{"id":2763,"date":"2019-05-14T16:12:11","date_gmt":"2019-05-14T19:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2763"},"modified":"2019-05-14T16:12:11","modified_gmt":"2019-05-14T19:12:11","slug":"o-argumento-ontologico-em-santo-anselmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2763","title":{"rendered":"O ARGUMENTO ONTOL\u00d3GICO EM SANTO ANSELMO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Ant\u00f4nio Marcos Maciel Ferreira<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[*]<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0Resumo:<\/strong>\u00a0O Argumento Ontol\u00f3gico da exist\u00eancia de Deus foi pensado, primeiramente, por Anselmo de Aosta, Arcebispo de Cantu\u00e1ria e uma das principais figuras do pensamento escol\u00e1stico. O Argumento Ontol\u00f3gico est\u00e1 presente na Obra <em>Proslogion <\/em>(1078) na qual Anselmo mostra que Deus \u00e9 o ser do qual n\u00e3o se pode pensar nada maior e, tamb\u00e9m, que \u00e9 imposs\u00edvel pens\u00e1-lo n\u00e3o existente. \u00c0 luz da f\u00e9 e da raz\u00e3o, Santo Anselmo mostra aos insipientes a exist\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O Argumento Ontol\u00f3gico da exist\u00eancia de Deus foi pensado, primeiramente, por Anselmo de Aosta, prior do Mosteiro de Bec, eleito Arcebispo de Cant\u00fa\u00e1ria em 1093 e uma das principais figuras do pensamento escol\u00e1stico.\u00a0 Anselmo quis atender ao pedido dos Monges para elaborar uma argumenta\u00e7\u00e3o totalmente racional, sem depender das Sagradas Escrituras, e que fosse capaz de provar a exist\u00eancia de Deus; o pedido dos monges levou Anselmo a escrever a sua primeira obra chamada de <em>Monologion<\/em>, publicada em 1077. Esta obra atendia o pedido dos Monges, mas estava muito complexa devido ao entrela\u00e7amento das argumenta\u00e7\u00f5es, fator este que o levou a escrever no ano seguinte, em 1078, a obra <em>Proslogion<\/em>, cujo cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o argumento ontol\u00f3gico, argumentos \u201cv\u00e1lidos por si e em si\u201d e escritos para aqueles que n\u00e3o creem em Deus. Apresentaremos neste artigo, de forma sint\u00e9tica, os principais aspectos destes argumentos, apresentando, primeiramente, alguns pontos fundamentais e, posteriormente, uma breve an\u00e1lise dos mesmos.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> ALGUMAS CONSIDERA\u00c7\u00d5ES SOBRE AS DEMONSTRA\u00c7\u00d5ES ONTOL\u00d3GICAS <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Segundo Alain de Libera, autor do livro <em>Filosofia Medieval, <\/em>o s\u00e9culo XI \u00e9 reconhecido por v\u00e1rios estudiosos como o s\u00e9culo em que aconteceu o nascimento de uma verdadeira Filosofia Medieval; aqui tamb\u00e9m queremos recordar algumas figuras importantes que se destacaram profundamente neste per\u00edodo do medievo<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a> como Chartres, Lanfranco e, sobretudo, o fil\u00f3sofo o qual analisamos nesta obra acad\u00eamica, Anselmo de Aosta. Um per\u00edodo marcado por v\u00e1rios eventos importantes que, ao tentarmos enumer\u00e1-los, podemos nos esquecer de alguns, mas queremos destacar aqui, fundamentados nos estudos de Libera, a forma especulativa adotada neste per\u00edodo, sobretudo na interpreta\u00e7\u00e3o da famosa obra <em>\u00d3rganon <\/em>do fil\u00f3sofo antigo, Arist\u00f3teles<em>; <\/em>as diversas mudan\u00e7as no cen\u00e1rio pol\u00edtico, social, intelectual e religioso.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse mesmo contexto, marcado por diversas situa\u00e7\u00f5es, que encontramos Santo Anselmo, o encontramos no s\u00e9culo XI, um s\u00e9culo \u201crico em individualidades de toda esp\u00e9cie, de Bereng\u00e1rio de Tours a Pedro Dami\u00e3o, \u00e9 um s\u00e9culo de te\u00f3logos versados nas artes da linguagem que redescobrem Arist\u00f3teles e fazem uma an\u00e1lise sistem\u00e1tica dos fragmentos do \u00d3rganon\u201d. (LIBERA, 1998, p. 282).<\/p>\n<p>Houve, em determinados momentos da hist\u00f3ria, a afirma\u00e7\u00e3o equivocada que consistia em dizer que f\u00e9 e raz\u00e3o n\u00e3o poderiam andar juntas, ambas eram separadas; esse pensamento foi anulado por muitos pensadores ao dizer que f\u00e9 e raz\u00e3o andam, sim, juntas, e ambas se complementam; a f\u00e9 n\u00e3o suprime a raz\u00e3o nem a intelig\u00eancia, mas acontece justamente o contr\u00e1rio, ambas se despertam e se tornam ainda mais precisas.<\/p>\n<p>A vida de f\u00e9, de certo modo, provoca na pessoa uma s\u00e9rie de sentimentos que o faz ter sede de compreens\u00e3o daquilo que se busca, \u00e9 certo que ningu\u00e9m ama aquilo que n\u00e3o conhece; se se ama, desejamos aprofundar no objeto amado e \u201capossar-se espiritualmente dele mediante a compreens\u00e3o\u201d, \u00e9 nesse sentido que dizemos que Anselmo deixou-se guiar por este desejo de compreens\u00e3o e formulou a prova puramente racional da exist\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p>Em suas obras, Anselmo nos diz que \u00e9 negligente aquele que, uma vez confirmado na f\u00e9, n\u00e3o busca conhecer aquilo que diz amar. A partir de agora nos ocuparemos em apresentar, de fato, os argumentos ontol\u00f3gicos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[2]<\/a> apresentados por Anselmo para provar a exist\u00eancia de Deus.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> O CAMINHO ANSELMIANO DA EXIST\u00caNCIA DE DEUS <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Primeiramente, Anselmo parte da concep\u00e7\u00e3o de que de Deus n\u00e3o se pode pensar algo que seja maior, aqui temos um aspecto importante que consiste em dizer que Deus n\u00e3o \u00e9 o ser maior, mas o ser maior que eu posso pensar. \u201c<em>Ens perfect\u00edssimum <\/em>(ser perfeit\u00edssimo). Deus \u00e9 aquele ser t\u00e3o perfeito, perfeit\u00edssimo, que deve ser inclu\u00edda na sua perfei\u00e7\u00e3o, aquela perfei\u00e7\u00e3o que \u00e9 a exist\u00eancia\u201d. (TOMATIS, 2003, p. 18) Muitos estudiosos consideram que esse termo \u201cmaior\u201d n\u00e3o se refere a uma grandeza espacial, mas a ordem do ser, Deus \u00e9 maior do que todos os seres porque ele \u00e9 maior do que os mesmos na ordem do ser, ele \u00e9 perfeit\u00edssimo.<\/p>\n<p>Observo que o termo \u201cmaior\u201d que Santo Anselmo usa, n\u00e3o deve, claramente, se referir a algo espacial, mas se trata de maior ordem do ser. (Poder\u00edamos talvez, entendendo-a bem, usar a palavra \u201cgrandeza\u201d para caracterizar o que Santo Anselmo chama de \u201cgrande\u201d). Ou seja, um ser \u00e9 tanto maior, quanto \u201cmais de ser\u201d ele tem. Ou ainda, um ser \u00e9 maior que outro se ele for mais perfeito. Assim, neste sentido, o ser humano \u00e9 \u201cmaior\u201d que qualquer planta. (FERREIRA, 2011, p.1)<\/p>\n<p>O que h\u00e1 na minha mente que eu tenho como algo maior? Seja qual for a resposta, Deus \u00e9 o ser do qual n\u00e3o se pode pensar nada de maior; essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 compreendida at\u00e9 mesmo pelo insensato, o fato de o insensato compreender isso significa para n\u00f3s que ele est\u00e1 no pensamento. Tamb\u00e9m levemos em considera\u00e7\u00e3o a passagem da via do pensamento para a realidade; a exist\u00eancia de Deus independe do nosso pensamento. Se Deus existisse apenas no pensamento, ele n\u00e3o seria o ser do qual n\u00e3o se pode pensar nada de maior, pois, o ser perfeito \u00e9 aquele que existe no pensamento e na realidade. O argumento ontol\u00f3gico de Santo Anselmo \u00e9 resumido por Javier Leach da seguinte forma:<\/p>\n<p>Se o maior dos seres que se pode pensar n\u00e3o existir necessariamente, n\u00e3o \u00e9 de fato o maior dos seres que se pode pensar. Portanto, Deus tem que existir, porque do contr\u00e1rio, a l\u00f3gica se tornaria absurda. \u2018Se existe somente na mente, pode ser pensado existindo tamb\u00e9m na realidade, que \u00e9 maior. (FERREIRA, 2011, p. 2)<\/p>\n<p>Para a constru\u00e7\u00e3o deste argumento Anselmo percorre o seguinte caminho: pensa no ser que se quer negar, e depois nega, de fato, o ser pensado. Neste segundo caminho que o insipiente nega o ser, ele acaba afirmando a exist\u00eancia do mesmo; o ser maior \u00e9 aquele que existe no pensamento e na realidade, quando o insipiente nega a exist\u00eancia desse ser maior, ele compreende tal express\u00e3o a qual nos diz que n\u00e3o se pode pensar nada maior e, por essa raz\u00e3o, ao pensar nesse ser maior e tentar neg\u00e1-lo, automaticamente se afirma a exist\u00eancia de Deus, porque o ser maior \u00e9 aquele que existe tanto no pensamento quanto na realidade.<\/p>\n<p>O insensato pensa em Deus como n\u00e3o existente; mas, embora como n\u00e3o existente, pensa em Deus. Mas, pensando em Deus, n\u00e3o pode n\u00e3o pens\u00e1-lo existente, portanto j\u00e1 pensou nele como existente no pr\u00f3prio momento em que pensa nele como n\u00e3o existente. O insensato, quando pronuncia a palavra Deus, de fato usa um simples termo emitindo um som, mas n\u00e3o entende verdadeiramente aquela que \u00e9 a ideia de Deus, ou seja, aquilo que n\u00e3o pode ser pensado como n\u00e3o-existente. (TOMATIS, 2003, p. 21)<\/p>\n<p>A \u00faltima parte do Argumento Ontol\u00f3gico de Santo Anselmo consiste em dizer que n\u00e3o se pode pensar que n\u00e3o existe, o grande absurdo \u00e9 pensar na n\u00e3o exist\u00eancia de Deus; o insipiente pensa que Deus n\u00e3o existe, mas quando ele pensa na n\u00e3o exist\u00eancia de Deus h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o no sentido de que a premissa foi aceita e a conclus\u00e3o negada, no ponto de vista l\u00f3gico isso \u00e9 imposs\u00edvel. N\u00e3o se pode pensar que Deus n\u00e3o existe porque esta ideia foi concebida no pensamento, e se foi concebida no pensamento, n\u00e3o se pode aceita-lo como n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas refer\u00eancias da obra \u201c<em>O Argumento Ontol\u00f3gico\u201d, <\/em>de Francisco Tomatis, que foram colocadas anteriormente e que s\u00e3o de suma import\u00e2ncia; o insipiente diz que Deus n\u00e3o existe, mas ele pensa em Deus, pelo simples fato dele pensar em Deus, o insipiente acaba afirmando a sua exist\u00eancia; o grande aspecto que Tomatis aponta em sua obra \u00e9 que o insipiente at\u00e9 pensa em Deus, mas ele n\u00e3o compreende a grandeza do mesmo, \u201cDeus para o insipiente \u00e9 apenas mais um termo\u201d. Se o insipiente diz que Deus n\u00e3o existe, ele n\u00e3o est\u00e1 pensando naquilo que n\u00e3o se pode pensar nada maior.<\/p>\n<p>Existe, portanto, verdadeiramente \u2018o ser do qual n\u00e3o se pode pensar nada maior\u2019; e existe de tal forma, que nem sequer \u00e9 admitido pensa-lo como n\u00e3o existente. E esse ser, \u00f3 Senhor, nosso Deus, \u00e9s Tu. Assim, tu existes, \u00f3 Senhor, meu Deus, e de tal forma existes que nem \u00e9 poss\u00edvel pensar-te n\u00e3o existente. E com raz\u00e3o. Se a mente humana conseguisse conceber algo maior que tu, a criatura elevar-se ia acima do Criador e formularia um ju\u00edzo acerca do criador. Coisa extremamente absurda. (ANSELMO, 1979, p. 103)<\/p>\n<p>Diante de todas essas informa\u00e7\u00f5es, Deus n\u00e3o \u00e9 somente um ser perfeit\u00edssimo, como nos diz Tomatis, mas \u00e9 tamb\u00e9m um ser necess\u00e1rio; se pensa em Deus a sua exist\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria. Concluindo a sua argumenta\u00e7\u00e3o Anselmo agradece a Deus em vista do argumento. Aqui Tomatis coloca que Anselmo agradece a Deus englobando o crer e o entender, s\u00e3o as duas dimens\u00f5es de f\u00e9 e raz\u00e3o que colocamos no in\u00edcio deste artigo, a f\u00e9 n\u00e3o anula a raz\u00e3o e vice-versa, mas, ambas se completam. \u201cAgrade\u00e7o-te, Senhor bom, agrade\u00e7o-te, porque aquilo em que cri pelo teu dom, agora compreendi pela Tua ilumina\u00e7\u00e3o, de tal modo que mesmo se n\u00e3o quisesse crer que existes, n\u00e3o poderia n\u00e3o compreend\u00ea-lo\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a>. (TOMATIS, 2003, p. 17)<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O Argumento Ontol\u00f3gico de Santo Anselmo \u00e9 um tema bastante complexo, a sua complexidade \u00e9 provada na marca que o mesmo deixou no tempo e deixa at\u00e9 os dias atuais com os pensadores contempor\u00e2neos; v\u00e1rios fil\u00f3sofos se dedicaram a entender\u00a0 melhor este argumento anselmiano, muitos expuseram suas cr\u00edticas, outros apresentaram suas defesas quanto aos argumentos de Anselmo para a exist\u00eancia de Deus. Sabe-se que hoje existem outros caminhos formulados por outros fil\u00f3sofos para provar a exist\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p>Foi no s\u00e9culo XI, marcado por v\u00e1rios acontecimentos hist\u00f3ricos, que Anselmo de Cantu\u00e1ria formula seus argumentos para mostrar, \u00e0 luz da f\u00e9 e da raz\u00e3o, a exist\u00eancia de Deus; uma formula\u00e7\u00e3o totalmente l\u00f3gica, destinada \u00e0queles que n\u00e3o tem f\u00e9, que leva o insipiente, por meio da nega\u00e7\u00e3o, a afirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de Deus, ser perfeit\u00edssimo e necess\u00e1rio, ser do qual n\u00e3o se pode pensar nada de maior e que \u00e9 imposs\u00edvel pensa-lo como n\u00e3o existente.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS <\/strong><\/p>\n<p>ANSELMO, Santo. <em>Vida e obra de Santo Anselmo e Aberlado; Monol\u00f3gio; Prosl\u00f3gio; A verdade; O Gram\u00e1tico (Os Pensadores). <\/em>Tradu\u00e7\u00f5es Ruy Afonso da Costa Nunes, Angelo Ricci. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979.<\/p>\n<p>_______ <em>Monologio; Prosl\u00f3gio; A Verdade; O gram\u00e1tico; L\u00f3gica; A hist\u00f3ria das minhas calamindades. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Angelo Ricci. 1.ed. S\u00e3o Paulo: Abri Cultural, 1973.<\/p>\n<p>TOMATIS, Francesco. <em>O Argumento Ontol\u00f3gico \u2013 A exist\u00eancia de Deus de Anselmo a Schelling. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o S\u00e9rgio Jos\u00e9 Schirato. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2003.<\/p>\n<p>LIBERA, Alain de. <em>A Filosofia Medieval. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Nicol\u00e1s Nyimi Campan\u00e1rio, Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 1998.<\/p>\n<p>FERREIRA, Padre Pedro M. Guimar\u00e3es. <em>O argumento ontol\u00f3gico para a exist\u00eancia de Deus. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pt.scribd.com\/document\/157808497\/O-Argumento-Ontologico-para-a-existencia-de-Deus\">https:\/\/pt.scribd.com\/document\/157808497\/O-Argumento-Ontologico-para-a-existencia-de-Deus<\/a>. Capturado em: 14\/5\/2018<\/p>\n<p>MARTINES, Paulo Ricardo. A interpreta\u00e7\u00e3o do Proslogion por Karl Barth.<em>\u00a0Trans\/Form\/A\u00e7\u00e3o<\/em>[online]. 1996, vol.19, pp.231-239. ISSN 0101-3173.\u00a0 <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0101-31731996000100018\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0101-31731996000100018<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[*]<\/a>Graduando em Filosofia na Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a> O per\u00edodo medieval que envolve, tamb\u00e9m, o s\u00e9culo XI, \u00e9 marcado por diversos aspectos pol\u00edticos, sociais, intelectuais e religiosos conforme citamos acima. Aqui n\u00e3o queremos cair na pretens\u00e3o de citar todos e fazer uma an\u00e1lise de cada um, mas apenas mostrar de forma sint\u00e9tica aquilo que apresentamos. No que diz respeito ao \u00e2mbito social, citamos a instaura\u00e7\u00e3o do feudalismo com tra\u00e7os de vassalagem, como nos diz o autor; tamb\u00e9m no \u00e2mbito pol\u00edtico, Libera coloca o progresso de conquista espanhola, a cruzada no Oriente, a funda\u00e7\u00e3o do Principado de Antioquia, entre outros. O \u00e2mbito intelectual parece ser amplo, temos as pr\u00f3prias argumenta\u00e7\u00f5es de Anselmo, a gram\u00e1tica, a dial\u00e9tica, o <em>Corpus <\/em>da L\u00f3gica descoberto por Fleury, enfim. Por \u00faltimo, no \u00e2mbito religioso, colocamos a retomada da controv\u00e9rsia sobre a Eucaristia iniciada ainda no s\u00e9culo IX.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a> Antes de tudo e em breves palavras, conv\u00e9m fazermos ressalva daquilo que denominamos \u201contologia\u201d. Muitos estudiosos definiram a ontologia como a ci\u00eancia que estuda o ser, ainda completaram dizendo que grande parte dos pensadores consideram que \u00e9 dif\u00edcil conceber ontologia como ci\u00eancia, uma vez que o estudo dela \u00e9 algo metaf\u00edsico e n\u00e3o emp\u00edrico.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> Gratias, tibi, bone Domine, gratias tibi, quia quod prius credidi te donante, iam sic intelligo te illuminante, ut si te esse nolin credere, non possim non intelligere.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Marcos Maciel Ferreira[*] \u00a0Resumo:\u00a0O Argumento Ontol\u00f3gico da exist\u00eancia de Deus foi pensado, primeiramente, por Anselmo de Aosta, Arcebispo de Cantu\u00e1ria e uma das principais figuras do pensamento escol\u00e1stico. 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