{"id":2796,"date":"2020-08-14T08:47:55","date_gmt":"2020-08-14T11:47:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2796"},"modified":"2020-08-14T08:50:06","modified_gmt":"2020-08-14T11:50:06","slug":"a-questao-do-ser-em-heidegger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2796","title":{"rendered":"A QUEST\u00c3O DO SER EM HEIDEGGER"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Sandro Jos\u00e9 Viana Martins<\/em><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O pensamento do fil\u00f3sofo Martin Heidegger consiste em reavaliar a quest\u00e3o epistemol\u00f3gica acerca do conhecimento, acenando para os equ\u00edvocos dos fil\u00f3sofos precedentes e colocando, para a aquisi\u00e7\u00e3o de um conhecimento seguro, a anal\u00edtica existencial. O fundamento, foco da metaf\u00edsica tradicional, era buscado numa dimens\u00e3o transcendental o que, segundo a concep\u00e7\u00e3o heideggeriana, incidia no abandono do Ser, uma vez que o mesmo deve ser investigado na realidade. A partir disso \u00e9 poss\u00edvel compreender os porqu\u00eas de o fundamento do mundo, para esse fil\u00f3sofo, ser \u201cimanente\u201d.&nbsp; Al\u00e9m disso, dos entes todos, apenas o homem interroga sobre tais quest\u00f5es, portanto, \u00e9 a partir dele, esse <em>ser-a\u00ed<\/em>, que deve se iniciar a nossa investiga\u00e7\u00e3o. Heidegger coloca a condi\u00e7\u00e3o do conhecimento a partir do <em>Dasein<\/em> como forma de compreender o mundo, desconstruindo o dualismo metaf\u00edsico que contrap\u00f4s o sens\u00edvel e intelig\u00edvel, amparado no modelo relacional de sujeito-objeto. Sendo o papel do fil\u00f3sofo problematizar a rede de conceitos que parece responder \u00e0 quest\u00e3o origin\u00e1ria, dentre tantas outras coisas, torna-se pertinente compreender o posicionamento desse fil\u00f3sofo quanto a quest\u00e3o do Ser.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>LEITURA HEIDEGGERIANA DA HIST\u00d3RIA DA FILOSOFIA<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Somos c\u00f4nscios de como nasceu a filosofia. Algumas respostas j\u00e1 se apresentam prontamente quando dela procuramos uma defini\u00e7\u00e3o, tais como: supera\u00e7\u00e3o das explica\u00e7\u00f5es mitol\u00f3gicas, surgimento a partir do espanto e da admira\u00e7\u00e3o ou ainda atrav\u00e9s de uma explica\u00e7\u00e3o etimol\u00f3gica que a define como amor ao saber. O empenho dos pr\u00e9-socr\u00e1ticos, como nos afirmam os historiadores, a come\u00e7ar por Tales de Mileto, \u00e9 de dar uma explica\u00e7\u00e3o racional quanto \u00e0 origem das coisas. Eles s\u00e3o chamados cosmol\u00f3gicos, justamente por usarem elementos da natureza a fim de apresentar uma solu\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o do fundamento. Dentre tantos nomes, Parm\u00eanides merece refer\u00eancia uma vez que, na quest\u00e3o fundamental da filosofia, foi quem se desprendeu dos elementos naturais, lan\u00e7ando assim as bases metaf\u00edsicas, com a famosa f\u00f3rmula de defini\u00e7\u00e3o do ser com o princ\u00edpio l\u00f3gico da n\u00e3o contradi\u00e7\u00e3o: \u201co ser \u00e9 e n\u00e3o-ser n\u00e3o \u00e9\u201d (PARMENIDE. <em>Frammenti<\/em>, n. 6, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, neste trabalho, nos interessa a releitura heideggeriana acerca da hist\u00f3ria da filosofia que questiona sobre o \u201cqu\u00ea\u201d das coisas, ou seja, a que tem por objeto o pr\u00f3prio Ser. Para tanto, Heidegger considera essencial o retorno aos gregos. Isso porque, no decorrer da hist\u00f3ria, a filosofia acabou por se confundir com as demais ci\u00eancias perdendo, juntamente com o seu primado perante elas, o seu objetivo. &nbsp;No escrito <em>Que isto, a filosofia?,<\/em> ele j\u00e1 prop\u00f5e esta quest\u00e3o, n\u00e3o no intuito de fazer uma disciplina da disciplina, mas saber o que de fato significa filosofia. Para tanto, Heidegger recorre a Arist\u00f3teles:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Arist\u00f3teles ent\u00e3o, quase dois s\u00e9culos depois de Her\u00e1clito, caracterizou este passo com a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: [&#8230;] \u201cAssim, pois, \u00e9 aquilo para o qual (a filosofia) est\u00e1 em marcha j\u00e1 desde os prim\u00f3rdios, e tamb\u00e9m agora e para sempre e para o qual sempre de novo n\u00e3o encontra acesso (e que \u00e9 por isso questionado): que \u00e9 o ente? (<em>t\u00ed t\u00f2 \u00f3n)\u201d <\/em>(HEIDEGGER, 1979, p. 17).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim sendo, como disse Heidegger, \u201ca palavra phil\u00f3sophos foi presumivelmente criada por Her\u00e1clito\u201d (HEIDEGGER, 1979, p. 17), bem como todo o significado que a mesma designa. A filosofia procura aquilo que recolhe o ente, dito de outra maneira, ela tem por objeto o Ser do ente. Entretanto, a contribui\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles, neste quesito, foi sintetizar o pensamento dos fil\u00f3sofos precedentes. Para encontrarmos o significado de filosofia devemos rastrear, a partir de seu pr\u00f3prio percurso, aquilo que ela procura. Ou como Heidegger nos indica: \u201cA resposta \u00e0 quest\u00e3o: Que \u00e9 isto \u2013 a filosofia? consiste no fato de correspondermos \u00e0quilo para onde a filosofia est\u00e1 a caminho. E isto \u00e9: o ser do ente.\u201d (HEIDEGGER, 1979, p. 20).<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do ser, tratada na \u00f3tica da metaf\u00edsica, \u201cdeu f\u00f4lego \u00e0s pesquisas de Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles para depois emudecer como quest\u00e3o tem\u00e1tica de uma real investiga\u00e7\u00e3o. O que ambos conquistaram manteve-se, em muitas distor\u00e7\u00f5es e \u2018recauchutagens\u2019, at\u00e9 a l\u00f3gica de Hegel.\u201d (HEIDEGGER, 2004, p. 27). Seja como for, n\u00e3o obstante o cont\u00ednuo esfor\u00e7o dos fil\u00f3sofos, com suas inspira\u00e7\u00f5es particulares e as demandas hist\u00f3ricas, ningu\u00e9m conseguiu superar o alcance desses dois \u2013 de forma ainda mais significativa Plat\u00e3o. Faz-se necess\u00e1rio aqui, uma pequena refer\u00eancia do significado do termo <em>Physis <\/em>para os gregos a fim compreendermos o que faz de Plat\u00e3o algu\u00e9m t\u00e3o importante assim. \u201cA <em>physis<\/em> \u00e9 o Ser mesmo em virtude do qual o ente se torna e permanece observ\u00e1vel\u201d (HEIDEGGER, 1996, p. 52-52). Ou seja, a <em>physis<\/em> \u00e9 o lugar do desabrochar da verdade, mas tamb\u00e9m do ocultamento, \u00e9 o lugar do ser, do n\u00e3o-ser, do vir-a-ser, \u00e9 o lugar da luz e das sombras. Quando, por\u00e9m, Plat\u00e3o contempla a verdade no n\u00edvel transcendental, no Mundo das Ideias, onde nada mais se obscurece e a luz da verdade n\u00e3o engana a ningu\u00e9m daqueles que lhe contempla \u00e9 ent\u00e3o que ele inaugura a metaf\u00edsica e elabora uma defini\u00e7\u00e3o de Ser inigual\u00e1vel. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ou seja, desde ent\u00e3o, n\u00e3o obstante a diverg\u00eancia entre os fil\u00f3sofos, o que h\u00e1 em comum \u00e9 que o Ser passou a ser pensado enquanto um fundamento cuja textura escapole a qualquer devir, a qualquer m\u00e1cula que possa amea\u00e7ar seu estatuto de eternidade, imutabilidade. De certa forma, ent\u00e3o, a tradi\u00e7\u00e3o, em nenhum momento, duvidou de Plat\u00e3o no sentido de discordar deste car\u00e1ter de perman\u00eancia do que seja o Ser; consequentemente, a quest\u00e3o do Ser deixou de ser problematizada. Em outras palavras; o Ser caiu no esquecimento. (GUIMAR\u00c3ES, 2014, p. 68).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A essa altura temos bem esclarecido o papel da filosofia, qual seja: a investiga\u00e7\u00e3o pelo Ser do ente. Dessa grande incumb\u00eancia propriamente filos\u00f3fica diversificados ramos aparecem na tentativa de perscrutar com maior profundidade o que faz o ente ser. Da\u00ed resulta a metaf\u00edsica que se prop\u00f5e especificamente responder o que seja o Ser. Manifestando, desde j\u00e1, a posi\u00e7\u00e3o heideggeriana a respeito da metaf\u00edsica, \u00e9 conveniente apresentar a pondera\u00e7\u00e3o de Heidegger a uma met\u00e1fora usada por Descartes que retrata a filosofia como uma \u00e1rvore, sendo as ra\u00edzes a metaf\u00edsica, o tronco a f\u00edsica e as demais ci\u00eancias sendo representadas pelos outros ramos (ABDALA, 2017, p.14). No escrito <em>O Retorno ao Fundamento da Metaf\u00edsica<\/em>, Heidegger inicia citando essa met\u00e1fora de Descartes e levanta os seguintes questionamentos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Aproveitando esta imagem, perguntamos: Em que solo encontra as ra\u00edzes da \u00e1rvore da filosofia o seu apoio? De que ch\u00e3o recebem as ra\u00edzes e, atrav\u00e9s delas, toda a \u00e1rvore as seivas e for\u00e7as alimentadoras? Qual elemento que percorre oculto no solo, as ra\u00edzes que d\u00e3o apoio e alimento \u00e0 \u00e1rvore? Em que repousa e se movimenta a metaf\u00edsica? O que \u00e9 a metaf\u00edsica vista desde seu fundamento? O que \u00e9, em \u00faltima instancia, a metaf\u00edsica? (HEIDEGGER, 1979, p.55).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao levantar todas essas quest\u00f5es, Heidegger pretende chegar \u00e0 mais dura de suas acusa\u00e7\u00f5es, a de que a metaf\u00edsica ignorou o Ser, assim como Descartes esqueceu do solo, o fundamento da pr\u00f3pria metaf\u00edsica. Toda a refer\u00eancia que ela faz ao Ser, s\u00f3 o faz em prol do ente e n\u00e3o consegue ultrapass\u00e1-lo. Da metaf\u00edsica, diz-nos: \u201cEla n\u00e3o problematiza por que \u00e9 que somente pensa no ser enquanto representa o ente enquanto ente. Ela visa o ente em sua totalidade e fala do ser. Ela nomeia o ser e tem em mira o ente enquanto ente\u201d (HEIDEGGER, 1979, p. 57). Haja vista todas essas pontua\u00e7\u00f5es, quem se colocar verdadeiramente a quest\u00e3o do Ser, ter\u00e1 indubitavelmente que superar a metaf\u00edsica nos moldes em que ela foi colocada. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em linguagem sucinta, portanto, a apropria\u00e7\u00e3o heideggeriana da met\u00e1fora cartesiana declara a metaf\u00edsica como o pensamento que, de sua origem grega \u00e0 sua consuma\u00e7\u00e3o com a invers\u00e3o nietzschiana do platonismo, efetua o esquecimento do ser em estruturas discursivas vinculadas estritamente ao plano \u00f4ntico. Ainda em termos metaf\u00f3ricos, as ra\u00edzes da \u00e1rvore da filosofia, com sua aparente autossufici\u00eancia, encobrem seu solo origin\u00e1rio, mas permanecem nele estabelecidas. Nesse sentido, o pensamento que pretende penetrar nesse solo origin\u00e1rio \u2013 al\u00e9m da metaf\u00edsica, ent\u00e3o \u2013 pergunta-se pelo fundamento da metaf\u00edsica, ultrapassando o dom\u00ednio representativo dos entes para o \u00e2mbito do pensamento do ser (ABDALA, 2017, p. 15).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Aproveitando que nos referimos a Descartes, Heidegger tamb\u00e9m \u00e9 bastante resistente ao racionalismo cartesiano, porque este deposita a certeza do conhecimento do <em>cogito<\/em> e despreza o <em>sum, <\/em>ou seja, o Ser. Precisamente, esse desconforto de Heidegger decorre da tend\u00eancia de separar as realidades, ou mesmo, de eleger uma em detrimento da outra. No intuito de conhecimento seguro o que se alcan\u00e7a s\u00e3o certezas fragmentadas. Al\u00e9m disso, a oposi\u00e7\u00e3o ao <em>cogito <\/em>cartesiano se d\u00e1 por defesa da anal\u00edtica existencial, pela qual Heidegger acredita ser o caminho apropriado para se aproximar do Ser. A anal\u00edtica existencial perscruta o Ser atrav\u00e9s dos sinais emitidos de decorrer hist\u00f3rico. Resume-se no cuidado de n\u00e3o se prender aos entes particulares, mas tamb\u00e9m n\u00e3o salta para a dimens\u00e3o transcendental ou subjetiva. Ou seja, qualquer ponto isolado tomado para an\u00e1lise n\u00e3o permite acesso ao Ser.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Orientando historicamente, o prop\u00f3sito da anal\u00edtica existencial pode ser esclarecido da seguinte maneira: Descartes, a que se atribuiu a descoberta do cogito sum, como ponto de partida b\u00e1sico do questionamento filos\u00f3fico moderno, s\u00f3 investiga o cogitare do ego dentro de certos limites. Deixa totalmente indiscutido o <em>sum<\/em>, embora o sum seja proposto de maneira origin\u00e1ria quanto o cogito. A anal\u00edtica coloca a quest\u00e3o ontol\u00f3gica a respeito do ser do sum. Pois somente depois de se determinar o seu ser \u00e9 que se pode apreender o modo de ser das cogitationes (HEIDEGGER, 2004, \u00a7 10, p. 82).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Evidentemente, a partir do exposto at\u00e9 agora, Heidegger n\u00e3o \u00e9 um fil\u00f3sofo que se compraz somente em dirigir cr\u00edticas a quem quer que seja. Sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ultrapassar a investiga\u00e7\u00e3o do ente enquanto ente, erro do qual incorreu a metaf\u00edsica tradicional esquecendo o pr\u00f3prio Ser. Com a proposta da anal\u00edtica existencial ele se prop\u00f5e investigar o Ser a partir de seu lugar no mundo. \u201cNessa dire\u00e7\u00e3o a repeti\u00e7\u00e3o do sentido do ser n\u00e3o requer mais uma Anal\u00edtica Transcendental, mas uma Anal\u00edtica da Exist\u00eancia\u201d (BARRETO, 2012, p.12). Heidegger \u00e9 influenciado por Kant, quanto ao conhecimento, por\u00e9m, enquanto o que este acentua \u00e9 a possibilidade de conhecer a verdade, para aquele o alcance da verdade acontece na medida da abertura \u00e0 verdade que se revela, trata-se da possibilidade de ser.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta existencialista heideggeriana tem suas bases ainda na fenomenologia de seu mestre, Husserl. Contudo, considera a fenomenologia husserliana no limiar metaf\u00edsico e, por isso, mant\u00e9m a necessidade de se desprender daquilo que \u00e9 prejudicial \u00e0 apreens\u00e3o ou rastreamento do Ser. \u201cO sentido do ser daquilo que Husserl entendia como Eu transcendental \u00e9 determinado por Heidegger como exist\u00eancia f\u00e1tica, em si mesma hermen\u00eautica, a fenomenologia husserliana se converte em fenomenologia hermen\u00eautica em Heidegger\u201d (PAIVA, 1998, p. 20). Ainda \u00e9 importante salientar que a fenomenologia concerne no m\u00e9todo de se fazer ontologia, n\u00e3o podendo associ\u00e1-la a uma teoria. Esse m\u00e9todo \u00e9 composto por tr\u00eas componentes fundamentais que se articulam dialeticamente: a redu\u00e7\u00e3o, que atenta para o ser que pergunta \u2013<em> Dasein<\/em>; a destrui\u00e7\u00e3o especificamente dos conceitos cl\u00e1ssicos; e a reconstru\u00e7\u00e3o que \u00e9 a ontologia propriamente dita, passagem do ente ao Ser, que se d\u00e1 inclusive pela no\u00e7\u00e3o de temporalidade (PAIVA, 1998, p. 21).<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, diante de todos os enganos cometidos, bem como ao afastamento do Ser pela tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, do qual Heidegger insistentemente afirma ter incorrido, o posicionamento menos apropriado a essa altura \u00e9 permanecer no esquecimento do Ser ou dele desistir diante da dificuldade de apreend\u00ea-lo. Nietzsche \u00e9 citado por Heidegger com rever\u00eancia, diante daquilo que afirmou do Ser, comparando-o com um vapor inapreens\u00edvel. De fato, o Ser tende naturalmente a se esconder tal como sugere a ideia de <em>physis<\/em>. Por isso, a tradi\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica errou n\u00e3o por esquecer o Ser, mas por esquecer que o Ser gosta de se esconder. Contudo, n\u00e3o podemos radicalizar essa afirma\u00e7\u00e3o comparando-a a um mero som verbal, um engano ou uma ilus\u00e3o, compreens\u00e3o digna de indiferen\u00e7a (HEIDEGGER, 1966, p. 81). Segue, portanto no pr\u00f3ximo t\u00f3pico do nosso artigo os primeiros passos em busca do Ser.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>LUGAR PRIVILEGIADO DA BUSCA DO SER<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar \u00e9 preciso saber, como no diz M\u00e1rcio Paiva, (1998, p. 30), que \u201co verdadeiro tema da filosofia heideggeriana \u00e9 o Ser, n\u00e3o o homem. Este exerce um papel de porta em dire\u00e7\u00e3o ao Ser, como aquele lugar em que o Ser ilumina-se enquanto tal\u201d. Por isso, a investiga\u00e7\u00e3o do ser deve come\u00e7ar pelo homem, que, enquanto animal racional, questiona o mundo desejoso de alcan\u00e7ar a verdade do Ser que, embora indeterminado, se apresenta constantemente ao pensamento. Pois \u201co ser n\u00e3o \u00e9 um produto do pensamento. Pelo contr\u00e1rio, o pensamento essencial \u00e9 um acontecimento provocado pelo ser\u201d (HEIDEGGER, 1979, 49). Na medida em que o <em>ser-a\u00ed<\/em> sai de si, numa postura de abertura, torna-se ativamente metaf\u00edsico, como diz Kant, citado pelo pr\u00f3prio Heidegger (1979, p.56). Portanto, se o homem mantivesse essa postura, a metaf\u00edsica tradicional seria superada.<\/p>\n\n\n\n<p>Heidegger, como visto acima, acusa a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de ter se esquecido do Ser, por focar toda a pesquisa nos entes. Isso se torna ainda mais percept\u00edvel na modernidade, com o progresso da ci\u00eancia que investiu na pesquisa dos entes, uma vez que a pretens\u00e3o era o dom\u00ednio dos mesmos. Acessando-se somente aquilo que se apresenta facilmente e dando-se por satisfeito, fica ignorado o Ser, que exige mais coragem e empenho por parte daqueles que t\u00eam a possibilidade de conhec\u00ea-lo fica ignorado. Ora, o que importa a princ\u00edpio \u00e9 que, se dedicamos o m\u00ednimo de aten\u00e7\u00e3o a qualquer coisa, seja as complexas ou mesmo as simples, n\u00e3o se pode duvidar de sua exist\u00eancia. Contudo, das muitas quest\u00f5es que levantamos, uma tem primazia, a do Ser, e o mesmo se dando com os entes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ao refletirmos sobre todo o \u00e2mbito que se p\u00f5e em quest\u00e3o, o ente como tal em seu todo, depara-se-nos facilmente o seguinte: Afastamo-nos inteiramente de qualquer ente particular, enquanto este ou aquele. Intencionamos o ente em seu todo mas sem qualquer prefer\u00eancia. Apenas um dentre eles de novo se insinua estranhamente: o homem, que investiga a quest\u00e3o (HEIDEGGER, 1996, p. 40).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para compreender o <em>ser-a\u00ed,<\/em> Heidegger prop\u00f5e a anal\u00edtica existencial que parte da pr\u00f3pria exist\u00eancia entendida como ess\u00eancia do <em>ser-a\u00ed.<\/em> Assim, \u201cSomente o ser humano existe, pois exist\u00eancia, na linguagem filos\u00f3fica heideggeriana, n\u00e3o concerne a algo que simplesmente se expressa como realidade efetiva, objetiva. Exist\u00eancia \u00e9 o modo de ser do ente que, disposto na abertura do ser, tem em jogo o seu pr\u00f3prio ser\u201d (ABDALA, 2017, p. 12). Necess\u00e1rio se torna pontuar que a compreens\u00e3o heideggeriana no uso do termo exist\u00eancia n\u00e3o tem o mesmo sentido tradicional, que entendia a exist\u00eancia como ente simplesmente dado no mundo, restrito apenas \u00e0 dimens\u00e3o \u00f4ntica. O <em>ser-a\u00ed<\/em> ultrapassa essa dimens\u00e3o remontando em sua constitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a dimens\u00e3o ontol\u00f3gica. Este ente espec\u00edfico compreende a si mesmo a partir da compreens\u00e3o do Ser contido na sua realidade existencial. Cabe ainda esclarecer que o existencialismo heideggeriano n\u00e3o pode ser reduzido ao \u00e2mbito antropol\u00f3gico tal como na perspectiva de Sartre, porque a anal\u00edtica existencial tem como meta atingir plano ontol\u00f3gico, a verdade do Ser.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A \u201cess\u00eancia\u201d deste ente est\u00e1 em ter de ser. A quididade (essentia) deste ente, na medida em que se possa falar dela, h\u00e1 de ser concebida a partir de seu ser (exist\u00eancia). Neste prop\u00f3sito, \u00e9 tarefa ontol\u00f3gica mostrar que, se escolhemos a palavra exist\u00eancia para designar o ser deste ente, esta n\u00e3o tem nem pode ter o significado ontol\u00f3gico do termo tradicional existentia. Para a ontologia tradicional, existentia designa o mesmo que ser simplesmente dado, modo de ser que n\u00e3o pertence \u00e0 ess\u00eancia do ente dotado de car\u00e1ter de pre-sen\u00e7a. Evita-se uma confus\u00e3o usando a interpreta\u00e7\u00e3o ser simplesmente dado para designar exist\u00eancia e reservando-se exist\u00eancia como determina\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica exclusiva da pre-sen\u00e7a (HEIDEGGER, 2004, \u00a79, p. 77).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como constitutivo existencial do <em>ser-a\u00ed,<\/em> temos tamb\u00e9m o termo compreens\u00e3o, que oferece ao <em>Dasein<\/em> as possibilidades de abertura \u00e0 sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, bem como \u00e0 quest\u00e3o do Ser. N\u00e3o se entende, neste caso, a compreens\u00e3o como faculdade cognitiva, mas o pr\u00f3prio dinamismo do <em>ser-a\u00ed,<\/em> que vive em meio a todos os demais entes, abarcando em si o pr\u00f3prio Ser. Antes da compreens\u00e3o do mundo, o mundo \u00e9 que compreende o <em>ser-a\u00ed<\/em> como ser-no-mundo. \u201cComo anal\u00edtica existencial, assim, a compreens\u00e3o tamb\u00e9m se d\u00e1 neste contexto a partir do ser-a\u00ed e diz respeito ao seu modo de ser. Isso porque a compreens\u00e3o \u00e9 um existencial constitutivo do ser-a\u00ed que pode ser descrita em tr\u00eas aspectos: compreens\u00e3o de ser, de si e de mundo\u201d (WEYH, 2019, p. 57).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do processo fenomenol\u00f3gico hermen\u00eautico, o <em>ser-a\u00ed<\/em> se compreende como projeto inacabado e, diante da possibilidade de ser, pr\u00f3pria de sua condi\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica origin\u00e1ria, recebe a op\u00e7\u00e3o em assumir a sua abertura para o Ser. Acontece que, em meio a esta tens\u00e3o, o homem tende naturalmente a se recolher por medo das exig\u00eancias de se aventurar numa via um tanto quanto insegura e rodeada de mist\u00e9rio. Esse fechamento do <em>Dasein<\/em> impede-lhe de se compreender e, al\u00e9m disso, como consequ\u00eancia direta, acarreta tamb\u00e9m no abandono do pr\u00f3prio Ser. Resultante desse conturbado processo Heidegger introduz o tema da ang\u00fastia como constitutivo ontol\u00f3gico fundamental do <em>Dasein<\/em> porque o encaminha \u00e0 totalidade de sua exist\u00eancia como ser-no-mundo. N\u00e3o se trata de uma ang\u00fastia entendida simplesmente pela \u00f3tica psicol\u00f3gica, mas como nas pr\u00f3prias palavras de Heidegger: \u201cNa pre-sen\u00e7a, a ang\u00fastia revela o ser para o poder-ser mais pr\u00f3prio, ou seja, o ser-livre para a liberdade de assumir e escolher a si mesmo\u201d (HEIDEGGER, 2004, \u00a7 40, p. 252). Para conclus\u00e3o desse t\u00f3pico, o coment\u00e1rio seguinte sintetiza bem o prop\u00f3sito de Heidegger,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Uma vez que o que \u00e9 esquecido \u00e9 o pr\u00f3prio momento de desabrochamento da vida, propiciado pelo mist\u00e9rio daquilo que, em fun\u00e7\u00e3o do que desabrocha, recua e tende a ser esquecido, isto significa que o fundamento de tudo \u00e9 o infundado, \u00e9 aquilo que n\u00e3o pode ser conhecido, da\u00ed seu car\u00e1ter misterioso. Isto significa ser este mist\u00e9rio que perpassa este desabrochar a g\u00eanese infundada, por\u00e9m instauradora do que se pode entender como vida, e a pr\u00f3pria g\u00eanese do que se pode compreender como homem. Ora, se o que se deve entender como homem \u00e9 tamb\u00e9m perpassado por este acontecimento, isto significa que o pr\u00f3prio homem \u00e9 constitutivo deste mist\u00e9rio, deste desabrochar. Sendo assim, colocar a quest\u00e3o do Ser significa retomar esta experi\u00eancia, e o pr\u00f3prio homem \u00e9 constitutivo desta experi\u00eancia; refletir sobre tal quest\u00e3o significa, necessariamente, refletir sobre o homem. Desta forma, para que a quest\u00e3o do Ser volte \u00e0 tona, \u00e9 imprescind\u00edvel que o pr\u00f3prio homem seja colocado no v\u00f3rtice do problema. Sendo assim, voltar a colocar a quest\u00e3o do Ser significa, ao mesmo tempo, voltar a colocar em quest\u00e3o o pr\u00f3prio homem (GUIMAR\u00c3ES, 2014, p. 20).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Como anunciado desde o in\u00edcio do trabalho a quest\u00e3o fundamental para Heidegger \u00e9 o Ser. Contudo, antes de quaisquer respostas o essencial \u00e9 insistir na quest\u00e3o que, por prolongado per\u00edodo, ficou esquecida. Ademais, o primeiro passo desta investiga\u00e7\u00e3o concerne naquele que coloca a quest\u00e3o, o <em>ser-a\u00ed.<\/em> A partir dele, abrem-se as possibilidades de rastrear o Ser. Assim sendo, \u201cA anal\u00edtica da pre-sen\u00e7a, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 somente incompleta mas tamb\u00e9m provis\u00f3ria\u201d (HEIDEGGER, 2004, \u00a75, p. 44).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do que foi abordado neste artigo, vimos que Heidegger faz um retorno aos gregos de onde a filosofia se ocupou sobremaneira com a sua quest\u00e3o fundamental: o Ser. Esse retorno torna-se justific\u00e1vel, pois acusa a filosofia de ter, ao longo da hist\u00f3ria, se esquecido do Ser. Quem melhor tratou da quest\u00e3o do Ser foi Plat\u00e3o, sem desconsiderar, \u00e9 claro, a contribui\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9-socr\u00e1ticos de maneira especial Her\u00e1clito e Parm\u00eanides, bem como, ulteriormente, o pr\u00f3prio Arist\u00f3teles. O fato \u00e9 que quando Plat\u00e3o supera a <em>Physis <\/em>direcionando-se ao transcendente, o Mundo das Ideias, inaugura a metaf\u00edsica e chega a defini\u00e7\u00e3o do Ser jamais superada: o Ser \u00e9 eterno e imut\u00e1vel. No decorrer do tempo, a filosofia n\u00e3o somente se limitou a essa defini\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica, como tamb\u00e9m abandonou o pr\u00f3prio Ser, depositando toda a aten\u00e7\u00e3o nos entes, privando-se no plano do \u00f4ntico. Houve tamb\u00e9m a associa\u00e7\u00e3o do Ser com o Deus crist\u00e3o, que nem foi mat\u00e9ria desse artigo, mas a refer\u00eancia \u00e9 v\u00e1lida. Quando Heidegger usa a met\u00e1fora cartesiana da \u00e1rvore da filosofia e identifica que o erro de Descartes foi desconsiderar o fundamento dessa \u00e1rvore ou quando o acusa de se contentar com o <em>cogito<\/em> sem se atentar ao <em>sum, <\/em>n\u00e3o faz mais do que usar Descartes como exemplo para comprovar a acusa\u00e7\u00e3o do esquecimento do Ser por parte da filosofia. Com base na fenomenologia de Husserl, Heidegger desenvolve a anal\u00edtica da exist\u00eancia que coloca a quest\u00e3o ontol\u00f3gica do Ser e o perscruta a partir do seu lugar no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O lugar inicial da investiga\u00e7\u00e3o do Ser \u00e9 o ente que coloca a quest\u00e3o do Ser, ou seja, o homem, o \u00fanico ente que existe, pois tem consci\u00eancia de si. Para Heidegger, a exist\u00eancia \u00e9 a ess\u00eancia do homem, o seu modo de ser que, na abertura constitutiva ao Ser, tem em jogo o seu pr\u00f3prio Ser. Essa abertura constitutiva do homem \u00e9 representada pelos termos da compreens\u00e3o e da ang\u00fastia: a primeira \u00e9 o dinamismo do <em>Dasein<\/em> dado como ser-no-mundo que se abre \u00e0 compreens\u00e3o de si, do mundo e do pr\u00f3prio Ser; e a segunda, aquela que oferece ao <em>Dasein<\/em> a possibilidade de ser. Haja vista, que o intuito primeiro de Heidegger \u00e9 a quest\u00e3o do Ser, para qual se deve depositar toda reflex\u00e3o, e que a investiga\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar por aquele que coloca a pergunta, compreendemos porque a quest\u00e3o <em>Dasein<\/em> \u00e9 essencial, mas transit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>ABDALA, Amir. A cr\u00edtica Heideggeriana \u00e0 Metaf\u00edsica. <em>Eleutheria, <\/em>Campo Grande, MS\/ junho\/2017 \u2013 novembro\/2017.Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/reveleu\/about\/contact\">https:\/\/periodicos.ufms.br\/index.php\/reveleu\/about\/contact<\/a>&gt;. Acesso em: 27 set. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>BARRETO, S\u00f4nia. Ontologia e Cr\u00edtica da metaf\u00edsica: Kant e Heidegger.<em> Revista Estudos Filos\u00f3ficos <\/em>n\u00ba 8\/2012. UFSJ- S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei- MG.Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.ufsj.edu.br\/portal2-repositorio\/File\/revistaestudosfil\">https:\/\/www.ufsj.edu.br\/portal2-repositorio\/File\/revistaestudosfil<\/a>&gt;. Acesso em: 17 set. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>GUIMAR\u00c3ES, CR. Heidegger e a excel\u00eancia da quest\u00e3o do ser. In: LIMA, ABM. (Org.). <em>Ensaios sobre fenomenologia: Husserl, Heidegger e Merleau-Ponty<\/em>. Ilh\u00e9us, BA: Editus, 2014, p. 51-75. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/books.scielo.org\/id\/pcd44\/pdf\/lima-9788574554440-03.pdf\">http:\/\/books.scielo.org\/id\/pcd44\/pdf\/lima-9788574554440-03.pdf<\/a>&gt;. Acesso em 07 nov. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>HEIDEGGER, Martin. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 metaf\u00edsica. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Emmanuel Carvalho Le\u00e3o. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1966.<\/p>\n\n\n\n<p>______. <em>Confer\u00eancias e escritos filos\u00f3ficos.<\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Ernildo Stein.S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1979.&nbsp;(Os Pensadores).<\/p>\n\n\n\n<p>______. <em>Ser e Tempo. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Marcia S\u00e1 Cavalcante Schuback. 13. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>PAIVA, M\u00e1rcio Ant\u00f4nio de. <em>A liberdade como horizonte da verdade segundo M. Heidegger<\/em>. 1998. 254f. Tese. (Doutorado em filosofia). Editrice Pontificia Universit\u00e1 Gregoriana, Roma. 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>PARMENIDE. <em>Frammenti<\/em>. In: REALE, Giovanni (Org.). <em>I presocratici<\/em>. Milano: Bompiani, 2015, p. 477-503.<\/p>\n\n\n\n<p>WEYH, Katyana Martins. <em>Do cuidado como ess\u00eancia da exist\u00eancia do ser-a\u00ed em Heidegger.<\/em> Porto Alegre, Editora Fi, 2019. &nbsp;Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/3c290742-53df-4d6f-b12f-6b135a606bc7.filesusr.com\/ugd\/48d206_a25547d9d4ab44a18fd19e058c637462.pdf\">https:\/\/3c290742-53df-4d6f-b12f-6b135a606bc7.filesusr.com\/ugd\/48d206_a25547d9d4ab44a18fd19e058c637462.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 12 mar. 2020.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <em>[&#8230;] l\u2019essere \u00e8, il nulla non \u00e8.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandro Jos\u00e9 Viana Martins INTRODU\u00c7\u00c3O O pensamento do fil\u00f3sofo Martin Heidegger consiste em reavaliar a quest\u00e3o epistemol\u00f3gica acerca do conhecimento, acenando para os equ\u00edvocos dos fil\u00f3sofos precedentes e colocando, para a aquisi\u00e7\u00e3o de um conhecimento seguro, a anal\u00edtica existencial. O fundamento, foco da metaf\u00edsica tradicional, era buscado numa dimens\u00e3o transcendental o que, segundo a concep\u00e7\u00e3o &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[57,551,1],"tags":[],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2796","6":"format-standard","7":"category-heidegger","8":"category-sandro-jose-viana-martins","9":"category-uncategorized"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2796"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2796\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2799,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2796\/revisions\/2799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}