{"id":2693,"date":"2018-06-11T08:19:30","date_gmt":"2018-06-11T11:19:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2693"},"modified":"2018-06-11T08:19:30","modified_gmt":"2018-06-11T11:19:30","slug":"judaismo-e-filosofia-em-filon-de-alexandria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2693","title":{"rendered":"JUDA\u00cdSMO E FILOSOFIA, EM F\u00cdLON DE ALEXANDRIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Jos\u00e9 M\u00e1rio Santana Barbosa<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">*<\/a><\/p>\n<p><strong>RESUMO: <\/strong>O objetivo deste presente estudo \u00e9 buscar, na obra de F\u00edlon de Alexandria, aspectos que identificam o seu pensamento a respeito da import\u00e2ncia da Filosofia como aspecto indissoci\u00e1vel do pensamento judeu. Para isso, ser\u00e1 analisada a obra \u201cSobre la uni\u00f3n con los estudios preliminares\u201d, na qual, por meio de alegorias com as Sagradas Escrituras, F\u00edlon apresenta, entre outros aspectos, a import\u00e2ncia da busca pelo conhecimento e, portanto, uma poss\u00edvel justifica\u00e7\u00e3o para o uso da Filosofia no juda\u00edsmo. Ap\u00f3s isso, buscar-se-\u00e1 acrescentar esse estudo com uma reflex\u00e3o a respeito da distin\u00e7\u00e3o feita entre Filosofia e Teologia pelo autor e por pensadores posteriores a ele e as consequ\u00eancias que esse pensamento acarretou e acarreta ao meio acad\u00eamico at\u00e9 hoje. Por fim, ser\u00e1 apresentado um breve coment\u00e1rio a respeito da import\u00e2ncia do uso da raz\u00e3o para a comunidade judaica, defendido por Jean-Paul Sartre, em sua obra \u201cA quest\u00e3o judaica\u201d, na qual ele defende o juda\u00edsmo das amea\u00e7as da sociedade francesa \u201cantissemita\u201d ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p><strong>PALAVRAS-CHAVE: <\/strong>Juda\u00edsmo. Filosofia. Teologia. Raz\u00e3o. Alegoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Basicamente em todas as sociedades, desde que o homem passou a questionar-se sobre si mesmo e sobre as coisas ao seu redor, sempre existiu um conflito entre as explica\u00e7\u00f5es racional e religiosa para a origem desses e de outros fen\u00f4menos. Nesse sentido, posi\u00e7\u00e3o dianteira adquire a Filosofia Judaica a partir de F\u00edlon de Alexandria, ao indicar uma uni\u00e3o imprescind\u00edvel entre esses polos, para alcan\u00e7ar-se a almejada sabedoria.<\/p>\n<p>A fim de aprofundar melhor essa interessante e at\u00e9 curiosa posi\u00e7\u00e3o, esse estudo buscar\u00e1 entender melhor quais as origens do pensamento fil\u00f4nico a respeito da import\u00e2ncia do uso da Filosofia, como meio para se chegar \u00e0 sabedoria, amparado sempre em seu m\u00e9todo de an\u00e1lise b\u00edblica, as \u201calegorias\u201d.<\/p>\n<p>Assim, ancorado na obra <em>De congresso eruditionis gratia<\/em>, na qual, a partir de uma alegoria com um texto do livro do G\u00eanesis o autor discute o ensinamento da hist\u00f3ria de Abra\u00e3o, Sara e Agar, buscar-se-\u00e1 chegar at\u00e9 \u00e0 origem dessa busca de F\u00edlon, que caracterizaria toda uma sociedade judaica moderna, pautada no uso da raz\u00e3o e na Filosofia. Essa an\u00e1lise ser\u00e1 amparada pelo estudo de alguns comentadores e estudiosos do tema e pelo breve estudo de um outro autor judeu, Jean-Paul Sartre, que, defendendo seu povo das amea\u00e7as preconceituosas da Fran\u00e7a p\u00f3s-Guerra, mostra, entre outros aspectos, a import\u00e2ncia do uso da raz\u00e3o para sua cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1 CONHECIMENTO, VIRTUDE E SABEDORIA NA ALEGORIA FIL\u00d4NICA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A obra \u201cSobre la uni\u00f3n con los estudios preliminares\u201d (ou <em>De congresso eruditionis gratia<\/em>) j\u00e1 come\u00e7a com uma alegoria. Desde o in\u00edcio, F\u00edlon pauta seu pensamento a partir da interpreta\u00e7\u00e3o de alguns textos b\u00edblicos da tradi\u00e7\u00e3o judaica, principalmente a narra\u00e7\u00e3o do livro do G\u00eanesis na qual \u00e9 apresentada a hist\u00f3ria de Abra\u00e3o, Sara e Agar. Abra\u00e3o e Sara, casados, judeus bons cumpridores da Lei, n\u00e3o conseguem ter filhos, o que contraria aquilo que o pr\u00f3prio Deus havia dito ao marido: que ele haveria de ter uma descend\u00eancia incont\u00e1vel e duradoura. Como ent\u00e3o compreender o que estava acontecendo? Como buscar um meio para que a obra de Deus continuasse sendo poss\u00edvel e Abra\u00e3o tivesse um filho?<\/p>\n<p>Sara, sua esposa, vendo a incapacidade de gerar um filho para seu marido, indica a Abr\u00e3o que se una \u00e0 sua serva, a eg\u00edpcia Agar. Isso acontece e, finalmente, Abr\u00e3o tem um filho, Ismael, ainda que este fosse gerado por sua serva e n\u00e3o propriamente por sua esposa. O in\u00edcio da hist\u00f3ria \u00e9 este, e o que poderia ser apenas uma narra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-tradicional do fato b\u00edblico ocorrido, em F\u00edlon de Alexandria, ganha um car\u00e1ter indubitavelmente muito maior.<\/p>\n<p>F\u00edlon traz para a interpreta\u00e7\u00e3o das Sagradas Escrituras aspectos subentendidos no texto que poderiam passar desapercebidos pelo leitor desatento e inexperiente nessa an\u00e1lise. Para ele, o texto n\u00e3o trata propriamente apenas de pessoas, mas sim de modos de vida, de maneiras de se alcan\u00e7ar a felicidade (que \u00e9, no caso, o filho t\u00e3o desejado).<\/p>\n<p>No literal, \u00e9 um homem s\u00e1bio quem migra. J\u00e1 no aleg\u00f3rico, \u00e9 uma alma amante da virtude. Ou seja, o sentido literal se restringe a um personagem hist\u00f3rico espec\u00edfico, enquanto o aleg\u00f3rico generaliza as implica\u00e7\u00f5es do texto, j\u00e1 que trata de <em>uma <\/em>alma. Deve-se notar que, mesmo com a apresenta\u00e7\u00e3o do sentido aleg\u00f3rico, o literal, o homem hist\u00f3rico, n\u00e3o \u00e9 negado. [&#8230;] Isso porque, segundo ele [F\u00edlon], toda ou a maior parte da Lei \u00e9 alegorizada. (RIOS, 2009, p. 96)<\/p>\n<p>Abra\u00e3o \u00e9 aquele que deseja alcan\u00e7ar essa felicidade e sabe que ela s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada a partir da sabedoria. E Sara \u00e9 a figura que representa essa sabedoria, raz\u00e3o pela qual Abr\u00e3o se une a ela e dela espera obter um filho. Contudo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que um homem passe do estado da completa \u201cimaturidade\u201d para a plena sabedoria que lhe satisfa\u00e7a por meio de seus frutos. \u00c9 por isso que Sara indica a Abra\u00e3o o caminho que ele deve percorrer: o caminho das virtudes. E \u00e9 Agar, a serva estrangeira que morava h\u00e1 10 anos com o casal, que \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o desse caminho. Embora possa oferecer muito ao patriarca e acrescentar a ele muito conhecimento e crescimento nas virtudes, Agar n\u00e3o pode dar-lhe a plenitude da felicidade, que s\u00f3 \u00e9 alcan\u00e7ada pela sabedoria, isto \u00e9, Sara. Mesmo assim, \u00e9 necess\u00e1rio que ele percorra esse caminho, caso deseje chegar um dia a ter um filho com Sara, a verdadeira sabedoria.<\/p>\n<p>Diremos que Abra\u00e3o, quando se apressa a tomar por esposa a criada da sabedoria, significa dizer a instru\u00e7\u00e3o acerca da cultura geral, n\u00e3o se esque\u00e7a. Mois\u00e9s o disse, a f\u00e9 devida \u00e0 senhora desta; antes, sabe que aquela \u00e9 sua esposa por lei e elei\u00e7\u00e3o, enquanto esta o \u00e9 por necessidade e pela for\u00e7a das circunst\u00e2ncias. Tal \u00e9 o que ocorre com todo amante do aprender, nenhum testemunho \u00e9 mais ver\u00eddico a esse respeito que a pr\u00f3pria experi\u00eancia. (F\u00cdLON, <em>De congressu quaerendae eruditionis gratia<\/em>, XIV, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Algumas das artes que Agar representa e oferece a Abr\u00e3o a fim de que ele alcance a virtude s\u00e3o a gram\u00e1tica (a arte de se comunicar bem); a geometria (no\u00e7\u00f5es de igualdade e propor\u00e7\u00e3o); a astronomia (distin\u00e7\u00e3o de <em>caos <\/em>e <em>cosmos)<\/em>; a ret\u00f3rica (modos de expressar a palavra); a m\u00fasica (conjunto de sons, <em>sinfonia<\/em>); e a l\u00f3gica (capacidades de racioc\u00ednio e refuta\u00e7\u00e3o de argumentos). Unindo-se a Agar, Abr\u00e3o aprende o \u201csaber demonstrativo\u201d do conhecimento, e adquire o esperado \u201csaber pr\u00e1tico\u201d da virtude, o que lhe permite, finalmente, unir-se verdadeiramente a Sara (o \u201csaber te\u00f3rico\u201d, a excel\u00eancia da sabedoria) e ter com ela um filho (o que acontece com o nascimento de Isaac). Aquele que busca a sabedoria, n\u00e3o pode ficar parado no conhecimento adquirido da uni\u00e3o com Agar, ainda que ele seja bom. Deve, sim, unir-se a esta sempre com a consci\u00eancia de ser realmente casado e, portanto, \u201camante\u201d, de Sara.<\/p>\n<p>Cada uma destas artes possui, com efeito, seus encantos e poderes de atra\u00e7\u00e3o determinados, e n\u00e3o falta quem, seduzido por eles, permane\u00e7a com elas e se esque\u00e7a de seus compromissos com a filosofia. Ao contr\u00e1rio, aquele que se at\u00e9m fielmente ao combinado, procura tudo, de todas as maneiras, com \u00e2nimo de satisfazer a esta. \u00c9 l\u00f3gico, portanto, que a sagrada escritura, admirada de sua f\u00e9, diga que Sara \u00e9 a mulher de Abra\u00e3o tamb\u00e9m nesta ocasi\u00e3o, quando este toma \u00e0 criada para satisfazer \u00e0quela. (F\u00cdLON, <em>De congressu quaerendae eruditionis gratia<\/em>, XIV, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[2]<\/a><\/p>\n<p>O caminho apresentado por F\u00edlon \u00e9 bastante instigante: \u00e9 necess\u00e1rio um conhecimento das ci\u00eancias (representadas pelas virtudes), para, a partir delas, chegar-se ao conhecimento da Filosofia e, dela, finalmente alcan\u00e7ar-se \u00e0 sabedoria. \u00c9 esse caminho que merece destaque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2 <strong>A FILOSOFIA EM F\u00cdLON: CAMINHO PARA AQUISI\u00c7\u00c3O DA SABEDORIA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentre as artes apresentadas como caminho para se chegar \u00e0 sabedoria, destaca-se a Filosofia, como meio mais prop\u00edcio para tal. De fato, na obra de F\u00edlon de Alexandria, ela \u00e9 apresentada como um caminho \u201cposterior\u201d \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o das virtudes citadas (gram\u00e1tica, ret\u00f3rica, geometria&#8230;) e \u201canterior\u201d \u00e0 uni\u00e3o com a verdadeira sabedoria. A Filosofia, nesse contexto, parece funcionar como ponte, que liga Abra\u00e3o a Sara, a sabedoria ao conhecimento que fora enriquecido pelas virtudes de Agar. Dessa forma, \u00e9 imposs\u00edvel chegar-se at\u00e9 a essa ponte sem que antes sejam adquiridos os conhecimentos b\u00e1sicos que s\u00e3o advindos da experimenta\u00e7\u00e3o e da busca pelo conhecimento, da \u201crefina\u00e7\u00e3o\u201d dos sentidos e do bom aprendizado de t\u00e9cnicas para o <em>pensar<\/em>.<\/p>\n<p>Porque a mesma rela\u00e7\u00e3o que intermedeia entre a intelig\u00eancia e a sensibilidade, intermedeia entre a ci\u00eancia e a arte, pois, como foi dito, a alma \u00e9 em certo modo o sentido dos sentidos (a ci\u00eancia \u00e9 a arte das artes). Cada uma das artes, pois, tem tomado para si certas pequenas por\u00e7\u00f5es da natureza e nelas concentra sua aten\u00e7\u00e3o e seus esfor\u00e7os; a geometria tem escolhido as linhas, a m\u00fasica as notas musicais, por exemplo; ao contr\u00e1rio, a filosofia abarca a natureza toda dos seres, j\u00e1 que seu objeto \u00e9 este mundo e toda forma vis\u00edvel e invis\u00edvel da exist\u00eancia. (F\u00cdLON, <em>De congressu quaerendae eruditionis gratia<\/em>, XXV, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a><\/p>\n<p>A Filosofia \u00e9, portanto o caminho necess\u00e1rio para a aquisi\u00e7\u00e3o da sabedoria que, no contexto judaico de F\u00edlon, s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada plenamente com o conhecimento de Deus. Consider\u00e1-la como \u201cserva\u201d da Teologia \u2013 embora esse termo n\u00e3o tenha sido citado na obra estudada de F\u00edlon \u2013 \u00e9, pois, dizer que \u00e9 imposs\u00edvel se chegar \u00e0 plenitude do saber (a senhora) sem antes percorrer o caminho da uni\u00e3o com os conhecimentos espec\u00edficos e, posteriormente, com a Filosofia propriamente dita. Sabedoria \u00e9, antes de mais nada, conhecer a realidade das coisas criadas pela divindade, passando-se inevitavelmente pelo pr\u00f3prio conhecimento de Deus. O caminho apresentado por F\u00edlon \u00e9 did\u00e1tico e bastante claro. Para se alcan\u00e7ar \u00e0 sabedoria verdadeira, deve-se chegar primeiro \u00e0 sua serva (a Filosofia) e, para se chegar a esta, por sua vez, deve-se debru\u00e7ar no conhecimento adquirido de sua serva (Agar, as virtudes), o caminho indispens\u00e1vel para todos. Esse caminho (e suas mais diversas interpreta\u00e7\u00f5es) perpassou s\u00e9culos, e, no cristianismo da Idade M\u00e9dia, ganhou um car\u00e1ter ainda maior, para justificar a import\u00e2ncia da Filosofia como \u201cporta de entrada\u201d da Teologia.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o dessa passagem<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[4]<\/a> constitui o ponto de partida do tratamento da filosofia como \u201cserva da teologia\u201d (<em>ancilla theologiae<\/em>) na Idade M\u00e9dia, e a ela se reporta ainda a invers\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre ambas por Immanuel Kant com a famosa imagem de que a filosofia, como serva, precede a sua senhora carregando-lhe a tocha e n\u00e3o viria ap\u00f3s ela carregando-lhe a cauda do vestido. (PANNENBERG, 2008, p. 18)<\/p>\n<p>E por que a necessidade da Filosofia para esse encontro com a sabedoria? A Filosofia, j\u00e1 no pensamento de F\u00edlon, \u00e9 caracterizada como aquela respons\u00e1vel por educar o comportamento som\u00e1tico e psicol\u00f3gico daqueles que dela fazem uso, desde a maneira de falar, de se comportar, at\u00e9 a forma de pensar e de argumentar. Ao longo da vida, o homem adquire v\u00edcios, paix\u00f5es \u201cdesordenadas\u201d e pr\u00e1ticas ruins que lhe acompanham. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio que, por meio da Filosofia, ele entenda a origem de seus impulsos e possa control\u00e1-los com mais facilidade. Al\u00e9m do mais, faz-se indispens\u00e1vel que todo o conhecimento adquirido no primeiro est\u00e1gio da busca pela sabedoria seja, por meio da Filosofia, convertido, finalmente, na pr\u00e1tica dessas virtudes, o que permite que o homem se relacione bem consigo mesmo e possa estar apto a entender melhor a divindade que o rege e se relacionar melhor com ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A filosofia nos ensina o controle do ventre, o controle das partes que est\u00e3o mais abaixo dele e o controle da l\u00edngua. Estes controles s\u00e3o considerados convidativos em si mesmos, mas aparecem como mais elevados ainda se s\u00e3o aplicados para honra e servi\u00e7o de Deus. \u00c9 necess\u00e1rio, por isso, ter presente a senhora quando nos dispomos a desposarmo-nos com as criadas dela. E atribuamo-nos o nome de esposos delas, mas aquela n\u00e3o se chame simplesmente de nossa esposa, mas seja nossa esposa verdadeira. (F\u00cdLON, <em>De congressu quaerendae eruditionis gratia<\/em>, XIV, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[5]<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3 O USO DA RAZ\u00c3O NO JUDA\u00cdSMO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir do momento em que o homem come\u00e7ou a usar de sua raz\u00e3o para tentar explicar os fen\u00f4menos que o cercavam, o aspecto religioso, que j\u00e1 o acompanhava desde h\u00e1 muito tempo, permanecia latente em suas mentes e influenciava, em muito, essa busca pelo saber. Com muita cautela e at\u00e9 mesmo medo analisava-se a proposta de um uso mais emp\u00edrico do saber humano, em detrimento da cren\u00e7a nas divindades que cada vez mais perdia seu espa\u00e7o no campo das respostas aos questionamentos desenvolvidos.<\/p>\n<p>Todavia, em alguns momentos \u2013 o que muito tem acontecido ultimamente \u2013, buscou-se a resposta para o seguinte questionamento: como conciliar Filosofia e Teologia, o saber emp\u00edrico\/racional e o saber revelado? \u201cTertuliano, de fato, foi capaz de escrever isto: \u2018Que tem a ver Atenas com Jerusal\u00e9m? Que tem a ver a Academia com a Igreja?\u2019\u201d (PANNENBERG, 2008, p. 18)<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 diferente com o Juda\u00edsmo. Ao longo de sua hist\u00f3ria, especialmente ap\u00f3s uma \u201cabertura\u201d de suas estruturas, permitindo a entrada do modo racional de ver e pensar o mundo, os judeus dividiram-se nas duas vertentes principais desse questionamento. Uma, conservadora, acreditando que s\u00f3 seria poss\u00edvel o pleno conhecimento das coisas a partir da revela\u00e7\u00e3o, vinda de Deus e passada por meio dos profetas; a outra, mais aberta, tentando incluir e justificar o uso da raz\u00e3o, por meio da Filosofia, dentre outras ci\u00eancias, no intuito de se chegar \u00e0 \u201cverdadeira sabedoria\u201d.<\/p>\n<p>O uso da raz\u00e3o pelo judeu n\u00e3o exclui, contudo, a f\u00e9 e a revela\u00e7\u00e3o. Muito pelo contr\u00e1rio, o complementa. \u00c9 nessa perspectiva que surgiu o pensamento de F\u00edlon de Alexandria. Por meio de alegorias, como vimos, ele desenvolve, em sua obra, uma rica conjuga\u00e7\u00e3o entre Filosofia e Teologia, justificando o uso da raz\u00e3o, inclusive, como meio dado por Deus ao homem, para chegar \u00e0 sua \u201ccompletude\u201d espiritual. Aqui, o pensamento judaico adquiriu um importante acr\u00e9scimo do racionalismo grego, incorporando em sua cultura, a partir deste, os tra\u00e7os que mais lhe diziam respeito.<\/p>\n<p>Desde o primeiro s\u00e9culo da Era Crist\u00e3 os judeus helen\u00f3fonos de Alexandria tinham principiado a incorporar o platonismo e o estoicismo ao pensamento judaico: F\u00edlon de Alexandria (m. 40 d.C.) levou a aproxima\u00e7\u00e3o entre o juda\u00edsmo e o helenismo a um n\u00edvel jamais igualado \u2013 ali\u00e1s, fez mais do que qualquer outro pensador monote\u00edsta para integrar a filosofia \u00e0 Revela\u00e7\u00e3o (ou a Revela\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia), pois foi o primeiro a lan\u00e7ar as bases da \u201cMetaf\u00edsica do \u00caxodo\u201d (identifica\u00e7\u00e3o do Deus da B\u00edblia com o Ser da filosofia grega) e da onto-teo-logia, ao interpretar o Nome divino revelado a Mois\u00e9s, em <em>\u00caxodo <\/em>3, 14 no sentido de <em>Eu sou o Ser<\/em>. (DE LIBERA, 2011, p. 195)<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica importante a ser observada \u00e9 o fato de a filosofia judaica ter se desenvolvido especialmente a partir do surgimento de suas maiores \u201cdissid\u00eancias\u201d, isto \u00e9, o cristianismo e o islamismo. Estes, por sua vez, aceitaram com maior facilidade o pensamento ocidental e utilizaram dele para constru\u00edrem e embasarem muitas de suas doutrinas, seja pela \u201cfraqueza\u201d de suas cren\u00e7as rec\u00e9m-nascidas, seja pela influ\u00eancia dos diversos povos que aos poucos foram aderindo a essas religi\u00f5es. De certo modo, isso obrigou o juda\u00edsmo a, aos poucos, fazer o mesmo: \u201cSimplificando, pode-se dizer que a \u00e9poca da filosofia judaica, em hebraico, pertence \u00e0 hist\u00f3ria do juda\u00edsmo em pa\u00edses da cristandade, e a da filosofia judaica em judeu-\u00e1rabe pertence ao juda\u00edsmo nas terras do Isl\u00e3\u201d (DE LIBERA, 2011, p. 197).<\/p>\n<p>E esse apelo ao uso da raz\u00e3o, ao inv\u00e9s de diminuir, como seria natural que acontecesse (como parece, inclusive, ter acontecido no islamismo e no cristianismo), no juda\u00edsmo ganhou um impulso muito grande a partir da obra de F\u00edlon e de outros fil\u00f3sofos judeus. O judeu passou a se identificar como um povo culto, que supervaloriza o conhecimento nos seus mais variados graus, sem, claro, deixar de lado sua f\u00e9 e o apre\u00e7o \u00e0 revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, pois, a verdadeira vida \u00e9 a daquele que marcha nas decis\u00f5es e mandamentos de Deus; daqui se deduz que os atos dos ateus equivalem \u00e0 morte. Dito est\u00e1 j\u00e1 quais s\u00e3o esses atos: n\u00e3o s\u00e3o outros que os da paix\u00e3o e dos v\u00edcios, de onde nascem as multid\u00f5es de \u00edmpios e sacr\u00edlegos (F\u00cdLON, <em>De congressu quaerendae eruditionis gratia<\/em>, XVI, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Jean-Paul Sartre, fil\u00f3sofo judeu do s\u00e9culo XX, defende, em sua obra \u201cA quest\u00e3o judaica\u201d, o modo de ser judaico do pensamento antissemita europeu p\u00f3s-II Guerra Mundial. Entre outros aspectos, Sartre ressalta a import\u00e2ncia que o judeu tem para a Europa e o Mundo em geral, dada a sua contribui\u00e7\u00e3o nas mais diversas \u00e1reas da sociedade. Tudo isso \u00e9 equiparado ao grande preconceito existente \u00e0 sua imagem, uma tortura \u00e0 honra e aos costumes desse povo.<\/p>\n<p>Uma das defesas mais interessantes de Sartre \u00e9 exatamente a respeito do uso da raz\u00e3o pelo judeu. A partir de sua obra, pode-se perceber com bastante clareza o quanto \u00e9 importante o uso da raz\u00e3o \u2013 logo, da Filosofia \u2013, para o juda\u00edsmo. Longe de ter parado no tempo, o pensamento judaico parece ter invertido completamente a posi\u00e7\u00e3o que ocupava em compara\u00e7\u00e3o com os dois troncos religiosos que dele s\u00e3o advindos. Se antes era o judeu quem prezava pelo uso da f\u00e9 amparada apenas pela cren\u00e7a pura e dogm\u00e1tica, hoje ele \u00e9 quem assume a dianteira na conjuga\u00e7\u00e3o filosofia-teologia, sempre partindo do uso primeiro da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>O anti-semita reprova do judeu \u201cn\u00e3o criar nada\u201d, ter \u201cesp\u00edrito destrutivo\u201d. Essa acusa\u00e7\u00e3o absurda (Spinoza, Proust, Kafka, Darius Milhaud, Chagall, Einstein, Bergson n\u00e3o s\u00e3o judeus?) p\u00f4de parecer sedutora porque a intelig\u00eancia judaica assume facilmente uma postura cr\u00edtica. [&#8230;] Foram levantados contra o judeu os poderes irracionais da trai\u00e7\u00e3o, da ra\u00e7a, do destino nacional, do instinto. [&#8230;] A defesa do israelita \u00e9 negar ao mesmo tempo a intui\u00e7\u00e3o e o irracional; \u00e9 eliminar as for\u00e7as obscuras, a magia, o contra-senso, tudo que n\u00e3o se pode explicar com base nos princ\u00edpios universais, tudo que deixa entrever tend\u00eancias \u00e0 singularidade, \u00e0 excess\u00e3o. [&#8230;] E, nesse sentido, pode-se realmente falar de destrui\u00e7\u00e3o; mas o que o judeu quer destruir \u00e9 estritamente localizado, \u00e9 o conjunto dos valores irracionais que produzem um conhecimento imediato e sem garantias. (SARTRE, 1995, p. 72-73)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse breve estudo, ficou bastante clara a import\u00e2ncia que o uso da Filosofia tem para a comunidade judaica de um modo geral, em especial para o pensamento de F\u00edlon de Alexandria e de toda a cultura israelita que o sucedeu. A partir de F\u00edlon, a Filosofia (e o uso da raz\u00e3o) passou a ser usada como parte integrante e condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em>, para a compreens\u00e3o do mundo em que vivemos.<\/p>\n<p>Como \u201cserva\u201d da sabedoria, a Filosofia \u00e9 apresentada, no pensamento fil\u00f4nico, com o grande papel de moldar os indiv\u00edduos, no conhecimento das artes e, principalmente, em seu autoconhecimento, a fim de que eles estejam aptos para desfrutarem da sabedoria verdadeira e dela fazerem uso. Aqui, portanto, a Filosofia \u00e9 apresentada principalmente como um \u201cmodo de vida\u201d regrado, coerente e especulativo.<\/p>\n<p>Em toda a obra de F\u00edlon de Alexandria, percebe-se, portanto, um profundo interesse pelo modo racional de explicar o mundo, ainda que esse esteja sempre ancorado em toda uma compreens\u00e3o fide\u00edsta religiosa, como pode ser visto, inclusive, pelo apre\u00e7o pelo uso das alegorias como forma v\u00e1lida de an\u00e1lise filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>O pensamento que sucedeu a F\u00edlon carregou e carrega marcas claras de sua prefer\u00eancia pelo uso da raz\u00e3o. E o pr\u00f3prio comportamento do judeu frente \u00e0 sociedade ao longo dos s\u00e9culos (como comprova Sartre) fez jus a esse modo de ser e de agir. Como \u201cserva\u201d, a filosofia cada vez mais toma a dianteira e abre os caminhos daqueles que buscam pela sabedoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DE LIBERA, Alain. <em>A filosofia medieval. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Nicol\u00e1s Nyimi Campan\u00e1rio e Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2011.<\/p>\n<p>FIL\u00d3N DE ALEJANDR\u00cdA. <em>Sobre la uni\u00f3n con los estudios preliminares.<\/em> Traducci\u00f3n de Jos\u00e9 Mar\u00eda Trivi\u00f1o. Buenos Aires: Acervo Cultural, 1976. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.diostellama.com\/pdf\/26filondealejandriaobrascompletas.pdf&gt;. Acesso em: 5 out. 2016.<\/p>\n<p>PANNENBERG, Wolfhart. <em>Filosofia e Teologia<\/em>: tens\u00f5es e converg\u00eancias de uma busca comum. Tradu\u00e7\u00e3o de N\u00e9lio Schneider. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008.<\/p>\n<p>RIOS, Cesar Motta. <em>A alegoria na tessitura de F\u00edlon de Alexandria<\/em>: estudo a partir da obra fil\u00f4nica com \u00eanfase em Sobre os Sonhos I. Disserta\u00e7\u00e3o (P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras) \u2013 Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.bibliotecadigital.ufmg.br\/dspace\/bitstream\/handle\/1843\/ECAP-7NYNSE\/disseta__o_cesar_rios___arquivo__nico__com_restri__o_retirada_.pdf?sequence=1&gt;. Acesso em: 9 out. 2016.<\/p>\n<p>SARTRE, Jean-Paul. <em>A quest\u00e3o judaica.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Vilela. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1995.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">*<\/a> Bacharelando em Filosofia pela FAM<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a><em> Diremos que Abraham, cuando se apresta a tomar por esposa a la criada de la sabidur\u00eda, es decir, la instrucci\u00f3n acerca de la cultura general, no olvida. Mois\u00e9s lo dice, la fe debida a la se\u00f1ora de \u00e9sta; antes, sabe que aqu\u00e9lla es su esposa por ley y personal elecci\u00f3n, en tanto que \u00e9sta lo es por necesidad y por la fuerza de las circunstancias. Tal es lo que ocurre con todo amante del aprender, v ning\u00fan testimonio m\u00e1s ver\u00eddico al respecto que la propia experiencia.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a> <em>Cada una de estas artes posee, en efecto, sus encantos y poderes de atracci\u00f3n determinados, y no faltan quienes, seducidos por estos, permanecen con ellas y se olvidan de sus compromisos con la filosof\u00eda.<\/em><em> En cambio, aquel que se atiene fielmente a lo convenido, todo lo procura de todas partes con \u00e1nimo de complacer a \u00e9sta. L\u00f3gico es, pues, que la sagrada palabra, admirada de su fe, diga que Sara es la mujer de Abraham tambi\u00e9n en esta ocasi\u00f3n, cuando \u00e9ste toma a la criada para complacer a aqu\u00e9lla.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> <em>Porque la misma relaci\u00f3n que media entre la inteligencia y la sensibilidad, media entre la ciencia y el arte, pues, si, como se dej\u00f3 antes sentado, el alma es en cierto modo el sentido de los sentidos, (la ciencia es el arte de las artes). Cada una de las artes, pues, ha tomado para s\u00ed ciertas peque\u00f1as porciones de la naturaleza y en ellas centra su atenci\u00f3n y sus esfuerzos; la geometr\u00eda ha escogido las l\u00edneas, la m\u00fasica las notas musicales, por ejemplo; em cambio, la filosof\u00eda abarca la naturaleza toda de los seres, puesto que su objeto es este mundo y toda forma visible e invisible la existencia.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[4]<\/a> Escrito de Pedro Dami\u00e3o sobre a onipot\u00eancia divina (<em>De divina omnipotentia<\/em>), a partir de uma interpreta\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica que Jer\u00f4nimo fez de Dt 21, 10-13.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[5]<\/a> <em>La filosof\u00eda nos ense\u00f1a el control del vientre, el control de las partes que est\u00e1n m\u00e1s abajo de \u00e9l y el control de la lengua. Estos controles consid\u00e9ranse apetecibles en s\u00ed mismos pero aparecer\u00e1n como m\u00e1s elevados a\u00fan si son aplicados para honra y servicio de Dios. Preciso es, por eso, tener presente a la se\u00f1ora cuando nos disponemos a desposarnos con las criadas de ella. Y asign\u00e9monos el nombre de esposos de \u00e9stas, pero aqu\u00e9lla no se llame simplemente esposa nuestra, sino sea nuestra esposa verdadera.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[6]<\/a> <em>As\u00ed pues, la verdadera vida es la del que marcha en las decisiones y mandamientos de Dios; de lo que se deduce que los actos de los ateos equivalen a la muerte. Dicho est\u00e1 ya cu\u00e1les son esos actos: no son otros que los de la pasi\u00f3n y los vicios, de los que nacen las multitudes de imp\u00edos y sacr\u00edlegos.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 M\u00e1rio Santana Barbosa* RESUMO: O objetivo deste presente estudo \u00e9 buscar, na obra de F\u00edlon de Alexandria, aspectos que identificam o seu pensamento a respeito da import\u00e2ncia da Filosofia como aspecto indissoci\u00e1vel do pensamento judeu. Para isso, ser\u00e1 analisada a obra \u201cSobre la uni\u00f3n con los estudios preliminares\u201d, na qual, por meio de alegorias &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[544,542],"tags":[],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2693","6":"format-standard","7":"category-filon-de-alexandria","8":"category-jose-mario"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2693"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2694,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2693\/revisions\/2694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}