{"id":2699,"date":"2018-06-11T12:52:06","date_gmt":"2018-06-11T15:52:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2699"},"modified":"2018-06-11T14:14:46","modified_gmt":"2018-06-11T17:14:46","slug":"a-existencia-do-tempo-na-fisica-de-aristoteles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2699","title":{"rendered":"A EXIST\u00caNCIA DO TEMPO, NA F\u00cdSICA DE ARIST\u00d3TELES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Jos\u00e9 M\u00e1rio Santana Barbosa<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">*<\/a><\/p>\n<p><strong>Resumo: <\/strong>Objetiva-se, por meio deste presente estudo, compreender melhor o conceito filos\u00f3fico de <em>tempo<\/em> no pensamento aristot\u00e9lico, no intuito de avaliar sua real exist\u00eancia ou n\u00e3o no universo. Para isso, ser\u00e1 analisado principalmente o livro IV da obra \u201cF\u00edsica\u201d, de Arist\u00f3teles, no qual o autor apresenta sua defini\u00e7\u00e3o de tempo, \u201crefinando\u201d esse conceito juntamente com os de <em>movimento<\/em>, <em>n\u00famero<\/em> e <em>infinito<\/em>, dentre outros. Essa an\u00e1lise ser\u00e1 tamb\u00e9m acrescentada por uma breve contextualiza\u00e7\u00e3o do entendimento de <em>tempo<\/em> para Plat\u00e3o a partir de sua obra \u201cTimeu\u201d e para pensadores neoplat\u00f4nicos (especialmente no que tange \u00e0 dimens\u00e3o ontol\u00f3gica do tempo), bem como a atualiza\u00e7\u00e3o desse tema em fil\u00f3sofos posteriores a Arist\u00f3teles, como Santo Agostinho.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave: <\/strong>Tempo. F\u00edsica. Movimento. Mudan\u00e7a. Percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do pensamento filos\u00f3fico, alguns questionamentos tomaram a frente dos debates no meio acad\u00eamico e perpassaram gera\u00e7\u00f5es quer por sua atualidade, quer pela dificuldade de seu entendimento, resultando na manuten\u00e7\u00e3o de aporias (isto \u00e9, quest\u00f5es n\u00e3o solucionadas) por longos per\u00edodos. A problem\u00e1tica do <em>tempo<\/em> \u00e9 uma dessas. H\u00e1 muitos fil\u00f3sofos que dedicaram grande parte de suas obras para tentar entender melhor o tempo em suas mais diversas caracter\u00edsticas, como sua real exist\u00eancia ou n\u00e3o no universo.<\/p>\n<p>O tempo, contudo, pode ser estudado pelo menos a partir de dois pontos de vista: o psicol\u00f3gico e o filos\u00f3fico. O primeiro refere-se, dentre outras coisas, \u00e0 maneira como nos relacionamos com ele, como por exemplo por meio da recorda\u00e7\u00e3o e da expectativa. Esse \u00e9 um modo de ver o tempo que n\u00e3o responde diretamente aos questionamentos filos\u00f3ficos a que esse trabalho se prop\u00f5e e, ainda que seja citado (especialmente na obra de Agostinho), n\u00e3o ser\u00e1 analisado t\u00e3o profundamente quanto o segundo.<\/p>\n<p>O objetivo principal \u00e9, portanto, analisar a exist\u00eancia do tempo em nosso meio, como algo real e, portanto, demonstr\u00e1vel do ponto de vista filos\u00f3fico. Isso perpassar\u00e1 pelas an\u00e1lises de termos importantes, tais como \u201cn\u00famero\u201d, \u201cagora\u201d, \u201cmudan\u00e7a\u201d, que \u00e0 medida em que s\u00e3o melhor compreendidos, levam-nos a uma melhor compreens\u00e3o do tempo, de maneira geral.<\/p>\n<p>Para essa an\u00e1lise, a principal obra a ser utilizada \u00e9 a \u201cF\u00edsica\u201d (em seu livro IV) de Arist\u00f3teles, na qual o autor explana a respeito das dificuldades do estudo do tempo (cap\u00edtulos 10, 11, 12 e 13), compara-o a outros importantes conceitos e analisa suas caracter\u00edsticas. Grande import\u00e2ncia, e por isso tamb\u00e9m utilizados neste estudo, s\u00e3o as obras \u201cTimeu\u201d de Plat\u00e3o e \u201cConfiss\u00f5es\u201d de Santo Agostinho, nas quais poder\u00e1 ser percebido uma estrita liga\u00e7\u00e3o entre o pensamento aristot\u00e9lico com aqueles que vieram antes e ap\u00f3s o Estagirita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1 EXPOSI\u00c7\u00c3O DO PROBLEMA DO <em>TEMPO<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles inicia sua explana\u00e7\u00e3o a respeito do tempo, no livro IV da F\u00edsica, apontando as grandes dificuldades para estud\u00e1-lo. De fato, o primeiro questionamento que surge ao analisarmos o tempo mais minuciosamente \u00e9: ele \u00e9 \u201cser\u201d ou \u201cn\u00e3o-ser\u201d? Para Arist\u00f3teles, essa n\u00e3o \u00e9 uma pergunta t\u00e3o f\u00e1cil de ser respondida. Uma s\u00f3 \u00e9 a sua certeza: se o tempo \u201c\u00e9\u201d, ele n\u00e3o \u00e9 da maneira como pensamos. Ou o tempo \u201cn\u00e3o \u00e9\u201d ou, na melhor das hip\u00f3teses, ele \u201c\u00e9\u201d de maneira obscura: \u201cQue n\u00e3o \u00e9 totalmente, ou que \u00e9, mas de maneira obscura e dif\u00edcil de captar, n\u00f3s podemos suspeitar pela maneira como se segue\u201d (ARIST\u00d3TELES, <em>F\u00edsica<\/em>, IV, 217b, tradu\u00e7\u00e3o nossa). <a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a><\/p>\n<p>O primeiro grande entrave nessa quest\u00e3o gira em torno da divisibilidade do tempo: o que j\u00e1 passou, foi e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais, enquanto o que ainda n\u00e3o aconteceu, ser\u00e1 em algum momento, mas n\u00e3o \u00e9 no momento presente. Esses momentos seriam, pois, \u201cn\u00e3o-ser\u201d. Como ent\u00e3o fazerem parte do \u201cser\u201d tempo, se ele realmente existir? O que \u00e9 ent\u00e3o o tempo, uma vez que nem o que passou, nem o que ainda vir\u00e1 fazem parte dele?<\/p>\n<p>Segundo Puente (2001, p. 125-126), Arist\u00f3teles inicia sua explana\u00e7\u00e3o a respeito do tempo expondo aporias que vinham desde escritores anteriores a ele, dentre eles G\u00f3rgias e Parm\u00eanides. Para eles, o tempo \u2013 uma vez que assim pensam sobre o ente \u2013 n\u00e3o \u201c\u00e9\u201d, j\u00e1 que s\u00f3 o que existe \u00e9 o presente (o passado e o futuro n\u00e3o s\u00e3o \u201calcan\u00e7\u00e1veis\u201d) e este mesmo se tornar\u00e1 um daqueles quase que simultaneamente.<\/p>\n<p>Interessante vis\u00e3o possui Agostinho, em sua obra bastante posterior \u00e0 de Plat\u00e3o, na qual considera os tempos passado e futuro, como presentes que j\u00e1 passaram e que ainda vir\u00e3o, respectivamente. Essa vis\u00e3o, contudo, parte estritamente do ponto de vista psicol\u00f3gico, isto \u00e9, da lembran\u00e7a e da expectativa de algum evento, e n\u00e3o puramente do ponto de vista filos\u00f3fico, ao qual Plat\u00e3o se dedicara em sua obra.<\/p>\n<p>O que agora claramente transparece \u00e9 que nem h\u00e1 tempos futuros nem pret\u00e9ritos. \u00c9 impr\u00f3prio afirmar que os tempos s\u00e3o tr\u00eas: pret\u00e9rito, presente e futuro. Mas talvez fosse pr\u00f3prio dizer que os tempos s\u00e3o tr\u00eas: presente das coisas passadas, presente das presentes, presente das futuras. Existem, pois, estes tr\u00eas tempos na minha mente que n\u00e3o vejo em outra parte: lembran\u00e7a presente das coisas passadas, vis\u00e3o presente das coisas presentes e esperan\u00e7a presente das coisas futuras. (AGOSTINHO, <em>Confiss\u00f5es<\/em>, XI, 26)<\/p>\n<p>Para Arist\u00f3teles, nem o \u201cagora\u201d pode ser a medida do tempo, uma vez que, para que algo seja a medida de seu todo (como no caso, o agora quanto ao tempo), \u00e9 necess\u00e1rio estar inserido nele. Se, dessa maneira, o agora \u00e9 o limite entre o passado e o futuro \u2013 que na realidade n\u00e3o existem \u2013, ent\u00e3o ele n\u00e3o pode ser usado como par\u00e2metro para medir o tempo. Al\u00e9m disso, para o \u201cagora\u201d ser medido ele precisaria de ter uma dura\u00e7\u00e3o. Se assim o fosse, ele n\u00e3o seria realmente um \u201cagora\u201d (ARIST\u00d3TELES, <em>F\u00edsica<\/em>, IV, 218a).<\/p>\n<p>Contudo, entre o \u201cagora\u201d ocorrido h\u00e1 pouco e o \u201cagora\u201d presente n\u00e3o pode haver um espa\u00e7o. O que \u201cfoi\u201d \u00e9 diferente do que \u201c\u00e9\u201d, que \u00e9 diferente do que \u201cser\u00e1\u201d, mas entre eles n\u00e3o pode haver uma descontinuidade, que \u00e9 inconcili\u00e1vel para Arist\u00f3teles. De fato, um dos tra\u00e7os marcantes da filosofia aristot\u00e9lica \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de toda e qualquer teoria de constitui\u00e7\u00e3o das coisas por \u00e1tomos e vazio, como propunham os atomistas pr\u00e9-socr\u00e1ticos. Assim, o \u201cagora\u201d seria, em uma vis\u00e3o mais ampla, uma sucess\u00e3o cont\u00ednua de fatos, sem nada que os intermediasse.<\/p>\n<p>Outro problema levado e aparentemente resolvido por Arist\u00f3teles \u00e9 a quest\u00e3o da simultaneidade do \u201cagora\u201d. Se ele fosse de fato simult\u00e2neo, sendo sempre o mesmo (uma vez que n\u00e3o tem limites), todos os acontecimentos seriam atuais e fatos ocorridos h\u00e1 milhares de anos seriam ainda presentes e existiriam em nosso meio. Dada a impossibilidade l\u00f3gica desse argumento, ele \u00e9 logo recha\u00e7ado pelo fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p>Uma outra quest\u00e3o levantada nessa parte da F\u00edsica \u00e9 a natureza do tempo, isto \u00e9, qual sua origem, sua atua\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a no mundo. Retomando o pensamento de Plat\u00e3o (e de outros fil\u00f3sofos anteriores a Arist\u00f3teles), para quem o tempo era um movimento c\u00edclico e estritamente relacionado ao movimento dos astros do universo (logo, eterno) Arist\u00f3teles rebate que at\u00e9 mesmo dentro do movimento circular \u2013 que por si s\u00f3 \u00e9 perfeito e infinito \u2013, podemos tirar uma parte e, nela, h\u00e1 tempo, uma vez que \u201cuma parte de um movimento circular n\u00e3o \u00e9 mais o movimento circular, enquanto uma parte do tempo continua sendo tempo, mais precisamente um intervalo de tempo\u201d (PUENTE, 2001, p. 127).<\/p>\n<p>Interessante discord\u00e2ncia com Plat\u00e3o (e concord\u00e2ncia com Arist\u00f3teles) assume Santo Agostinho ao analisar esse aspecto e recha\u00e7ar completamente a hip\u00f3tese de o tempo se resumir ao movimento dos astros.<\/p>\n<p>Ouvi dizer a um homem instru\u00eddo que o tempo n\u00e3o \u00e9 mais que o movimento do Sol, da Lua e dos astros. N\u00e3o concordei. Porque n\u00e3o seria antes o movimento de todos os corpos? Se os astros parassem e continuasse a mover-se a roda do oleiro, deixaria de haver tempo para medirmos as suas voltas? (AGOSTINHO, <em>Confiss\u00f5es<\/em>, XI, 29)<\/p>\n<p>De fato, na obra <em>Timeu<\/em>, em que trata sobre o tempo, Plat\u00e3o (e os pensadores posteriores), deixam evid\u00eancias de que o tempo pode ser identificado de duas maneiras: como movimento do universo (tese rebatida por autores contempor\u00e2neos, como Remi Brague, que indica ser esse pensamento uma interpreta\u00e7\u00e3o neoplat\u00f4nica do <em>Timeu<\/em>) e como imagem m\u00f3vel do eterno, essa \u00faltima, mais plaus\u00edvel (PUENTE, 2001, p. 129).<\/p>\n<p>Nesse sentido, o c\u00e9u vis\u00edvel n\u00e3o \u00e9 nada sen\u00e3o um rel\u00f3gio astron\u00f4mico. Ele possibilita medir a dura\u00e7\u00e3o de todos os movimentos, na medida em que seus movimentos regulares s\u00e3o observados e medidos uns rela\u00e7\u00e3o aos outros segundo n\u00fameros (<em>pros all\u00eala symmetrountai skopountes arithmois, Tim. <\/em>39c). (SCH\u00c4FER, 2012, p. 299)<\/p>\n<p>Dessa maneira, o tempo \u00e9 presente em tudo e em todos os lugares, e \u00e9 ele que mede a velocidade ou n\u00e3o da mudan\u00e7a das coisas (que est\u00e3o subjugadas a ele). Fica evidente, ent\u00e3o, para Arist\u00f3teles, que o tempo mede o movimento das coisas, mas que ele n\u00e3o pode medir-se a si mesmo, uma vez que n\u00e3o h\u00e1, nele mesmo, mudan\u00e7a ou movimento.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b>2 <b>RELA\u00c7\u00c3O ENTRE <em>TEMPO<\/em>, <em>MOVIMENTO <\/em>E<em> N\u00daMERO<\/em><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles, citando uma lenda de seu tempo (na Sardenha), conceitua, aqui, um ponto crucial de seu entendimento sobre a exist\u00eancia do tempo. Se n\u00e3o percebemos a mudan\u00e7a das coisas que est\u00e3o ao nosso redor, ou ao menos do nosso pensamento, seria como se viv\u00eassemos vegetando, como seres inanimados, que n\u00e3o est\u00e3o sob o jugo do tempo. Realmente, em algumas ocasi\u00f5es de nossas vidas, tempos a impress\u00e3o de que o tempo \u201cn\u00e3o passou\u201d, como por exemplo quando estamos em sono profundo e acordamos horas depois, sem nem mesmo darmo-nos conta de nossa exist\u00eancia por tanto tempo. O tempo s\u00f3 existe quando se percebe algum movimento, sendo aquele a medida deste. Daqui infere-se que, se o tempo n\u00e3o \u00e9 movimento, como j\u00e1 foi abordado, ele \u00e9 ent\u00e3o pertencente a este, uma vez que os dois s\u00e3o t\u00e3o estritamente ligados.<\/p>\n<p>Aqui surge um outro problema: o movimento pode ser medido, uma vez que ele alcan\u00e7a a mudan\u00e7a ocorrida entre um est\u00e1gio inicial e um final de uma determinada coisa (isto \u00e9, a sua \u201cmagnitude\u201d). Se assim acontece com o movimento, tamb\u00e9m o tempo que o segue pari passu tem um \u201cantes\u201d e um \u201cdepois\u201d. De fato, as duas coisas parecem se confundir em muitas ocasi\u00f5es (j\u00e1 que tempo e movimento transcorrem simultaneamente e na mesma intensidade). Mas, para o Estagirita, o tempo implica o movimento, sendo algo deste (o tempo seria um predicado de todo ente que se move) (PUENTE, 2001, p. 139-140).<\/p>\n<p>Portanto, quando percebemos o \u201cagora\u201d como uma unidade e n\u00e3o como anterior e posterior no movimento, ou como o mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao anterior e o posterior, ent\u00e3o n\u00e3o parece que tenha transcorrido algum tempo, j\u00e1 que n\u00e3o houve nenhum movimento. Mas quando percebemos um antes e um depois, ent\u00e3o falamos de tempo. Porque o tempo \u00e9 justamente isto: n\u00famero do movimento segundo o antes e o depois. (ARIST\u00d3TELES, <em>F\u00edsica<\/em>, IV, 219a-219b, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa explana\u00e7\u00e3o, Arist\u00f3teles conclui que o tempo \u00e9, pois, um n\u00famero, uma vez que mede o movimento (se ele \u00e9 maior ou menor). Esse n\u00famero mede a dura\u00e7\u00e3o do movimento em sua magnitude, ele \u201c\u00e9 um atributo que se justap\u00f5e a ele [ao tempo] a fim de quantific\u00e1-lo\u201d (PUENTE, 2001, p. 184).<\/p>\n<p>Quanto ao \u201cagora\u201d, ele pode ser, ao mesmo tempo, o mesmo e diverso ao longo do tempo. Se considerarmos o momento atual, o presente, o agora \u00e9 o mesmo, ficando entre o passado e o futuro. Em contrapartida, se considerarmos a caracter\u00edstica de cada \u201cagora\u201d que passa ao longo de um determinado per\u00edodo de tempo, veremos que eles s\u00e3o todos distintos, uma vez que a pr\u00f3pria coisa movida (condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que haja movimento, como visto) j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a mesma do momento anterior ao in\u00edcio do movimento.<\/p>\n<p>O problema que poderia surgir aqui seria a considera\u00e7\u00e3o do \u201cagora\u201d como um ponto isolado, o que levaria \u00e0 compreens\u00e3o de que haveria, entre o \u201cpr\u00f3ximo agora\u201d, um espa\u00e7o (descontinuidade). Para Arist\u00f3teles, isso n\u00e3o pode ocorrer, j\u00e1 que o tempo est\u00e1 sempre \u201cmovendo-se\u201d e, por isso, n\u00e3o para em um determinado ponto, mas age como se fosse uma linha.<\/p>\n<p>Portanto, o tempo \u00e9 n\u00famero, mas n\u00e3o como se fosse o n\u00famero de um mesmo ponto, que \u00e9 come\u00e7o e fim, mas melhor \u00e0 maneira em que os extremos o s\u00e3o de uma linha, e n\u00e3o como as partes da linha, tanto pelo que foi dito antes (pois tomar\u00edamos o ponto m\u00e9dio como dois, e ent\u00e3o o tempo se deteria), como porque \u00e9 evidente que nem o agora \u00e9 uma parte do tempo, nem a divis\u00e3o \u00e9 uma parte do movimento, como nem o ponto \u00e9 parte de uma linha; mas duas linhas s\u00e3o partes de uma linha. [&#8230;] \u00c9 evidente, ent\u00e3o, que o tempo \u00e9 o n\u00famero do movimento segundo o antes e o depois, e \u00e9 cont\u00ednuo, porque \u00e9 n\u00famero de algo cont\u00ednuo. (ARIST\u00d3TELES, <em>F\u00edsica<\/em>, IV, 220a, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Daqui surge, ent\u00e3o, a import\u00e2ncia da an\u00e1lise dos termos \u201canterior\u201d e \u201cposterior\u201d, referindo-se a passado e futuro. Para Arist\u00f3teles, tanto o passado como o futuro funcionam apenas como lembran\u00e7a e possibilidade, respectivamente. Esses eventos \u201cdistantes\u201d n\u00e3o podem ser cont\u00edguos a outros pontos, pois eles carecem de extremos (PUENTE, 2001, p. 196 e 202). O tempo, mais uma vez, surge com a cl\u00e1ssica denomina\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00famero do movimento segundo o antes e o depois\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3 CARACTER\u00cdSTICAS DO TEMPO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como n\u00famero, o tempo pode ser dividido em partes (um, dois&#8230;), mas como medida da magnitude de um movimento, n\u00e3o. Assim, o tempo n\u00e3o pode ser considerado r\u00e1pido ou lento, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 um n\u00famero que possa medir tal caracter\u00edstica. Como n\u00famero, o tempo pode representar a mesma \u201cquantidade\u201d de movimento em duas ou mais ocasi\u00f5es, mas isso n\u00e3o significa que o ocorrido nelas seja o mesmo. Para exemplificar, Arist\u00f3teles cita o ano ou a primavera, que s\u00e3o eventos que acontecem sempre (como forma que o homem encontra de organizar sua vida \u00e0 medida que os nomeia), mas que n\u00e3o expressam as mesmas caracter\u00edsticas. Em anos diferentes, as primaveras s\u00e3o eventos distintos.<\/p>\n<p>Tempo e movimento, como visto, est\u00e3o estritamente ligados, insepar\u00e1veis. Da mesma maneira como medimos o movimento pelo tempo, medimos o tempo pelo movimento. Dessa forma \u00e9 medido tamb\u00e9m o repouso, sendo ele tamb\u00e9m uma forma de tempo.<\/p>\n<p>E medimos a magnitude pelo movimento e o movimento pela magnitude, pois dizemos que o caminho \u00e9 muito se o \u00e9 a viagem, e que esta \u00e9 muito grande se o caminho o \u00e9, e tamb\u00e9m que o tempo \u00e9 muito se o movimento o \u00e9, e que o movimento \u00e9 muito se o tempo o \u00e9. (ARIST\u00d3TELES, <em>F\u00edsica<\/em>, IV, 220b, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa an\u00e1lise, chega-se \u00e0 evidente conclus\u00e3o de que tudo o que existe, \u201c\u00e9\u201d no tempo e \u00e9 sujeito \u00e0s suas leis, \u00e0 sua influ\u00eancia e \u00e0 sua medida. Uma vez que o tempo (ou o movimento que o comp\u00f5e) \u00e9 causa de \u201cdeteriora\u00e7\u00e3o\u201d, as coisas que est\u00e3o sujeitas ao tempo s\u00e3o sujeitas a ela.<\/p>\n<p>Por outra parte, \u201cser no tempo\u201d \u00e9 ser afetado pelo tempo, e assim se diz que o tempo deteriora as coisas, que tudo envelhece pelo tempo, que o tempo faz esquecer, mas n\u00e3o se diz que se aprende pelo tempo, nem que pelo tempo se chega a ser jovem e belo; porque o tempo \u00e9, por si mesmo, mais causa de destrui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 o n\u00famero do movimento, e o movimento faz sair de si o que existe. (ARIST\u00d3TELES, <em>F\u00edsica<\/em>, IV, 221a-221b, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Para fugir disso, \u00e9 necess\u00e1ria uma natureza que exclua a submiss\u00e3o ao tempo, isto \u00e9, a eternidade. Aqui, chega-se \u00e0 ideia de Deus, ainda que n\u00e3o seja citada por Arist\u00f3teles por raz\u00f5es \u00f3bvias. A identifica\u00e7\u00e3o de Deus (da forma mais pr\u00f3xima \u00e0 tida pelo pensamento crist\u00e3o in\u00fameras vezes) como um ser temporal implicaria que ele fosse sujeito a todas essas a\u00e7\u00f5es do tempo, que excluem por completo alguns de seus atributos, como o de Criador do universo. A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o coerente \u2013 de forma emp\u00edrica, sem levarmos em conta os dados da f\u00e9 \u2013 para que isso n\u00e3o ocorresse (a \u201ccorruptibilidade\u201d de Deus) seria a de Ele ser um ser eterno, criador inclusive do tempo. Plat\u00e3o, no <em>Timeu<\/em>, j\u00e1 analisava a respeito dessa caracter\u00edstica do eterno no tempo:<\/p>\n<p>No entanto, aquilo que \u00e9 sempre imut\u00e1vel e im\u00f3vel n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de se tornar mais velho nem mais novo pelo passar do tempo nem tornar-se de todo (nem no que \u00e9 agora nem no que ser\u00e1 no futuro), bem como em nada daquilo que o devir atribui \u00e0s coisas que os sentidos trazem, j\u00e1 que elas s\u00e3o modalidades devenientes do tempo que imita a eternidade e circulam de acordo com o n\u00famero. (PLAT\u00c3O, <em>Timeu, 38a)<\/em><\/p>\n<p>Santo Agostinho, estudando o tempo especialmente sob o seu car\u00e1ter psicol\u00f3gico (e n\u00e3o propriamente ontol\u00f3gico), parece concordar em parte com Plat\u00e3o, ao pensar na exist\u00eancia de Deus como eterno e, inclusive, criador do pr\u00f3prio tempo: \u201cN\u00e3o houve tempo nenhum em que n\u00e3o fiz\u00e9sseis alguma coisa, pois faz\u00edeis o pr\u00f3prio tempo. Nenhuns tempos Vos s\u00e3o coeternos, porque V\u00f3s permaneceis imut\u00e1vel, e se os tempos assim permanecessem, j\u00e1 n\u00e3o seriam tempos\u201d (AGOSTINHO, <em>Confiss\u00f5es<\/em>, XI, 17).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>4 O <em>AGORA<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Um problema que permanece, em todo caso, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre o \u201cagora\u201d e o tempo. De fato, durante todo o cap\u00edtulo IV da <em>F\u00edsica<\/em>, o autor utiliza in\u00fameras vezes esse termo, o que indica a import\u00e2ncia de sua compreens\u00e3o. Para Arist\u00f3teles, como foi visto, o agora \u00e9 um instante que a todo tempo muda e que, ao mesmo tempo em que divide passado e futuro, n\u00e3o \u00e9 um ponto \u2013 o que levaria \u00e0 ideia de uma descontinuidade, invi\u00e1vel no pensamento aristot\u00e9lico. Sendo in\u00edcio de um tempo e fim de outro, o \u201cagora\u201d funciona como em um c\u00edrculo, em seus lados convexo e c\u00f4ncavo, isto \u00e9, o tempo est\u00e1 sempre come\u00e7ando e terminando, e n\u00e3o da maneira linear como poder\u00edamos ficar tentados a imaginar (ARIST\u00d3TELES, <em>F\u00edsica<\/em>, IV, 222b). Assim, o tempo, que nunca \u00e9 o mesmo, tamb\u00e9m n\u00e3o se extinguir\u00e1.<\/p>\n<p>Em outros termos: ao se pensar a infinitude do tempo o agora deve ser pensado n\u00e3o mais como um dos limites que determinam um intervalo temporal, mas sim como um limite \u00fanico e indivis\u00edvel que conecta incessantemente o passado e o futuro. (PUENTE, 2001, p. 125)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse breve estudo, a pergunta principal a que ele foi dedicado pode ser respondida com mais certeza: sem d\u00favidas, ainda que n\u00e3o seja da maneira como corriqueiramente pensamos, o tempo existe, na vis\u00e3o de Arist\u00f3teles. Sua exist\u00eancia est\u00e1 estritamente ligada \u00e0 presen\u00e7a de movimento e, ainda que ele n\u00e3o exista (como no caso do repouso), o tempo \u00e9 o n\u00famero que possibilita a medi\u00e7\u00e3o dessa magnitude (ou aus\u00eancia dela) a partir do instante \u00faltimo em que houve alguma mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Assim, possivelmente nenhuma denomina\u00e7\u00e3o, na vis\u00e3o aristot\u00e9lica, ser\u00e1 mais abrangente para caracterizar o tempo, como a de \u201cn\u00famero do movimento segundo o anterior e o posterior\u201d. \u00c0 medida em que determinamos o \u201ctamanho\u201d (ou a \u201camplitude\u201d) de um movimento a partir de seu in\u00edcio e fim \u2013 e, estes, a partir do movimento que os antecede e sucede, respectivamente \u2013, o tempo funciona como n\u00famero para medir esse movimento e o seu tamanho \u00e9, pois, estritamente ligado a ele.<\/p>\n<p>Dito isso, segue-se que n\u00e3o h\u00e1 tempo sem movimento e mudan\u00e7a, como foi lembrado por Arist\u00f3teles, a partir da lenda passada na Sardenha. O tempo age em tudo e em todos, que, uma vez \u201csubmissos\u201d a ele, s\u00e3o tamb\u00e9m corrupt\u00edveis. Daqui tamb\u00e9m infere-se a necessidade de uma urgente revis\u00e3o do modo de pensar crist\u00e3o \u2013 no que tange \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o filos\u00f3fico-racional de seus dogmas, sem levar em conta o \u00e2mbito da f\u00e9 \u2013, no que se refere \u00e0 sua cren\u00e7a em um Deus que, ao mesmo tempo em que \u00e9 eterno, \u00e9 tamb\u00e9m corrupt\u00edvel pelo tempo. A solu\u00e7\u00e3o \u00fanica para essa quest\u00e3o \u00e9 a de ser ele tamb\u00e9m criador do tempo (n\u00e3o agindo mais nele), e, por isso, eterno, como j\u00e1 propunha Plat\u00e3o em seu pensamento.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que, nem o passado, nem o presente, s\u00e3o considerados tempos existentes (exceto do ponto de vista \u201cpsicol\u00f3gico, como podemos perceber na obra de Santo Agostinho, uma vez que eles ou j\u00e1 existiram e hoje s\u00e3o apenas mem\u00f3ria, ou ainda n\u00e3o existiram, mas existem no pensamento humano no campo da expectativa). Quanto ao tempo estritamente presente, isto \u00e9, o \u201cagora\u201d, para Arist\u00f3teles ele n\u00e3o pode ser, de maneira nenhuma, pensado como um ponto isolado em uma linha, pois isso levaria \u00e0 ideia da presen\u00e7a de um limite entre diferentes \u201cagoras\u201d, o que acarretaria em uma vis\u00e3o de descontinuidade (e exist\u00eancia de \u201cn\u00e3o-ser\u201d), t\u00e3o combatida pelo pensamento aristot\u00e9lico. O agora \u00e9, sim, uma sucess\u00e3o cont\u00ednua de fatos que come\u00e7am e terminam, mas n\u00e3o sob um aspecto linear, como estamos automaticamente acostumados a pensar. Sem d\u00favidas, realmente a figura que pode melhor representar essa sucess\u00e3o de fatos seja a do c\u00edrculo, uma vez que nunca encerra-se em si mesmo, mas a todo tempo, embora inicie um novo ciclo, ele n\u00e3o para em um momento ap\u00f3s um per\u00edodo de tempo decorrido.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AGOSTINHO. <em>Confiss\u00f5es. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de J. Oliveira Santos e A. Ambr\u00f3sio de Pina. Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores. S\u00e3o Paulo: Abril, 1973.<\/p>\n<p>ARIST\u00d3TELES. <em>F\u00edsica.<\/em> Traducci\u00f3n y notas de Guillermo R. de Echand\u00eda. [S. l.]: Editorial Gredos, S.A., 1995. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.uruguaypiensa.org.uy\/imgnoticias\/662.pdf&gt;. Acesso em 15 ago. 2016.<\/p>\n<p>PLAT\u00c3O. <em>Timeu<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rodolfo Lopes. Coimbra: CECH, 2011. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/charlezine.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Timeu-e-Cr%C3%ADtias-Plat%C3%A3o.pdf&gt;. Acesso em: 31 ago. 2016.<\/p>\n<p>PUENTE, Fernando Rey. <em>Os sentidos do tempo em Arist\u00f3teles.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 2001.<\/p>\n<p>SCH\u00c4FER, Christian. <em>L\u00e9xico de Plat\u00e3o<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Milton Camargo Mota. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">*<\/a> Bacharelando em Filosofia pela FAM<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a> <em>Que no es totalmente, o que es pero de manera oscura y dif\u00edcil de captar, lo podemos sospechar de cuanto sigue.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a> <em>As\u00ed pues, cuando percibimos el ahora como una unidad, y no como anterior y posterior en el movimento, o como el mismo con respecto a lo anterior y lo posterior, entonces no parece que haya transcurrido alg\u00fan tiempo, ya que no ha habido ning\u00fan movimiento. Pero cuando percibimos un antes y un despu\u00e9s, entonces hablamos de tiempo. Porque el tiempo es justamente esto: n\u00famero del movimiento seg\u00fan el antes y despu\u00e9s.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> <em>Por consiguiente, el tiempo es n\u00famero, pero no como si fuera el n\u00famero de un mismo punto, que es comienzo y fin, sino m\u00e1s bien a la manera en que los extremos lo son de una l\u00ednea, y no como las partes de la l\u00ednea, tanto por lo que se h\u00e1 dicho antes (pues el punto m\u00e9dio lo tomar\u00edamos como dos, y entonces el tiempo se detendr\u00eda), como porque es evidente que ni el ahora es una parte del tiempo ni la divisi\u00f3n es una parte del movimiento, como tampoco el punto es parte de una l\u00ednea; pero dos l\u00edneas son partes de una l\u00ednea. [&#8230;] Es evidente, entonces, que el tiempo es n\u00famero del movimiento seg\u00fan el antes y despu\u00e9s, y es continuo, porque es n\u00famero de algo continuo.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[4]<\/a> <em>Y medimos la magnitude por el movimiento y el movimiento por la magnitude, pues d\u00e9cimos que el camino es mucho si lo es el viaje, y que \u00e9ste es mucho si el caminho lo es, y tambi\u00e9n que el tiempo es mucho se el movimiento lo es, y que el movimiento es mucho si el tiempo lo es.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-admin\/post-new.php#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[5]<\/a> <em>Por otra parte, \u201cser en el tiempo\u201d es ser afectado por el tiempo, y as\u00ed se suele decir que el tiempo deteriora las cosas, que todo envejece por el tiempo, que el tiempo hace olvidar, pero no se dice que se aprende por el tiempo, ni que por el tiempo se llega a ser joven y bello; porque el tiempo es, por s\u00ed mismo, m\u00e1s bien causa de destrucci\u00f3n, ya que es el n\u00famero del movimiento y el movimiento hace salir de s\u00ed a lo que existe.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 M\u00e1rio Santana Barbosa* Resumo: Objetiva-se, por meio deste presente estudo, compreender melhor o conceito filos\u00f3fico de tempo no pensamento aristot\u00e9lico, no intuito de avaliar sua real exist\u00eancia ou n\u00e3o no universo. Para isso, ser\u00e1 analisado principalmente o livro IV da obra \u201cF\u00edsica\u201d, de Arist\u00f3teles, no qual o autor apresenta sua defini\u00e7\u00e3o de tempo, \u201crefinando\u201d &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[4,542],"tags":[],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2699","6":"format-standard","7":"category-aristoteles","8":"category-jose-mario"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2699"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2704,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2699\/revisions\/2704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}