art\u00edstico brasileiro daquela \u00e9poca, incluindo, Oswald de Andrade, que acabaria relacionando-se com Tarsila.<\/p>\n<p>Naquela altura a artista ainda n\u00e3o havia apresentado as suas obras ao p\u00fablico brasileiro, mas seu trabalho j\u00e1 gozava de prest\u00edgio e reconhecimento por parte de artistas europeus, entre eles, o poeta Blaise Cendrars, do qual tornou-se grande amiga, e os mestres cubistas Fernand L\u00e9ger, Lhote e Gleizes com os quais Tarsila iria estudar e receber uma relevante influ\u00eancia em seus trabalhos. A amizade com Blaise ainda lhe rendeu a possibilidade de conhecer outros grandes artistas europeus modernos entre pintores, m\u00fasicos, escritores e escultores. Seu ateli\u00ea, assim como a sua pr\u00f3pria casa em Paris era bem visitada, tanto por estrangeiros quanto compatriotas que residiam por l\u00e1 como o compositor Villa Lobos e o pintor Di Cavalcanti, sendo este \u00faltimo um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, no ano de 1922.<\/p>\n<p>Uma viagem ao interior de Minas Gerais influenciaria de uma vez para sempre as obras de Tarsila do Amaral. Ao visitar algumas cidades hist\u00f3ricas mineiras, acompanhada de alguns amigos, durante a Semana Santa, no ano de 1924, a artista se deparou com o colorido que lhe agradava desde os tempos de sua inf\u00e2ncia, mas que seus mestres a reprimiram de utilizar em suas pinturas. A partir da\u00ed a artista n\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou a fazer uso de cores vivas (o azul pur\u00edssimo, rosa viol\u00e1ceo, amarelo vivo, verde cantante etc.) como tamb\u00e9m passaria a abordar ainda mais a tem\u00e1tica nacional em suas telas, projetando nelas paisagens do campo e da cidade, da flora e da fauna, al\u00e9m do folclore e da nossa gente.<\/p>\n<p>Esta fase da sua obra recebeu o t\u00edtulo de Pau Brasil e Tarsila utilizou as t\u00e9cnicas do cubismo para pintar v\u00e1rios quadros, entre eles: \u2018Carnaval em Madureira\u2019, \u2018Morro da Favela\u2019, \u2018EFCB\u2019, \u2018O Mamoeiro\u2019, \u2018S\u00e3o Paulo\u2019, \u2018O Pescador\u2019, dentre outros. Paralelamente aos trabalhos de Tarsila crescia o movimento modernista brasileiro que almejou substituir os antigos valores por meio do progresso e da forma\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia criadora brasileira, visando atualizar a intelig\u00eancia art\u00edstica do pa\u00eds e conquistando o direito \u00e0 pesquisa est\u00e9tica. Historicamente o Modernismo foi estabelecido com o in\u00edcio da Semana de Arte Moderna, realizada em S\u00e3o Paulo, no ano de 1922.<\/p>\n<p>1 A arte e a est\u00e9tica na modernidade<\/p>\n<p>Quais os crit\u00e9rios est\u00e9ticos para se avaliar uma obra de arte? A no\u00e7\u00e3o de est\u00e9tica \u00e9 acess\u00edvel a todo ser humano? Pode-se dizer que a arte tem autonomia pr\u00f3pria? Certamente, diante de uma obra de arte cada pessoa tende a exprimir a sua opini\u00e3o de gosto ou n\u00e3o por ela, mas, o belo se discute? Este artigo n\u00e3o procurar\u00e1 responder tais quest\u00f5es, todavia, tais conceitos, de beleza e de est\u00e9tica, ser\u00e3o trabalhados para a reflex\u00e3o sobre a arte, em particular, sobre a pintura brasileira, nos tempos modernos. Segundo Mukarovsky, (1981, p. 34) o est\u00e9tico:<\/p>\n<p>[&#8230;] n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica real das coisas e n\u00e3o se relaciona univocamente com nenhuma caracter\u00edstica das coisas; [&#8230;] A fun\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica tamb\u00e9m n\u00e3o se encontra completamente sob o dom\u00ednio do indiv\u00edduo, embora, de um ponto de vista puramente subjetivo, qualquer coisa possa adquirir (ou pelo contr\u00e1rio deixar de ter) uma fun\u00e7\u00e3o est\u00e9tica independente do modo da sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, anteriormente ao s\u00e9culo XVI, os pintores n\u00e3o eram, exclusivamente, pintores, mas eram art\u00edfices, \u201c[&#8230;] pois tinham oficinas em que exerciam a decora\u00e7\u00e3o interior, e os trabalhos eram-lhes encomendados pela Igreja, por vezes pelo conselho da cidade, outras pelo pr\u00edncipe\u201d (READ, [19&#8211;], p. 70). Deste modo, tais artistas tiravam o seu sustento mediante suas pinturas, sendo que a grande maioria deles, nesse tempo, nem mesmo assinavam em seus trabalhos. Suas obras focavam, principalmente, em reproduzir temas sobre a natureza e a divindade. Assim, era comum que paredes, tetos, vitrais e outros espa\u00e7os do interior e do exterior das igrejas e reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (n\u00e3o somente nesses locais), fossem a \u2018tela\u2019 ou o cen\u00e1rio que receberiam a tinta e a habilidade desses pintores.<\/p>\n<p>Isso, em um primeiro momento, pode apresentar-se como uma grande injusti\u00e7a, haja vista, que ao exercer o seu of\u00edcio, o pintor coloca toda a sua capacidade e inspira\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de sua arte. Ele, literalmente, torna-se capaz de criar e nada mais justo que uma obra criada receba a rubrica do seu criador. Contudo, a vis\u00e3o de mundo desse per\u00edodo, influenciado pelo dom\u00ednio do pensamento religioso, creditava a Deus e aos seres divinos a raz\u00e3o \u00faltima da pr\u00f3pria arte e n\u00e3o aos artistas, e talvez seja por isso que as pessoas n\u00e3o viam<\/p>\n<p>[&#8230;] qualquer diferen\u00e7a c\u00edvica entre o poeta e o pintor: cada um deles expressa individualmente uma vis\u00e3o, que pode ter ou n\u00e3o uma grande import\u00e2ncia social; num dos casos, por\u00e9m a sociedade pode impunemente ignorar a cria\u00e7\u00e3o, e no outro \u00e9 agora compelida a aceit\u00e1-la e a pagar por ela um pre\u00e7o (READ, [19&#8211;], p. 61).<\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia e at\u00e9 mesmo da censura imposta pela institui\u00e7\u00e3o religiosa crist\u00e3 por s\u00e9culos, assim como a mudan\u00e7a do pensamento filos\u00f3fico que desenvolvia-se paralelamente \u00e0 Ci\u00eancia em sua promessa de emancipa\u00e7\u00e3o do ser humano, colocaram o homem no centro do universo. Isso fez com que a arte tamb\u00e9m sofresse mudan\u00e7as significativas. Um exemplo disso foi a tend\u00eancia do resgate daquela aprecia\u00e7\u00e3o pelas formas do corpo humano, na Antiguidade, cujas caracter\u00edsticas art\u00edsticas foram trabalhadas, mais afinco, nas culturas gregas e romanas, influenciando, assim, todo o ocidente. Contudo, foi a partir do Renascimento, que iniciou-se o tempo moderno da arte, em um momento de efervesc\u00eancia cultural na Europa que se seguiu do surgimento de v\u00e1rios estilos art\u00edsticos.<\/p>\n<p>A pluralidade dos estilos existentes ap\u00f3s a metade do s\u00e9culo XIX traduzem bem o painel art\u00edstico europeu. Evidentemente, que esses estilos foram tamb\u00e9m influenciados pelos conflitos de natureza s\u00f3cio-pol\u00edtica e econ\u00f4mica, que por sua vez, estavam intrinsecamente ligados \u00e0s ideias filos\u00f3ficas daquela \u00e9poca. Os pintores modernos procuraram se opor \u00e0s formas cl\u00e1ssicas. Era o caso, por exemplo, dos impressionistas, que buscavam as paisagens e as pessoas humildes para serem temas para suas pinturas. Jimenez (1999, p. 299) dir\u00e1 que a arte neste per\u00edodo muda, pois ela:<br \/>\n[&#8230;] n\u00e3o reflete mais, como no passado, a imagem harmoniosa de um universo sublimado e colocado sob a transcend\u00eancia de um belo ideal. Ela se secularizou num mundo submetido \u00e0 crescente racionaliza\u00e7\u00e3o de todas as atividades humanas, endurecido por clivagens ideol\u00f3gicas conflitivas e sacudido por revolu\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Dentre os principais movimentos e correntes art\u00edsticas surgidas na modernidade, destacam-se: o Impressionismo, o Fauvismo, o Cubismo, o Expressionismo, o Surrealismo, o Concretismo, o Futurismo e o Pop Art. De fato, \u201c[&#8230;] a arte moderna oferece uma confusa variedade de movimentos e de maneirismos, e seria ousada a cr\u00edtica que pretendesse uma defini\u00e7\u00e3o que os englobasse a todos (READ, [19&#8211;], p. 97).<\/p>\n<p>Como se observa, portanto, essa constante mudan\u00e7a e evolu\u00e7\u00e3o de estilos, na modernidade, se distinguem, radicalmente, com os padr\u00f5es observados nos per\u00edodos anteriores. E, por isso, \u00e9 dif\u00edcil elaborar ju\u00edzos est\u00e9ticos sobre a arte nos tempos atuais. De qualquer modo, segundo Jimenez, o te\u00f3rico Croce disse que<\/p>\n<p>[&#8230;] a est\u00e9tica, que \u00e9 a ci\u00eancia da arte, n\u00e3o tem, portanto, por fun\u00e7\u00e3o, como se pensa em algumas concep\u00e7\u00f5es escolares, definir a arte uma vez por todas e tecer sua trama conceptual de forma a cobrir todo o campo dessa ci\u00eancia; ela \u00e9 apenas a reorganiza\u00e7\u00e3o permanente, sempre renovada e cada vez mais rigorosa dos problemas aos quais, segundo as diferentes \u00e9pocas, d\u00e1 lugar a reflex\u00e3o sobre a arte, e ela coincide perfeitamente com a solu\u00e7\u00e3o das dificuldades e dos erros que estimulam e enriquecem o progresso incessante do pensamento (JIMENEZ, 1999, p. 294-295).<\/p>\n<p>O pensamento moderno sobre a arte em que os pintores e os demais artistas buscavam novas formas de express\u00e3o, recebeu importantes colabora\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas de dois grandes te\u00f3ricos: Kant e Hegel; seja para concordar ou refutar suas teorias, \u00e9 inevit\u00e1vel o di\u00e1logo com esses pensadores no que diz respeito ao campo da arte e da est\u00e9tica.<\/p>\n<p>Uma problem\u00e1tica neste contexto se d\u00e1 no fato de que ressaltava-se a suposta autonomia que a arte julgava possuir. Pensava-se em uma arte aut\u00f4noma com suas regras pr\u00f3prias, e isso, certamente, afastaria a hip\u00f3tese de que o sujeito poderia elaborar um ju\u00edzo est\u00e9tico de gosto por seu bel-prazer, mas, que deveria observar os crit\u00e9rios estabelecidos pela pr\u00f3pria arte que possibilitariam avaliar a sua atividade.<\/p>\n<p>Para Kant n\u00e3o seria poss\u00edvel discutir mediante argumentos l\u00f3gicos o sentimento do belo, por este n\u00e3o possuir uma base conceitual. Todavia, esse sentimento est\u00e9tico poderia ser compartilhado entre pessoas que possu\u00edssem a mesma certeza acerca da beleza, retirando assim o car\u00e1ter totalmente subjetivo de um ju\u00edzo est\u00e9tico. Segundo Braga, para Kant, \u201c[&#8230;] a subjetividade do sentimento est\u00e9tico \u00e9 mediada pela comunicabilidade e reconhecimento desse sentimento por outros membros da mesma comunidade\u201d (BRAGA, 2011).<\/p>\n<p>Em Hegel nota-se o esfor\u00e7o para combater algumas tend\u00eancias, especialmente, provenientes do Romantismo alem\u00e3o, que postulava a arte como atividade sem disciplina e imaginativa, e, incapaz de ser abstra\u00edda pela raz\u00e3o humana. Segundo Braga, para Hegel [&#8230;] \u201cpensa a arte como algo que possui a verdade e, por isso mesmo, pass\u00edvel de ser pensada com a Raz\u00e3o. Hegel define a arte como manifesta\u00e7\u00e3o sens\u00edvel do Esp\u00edrito\u201d (BRAGA, 2011). Todavia, tal manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito possui caracter\u00edstica espec\u00edfica, uma vez que a arte ao ser representada, conduz o ser humano a uma realidade distinta da sua. A realidade apresentada pela arte, segundo esse fil\u00f3sofo, seria mais ver\u00eddica que a nossa, pois neste caso, \u00e9 poss\u00edvel ver a ess\u00eancia que est\u00e1 intrinsicamente ligada \u00e0 mesma.<\/p>\n<p>Ao postular a autonomia da arte no g\u00eanero da pintura contribui-se, portanto, para que tal atividade n\u00e3o seja dilu\u00edda no cotidiano humano e torna-se algo ef\u00eamero. Em outras palavras, a pintura n\u00e3o pode ser reduzida ao simples papel de decora\u00e7\u00e3o, como algumas pretens\u00f5es da p\u00f3s-modernidade sugerem, pois, mesmo sendo produzida pelo homem, a pintura tem a capacidade de elev\u00e1-lo e, certamente, torn\u00e1-lo mais livre. E tamb\u00e9m como mesmo Dufrenne explica:<\/p>\n<p>[Se a pintura] se reduz voluntariamente \u00e0 decora\u00e7\u00e3o: \u00e9 poss\u00edvel que agrade, mas n\u00e3o atinge a Beleza. Pois, nessa caso, ela n\u00e3o leva em conta nenhuma das defini\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas da Beleza, nem \u2013 que me seja escusado pedir o comparecimento dos fil\u00f3sofos \u2013 a defini\u00e7\u00e3o kantiana: o belo \u00e9 aquilo que solicita em n\u00f3s o livre acordo da imagina\u00e7\u00e3o e do intelecto, visto que ela nada concede ao intelecto e ao seu poder de identifica\u00e7\u00e3o e de reconhecimento; nem leva em conta a defini\u00e7\u00e3o hegeliana: o belo \u00e9 a ideia encarnada no sens\u00edvel, visto que ela afasta a ideia. E, de fato, os pintores recha\u00e7am com horror a sugest\u00e3o de que o pict\u00f3rico possa se reduzir ao decorativo (DUFRENNE, 2012, p. 260).<\/p>\n<p>Encerra-se esta primeira parte do artigo que apresentou de forma breve algumas elabora\u00e7\u00f5es sobre o contexto vivido pela arte, em especial, a pintura, na modernidade. O palco das transforma\u00e7\u00f5es culturais art\u00edsticas trazidas pelas vanguardas na modernidade n\u00e3o se limitou \u00e0 Europa, mas, espalhou para outros cantos do globo, inclusive para o Brasil. Segundo, Jimenez (1999, p. 285), \u201c[&#8230;] ser de vanguarda sup\u00f5e a constante preocupa\u00e7\u00e3o de promover a novidade a fim de preparar o futuro e de anunciar os tempos melhores\u201d. Deste modo, a seguir, trabalharemos o surgimento do movimento modernista brasileiro, o manifesto antrop\u00f3fago, e, particularmente, a novidade art\u00edstica apresentada pela pintora Tarsila do Amaral. Como se notar\u00e1, Tarsila desejou ser a \u201cpintora do seu pa\u00eds\u201d libertando-se da press\u00e3o dos padr\u00f5es cl\u00e1ssicos de sua \u00e9poca. Ela inovou na pintura fazendo uso de cores fortes que lhe agradavam desde tenra idade e tra\u00e7ando formas bem peculiares, que resultaram em um inquestion\u00e1vel legado art\u00edstico cujo \u201cAbaporu\u201d, certamente, aparece como destaque.<\/p>\n<p>2. O Movimento Modernista Brasileiro e o Abaporu de Tarsila<\/p>\n<p>Faz-se necess\u00e1rio entender o cen\u00e1rio da arte no Brasil e no mundo nos per\u00edodos que antecederam o surgimento da obra tarsiliana para melhor compreender alguns elementos importantes que marcaram a sua pintura. Como averigou-se acima, o per\u00edodo moderno foi marcado pelas vanguardas, seguido de alguns manifestos culturais que definiram os estilos art\u00edsticos daquela \u00e9poca. Sobre os artistas vanguardistas, Jimenez (1999, p. 295), fez o seguinte coment\u00e1rio:<\/p>\n<p>[&#8230;] a maioria dos artistas vanguardistas, pintores, escultores, arquitetos, m\u00fasicos, escritores e poetas, elaboram sua pr\u00f3pria teoria da arte no pr\u00f3prio espa\u00e7o de tempo de suas realiza\u00e7\u00f5es: o papel do manifesto ou da palavra de ordem \u00e0 qual adere uma nova escola consiste exatamente em cristalizar ao redor de um tema preciso as energias art\u00edsticas em todos os dom\u00ednios, e em determinar o interesse filos\u00f3fico e est\u00e9tico da a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>De fato, o contato dos artistas brasileiros com as ideias inovadoras que surgiam na Europa, somado ao desejo de conduzir a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica brasileira ao reconhecimento internacional, prepararam o terreno para o come\u00e7o deste movimento, que teve como refer\u00eancia, a realiza\u00e7\u00e3o da Semana de Arte Moderna no ano de 1922. Nas palavras de Pietro Bardi a realiza\u00e7\u00e3o deste evento se tornou um marco da renova\u00e7\u00e3o cultural nacional, j\u00e1 que:<\/p>\n<p>[&#8230;] S\u00e3o Paulo e Rio estavam distante dos centros propulsores, e se contentavam de seguir o simples eco das enuncia\u00e7\u00f5es europeias, aceitando ou tolerando as menos exc\u00eantricas e com maiores possibilidades de serem enxertadas na normalidade em vigor. O produzir arte continuava no processo tradicional, adaptando-o \u00e0s inova\u00e7\u00f5es mais pertinentes \u00e0s t\u00e9cnicas do que ao conte\u00fado (BARDI, 1978, p. 12).<\/p>\n<p>A ideia de que o Brasil era incapaz de produzir algo art\u00edstico nos padr\u00f5es europeus a partir de seu ch\u00e3o ou de sua realidade, tamb\u00e9m, era notada no campo filos\u00f3fico, em que muitos te\u00f3ricos restringiam os seus trabalhos \u00e0 mera fun\u00e7\u00e3o de ser comentadores das obras dos grandes pensadores estrangeiros. Tal pensamento foi duramente atacado por alguns modernistas, e, talvez, por isso, a realiza\u00e7\u00e3o da Semana de 22 esbo\u00e7ou a tentativa de mudan\u00e7a radical dessa postura do brasileiro de uma vis\u00e3o inferior de si mesmo. Para Tarsila do Amaral, mesmo n\u00e3o tendo participado diretamente deste importante e hist\u00f3rico evento cultural na vida dos brasileiros, a Semana<\/p>\n<p>[&#8230;] foi extremamente pol\u00eamica, como todos os seus integrantes sendo sistematicamente atacados pela cr\u00edtica e pelo p\u00fablico. Mas foi a partir dela que grandes mudan\u00e7as ocorreram na arte e at\u00e9 na vida dos brasileiros, j\u00e1 que eles criticavam o regime de dom\u00ednio das oligarquias (apesar de a maioria deles fazer parte delas), que dominavam o Brasil pol\u00edtica e economicamente e eram respons\u00e1veis pelo grande atraso e retrocesso do pa\u00eds, e propunham uma renova\u00e7\u00e3o nos costumes por meio da revolu\u00e7\u00e3o das artes (TARSILA, 2004, p. 76).<\/p>\n<p>Se a Europa acompanhou o aparecimento de v\u00e1rios manifestos na modernidade, no Brasil, destacou-se o movimento antropof\u00e1gico liderado por Oswald de Andrade. Para Oswald (2004, p. 129), os seus compatriotas deveriam engolir toda a cultura europ\u00e9ia e transform\u00e1-la em algo bem brasileira. O principio do canibalismo \u00e9 o de que, quando algu\u00e9m come a carne humana, adquire tamb\u00e9m as virtudes desse outrem. Desde modo, esperava-se ap\u00f3s degustar da cultura n\u00e3o-brasileira e retirar dela o que era interessante, produzir algo genuinamente brasileiro, valorizando assim a cultura nacional.<\/p>\n<p>O Manifesto Antrop\u00f3fago iniciado por Oswald, seu irm\u00e3o M\u00e1rio de Andrade, Raul Bopp e Ant\u00f4nio de Alc\u00e2ntara, em 1928, teve o quadro do Abaporu de Tarsila como inspira\u00e7\u00e3o. Naquele per\u00edodo o Abaporu (TARSILA, 2004, p. 129) j\u00e1 era um s\u00edmbolo muito forte e tinha uma identidade com o povo brasileiro, al\u00e9m de fazer parte do folclore tupiniquim. No in\u00edcio do manifesto l\u00ea-se:<\/p>\n<p>S\u00f3 a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. \u00danica lei do mundo. Express\u00e3o mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religi\u00f5es. De todos os tratados de paz. Tupi or not tupi is the question . (ANDRADE, Oswald, 1928)<\/p>\n<p>O teor po\u00e9tico contido no manifesto escrito por Oswald, tamb\u00e9m se mistura, como se observa, com forte teor de natureza pol\u00edtica. Cansado dos ares parisienses Oswald quer redescobrir o Brasil e livr\u00e1-lo da influ\u00eancia cultural hist\u00f3rica dos europeus. Posteriormente, ele cria a \u201cRevista de Antropofagia\u201d que contou com in\u00fameros colaboradores, aos quais figuravam importantes pensadores do modernismo brasileiro. Para bem ilustrar esta fase antropof\u00e1gica da arte brasileira, Pietro Bardi comentou:<\/p>\n<p>Eis agora uma nova planta: a \u2018Antropofagia\u2019, o recuo no tempo de um Brasil dos Brasileiros, sem Cabral, conquistadores, imigrantes, sem caf\u00e9, ind\u00fastria, riquezas, a Terra dos \u00cdndios, on\u00e7as, serpentes. Oswald, agora enjoado da experi\u00eancia parisiense, prega \u201co culto \u00e0 est\u00e9tica instintiva da terra nova. \u00c9 a redu\u00e7\u00e3o a cacarecos dos \u00eddolos importados, para ascens\u00e3o dos totens raciais. \u00c9 a pr\u00f3pria terra da Am\u00e9rica filtrando, expressando atrav\u00e9s dos temperamentos vassalos dos seus artistas (BARDI, 1978, p. 42).<\/p>\n<p>O Abaporu pintado por Tarsila foi oferecido como presente de anivers\u00e1rio ao seu marido Oswald de Andrade. A inspira\u00e7\u00e3o do quadro pintado a \u00f3leo sobre a tela de 85&#215;73 cm poderia ter brotado do inconsciente de Tarsila, o que poderia evocar aqui uma caracter\u00edstica de arte surrealista . Os artistas surrealistas julgavam ser poss\u00edvel projetar na tela algo vindo direto do subconsciente humano. No caso particular da pintora, tratava-se de uma recorda\u00e7\u00e3o da sua inf\u00e2ncia em que algumas mulheres contavam hist\u00f3rias de monstros que comiam crian\u00e7as \u00e0 noite pela rua. O objetivo era o de assustar as crian\u00e7as que queriam permanecer brincando ao inv\u00e9s de ir para cama dormir. Tarsila confirma isso ao dizer:<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] era minha imagina\u00e7\u00e3o criada pelo medo das hist\u00f3rias. E tudo isso ficou guardado dentro de mim. Quando comecei a pintar, pintava meus pr\u00f3prios sonhos. Acordava e j\u00e1 pegava os pinc\u00e9is, as tintas. As reminisc\u00eancias da inf\u00e2ncia saltavam, como um pesadelo, o quadro on\u00edrico, a antropofagia\u201d (TARSILA, 2004, p. 129).<\/p>\n<p>Segundo a sobrinha-neta da pintora brasileira, que foi batizada com o mesmo nome de Tarsila, \u201c[&#8230;] a figura do Abaporu exibe esses elementos descritos por Tarsila: um p\u00e9 imenso, uma m\u00e3o enorme e uma cabe\u00e7a min\u00fascula\u201d (AMARAL, 2004, p. 128). A princ\u00edpio o Abaporu passa essa imagem de algo monstruoso e assustador. Todavia, em uma recente teoria apresentada no livro Abaporu: uma obra de amor escrito pela mesma parenta de Tarsila, a tela trata-se na verdade de um autorretrato de Tarsila j\u00e1 que o objetivo dessa obra era presentear o seu marido e grande amor.<\/p>\n<p>O nome de origem ind\u00edgena quer dizer \u201chomem que come carne humana\u201d foi uma cria\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Tarsila e inspirou o marido Oswald de Andrade a criar o Movimento Antropof\u00e1gico, como j\u00e1 mencionado, tornou-se um marco no Modernismo brasileiro, pois visou mudar a postura dos brasileiro diante da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstico-cultural estrangeira e ao mesmo tempo, enaltecer a identidade tupiniquim no cen\u00e1rio art\u00edstico mundial. Sobre o batismo dessa obra a pintora disse:<\/p>\n<p>[&#8230;] eu quis dar um nome selvagem ao quadro, porque eu tinha um dicion\u00e1rio do Montoia, um padre jesu\u00edta. Para dizer homem, por exemplo, na l\u00edngua dos \u00edndios, era Ab\u00e1. Eu queria dizer homem antrop\u00f3fago. Folheei o dicion\u00e1rio todo e n\u00e3o encontrei. S\u00f3 nas \u00faltimas p\u00e1ginas tinha uma por\u00e7\u00e3o de nomes, e vi Puru e quando eu li dizia: \u2018Homem que come carne humana\u2019. Ent\u00e3o achei. Ah, como vai ficar bem, Aba-Puru! E ficou com esse nome. Segui apenas uma inspira\u00e7\u00e3o, sem nunca prever os resultados. Aquela figura monstruosa, de p\u00e9 enormes, plantados no ch\u00e3o brasileiro ao lado de um cacto, sugeriu a Oswald de Andrade a ideia da terra, do homem nativo, selvagem, antrop\u00f3fago (TARSILA, 2004, p. 128).<\/p>\n<p>Atualmente, a mais valiosa obra de Tarsila do Amaral se encontra sobre a posse do colecionador Argentino Eduardo Constantini no Malba \u2013 Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires \u2013 da Argentina. Constantini pagou a quantia de 1,35 milh\u00e3o de d\u00f3lares pelo Abaporu em 1994. O leil\u00e3o da obra levantou uma grande pol\u00eamica, na \u00e9poca, pois \u00e0s v\u00e9speras do evento espalhou-se a not\u00edcia de um suposto tombamento do quadro por parte do governo brasileiro. Este fato acabou por diminuir o interesse de alguns colecionadores do pa\u00eds em tentar arrematar esta obra, que \u00e9, sem sombras de d\u00favida, um dos grandes expoentes das artes pl\u00e1sticas brasileira de todos os tempos.<\/p>\n<p>Herbert Read fala que o artista \u201creivindica a constru\u00e7\u00e3o de novas realidades [&#8230;] ao ponto de afirmar que a sua constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de modo nenhum determinada nem sequer por conceitos vagos, [&#8230;] mas um ato de cria\u00e7\u00e3o quase no sentido divino da palavra\u201d (READ, [19&#8211;], p. 19). Certamente, tal afirma\u00e7\u00e3o encaixa perfeitamente em Tarsila, pois, mesmo tendo sido influenciada pelos mestres cubistas, a pintora inovou ao fazer uso das cores fortes e caipiras, al\u00e9m, de formas pr\u00f3prias para pintar suas telas, desde modo, ela inventou para os brasileiros o conceito de \u201cbrasilidade\u201d. Como a pr\u00f3pria pintora ap\u00f3s uma viagem feita \u00e0s cidades hist\u00f3ricas mineiras comentou:<\/p>\n<p>Encontrei em Minas as cores que adorava em crian\u00e7a. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerr\u00e3o de gosto apurado. [&#8230;] mas depois vinguei-me da opress\u00e3o, passando-as para as minhas telas: azul pur\u00edssimo, rosa viol\u00e1ceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em grada\u00e7\u00f5es mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de c\u00e2nones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estiliza\u00e7\u00e3o que a adaptava \u00e0 \u00e9poca moderna. Contornos n\u00edtidos, dando a impress\u00e3o perfeita da dist\u00e2ncia que separa um objeto de outro (TARSILA, 2004, p. 90).<\/p>\n<p>O Abaporu foi pintado neste contexto de transforma\u00e7\u00e3o de estilo de Tarsila e j\u00e1 esteve em muitos museus pelo mundo o que lhe deu um car\u00e1ter internacional, todavia, o propriet\u00e1rio da obra, em entrevista recente, disse que esta tela poderia retornar ao Brasil, mas com a seguinte condi\u00e7\u00e3o: que o governo federal \u201c[&#8230;] tentasse convocar um grupo de empres\u00e1rios brasileiros para fundar um novo Malba, um segundo museu no Brasil, com o \u201cAbaporu\u201d em seu acervo permanente.\u201d (WEIS, Ana, 2014). Esta proposta, que primeiramente foi dirigida \u00e0 ent\u00e3o presidente, Dilma Roussef, n\u00e3o obteve resposta, mas segundo o empres\u00e1rio a proposta ainda estaria de p\u00e9. O Abaporu esteve em exposi\u00e7\u00e3o, no Brasil, pela \u00faltima vez, durante a realiza\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia do Abaporu para a arte brasileira \u00e9 algo inquestion\u00e1vel e Tarsila do Amaral que desejou tornar-se a pintora dos brasileiros conseguiu atrav\u00e9s dessa e de tantas outras obras externar toda a sua brasilidade. A artista, como aqueles bons alunos que pretendem superar os seus mestres, rompeu-se com o estilo cubista, inovou e pintou suas obras com as cores que verdadeiramente lhe eram agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nos quadros de Tarsila, o Brasil e os brasileiros ganharam vida e cores. Diga-se que o Abaporu \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o mais amadurecida da obra tarsiliana, pois, foi pintado durante um per\u00edodo de efervesc\u00eancia cultural em que os artistas, mediante o movimento modernista, especialmente, ap\u00f3s o manifesto antropof\u00e1gico, buscavam assegurar ao Brasil o seu espa\u00e7o na arte produzida na \u00e9poca, n\u00e3o como c\u00f3pia europeia, mas, se manifestando de forma original.<\/p>\n<p>Sendo uma artista moderna, Tarsila, sobretudo, foi uma cr\u00edtica da arte e isso a levou descobrir novos caminhos para sua pintura. Pelo uso da imagina\u00e7\u00e3o, da recorda\u00e7\u00e3o dos tempos da vida caipira no interior de S\u00e3o Paulo, das experi\u00eancias das in\u00fameras viagens pelo pa\u00eds e pelo mundo e a partir do seu modo de pintar e de seu temperamento, a renomada pintora brasileira criou uma arte bastante peculiar. Com Tarsila a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica brasileira foi melhor reconhecida pela cr\u00edtica internacional, e isso, colaborou de forma significativa para que artistas nacionais sentissem-se motivados a produzir a partir do seu pr\u00f3prio ch\u00e3o, rompendo, assim, com as formas cl\u00e1ssicas e com as concep\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas at\u00e9 ent\u00e3o vigentes.<\/p>\n<p>Indubitavelmente, Tarsila mostrou ao mundo que o Brasil era capaz de construir seu pr\u00f3prio estilo de se expressar pela arte. Mesmo tendo estudado com os mestres do cubismo e recebido outras influ\u00eancias europ\u00e9ias, a paulista desenvolveu sua brasilidade na pintura, apresentando obras at\u00e9 ent\u00e3o jamais vistas.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>AMARAL, Tarsila do. Tarsila por Tarsila. S\u00e3o Paulo: Celebris, 2004.<\/p>\n<p>AMARAL, Tarsila do (sobrinha-neta). A nova teoria sobre o Abaporu. Site oficial de Tarsila do Amaral, 26 de fevereiro de 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/tarsiladoamaral.com.br\/nova-teoria-sobre-abaporu-de-tarsila-do-amaral-e-revelada-por-sua-sobrinha-neta-em-palestra-gratuita&gt;. Acesso em 6 de novembro de 2016.<\/p>\n<p>ANDRADE, Oswald. O Manifesto Antrop\u00f3fago e Manifesto da poesia Pau Brasil. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Dispon\u00edvel em: &lt; antrop\u00f3fago http:\/\/www.ufrgs.br\/cdrom\/oandrade\/oandrade.pdf &gt;. Acesso em 9 de novembro de 2016.<\/p>\n<p>BARDI, Pietro Maria org. O Modernismo no Brasil. Diagrama\u00e7\u00e3o Dan Fialdini. Brasil: Edi\u00e7\u00e3o Banco Franc\u00eas e Italiano para a Am\u00e9rica do Sul S\/A \u2013 SUDAMERIS, 1978. (Cole\u00e7\u00e3o Arte e Cultura).<\/p>\n<p>BRAGA, Eduardo. Arte e autonomia a contribui\u00e7\u00e3o decisiva da modernidade. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.edubraga.pro.br\/estetica-aesthetics\/arte-e-autonomia-a-contribuicao-decisiva-da-modernidade\/&gt;. Acesso 30 de outubro de 2016.<\/p>\n<p>DUFRENNE, Mikel. Est\u00e9tica e filosofia. Tradu\u00e7\u00e3o Roberto Figurelli. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2012. (Debates; 69\/ dirigida por Guinsburg).<\/p>\n<p>FOLHA, Banco de Dados. Morre Benedetto Croce aos 86 anos de idade. Empresa Folha da Manh\u00e3 Ltda \u2013 Acervo online. Dispon\u00edvel em:&lt;http:\/\/almanaque.folha.uol.com.br\/mundo_20nov1952.htm&gt;. Acesso em 9 de novembro de 2016.<\/p>\n<p>JANSON HW. Hist\u00f3ria geral da arte. Leal MB, organizador. 2 ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes; 2001.<\/p>\n<p>READ, Herbert. A Filosofia da Arte Moderna. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Jos\u00e9 Miranda. Lisboa: Editora Ulisseia, [19&#8211;].<\/p>\n<p>JIMENEZ, Marc. O que \u00e9 est\u00e9tica? Tradu\u00e7\u00e3o F\u00falvia M. C. Moretto. S\u00e3o Leopoldo: Ed. Unisinos, 1999.<\/p>\n<p>WEIS, Ana. Se quiser, o Brasil pode ter de volta o \u2018Abaporu&#8217;. Isto \u00e9, S\u00e3o Paulo, 10 de setembro de 2014. Dispon\u00edvel em: http:\/\/istoe.com.br\/381143_SE+QUISER+O+BRASIL+PODE+TER+DE+VOLTA+O+ABAPORU+\/&gt;. Acesso em: 16 de set. 2016.<\/p>\n<p>MUKAROVSKY, Jan. Escritos sobre Est\u00e9tica e Semi\u00f3tica da Arte. Lisboa: Editorial Estampa, 1981<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p>*Graduando em filosofia na FAM<br \/>\n1 Benedetto Croce, famoso fil\u00f3sofo e historiador italiano, nasceu em Pescasseroli (Aquila), em 1866. Formado pela Universidade de Roma, desde cedo se imp\u00f4s como cr\u00edtico de arte e literatura. Sua teoria sobre a est\u00e9tica parte do ponto de vista de que a beleza \u00e9 um ideal para o qual se encaminham todas as atividades humanas. Para Croce, tudo o que \u00e9 arte e prazer art\u00edstico \u00e9 a express\u00e3o de uma intui\u00e7\u00e3o comum ao que \u00e9 humano. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/almanaque.folha.uol.com.br\/mundo_20nov1952.htm&gt;. Acesso em 9 de novembro de 2016.<br \/>\n2 O Manifesto Antrop\u00f3fago. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Dispon\u00edvel em: &lt; antrop\u00f3fago http:\/\/www.ufrgs.br\/cdrom\/oandrade\/oandrade.pdf &gt;. Acesso em 9 de novembro de 2016.<br \/>\n3 \u201cOs surrealistas definiram os seus objetivos como puro automatismo ps\u00edquico [\u2026] para exprimir [\u2026] o verdadeiro processo do pensamento [\u2026] liberto do exerc\u00edcio da raz\u00e3o e de qualquer finalidade est\u00e9tica ou moral. A teoria surrealista esta fortemente impregnada de conceitos psicanal\u00edticos e a sua ret\u00f3rica for\u00e7ada nem sempre pode ser levada a s\u00e9rio. A no\u00e7\u00e3o de que era poss\u00edvel transportar um sonho diretamente do subconsciente para a tela, sem a interven\u00e7\u00e3o consciente do artista, n\u00e3o resultou na pr\u00e1tica. [\u2026] No entanto, o surrealismo estimulou v\u00e1rias t\u00e9cnicas novas de provocar e explorar efeitos do acaso\u201d. JANSON HW. Hist\u00f3ria geral da arte. Leal MB, organizador. 2 ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes; 2001. p. 972.<br \/>\n4 Livro escrito por Tarsila do Amaral (sobrinha-neta de Tarsila) lan\u00e7ado pela Editora A &amp; A em setembro de 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/tarsiladoamaral.com.br\/&gt; Acesso em 6 de novembro de 2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e9rcules Amorim Werneck* Resumo: O presente artigo pretende tratar quest\u00f5es relativas ao campo da Filosofia da arte e da est\u00e9tica a fim de compreender mais sobre do universo art\u00edstico em que se encontrava Tarsila do Amaral, famosa artista pl\u00e1stica brasileira. 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