{"id":2775,"date":"2019-06-14T12:54:30","date_gmt":"2019-06-14T15:54:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2775"},"modified":"2019-06-14T12:54:30","modified_gmt":"2019-06-14T15:54:30","slug":"deus-e-autor-do-mal-uma-analise-sobre-o-problema-do-mal-em-santo-agostinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2775","title":{"rendered":"DEUS \u00c9 AUTOR DO MAL? UMA AN\u00c1LISE SOBRE O PROBLEMA DO MAL EM SANTO AGOSTINHO"},"content":{"rendered":"\n<p>Ant\u00f4nio Marcos Maciel Ferreira <a href=\"#_ftn1\">[*]<\/a> <strong>Resumo: <\/strong>Este artigo objetiva analisar a problem\u00e1tica do mal nas obras no not\u00e1vel pensador, Santo Agostinho \u2013 Bispo de Hipona. Para tal, valer-nos-emos, sobretudo, da obra \u201cDe L\u00edbero Arb\u00edtrio\u201d e \u201cDe Civitate Dei\u201d restringindo-nos, nesta \u00faltima, apenas nos cap\u00edtulos XIII e XIV. Todo o pano de fundo presente, sobretudo na obra agostiniana sobre o Livre Arb\u00edtrio, quer nos mostrar que Deus n\u00e3o \u00e9 autor do mal; o mal moral n\u00e3o \u00e9 culpa de Deus, e sim do pr\u00f3prio homem. Deus criou o homem para ser bom, como todas as outras coisas no mundo, e ainda mais, dotou o homem da liberdade, mas o mau uso dessa liberdade concedida ao homem o conduziu para o pecado. Dentre os bens criados, o fato de o homem ter a vontade livre \u00e9 um bem, mesmo sendo fraco e se deixando guiar pelas paix\u00f5es. \u201cO pecado n\u00e3o vem da presci\u00eancia Divina\u201d, nos diz Agostinho, n\u00e3o \u00e9 Deus o autor do pecado, mas \u00e9 o pr\u00f3prio homem que, fazendo mal-uso da sua liberdade, acabou por cair no pecado. Para bem articularmos este artigo, faremos o seguinte caminho: 1) &#8211; Preliminares hist\u00f3ricas sobre a problem\u00e1tica do mal em Santo Agostinho; 2)- A desobedi\u00eancia do homem e a gra\u00e7a divina como pressuposto para o agir bem. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave: <\/strong>Agostinho. Pecado. Livre-Arb\u00edtrio. Gra\u00e7a. Raz\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>                                                                 <strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as mais\nrenomadas obras do not\u00e1vel bispo hiponense e doutor da Igreja, Agostinho de\nCantu\u00e1ria, bispo de Hipona, destaca-se o <em>De\nL\u00edbero Arb\u00edtrio (Sobre o Livre Arb\u00edtrio)<\/em>, na qual encontramos sua\nargumentativa acerca do problema da liberdade humana, apontando, assim, para\nquest\u00f5es relevantes que dizem respeito \u00e0 causa da exist\u00eancia do mal no mundo\ntendo como pano de fundo a quest\u00e3o se Deus \u00e9 o criador do mal. <\/p>\n\n\n\n<p>Para analisarmos as\nquest\u00f5es anunciadas por Agostinho em sua c\u00e9lebre obra, <em>De L\u00edbero Arb\u00edtrio, <\/em>valer-nos-emos, tamb\u00e9m, de mais uma outra obra,\nesta tamb\u00e9m de sua autoria, <em>De Civitate\nDei, <\/em>entretanto, observando a exequibilidade desta pesquisa,\nrestringir-nos-emos, sobretudo, ao <em>De\nL\u00edbero Arb\u00edtrio. <\/em>A obra <em>De Civitate\nDei (A cidade de Deus) <\/em>fala-nos de duas cidades distintas, <strong>Cidade de Deus<\/strong> que vive de acordo com a\ngra\u00e7a divina, e a <strong>Cidades dos Homens<\/strong>\nque \u00e9 fundada em si mesmo; essa obra aborda consider\u00e1veis temas que dizem\nrespeito \u00e0 f\u00e9 e a doutrina crist\u00e3, a saber: a exist\u00eancia do dem\u00f4nio, as causas\ndo mal e do pecado, a cognoscibilidade de Deus, sobre a Sant\u00edssima Trindade,\netc. Diante dessa vastid\u00e3o de t\u00e3o preciosos temas que, sem sombras de d\u00favidas,\nmerecem ser aprofundados, analisaremos os trechos em que o mesmo se dedica em\nfazer suas considera\u00e7\u00f5es sobre a queda do homem e do pecado original. <\/p>\n\n\n\n<p>Na abordagem deste\ntema, faz-se necess\u00e1rio nos reportamos para as figuras daqueles que representam\ntoda a humanidade: Ad\u00e3o e Eva. O homem, criatura de Deus, tamb\u00e9m foi criado\npara ser bom, como todas as outras obras da cria\u00e7\u00e3o o s\u00e3o; h\u00e1 no homem, imagem\ne semelhan\u00e7a de Deus, uma especificidade que torna diferente das demais\ncriaturas, o Livre Arb\u00edtrio, a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Na\nnarrativa presente no Livro do G\u00eanesis, Eva busca o alimento que, no momento,\nn\u00e3o tem; o Senhor Deus havia dito que poderiam comer de todos os frutos presentes\nno jardim, exceto daquela que se encontrava no centro do jardim, mas por\nsedu\u00e7\u00e3o da serpente, Ad\u00e3o e Eva come do fruto da \u00e1rvore do centro do jardim com\na promessa de que, caso comessem, seriam capazes de conhecer tudo e serem como\nDeus. Quando o homem desobedece a Deus, ele rompe, por livre vontade, a\nperfeita amizade com Deus, tornando, com isso, uma criatura manchada pelo\npecado. O mal, por sua vez, surge quando o homem, livremente, se afasta de Deus\npelo desejo de serem, tamb\u00e9m, como Deus. <\/p>\n\n\n\n<p>A obra agostiniana\n<em>De Civitate Dei <\/em>nos oferece aspectos\nbasilares para entendermos a origem do mal e quais foram as suas consequ\u00eancias\npara o homem; no <em>De L\u00edbero Arb\u00edtrio <\/em>vemos\nque Deus cria o homem para o bem, pois, tendo criado todas as coisas, <em>\u201cDeus viu que tudo era muito bom\u201d. <\/em>\u00c9\nDeus o autor do mal? Ou \u00e9 o homem que fez um mal-uso da liberdade concedida\npelo criador? Os infort\u00fanios, as desgra\u00e7as, a fome e a mis\u00e9ria s\u00e3o, de fato,\nculpa de Deus? S\u00e3o essas as quest\u00f5es que desejamos abordar nesta breve pesquisa\nsobre a problema do mal em Santo Agostinho. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>1- PRELIMIRARES HIST\u00d3RICAS SOBRE A PROBLEM\u00c1TICA DO MAL\nEM SANTO AGOSTINHO. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cristianismo\nnascente, sobretudo nos seus primeiros s\u00e9culos, era marcado por heresias que,\nde certo modo, amea\u00e7avam a f\u00e9 e a moral, al\u00e9m de demonstrarem cada vez mais a\ndecad\u00eancia do mundo; neste sentido, para preservar a f\u00e9, os pais da Igreja, os\nnot\u00e1veis patr\u00f3logos do medievo, pelo amor que tinham pela Igreja de Cristo,\ndedicaram v\u00e1rios estudos que foram capazes de n\u00e3o s\u00f3 defender a f\u00e9, mas de\nmostrar a beleza encantadora da doutrina crist\u00e3. \u00c9 importante perceber em\nAgostinho que, al\u00e9m desse amor por Cristo e pela Igreja suscitados logo ap\u00f3s a\nsua convers\u00e3o, o mesmo era portador de um not\u00e1vel esp\u00edrito especulativo com o\nqual encontrou motiva\u00e7\u00f5es para responder contra as heresias vigentes na \u00e9poca,\ncomo o Pelagianismo, Manique\u00edsmo, Gnosticismo e o Montanismo. <\/p>\n\n\n\n<p>A heresia do Manique\u00edsmo,\npresente num contexto onde as quest\u00f5es metaf\u00edsicas do mundo e da moral eram\nrespondidas \u00e0 luz da f\u00e9, consiste na defesa de um princ\u00edpio para o bem e um\nprinc\u00edpio para o mal, ambos no mesmo p\u00e9 de igualde; mas em Agostinho, o que\nexiste de fato, \u00e9 o bem, e o mal nada mais \u00e9 do que aus\u00eancia do bem; em\nsuma,&nbsp; em Agostinho n\u00e3o existe um\nprinc\u00edpio para o bem e para o mal, pois, o que existe \u00e9 apenas o bem. Quando\nAgostinho responde contra a fragilidade te\u00f3rica do Manique\u00edsmo logo ap\u00f3s a sua\nprimeira convers\u00e3o, vemos o \u201cin\u00edcio da reflex\u00e3o agostiniana sobre os costumes,\na lei divina, a lei moral, a natureza como norma e as faltas morais\u201d (Cf. LIMA\nVAZ, 1999, p. 183). Quanto ao pelagianismo, precisa e sinteticamente\nrespondemos que \u00e9 o esfor\u00e7o de alcan\u00e7ar a Salva\u00e7\u00e3o sem Deus. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA\npartir do s\u00e9c. I a forma\u00e7\u00e3o \u00c9tica crist\u00e3 segue um caminho tra\u00e7ado pela\nfidelidade ao <em>ethos <\/em>do <em>querigma <\/em>primitivo, sobretudo \u00e0 Norma\nabsoluta, fidelidade manifestada exemplarmente na espiritualidade do <em>mart\u00edrio <\/em>e no confronto com as\ntend\u00eancias her\u00e9ticas, sobretudo do Gnosticismo e do Montanismo\u201d (LIMA VAZ,\n1999, p. 175). <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do mais, nas\nnarrativas da Igreja nascente, v\u00e1rias s\u00e3o as persegui\u00e7\u00f5es por parte do Imp\u00e9rio\nRomano, persegui\u00e7\u00f5es estas muitas vezes sangrentas, cuja finalidade era o\nimpedimento da prega\u00e7\u00e3o e da profiss\u00e3o de f\u00e9 da Mensagem Divina e da pessoa de\nCristo. N\u00e3o obstante, nesse contexto de heresias encontramos v\u00e1rios argumentos\nque colocam em xeque a divindade do Esp\u00edrito Santo, a figura de Cristo e as\nv\u00e1rias especula\u00e7\u00f5es sobre a Sant\u00edssima Trindade. Os santos padres defensores da\nf\u00e9, cuja efic\u00e1cia de seus ensinos \u00e9 reconhecida at\u00e9 os dias atuais, lutaram\npela ortodoxia e pelos valores crist\u00e3os; neste contexto, v\u00e1rias outras figuras\nimportantes como Or\u00edgenes, Agostinho, Greg\u00f3rio de Nissa, Tom\u00e1s de Aquino,\ndentre outros, surgiram como o objetivo de defender \u00e0 f\u00e9, sua doutrina e a\nclareza da Mensagem Salvadora. <\/p>\n\n\n\n<p>Agostinho de\nCantu\u00e1ria, cuja figura propomos analisar nesta pesquisa, possui uma vida que o\ntorna um tanto quanto diferente de outros grandes doutores da Igreja. Enquanto\nalguns possu\u00edam a oportunidade de viverem em contextos e localidades\ndiferentes, Agostinho nunca abandonou a sua p\u00e1tria. \u201cNascido na \u00c1frica, em\nTagaste, morto na \u00c1frica, em Hipona, o maior talvez dos doutores da Igreja\nUniversal n\u00e3o deixou nunca sua p\u00e1tria, fora os cinco anos em que ele passou na\nIt\u00e1lia, em Roma e Mil\u00e3o\u201d (AZZI, 1964, p. 15-16). E para ilustrar ainda mais a\nexcel\u00eancia de Agostinho e o amor que o mesmo tinha por sua p\u00e1tria, o\nhistoriador G. Bardy afirma que \u201cSanto Agostinho se interessa por todos os\nproblemas do seu tempo. Mas \u00e9 o general que tudo controla e tudo dirige sem nunca\nabandonar o posto de comando. E este posto de comando foi a \u00c1frica do Norte\u201d (<em>idem). <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante\no s\u00e9c. IV, acompanhando o definitivo triunfo pol\u00edtico da Igreja a partir de\nConstantino, a \u00e9tica-crist\u00e3 pr\u00e9-agostiniana desenvolveu-se em muitas formas, desde\na generalizada utiliza\u00e7\u00e3o de conceitos de origem filos\u00f3fica, sobretudo\nestoicos, at\u00e9 a proposi\u00e7\u00e3o de helen\u00edstica da \u00c9tica como pedagogia. O alvo \u00e9, de\nacordo com a mesma tradi\u00e7\u00e3o, a consecu\u00e7\u00e3o do fim (telos) da perfei\u00e7\u00e3o ou de um <em>eudaimonia <\/em>ou <em>beata vita, <\/em>propriamente crist\u00e3s, segundo o modelo do Cristo e de\nseu ensinamento, cuja plena realiza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, se dar\u00e1 no advento de um novo\nc\u00e9u e de uma nova terra, numa nova vida na contempla\u00e7\u00e3o face a face de Deus\u201d\n(LIMA VAZ, 1999, p. 175). <\/p>\n\n\n\n<p>Em suas obras, Agostinho\nquer dar respostas crist\u00e3s aos problemas de seu tempo. No <em>Dizionario dei filosofi, <\/em>do <em>Centro\ndi studi filosofici di Gallarate <\/em>encontramos que durante uma fase de sua\nvida Agostinho se dedicou em pensar sobre o problema da liberdade e da gra\u00e7a,\nnos mostra a uni\u00e3o perfeita que existia entre o criador e a criatura, mas\nquando o homem peca, a condi\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o do homem, se torna a de <em>n\u00e3o mais poder pecar. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes da queda Ad\u00e3o podia n\u00e3o pecar (a liberdade do homem estava em plena rela\u00e7\u00e3o com o Criador), depois do pecado a situa\u00e7\u00e3o muda e Ad\u00e3o n\u00e3o pode mais n\u00e3o pecar. O resgate ou o retorno \u00e0quela condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pecar se tornou poss\u00edvel por bondade e gra\u00e7a de Deus pela encarna\u00e7\u00e3o do Verbo Divino em Cristo. A Gra\u00e7a Divina \u00e9 ent\u00e3o sempre necess\u00e1ria para que o homem persista no bem e n\u00e3o se torne escravo, cativo do uso do seu livre arb\u00edtrio. \u00c9 a Gra\u00e7a atual que impulsiona a vontade humana a querer o bem e a cumpri-lo\u201d (DICION\u00c1RIO DE FILOSOFIA, p. 19, 1976).<a href=\"#_ftn2\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Gra\u00e7a Divina,\npor sua vez, \u00e9 o que orienta o homem para escolher o bem depois da queda; sem a\nGra\u00e7a o homem seria incapaz de poder agir bem e, segundo Agostinho, a Gra\u00e7a\nDivina \u00e9 a luz que ilumina o Livre-arb\u00edtrio depois da queda, pr\u00f3prio do homem,\npara que o mesmo escolha n\u00e3o o mal, mas o bem. \u201cO homem pode cair livremente,\nisto \u00e9, por sua pr\u00f3pria vontade, mas foi incapaz de reerguer-se por suas\npr\u00f3prias for\u00e7as e sem a gra\u00e7a de Deus. Para poder recuperar a justi\u00e7a perfeita\nque possu\u00edra no para\u00edso, foi preciso que Deus o restitu\u00edsse ao estado de\nliberdade com seu aux\u00edlio gratuito\u201d (GILSON <em>apud\n<\/em>AGOSTINHO, p. 192, 1991). <\/p>\n\n\n\n<p>Em Agostinho, vemos neste primeiro momento que a\nliberdade que Deus concede ao homem \u00e9 vista como algo bastante positivo, por\u00e9m,\no mal se encontra quando o homem faz um mau uso dessa mesma liberdade que lhe \u00e9\ndada, como j\u00e1 dito, por Deus; em outras palavras, quando o homem age n\u00e3o segundo \u00e0 raz\u00e3o iluminada pela\nf\u00e9, pela gra\u00e7a de Deus, mas age segundo as suas paix\u00f5es, ele age mal, abusa da\nliberdade que lhe foi dada; logo, o pecado prov\u00e9m de uma atitude fundamentada\nn\u00e3o na raz\u00e3o, mas nas paix\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara\nAgostinho, a exist\u00eancia da vontade livre (ou do \u2018liberum arbitrium\u2019) jamais chegou\na ser um problema. Trata-se, a seu ver, de uma verdade prim\u00e1ria e evidente, e\nportanto, incontest\u00e1vel. Temos consci\u00eancia de nos determinarmos a n\u00f3s mesmos e\nde sermos respons\u00e1veis por nossos atos. O problema propriamente agostiniano diz\nrespeito ao uso desta vontade livre, bem como ao seu valor e \u00e0 sua bondade.\nQual \u00e9 a raz\u00e3o de ser da vontade, e como conquista ela a sua perfei\u00e7\u00e3o na\nliberdade?\u201d (BOEHNER; GILSON, p. 191, 1991).&nbsp;\n<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para Agostinho, a vida beata, a vida feliz, \u00e9\na capacidade de conformar o nosso agir \u00e0s leis eternas que s\u00e3o, tamb\u00e9m, leis da\nraz\u00e3o, por\u00e9m, nessas leis da raz\u00e3o devem estar impressas as leis do divino. Diante\ndessa considera\u00e7\u00e3o apresentamos aqui uma diferen\u00e7a, por exemplo, entre\nAgostinho e a Arist\u00f3teles, pois ambos fundamentam o agir humano na raz\u00e3o,\npor\u00e9m, a raz\u00e3o em Agostinho \u00e9 impressa pelo divino, n\u00e3o se tratando de uma\nraz\u00e3o qualquer, mas uma raz\u00e3o iluminada pelo divino. Esta quest\u00e3o \u00e9 o que\nencontramos como pano de fundo no t\u00f3pico seguinte, pois, sendo o homem livre, o\nmesmo \u00e9 incapaz de viver sem a gra\u00e7a de Deus. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. A DESOBEDI\u00caNCIA DO HOMEM E A GRA\u00c7A DIVINA COMO\nPRESSUPOSTO PARA AGIR BEM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Agostinho,\nvirtuoso \u00e9 aquele que se deixa guiar n\u00e3o pelas paix\u00f5es, mas pela raz\u00e3o que \u00e9\niluminada pelo divino. O pecado \u00e9 a ruptura da amizade com Deus, \u00e9 o que os\nprimeiros pais escolheram livremente quando, desobedecendo a lei divina,\ndesejaram ser como o pr\u00f3prio Deus naquele infeliz momento em que os mesmos,\ndominados pela paix\u00e3o, optam em comer o fruto da \u00e1rvore do centro do jardim,\ndesobedecendo a lei divina com o objetivo, se assim podemos dizer, de se\ntornarem divinos, se tornarem como Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO\nconceito do pecado no Antigo Testamento n\u00e3o foca primeiramente a falta moral,\nmas a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e o homem. Embora uma das palavras para o pecado em\nhebraico, chatah\/hata, signifique \u2018errar o alvo\u2019, a mesma \u00e9 usada para dizer\n\u2018pecar\u2019, especificamente no sentido de falhar diante de Deus. As duas outras\npalavras para o pecado mostram claramente a concep\u00e7\u00e3o relacional. Em hebraico,\npassa\/ pesa, significa \u2018culpa\u2019, \u2018ofensa\u2019 contra algu\u00e9m e, o mais amplo, sendo\nutilizado para designar \u2018transgress\u00e3o\u2019, \u2018pecado\u2019, \u2018culpa\u2019, \u2018puni\u00e7\u00e3o\u2019\u201d (HILL,\n2014, p. 16). <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Antes da queda o homem poderia contemplar Deus\nsem experimentar corrup\u00e7\u00e3o e a morte, mas a partir do momento em que o homem\npeca, \u00e9 preciso experimentar a morte, \u00e9 preciso passar pela purifica\u00e7\u00e3o da alma\noutrora marcada pela pureza e que agora est\u00e1 manchada pelo pecado, para depois contemplar\na face misericordiosa de Deus. O pecado dos primeiros pais respinga em toda\nhumanidade; por causa dos primeiros pais, a mancha do pecado, a vergonha diante\nda grandeza da presen\u00e7a de Deus, se fazem presentes em n\u00f3s. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara\nAgostinho (1961b), o pecado original se passa na concep\u00e7\u00e3o da morte. A morte \u00e9\npassada a todos os homens pelo pecado do primeiro homem por causa de sua\ndesobedi\u00eancia e por Deus n\u00e3o ter feito o homem semelhante aos anjos quanto \u00e0\nsemelhan\u00e7a substancial e os anjos n\u00e3o morrerem, assim o homem que obedecesse a\nDeus poderia alcan\u00e7ar a imortalidade sem passar pelo processo da morte\u201d\n(TEIXEIRA, 2016, p. 123).<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras\npalavras, o homem \u00e9 criado de forma boa, segundo vimos no t\u00f3pico anterior; o\nhomem \u00e9 criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, sem conhecer a corrup\u00e7\u00e3o do\npecado e da morte. Deus concedeu aos primeiros pais a faculdade de escolher\nentre o bem e o mal e, por livre vontade, o homem opta pelo mal; o homem faz\numa escolha err\u00f4nea, desobedece a Deus e \u00e9 condenado \u00e0 morte, tinha a\ncapacidade de n\u00e3o experimentar a morte, mas a desobedi\u00eancia o conduziu\njuntamente com toda a humanidade a este supl\u00edcio. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA\nliberdade humana operava desimpedida antes da Queda: essa \u00e9 uma raz\u00e3o para a\ngravidade do pecado de Ad\u00e3o. Mas com a queda de Ad\u00e3o seu pecado trouxe consigo\nn\u00e3o s\u00f3 a sujei\u00e7\u00e3o \u00e0 morte, a doen\u00e7a e a dor, mas tamb\u00e9m a debilita\u00e7\u00e3o moral\nmaci\u00e7a. N\u00f3s, filhos de Ad\u00e3o, herdamos n\u00e3o apenas a mortalidade como tamb\u00e9m a\npecabilidade. Seres humanos corruptos maculados com o pecado original n\u00e3o\ndisp\u00f5em de liberdade para viver bem sem aux\u00edlio: podemos ser livres para\nresistir a cada tenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida que chega, mas nossa resist\u00eancia n\u00e3o pode\nser prolongada dia-a-dia. Necessitamos da gra\u00e7a de Deus n\u00e3o somente para\nconquistar o c\u00e9u, mas tamb\u00e9m para evitar uma vida de cont\u00ednuo pecado\u201d (KENNY,\np. 317, 2008). <\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo XV do <em>De Civitate Dei <\/em>encontramos que\n\u201cpecando, Ad\u00e3o abandonou a Deus antes de Deus abandon\u00e1-lo. A primeira morte da\nalma consistiu em apartar-se de Deus\u201d. Este trecho, de certa forma, mostra-nos\nque Deus n\u00e3o se afasta do homem, mas o pr\u00f3prio homem se afasta de Deus pela\nliberdade concedida pelo pr\u00f3prio Deus; e afastar-se da presen\u00e7a de Deus, eis o\nverdadeiro inferno. A causa da primeira morte \u00e0 qual toda a humanidade ficou\nsubmetida, consiste no <strong>consciente <\/strong>afastamento\nde Deus; contudo, Deus acolhe a escolha do homem, mas o mesmo foi alertado de\nque caso comesse do fruto da \u00e1rvore que estava no centro do jardim, eles\nhaveriam de morrer; Deus respeita a escolha do homem: <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cContudo,\nembora entendamos haver Deus querido significar essa morte nas seguintes\npalavras: No dia em que comerdes morrereis de morte, como se dissesse: No dia\nem que me abandonardes pela desobedi\u00eancia abandonar-vos-ei por justi\u00e7a,\nindubit\u00e1vel \u00e9 que em tal morte se anunciariam tamb\u00e9m as demais que haviam de\nsuceder\u201d (AGOSTINHO, 1964, p. 213). <\/p>\n\n\n\n<p>A teoria\npelagianista \u00e0 qual Agostinho evidentemente se op\u00f5e, consiste em dizer que a\nmorte do homem n\u00e3o foi provocada pelo pecado de Ad\u00e3o, pois todo o homem j\u00e1\nnasce com essa natureza; o pecado de Ad\u00e3o afetou ele mesmo, logo, neste\nsentido, a teoria nos diz, segundo ainda apontado por estudiosos, que o pecado\noriginal n\u00e3o existiria e a humanidade n\u00e3o carrega sobre os seus ombros o erro\ndo primeiro homem. Para Agostinho, o pecado dos primeiros pais que resultou do\nafastamento da gra\u00e7a divina e, consequentemente em sua morte, afeta, sim, toda\na humanidade. No que diz respeito \u00e0 teoria pelagiana, novamente, Deus cria o\nhomem para ser bom, jamais depositaria nele a natureza de ser mal e pecador, o\nmal existente no mundo \u00e9, pois, quando o homem deixa de guiar o seu agir\nsegundo \u00e0 raz\u00e3o iluminada pela gra\u00e7a divina submetendo-se \u00e0s paix\u00f5es. David\nSilva, licenciado em Filosofia, considera o seguinte: <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cA morte corp\u00f3rea n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia do\npecado, mas uma realidade pr\u00f3pria da natureza humana dada por Deus desde o\nin\u00edcio. Sendo assim, a condena\u00e7\u00e3o do homem por causa do pecado de Ad\u00e3o \u00e9 injusta,\npois o mesmo n\u00e3o teve nenhuma liga\u00e7\u00e3o com esse pecado. Agostinho, em seu livro\nA natureza e a gra\u00e7a, exp\u00f5e o pensamento de Pel\u00e1gio sobre a incorruptibilidade\nda natureza provavelmente em seu livro De natura\u201d (SILVA, 2009, p.74). <\/p>\n\n\n\n<p>No livro das Confiss\u00f5es\nde Santo Agostinho, ele nos transmite a mensagem de que tamb\u00e9m as paix\u00f5es e os\nprazeres deste mundo s\u00e3o capazes de provocar o pecado. Segundo Agostinho, o apego\ndemasiado a bens mundanos faz com que nos afastemos do bem maior que \u00e9 Deus,\nquando nos afastamos desse bem maior, ca\u00edmos no pecado. Quando Agostinho trata\nsobre a causa do pecado no Livro II das Confiss\u00f5es, ele n\u00e3o nega que esses bens\npodem nos trazer certa satisfa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o nos sacia como Deus. \u201cA vida neste\nmundo seduz por sua pr\u00f3pria beleza e pela harmonia que mant\u00e9m com todas as\npequenas coisas belas que nos cercam\u201d. (AGOSTINHO, 1997, p. 56). <\/p>\n\n\n\n<p>O homem vive numa\nconstante busca pela felicidade, mas nem sempre os meios pelos quais o mesmo\nvisa alcan\u00e7ar essa felicidade s\u00e3o os mais satisfat\u00f3rios; Agostinho considera\nque os homens eram livres das perturba\u00e7\u00f5es antes de cometem o pecado; os\nprimeiros homens vivam em total harmonia, viviam felizes entre si e inquietude\nnenhuma fazia parte de suas vidas. \u201cAli reinava o imperturb\u00e1vel amor a Deus, os\nc\u00f4njuges viviam entre si em familiaridade sincera e fiel e desse amor flu\u00eda\ngrande gozo, sem faltar objeto de amor digno de desfrute\u201d. (AGOSTINHO, 1964, p.\n197) <\/p>\n\n\n\n<p>Esses s\u00e3o alguns\nefeitos provocados pelo pecado na hist\u00f3ria do g\u00eanero humano. Deus criou o ser\nhumano livre, o livre arb\u00edtrio colocou no cora\u00e7\u00e3o do homem o desejo de\nultrapassar todos os limites estabelecidos por Deus, mas isso n\u00e3o foi poss\u00edvel.\nO pecado entra no mundo por livre e espont\u00e2nea vontade do homem; sozinho o\nhomem decidiu por se afastar de Deus, mas sozinho ele n\u00e3o pode retornar \u00e0\ngra\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cT\u00e3o\nlogo o homem desprezou o mandato de Deus, desse Deus que o criara, que o fizera\n\u00e0 sua imagem e o antepusera aos restantes animais, que o estabelecera no\npara\u00edso e lhe dera abund\u00e2ncia de todas as coisas e de toda sa\u00fade, que , longe\nde impor-lhe muitos preceitos graves e dif\u00edceis, o provera, para encarecer a\nobedi\u00eancia, de um muito leve e breve, com que advertia a criatura ser Ele seu\nSenhor e convir-lhe servi-lo livremente, sobreveio-lhe justa condena\u00e7\u00e3o\u201d.\n(AGOSTINHO, 1964, p.266) <\/p>\n\n\n\n<p>Chegando ao final\ndesta aprecia\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica acerca do problema do mal em Santo Agostinho,\nqueremos nos reportar \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o presente logo no in\u00edcio deste artigo: Deus \u00e9\nautor do mal? Valendo-nos aqui de uma exposi\u00e7\u00e3o de Eul\u00e1lia Bueno, a mesma\nconta-nos que, certo dia, um aluno perguntou ao seu professor se o mal existia,\ne o professor assim respondeu: \u201cClaro que existe o mal, olhe para fora e veja\nquanta maldade existe no mundo\u201d. Diante dessa resposta o aluno respondeu que\ntodos os infort\u00fanios que observamos no mundo \u00e9 a maldade, mas a aus\u00eancia do\nbem. Deus \u00e9 autor do mal? Deus criou o homem bem como todas as outras coisas\npara serem boas, por\u00e9m, o homem, fazendo mau uso dessa liberdade concedida por\nDeus, optou pelo mal, logo, Deus n\u00e3o \u00e9 o autor do mal. O agir mal n\u00e3o tem nada\nhaver com Deus. Para salvaguardar a Bondade de Deus, Agostinho atribui ao\nlivre-arb\u00edtrio o aspecto principal para a presen\u00e7a do mal no mundo. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\">    <strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao concluirmos\nesta pesquisa, baseados nas considera\u00e7\u00f5es agostinianas sobre o pecado,\nconsideramos que a culpa da presen\u00e7a do mal no mundo \u00e9 do pr\u00f3prio homem. Deus\ncriou todas as coisas para serem boas, criou o homem para ser bom e a ele\nconfiou a responsabilidade de preservar a obra da cria\u00e7\u00e3o. O homem \u00e9 dotado de\nliberdade, mas a partir do momento em que homem age segundo as paix\u00f5es,\ndeixando de se guiar pelas raz\u00f5es que s\u00e3o impressas pelo divino, o homem peca.\nAgindo guiado pela paix\u00e3o, os primeiros pais pecaram fazendo com que toda a\nhumanidade ficasse tamb\u00e9m manchada pelo pecado, e como se n\u00e3o bastasse tantos\ninfort\u00fanios e mis\u00e9rias provindos a partir dessa ruptura consciente da amizade\ncom Deus, tamb\u00e9m o agir moral do homem sai prejudicado, pois antes o homem\npodia n\u00e3o pecar, depois da queda ele n\u00e3o pode mais n\u00e3o pecar. Pelo livre-arb\u00edtrio\no homem escolheu por se afastar de Deus, e a presun\u00e7\u00e3o de ultrapassar os\nlimites impostos pelo Transcendente tomou todo o cora\u00e7\u00e3o dos primeiros homens;\ne \u00e9 por meio dessa mesma liberdade que os infort\u00fanios do mundo sustentam toda\nessa maldade que n\u00e3o passa da aus\u00eancia do bem. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\nREFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AGOSTINHO. <em>\u201cA\ncidade de Deus\u201d. <\/em>vol. 1 &amp; 2 Tradu\u00e7\u00e3o Oscar Paes Leme. Editora das\nAm\u00e9ricas S.A: S\u00e3o Paulo, 1964.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>O Livre\nArb\u00edtrio. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Nair de Assis Oliveira. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1995. <\/p>\n\n\n\n<p>BOEHNER, Philotheu; GILSON, \u00c9tienne. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia crist\u00e3: desde as\norigens at\u00e9 Nicolau de Cusa. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Raimundo Vier. 5.ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1991. <\/p>\n\n\n\n<p>CENTRO DI STUDI\nFILOSOFICI DI GALLARATE. <em>Dizionario dei\nfilosofi. <\/em>Sanzoni: Firenze 1976. <\/p>\n\n\n\n<p>GON\u00c7ALVES,\nEladir Laine. <em>Deus existe? \u2013 por Eul\u00e1lia\nBueno. <\/em>(3min.26s.). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jsPDEYQEQrI\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jsPDEYQEQrI<\/a>. Acesso em: 31 mai. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>HILL,\nJoseph Murray. <strong>\u201cA doutrina do pecado\noriginal \u00e0 luz da teoria da evolu\u00e7\u00e3o em Teilhard de Chardin e Karl Rahner. <\/strong>13\/10\/2014.\nMestrado em TEOLOGIA Institui\u00e7\u00e3o de Ensino: FACULDADE JESU\u00cdTA DE FILOSOFIA E\nTEOLOGIA DE BELO HORIZONTE (FAJE). Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.faculdadejesuita.edu.br\/documentos\/070115-ztpI89bqtloq.pdf\">http:\/\/www.faculdadejesuita.edu.br\/documentos\/070115-ztpI89bqtloq.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>SILVA,\nDavid da. O PECADO ORIGINAL: RA\u00cdZES HIST\u00d3RICO-TEOL\u00d3GICAS DE UMA\nCONTROV\u00c9RSIA.&nbsp;<strong>Revista de Cultura Teol\u00f3gica. ISSN (impresso)\n0104-0529 (eletr\u00f4nico) 2317-4307<\/strong>, [S.l.], n. 66, p. 71-91, jun. 2013.\nISSN 2317-4307. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/culturateo\/article\/view\/15492\">https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/culturateo\/article\/view\/15492<\/a>&gt;. Acesso em: 02 out.\n2017. doi:<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.19176\/rct.v0i66.15492\">http:\/\/dx.doi.org\/10.19176\/rct.v0i66.15492<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>TEIXEIRA,\nRodrigo Lima. \u201c<strong>Santo Agostinho e o\npecado original como consequ\u00eancias do distanciamento do sumo bem para o pr\u00f3prio\nbem\u201d <\/strong>Maio\/2016. 144 f. Licenciando em Filosofia Institui\u00e7\u00e3o de Ensino:\nCentro Universit\u00e1rio Filad\u00e9lfia. Dispon\u00edvel em:<a href=\"http:\/\/www.fatadc.com.br\/site\/revista\/6_edicao\/8%20\">http:\/\/www.fatadc.com.br\/site\/revista\/6_edicao\/8%20<\/a>%20SANTO%20AGOSTINHO%20E%20O%20PECADO%20ORIGINAL.pdf<\/p>\n\n\n\n<p>KENNY, Anthony. <em>Uma nova hist\u00f3ria da filosofia ocidental. <\/em>Vol.\nII. Tradu\u00e7\u00e3o Edson Bini. Edi\u00e7\u00f5es Loyola: S\u00e3o Paulo, 2008. <br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[*]<\/a>Graduando em Filosofia na Faculdade Dom Luciano Mendes <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[1]<\/a> Prima della caduta, Adamo poteva non peccare (\u2018posse non peccare\u2019, come \u2018posse non mori\u2019: cfr. <em>De civ. D., XII, 30, <\/em>n.3; dopo il peccato la situazione cambia, e Adamo non pu\u00f2, una volta o l\u2019altra, non peccare (\u2018non posse non peccare; non posse recta agere\u2019: <em>Opus imperf. contra Iul., <\/em>VI, 12). Il riscato \u00e8 stato possibile, per bont\u00e0 e grazia di Dio, con I\u2019incarnazione del Verbo Divino in Cristo. La grazia divina \u00e8 dumque sempre necessaria, perch\u00e9 l\u2019uomo persista nel bene e nos faccia cattivo uso del suo libero arbitrio. \u00c8 la grazia attuale, che spinge la volont\u00e0 umana a volere il bene e a compierlo. (DIZIONARIO DEI FILOSOFI, p. 19,1976)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Marcos Maciel Ferreira [*] Resumo: Este artigo objetiva analisar a problem\u00e1tica do mal nas obras no not\u00e1vel pensador, Santo Agostinho \u2013 Bispo de Hipona. Para tal, valer-nos-emos, sobretudo, da obra \u201cDe L\u00edbero Arb\u00edtrio\u201d e \u201cDe Civitate Dei\u201d restringindo-nos, nesta \u00faltima, apenas nos cap\u00edtulos XIII e XIV. 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