{"id":2801,"date":"2020-09-17T20:53:43","date_gmt":"2020-09-17T23:53:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2801"},"modified":"2020-09-17T21:27:48","modified_gmt":"2020-09-18T00:27:48","slug":"historia-da-filosofia-filosofica-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2801","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIA DA FILOSOFIA: FILOS\u00d3FICA OU N\u00c3O?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Ihudison de Paula Coelho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Gradua\u00e7\u00e3o, aulas, estudos de obras da filosofia, trabalhos, entre outros. Ser\u00e1 que tudo o que se aprende faz com que se formem fil\u00f3sofos ou historiadores da filosofia? Questionamento intrigante. Este \u00e9 problema desenvolvido pelo fil\u00f3sofo Oswaldo Porchat Pereira em seu texto intitulado <em>Discurso aos estudantes sobre pesquisa em Filosofia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O problema e as formas de interpret\u00e1-lo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Mas, o referido problema baseia-se, segundo o autor, no m\u00e9todo como \u00e9 ensinada a filosofia nas salas de aula. Muito influencia o m\u00e9todo estruturalista franc\u00eas de leitura, o qual \u201cimp\u00f5e-se seguramente a necessidade metodol\u00f3gica de deixar de lado as posi\u00e7\u00f5es pessoais, os pontos de vista filos\u00f3ficos que eventualmente se tenham\u201d (PORCHAT, 2006, p. 20).<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, no caminho de forma\u00e7\u00e3o do estudante \u00e9 como que \u201cimposto\u201d a deixar de lado suas posi\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es para que possa fazer uma boa leitura e an\u00e1lise das obras filos\u00f3ficas. Por\u00e9m, de outro lado, corre-se tamb\u00e9m um certo risco de preconceito contra este m\u00e9todo, ao se anunciar uma argumenta\u00e7\u00e3o superficial dos problemas que surgem (p. 20), procurando interpret\u00e1-lo com base nos posicionamentos pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, toma t\u00f4nica no problema o fato de, no curso de filosofia, os professores estarem apagando as motiva\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es filos\u00f3ficas dos estudantes, de modo a se centrar diretamente na quest\u00e3o filos\u00f3fica a qual est\u00e3o estudando, por meio das obras (estruturalismo) e da erudi\u00e7\u00e3o do docente, com sua \u201cautoridade magistral\u201d (p. 31).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A sa\u00edda \u201cporchatiana\u201d para o problema<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Segundo o autor, o modo para se resolver essa problem\u00e1tica seria uma nova forma de se ensinar e aprender filosofia, na qual uma inicia\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica se faz, sim, necess\u00e1ria, nas principais tem\u00e1ticas da filosofia. Al\u00e9m disso, o autor prop\u00f5e que:<\/p>\n\n\n\n<p>Se deve dar maior aten\u00e7\u00e3o [&#8230;], aos autores contempor\u00e2neos, \u00e0s tend\u00eancias principais do pensamento filos\u00f3fico de nossos dias, \u00e0s suas v\u00e1rias linhas de for\u00e7a, incentivando nossos alunos a se interessarem por elas e a trabalh\u00e1-las. Porque \u00e9 infelizmente poss\u00edvel, entre n\u00f3s, terminar a Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia n\u00e3o tendo lido nem trabalho nenhum, ou quase nenhum, dos temas de que se ocupam os fil\u00f3sofos que neste mesmo momento est\u00e3o em nosso mundo propondo seus filosofemas. (PORCHAT, 2006, p. 25-26).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os estudantes de filosofia, por meio de semin\u00e1rios, aulas, trabalhos, se confrontariam com o novo, com as realidades e problemas que os cercam, sem medo de questionarem e exporem suas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Hist\u00f3ria da Filosofia \u2013 Bases para o pensamento<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Torna-se agora necess\u00e1rio afirmar, por outro lado, a import\u00e2ncia da Hist\u00f3ria da Filosofia para o pensamento. Parece, cab\u00edvel, ressaltar a origem grega da filosofia, de modo a se tornar o baluarte para o pensamento ocidental. Foram os pensamentos dos primeiros fil\u00f3sofos, a necessidade de entender o <em>cosmos<\/em> e as origens das coisas, que fizeram com que a filosofia se tornasse esse espa\u00e7o de perguntas, problemas e de uma sede incr\u00edvel pelo saber.<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento grego tamb\u00e9m traz consigo a atualidade de quest\u00f5es ainda hoje inquietantes como o sentido da vida, o sentido do ser humano, entre outras.&nbsp; Por isso, n\u00e3o podemos desconsiderar, ou mesmo trat\u00e1-lo sem sua import\u00e2ncia para a filosofia pois, \u201c\u00e9 o encontro entre o pensamento dos fil\u00f3sofos antigos e o nosso pr\u00f3prio horizonte cultural que faz surgir um ditado novo e original\u201d (BOTTER, 2013, p. 30).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Riscos: arca\u00edsmo e atualismo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Todavia, h\u00e1 de se considerar alguns riscos os quais, o problema, se a hist\u00f3ria da filosofia \u00e9 filos\u00f3fica ou n\u00e3o, pode gerar. Primeiro, o arca\u00edsmo, ou seja, o perigo de se ficar preso aos fil\u00f3sofos antigos, fazendo com que os problemas atuais, aqueles que v\u00e3o surgindo, tenham a an\u00e1lise, ou mesmo todas as respostas na filosofia antiga. Isso constitui uma recusa dogm\u00e1tica ao novo, aos pensadores que foram desenvolvendo o pensamento filos\u00f3fico ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, corre-se o risco de um certo atualismo, ou seja, o enfoque desmedido e cego aos fil\u00f3sofos da atualidade, bem como suas filosofias para os problemas contempor\u00e2neos, desprezando todos os outros pensamentos anteriores, e concebendo, assim, a figura central de uma filosofia da atualidade como resposta \u00fanica para os problemas que nos cercam.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Afinal, a hist\u00f3ria da filosofia \u00e9 filos\u00f3fica ou n\u00e3o? Depende. Ela n\u00e3o \u00e9, a partir do momento em que prende-se na hist\u00f3ria, reduzindo o <em>status questionis<\/em> aos dados historiogr\u00e1ficos, sendo em vez de uma pensadora, uma historiadora, ou mesmo ao propor a filosofia contempor\u00e2nea como \u00fanica resposta a todos os problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela, por\u00e9m, \u00e9, na medida em que n\u00e3o se prende ao simples fator hist\u00f3rico, mas procura dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es e aos problemas que lhe aparecem, discutindo-os continuamente. Realiza-se, portanto, uma desconstru\u00e7\u00e3o e autoconstru\u00e7\u00e3o quotidiana, possibilitando um confronto entre as diversas fases da filosofia, contribuindo, desse modo, para o movimento do pensar rumo ao conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>PORCHAT, Oswaldo Pereira. Discurso aos estudantes sobre pesquisa em Filosofia. <em>Fundamento<\/em>, Ouro Preto, v. 1, n. 1, p. 18-33, set.\/dez. 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.revistafundamento.ufop.br\/index.php\/fundamento\/article\/view\/13\/4&gt; Acesso em: 13 ago. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>BOTTER, B\u00e1rbara. <em>Fazer filosofia<\/em>: aprendendo a pensar com os primeiros fil\u00f3sofos. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ihudison de Paula Coelho Gradua\u00e7\u00e3o, aulas, estudos de obras da filosofia, trabalhos, entre outros. Ser\u00e1 que tudo o que se aprende faz com que se formem fil\u00f3sofos ou historiadores da filosofia? Questionamento intrigante. Este \u00e9 problema desenvolvido pelo fil\u00f3sofo Oswaldo Porchat Pereira em seu texto intitulado Discurso aos estudantes sobre pesquisa em Filosofia. 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